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B.B. King em autobiografia: ”Queria conectar minha guitarra às emoções humanas’

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Sobre primeiro hit: ''Não vendia para os brancos nem tocava para eles. Isso só ocorreria dali a 20 anos''

Sobre primeiro hit: ”Não vendia para os brancos nem tocava para eles. Isso só ocorreria dali a 20 anos”

”Vi o blues viajar das estradas rurais do Mississippi para praticamente todos os pontos do planeta. Roqueiros, rappers e cantores de soul vêm dele’

Angela Faria, no Divirta-se

B. B King é uma lenda – e não há uma gota de clichê nisso. Admirado por John Lennon, Miles Davis, Eric Clapton e Johnny Winter, o bluesman nascido em 1925, no Delta do Mississippi, trabalhou duro para defender a sua música. Testemunha (e, às vezes, vítima) das transformações do showbizz a partir da década de 1940, o guitarrista, compositor e cantor não apenas fez história. Morto nesta quinta-feira, 14, aos 89 anos, ele é história.

Lançada em 1996, a autobiografia ‘B. B King – Uma vida de blues’ (Generale) chegou ao Brasil em 2014. O coautor, David Ritz, escreveu também sobre Marvin Gaye, Smokey Robinson, Etta James e Ray Charles. Logo nas primeiras páginas, o astro avisa: blues não é o canto da tragédia. Discípulo de Blind Lemon e de Lonnie Johnson, ele vê esperança e emoção na música inventada na roça norte-americana.

Desde garotinho, Riley colheu algodão no Sul dos EUA. Depois, dirigiu trator, fez carreira no rádio como DJ, montou bandas e sofreu dezenas de acidentes ao cruzar seu país durante turnês. Teve 15 filhos com mulheres diferentes. Era criança quando perdeu a mãe e a avó. Dos 10 aos 13, viveu sozinho na cabana cedida por um compreensivo fazendeiro. Aquele patrão foi raríssima exceção entre racistas na terra da Ku Klux Klan. Aos 12, comprou seu primeiro violão por US$ 15.

Rua

O tratorista e agricultor humilde lutou para conquistar espaço nas rádios de sua região. Tocando nas ruas, aprendeu a primeira lição de marketing de sua vida: as canções da vida real, “em que você sente a dor e o ardor entre um homem e uma mulher”, têm valor afetivo – e financeiro.

Rapazinho, o DJ se alternava entre os microfones da emissora WDIA e a lida no campo. Um jingle, composto para o Pepticon, chamou a atenção para seu talento. Mas era preciso mais: inventar um estilo. E ele veio, depois de o jovem se encantar com sons havaianos e com o pedal steel.

“Ao curvar as cordas, ao treinar minha mão – elas são bem gordas e grandes –, conseguia obter algo que se aproximava de um vibrato vocal. Conseguia sustentar as notas. Queria conectar minha guitarra às emoções humanas. Ao usar o feedback do meu amplificador e do instrumento, experimentei sons que expressavam meus sentimentos”, resume ele.

Demorou um bocado a metamorfose de Riley. Inicialmente conhecido como o DJ Blues Boy da Beale Street, depois ele se chamou Bee Bee, e, finalmente, B. B King. Ouvia-se muita música nos EUA do pós-guerra, mas o “caipira emergente” não queria ser bluesman-clichê: aquele sujeito tosco de roupa rasgada, copo de bebida ao lado e orgulhoso de dar bordoadas na mulher.

Lucille

Desde o início, King defendeu o blues como música tão nobre quanto a ópera e o jazz. Lucille, a eterna parceira, surgiu em 1949. Um incêndio pôs fim ao baile na pequena cidade de Twist. Chamuscado, o guitarrista percebeu que abandonara o ganha-pão lá dentro. Atravessou as chamas, queimou-se e resgatou a “amiga”. Dali a pouco, descobria a origem do fogaréu: a briga de dois rapazes por causa de uma tal de Lucille. Desde então, cerca de duas dezenas de guitarras batizadas de Lucille dividem o teto com ele.

