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Os livros não têm pressa

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Leitor folheia livros numa livraria de Madri, nesta quarta-feira. LUIS SEVILLANO

Leitor folheia livros numa livraria de Madri, nesta quarta-feira. LUIS SEVILLANO

 

Plataforma Amazon entrega pedidos literários, entre outros produtos, em menos de duas horas

Juan Cruz, no El País

Juan Cueto levou da Itália para a Espanha o conceito da vida lenta. Era o começo dos anos noventa, quando o sociólogo Enrique Gil Calvo escreveu Prisa por Tardar (pressa de demorar) e o filósofo Emilio Lledó publicou El Silencio de la Escritura (o silêncio da escrita), e antes de saírem Los Libros y la Libertad (os livros e a liberdade), em defesa da leitura detida. Agora, a invasão da Internet associa tudo à pressa, e esse sentimento chegou de tal modo à leitura (e ao consumo literário) que a multinacional Amazon acaba de lançar em Madri um serviço (ainda não disponível no Brasil) que entrega os livros (mas também hortaliças, iogurte, manteiga…) em uma ou duas horas.

Ter um livro é tão urgente como ter óleo para fritar ovos ou iogurtes para uma bolacha? As pessoas com as quais conversamos relativizam o sufoco: a revolução da pressa não vai matar a estrela do livro, que é o silêncio, o sossego e, portanto, o tempo.

Para explicar isso, o espanhol Luis Landero, autor do livro Juegos de la Edad Tardía (Jogos da idade tardia), recorre a Ortega y Gasset, que dizia que um livro “aumenta o coração”. “A vida não tem argumento, e o livro lhe confere harmonia.” Os livros, além disso, não são procurados, são achados. “Assim fiz o meu cânone: Rubén me levou a Antonio Machado, Bécquer a Juan Ramón Jiménez, e este à Geração de 27. Para isso a pessoa vai a uma livraria: para bisbilhotar. E os livros aparecem na sua frente.”

Saber escolher

“A lentidão” nos educa, diz Landero. “A solidão, as paisagens. E uma livraria é essa paisagem também. Agora a rapidez é em si mesma um artigo de consumo. A lentidão é laboriosa; o imediatismo é o elogio do desmesurado. A rapidez deveria estar entre os pecados capitais!” Seu colega espanhol Lorenzo Silva acha o lugar menos importante. “Compro pela Internet, em livrarias, em lojas de departamentos, onde o livro me apanhar. Eu gosto de comprar livros, de lê-los… E isto da Amazon nem sequer é uma invenção: há anos se faz por aqui, mas é verdade que não com tanta rapidez.”

Na filosofia da lentidão se move Carlos García Gual, sábio do mundo clássico. “A questão é escolher. E para isso a pressa não ajuda. O imediatismo na aquisição – de livros, por exemplo – propõe algo que remete ao supermercado. Na livraria há o livreiro, e lá você dá uma olhada e uma folheada. Nos supermercados (de livros, por exemplo) ninguém o conhece. Aí escolhem por você. Vender-lhe um livro porque já é best seller não significa que estejam lhe vendendo o melhor.” E se este fosse um episódio da história da leitura, que tempo seria? “Um tempo bastante triste. A esperança é o leitor não poluído pela propaganda, o pequeno editor que se atreve com o que não tem grande difusão… E a livraria, claro.” Alguma vantagem em receber o livro já? “Quando você faz um trabalho urgente. Mas o prazer de ler se busca lentamente.”

Javier Celaya, que dedica sua vida a analisar a relação do mundo digital com o mundo editorial, foi recentemente à nova Foyles, a lendária livraria de Londres. “Wi-fi em todos os andares … Lá não é preciso se comunicar com ninguém: o celular leva você até a gôndola onde está o livro que você procura. A Amazon entendeu bem essa lógica do serviço. Mas a suposta necessidade de encontrar rapidamente um livro provoca mais necessidade de consumo. É o ‘quero e quero já’; você se sacia imediatamente, mas logo vai querer mais.”

