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Jabuti divulga lista de indicados em todas as categorias

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Publicado no UOL

Luíz Fernando Veríssimo concorre na categoria Contos e Crônicas

O resultado da apuração da primeira fase do 55º Prêmio Jabuti, reconhecimento literário mais importante do país, já foi divulgado pela Câmara Brasileira do Livro (CBL). Nesta primeira fase, foram classificados 10 finalistas de cada uma das 27 categorias integrantes dessa edição. A lista foi validada pelo Conselho Curador e pela Auditoria Parker & Randall.

O júri, formado por especialistas de cada categoria, foi indicado pelo Conselho Curador do Prêmio, composto por José Luiz Goldfarb, Antonio Carlos Sartini, Frederico Barbosa, Luis Carlos Menezes e Márcia Ligia Guidin.

A segunda fase (e última) avaliará e atribuirá notas a todas as obras finalistas da primeira fase. As três obras que receberem a maior pontuação dos jurados serão consideradas vencedoras em sua respectiva categoria, em primeiro, segundo e terceiro lugar.

A cerimônia de entrega aos vencedores do Prêmio Jabuti 2013 acontecerá dia 13 de novembro, na sede da CBL, em São Paulo.

Jovens autores

Luisa Geisler e Rafael Gallo, vencedores do Prêmio Sesc de Literatura 2011/2012, estão entre os finalistas do Jabuti 2013 nas categorias Romance e Conto/Crônica. Os jovens autores foram indicados com as obras Quiçá e Réveillon e Outros Dias, respectivamente. Os escritores aparecem ao lado de nomes como Daniel Galera, Zuenir Ventura, Luís Fernando Veríssimo e Sérgio Sant’Anna, entre outros.

Prêmio Jabuti anuncia livros finalistas da primeira etapa; veja lista completa

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Publicado por Folha de S.Paulo

O comitê organizador do Jabuti, mais tradicional prêmio literário do país, divulgou nesta quarta (18) os resultados da primeira fase de sua 55ª edição, com os dez finalistas de cada uma de suas 27 categorias.

A apuração dos votos, aberta ao público, foi realizada na terça (17), na sede da Câmara Brasileira do Livro, no centro de São Paulo, mas os votos passaram por auditoria até a noite de ontem, para a correção de eventuais erros na contagem ou nas inscrições.

O escritor Evandro Affonso Ferreira, autor de "O Mendigo que Sabia de Cor os Adágios de Erasmo de Rotterdam" (Record), romance mais bem avaliado pelos jurados na primeira fase do Jabuti (Paula Giolito/Folhapress)

O escritor Evandro Affonso Ferreira, autor de “O Mendigo que Sabia de Cor os Adágios de Erasmo de Rotterdam” (Record), romance mais bem avaliado pelos jurados na primeira fase do Jabuti (Paula Giolito/Folhapress)

Nesta primeira etapa, cada um dos três jurados por categoria deu notas de 8 a 10 a dez títulos escolhidos por eles dentre todos os inscritos na categoria em questão –assim, um título que leva 10 de um único jurado fica atrás de outro que recebe 8 de outros dois jurados.

Algumas categorias têm mais de dez finalistas devido a empates –o principal caso foi o de livros de educação, categoria em que dois dos três jurados deram notas 10 para todos os títulos selecionados. Na avaliação do curador do prêmio, José Luiz Goldfarb, foi uma resposta dos jurados à eliminação da possibilidade de dar notas zero aos finalistas –nota que, no ano passado, o crítico literário Rodrigo Gurgel, o “jurado C” na categoria romance, deu a várias obras que analisou.

Na segunda fase, a ser divulgada em 17 de outubro, os resultados são zerados, e os mesmos três jurados avaliam todos os dez livros finalistas em suas categorias. Assim, um livro que inicialmente tenha sido bem avaliado por um só jurado, ficando com pontuação mais baixa na primeira etapa, pode vencer na final se os outros dois também o avaliarem bem.

