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Cia aérea se inspira na trilogia “O Hobbit” pra criar vídeo de segurança mais épico dos últimos tempos

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Publicado por Hypeness

Quando vamos voar de avião, passamos por diversos processos burocráticos e chatinhos, porém necessários, incluindo as instruções de segurança no voo. A companhia aérea Air New Zealand resolveu inovar e criou um vídeo super divertido inspirado no filme “O Hobbit”, de J. R. R. Tolkien e com trilogia cinematográfica dirigida por Peter Jackson.

Pensando no próximo lançamento, o filme “A Batalha dos Cinco Exércitos”, a equipe da companhia aérea e atores como Elijah Wood, Richard Taylor e o até mesmo Peter Jackson, incorporou os personagens e criou um vídeo com os métodos de segurança de um jeito jamais visto antes, cheio de criaturas da chamada Terra Média.

Produzida em conjunto com a Weta Digital, a ação está fazendo o maior sucesso. A campanha está sendo promovida no Twitter com a hashtag #AirNZHobbit. A próxima empreitada do apoio da Air New Zealand será um avião temático, revelado somente antes da estreia mundial do filme em 28 de novembro.

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Todas as imagens: Reprodução YouTube

10 coisas que você provavelmente não sabe sobre J. R. R. Tolkien

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Ian Castelli, no Mega Curioso

John Ronald Reuel Tokien, ou simplesmente J. R. R. Tolkien, é o homem brilhante que criou o mundo fantástico por trás de obras como “O Senhor dos Anéis”, “O Hobbit” e “O Silmarillion”. Se você não leu os livros dele, você provavelmente já viu alguns dos filmes baseados no rico universo inventado por Tolkien décadas atrás.

Apesar de as suas obras serem extremamente populares, existem muitas pessoas que não conhecem alguns fatos curiosos sobre o Professor Tolkien, como é chamado até hoje pelos seus fãs.

O site Mental Floss reuniu algumas dessas características e nós trazemos esse breve apanhado para vocês também. Quão bem você conhece o criador da Terra-Média, Valinor e Arda no geral? Veja alguns fatos interessantes logo abaixo:

1 – Não foi considerado um típico professor inglês

Tolkien foi um renomado linguista com especialidade em Inglês Antigo e Nórdico Antigo, sendo professor da Universidade de Oxford de 1925 até 1959. Ele foi reconhecido pela quantidade de aulas que ministrou na Universidade, sempre muito além do que o seu contrato demandava. Porém, o mais interessante é o jeito que as aulas de Tolkien possuíam.

Apesar de ser bastante quieto e tímido em público, nas salas Tolkien se transformava com aulas consideradas dinâmicas para a época. Relatos dizem que ele foi a festas em Oxford fantasiado de urso polar, perseguiu um vizinho vestido de guerreiro anglo-saxão com um machado, entre outras histórias. Um aluno dele comentou no passado: “Ele consegue transformar uma sala de aula em um salão de hidromel”.

2 – Não gostou muito de adaptações dos livros

Tolkien foi professor primeiro e depois se tornou escritor, um processo lento e que levou muitos anos para estabelecer os mitos do universo criado por ele. Quando o material publicado fez sucesso, o professor ficou bastante feliz e surpreso, porém recusou várias propostas para adaptar os livros e seus escritos no início – principalmente porque ele achou que essas adaptações não capturavam o escopo épico e nobre das histórias. É no mínimo curioso imaginar o que Tolkien acharia dos filmes dirigidos por Peter Jackson hoje…

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3 – Apaixonado pela profissão

Escrever os livros da Terra-Média foi algo importante para Tolkien, porém não foi seu trabalho principal. O essencial para ele foi ser professor na Universidade de Oxford, sendo que dedicava bastante tempo com os estudos literários e traduções de obras antigas do inglês.

4 – Um homem bastante romântico

Aos 16 anos, Tolkien se apaixonou por Edith Bratt. Contudo, por Tolkien ser católico e Edith protestante, um padre proibiu que os dois se encontrassem até o jovem completar 21 anos. Ao atingir a idade, Tolkien se encontrou com Edith e os dois puderam se conhecer melhor. Posteriormente, ela terminou o noivado e se converteu ao catolicismo para que os dois pudessem se casar. Eles ficaram juntos até o final de suas vidas e o túmulo de ambos é compartilhado, sendo que ele possui os nomes “Beren” e “Luthien” gravados também – referência a uma das histórias românticas mais emocionantes e épicas já escritas por ele.

