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Luto nas letras e grandes transformações no mercado: veja o que marcou o ano

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Luto nas letras e grandes transformações no mercado - Arte

Luto nas letras e grandes transformações no mercado – Arte

O Brasil perdeu grandes autores como João Ubaldo Ribeiro, Ariano Suassuna, Ivan Junqueira e Manoel de Barros

Publicado em O Globo

RIO – Este foi um ano de notícias tristes para a literatura brasileira, com as mortes de grandes autores como João Ubaldo Ribeiro, Ariano Suassuna, Ivan Junqueira e Manoel de Barros. Foi também um ano de transformações radicais no mercado editorial. Em março, a aquisição do selo de interesse geral do grupo espanhol Santillana pelo conglomerado Penguin Random House levou à união entre duas das maiores editoras do país, Companhia das Letras e Objetiva, que juntas detêm 6% das vendas em livrarias brasileiras.

Além disso, em agosto, a Amazon começou a vender edições físicas no Brasil. O mercado reagiu mal aos preços praticados pela gigante norte-americana, considerados muito baratos. A iniciativa resgatou a discussão sobre a lei do preço fixo para livros no país, que limitaria os descontos oferecidos ao leitor. Dessa forma, tanto grandes redes quanto livreiros independentes praticariam os mesmos preços.

Enquanto pequenos livreiros e a Câmara Brasileira do Livro apoiam há uma década a medida, o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), entidade de grande peso político na indústria, se opõe historicamente à iniciativa. O Snel organizou um seminário sobre o tema, com convidados de Alemanha e França (países com leis do tipo), mas não chegou a um consenso sobre o assunto.

Enquanto esse debate não avança, o mercado digital se expande. Entre os lançamentos nacionais em e-book, o grande destaque foi para os quatro livros do jornalista Elio Gaspari sobre os anos de chumbo, “A ditadura envergonhada”, “A ditadura escancarada”, “A ditadura derrotada” e “A ditadura encurralada”, publicados pela Intrínseca. Além de nova versões impressas, as obras ganharam edições digitais enriquecidas por centenas de documentos, áudios e vídeos, oferecendo uma experiência de leitura inédita no Brasil.

Mas o ano ficará definitivamente marcado pela comoção causada pela morte de grandes nomes do meio literário nacional — como Ivan Junqueira, João Ubaldo Ribeiro, Ariano Suassuna e Rubem Alves (todos em julho), Leandro Konder e Manoel de Barros (ambos em novembro) — e de dois ganhadores do Nobel, o colombiano Gabriel García Márquez (em abril) e a sul-africana Nadine Gordimer (em julho).

Nos últimos meses, os leitores tiveram acesso a obras póstumas de Ubaldo (“Noites lebloninas”, pela Alfaguara), Suassuna (que teve um poema inédito incluído no novo livro de Raimundo Carrero, “Romance do bordado e da pantera negra”, pela Iluminuras) e Junqueira (“Essa música” e “Reflexos do sol-posto”, ambos pela Rocco).

Os leitores também puderam reencontrar autores que tiveram obras reeditadas depois de muito tempo longe das livrarias. A Cosac Naify trouxe de volta livros de Murilo Mendes (“Poemas”, “A idade do serrote”, “Convergência” e uma nova “Antologia poética”) e Jorge de Lima (“Invenção de Orfeu”, “Poemas negros” e “Calunga”). A Companhia das Letras começou a republicar a obra de Millôr Fernandes, homenageado da Flip 2014.

O MICO DE 2014

Literatura brasileira de biquíni: País homenageado no próximo Salão do Livro de Paris, que acontece entre 20 e 23 de março de 2015, o Brasil será representado no evento por 48 autores. Mas, por alguma razão, a revista francesa “Le nouvel observateur” resolveu noticiar a presença brasileira em seu site com uma foto de modelos seminuas, segurando uma bandeira do país. Uma imagem que pouco diz sobre literatura — e que ainda reforça clichês sobre a imagem do Brasil. A escolha editorial causou indignação entre escritores e editores.

— É justamente contra esse tipo de preconceito que eu batalho aqui na França, com minha editora especializada no Brasil — disse a editora francesa Paula Anacaona.

Como resposta, a revista disse que o fato não merecia “uma crise diplomática” e alegou um erro técnico no corte da foto — originalmente, deveria aparecer apenas a bandeira do Brasil, sem as modelos. Na primeira versão do post, contudo, a legenda não indicava uma bandeira e sim “Torcedoras brasileiras na última Copa do Mundo”. Horas depois, o corte e a legenda da foto foram modificados.

