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Jorge Amado: biografia revela perfil inédito do escritor brasileiro

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(Foto: Reprodução)

 

Em seu livro ‘Romântico, Sedutor e Anarquista – Como e Por Que Ler Jorge Amado Hoje’ (Objetiva), Ana Maria Machado percebeu que autor fez uma fusão amorosa

Ubiratan Brasil, no Bem Paraná

Joselia Aguiar observa, em Jorge Amado – Uma Biografia que, quando se afasta do Partido Comunista, no final da década de 1950, o sucesso do escritor baiano só aumentava. Jorge Amado foi muito lido no Brasil e no exterior até o fim da vida, o que comprova ser falsa a acusação de que sua bem-sucedida carreira se deveu à ação direta do partido.

De fato, os lançamentos de livros de Amado chegaram a alcançar a astronômica tiragem de 100 mil exemplares, o que ganhava ainda mais força com as adaptações para cinema, teatro e novela de TV de obras como Gabriela Cravo e Canela (de 1958), Dona Flor e Seus Dois Maridos (1966) e Tieta do Agreste (1977). O que poderia explicar tamanho sucesso? Em seu livro Romântico, Sedutor e Anarquista – Como e Por Que Ler Jorge Amado Hoje (Objetiva), Ana Maria Machado percebeu que Amado fez a fusão amorosa entre o erudito e o popular, erotizou a narrativa, trouxe à tona questões sobre o não sectarismo, a miscigenação, a luta contra o preconceito e contra a pseudoerudição europeia.

Joselia também acredita que as narrativas centradas na afro-baianidade, portanto, distantes do tradicional olhar europeu, ajudam a explicar o êxito de Amado no exterior. “O entendimento que ele tem do candomblé aos 23 anos, quando escreve Jubiabá, é ainda muito contaminado pela sua opção comunista”, comenta. “Somente quando está com 57 anos, ele dá o salto que é Tenda dos Milagres, em que o candomblé é visto como resistência cultural e política, um contraponto à sociedade burguesa e a certa visão eurocêntrica. Dentro dos limites, claro, de um homem branco que nasce na primeira metade do século 20, quando certas categorias e discussões ainda não existiam. O que se pode afirmar é que, conforme se torna mais maduro e também se afasta do partido, sua apreensão do que é fazer romance se torna algo mais complexo, como é a própria vida.”

A força da miscigenação em sua obra sempre foi coroada de elogios. “A generalizada e estereotipada visão de que o Brasil seria reduzível à soma mecânica das populações brancas, negras, mulatas e índias, perspectiva essa que, em todo caso, já vinha sendo progressivamente corrigida, ainda que de maneira desigual, pelas dinâmicas do desenvolvimento nos múltiplos setores e atividades sociais do País, recebeu, com a obra de Jorge Amado, o mais solene e ao mesmo tempo aprazível desmentido”, comenta José Saramago, de quem o autor baiano foi amigo afetuoso – ambos tinham uma combinação de que fariam uma bela comemoração ao primeiro deles que vencesse o Prêmio Nobel de Literatura, o que acabou acontecendo em 1998, com a escolha do português. Saramago gostava de contar que foi surpresa para muita gente descobrir nos livros do escritor baiano a complexa heterogeneidade, não só racial, mas cultural da sociedade brasileira.

Mesmo assim, a obra de Jorge Amado nunca foi unânime, especialmente entre os críticos, apesar da legião de leitores fiéis. “Geração após geração, há sempre críticos mais conservadores que não aprovam as escolhas feitas por ele – personagens, encaminhamentos, palavras. Quando foi lançado Gabriela, um resenhista reclamou que Amado tinha transformado uma doméstica em heroína”, explica Joselia, lembrando que a aposta no humor e no erotismo, mais presentes depois da década de 1960, também era alvo de reclamações. “Como sua obra tratava de muitos dos problemas do Brasil, é impossível que não atingisse grupos ou certas concepções. Mas o fato é que Amado passa a escrever melhor conforme o tempo passa, e nem todos os críticos se dedicam a acompanhar isso.” E arremata: “Era um autor popular, mas não se pode dizer que era um autor comercial ou superficial”.

Joselia desmente ainda que Amado teria uma tendência ao ócio, reforçada pelo estereótipo da baianidade (na verdade, o escritor levantava-se às 4 horas da manhã, seja para escrever ou para responder a cartas), e ainda descobriu o original de um romance inédito, Rui Barbosa Nº 2, escrito em 1930, portanto, seria seu segundo romance se não fosse descartado pelo autor, desgostoso por não acreditar que dali se apresentaria algo novo.

Ele conhecia como poucos os desejos do leitor. “Quando começou a escrever ficção, Amado já sabia que havia romances de autores burgueses feitos para a burguesia. Por isso, mirava outro leitorado, buscando, como dizia, os jovens trabalhadores. Isso na década de 1930”, observa. “É um tipo de livro que tem um sentido de formação de leitor, ótimo para um país de maioria analfabeta. Desde cedo, Amado não quis escrever para o grupo de literatos a que podia ter pertencido. Queria ser lido por todos, o que significava fazer certas escolhas literárias.”

Em biografia sobre escritor, Josélia Aguiar traça perfil inédito do baiano
Foram sete anos de pesquisa, mas, graças à riqueza de detalhes que marca a trajetória de seu biografado, Joselia Aguiar garante que poderiam ter sido mais. “É um trabalho que podia ter o dobro do tamanho, e ainda assim ficaria coisa de fora”, assegura ela sobre Jorge Amado – Uma Biografia (Todavia), cujo lançamento acontece às 19h desta quinta-feira, 13, na Livraria Martins Fontes da Avenida Paulista.