Então a pressa veio para ficar? “Em tudo. O EL PAÍS disse outro dia: olhamos o celular 200 vezes por dia para saber as novidades.” Restará algo de lento na vida? “Os momentos de desconexão total, que eu desfrutarei a partir de 8 de agosto”, diz Celaya. E tanta rapidez não é ruim para a saúde? “O cérebro se acomoda, como depois de qualquer revolução.” Iremos nos acariciar rápido também? “Hahaha, Vamos fazer tudo rápido… Mas, olha, os ingleses, como os espanhóis, criaram serviços de livraria de proximidade, não são tão rápidos como anuncia a Amazon, mas funcionam.” Aliás, você sentiu falta do livreiro na Foyles? “A verdade é que o livreiro fez seu trabalho antes: criou uma vitrine, colocou os livros de maneira que me atraíram… E isso transforma a necessidade de perguntar a um livreiro algo peculiar.”

Para Verónica García (distribuidora, à frente da Machado Libros) parece compreensível que os livreiros (e os distribuidores e editores) estejam “um pouco inquietos e vejam uma certa ameaça. Mas a Amazon não vai substituí-los. Para nós, por exemplo, importam os clientes naturais, os livreiros e os editores. Se os editores não publicam ou não reeditam, não podemos atender. E com a Amazon acontecerá o mesmo: se não tivermos livros, eles também não terão, por mais que lhes peçam rápido”.

E o esforço da rapidez se justificaria para o trabalho de livreiros e distribuidores? “O preço dos livros seria proibitivo para o cliente e para o usuário. Mas a Amazon é uma plataforma que concorre com os supermercados. Podem usar os livros como chamariz, mas não se dedicam de verdade ao mesmo que nós. Aconteceu com o livro escolares: as grandes magazines começaram a vendê-lo, com tudo o que significava a volta às aulas. Mas não, o livro não é um medicamento, não tem de ser comprado (nem vendido) da mesma forma que a manteiga e o iogurte”. Lembre-se de que o iogurte não sai de moda.
“Sim, sim, sim. Como os bons livros!”

Fernando Valverde, secretário do Grêmio de Livreiros da Espanha, e livreiro ele mesmo, situa o assunto: “Não estamos irritados agora com a Amazon…, estamos faz tempo, e estamos discutindo com essa multinacional; nos parece estranho, em todo caso, que as instituições que não se retratam conosco se retratem com eles. Nem o Ministério da Cultura nem as instituições locais nos dão muita atenção. Isso nos irrita”. E a rapidez não é concorrência? “É um slogan. A reivindicação da pressa não serve para os livros; o livro exige tempo lento, a volta ao prazer. Pressa e leitura não combinam.” Lola Larumbe, sua colega, enxerga a situação assim: “Uma livraria de bairro é uma sorte para os vizinhos, mas também para as instituições: desenvolve a cultura. Na França essa atividade livreira é reconhecida, é subvencionada, e assim ajudam a difundir a leitura, a manter o emprego e a fazer com que a vida do bairro sobreviva”.

A poesia vai devagar

Federico García Lorca escreveu a Miguel Hernández: “Os livros de poesia vão devagar, querido Miguel”. César Rendueles, sociólogo autor de El cambio político na era da utopia digital (a mudança política na era da utopia digital) destaca um fato: “A atividade editorial já estava acelerada na Espanha. Publica-se muitíssimo, os livros duram um mês no máximo nas livrarias, e isso afeta sobretudo o ensaio, a poesia e a história. Se um livro não vende em um mês, acabou… E para isso a Amazon faz melhor o trabalho: grande consumo, elimina intermediários”. E então? “Que mude a dinâmica editorial, que os selos não se concentrem nos livros de grande venda, porque assim cavam a própria sepultura, e com eles vão junto as livrarias… Não é a morte do livro, é a morte do leitor, porque neste país de tantos livros as pessoas leem cada vez menos”.

Os livros vão lentamente, e continuarão assim, diz Lola Ferreira, que é e foi tudo no setor na Espanha. “Rápido você quer um livro que se ajusta à moda do best-seller: quero este livro já. O comprador de livraria continuará querendo essa ajuda.” “Mas o comércio da livraria terá de se modernizar, como o da distribuição. E para isso é preciso que todos os setores entrem em um acordo”, adverte.

E esse acordo é tão difícil, talvez, quanto recuperar o esforço para voltar a ser lentos na sociedade que tem pressa para obter informação, iogurtes e livros como se fossem remédios para um ataque no meio da noite.

7 conceitos da Física ‘simplificados’ por livro que virou best-seller na Itália

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Publicado no CO News [via BBC]

Uma obra que trata de mecânica quântica, partículas elementares, arquitetura do cosmo e buracos negros, entre outros temas de física teórica, está há meses na lista de livros mais vendidos na Itália.

