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Posts tagged Japão

Em seu primeiro semestre, estudante resolve equação de 30 anos

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Ufot Ekong está no primeiro semestre na Universidade de Takai, em Tóquio. (Foto: Reprodução/Likedin)

Ufot Ekong está no primeiro semestre na Universidade de Takai, em Tóquio. (Foto: Reprodução/Likedin)

Ufot Ekong cursa Engenharia Elétrica em universidade japonesa.
Estudante atingiu as maiores notas dos últimos anos da instituição.

Publicado no G1

Um estudante nigeriano vem quebrando recordes em sua universidade no Japão. Após atingir as melhores notas registradas pela instituição desde 1965, Ufot Ekong, que ainda está no primeiro semestre, resolveu uma equação matemática que estava há 30 anos sem solução.

Ekong é estudante de Engenharia Elétrica na Universidade de Tokai, em Tóquio, no Japão. Em sua carreira acadêmica, o aluno já ganhou seis prêmios. As informações são do The Independent.

O estudante também fala inglês, francês, japonês e iorubá (um dos idiomas falado na Nigéria) e ganhou um prêmio de língua japonesa para estrangeiros.

Para pagar a faculdade, o aluno já teve que conciliar dois empregos com os estudos. Atualmente, ele trabalha na Nissan e já tem duas patentes de carro em seu nome.

A Universidade de Tokai é uma renomada instituição de ensino superior do Japão. Fundada em 1924, seu maior foco é para as áreas de Ciências e Tecnologia.

Michelle Obama visita Japão para defender educação de meninas

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Primeira-dama dos EUA chegou a Tóquio nesta quarta (18).
Ela se encontrará com jovens e faz campanha por fundos para a educação.

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Publicado no G1

A primeira-dama dos Estados Unidos, Michelle Obama, chegou nesta quarta-feira (18) a Tóquio para uma visita de vários dias ao Japão, sua primeira viagem ao arquipélago desde que seu marido, Barack Obama, foi eleito presidente.

Um dos objetivos da visita de Michelle é reafirmar a importância acordada pelos dois países à educação, especialmente das meninas, em todo o mundo.

A capital japonesa é o primeiro destino de uma viagem pela Ásia que a levará a Kioto (oeste) para visitar famosos locais de culto, a Osaka, para se encontrar com funcionários diplomáticos americanos, e ao Camboja, onde estará nos dias 21 e 22 de março.

Barack Obama viajou ao Japão em abril do ano passado, mas sem Michelle, que ficou em Washington com as filhas do casal.

A primeira-dama, que aterrissou às 17h locais (5h de Brasília) no aeroporto de Haneda, se reunirá em Tóquio com o primeiro-ministro Shinzo Abe, e posteriormente com sua esposa, Akie Abe, para participar de um encontro com estudantes japoneses.

A primeira-dama americana está envolvida em uma campanha pública para arrecadar fundos e apoiar o ensino de adolescentes nos países nos quais as meninas têm dificuldades para ter acesso à educação.

No Japão, uma biblioteca busca restaurar o que foi perdido no tsunami

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Publicado no Brasil Post

 

A cidade de Rikuzentaka no leste do Japão foi devastada pelo terremoto e tsunami que assolaram a região no dia 11 de março de 2011. Entre as vítimas do desastre natural estavam os sete funcionários da Biblioteca Pública de Rikuzentaka — juntamente com 80.000 livros que estavam sob os seus cuidados.

Logo após o desastre, o cuidado com os mortos e feridos era prioridade, obviamente. Mas nos anos subsequentes, começaram os esforços no sentido de restaurar a amada biblioteca da cidade.

A Biblioteca Metropolitana Chuo de Tóquio (Minato), a única biblioteca pública do país com um departamento dedicado à restauração de livros, vem trabalhando na restauração de materiais do acervo local da Biblioteca Pública de Rikuzentaka desde 2013. Cinquenta e um itens restaurados serão devolvidos à cidade no dia 20 de março.

Até lá, ficarão expostos como parte de uma exposição na Biblioteca Metropolitana Chuo de Tóquio chamada de “Tesouros Locais Renascem Após o Grande Tsunami: a Restauração de Materiais do Acervo Local da Biblioteca Pública de Rikuzentakata”. Quem visita a exposição, aberta até o dia 11 de março, pode ver o andamento da restauração, além de alguns dos livros que estão sendo restaurados.

