Contando e Cantando (Volume 2)

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Carta que inspirou Jack Kerouac a escrever “On the Road” será leiloada

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 Livro virou o filme Na Estrada, dirigido pelo brasileiro Walter Salles Divulgação

Livro virou o filme Na Estrada, dirigido pelo brasileiro Walter Salles Divulgação

Livro ficou conhecido como a grande obra da geração beat e ganhou até filme

Publicado no R7

A carta que um amigo escreveu a Jack Kerouac em 1950 será leiloada no próximo dia 17 nos Estados Unidos, conforme publicou nesta terça-feira a revista Time. Escrita pelo autor Neal Cassady, a carta inspirou Kerouac a escrever On The Road, livro considerado o maior expoente da geração Beat.

Considerada por alguns especialistas como o documento original mais importante da literatura da geração Beat, a carta será leiloada em 17 de dezembro, quando completarão exatamente 64 anos desde que foi datada em 1950.

Trata-se de uma carta datilografada em nove páginas, frente e verso, por outra das figuras da geração Beat, Neal Cassady, na qual conta a seu amigo Kerouac um fim de semana que passou em Denver, no Colorado. Cassady relata suas aventuras, como ter que pular pela janela após ser descoberto tendo um caso com uma babá.

Conforme o próprio Kerouac explicou em várias ocasiões, foi esta carta que lhe inspirou a criar o estilo que sete anos depois plasmaria em seu livro mais famoso, On the Road, que virou o filma Na Estrada, em 2012, dirigido pelo brasileiro Walter Salles.

Em entrevista à revista Paris Review, em 1968, Kerouac falou sobre o assunto.

— Tive a ideia para o estilo espontâneo de On the Road após ver como Neal Cassady me escrevia as cartas: tudo em primeira pessoa, rápido, amalucado, confessional, muito sério, tudo minuciosamente. A carta, a carta principal, tinha 40 mil palavras, era uma novela curta. Era a melhor peça escrita que jamais tinha visto nos EUA.

Por muito tempo, acreditou-se que a carta estava perdida até que Jean Spinosa, uma mulher de 41 anos, a encontrou este ano em Oakland, na Califórnia, organizando os documentos que seu falecido pai tinha deixado.

O pai, um produtor musical, tinha recebido, por sua vez, a carta entre uma multidão de textos, poemas e outras mensagens de escritores com as quais ficou depois que a editora Golden Goose, com a qual compartilhava o escritório, fechou.

Cassady escreveu a carta no bairro de Russian Hill, em San Francisco, e a enviou ao amigo que estava em Nova York.

Conheça a casa de escritores clássicos pelo Google Street View

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Edgar Allan Poe

Fábio Mourão no Dito pelo Maldito

Se você tem um livro dentro de si esperando para sair, mas fica bloqueado toda vez que senta em frente ao computador para escrever, talvez o que você precisa é fazer uma visita a casa de algum grande escritor da história. Quem sabe assim você consigue absorver toda a ‘energia cósmica’ de um lugar especial onde mentes brilhantes já trabalharam. Pelo menos, mesmo não sendo supersticioso, foi o que tentei fazer em relação a Fernando Pessoa, quando estive em Portugal.

Mas caso esteja complicado para você viajar no momento, não tem problema. Nós demos um giro pelo mundo usando o Google Stret View, e descobrimos as casas onde viveram autores clássicos. Mas só os mortos, afinal, não somos stalkers.

Edgar Allan Poe

Edgar Allan Poe
Localização:  203 N. Amity Street, Baltimore

Ernest Hemingway

Ernest Hemingway
Localização:  907 Whitehead Street, Key West, Florida

F. Scott Fitzgerald

F. Scott Fitzgerald

Localização:  481 Laurel Street, St. Paul, Minnesota

HP Lovecraft

HP Lovecraft

Localização:  10 Barnes Street, Providence, Long Island

Jack Kerouac

Jack Kerouac

Localização:  1478 Clouser Avenue, Orlando, Florida

Mark Twain

Mark Twain

Localização: 351 Farmington Avenue, Hartford, Connecticut 

Truman Capote

Truman Capote

Localização: 73 Willow Street, Brooklyn, New York

Cartas escritas por Jack Kerouac quando jovem são descobertas

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Publicado na Folha de S.Paulo

Cartas inéditas do escritor americano Jack Kerouac (1922-1969), autor da obra-prima da geração beatnik “On the Road”, foram descobertas recentemente nos Estados Unidos. De acordo com o jornal “The Guardian”, ao todo 17 cartas, dois cartões postais e sete fragmentos de texto foram encontrados pela filha de um amigo de infância do escritor.