AS APOSTAS PARA 2015

O filão editorial dos 450 anos do Rio: Em 2015 o Rio de Janeiro completará 450 anos de fundação. O aniversário oficial da cidade é dia 1º de março, mas durante todo o ano o mercado editorial estará aquecido com dezenas de publicações que vão apresentar recortes diversos da História e da cultura do Rio. O Comitê Rio450, criado para planejar e organizar as comemorações do aniversário, vai apoiar a publicação de mais de 80 títulos de diversas editoras, entre reedições de raridades e novidades. A Casa da Palavra, por exemplo, tem em sua programação, entre outros títulos, “Roteiro da escravidão”, livro organizado pelo antropólogo Milton Guran sobre a herança africana no Rio, mais centrada na região portuária, e “Rio em prosa e verso”, antologia para crianças organizada pelo livreiro Rodrigo Ferrari. A Edições de Janeiro publicará, entre variados títulos, “A formação da Guanabara”, organizado por Paulo Knauss (com imagens do Arquivo Público do Rio de Janeiro) e “Mata Atlântica — Uma história do futuro”, livro de fotografia, com textos de Fabio Rubio Scarano.

 

Fique de olho: eles podem virar imortais

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Nathália Bottino, no Brasil Post

No mês de julho, a ABL perdeu três grandes nomes da literatura nacional: Ivan Junqueira, João Ubaldo Ribeiro e Ariano Suassuna. Essas cadeiras passam agora para Ferreira Gullar, Evaldo Cabral de Mello e Zuenir Ventura. E assim a vida na Academia segue. Mas a questão é: quem são os jovens de hoje que vão se sentar nas cadeiras nos próximos anos? Com base numa lista divulgada pela renomada revista literária Granta dos melhores jovens autores do Brasil e finalistas e vencedores de prêmios como o Jabuti e o Prêmio São Paulo de Literatura, fiz uma seleção com os autores promissores que podem virar imortais nos próximos anos. Vale a pena ficar de olho neles! 😉

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Daniel Galera
Nasceu em 1979, em São Paulo, mas passou a maior parte da vida em Porto Alegre. É um dos criadores da editora Livros do Mal, pela qual publicou o volume de contos Dentes guardados. É autor dos romances Até o dia em que o cão morreu, adaptado para o cinema, Mãos de cavalo, publicado também na Itália, na França, em Portugal e na Argentina, Cordilheira e Barba ensopada de sangue.

Por que ficar de olho?
O garoto venceu o Prêmio Machado de Assis de Romance, da Fundação Biblioteca Nacional, com o romance Cordilheira. Ele está na lista da revista Granta dos melhores escritores brasileiros jovens, é finalista do Prêmio Jabuti de Melhor Romance com Barba ensopada de sangue e venceu, com a mesma obra, o melhor livro do ano pelo Prêmio São Paulo de Literatura 2013.

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Ricardo Lísias
Nasceu em 1975, em São Paulo. É autor de Anna O. e outras novelas, Cobertor de estrelas, traduzido para o espanhol e o galego, Duas praças, O livro dos mandarins, atualmente sendo traduzido para o italiano. Em 2012, publicou o romance O céu dos suicidas, depois Divórcio e recentemente lançou Intervenções: álbum de crítica, obra exclusiva no formato digital.

Por que ficar de olho?
Reconhecimento não falta para ele: foi o terceiro colocado no Prêmio Portugal Telecom de Literatura Brasileira de 2006 com Duas praças, finalista do Prêmio Jabuti de 2008 com Anna O. e outras novelas, finalista do Prêmio São Paulo de Literatura de 2010 e 2013 (com O céu dos suicidas) e finalista do Jabuti 2013 de melhor romance com a mesma obra. Seus textos já foram publicados na Piauí e nas edições 2 e 6 da revista Granta em português, que, aliás, indicou Lísias como um dos melhores autores jovens do Brasil.

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Tatiana Salem Levy
Tatiana é escritora, tradutora e doutora em estudos de literatura pela PUC-Rio. A autora, que nasceu em Lisboa, mas se naturalizou brasileira e vive no Rio, escreveu o ensaio A experiência do fora: Blanchot, Foucault e Deleuze e os romances A chave de casa, Dois rios, e o infantojuvenil Tanto mar.

Por que ficar de olho?
Seu romance A chave de casa foi finalista do prêmio Jabuti 2008 e deu à autora o Prêmio São Paulo de Literatura na categoria autor estreante, além de ter sido publicado em Portugal, França, Espanha, Itália, Turquia e Romênia. Tanto mar venceu o Prêmio ABL de Literatura Infantojuvenil. Além disso, a autora também integra a lista Granta dos melhores escritores jovens do Brasil.

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Antonio Prata
Nasceu em 1977, em São Paulo, e, além de roteirista, Antonio tem nove livros publicados, entre eles Douglas, Meio intelectual, meio de esquerda, Felizes quase sempre e Nu, de botas. Ele já foi colunista da revista Capricho, do jornal O Estado de S. Paulo e atualmente é colaborador da Folha de S. Paulo.

Por que ficar de olho?
Antonio Prata está entre os melhores escritores jovens do Brasil, de acordo com a revista Granta, seu livro Felizes quase sempre foi finalista do Jabuti 2013 como melhor romance infantil e, com Nu, de botas, venceu o 2º Prêmio Brasília de Literatura na categoria crônicas. (mais…)

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