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5 – Alguns desentendimentos com C. S. Lewis

Tolkien e Lewis, autor de “As Crônicas de Nárnia”, são frequentemente chamados de melhores amigos, e realmente todos os indícios apontam que os dois escritores compartilhavam muitas coisas em comum. Contudo, quando Lewis supostamente teve alguns comportamentos considerados anticatólicos, como namorar uma mulher americana divorciada (algo bastante negativo na época), o relacionamento dos dois esfriou.

Tolkien lamentou a separação deles e, quando Lewis faleceu, o professor já idoso escreveu uma carta a sua filha com os seguintes dizeres: “Até o momento eu me sinto como uma árvore velha que está perdendo todas as suas folhas uma por uma, porém isso parece um golpe de machado nas raízes” – comentou, referindo-se à morte de Lewis.

6 – As guerras influenciaram Tolkien drasticamente

J. R. R. Tolkien lutou na Primeira Guerra Mundial em uma das batalhas mais intensas e agressivas desse período, conhecida como Batalha de Somme. Muitas das privações que Frodo e Sam passaram no caminho até Mordor refletem um pouco dos horrores que Tolkien viveu nos confrontos reais nas trincheiras. Vários de seus amigos morreram na época ao seu lado, o que fez com que essas tragédias inspirassem algumas das coisas que vemos em “O Senhor dos Anéis”, “O Hobbit” e “O Silmarillion”.

7 – Ele inventou línguas novas por diversão

Como Tolkien foi um filólogo e estudou as mais variadas línguas e seus efeitos culturais, ele manteve seu cérebro exercitado ao desenvolver suas próprias línguas que utilizou nas obras (como os idiomas élficos que possuem suas próprias vertentes, o Quenya e o Sindarin). Inclusive, Tolkien escreveu poemas e músicas nessas línguas fictícias, como modo de agregar aspectos culturais a elas.

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8 – Muitas das obras foram publicadas após sua morte

Se você escrever algum livro ficará feliz ao publicá-lo enquanto estiver vivo, porém no caso de Tolkien muitos livros foram lançados depois que ele faleceu. Apesar de obras como “O Senhor dos Anéis” e “O Hobbit” terem chego às prateleiras enquanto ele estava vivo, muito mais livros foram editados com base nas extensas anotações que o professor fez sobre o universo de Arda, Valinor e a Terra-Média e publicados posteriormente.

O seu filho, Christopher Tolkien, foi o responsável por reunir essas anotações e editá-las em formato de livros que complementam o mundo criado pelo seu pai. “A História da Terra-Média”, “Contos Inacabados”, “Os Filhos de Húrin”, “O Silmarillion” e “A Lenda de Sugurd e Gudrún” são alguns desses exemplos.

9 – Tolkien não gostava dos nazistas como eles gostavam dele

Os trabalhos de Tolkien na reconstrução do Nórdico Antigo e das lendas germânicas eram extremamente populares entre os nazistas, que tentavam recuperar parte da cultura anciã germânica durante o período de Hitler. Entretanto, o professor disse publicamente ter aversão aos nazistas e à Hitler, inclusive considerando proibir a tradução de “O Hobbit” para o alemão depois que o editor pediu para ele certificar que era um “homem ariano”.

Em uma carta que Tolkien escreveu ao seu filho, ele comentou: “Eu tenho nessa Segunda Guerra um rancor que provavelmente me faria um melhor soldado aos 49 anos do que fui aos 22. Aquele pequeno ignorante Adolf Hitler… Arruinando, pervertendo, aplicando de modo errado o nobre espírito do norte, uma contribuição suprema para a Europa que eu sempre amei e tentei apresentar na sua verdadeira luz”.

10 – Um fã de clubes de estudos

Onde quer que fosse, Tolkien sempre participou e fundou os mais variados clubes de estudo, que normalmente se enchiam após as aulas. Quando foi professor da Universidade de Leeds, ele criou o Viking Club. Já nos eu período em Oxford, ele fundou os Inklings, um grupo focado na discussão literária.

Dothraki, Klingon ou Élfico, escolha a sua língua favorita

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Publicado por Revista Bang!

Com a recente notícia do lançamento de uma aplicação no iTunes para aprender a língua Dothraki, decidimos fazer uma breve pesquisa ao maravilhoso mundo das línguas inventadas de fantasia e saber o que tem sido feito em interação com a tecnologia das aplicações.