Em 1952, aos 26 anos, gravou o primeiro hit, ‘Three o’clock blues’, que fez dele “nome nacional num mundo exclusivo de negros”, como ressalta em sua autobiografia. “Não vendia para os brancos nem tocava para eles. Isso só ocorreria dali a 20 anos.” Workaholic, em quatro décadas, calcula ter feito 330 shows por ano. Gostava de jogar, perdeu fortunas. Conquistador, teve alguns casamentos e muitas mulheres. Pai ausente, elogia todas elas.

B. B King experimentou altos e baixos, viu nascer fenômenos como Elvis Presley e Ray Charles, aprendeu a lidar com empresários, contratos e gravadoras. Estava lá quando estouraram o rock, o soul e a Motown. Para ele, o blues está no DNA de tudo isso, embora muitos o considerem “menor”. Também pensavam assim Mick Jagger, Keith Richards, Johnny Winter, Eric Clapton e Bob Dylan – rapazes brancos que revolucionaram a cultura do século 20. Aliás, certa vez, os hippies fizeram B.B King chorar, em São Francisco. Ao ouvir ‘Rock me baby’, ‘Sweet litle angel’, ‘You upset me baby’ e ‘How blue can you get’ durante um show, a plateia de cabeludos urrou de alegria. King e Lucille tiveram de tocar por quase três horas.

O veterano bluesman gostava dos jovens colegas Jimi Hendrix, Steve Ray Vaughan e Jeff Beck. Só não achou graça quando o The Who inventou a moda de destruir guitarras no palco. “Cara, eu tinha arrepios só de pensar em machucar minha Lucille”, espantou-se ele. Em 1970, King estava de volta às paradas com ‘The thrill is gone’. John Lennon adorava aquela canção. A definitiva consagração mundial viria no fim da década de 1980: aos 62 anos, o carismático senhor encantaria novamente os jovens ao dividir com Bono Vox a matadora ‘When love comes to town’, no disco ‘Rattle and hum’, lançado pela banda irlandesa U2.

Hoje, o canto dos campos de algodão é tão cultuado quanto a ópera e o jazz. “Vi o blues viajar das estradas rurais do Mississippi para praticamente todos os pontos do planeta. Roqueiros, rappers e cantores de soul vêm dele. O blues é o avô que roga por todas as suas crianças”, comemora B. B King no livro.

Novas tecnologias de difusão pedem uma ficção mais afinada com o caos urbano

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Em artigo, o escritor Marcelo Benvenutti fala sobre a proposta de transcendência da literatura pop

Publicado no Zero Hora

Antigamente a rádio propagava música para milhões pelo preço de algumas pilhas, enquanto a literatura fazia com que o leitor tivesse que procurar o livro. O livro tinha que ser impresso. Distribuído. Vendido. Hoje a distribuição literária está numa velocidade cada vez maior. Criam-se quebras de protocolos rígidos que foram impostos por séculos de preconceitos. A literatura não é para qualquer um, diria um escritor de então. Assim também diziam os músicos eruditos ao ouvirem brancos que piravam no jazz, negros que pululavam no blues rural ou enclausurados intelectuais ao escutar populares em uma roda de samba. A música era restrita a poucos até surgirem aparelhos que a reproduzissem para as massas. Escravos que colhiam algodão puderam propagar seus lamentos para lugares que jamais imaginariam terem suas músicas ouvidas. Quando a distribuição se alterou, o que antes nem se sabia que existia, agora era música. Com a literatura não seria, e nem será, diferente.

Literatura é tudo aquilo que, ao se propagar, é lido como ficção e aceito pelo público. A propagação em massa nos traz o potencialmente bom e o potencialmente péssimo, mas nos dá o direito de escolha. Não deixem que outros escolham o que vocês devem ler ou escrever. Nós, escritores urbanos da América Latina, devemos tentar ao máximo escapar de associações históricas e localistas com que críticos (se é que eles ainda existem) nos analisam. Obviamente que a América do Sul ainda é maculada pelo fantasma da literatura fantástica. Julio Cortázar, por exemplo, escreveu histórias com situações absurdas, das melhores, mas também escreveu ótimos contos que se passam em Paris e Buenos Aires e em nada se enquadram nos estereótipos da crítica. São histórias urbanas. Histórias de pessoas comuns. Que amam. Brigam. Trabalham. Bebem. Que vivem. Só que o resenhista lembrará apenas de suas histórias fantásticas em que homens repetem números ou criaturas coabitam em um universo paralelo. Cortázar também é pop.