A exposição exibe fotos que registram o ano após o tsunami. A exposição de fotos contém imagens do resgate de materiais do acervo local encontrado em uma pilha de livros da biblioteca que foram resgatados de uma garagem onde haviam sido jogados. As fotos também mostram a sujeira e lama do tsunami antes de serem removidas. Há também uma série de paineis que explicam o processo de restauração usado pela Biblioteca Metropolitana. A exposição inclui as ferramentas atuais usadas e os próprios livros restaurados.

Materiais restaurados do acervo local da Biblioteca Pública de Rikuzentakata (Foto: HuffPost Japan)

Materiais restaurados do acervo local da Biblioteca Pública de Rikuzentakata (Foto: HuffPost Japan)

As técnicas de restauração usadas pela Biblioteca Metropolitana de Chuo foram passadas pelo seu antecessor, a Biblioteca Pública Hibiya de Tóquio, inaugurada em1908 (ano 41 da Era Meiji). No entanto, essa foi a primeira vez que os funcionários receberam uma tarefa de restauração de livros saturados de sal e pó de um tsunami. Usando um processo de tentativas e erros, eles agora estão trabalhando numa segunda remessa de materiais da Biblioteca de Rikuzentakata.

 

A exposição "Tesouros Locais Renascem Após o Grande Tsunami: a Restauração de Materiais do Acervo Local da Biblioteca Pública de Rikuzentakata" na Biblioteca Metropolitana Chuo de Tóquio (Foto: HuffPost Japan)

A exposição “Tesouros Locais Renascem Após o Grande Tsunami: a Restauração de Materiais do Acervo Local da Biblioteca Pública de Rikuzentakata” na Biblioteca Metropolitana Chuo de Tóquio (Foto: HuffPost Japan)

Mangá erótico infantil sobrevive no Japão e gera polêmica

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As revistas em quadrinhos do Japão, conhecidas como mangás e animes, formam uma enorme parte da indústria cultural do país e são famosas no mundo todo.

Personagens de mangás eróticas apresentam traços característicos como olhos grandes

Personagens de mangás eróticas apresentam traços característicos como olhos grandes

James Fletcher, na BBC

Mas, algumas delas apresentam materiais como crianças e adolescentes em cenários explicitamente sexuais. E a questão que surge é: por que o Japão decidiu não proibir esse tipo de material?

Em uma tarde de domingo em Tóquio, a Sunshine Creation está lotada. Milhares de fãs de mangás, a maioria homens, estão no centro de exibições, analisando as revistas à venda nas várias salas do local.

Cartazes mostram as heroínas: tipicamente desenhadas com olhos grandes, muitas delas com roupas curtas e justas, além de corpos com proporções impossíveis.

“Esta área lida, principalmente, com criações sexuais”, explicou Hide, um dos organizadores do evento.
Paramos em uma mesa, onde as as capas têm duas garotas exibindo os seios. Para meus olhos elas parecem estar no começo da adolescência, ou até um pouco antes. As histórias mostram as garotas em atos sexuais.

Vários outros estandes vendem material parecido. Certamente isso seria considerado polêmico e possivelmente ilegal em países como Grã-Bretanha, Austrália ou Canadá, mas no Japão não parece ser um problema.

“Todos sabem que abuso de crianças não é algo bom. Mas ter aquele tipo de emoção é algo liberado, imaginar algum tipo de situação sexual com uma criança não é proibido”, disse Hide.

A franqueza de Hide é surpreendente. Ele então me apresenta a palavra “Lolicon”, gíria para “complexo de Lolita”, o nome dado a mangás que mostram garotas em cenários sexualmente explícitos.

E isto pode envolver situações como incesto, estupro e outros tabus. Mas Hide afirma que o gosto dele está mais voltado para romances colegiais.

“Gosto de criações sexuais com garotas jovens, Lolicon é apenas um entre meus hobbies”, disse.

Pergunto o que a mulher dele acha deste “hobby”.

“Ela provavelmente não vê problema. Pois ela também adora meninos interagindo sexualmente”, responde Hide.

Este tipo de material é apenas uma minúscula parte da enorme indústria de mangás do Japão, que gera cerca de US$ 3,6 bilhões (mais de R$ 9,7 bilhões) em vendas por ano. Mas atrai muita atenção e polêmica.

Em junho de 2014, o Parlamento do Japão aprovou a proibição da posse de imagens reais de abuso sexual infantil. A produção e distribuição dessas imagens eram ilegais desde 1999, mas o Japão foi o último país membro da OCDE a banir a posse delas imagens.