Khal Drogo e Daenerys Targaryen na série “Guerra dos Tronos” (HBO)

Khal Drogo e Daenerys Targaryen na série “Guerra dos Tronos” (HBO)

Na verdade, George R. R. Martin não desenvolveu grandemente a língua Dothraki (ou mesmo a Valiriana). Criou algumas palavras, mas deixou ao linguista norte-americano David J. Peterson a tarefa de desenvolver a sintaxe, semântica e vocabulário da tribo dos cavaleiros nómadas. Graças a essa nova aplicação, é possível aceder a jogos interativos, 300 fichas de vocabulário, resumos de gramática, dicas sobre a cultura dos cavaleiros e sugestões de diálogos para treinar o idioma.

Mas não é só o Dothraki que se encontra disponível em aplicação. Há muito que os amantes de literatura fantástica sabem que uma das línguas mais interessantes desenvolvidas nos reinos de fantasia é a linguagem élfica de J. R. R. Tolkien. Tendo o autor sido um professor de Filologia e amante das línguas, devotou muito do seu tempo livre à criação do Quenya, a língua primordial dos elfos (mais tarde surgiu a variante do Sindarin). Foi do seu intenso amor por línguas que nasceu depois a mitologia que deu origem à Terra Média e a Valinor. Não podia faltar uma aplicação gratuita de Elvenspeak, um guia para a cultura e língua Quenya; contém um dicionário Inglês-Quenya, curso de língua, alfabeto, vocabulário, lições e tudo o necessário para aprender a ter uma conversa em élfico.

“Morgoth e Fingolfin” de John Howe

“Morgoth e Fingolfin” de John Howe

Mas a linguagem ficcional mais popular do mundo não é o élfico nem dothraki. Essa honra cabe à língua Klingon, do universo de ficção científica Star Trek. Os Klingon são uma raça extraterrestre com uma cultura guerreira e códigos de conduta marciais. A língua criada por Marc Okrand já está desenvolvida o suficiente para permitir uma tradução de Hamlet de Shakespeare para Klingon (!) ou do clássico universal Gilgamesh. Não se surpreendam por saber que existe um Instituto de Língua Klingon e muitos fãs dedicados estudam a língua e desenvolvem-na em comunidade.

Avatar de James Cameron foi um sucesso tão esmagador, com a promessa de mais filmes nos próximos anos, que os fãs ganharam a oportunidade de aprender melhor a linguagem Na’vi, falada pelo povo que habita a lua Pandora. Paul Frommer começou a criá-la em 2005 e esta constitui parte essencial do enredo do filme. O Avatar de Jake Sully é levado por Neytiri ao seu clã Na’vi, sendo forçado a aprender a língua e os costumes.

Avatar de James Cameron

Avatar de James Cameron

Para os interessados em aprender um pouco mais sobre a criação fascinante destas quatro línguas artificiais, sugerimos a visualização do vídeo “Serão o Élfico, Klingon e Na’vi línguas verdadeiras?”

Há exatos 100 anos, Tolkien idealizou o mundo fantástico da Terra-Média

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Ian Castelli, no Megacurioso

Há exato um século, em setembro de 1914, J. R. R. Tolkien teve os primeiros vislumbres do universo fantástico que criou em suas renomadas e principais obras, como “O Hobbit”, “O Senhor dos Anéis” e “O Silmarillion”, livros que encantaram pessoas por gerações e fascinam leitores do mundo todo até hoje.

Mesmo que Tolkien não pudesse prever o impacto que suas criações fantasiosas teriam no mundo real, ele fundamentou todas as suas criações mitológicas como se elas fossem verdadeiras – foram criados línguas, lendas, heróis e até mesmo poemas mitológicos. E foi justamente com os poemas que tudo teve início.

Aos 22 anos, durante o período da Primeira Guerra Mundial, o jovem Tolkien escreveu em Nottinghamshire um aparentemente despretensioso poema sobre um marinheiro estelar que navega em direção ao céu. Batizado de “The Voyage of Éarendel the Evening Star”, esse foi o primeiro texto do universo de Tolkien, que, posteriormente, foi adaptado às mitologias propostas pelo autor.

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Nas frases de 1914, não encontramos referências aos hobbits, elfos ou ao poder do Um Anel, já que esses conceitos provavelmente não estavam na mente do jovem Tolkien. Porém, temos um rascunho de Eärendil, um personagem extremamente importante que foi pai de reis e detentor do poder da luz.

É possível que você se lembre de Eärendil em trechos do livro e dos filmes de “O Senhor dos Anéis”, já que o frasco de luz que Frodo possui e que o protege em Mordor provém do próprio marinheiro estelar Eärendil. Veja abaixo o texto original em inglês (não encontramos traduções livres para o português):

Éarendel sprang up from the Ocean’s cup
In the gloom of the mid-world’s rim;
From the door of Night as a ray of light
Leapt over the twilight brim,
And launching his bark like a silver spark
From the golden-fading sand;
Down the sunlit breath of Day’s fiery Death
He sped from Westerland.