Em Sete Breves Lições de Física (publicado no Brasil pela Ed. Objetiva), o professor Carlo Rovelli resume de modo simples os principais conceitos da ciência contemporânea, desde a teoria da relatividade geral de Albert Einstein, passando pelas descobertas do astrofísico inglês Stephen Hawking, até a provável extinção da espécie humana.

“A maior parte dos livros de física são escritos para quem já é apaixonado pelo assunto e quer saber mais. Por isso, pensei num livro para quem conhece pouco ou nada sobre a matéria. Poupei os detalhes e concentrei-me no essencial”, disse o autor à BBC Brasil.

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“É como escrever poesia: quanto mais se tira, mais bonita ela fica.”

Nascido em Verona, no norte da Itália, e atual responsável pelo centro de pesquisas sobre gravidade quântica da Universidade Aix-Marseille, na França, Rovelli explica que o ensaio não trata apenas de física, mas de temas relacionados à natureza humana.

“O livro oferece uma possível resposta, do ponto de vista científico, às perguntas que todos nós, vez ou outra, nos fazemos durante a nossa vida: ‘quem somos?’, ‘de onde viemos?’, ‘o que existe além daquilo que enxergamos?‘. É a visão de alguém que se esforça para compreender isso tudo.”

O sucesso da obra superou as expectativas da editora, que inicialmente havia imprimido três mil cópias. Passado pouco mais de um ano, o livro está em sua 18ª edição, teve 300 mil exemplares vendidos no país e foi traduzido para 28 idiomas.

Relatividade no horário nobre

“Logo depois do lançamento, comecei a receber e-mails de leitores entusiasmados, dizendo que comprariam outros exemplares para darem de presente. Em pouco tempo, o título apareceu na lista dos mais vendidos, algo estranho para uma obra de física teórica e, a partir daí, a coisa explodiu: editoras, jornais, rádios e revistas começaram a me procurar.”

O professor, de 59 anos, chegou a falar sobre a teoria da relatividade de Einstein e de gravidade quântica em programas do horário nobre da televisão italiana. “Na verdade, as TVs passaram a me convidar só depois que o livro fez sucesso. Do contrário, acho que não teriam dado espaço a para assuntos difíceis como este.”

Também nas escolas, segundo Rovelli, falar sobre física é quase sempre “chato”.

 

“Falar sobre física nas escolas é quase sempre chato”, diz Carlo Rovelli

“Falar sobre física nas escolas é quase sempre chato”, diz Carlo Rovelli

 

“Os períodos de férias são os melhores para se estudar, porque não há a distração da escola”, diz, em um trecho do livro sobre o período em que era estudante universitário e, em uma praia da Calábria, leu pela primeira vez “a mais bela das teorias” (a da relatividade, de Albert Einstein), em um livro roído por ratos.

“Em vez de programas curriculares muito extensos e precisos, para atrair o interesse dos jovens pela ciência é necessário tratar bem os professores e deixar que eles tenham mais liberdade para abordarem os temas que mais gostam. O que faz um aluno se apaixonar por uma determinada matéria é o entusiasmo do próprio professor“, afirma.

“Para compreender a ciência é preciso um pouco de empenho e esforço, mas o prêmio é a beleza. E olhos novos para enxergar o mundo.”

Confira alguns trechos das explicações de Rovelli sobre personagens, teorias e conceitos da física:

Copérnico:

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“Se eu quiser explicar a Revolução Copernicana, posso falar durante horas, apresentar cálculos e citar exemplos. Mas também posso dizer apenas que (Nicolau) Copérnico descobriu que a Terra gira em torno do Sol, e não o contrário. Este é o coração da descoberta, e isto as pessoas entendem.”

Darwin:

“Outra extraordinária descoberta científica que pode ser explicada em poucas palavras é a teoria de (Charles) Darwin, que escreveu um livro difícil com pesquisas de (mais…)

Com formação científica precária, brasileiros falham em explicar a evolução

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Jovens visitam exposição permanente Do macaco ao homem, no Catavento Cultural, em São Paulo

Jovens visitam exposição permanente Do macaco ao homem, no Catavento Cultural, em São Paulo

 

Fabrício Marques, no UOL [via Revista Pesquisa Fapesp]

Um estudo que comparou o nível de conhecimento científico de alunos no Brasil e na Itália traz um panorama revelador sobre problemas no ensino da teoria da evolução e seu impacto na formação dos jovens brasileiros. O levantamento sugere que a precária formação científica dos estudantes de ensino médio do país os leva a recorrer a sua bagagem cultural e religiosa para explicar a evolução dos seres vivos e a origem da espécie humana, algo que não se observa entre os italianos, que recebem uma educação científica mais sólida.