Nos textos, enviados por Kerouac ao amigo George J. Apostolos entre 1940 e 1941, ele se declara completamente apaixonado e fala de outras questões da juventude. Na época, Apostolos vivia em Lowell, Massachusetts, e Kerouac em Nova York, onde cursava uma escola preparatória e, posteriormente, a Universidade da Columbia.

Segundo um representante da casa de leilões Skinner, que irá vender o material em novembro, os textos mostram o escritor no “processo de se tornar Kerouac”.

“É preciso lembrar que são correspondências particulares trocadas entre dois jovens no final dos anos 1930 e começo de 1940. Kerouac faz menção a velhas aventuras colegiais, a saudades de sua casa em Lowell e descreve suas descobertas sociais, bebedeiras, festas e experiências com garotas”, diz o diretor de livros e manuscritos da Skinner, Devon Gray.

O escritor Jack Kerouac, autor de 'On The Road', em foto de 1962

O escritor Jack Kerouac, autor de ‘On The Road’, em foto de 1962. Associated Press

Em um dos textos, Kerouac narra sua paixão e desencanto pela irmã de uma amiga, com quem “pretende se casar”.

“Não há dúvidas de que nem eu nem você já vimos uma criatura tão primorosa como Jacqueline Sheresky”, escreve. “O pescoço dela tem aquela marca de sangue azul. Ele faz uma curva delicada, e como marfim, para um queijo amendoado perfeitamente moldado, e dali para lábios escarlates trementes, que cobrem uma fileira de dentes de mármore.”

O escritor continua a carta com seus planos para ganhar a atenção da garota. “O problema é que não tenho coragem para convidá-la ao baile de formatura…. Se eu pudesse levar esta deusa ao Waldorf, eu viveria o suficiente por uma noite.”

Kerouac ainda conta para Apostolos que temia que outro rapaz, chamado Sokolow, já tivesse convidado Sheresky para a festa, e depois narra como a encontrou dançando com Sokolow no baile. “Que maldito sórdido, um esquisito sem esperança, hipócrita, idealista, inseguro e babaca eu sou.” Em cartas seguintes, ele fala de encontros com outra garota.

De acordo com a casa de leilões, a amizade entre Kerouac e Apostolos nunca foi mencionada por biógrafos, uma vez que os textos nunca estiveram disponíveis para pesquisadores e para o público. A casa espera arrecadar entre US$ 2.000 e US$ 5.000 (entre R$ 4.736 e R$ 11.841) por cada carta.

Segundo Gray, a filha de Apostolos sabia que o pai tinha algumas cartas do escritor, mas achou que elas haviam sido queimadas, até encontrá-las entre as coisas do pai, após a morte do amigo de Kerouac.

A Faixa de Gaza e os escritores egoístas do nosso tempo

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Ao conviver em sociedade, a humanidade desenvolveu as muitas formas de enfrentar coletivamente inumeráveis desafios, dando respostas inteligentes a cada um deles, aprendendo também a dominar as linguagens para expressar tudo aquilo que desejava, como a literatura ou a linguagem escrita.

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Marcelo Vinicius, no Homo Literatus

Sei que a literatura não tem maiores pretensões, mas vale lembrarmo-nos de uma coisa: Paulo Leminski, com seu extenso reconhecimento como escritor, crítico literário, tradutor e professor, no ensaio Arte in-útil, arte livre?, nos disse que a curiosa ideia de que a arte não está a serviço de nada a não ser de si mesma é relativamente recente. Embora se possa afirmar que a ideia da autonomia da arte radica, em última análise, na Poética de Aristóteles, é a partir dos finais do séc. XVIII que ela surge plenamente consciencializada. É melhor evidenciada, de fato, no romantismo europeu do século XIX, apogeu da 1ª Revolução Industrial e da hegemonia burguesa, momento em que a indústria veio para “substituir” a arte e o artesanato.

Mas, na Rússia, nos meados do século XIX, a literatura estava ainda no centro da arena dos grandes temas, da condição humana daquela época, daquele tempo. Fala-se muito da literatura ser amoral, mas, segundo Leminski, na grande Mãe Rússia, a extraordinária literatura do século XIX, com escritores como Gogol, Tolstói, Dostoiévski, Turguiênev e Tchékov, é uma literatura, sobretudo, moral. E a consciência social do povo russo é uma literatura de acusação e denúncia, de resistência e responsabilidade coletiva.