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Caso deseje saber mais sobre Éarendel, existem mais informações sobre ele no livro “Contos Inacabados”, Volume II, editado pelo filho do autor, Christopher Tolkien. Depois de escrever o poema de Éarendel (que posteriormente virou Eärendil), Tolkien começou um processo criativo que se estendeu por anos e que está presente em todas as suas obras. Com o amadurecimento desses conceitos, a Terra-Média foi criada por ele, assim como todas as suas criaturas, lendas e referências.

Inspirado por outros épicos clássicos nórdicos e germânicos, aos poucos as histórias que hoje já conhecemos tão bem ganharam as páginas – e depois, invadiram os cinemas também.

A Primeira Guerra Mundial, os escritores que lutaram e como a experiência no front definiu suas obras

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Experiência da guerra definiu obras de escritores

Maria Fernandes Rodrigues, no Estadão

O americano Ernest Hemingway era um garoto recém-saído do colégio quando, em 1918, foi dirigir ambulâncias para a Cruz Vermelha no front italiano. Aos 19 anos, o alemão Ernst Jünger estava no campo de batalha, matando e lutando para não morrer. J. R. R. Tolkien, estudante de Oxford, juntou-se ao exército inglês. Guillaume Apollinaire, poeta francês nascido na Itália, já era um artista reconhecido no momento em que se feriu gravemente em combate.

Hemingway se recuperando de ferimento de guerra

Hemingway se recuperando de ferimento de guerra

Ao lado de C. S. Lewis, Bertolt Brecht, e. e. cummings, Erich Maria Remarque, Rudyard Kipling, John dos Passos, William Faulkner, Gertrude Stein, Agatha Christie e outros, estes autores fizeram parte de uma geração marcada pela guerra. E a experiência no conflito, em diferentes níveis e dos dois lados, acabaria influenciando suas obras – seja como tema de livros ou como experiência definidora dos artistas que eles se tornariam. Para eles, a escrita foi, de certa forma, uma maneira de elaborar o trauma. “Escrever é uma forma privilegiada de simbolizar, representar uma experiência que por sua intensidade e violência transborda os limites do ser. É uma tentativa de domá-la, integrá-la, retirar-lhe o poder desagregador e desestruturante que carrega em si”, diz o psicanalista Sérgio Telles.

O caso de Tolkien é significativo. O autor de O Hobbit e de O Senhor dos Anéis nunca escreveu uma linha sobre o conflito. Mas, para John Garth, um de seus biógrafos, foi talvez o mais radical de todos os escritores marcados pela guerra. “A experiência no front foi decisiva em sua escolha pela escrita. Ela virou seu mundo de cabeça para baixo, chacoalhou sua estrutura e despertou sua imaginação e seu interesse pelos contos de fada – que tratam, geralmente, do indivíduo que entra em contato com perigos estranhos e mortais. Escrever seu próprio conto de fadas pode ter ajudado Tolkien a sobreviver quase ileso ao trauma da guerra”, conta ao Estado o autor de Tolkien and the Great War: The Threshold of Middle-earth, inédito no País.

O escritor, porém, não entrou na guerra por ideologia. Tinha 22 anos quando a Inglaterra se mobilizou e, ao contrário de muitos colegas, ele preferiu continuar os estudos e não se apresentou como voluntário naquele outono de 1914. Mas a cidade estava ficando vazia e o câmpus, abandonado. Desconfortável com a situação, e sem noção do que representaria e de quanto tempo duraria aquele conflito, ele acabou se juntando ao Corpo de Treinamentos Para Oficiais para se preparar para um possível alistamento. O então estudante de língua e literatura inglesa aprendeu a atirar, e se surpreendeu ao descobrir que gostou daquilo, conta Michael White, seu outro biógrafo, em J. R. R. Tolkien – O Senhor da Fantasia. Ele aprendeu também a ler mapas, conheceu os métodos de guerra e suas armas. Mas foi só em 1916 que o tenente Tolkien foi mandado ao front – e logo para a sangrenta batalha de Somme, que já estava em andamento e que apenas no primeiro dia mataria 19 mil soldados britânicos, entre os quais o amigo Rob Gilson.

O tenente Tolkien em 1916

O tenente Tolkien em 1916

White relata que Tolkien foi diversas vezes às trincheiras, matou, e voltou ileso de todas elas. A morte de amigos, os corpos espalhados e o cheiro de sangue o aproximavam da ideia de sua própria mortalidade, mas o que quase o levou foi a febre da trincheira. Por causa dela, ele foi se tratar longe dos campos de batalha. Tentou voltar à guerra, mas sempre tinha uma recaída.