Trata-se de um recorte generoso, bem apurado e pleno de novidades sobre o homem que, durante muitos anos, foi o escritor mais popular do Brasil e o primeiro a derrubar barreiras em todos os continentes do planeta – só foi superado, anos depois, por Paulo Coelho. “De fato, a vida de Jorge foi vasta. Estreou cedo e produziu muito, e esses livros circularam em 49 idiomas e se tornaram novelas e filmes.”

Ao longo de seu trabalho – que conciliou com a função de curadora por dois bem-sucedidos anos da Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip -, Joselia mostra como a trajetória literária e também política de Jorge Amado (1912-2001) se confunde com muitos momentos históricos do Brasil Como sua relação com a política ideológica comunista, iniciada nos anos 1930.

“Na obra de memórias Navegação de Cabotagem, ele se refere aos livros de seu período mais comunista como ‘tarefas partidárias’”, observa Josélia.
“Muito cedo, Amado se identifica e lê autores de esquerda, envolvendo-se em muitas atividades políticas. Os livros nascem dele mesmo, é um autor propositivo, mas é claro que nascem de alguém envolvido totalmente com a causa comunista. Por que ‘tarefas partidárias’? Creio que para diminuir um pouco aqueles livros, pelos quais tinha carinho porque foram feitos na juventude, mas que considerava como ‘cadernos de aprendiz’.”

Joselia ressalta que, naquela época, década de 1930, Jorge Amado ainda não era importante aos olhos dos comunistas brasileiros ou estrangeiros. A situação só vai mudar quando ele decide escrever a biografia de Luís Carlos Prestes, então o grande líder comunista nacional. “O Cavaleiro da Esperança, de 1942, lhe abre portas e lhe dá um determinado prestígio. Mas a obra de Amado já circulava na França e nos Estados Unidos, e era publicada por editoras de gabarito, como Gallimard e Knopf. Depois de sua cassação como deputado, em 1948, ele vai para o exílio e conhece os países da cortina de ferro, onde é muito lido.”

Siga pegadas deixadas por Jorge Amado em suas férias de verão no Recife

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Casario da rua da Aurora diante do rio Capibaribe, no centro do Recife 
Marcos Michael/JC Imagem

Temporada do escritor baiano na cidade rendeu frutos literários e inspira passeios

Fernando Granato, na Folha de S.Paulo

Recife

Não foi nas ladeiras e nos becos escuros do Pelourinho, nem na orla do cais de Salvador (BA) que surgiu um dos personagens mais lendários de Jorge Amado (1912-2001), escritor que divulgou para o mundo as histórias da Bahia.

A inspiração para compor Quincas Berro D’Água, o pacato chefe de família que se tornou um beberrão inveterado, veio de um cachaceiro que frequentava as areias da praia do Pina, no Recife (PE).

Jorge Amado costumava passar as férias de verão com a família na capital pernambucana. Hospedava-se na casa dos amigos Laís e Ruy Antunes, na cidade. Ou na do casal Dóris e Paulo Loureiro, na praia de Maria Farinha, distante 30 quilômetros. Assim foi entre 1959 e 1962.

Em seus livros de memórias, Zélia Gattai (1916-2008), mulher do escritor, lembrou-se das temporadas pernambucanas que renderam frutos literários. A casa da cidade era “imensa”, à beira do rio Capibaribe.

“Mangueiras frondosas, chão forrado de mangas de tudo quanto era qualidade”, recordava a escritora em seu livro “Chão de Meninos”.

Zélia salientou ainda que Jorge Amado gostava de perambular pelas pontes sobre o rio e de visitar o centro antigo.

No mesmo livro, ela conta que bastava correr a notícia de que Jorge Amado estava na terra para chover convites para almoços e jantares.

“Visitávamos Gilberto Freyre no Solar dos Apipucos, bebíamos a cachaça de pitanga, almoçávamos com ele e Magdalena (sua mulher)”, escreveu ela. A casa do autor de “Casa Grande e Senzala”, morto em 1987, virou museu e pode ser visitada de segunda a sexta, das 9h às 16h30. O ingresso é R$ 10 (rua Dois Irmãos, 320).

Mas o que Jorge Amado gostava mesmo em suas temporadas pernambucanas era de “jogar pôquer e arengar com os amigos”, conta a pintora e poeta Tania Carneiro Leão, 82, testemunha dessas estadas no Recife.

Tania é viúva do poeta Carlos Pena Filho (1929-1960), a pessoa que comentou com Amado sobre a existência do boêmio da praia do Pina, figura usada em “A Morte e a Morte de Quincas Berro D’Água”, novela que ganhou o mundo.

“Carlos, em meio ao carteado, disse que conheceu num boteco do Pina um cachaceiro convicto, que achou que uma garrafa continha cachaça e quando viu que era água deu um grito desesperado e cuspiu, dizendo que era alérgico àquele líquido insípido”, contou Tania. “Foi o bastante para Jorge guardar a história e registrar em sua novela. Ele adorava ouvir histórias e depois as usava em seus livros.”

