O psicólogo Jason Levine estuda o aprendizado de língua estrangeira.
Veja vídeo com trecho de rap que ensina os verbos irregulares no inglês.

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Ana Carolina Moreno, no G1

A carreira profissional do americano Jason Levine é multidisciplinar: formado em psicologia, ele enveredou para a área da aprendizagem de línguas estrangeiras e, recentemente, mesclou seu gosto pela música com o ensino e a tecnologia do YouTube e se tornou uma celebridade para alunos de todo o mundo que aprendem inglês. Hoje, ele atende pela alcunha de Fluency MC (MC da Fluência, em inglês), mantém um canal de vídeos que já foram vistos mais de 4 milhões de vezes e oferece treinamento a professores de todo o mundo que ensinam o inglês como segunda língua.

O americano Jason Levine criou a persona Fluency MC para ensinar inglês com letras de rap (Foto: Divulgação/Nurse Juno)

O americano Jason Levine criou a persona Fluency
MC para ensinar inglês com letras de rap
(Foto: Divulgação/Nurse Juno)

Uma de suas músicas mais famosas se chama “Stick Stuck Stuck” e foi a forma que Levine encontrou para ensinar os temidos verbos irregulares. Como a língua inglesa tem diversos deles, que exigem a memorização das conjugações no passado simples e no particípio, muitos estudantes de inglês acabam traumatizados na hora de aprendê-los.

Por isso, o americano decidiu fazer uma lista de dezenas destes verbos, como “sleep” (dormir), “shoot” (atirar) e o próprio “stick” (grudar), e escreveu uma canção onde eles aparecem nos versos dentro de um contexto. Assista a um trecho da música acima, e veja o vídeo completo:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em entrevista ao G1, Levine explicou que seu método se baseia no que ele chama de três Rs: “É uma fórmula que se resume a três palavras: relax, repeat, remember [relaxe, repita, lembre-se]”, disse ele. Segundo o professor, porém, as letras de rap com dicas de aprendizado do inglês não servem para a memorização, e sim para que os estudantes pratiquem as lições de forma divertida e, assim, conseguem relembrá-las quando precisam.

O especialista afirma que o inglês como segunda língua é ensinado e aprendido, ao contrário do inglês como língua materna que, assim como qualquer outra língua da “comunicação cotidiana”, não é ensinada ou aprendida pelo falante, mas sim “adquirida”. Por isso, um falante nativo e um falante estrangeiro se expressam de formas distintas na mesma língua.

O usuário daquela língua estrangeira, então, se torna cada vez mais fluente e preciso quanto mais experimenta essa prática de “comunicação cotidiana”, segundo Levine. “A fórmula é essa: 1) grande quantidade de ‘input’ [absorção de conteúdo] compreensível através da audição e da leitura; 2) ampla oportunidade de praticar a língua que eles [alunos] adquiriram; e 3) interesse intrínseco no conteúdo e nas atividades que estão fazendo com a língua.”

Ritmo ideal
O professor diz que a escolha do rap para suas aulas tem dois motivos: o primeiro é o seu gosto pessoal –Levine também trabalha como DJ e diz ter crescido em meio à cultura do hip hop e do rap em Nova York, nos Estados Unidos, onde vive há cerca de 20 anos.

Já o segundo vem do ritmo do rap. “O ritmo é baseado nos padrões de acentuação do inglês. O modo como as letras são criadas e pronunciadas é mais similar ao discurso oral natural que a música baseada em melodia”, explicou ele. “E o hip hop –como o inglês– é internacional. Pessoas jovens e velhas de todas as partes do mundo podem conectar com o que eu faço”, completou.

Mas as rimas e o ritmo, apesar de serem elementos importantes, não servem para decorar regras, alerta ele. “Eles nos ajudam a aprender ‘de cor’ vocabulário e estruturas gramaticais, a adquiri-los em blocos conhecidos como ‘colocações’. As palavras e estruturas naturalmente ‘grudam’ na nossa cabeça quando somos expostos a elas múltiplas vezes. Não estamos tentando memorizar nada. Para os alunos de língua estrangeira, isso significa que essa linguagem estará lá quando ele precisar dela.”

Levine diz que há uma diferença entre memorizar e decorar. “O último, combinado com a comunicação na prática da linguagem que você adquiriu, é a passagem para a proficiência.”

O ritmo é baseado nos padrões de acentuação do inglês. O modo como as letras são criadas e pronunciadas é mais similar ao discurso oral natural que a música baseada em melodia”
Jason Levine,
professor de inglês para estrangeiros

Sucesso internacional
O sucesso do método já levou Levine a 12 países, incluindo Coreia do Sul, Bahrein e Tunísia, para cursos de treinamentos para professores de inglês como língua estrangeira. Ele afirma que a maior parte do seu trabalho em outros países foi como contratado do Departamento de Estado do governo norte-americano como especialista em inglês e que, no último ano, ele tem atuado com uma empresa de ensino de línguas fundada na Itália. Entre seus próximos projetos está o tour “Rhyme on time” (rime na hora certa, em tradução livre), que vai rodar a Europa a partir da próxima sexta-feira (24).

“Acho que eu transmito um equilíbrio entre um professor e um artista”, diz ele sobre o segredo do seu êxito. “Claro, nada disso seria possível sem o YouTube e outras mídias sociais. O timing tem sido o elemento mais importante.”

No canal no YouTube que ele mantém há quatro anos, o professor publica diversas versões de suas músicas (inclusive com apenas a parte instrumental), que incluem canções sobre inglês, geografia e matemática (sempre na língua inglesa). Além dos verbos irregulares, é possível aprender, por exemplo, lições sobre a tabuada, os nomes dos países da África, os nomes das maiores cidades dos Estados Unidos, a pronúncia das vogais e sobre os “verbos frasais” (tipo especial de verbos em inglês que não podem ser traduzidos ao pé da letra).

A internet também faz com que Jason Levine não precise se deslocar para dar cursos a outros professores. Depois de concluir um curso Mooc (cursos on-line abertos e massivos, na sigla em inglês) para professores que dão auals pela web, também em 24 de outubro ele e uma colega lançarão um novo curso da mesma modalidade, mas dessa vez focado em empreendedorismo, e barizado de “Como criar seu negócio de ensino on-line”.