Dois livros de editoras do Grupo Folha, que edita a Folha, estão entre os finalistas do Jabuti: “História da Imprensa Paulista”, de Oscar Pilagallo (Três Estrelas), na categoria Comunicação; e “Comidinhas Vegetarianas”, de Rita Taraborelli (Publifolha), na categoria Gastronomia.

O prêmio para o vencedor em cada categoria é de R$ 3.500. Em 13 de novembro, serão conhecidos os vencedores do livro do ano de ficção e de não ficção, cada qual reunindo alguma das categorias iniciais. Esses receberão mais R$ 35 mil cada um.

O conselho curador do Jabuti é formado por José Luiz Goldfarb, Antonio Carlos Sartini, Frederico Barbosa, Luis Carlos Menezes, Marcia Ligia Guidin. Os jurados são conhecidos apenas na cerimônia de entrega do prêmio.

Veja, abaixo, os finalistas da primeira etapa.

CATEGORIAS DE FICÇÃO

Romance

1) “O Mendigo que Sabia de Cor os Adágios de Erasmo de Rotterdam” (Record), de Evandro Afonso Ferreira
2) “Barba Ensopada de Sangue” (Companhia das Letras), de Daniel Galera
3) “O que Deu Para Fazer em Matéria de História de Amor” (Companhia das Letras), de Elvira Vigna
4) “Mar Azul” (Rocco), de Paloma Vidal
5) “Sagrada Família” (Objetiva), de Zuenir Ventura
6) “O Céu dos Suicidas” (Alfaguara), de Ricardo Lísias
7) “Quiçá” (Record), de Luisa Geisler
8) “Valentia” (Grua), de Deborah Kietzmann Goldemberg
8) “Carbono Pautado” (Record), de Rodrigo de Souza Leão
9) “Era Meu Esse Rosto” (Record), de Marcia Tiburi
10) “Glória” (7Letras), de Victor Heringer

Contos ou crônicas

1) “Diálogos Impossíveis” (Objetiva), de Luis Fernando Verissimo
2) “Páginas sem Glória” (Companhia das Letras), de Sérgio Sant’Anna
3) “Aquela Água Toda” (Cosac Naify), de João Anzanello Carrascoza
4) “Essa Coisa Brilhante que É a Chuva” (Record), de Cintia Moscovich
5) “Garranchos”, textos inéditos de Graciliano Ramos (Record)
6) “Bem-vindo – Histórias com as Cidades de Nomes Mais Bonitos e Misteriosos do Brasil” (Bertrand Brasil), de Fabricio Carpinejar
6) “Cheiro de Chocolate e Outras Histórias” (Nova Alexandria), de Roniwalter Jatobá
7) “A Verdadeira História do Alfabeto” (Companhia das Letras), de Noemi Jaffe
8) “O Tempo em Estado Sólido” (Grua), de Tércia Montenegro
9) “Réveillon e Outros Dias” (Record), de Rafael Gallo
10) “São Paulo -1971-2011” (Olhares), de Luiz Ruffato, Ignacio de Loyola Brandão, Tony Belloto, Vanessa Barbara
10) “Vento sobre Terra Vermelha” (8Inverso), de Caio Riter
10) “Copacabana Dreams” (Cosac Naify), de Natércia Pontes

Poesia

1) “A Voz do Ventríloquo” (Edith), de Ademir Assunção
2) “Porventura” (Record), de Antonio Cicero
3) “Raymundo Curupyra, o Caypora” (Tordesilhas), de Glauco Mattoso
4) “Deste Lugar” (Ateliê), de Paulo Franchetti
5) “Formas do Nada” (Companhia das Letras), de Paulo Henriques Britto
6) “Um Útero É do Tamanho de um Punho” (Cosac Naify), de Angélica Freitas
7) “O Amor e Depois” (Iluminuras), de Mariana Ianelli
7) “A Praça Azul e Tempo de Vidro” (Paes), de Samarone Lima
8) “Vário Som” (Patua), de Elisa Andrade Buzzo
9) “Variações do Mar” (7Letras), de Josoaldo Lima Rêgo
10) “A Cicatriz de Marilyn Monroe” (Iluminuras), Contador Borges