Zélia Gattai, ainda no livro “Chão de Meninos”, lembrou que em 1959 seu marido, Jorge Amado, recebeu do amigo artista Carlos Scliar (1920-2001) a encomenda para escrever uma história curta para a revista Senhor. Como o escritor acabara de retornar das férias pernambucanas, tinha fresco na memória o caso narrado pelo poeta Pena Filho.

“Dentro de Jorge ficara o que ouvira em Pernambuco nas conversas de sotaque, conversas sem compromisso, conversa de quem não tem o que fazer, conversa de preguiça”, disse Zélia. “Daí saíra ‘A Morte e a Morte de Quincas Berro D’Água’, em dois dias, nem mais, nem menos.”

Quando a história foi publicada, em 1959, o escritor a dedicou aos amigos: “Para Laís e Ruy Antunes, em cuja casa, pernambucana e fraternal, cresceram, ao calor da amizade, Quincas e sua gente”.

O cenário em que vivia o sujeito que inspirou o personagem de Jorge Amado, a praia do Pina, é local pouco frequentado pelos turistas.

Fica numa área caracterizada por uma linha contínua de arrecifes, paralela à orla, na altura de Brasília Teimosa, a maior favela da cidade.

Os habitantes, sobretudo pescadores, têm forte ligação com o mar. Jangadas ancoradas junto à areia mostram que a economia local ainda depende muito do peixe.

Aos domingos, a praia ganha efervescência com o forró vindo dos barzinhos pé na areia. Uma infinidade de caldinhos e frutos do mar fresquinhos sai das panelas diretamente para as mesas. Os preços são mais em conta do que na vizinha Boa Viagem. Um espetáculo à parte é o trabalho dos garis, no fim do dia. Ao som de Reginaldo Rossi, o Rei do Brega, eles exercem seu ofício com uma alegria que só os pernambucanos sabem ter.

Quando estava hospedado no Recife, Jorge Amado gostava de frequentar o restaurante Leite, no centro (praça Joaquim Nabuco, 147), o mais antigo do Brasil ainda em funcionamento.

Inaugurado em 1882, quando o Brasil ainda tinha escravos e era governado por Dom Pedro 2º, o local conserva suas bandejas de prata e guardanapos de algodão puro.

Mas não era isso que agradava Jorge Amado. O que despertava seu interesse era o entra e sai de gente conhecida, como os escritores Gilberto Freyre (1900-1987), José Lins do Rego (1901-1957) e Ariano Suassuna (1927-2014), o escultor Francisco Brennand e o pintor Cícero Dias (1907-2003). Ou até estrelas internacionais como o filósofo francês Jean Paul Sartre e o escritor inglês Aldous Huxley.

As conversas na mesa do restaurante varavam as madrugadas e alguns dos casos ali acontecidos foram registrados por Jorge Amado.

Um deles foi citado numa carta para Zélia Gattai, em julho de 1959. “Ontem jantávamos, à noite, no Leite”, contou. “No outro extremo da sala, numa mesa grande, jantava uma família. Dessa mesa saíram duas meninas, de uns 10 ou 11 anos, e vieram me pedir um autógrafo num caderno de notas.”

Na carta, Jorge Amado diz que, quando seu grupo pediu a conta, já estava tudo pago pelo pai das meninas que pediram o autógrafo.

“Chamamos o garçom para pagar, mas em vez da conta, ele trouxe uma garrafa de champanhe Viúva Clicquot, francesa legítima”, escreveu. “Serviu-nos declarando que o jantar nosso estava pago pelo doutor José Paulo Cavalcanti, meu leitor e pai das duas meninazinhas.”

Entre as especialidades da casa, o baiano apreciava a pernambucana sobremesa cartola, feita com banana frita sob camada calculada de queijo de manteiga, regada com nuvem de canela e açúcar. “Jorge era um glutão”, lembra a pintora e poeta Tania Carneiro Leão.

Praia de areias fofas, Maria Farinha tem mangues e coqueirais  

Calção de banho, pé no chão, lá ia Jorge Amado atrás de uma conversa com os nativos. Assim era a rotina do escritor na praia de Maria Farinha, distante cerca de 30 quilômetros do Recife, onde se hospedava com a família, nos verões, na casa do amigo Paulo Loureiro.

Jorge conheceu a casa numa viagem a trabalho em 1959 e programou passar ali, com a família, as férias seguintes de verão. “Hoje fui à praia de Maria Farinha com Paulo Loureiro”, escreveu ele à mulher, Zélia Gattai, em 18 de novembro daquele ano. “É lugar lindo e creio que gostarás.”

As lembranças dessas estadas foram depois registradas por Zélia, em seus livros de memórias. Em “A Casa do Rio Vermelho”, a escritora recordou que a praia era quase deserta, boa para pescaria. “Não precisávamos ir longe para trazer peixe”, escreveu. “Da praia, ali mesmo defronte à casa, era só atirar o anzol e recolher em seguida o peixe se debatendo.”

Jorge Amado, segundo a sua mulher, não aderia às pescarias nem às caminhadas. “Seu divertimento era outro.” “Preferia descansar deitado na rede do terraço, ouvindo as histórias dos empregados da casa e de pescadores que apareciam lá na hora da preguiça.”

A praia, de areias brancas e fofas, se estende por quatro quilômetros, cercada por coqueirais e mangues.

Antigo reduto hippie, é hoje repleta de condomínios e costuma encher aos finais de semana.

Para quem gosta de história, vale conhecer as igrejinhas de Nossa Senhora do Ó e de Nossa Senhora da Conceição dos Milagres, além do Forte do Pau Amarelo, erguido no século 18.