Se já lemos os grandes clássicos da literatura mundial, principalmente os russos como Tolstói e Dostoiévski, que por sinal, este é meu projeto de estudo na Universidade, o que Leminski nos aponta não é novidade.

Sim, a censura czarista estava de acordo com os artistas no que tange a arte com uma moral. Nisso, os poderes e a oposição estavam de acordo. Mas, os significados estavam trocados. Ao forçoso e forçado moralismo da censura czarista, os escritores russos reagiram com um moralismo oposto.

O grande momento reflexivo dessa afirmação russa do caráter moral da literatura é O que é Arte, do clássico escritor Tolstói (de 1898). Nesse ensaio implacável, o autor de Guerra e Paz denuncia a “degenerescência” da arte moderna, em particular, a doutrina da “arte pela arte”, à luz de critérios éticos e “humanos”. Para Tolstói, toda a arte e a literatura de sua época lhe parecem manifestações patológicas de sensibilidades decadentes e “desumanas”. Repugna-lhe também na literatura o seu “ocultismo”, sua tendência à “panelinhas” fechadas.

Chegamos ao revolucionário Plekhânov e a A Arte e a Vida Social, que são suas conferências de 1912. Plekhânov tem também a mesma postura anti-arte pela arte. O que em Tolstói era moral, em Plekhânov era político.

De certo que o mundo não é de responsabilidade só dos artistas, é claro, mas não nos esquecemos de suas forças na sociedade. É só nos lembrarmos de um fenômeno conhecido no mundo da literatura: o Copycat Effect, que é um ato que é modelado ou inspirado por um ato anterior descrita em ficção. Já o sociólogo David Phillips, chama isso de Werther Effect, se referindo ao romance do escritor Goethe que provocou uma onda de suicídios no século XVIII. No mais, é só para não nos esquecermos do século XIX e a sua arte.

Cena “Os Sofrimentos do Jovem Werther”

Cena “Os Sofrimentos do Jovem Werther”

E mesmo que abordássemos filósofos e críticos de artes mais atuais, como Arthur Danto, de certo que até ele também não negaria essa visão descrita aqui. Para Danto, houve o início de uma nova era de pluralismo artístico, o que encontrou eco na diversidade da arte pós-moderna. Nisso, a arte, no que tange suas pretensões, não nega o século XIX e a moral artística. É uma questão de se utilizar delas também, quando necessário, e não de negá-las em detrimento de qualquer outra coisa.

Arthur Danto, em sua obra A Transfiguração do Lugar-Comum, diferente do que muitos pensam sobre, afirma que a arte tem ainda seu papel social. Ela faz o que toda obra de arte sempre fez: exteriorizar uma maneira de ver o mundo, expressar o interior de um período cultural, oferecendo-se como espelho para flagrar a consciência dos nossos reis.

Danto, ainda nessa obra, afirma que, além de questionar o conceito de Arte, artistas como Duchamp e principalmente Andy Warhol contestaram o consumo desenfreado e todas as hipocrisias que contornavam a sociedade norte-americana da época. Utilizava elementos, figuras e a própria estética popular em seus trabalhos, de maneira a fazer uma crítica direta e irônica da sociedade consumista que se formava. Mas não nos prenderemos em discutir esse caso em especifico da Pop Art e Arthur Danto, pois isso é só para demonstrar o quanto a arte sempre teve seu valor crítico social na nossa história, independente do sistema de crença da “Arte pela Arte” existir.

Arthur Danto

Arthur Danto

O que se percebe é que “Arte pela Arte” sendo um sistema de crenças que defende a autonomia da arte, desligando-a de razões funcionais, pedagógicas ou morais e privilegiando apenas a Estética não viveu sozinha, mesmo no seu auge. Alguns artistas não acreditavam na verdade desse conceito célebre. É certo que alguns deles fizeram a sua arte em função da humanidade e da realidade. Shakespeare, por exemplo, foi um descortinador de toda a vida da Inglaterra de seu tempo. Então não passou ele de um teatrólogo vulgar, amado pelas massas, não aceito pelas elites? Não necessariamente.

Esses artistas que tiveram o senso político, que olharam para a humanidade das ruas, dos botequins, das tavernas, dos campos, não tiveram o aplauso dos homens intelectuais de seu tempo, muitas vezes, porque não cabiam dentro do conceito de “Arte pela Arte”.