Autor de As Crônicas de Nárnia, C.S. Lewis também não tratou diretamente do conflito em sua obra, mas seu mundo ficcional, onde se luta contra a escuridão e o abismo, certamente reflete a vivência nas trincheiras. Em seu livro sobre Tolkien, White comenta que Lewis dedica três capítulos à desagradável experiência na escola pública e apenas uma pequena parte de um capítulo à sua participação na guerra, e o cita: “É muito distante do resto da minha experiência (…) e frequentemente parece ter acontecido com outra pessoa”. Mas ele esteve lá, se feriu, e na volta cumpriu a promessa feita a um amigo: o combinado era que, caso um morresse, o outro cuidaria da família do morto.

Motorista. A experiência de Hemingway não foi tão radical, embora ele tenha se ferido durante seu trabalho como motorista. Mas a guerra rendeu a ele algumas histórias. Em 1926, lançou O Sol Também se Levanta, em que o protagonista é um veterano de guerra. Em 1929, publicou Adeus às Armas, este sim um romance situado durante o conflito e que narra a história de amor entre um motorista de ambulância e uma enfermeira.

Hemingway e a enfermeira Agnes von Kurowsky

Hemingway e a enfermeira Agnes von Kurowsky

Relato impressionante da experiência no front está em Tempestade de Aço, diário de Ernst Jünger, que lutaria ainda na 2.ª Guerra – ele viveu até os 102 anos. Nada Novo no Front, de Erich Maria Remarque, também retrata de forma vívida a experiência de combate e aborda a inadequação do soldado ao voltar para casa e para o convívio com civis. Já em As Aventuras do Bom Soldado Švejk, o ex-combatente Jaroslav Hasek narra as peripécias de um checo que se mete em muita confusão, optando pelo humor na hora de fazer contundente denúncia do absurdo da guerra – o livro acaba de ser lançado no Brasil.

O alemão Ernst Jünger

O alemão Ernst Jünger

Diário de Jünger deu origem ao livro ‘Tempestade de Aço’

Diário de Jünger deu origem ao livro ‘Tempestade de Aço’

O poeta e. e. cummings teve uma passagem traumática pelo conflito. Voluntário, acabou preso por engano, em campo de concentração, sob alegação de espionagem – e trata disso no romance autobiográfico A Cela Enorme, de 1922, e em alguns poemas. Louis-Ferdinand Céline se feriu no conflito e publicou, em 1932, Viagem ao Fim da Noite, cujo protagonista também passa pela 1.ª Guerra. Rudyard Kipling, diretor de propaganda para as colônias britânicas, voltou do conflito com um caderno de poemas.

John dos Passos foi motorista do exército e, em 1921, lançou o romance Três Soldados, sobre um vendedor, um jovem camponês e um músico que respondem à pressão da guerra com rancor e fúria assassina. Há quem diga que o americano William Faulkner não chegou a ver de perto uma batalha, embora tenha se juntado à Força Aérea Canadense. No entanto, a guerra foi tão marcante que, em 1926, ele lançaria Paga de Soldado, sobre um veterano que, ao voltar para casa, é repudiado por todos; a questão do desterrado pela guerra apareceria em outras obras, como em Sartoris, na qual trata dos irmãos gêmeos John e Bayard – os dois vão à guerra como aviadores: um deles morre e o outro testemunha tudo e volta para casa atormentado.

Gertrude Stein comprou uma caminhonete e, com a companheira Alice Toklas, distribuiu medicamentos para hospitais militares na França. Bertolt Brecht estudava Medicina e passou um mês trabalhando em hospital militar antes do fim da guerra. Agatha Christie trabalhou como enfermeira da Cruz Vermelha e começou a escrever suas histórias policiais nesse período. Scott Fitzgerald se alistou no exército americano, mas o armistício chegou antes que ele completasse o treinamento.

Gertrude Stein e Alice Toklas

Gertrude Stein e Alice Toklas

“A arte tem papel essencial e não sobreviveríamos sem ela. O que elabora a vida e o traumático não é o pensamento raciocinado ou conceitual, e sim o sonhar e, como dizia o psicanalista Otto Rank, a arte é o sonho da humanidade. Os romances e os diários são produto desse processo de sonhar e, ao mesmo tempo, serão matéria-prima para quem os lê – de produzir um sonho próprio de cada um que ajude a passagem nos trajetos da vida”, explica o psicanalista Leopold Nosek.

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