Infantil

1) “Felizes Quase Sempre” (34), de Antonio Prata
2) “Os 33 Porquinhos” (Objetiva), de José Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta
3) “Ela Tem Olhos de Céu” (Gaivota), de Socorro Accioli
4) “A Pedra na Praça” (Rovlle), de Sofia Mariz e Tatiana Mariz
5) “Os Meninos de Marte” (Melhoramentos), de Ziraldo
5) “A Ilha do Crocodilo – Contos e Lendas do Timor Leste” (FTD), de Geraldo Costa
5) “Visita à Baleia” (Positivo), de Paulo Venturelli
5) “Era Uma Vez Duas Linhas” (Iluminuras), de Alonso Alvarez
5) “Contos da Terra do Gelo” (Editora do Brasil), de Rogério Andrade Barbosa
5) “Caixinha de Guardar o Tempo” (Gaivota), Alessandra Roscoe
6) “Psssssssssssssiu!” (Callis), de Silvana Tavano e Daniel Kondo
7) “Primeira Palavra” (Abacatte), de Tino Freitas
8) “Tom” (Projeto), de André Neves
8) “Com Afeto e Alfabeto” (Edelbra), de Dilan Camargo
9) “Estrelas de São João” (Manati), de Graziela Bozana Hetzel
10) “Cultura” (Iluminuras), de Arnaldo Antunes (mais…)

Ana Maria Machado diz que prêmio é ‘reparação de injustiça’

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Escritora venceu o Passo Fundo Zaffari & Bourbon com ‘Infâmia’

Maria Fernanda Rodrigues, no Estadão

Ana Maria Machado já ganhou muitos prêmios, como o Hans Christian Andersen, o mais importante do mundo para a literatura infantil, e o Machado de Assis, pelo conjunto da obra. Mas nada repercutiu tanto quanto a derrota que sofreu no Jabuti, no ano passado. Ela era a favorita de dois dos três jurados, mas sua obra perdeu por causa desse terceiro, o famoso jurado C, que deu zero para seu livro.

Claudio Tavares/Divulgação A escritora Ana Maria Machado

Claudio Tavares/Divulgação
A escritora Ana Maria Machado

O título em questão era Infâmia (Alfaguara), e a hora dele finalmente chegou. Terça, na abertura da 15.ª Jornada de Literatura de Passo Fundo (RS), ele foi anunciado como o romance vencedor do 8.º Prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura, no valor de R$ 150 mil – um dos mais altos do País. Concorreram obras escritas em português e publicadas no Brasil nos últimos anos. Ao lado dela, na lista de finalistas, nomes como João Gilberto Noll e Luiz Ruffato.

“Quando soube do prêmio, a sensação de reparação de uma injustiça entrou forte na alegria”, comentou ontem, em Passo Fundo. “Na vida, as coisas tendem a seguir um equilíbrio. Talvez a linguagem popular dissesse ‘O que é do homem o bicho não come’. Talvez o Zagalo dissesse ‘Tiveram que me engolir’”, brincou a imortal e presidente da Academia Brasileira de Letras.

Baseado em fatos reais, Infâmia fala do limite entre o verdadeiro e o falso. São dois os personagens principais: um embaixador que recebe um envelope com documentos sobre sua filha morta e um funcionário público falsamente acusado de corrupto.

Ana Maria terminou há pouco um infantil, que está descansando “na nuvem”. Entre outubro e novembro lança, pela Objetiva, a novela juvenil Enquanto o Dia Não Chega – uma história que se passa no século 17 e se alterna entre uma aldeia africana e outra portuguesa e um colégio de jesuítas.

Seus leitores adultos, porém, devem esperar um pouco mais por outro romance. “Estava com uma história na cabeça, mas aí alguém publicou um livro sobre o assunto. Desisti do projeto. Mas, com o prêmio, vou poder parar um tempo e financiar um silêncio para mim e ver como dar rumo, ou não, a esse tema que me assombra”, conta.