Essa desumanização da literatura acima da vida, de colocar o artista à margem dos acontecimentos, dominou muito tempo o conceito de arte e ainda hoje gritam por ele todos os que querem combater a literatura interessada, como se hoje houvesse alguma literatura que não fosse interessada.

Como visto, se quisermos ir mais adiante, chegaremos com facilidade a negar por completo este conceito que colocava o artista acima do bem e do mal. A Literatura nunca deixou de servir a uma classe. O conceito que era fruto da vaidade dos intelectuais, que os colocava acima das competições humanas, foi sempre de uma falsidade desoladora. Os artistas, e em particular o escritor, nunca deixaram de servir a uma classe.

Deixando claro também que não estamos aqui definindo o que é arte ou o que é arte boa ou ruim e, de acordo com pensamento do filósofo Sartre, não defendemos um engajamento. Isso é impossível. O engajamento ocorre, queiramos ou não. Nossa ação nos define; nossa inação também. Calar-se diante da injustiça é endossá-la. Daí que a diferença não seja entre o político e o apolítico: este é uma impossibilidade. Tudo é de algum modo político. “Arte pela Arte” é também política.

No pluralismo artístico, dito por Danto, a “Arte pela Arte” não pode existir em detrimento da arte que questiona o social, a arte moral. O intelectual fora da humanidade, fora dos anseios, dos desejos, das lutas dos homens, não existiu absolutamente, porque a literatura existiu em função da humanidade.

Como disse o famoso escritor Jack Kerouac:

“Os desajustados. Os rebeldes. Os criadores de caso. Os pinos redondos nos buracos quadrados. Aqueles que vêem as coisas de forma diferente. Eles não curtem regras. E não respeitam o status quo. Você pode citá-los, discordar deles, glorificá-los ou caluniá-los. Mas a única coisa que você não pode fazer é ignorá-los. Porque eles mudam as coisas. Empurram a raça humana para a frente. E, enquanto alguns os vêem como loucos, nós os vemos como geniais. Porque as pessoas loucas o bastante para acreditar que podem mudar o mundo, são as que o mudam”.

Não muito diferente, o escritor Monteiro Lobato indaga sobre a escrita e a nossa posição em relação a ela. Para ele, há dois modos de escrever: um, é escrever com a ideia de não desagradar ou chocar ninguém; outro modo é dizer desassombradamente o que se pensa, dê onde der, haja o que houver – cadeia, forca, exílio.

O que esses pensadores querem dizer é que a “Arte pela Arte” não é uma verdade absoluta na história e única, e que podemos e devemos sair do comodismo, pois os governos suspeitam da literatura, porque é uma força que lhes escapa. A arte não pode ser censurada. Outrora, artistas usavam a própria arte para protestar contra a censura. Dizer que a arte não tem maiores pretensões, é, segundo o filósofo, o sociólogo e o compositor alemão Theodor W. Adorno, uma pretensão histórica ética de querer transformar a obra em mercadoria. É a industrial cultural em detrimento da arte do pensar, como disse a Escola de Frankfurt.

Para Adorno, a grandeza da arte está em sua capacidade de resistir ao estatuto de mercadoria, em situar-se no mundo como um “objeto não identificado”. Em sua recusa de assumir a forma universal da mercadoria, a arte, a obra de arte é a manifestação, em seus momentos mais puros e radicais, de uma “negatividade”. Ela é “a antítese da sociedade”. A antítese social da sociedade.

Porém, hoje tiraram da literatura aquela importância, que se confundia com a filosofia, a sociologia, com grandes visões de mundo. Reforçaram uma espécie de “Arte pela Arte”. E isso nos vem levando à uma implicação tão séria.

Que angústia que me dá esse silêncio internacional sobre crimes de guerra em Gaza, por exemplo. No máximo um repúdio aqui e outro ali. Como se a Europa, tão vizinha, e os EUA não tivessem forças. Como se o mundo todo fosse impotente. Tanta politicagem em prejuízo da vida.

“Vemos derramar o sangue de nossos irmãos da Palestina nas matanças coletivas que não poupam ninguém, e nos crimes de guerra contra a humanidade que acontecem à vista de toda a comunidade internacional, que permanece indiferente aos acontecimentos da região”, afirmou o rei Abdullah, da Arábia Saudita.