Sua história, caro escritor, pode ser sobre a imensa vontade de uma mulher que quer voar ou que chova Cadillacs azuis em uma cidade. Controle-se. Não deixe que o fantástico entranhe em você e o resenhista, preguiçoso e mal pago, acabe com sua carreira, jogando-a no limbo da literatura latino-americana. É muito fácil ele fazer isto. Você não precisa viver em Nova York, Londres ou Barcelona para ter histórias para contar. Seja em São Paulo, Cuiabá ou Garanhuns, vivemos em uma sociedade urbana. Deixe os romances históricos para os roteiristas da Globo. Estabeleça uma nova ordem. Todo romance é histórico? Claro que é! Se eu escrevo agora uma história que se passa em Porto Alegre com linguagem atual, pessoas e situações urbanas da capital, é um romance histórico? Ainda não é. Mas se sobreviver aos bits e bytes, no futuro será.

Existem escritores que só consideram alguém escritor se tiver lançado um romance. A literatura pop contesta. O pop se propõe a transcender, se apropria da transcendência que já acontece, os conceitos estanques e paradigmáticos do contemporâneo. Você é um escritor quando se propõe a criar uma história fictícia, baseada em fatos, reais ou não, acontecimentos plausíveis, impossíveis ou inexistentes. Você criou um universo através das letras. Como um compositor ou um pintor criou um mundo próprio. Somente com a imaginação. Quem coordena tudo ainda é a imaginação. Não se deixe cair nos guetos. A literatura fantástica ou o romance histórico são alguns deles. Quem é esse sujeito falando de pop se eu nem sei quem ele é? Mas aí é que está! Para ser pop não é necessário ser conhecido. Basta estar inserido na cultura pop. Conhecido já entra em outra classificação: a dos famosos. Famosos não fazem literatura. A literatura se faz deles. São elementos passivos. A literatura é pop. O autor, não.

A literatura submersa nas relações doentias da sociedade virtual, perdida entre verdades, mentiras e jogos irreais, se apruma em meio à confusão das redes sociais. Um post no Facebook pode ser tão literário quanto um romance. Basta fazer-se crível em meio à balbúrdia de sentimentos exarcebados por trás do teclado. O texto virtual é, muitas vezes, mais literário que a própria literatura. No momento em que alguém se mete atrás de um avatar, mera representação do seu eu verdadeiro, transforma-se em personagem de si mesmo. O personagem, muitas vezes confuso, uma persona diferente do original, joga o escritor-leitor-ator em meio a outros tantos personagens a interagirem no Twitter, Facebook ou qualquer outro aplicativo que venha a ser apresentado em um futuro próximo. Os escritores-atores de suas próprias histórias se movimentam nas ruas, tiram fotos, contam o que acontece em suas vidas, o que comem, bebem, com quem conversaram, quem beijaram, suas aventuras e desejos. Emitem opiniões e discutem, confundindo realidade com o que se passa nas suas cabeças. Distúrbios da vida real. A fragmentação desse mundo, entrecortado, nervoso, cut-up de cenas, memórias coletivas e textos curtos, se reflete na literatura, em sua caminhada rumo ao pop.

Por que a literatura deve ser pop? Porque não existe outro caminho. No return! O caminho linear nos leva ao começo. É um círculo. A fragmentação funciona como a maré. Tudo é jogado ao mar e tudo retorna. A literatura pasmacenta, ensimesmada na técnica das academias, retorna ao seu próprio umbigo, fugindo da interação e se tornando instrumento do autor. O pop, que se expande e se joga em meio ao calhamaço de informações e bobagens da internet, entranha-se e se alimenta da sociedade, virtual e real. A literatura pop é uma revista de papel barato num banco de rodoviária. É o punk, o beat, a libertação ressuscitada em mentes conectadas. O imaginário do autor está lá. As características do escritor que se interpõe e propõe o texto. Aquele que não se esquiva do combate e do debate. Textos espaçados por sites e redes se formam com o tempo na mente do leitor-personagem. O próprio leitor, inserido na internet, se torna leitor e ator da história, sendo incompatível separar vida e obra. O que diferencia um agente ativo de um passivo na literatura pop é a proposição. E aquele que dá a partida, corta em um lugar para colar em outro, assume a autoria de uma obra coletiva significada por sua personalidade. Seu texto, que faz a sinapse entre links e mentes, cria o imaginário em sua base: a mente humana individual. É quando retrato, reflexo e personagem se confundem em seu próprio tempo. Não se assuste com as palavras que vierem dos “entendidos”. Serão apenas palavras de quem quer criar um mundo próprio de mentiras e regras. Não existem regras. Quer dizer, existem. Mas não as respeite. Isso é o pop.