Ela não revela o assunto por medo de perdê-lo. “O momento de escrever é muito próximo do inconsciente. Pôr em palavras, é dar uma forma verbal a certas sensações que são ainda muito difusas e a certas percepções inconscientes. Na hora de botar no papel, ela perde a espontaneidade”, conclui.

Prêmio Jabuti 2013 recebe mais de duas mil inscrições

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Publicado no Bem Paraná

O Prêmio Jabuti, a mais importante premiação editorial do país, encerrou suas inscrições da edição 2013 com 2.107 participações, em 27 categorias. Foram aceitas obras inéditas, editadas no Brasil, entre 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2012, inscritas no ISBN e que apresentavam ficha catalográfica. O Prêmio Jabuti é organizado pela Câmara Brasileira do Livro (CBL).

Uma nova categoria integra a lista do regulamento deste ano: Melhor Tradução de Obra de Ficção Alemão-Português, em função da homenagem do Brasil na Feira do Livro de Frankfurt, que acontece em outubro próximo.

Os laureados em todas as categorias que compõem o prêmio receberão o troféu Jabuti e o valor de R$ 3,5 mil. Os vencedores do Livro do Ano – Ficção e Livro do Ano – não Ficção serão comtemplados, individualmente, com o prêmio de R$ 35 mil, além da estatueta dourada.

Um júri formado por especialistas de cada categoria – indicado pelo Conselho Curador do Prêmio, cujos membros são José Luiz Goldfarb, Antonio Carlos Sartini, Frederico Barbosa, Luis Carlos Menezes e Márcia Ligia Guidin – escolherá os vencedores. Os nomes dos jurados serão divulgados em ordem alfabética, somente na cerimônia de premiação. Até essa ocasião, os jurados igualmente desconhecerão a identidade uns dos outros.

O Conselho Curador também ficará responsável pelo acompanhamento de todas as etapas do prêmio.
Na primeira fase das apurações, os jurados deverão ler e avaliar os livros inscritos em sua categoria, de acordo com os quesitos especificados no Regulamento, atribuindo notas entre oito e 10 a cada um deles (sendo permitido o fracionamento em apenas meio ponto). Cada jurado escolherá dez livros, em cada categoria. Os selecionados nesta etapa de apuração serão conhecidos no próximo dia 17 de setembro, na CBL, localizada na Avenida Ipiranga, 1.267, 10o andar, São Paulo, Capital.

A segunda fase (e última) avaliará e atribuirá notas a todas as obras finalistas da primeira fase. As três obras que receberem a maior pontuação dos jurados, nesta fase, serão consideradas como vencedoras do prêmio em sua categoria, em primeiro, segundo e terceiro lugar. A cerimônia de entrega aos vencedores do Prêmio Jabuti 2013 acontecerá dia 13 de novembro, na Sala São Paulo.

Aspirantes a escritor evitam o ‘não’ das editoras recorrendo a prêmios

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Concursos apresentam ao leitor brasileiro uma nova safra de autores que talvez não entrariam em grandes editoras.

Maria Fernanda Rodrigues, no Estadão

Há prêmios que reconhecem o trabalho de um escritor ou a qualidade de um livro e dão um respiro à saúde financeira dos literatos – muitas vezes precária, já que é consenso dizer que não se vive da venda de direitos autorais. Nesta terça-feira (13), serão anunciados os finalistas do Prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura, que premia o autor do melhor romance com R$ 150 mil. Há 10 dias, o Prêmio São Paulo de Literatura encerrou as inscrições – concorrem 187 obras. Este ano, ele passa a premiar em três categorias: melhor romance (R$ 200 mil), melhor romance de autor estreante com menos de 40 anos (R$ 100 mil) e melhor romance de autor estreante com mais de 40 anos. O Portugal Telecom, que paga R$ 50 mil aos vencedores das categorias romance, conto/crônica e poesia e mais R$ 50 mil ao melhor dos três, revela até meados de setembro quem está no páreo. Existem outros nessa linha, como o Jabuti, o Paraná, o Benvirá etc.