Naquele momento também ocorreram pedidos para proibir as imagens sexuais “virtuais”, em mangás, animes e games, de personagens que parecem ter menos de 18 anos. Mas, depois de muito debate, o Parlamento do Japão decidiu não proibir essas imagens.

Fãs de mangás afirmam que, enquanto tudo permanecer no mundo da fantasia, não há problema (Foto: BBC)

Fãs de mangás afirmam que, enquanto tudo permanecer no mundo da fantasia, não há problema (Foto: BBC)

A decisão gerou críticas duras de ativistas do setor de proteção de crianças e ONGs, principalmente fora do Japão.

Comportamento

Uma pista para entender esse comportamento está no fato de que Hide estava discutindo alegremente seu “hobby” apenas minutos depois de me conhecer. Apesar dos mangás envolvendo crianças muito jovens atraírem algum tipo de preconceito social, material sexual envolvendo adolescentes parece ser um interesse comum.

Legisladores japoneses estavam aparentemente relutantes em colocar um grande número de fãs de mangás, possivelmente milhões, do lado errado da lei.

Os fãs como Hide afirmam que estão apenas se divertindo com uma fantasia inofensiva. Nenhum modelo ou ator se envolveu na produção, afirma Hide, portanto, para ele, “não há abuso infantil na criação de mangás com assuntos sexuais”.

Limites

Imagens de personagens vendidas em Tóquio

Imagens de personagens vendidas em Tóquio

Mas o limite entre fantasia e realidade é sempre claro?

O bairro de Akihabara, em Tóquio, é o lar espiritual do mundo dos mangás, um lugar onde os luminosos de neon e música pop tocada em alto volume sobrecarregam olhos e ouvidos. Livrarias de vários andares tomam as ruas, vendendo mangás com todos os assuntos possíveis.

Na sessão para adultos, restrita para pessoas com mais de 18 anos, não é difícil encontrar revistas com títulos como “Estupro Junior” ou “Suíte Japonesa Pré-adolescente”.

“As pessoas ficam excitadas sexualmente por algo, então acabam se acostumando. Então elas estão sempre procurando algo novo, e ficam excitadas com mulheres jovens e imaturas”, afirma Tomo, que trabalha no caixa de uma das lojas que vendem mangás para adultos.

E isto é o que preocupa os críticos: há o temor de que, mesmo que ninguém tenha sofrido abuso na criação de mangás explícitos, eles possam normalizar, facilitar ou levar ao aumento do risco de abuso sexual.

Ninguém sabe se isso pode acontecer mesmo, as pesquisas foram inconclusivas. Mas muitos no Japão, principalmente as mulheres, também têm essas preocupações. Elas vêem as imagens como um sintoma de uma sociedade que ignora a pornografia extrema, que frequentemente humilha as mulheres, e a sexualização de jovens.

Grupos pop

Não é preciso procurar muito no Japão para encontrar essa fascinação com a juventude. Grupos de música pop com garotas muito jovens se apresentam para multidões de homens adultos.

E, em cartazes e propagandas voltados para os mangás, as imagens de jovens estudantes de uniforme escolar estão em todos os lugares.

LiLy, uma escritora popular de livros para mulheres jovens, “‘Sex and the City’ ao estilo de Tóquio”, segundo ela, contou um pouco sobre seu tempo de estudante, quando homens se aproximavam dela e das amigas e ofereciam dinheiro para comprar suas meias ou calcinhas.

Para a autora LiLy, este tipo de mangá deveria ser proibido (Foto: Divulgação)

Para a autora LiLy, este tipo de mangá deveria ser proibido (Foto: Divulgação)

“Acho nojento, é muito pervertido”, afirmou. O fascínio com a sexualidade adolescente tem a ver com “o poder que homens querem ter, homens que estão cansados de mulheres fortes e independentes”, diz.

O modelo de família dos pais de LiLy ainda é forte no Japão: o pai que ganha o dinheiro e a mãe que fica em casa, uma dona-de-casa. Mas a fraqueza na economia do país torna esta situação difícil para os homens.

“Há pessoas no setor de negócios que não são bem-sucedidas, talvez eles estejam apelando para a fantasia com os mangás Lolicon. Eu odeio, odeio muito. Quero que o Japão expulse essa perversão, deixe as crianças fora dessa perversão, mesmo que seja apenas fantasia”, afirmou a escritora.

Mas outros são mais céticos em relação à intervenção do governo no assunto, principalmente para determinar o que é “bom” ou “apropriado” no setor das fantasias das pessoas.