O estudo envolveu as equipes de Nélio Bizzo, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FE-USP), e de Giuseppe Pelegrini, docente da Universidade de Pádua, na Itália, e baseou-se na aplicação de um questionário padronizado respondido por estudantes de 15 anos de idade dos dois países. No Brasil, 2.404 alunos de 78 colégios públicos e privados de todos os estados brasileiros participaram do levantamento, sorteados aleatoriamente a partir de um plano com rigor estatístico, compondo uma amostra de representação nacional e regional. Os resultados foram publicados na tese de doutorado de Graciela da Silva Oliveira, professora da Universidade Federal do Mato Grosso, que foi defendida em agosto no programa de pós-graduação da FE-USP sob orientação de Bizzo.

O estudo mostra que há uma diferença clara na postura dos estudantes dos dois países frente a conceitos da teoria da evolução. Na Itália, um país de forte tradição católica, concepções de mundo científicas e religiosas coexistem no repertório dos estudantes e só eventualmente entram em conflito, com alguns exemplos de alunos que rejeitam a abordagem científica sobre a origem dos seres humanos e das espécies. Eles, porém, exibem familiaridade com conhecimentos científicos e, se os rejeitam, isso não pode ser explicado por falta de entendimento.

Já no Brasil, a realidade é distinta. Falta à maioria dos jovens domínio sobre os conceitos. Por isso, muitos alunos responderam que “não sabem” quando foram indagados se eram falsas ou verdadeiras afirmações como a existência de parentesco entre o ser humano e os outros primatas. “Eles consideram válidas percepções de compreensão mais simples, como a de que os seres vivos mudam ao longo do tempo e que a evolução biológica acontece na natureza, mas se confundem com temas relacionados à ancestralidade comum e à origem humana”, diz Graciela.

A principal explicação para o desempenho distante dos dois países tem relação com a educação científica. “Na Itália, as primeiras noções sobre a teoria evolutiva são mostradas aos alunos nas séries iniciais do ensino fundamental e se sofisticam no conteúdo das aulas ao longo da trajetória escolar”, afirma Bizzo. “Desde os 9 anos de idade as crianças italianas estudam a origem do Homo sapiens, e isso tanto nas aulas de ciências como nas de história.” No mês passado, o Ministério da Educação lançou uma proposta de Base Nacional Comum Curricular (BNC) para o ensino básico do Brasil que será discutida nos próximos meses.

“Essa proposta inclui no currículo do 6º ano do ensino fundamental a história evolutiva das espécies. É um avanço. Falta no currículo brasileiro a história da vida na Terra. Se, por exemplo, a paleontologia estivesse presente no currículo de ciências, a dificuldade dos estudantes seria menor”, afirma Bizzo, que coordena o Núcleo de Pesquisa em Educação, Divulgação e Epistemologia da Evolução (Edevo-Darwin), vinculado à Pró-reitoria de Pesquisa da USP, dentro do qual o levantamento binacional foi feito.

O trabalho será complementado com estudos comparativos feitos com estudantes das ilhas Galápagos, no Pacífico, cuja observação inspirou Charles Darwin a formular a teoria da evolução. Os dados da equipe equatoriana farão parte de uma dissertação de mestrado, na Facultad Latinoamericana de Ciencias Sociales (Flacso), e estão sendo analisados por Adrián Soria, sob orientação do professor Nicolás Cuvi. O processamento de dados, realizado na USP, revelou que a realidade dos jovens que vivem nas ilhas Galápagos, e que têm contato diário com a realidade que influenciou Darwin, está mais próxima daquela dos jovens brasileiros do que da dos italianos.

Para além dos atritos entre o criacionismo, crença que atribui a criação dos seres vivos e da humanidade a um agente sobrenatural, e a teoria de Darwin, que propõe ancestralidade comum entre seres vivos e sua evolução por seleção natural, existe uma dificuldade de compreensão de conceitos complexos que é agravada pela formação escolar deficiente. “É comum que os alunos criem concepções distorcidas. Muitos acham que as espécies evoluíram de forma rápida e que, de uma geração para outra, surgiram mudanças significativas”, comenta Marcelo Motokane, professor do Departamento de Biologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, especialista no ensino de biologia. “Também têm dificuldade em compreender que as mudanças acontecem em nível populacional e não conseguem conceber escalas de tempo tão diferentes das que estão acostumados a lidar”, explica.