Casas em que viveram grandes 14 escritores hoje são museus

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Quem é apaixonado por livros não pode perder esse rolê literário, de Cora Coralina a Ernest Hemingway

Ludmila Balduino, no Viagem e Turismo

Livros de grandes escritores nos levam a viajar. E nos fazem pensar sobre o contexto em que foram escritos. Para um leitor-viajante, nada é mais satisfatório do que descobrir detalhes sobre o seu autor favorito e a sua história de vida. Entender as motivações que o levaram a escrever obras tão fascinantes.

E quem é um verdadeiro leitor-viajante vai adorar passear por essas 15 casas de grandes escritores da história da humanidade. Nem que seja apenas admirando as fotos dos casarões abaixo.

1. Casa e museu de Mark Twain em Hartford, Connecticut, nos Estados Unidos


Mark Twain (Hartford, Connecticut, Estados Unidos) O autor de “As Aventuras de Tom Sawyer” nasceu no Mississippi e passou a viver em Hartford em 1874, após se casar com Olivia Clemens. Com ajuda de um arquiteto, os dois planejaram todos os detalhes da casa, que demorou três anos para ficar pronta – e, segundo o próprio Twain, perfeita para abrigar a família do escritor norte-americano. Apesar de parte da história de Sawyer se passar na terra natal de Twain, foi nessa casa em Connecticut que ele escreveu a obra que o tornou famoso no mundo inteiro

Mark Twain (Hartford, Connecticut, Estados Unidos) O autor de “As Aventuras de Tom Sawyer” nasceu no Mississippi e passou a viver em Hartford em 1874, após se casar com Olivia Clemens. Com ajuda de um arquiteto, os dois planejaram todos os detalhes da casa, que demorou três anos para ficar pronta – e, segundo o próprio Twain, perfeita para abrigar a família do escritor norte-americano. Apesar de parte da história de Sawyer se passar na terra natal de Twain, foi nessa casa em Connecticut que ele escreveu a obra que o tornou famoso no mundo inteiro

2. La Sebastiana, casa de Pablo Neruda em Valparaíso, Chile


Pablo Neruda (Valparaíso, Chile) O poeta chileno, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 1971, mantinha três casas em seu país de origem: La Chascona, em Santiago; Isla Negra, na cidade costeira homônima, a 96 km de Santiago; e La Sebastiana (foto), em Valparaíso. As três construções têm arquiteturas interessantíssimas, dignas de um poeta tão criativo como ele foi – e são obrigatórias para quem é apaixonado pelos versos sonoros e que relatam tão profundamente a sociedade e a natureza do Chile

Pablo Neruda (Valparaíso, Chile) O poeta chileno, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 1971, mantinha três casas em seu país de origem: La Chascona, em Santiago; Isla Negra, na cidade costeira homônima, a 96 km de Santiago; e La Sebastiana (foto), em Valparaíso. As três construções têm arquiteturas interessantíssimas, dignas de um poeta tão criativo como ele foi – e são obrigatórias para quem é apaixonado pelos versos sonoros e que relatam tão profundamente a sociedade e a natureza do Chile

3. The Fitzgerald Museum, casa dos Fitzgerald, em Montgomery, Alabama, Estados Unidos


F. Scott Fitzgerald (Montgomery, Alabama, Estados Unidos) O autor do clássico “O Grande Gatsby” viveu nessa casa no Alabama, Estados Unidos, com a esposa Zelda, entre o outono de 1931 e a primavera de 1932. Apesar de ficarem ali por pouco tempo (principalmente por causa da vida boêmia de Scott e da internação de Zelda em um hospício), o museu que a casa abriga conta a história completa do casal, da época em que viviam, e mostram aos fãs como os escritos de Fitzgerald reproduziram tão fielmente a cultura norte-americana do momento

F. Scott Fitzgerald (Montgomery, Alabama, Estados Unidos) O autor do clássico “O Grande Gatsby” viveu nessa casa no Alabama, Estados Unidos, com a esposa Zelda, entre o outono de 1931 e a primavera de 1932. Apesar de ficarem ali por pouco tempo (principalmente por causa da vida boêmia de Scott e da internação de Zelda em um hospício), o museu que a casa abriga conta a história completa do casal, da época em que viviam, e mostram aos fãs como os escritos de Fitzgerald reproduziram tão fielmente a cultura norte-americana do momento

4. Casa de William Faulkner em Oxford, Mississippi, Estados Unidos


William Faulkner (Oxford, Mississippi, Estados Unidos) Construída em 1844, a casa – que fica em uma fazenda e é cercada por carvalhos gigantescos – foi o local preferido de Faulkner para escrever sua extensa obra que o levou a receber o Prêmio Nobel de Literatura em 1949. Ele e sua família mudaram-se para esse casarão em 1930, e ali Faulkner viveu até o fim de sua vida, em 1962

William Faulkner (Oxford, Mississippi, Estados Unidos) Construída em 1844, a casa – que fica em uma fazenda e é cercada por carvalhos gigantescos – foi o local preferido de Faulkner para escrever sua extensa obra que o levou a receber o Prêmio Nobel de Literatura em 1949. Ele e sua família mudaram-se para esse casarão em 1930, e ali Faulkner viveu até o fim de sua vida, em 1962