Faixa de Gaza – mãe segurando o seu bebê a procura de abrigo

Faixa de Gaza – mãe segurando o seu bebê a procura de abrigo

Atualmente, o mundo se acaba em guerras e os nossos escritores vivem como se nada acontecesse. E não se trata de uma visão pessoal e generalista, há exceções como há pesquisas que apontam isso.

André Forastieri, jornalista e crítico de cinema, afirma, por exemplo, que o assunto da literatura brasileira é o escritor brasileiro e seu mundinho. É um coroa diletante e seu tema é a própria juventude e a meia-idade, reimaginadas dramaticamente. Mas, André Forastieri não assegura isso à toa, já que o que é dito aqui é o resumo curto e grosso da pesquisa feita pela professora Drª. Regina Dalcastagnè, da UNB.

A sua crítica continua ao dizer que não queremos saber dos problemas dos senhores letrados de classe média e meia-idade, suas neurinhas, fantasias e infidelidades. Simplesmente não é tão interessante assim. Em todo lugar o gênero “problemas sexuais-existenciais da classe média intelectualizada” tem longa tradição. É um gênero, como livros de vampiro ou histórias de detetive.

O que se percebe é que escrever sobre a realidade não é escrever sobre a minha vida. A pesquisadora Drª. Regina Dalcastagnè explicita que o assunto central da ficção brasileira é o umbigo do seu autor. Não é um problema localizado. Em todo lugar, cada vez mais os escritores estão caraminholando sobre seu mundinho particular, reciclando fantasias de aventura e consumo, revisitando seus livros e filmes e ícones culturais prediletos. A possibilidade de celebridade propiciada pelas redes sociais acentua a tendência. Vivemos escrevendo e lendo devaneios narcisistas.

Ironicamente, André Forastieri exprime que boa parte do que passa por literatura é tão verdadeira quanto essas fotos supostamente displicentes, mas cuidadosamente planejadas e retocadas, que colocamos em nossos perfis no Facebook.

A ambição da ficção, e da ficção brasileira, pode e deve ser maior. Hammett estava errado, já que a literatura que importa não é sobre o autor, é sobre o leitor; se quer, se exige, um livro que nos hipnotize e nos leve para outro lugar, e para dentro de nós mesmos. O que importa em ficção é fitar o desconhecido. E não conseguir desviar o olhar, como bem disse André Forastieri.

Como proferia o grande escritor Ernesto Sabato, vencedor do Prêmio Cervantes de Literatura e um dos maiores autores argentinos do século XX: “É característico de um bom romance que nos arraste para seu mundo, que nele mergulhemos, que nos afastemos a ponto de esquecer a realidade. E, não obstante, ele é uma revelação sobre a mesma realidade que nos rodeia”.

Usando-se do pensamento do clássico escritor Kafka, se o livro que estamos lendo não nos desperta como um soco no crânio, por que perder tempo lendo-o? Para que ele nos torne felizes, como você diz? Oh Deus, nós seríamos felizes do mesmo modo se esses livros não existissem. Livros que nos fazem felizes poderíamos escrever nós mesmos num piscar de olhos.

O mundo depende muito dos verdadeiros artistas, não só deles, mas dos subversivos em geral, como disse Jack Kerouac. Felizmente, como pronunciou o grande escritor Ernesto Sabato, o verdadeiro artista continua lá e graças a sua incapacidade de adaptação, a sua loucura, conservou contraditoriamente os atributos mais preciosos do ser humano.

Série de fotos mostra o que as pessoas lêem no metrô!

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Gustavo Magnani no Literatortura

 

“ON THE ROAD,” BY JACK KEROUAC

 

A coluna de fotografia desta semana se alinha com a maior paixão deste site que vos fala! O que as pessoas leêm no metrô de Nova York é o tema do ensaio da fotógrafa Ben-Haim. Ela disponibliza, inclusive periodicamente, seu trabalho num site próprio para o projeto:  Underground New York Public Library.

Ben sofre de um mal que muito litratorturado sofre por aí – e isso, de fato, é quase uma tortura – descobrir o título do livro que o fulano de tal está lendo: seja no metrô, no ônibus, na faculdade ou numa praça qualquer. A própria fotógrafa admite que quando não consegue descobrir qual o livro, ela simplesmente pergunta e mata a curiosidade.

Entrei em contato hoje mesmo com uma brasileira que descobri fazer a mesma coisa. Tentarei trazer o ensaio de uma maneira bacana para o site em algumas semanas e aí poderemos descobrir  o que as pessoas leêm no metrô BRASILEIRO!

Confira o ensaio:

(mais…)

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