Pergunta frequente

Visões equivocadas sobre a evolução fazem parte do cotidiano do estudante de biologia Moisés Bezerra da Silva, de 28 anos, que trabalha como monitor da exposição permanente Do macaco ao homem, exibida no museu de ciências Catavento Cultural, em São Paulo. Segundo Moisés, uma das perguntas mais frequentes feitas por estudantes que visitam o museu em caravanas e pelo público de todas as idades que aparece nos fins de semana é: se o homem vem do macaco, por que os macacos continuam a existir?

“Quando mostramos as réplicas dos fósseis dos ancestrais do Homo sapiens, como elas foram encontradas e a escala do tempo em que eles viveram, muitas pessoas ficam surpresas e fascinadas”, diz Moisés, que sempre inicia a visita guiada de 50 minutos com um alerta. “Eu explico que a exposição é baseada no conhecimento científico sobre a origem das espécies e que o objetivo não é contestar a crença religiosa de ninguém. E, em tom de brincadeira, sugiro que me convidem para almoçar depois da apresentação se quiserem discutir fé e religião. Mas é comum que alguns argumentem que a evolução é uma farsa e que o homem é obra de Deus”, afirma o monitor, que conhece bem os embates entre a ciência e a religião.

Criado numa família bastante religiosa, que sempre frequentou a igreja Assembleia de Deus, Moisés cresceu ouvindo as explicações bíblicas para a origem do homem e só foi tomar contato com a teoria da evolução quando ingressou em um curso noturno de biologia de uma faculdade privada de São Paulo, já que as escolas públicas de ensino fundamental e médio que frequentou se eximiram de tratar do assunto. “O curso abriu novas perspectivas para mim”, diz o estudante, que deve se formar no ano que vem. Para conduzir as visitas à exposição, Moisés teve um treinamento com outros monitores e fez um curso de curta duração com o arqueólogo e antropólogo Walter Neves, idealizador da mostra.

Para o professor Marcelo Motokane, além de reforçar o currículo é preciso melhorar os cursos de licenciatura em ciências biológicas. “É comum que os professores não entendam de forma adequada os conceitos da teoria da evolução. E, mesmo quando conhecem, muitos têm dificuldade em evitar que os alunos criem interpretações distorcidas”, afirma. A pesquisa no ensino de ciências, segundo Motokane, tem apontado caminhos para enfrentar esses problemas, como o ensino por investigação, baseado no reconhecimento de um problema e a tentativa de solucioná-lo utilizando o conhecimento científico. “Mas ainda temos um ensino muito baseado na mera transmissão de conceitos.”

No cômputo geral, 17% dos estudantes brasileiros afirmaram que “gostariam de ser cientistas” e 29% se disseram interessados em “trabalhar com a ciência”. Segundo Graciela, há indícios de que o interesse dos alunos é maior em escolas mais comprometidas com as aulas de ciências. Estudos qualitativos irão investigar o tema em mais profundidade.

Um agravante captado pela pesquisa é que a busca de conhecimento sobre ciências fora dos espaços escolares é rara no Brasil. “Há poucos programas de televisão sobre temas científicos e mesmo o hábito de pesquisar esses temas na internet não é muito difundido”, afirma Graciela. Segundo a pesquisadora, não se observa nas respostas da maioria dos estudantes brasileiros uma perspectiva dogmática, em que a religião muda radicalmente a (mais…)

Cinco livros que inspiram viagens dentro e fora do Brasil

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Publicado no Bonde

Um bom livro nos faz viajar sem sair do lugar. Alguns dão vontade de ir onde a história se passa, e conhecer cada pedacinho do lugar que é relatado na obra. O blog Da Porta Pra Fora preparou uma lista de livros que se passam em lugares incríveis e famosos. Confira:

1. Jubiabá, de Jorge Amado (Salvador/ Bahia):

Jubiabá, de Jorge Amado

Jorge Amado, um dos autores brasileiros mais prestigiados em todo o mundo, contou muitas histórias sobre a Bahia, das fazendas de cacau e da capital. Este se passa em Salvador e conta a história de Antônio Balduíno que nasceu órfão no morro do Capa-Negro, e tinha como grande referência espiritual o centenário feiticeiro e ex-escravo Jubiabá.