5. Casa da escritora Pearl S. Buck, na Pensilvânia, Estados Unidos


Pearl S. Buck (Dublin, Pensilvânia, Estados Unidos) Foi nessa casa no subúrbio da Filadélfia que a escritora Pearl S. Buck criou um de seus livros mais famosos, “A Boa Terra”, que relata o dia-a-dia de uma família na China rural. A norte-americana conquistou o Prêmio Nobel de literatura em 1938 e foi uma grande ativista sobre os direitos das mulheres e dos descendentes de asiáticos nos Estados Unidos. No casarão em que viveu por 40 anos, é possível encontrar objetos da época em que morou na China, e até presentes de Dalai Lama e do ex-presidente dos EUA, Richard Nixon. Seu túmulo fica no terreno da casa, e também é muito visitado

Pearl S. Buck (Dublin, Pensilvânia, Estados Unidos) Foi nessa casa no subúrbio da Filadélfia que a escritora Pearl S. Buck criou um de seus livros mais famosos, “A Boa Terra”, que relata o dia-a-dia de uma família na China rural. A norte-americana conquistou o Prêmio Nobel de literatura em 1938 e foi uma grande ativista sobre os direitos das mulheres e dos descendentes de asiáticos nos Estados Unidos. No casarão em que viveu por 40 anos, é possível encontrar objetos da época em que morou na China, e até presentes de Dalai Lama e do ex-presidente dos EUA, Richard Nixon. Seu túmulo fica no terreno da casa, e também é muito visitado

6. Casa de Fernando Pessoa em Lisboa, Portugal


Fernando Pessoa (Lisboa, Portugal) É nesta casa em Campo de Ourique que o poeta português passou os últimos 15 anos de sua vida. Além de atividades culturais, a Casa Fernando Pessoa expõe o quarto em que ele morou, decorado como se ele ainda vivesse ali, junto com algumas relíquias, como o óculos de armação arrendodada, o bloco de anotações, e a máquina de escrever. Diz a lenda que foi naquele quartinho que ele escreveu, na noite de 8 de março de 1914, três dos seus poemas mais famosos: “O Guardador de Rebanhos”, “A Chuva Oblíqua” e “Ode Triunfal”

Fernando Pessoa (Lisboa, Portugal) É nesta casa em Campo de Ourique que o poeta português passou os últimos 15 anos de sua vida. Além de atividades culturais, a Casa Fernando Pessoa expõe o quarto em que ele morou, decorado como se ele ainda vivesse ali, junto com algumas relíquias, como o óculos de armação arredondada, o bloco de anotações, e a máquina de escrever. Diz a lenda que foi naquele quartinho que ele escreveu, na noite de 8 de março de 1914, três dos seus poemas mais famosos: “O Guardador de Rebanhos”, “A Chuva Oblíqua” e “Ode Triunfal”

7. Casa de Ernest Hemingway na Flórida, Estados Unidos


Ernest Hemingway (Key West, Flórida, Estados Unidos) O casarão ensolarado, de janelas amplas e piscina, fica na pontinha sul da Flórida. A casa em que o norte-americano viveu entre 1931 e 1940 com a ex-mulher, Pauline, e dois filhos, mantém a mobília original e objetos que Pauline trouxe da França. As dezenas de gatos que vivem por ali também são uma atração: dizem que eles são descendentes dos gatos que Hemingway e a família criaram. O autor ficou famoso por obras como “O Velho e o Mar”, “O Sol Também se Levanta” e “Por Quem os Sinos Dobram”

Ernest Hemingway (Key West, Flórida, Estados Unidos) O casarão ensolarado, de janelas amplas e piscina, fica na pontinha sul da Flórida. A casa em que o norte-americano viveu entre 1931 e 1940 com a ex-mulher, Pauline, e dois filhos, mantém a mobília original e objetos que Pauline trouxe da França. As dezenas de gatos que vivem por ali também são uma atração: dizem que eles são descendentes dos gatos que Hemingway e a família criaram. O autor ficou famoso por obras como “O Velho e o Mar”, “O Sol Também se Levanta” e “Por Quem os Sinos Dobram”

8. Casa de Shakespeare no Reino Unido


William Shakespeare (Stratford-upon-Avon, Reino Unido) Há cinco casas no Reino Unido que contam a história do maior escritor inglês de todos os tempos. Uma delas é a da foto acima: foi nessa casa que ele nasceu e viveu até por volta dos seus 20 anos, quando casou-se e mudou-se para o seu segundo lar (que também pode ser visitado). Dentro da casa, é possível descobrir detalhes sobre como a personalidade do escritor foi moldada – o local era agitado, sempre cheio de gente (Foto: David Iliff) + Doze melhores destinos no Reino Unido, a partir de Londres

William Shakespeare (Stratford-upon-Avon, Reino Unido) Há cinco casas no Reino Unido que contam a história do maior escritor inglês de todos os tempos. Uma delas é a da foto acima: foi nessa casa que ele nasceu e viveu até por volta dos seus 20 anos, quando casou-se e mudou-se para o seu segundo lar (que também pode ser visitado). Dentro da casa, é possível descobrir detalhes sobre como a personalidade do escritor foi moldada – o local era agitado, sempre cheio de gente (Foto: David Iliff) + Doze melhores destinos no Reino Unido, a partir de Londres