“Existem todas as razões para criticar, tudo bem. Mas quando você dá às pessoas a autoridade de policiar as outras, baseado no que eles podem fazer ou pensar, isto é policiamento do pensamento”, afirmou o tradutor de mangás e defensor da liberdade de expressão Dan Kanemitsu.

Quando questionado se era a favor dos direitos dos autores de criarem mangás com crianças e tabus como estupro e incesto, ele permanece firme.

“Não me sinto à vontade com isso, mas não tenho direito de dizer às pessoas como elas devem pensar, o que elas querem dividir. Enquanto elas não desrespeitarem os direitos humanos de outras pessoas, o que há de errado em ter uma vida de fantasia?”

DVDs

Em meio às lojas de Akihabara, a ativista Kazuna Kanajiri, que trabalha com proteção de crianças, me leva para ver algo que, segundo ela, é um problema muito maior do que os desenhos e revistas. Subimos as escadas de uma loja e acabamos em uma sala cheia de DVDs.

Dan Kanemitsu afirma que não se pode dar autoridade para policiar os pensamentos e fantasias alheios

Dan Kanemitsu afirma que não se pode dar autoridade para policiar os pensamentos e fantasias alheios

Kazuna tira um da prateleira e ele mostra imagens reais de uma garota que, segundo ela, tem cinco anos. Ela usa um traje de banho minúsculo e posa em posições sexualmente sugestivas, que imitam a pornografia adulta. Todos os outros DVDs na loja também mostram crianças reais.

Este DVDs são chamados “Junior Idol” e se popularizaram depois que a produção de pornografia infantil foi proibida em 1999. Eles driblam a lei cobrindo os genitais das crianças, mas Kanajiri afirma que a lei ficou mais severa em junho.

“Pessoas que exploram crianças devem ser punidas. É completamente ilegal (…), mas a polícia não enfrentou (o problema).”

O conteúdo de mangás e animes, mostrando menores em situações sexuais, pode ser chocante e chamar a atenção. Kanajiri e outros ativistas afirmam que, por enquanto, eles se concentram em lutas mais importantes para proteger crianças reais.

No entanto, a ativista afirma que ainda não desistiu da questão dos mangás.

“Quero que desapareça. Até 2020, quando as Olimpíadas ocorrerem no Japão, temos que transformar o Japão em um país que as pessoas não chamem de cultura pervertida”, afirmou.

Esta é uma descrição que os fãs de mangá rejeitam. Mas, com a aproximação das Olimpíadas, os olhos do mundo se voltarão para o Japão, pressionando toda a cultura de mangá e anime a fazer parte do que as pessoas vêem como o “Japão legal” e não o “Japão esquisito”.

Unesco quer educação para o desenvolvimento sustentável no currículo das escolas

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Organização incluirá o tema na agenda global 2015-2030 que a ONU vai discutir

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Demétrio Weber, no O Globo

NAGOIA, Japão – A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) quer que a chamada educação para o desenvolvimento sustentável faça parte da nova agenda de compromissos globais que será estabelecida pelas Nações Unidas no período 2015-2030. Empenhados em traçar estratégias para que escolas de todo o planeta adotem conceitos de sustentabilidade em seus currículos, 1.100 representantes de 148 países passaram os últimos três dias reunidos em Nagoia, no Japão. Eles concluíram que formar professores e mobilizar a juventude são ações urgentes.

– Não há plano B, porque não existe planeta B – resumiu o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, em mensagem de vídeo exibida aos participantes da Conferência Mundial da Unesco sobre Educação para o Desenvolvimento Sustentável.

A conferência terminou nesta quarta-feira com uma declaração que não define fontes de recursos para financiar ações nos países subdesenvolvidos, apontados como as principais vítimas dos impactos das mudanças climáticas – seja na produção de alimentos ou na intensificação de desastres naturais, incluindo enchentes e secas. A declaração limita-se a convidar os países-membros da Unesco “a alocar e mobilizar recursos substanciais para traduzir políticas em ações”.

O diretor-geral adjunto de Educação da Unesco, Qian Tang, disse que seria prematuro neste momento tratar da criação de um fundo internacional para bancar ações de Educação para o Desenvolvimento Sustentável (ESD, na sigla em inglês). Segundo ele, esse é um debate que deverá ocorrer a partir do ano que vem, na definição de uma agenda global pós-2015.