Resenha: Depois de uma infância de liberdade e pequenos delitos nas ruas de Salvador, Antônio Balduíno vira malandro, sambista e desordeiro, até ser transformado em boxeador profissional por um empresário italiano. Encerra a carreira muito cedo ao tomar uma surra no ringue numa noite e acaba indo trabalhar nas plantações de fumo do Recôncavo Baiano. Ao longo dessas muitas vidas, choca-se contra o mundo das mais variadas formas, até atingir um vislumbre de compreensão da realidade que o cerca e de seu lugar nela.

2. O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde (Londres / Inglaterra):

O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde

Oscar Wilde relata uma Londres lendária, com uma sociedade extremamente conservadora, que vê o belo Dorian Gray tornar-se o centro das atenções, apesar dos mistérios que esconde. A cidade aparece com glamour e todo mundo sonha em conhecê-la.

Resenha: Dorian Gray é o tema de um retrato de corpo inteiro em óleo de Basil Hallward, um artista que está impressionado e encantado com a beleza de Dorian. Ele acredita que a beleza de Dorian é responsável pela nova modalidade em sua arte como pintor. Através de Basil, Dorian conhece Lorde Henry Wotton, e ele logo se encanta com a visão de mundo hedonista do aristocrata: que a beleza e a satisfação são as únicas coisas que valem a pena perseguir na vida.

3. Clarissa, de Érico Veríssimo (Porto Alegre / Rio Grande do Sul)

Clarissa, de Érico Veríssimo

Uma cidade do começo do século XX é retratada pelo genial Érico Veríssimo, com detalhes típicos de uma jovem mulher. Um livro lindo e uma cidade de sonho.

Resenha: Clarissa é uma jovem de treze anos, filha de fazendeiros, que vai morar na pensão da tia Eufrasina enquanto estuda em Porto Alegre. No pequeno universo da pensão onde mora, a jovem entra em contato com realidades que seu otimismo juvenil não imaginava que existissem. (mais…)

EUA vão devolver livros do século XVII roubados de museu na Itália

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Os livros "Stirpium Historiae" e "Rariorm Plantarum Historia Anno 1601” foram levados da Biblioteca Nacional Histórica de Agricultura da Itália e vendidos a um negociador de antiguidades no país (Foto: Homeland Security Investigations, Misty D. Miller/AP)

Os livros “Stirpium Historiae” e “Rariorm Plantarum Historia Anno 1601” foram levados da Biblioteca Nacional Histórica de Agricultura da Itália e vendidos a um negociador de antiguidades no país (Foto: Homeland Security Investigations, Misty D. Miller/AP)

Eles foram encontrados com negociador de antiguidades em San Francisco.
Livros raros foram roubados de museu de agricultura.

Publicado no G1

O livro ‘Rariorm Plantarum Historia Anno 1601’ é visto em foto do governo dos EUA (Foto: Homeland Security Investigations, Misty D. Miller/AP)

O livro ‘Rariorm Plantarum Historia Anno 1601’ é
visto em foto do governo dos EUA (Foto: Homeland
Security Investigations, Misty D. Miller/AP)

Dois livros italianos datados do século XVII que tinham sido roubados de um museu do país foram descobertos em San Francisco, nos Estados Unidos, e serão devolvidos ao seu país de origem junto com outros artefatos antigos, informaram autoridades federais.

Os livros “Stirpium Historiae” e “Rariorm Plantarum Historia Anno 1601” foram levados da Biblioteca Nacional Histórica de Agricultura da Itália e vendidos a um negociador de antiguidades no país. O vendedor, americano, acabou entregando os livros às autoridades durante as investigações.

Oficiais do escritório de Imigração e Alfândega vão devolvê-los junto com outros tesouros culturais italianos ainda nesta semana.

Os itens foram roubados na Itália e contrabandeados para os EUA ao longo dos últimos anos. Seu valor não foi divulgado.

“O valor cultural e simbólico destes tesouros italianos supera de longe qualquer valor monetário para os italianos”, disse Tatum King, agente especial responsável pela investigação.

O governo americano devolveu mais de 7,2 mil artefatos para 30 países desde 2007, incluindo pinturas da França, Alemanha, Polônia e Áustria, manuscritos antigos para a Itália e o Peru e outros itens para a China, Camboja e Iraque.

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