9. Casa de Carlos Drummond de Andrade em Itabira, Minas Gerais


Carlos Drummond de Andrade (Itabira, Minas Gerais)Foi neste sobrado do século 19 que Carlos Drummond de Andrade morou dos 2 aos 13 anos. Foi um período marcante na vida e na obra do poeta: vários poemas escritos por Drummond relembram o tempo em que ele morou no casarão. Depois que foi transformada em museu, a casa expõe objetos pessoais do brasileiro, como a sua primeira máquina de escrever, cartas, fotografias e prêmios literários

Carlos Drummond de Andrade (Itabira, Minas Gerais)Foi neste sobrado do século 19 que Carlos Drummond de Andrade morou dos 2 aos 13 anos. Foi um período marcante na vida e na obra do poeta: vários poemas escritos por Drummond relembram o tempo em que ele morou no casarão. Depois que foi transformada em museu, a casa expõe objetos pessoais do brasileiro, como a sua primeira máquina de escrever, cartas, fotografias e prêmios literários (Divulgação/Divulgação)

10. Casa do escritor Victor Hugo em Paris, França


Victor Hugo (Paris, França) Foi neste apartamento, hoje localizado na Place des Vosges, que o escritor francês viveu entre 1832 e 1848. A decoração atual tem vários objetos que pertenciam ao autor de “Os Miseráveis” e “O Corcunda de Notre Dame”, mas os cômodos também contam a história de sua vida. A foto acima, por exemplo, é do quarto chinês, que expõe o período em que ele ficou em exílio, em Guernsey, na Costa da Normandia. A estante de pratos na parede foi uma ideia criativa do escritor, que adorava decoração

Victor Hugo (Paris, França) Foi neste apartamento, hoje localizado na Place des Vosges, que o escritor francês viveu entre 1832 e 1848. A decoração atual tem vários objetos que pertenciam ao autor de “Os Miseráveis” e “O Corcunda de Notre Dame”, mas os cômodos também contam a história de sua vida. A foto acima, por exemplo, é do quarto chinês, que expõe o período em que ele ficou em exílio, em Guernsey, na Costa da Normandia. A estante de pratos na parede foi uma ideia criativa do escritor, que adorava decoração

11. Casa da escritora Agatha Christie, na Inglaterra


Agatha Christie (Devon, Reino Unido) Depois de ficar rica e famosa por causa de sua série de livros de mistério, em 1938 a inglesa Agatha Christie comprou essa casa construída entre os anos 1780 e 1790. Aberta ao público desde 2000, o casarão e seu extenso jardim serviam como refúgio da família da escritora nos feriados. Eles costumavam passar a primavera, o fim do verão e os Natais na tranquilidade do lugar. Durante a visita, é possível encontrar jogos de tabuleiro em frente à lareira, o piano de cauda da escritora, além de de áudios que contam a história de como o lugar é querido pela família

Agatha Christie (Devon, Reino Unido) Depois de ficar rica e famosa por causa de sua série de livros de mistério, em 1938 a inglesa Agatha Christie comprou essa casa construída entre os anos 1780 e 1790. Aberta ao público desde 2000, o casarão e seu extenso jardim serviam como refúgio da família da escritora nos feriados. Eles costumavam passar a primavera, o fim do verão e os Natais na tranquilidade do lugar. Durante a visita, é possível encontrar jogos de tabuleiro em frente à lareira, o piano de cauda da escritora, além de de áudios que contam a história de como o lugar é querido pela família

12. A Casa do Rio Vermelho – Jorge Amado e Zélia Gattai


Jorge Amado (Salvador, Bahia) Além da Fundação Casa de Jorge Amado, no Pelourinho, a cidade de Salvador presta outra grande homenagem ao seu maior escritor: a casa em que ele morou, no bairro do Rio Vermelho, também foi transformada em museu – e tem mais objetos pessoais do baiano que gostava de usar camisas floridas do que em qualquer outro lugar. Ali, é possível voltar ao passado e quase sentir a presença dele e de sua companheira inseparável, Zélia Gattai. Principalmente ao ouvir a voz dele ecoando pelos cômodos cheios de referências aos livros que ele escreveu

Jorge Amado (Salvador, Bahia) Além da Fundação Casa de Jorge Amado, no Pelourinho, a cidade de Salvador presta outra grande homenagem ao seu maior escritor: a casa em que ele morou, no bairro do Rio Vermelho, também foi transformada em museu – e tem mais objetos pessoais do baiano que gostava de usar camisas floridas do que em qualquer outro lugar. Ali, é possível voltar ao passado e quase sentir a presença dele e de sua companheira inseparável, Zélia Gattai. Principalmente ao ouvir a voz dele ecoando pelos cômodos cheios de referências aos livros que ele escreveu (Divulgação/Divulgação)

13. Museu Casa de Cora Coralina, Goiás (GO)


Cora Coralina (Goiás, Goiás) A senhorinha que encantou o Brasil e o mundo com seus poemas singelos, e ao mesmo tempo extremamente fortes, que relatavam o dia a dia de uma menina que morava na casa da ponte, vivia mesmo em um casarão à beira da ponte sobre o Rio Vermelho, em Goiás. Uma das representantes mais famosas da cidade histórica rodeada pela Serra Dourada, no meio do estado de mesmo nome, Cora Coralina precisou fazer doces para vender nos últimos anos de sua vida. Por isso, a cozinha é um dos pontos altos da visita. A casa da ponte – como é carinhosamente chamada pelos visitantes – ainda tem um jardim enorme e florido (tem até uma bica de água fresquinha), conserva as roupas que ela usou, a cama em que dormiu e a sua poltrona preferida, de onde recebia visitas ilustres