E há prêmios que priorizam a produção literária de jovens autores ou de autores que nunca publicaram. Os melhores exemplos são os do Prêmio Governo de Minas Gerais, que ainda não lançou o edital deste ano, mas que tem uma opção interessante para jovens escritores mineiros (entre 18 e 25 anos): o autor do melhor projeto de livro ganha R$ 25 mil para tocá-lo adiante. E o Prêmio Sesc, que só aceita originais de autores inéditos nos gêneros romance ou conto.

Desde que foi criado há 10 anos, o Prêmio Sesc apresentou aos leitores brasileiros uma nova safra de escritores que talvez não teriam entrada em grandes editoras. Já revelou 17 escritores das mais diferentes profissões – um professor universitário de química, um servidor público, uma estudante, um redator publicitário, um psicanalista e por aí vai. Pessoas com pouca ou nenhuma circulação pelo mundo literário. Alguns deles ficaram pelo caminho, outros, com esse pontapé, investiram na carreira. É o caso, por exemplo, de Lúcia Bettencourt, André de Leones e Luisa Geisler. Vêm novos nomes por aí – as inscrições estão abertas até 30 de agosto.

A questão do ineditismo é o que difere o Prêmio Sesc e o São Paulo, que também tem uma categoria de autores estreantes – mas neste caso, só concorrem livros já editados. Portanto, de autores que já venceram a primeira barreira.

Acostumado a receber originais, o editor Marcelo Ferroni, da Alfaguara, já foi um autor estreante. Seu Método Prático de Guerrilha saiu pela Companhia das Letras e ganhou o Prêmio São Paulo em 2011 nesta categoria, o que acabou dando mais visibilidade a sua obra. Em 2014, lança, pela mesma editora, Da Parede, Meu Amor, os Escravos Nos Contemplam. Como editor, diz que prêmios podem ajudar um autor, mas que não é só isso o que importa: “Se o autor tem algo no currículo, ou se é indicado por alguém de confiança, isso facilita seu caminho, para que ele seja lido mais rapidamente pelo editor. Mas no final, o que conta mesmo é a qualidade do livro.”

Naquele ano, o São Paulo ainda pagava R$ 200 mil. Já o do Sesc não envolve dinheiro – e isso não importa aos vencedores ouvidos pelo Estado. Mais relevante é, na opinião deles, a oportunidade de ver o livro editado e distribuído pela Record, a maior editora do País. É esse o prêmio. Por sua vez, o Sesc organiza um intenso tour com os vencedores por suas unidades e por outros eventos, como a Jornada de Passo Fundo e a Flip – na programação paralela que a instituição promove durante a festa. Anualmente, o Sesc investe R$ 500 mil nessas ações.

E foi lá em Paraty, no mês passado, que o advogado paranaense Marcos Peres, de 28 anos, fez seu debut literário. Vencedor da última edição do prêmio com o romance O Evangelho Segundo Hitler, ele é exemplo de um novo movimento: de autores que têm preferido encarar outros concorrentes num prêmio do que esperar um milagre ou uma carta-padrão de uma editora negando o original. Quem o inspirou a tomar esse caminho foi o conterrâneo Oscar Nakasato, o professor que, com Nihonjin, seu romance de estreia, venceu o 1.º Prêmio Benvirá e o Jabuti.

Há 10 anos, concurso possibilita a estreia literária de aspirantes a escritor

Mostrar o primeiro livro para um estranho não é tarefa fácil. A carioca Lúcia Bettencourt que o diga. Tímida, ela passou a vida estudando literatura, escrevendo contos e cuidando do marido e dos quatro filhos. Resistia em mostrar sua ficção porque tinha uma carreira acadêmica e achava que passaria vergonha. Seu marido Guilherme ficou sabendo do Prêmio Sesc, que estava então em sua terceira edição, e disse que não havia mais desculpas. Como a inscrição seria feita com um pseudônimo, se não desse certo ninguém saberia. Foi ele quem organizou e imprimiu os textos e inscreveu o livro da mulher.