A conferência em Nagoia marcou o fim da Década das Nações Unidas de Educação para o Desenvolvimento Sustentável, iniciada em 2005. Tal como a imagem de um copo com água pela metade, um balanço dos avanços nos últimos dez anos pode destacar a metade cheia ou vazia do copo, já que 50% dos países declararam ter políticas específicas para tratar do assunto e outros 50%, não.

A realidade, porém, é mais desafiadora. Um dos obstáculos enfrentados pela ESD é o vasto desconhecimento do tema por parte da população:

– Somente 20% dos japoneses sabem o que é ESD. As pessoas pensam que é algo muito sofisticado – disse o ministro da Educação, Cultura, Esportes, Ciência e Tecnologia do Japão, Habukun Shimomura.

A agenda global pós-2015 será definida no âmbito das Nações Unidas, dando continuidade aos chamados Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Esses objetivos foram traçados em 2000, com metas de redução de pobreza e melhoria de indicadores sociais até 2015.

Durante os três dias da conferência em Nagoia, ficou claro o vasto espectro de ações que se encaixam no conceito de ESD. Da dimensão macroeconômica que envolve padrões mundiais de consumo, transporte e produção de energia à decisão individual de um estudante que evita imprimir trabalhos escolares. Nesse sentido, quase tudo relacionado à sustentabilidade – a noção de que as atuais gerações têm o compromisso de manter o mundo habitável para as gerações futuras – pode encaixar-se no conceito de ESD. Não à toa, não havia copos descartáveis na conferência – água e café eram servidos em xícaras de vidro ou copos de plástico duro reutilizáveis.

Entre os representantes brasileiros no evento, estavam quatro estudantes e um professor do Colégio Magnum Agostiniano, de Belo Horizonte. Eles foram selecionados pela Unesco para participar de uma conferência preliminar de jovens de 33 países, em Okayama, na semana passada. Depois, seguiram para a conferência em Nagoia.

O Colégio Magnum, um escola particular que cobra mensalidades de R$ 1.080, recicla o papel usado na escola. Cada sala de aula tem uma lixeira específica para isso, e a atividade garante o sustento da pessoa responsável por recolher o papel. Batizado de Magnum Sustentável, o projeto conta com a participação de alunos.

É o caso de Nádia Eliza, de 16 anos, aluna do 2º ano do ensino médio. Ela concedeu entrevista coletiva ao lado de estudantes de outros países durante a conferência. Nádia contou que a prefeitura de Belo Horizonte não realiza coleta seletiva na área onde fica a escola, mas isso não impediu o colégio de encontrar uma solução sustentável para parte do lixo que produz.

Bernardo Nicolau, de 17 anos e também aluno do 2º ano do ensino médio, participou de uma das sessões da conferência, ao lado de especialistas em educação de diferentes países. Como representante da juventude, ele arrancou aplausos da plateia de mais de 500 pessoas e foi citado na cerimônia de encerramento.

– O que devemos aprender em nossas escolas é que podemos mudar o mundo – disse Bernardo.

Acompanhados pelo professor de geografia Leonardo Luiz Silveira da Silva, os estudantes brasileiros queriam uma declaração mais arrojada por parte dos jovens que participaram da reunião preliminar. O texto final aprovado em Okayama, segundo eles, ficou vago:

– O conteúdo desse documento é muito vago. Se a gente que quer mudanças incisivas chega lá e não consegue, fico imaginando como é quando envolve a política – disse Maria Karolina Matarelli, de 16 anos, apoiada pelo colega de escola Rodrigo de Brito Prates.

O governo brasileiro enviou a Nagoia técnicos do Ministério da Educação (MEC), do Ministério do Meio Ambiente e do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação. O país tem desde 1999 uma política nacional de educação ambiental e já realizou conferências nacionais sobre o tema. Em 2012, o Conselho Nacional de Educação aprovou diretrizes curriculares. O MEC discute atualmente a criação do Programa Nacional Escolas Sustentáveis, que reuniria as ações ligadas ao tema. Uma delas, iniciada no ano passado, repassa de R$ 8 mil a R$ 14 mil para e escolas da rede pública possam desenvolver atividades ligadas à sustentabilidade.

A diretora de Programas da Secretaria-Executiva do MEC, Jaana Flávia Fernandes Nogueira, gostou do que viu em Nagoia. Ela destacou uma publicação do governo do Japão com experiências exitosas de ESD em escolas japonesas:

– A gente também quer mapear as nossas experiências exitosas. Precisamos disseminar a cultura de que a ESD começa com a atitude das pessoas. São pequenas ações – disse Jaana.

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