Marcelo Benvenutti é escritor, autor, entre outros, dos livros de contos Vidas Cegas (2002) e Arquivo Morto (2009)

Luis Fernando Verissimo tem melhora progressiva e sedação é suspensa

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Luis Fernando Verissimo fala durante a abertura da Flip 2012 (4/7/12)Luis Fernando Verissimo fala durante a abertura da Flip 2012 (4/7/12)

Publicado no UOL

Os médicos do hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, suspenderam, na manhã deste domingo (25), a sedação de Luis Fernando Verissimo com o objetivo de retirar os aparelhos que auxiliam a respiração do escritor. O gaúcho de 76 anos, internado com quadro de infecção generalizada, tem melhora progressiva do seu estado de saúde.

Na noite deste sábado, o hospital comunicou que exames detectaram o vírus da Influenza sazonal, a gripe comum. Segundo os médicos que assinam o boletim, Alberto Augusto Rosa, Sandro Cadaval e Eubrando Silvestre Oliveira, a evolução do quadro clínico demonstra que a infecção determinou diversas complicações em função das condições de saúde prévias do paciente.

Verissimo deu entrada no hospital na noite de quarta-feira, após se sentir mal, apresentando sintomas típicos de gripe como dores musculares, febre e cansaço.

Biografia
Verissimo, que é filho do também escritor Érico Verissimo, nasceu em Porto Alegre (RS) em 26 de setembro de 1936. Cronista do cotidiano, o escritor tem mais de 60 títulos publicados e é colunista dos jornais “O Globo”, “O Estado de São Paulo” e “Zero Hora”. Ele publicou seu livro mais recente, a coletânea de crônicas “Diálogos Impossíveis”, em outubro deste ano.

Entrevistado pelo UOL antes de abrir a décima edição da Flip, em julho deste ano, Verissimo, que é saxofonista desde a década de 1950, revelou planos de lançar mais um CD com sua banda Jazz 6, que é considerada “o menor sexteto do mundo” por contar apenas com cinco integrantes.

foto: Adriano Vizoni/Folhapress

Escritor Luis Fernando Verissimo é hospitalizado e está em estado grave

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Luis Fernando Verissimo fala durante a abertura da Flip 2012 (4/7/12)
Luis Fernando Verissimo fala durante a abertura da Flip 2012 (4/7/12)

Publicado no UOL

O escritor Luis Fernando Verissimo, 76, foi internado na quarta-feira (21) no Hospital Moinho de Vento, em Porto Alegre.

De acordo com boletim médico divulgado pelo hospital nesta quinta, o estado de Verissimo é grave e ele está sedado e dependente de aparelhos.

O boletim é assinado pelo Dr. Eubrando Oliveira, coordenador do Centro de Terapia Intensiva do Hospital.

A assessoria de imprensa do Moinho de Vento não confirma a causa da internação, mas o jornal “Zero Hora”, de Porto Alegre, afirma que Verissimo tem uma suspeita de infecção.

Biografia
Verissimo, que é filho do também escritor Érico Verissimo, nasceu em Porto Alegre (RS) em 26 de setembro de 1936. Cronista do cotidiano, o escritor tem mais de 60 títulos publicados e é colunista dos jornais “O Globo”, “O Estado de São Paulo” e “Zero Hora”. Ele publicou seu livro mais recente, a coletânea de crônicas “Diálogos Impossíveis”, em outubro deste ano.

Entrevistado pelo UOL antes de abrir a décima edição da Flip, em julho deste ano, Verissimo, que é saxofonista desde a década de 1950, revelou planos de lançar mais um CD com sua banda Jazz 6, que é considerada “o menor sexteto do mundo” por contar apenas com cinco integrantes.

foto: Adriano Vizoni/Folhapress

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