Cora Coralina (Goiás, Goiás) A senhorinha que encantou o Brasil e o mundo com seus poemas singelos, e ao mesmo tempo extremamente fortes, que relatavam o dia a dia de uma menina que morava na casa da ponte, vivia mesmo em um casarão à beira da ponte sobre o Rio Vermelho, em Goiás. Uma das representantes mais famosas da cidade histórica rodeada pela Serra Dourada, no meio do estado de mesmo nome, Cora Coralina precisou fazer doces para vender nos últimos anos de sua vida. Por isso, a cozinha é um dos pontos altos da visita. A casa da ponte – como é carinhosamente chamada pelos visitantes – ainda tem um jardim enorme e florido (tem até uma bica de água fresquinha), conserva as roupas que ela usou, a cama em que dormiu e a sua poltrona preferida, de onde recebia visitas ilustres

14. Casa de Vladimir Nabokov em São Petersburgo, na Rússia


Vladimir Nabokov (São Petersburgo, Rússia) Foi aqui que o escritor russo nasceu, em 1899, e viveu até a adolescência, em 1917. A família fugiu da revolução Russa, esperando passar poucos meses fora do país, mas nunca mais voltou à casa. Nos anos 1990, o térreo foi aberto para expor os objetos pessoais da família, como a extensa coleção de livros – são mais de 10 mil volumes. Também dá para se ter uma ideia da fascinação que Nabokov tinha por borboletas – suas coleções de desenhos de borboletas, e de borboletas que ele caçou, estão entre os pontos altos do museu

Vladimir Nabokov (São Petersburgo, Rússia) Foi aqui que o escritor russo nasceu, em 1899, e viveu até a adolescência, em 1917. A família fugiu da revolução Russa, esperando passar poucos meses fora do país, mas nunca mais voltou à casa. Nos anos 1990, o térreo foi aberto para expor os objetos pessoais da família, como a extensa coleção de livros – são mais de 10 mil volumes. Também dá para se ter uma ideia da fascinação que Nabokov tinha por borboletas – suas coleções de desenhos de borboletas, e de borboletas que ele caçou, estão entre os pontos altos do museu

O que os baianos leem? Levantamento inédito revela que os autores mais buscados nas bibliotecas nasceram no estado

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Verônica foi quem mais pegou livros emprestados este ano (Foto: Marina Silva/CORREIO)

Verônica foi quem mais pegou livros emprestados este ano (Foto: Marina Silva/CORREIO)

A pedido do CORREIO, a Fundação Pedro Calmon destacou os 40 livros mais procurados nas sete bibliotecas do sistema nos últimos seis meses

Thais Borges, no Correio 24Horas

Pedro Archanjo gostava mesmo de estudar o povo baiano, enquanto Totonhim tentava assimilar a volta de seu irmão à vida dura do sertão. Gustavo se encantou com a voz de Célia, a moça que vendia pãezinhos de queijo no Largo da Palma, ao passo que Dindinho sofria com a morte precoce da irmã Estelinha. E, no meio de todos esses casos da literatura, há gente como a estudante de Letras Verônica Batista, 26 anos, que não resiste a uma boa história e quase mora na Biblioteca Central, nos Barris.

A verdade é que baianos gostam de ler baianos. Seja um clássico como Jorge Amado, criador de Pedro Archanjo, seja um contemporâneo como Aleilton Fonseca e seus Dindinho e Estelinha. Mas baianos também não resistem aos já tradicionais best-sellers como Harry Potter, A Cabana e A Menina que Roubava Livros. Para completar a estante, Os 13 Porquês e A Culpa é das Estrelas. Os dados são resultado de um levantamento inédito da Fundação Pedro Calmon (FPC), responsável pelo Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas da Bahia.

A pedido do CORREIO, a FPC destacou os 40 livros mais procurados nas sete bibliotecas do sistema nos últimos seis meses. O resultado chamou atenção: os seis primeiros lugares são de livros de escritores baianos. Jorge Amado, Antônio Torres, Helena Parente Cunha, Adonias Filho e Aleilton Fonseca deixaram para trás outros clássicos da literatura mundial.

Eles lideram um top 10 com títulos como A Cabana, de William P. Young – apesar de ter lido lançado originalmente em 2008, voltou aos holofotes graças ao lançamento do filme homônio este ano –; Os 13 Porquês, de Jay Asher – outro livro que chegou ao Brasil em 2009, mas foi impulsionado pela polêmica série 13 Reasons Why, da Netflix –; e Um Mais Um, de Jojo Moyes, a britânica que é a nova queridinha dos fãs de histórias românticas.

“Os escritores baianos estão tendo destaque sim, não só por (terem obras cobradas em) vestibular, mas pela produção editorial. A geração de 1980 para cá produziu muito. A gente tinha uma coleção dos ‘novos baianos’ na fundação e a procura era grande”, explica a diretora do sistema, Carmen Azevedo. A maioria das obras dos baianos está na lista dos livros cobrados para a selação da Universidade do Estado da Bahia (Uneb). Outros também figuraram, por anos, na lista de livros do antigo vesbitular da Universidade Federal da Bahia (Ufba), antes da instituição aderir ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu).

Autor do segundo livro mais procurado do ano (Essa Terra), Antônio Torres passou dois anos e meio para escrever a história. Mas, apesar de o texto ter sido condensado em cerca de 100 páginas, estava tão cansado como se tivesse escrito 500. Estava no Rio de Janeiro quando um primo jornalista contou a história de outro primo deles que saíra do interior da Bahia para São Paulo. Voltou para a Bahia, frustrado, e cometeu suicídio.