Mas Guilherme morreu em outubro de 2005, antes de saber que Lúcia tinha vencido – o anúncio seria feiro em março do ano seguinte. “O prêmio foi minha tábua de salvação. Se não fosse por ele hoje eu estaria numa clínica de repouso, pirada”, comenta. Estavam juntos há 36 anos. “Ele se foi, e a literatura me deu sustentação.”

Ela deixou de ser Lúcia, a mulher de Guilherme (ele era executivo de uma grande empresa), e virou Lúcia, a escritora. O luto ela viveu viajando pelas unidades do Sesc. No interior do Paraná, ouviu de um leitor que um de seus contos tinha sido escrito para ele, e essa nova profissão começou a fazer sentido.

Outros livros vieram depois de A Secretária de Borges, e há um mês ela recebeu a notícia de que O Banquete, obra baseada em sua tese, tinha recebido o prêmio da Academia Brasileira de Letras na categoria crítica literária e R$ 50 mil.

André de Leones, vencedor na categoria romance com Hoje Está Um Dia Morto no mesmo ano em que Lúcia ganhou, também não inscreveu o livro sozinho. À época, ele tinha terminado um curso de cinema em Goiânia e estava de volta à casa dos pais, em Silvânia. Entre os 19 mil habitantes, estava o escritor Aldair Aires, que tomou a iniciativa. “Se não fosse pelo prêmio, é provável que eu estivesse lecionando no interior de Goiás e dependendo de editais para, com sorte, publicar meus livros localmente”, conta o escritor. Numa das viagens para divulgar o prêmio, conheceu, em Paranaguá, sua primeira mulher. Foi a deixa para ir embora de vez de Goiás. Participou do projeto Amores Expressos, publicou mais quatro livros pela Record e pela Rocco e está em outras tantas antologias – internacionais, inclusive. Vive hoje em São Paulo e é colaborador do Caderno 2.

No ano seguinte, foi a vez dele dar uma mão a um colega. Wesley Peres, psicanalista em Catalão, não achava que seu romance Casa Entre Vértebras seria considerado no prêmio “porque estava no limite entre prosa e poesia”. Foi Leones quem a inscreveu. Wesley já tinha lançado dois livros de poemas. Depois do prêmio, investiu num segundo romance, o Pequenas Mortes, publicado recentemente pela Rocco.

Luisa Geisler foi a mais jovem escritora premiada pelo Sesc e tem uma das carreiras mais promissoras. Ela tinha 19 anos e fazia a oficina literária do Luiz Antonio de Assis Brasil quando soube do concurso. Ajeitou alguns contos, fez outros e inscreveu Contos de Mentira na premiação. Levou. No ano seguinte, em 2011, resolveu experimentar o romance, e escreveu Quiçá. Levou de novo. No mesmo ano, foi selecionada para a Granta Melhores Jovens Escritores Brasileiros e o romance que escreve agora sairá pela Alfaguara, uma das principais editoras na área de ficção. “Sem o Prêmio Sesc, minha carreira estaria na estaca zero em termos de publicação”, conta a estudante de Relações Internacionais e Ciências Sociais.

“A ideia é justamente essa: que o prêmio dê o primeiro empurrão na carreira literária dos autores, e que eles possam assim construir as suas trajetórias”, explica Henrique Rodrigues, um dos idealizadores do concurso.

De fato, o prêmio deu o pontapé na carreira de muitos dos vencedores. Alguns passaram a acreditar na vocação, abandonaram a ideia de autopublicação ou de publicação por uma editora regional, e tentam viver de literatura. Outros conciliam a profissão com a escrita. É o caso de Marcos Peres, servidor do Tribunal de Justiça, em Maringá e autor do melhor romance deste ano. “A questão de ser apenas um escritor é quase uma utopia. Eu consigo conciliar o ato de escrever com meu trabalho”, diz.

O publicitário João Paulo Vereza, vencedor este ano com os contos de Noveleletas, conta que ainda não descobriu o que é ser escritor. Sempre escreveu, nunca publicou. “A literatura sempre foi meu playground, o espaço onde me sinto livre e confortável.”

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