“Fui para Sátiro Dias (no Nordeste do estado) saber a história desse homem e ninguém me contava. Achei que tinha perdido a viagem até compreender que o sonho daquele lugar era partir. Aquele que partiu, voltou e se matou também matou aquele lugar. Eu tinha que esquecer o repórter que sempre fui para ser o romancista que já era. Por isso, tudo que há de real é a informação de um homem que foi para São Paulo e se matou. O resto, a ficção fez por ela mesma”, contou o escritor, que ocupa a cadeira nº 9 na Academia de Letras da Bahia. A obra, lançada em 1976, já foi publicada até no Vietnã.

Para o escritor Evanilton Gonçalves, a distribuição dos livros também está ligada ao ranking de livros mais lidos. “Temos autores nacionais, que são mais conhecidos e que têm uma distribuição maior dos livros. É o mesmo que acontece com os best sellers, que são editados por grandes editoras e têm um alcance maior. E hoje na internet existem muitos canais que recomendam os livros, que desperta aquilo de “tem que ter”, por isso acabam que eles estão em mais lugares também para a compra”, observa.

Empréstimos

Na Biblioteca Central, os livros dos baianos campeões já ficam até mesmo separados, para facilitar que os funcionários os encontrem. “Os clássicos são muito incentivados pelos pais e por professores, não só devido ao vestibular. Jorge Amado, por exemplo, é um autor que o tempo não limita. E os jovens têm procurado muito por serem livros que trazem uma Bahia diferente da que vivemos”, opina a subgerente do setor de empréstimo da unidade, Elzimar Cerqueira.

Hoje, são mais de 24 mil pessoas cadastradas nas bibliotecas estaduais. Este ano, foram cerca de 8,5 mil empréstimos – de um universo de mais de 400 mil exemplares. Mesmo assim, para Carmen Azevedo, não houve queda nos últimos anos, nem concorrência com outras plataformas. “Existe uma mudança que a gente tem que acompanhar. Tem gente que leva seu tablet e faz a leitura. A gente não pode limitar a leitura ao livro, mas falar em leitura de mundo, pelas artes, pela dança e pela linguagem”.

E, se depender da estudante de Letras Verônica Batista, o número de empréstimos deve continuar aumentando. Só este ano – e apenas na Biblioteca dos Barris – Verônica pegou 74 livros emprestados. Se a unidade tivesse um título de ‘campeã dos livros’, certamente seria dela.

“Mas eu pego livro em todo lugar. Aqui, na (biblioteca) Thalles de Azevedo, na (biblioteca) Juracy Magalhães, na da Ilha de Itaparica… Demoro três dias, no máximo, para ler, não importa o tamanho. Rodo a cidade toda atrás de livros, porque não compro livros novos”, conta a jovem, que mora no Engenho Velho de Brotas. Dos 45 livros mais lidos este ano, ela só não leu quatro. Diz que estão na lista. “Tendo uma boa história, eu vou levar”.

As irmãs Beatriz, 16, e Glória Cerqueira, 14, ainda estão praticamente engatinhando no universo das bibliotecas. Cada uma fez sua própria estreia na última semana: Beatriz escolheu Crepúsculo, de Stephenie Meyer, enquanto Glória preferiu Divergente, de Veronica Roth. “A gente estava passando por aqui, porque moramos no Barbalho, e decidimos vir. Eu já tinha visto o filme Divergente e, como gosto de ação, escolhi começar por ele”, conta Glória. Pela empolgação, parece que a presença dos livros na vida das novas leitoras deve aumentar.

Reforço escolar

Para o mestre em estudo de Linguagens Caio Brito, a escola é um dos grandes incentivadores da leitura e, por isso, os livros que eram cobrados em vestibulares aparecem como os mais lidos. “A escola é um dos grandes incentivadores da leitura, assim como os amigos, a família e a própria internet também são. Mas considerando que alguns desses livros são cobrados por vestibulares, podemos dizer que a escola exerce grande influência nessa lista”, opina o professor da Unijorge.

Ainda segundo Caio, os livros apresentam características semelhantes entre si, o que incentiva a identificação dos leitores com essas obras. “Existe a questão de identificação, sem sombra de dúvidas, do proprio Jorge Amado, que retratam o dia a dia pela cidade, e as pessoas conseguem identificar os lugares por meio das obras”, afirma.

No entanto, Caio lembra que a diversidade das obras é uma tendência que tem acontecido em todo Brasil. “No último relatório de retratos de literatura no Brasil, perguntaram ao sujeito qual o último livro que você leu, e nessa lista tem Augusto Cury, Paulo Coelho, Alan Kardec, chegando à youtuber Kéfera, o que mostra a influência da internet. Hoje temos muitos canais no Youtube que incentivam a leitura, com indicações e opiniões sobre livros”, completa.

Autor do quinto livro mais lido, o escritor Aleilton Fonseca afirma que todos os livros têm o seu valor. “A Cabana é uma leitura boa também, por exemplo. Existe os livros de momento e os que passam de geração para geração, mas a literatura sempre ensina alguma coisa”, explica.

Ele conta que já sabia do interesse de muitos jovens por seus livros, mas não sabia que estava entre os mais buscados. “É um livro que tem sido muito adotado nas escolas e está na lista da Uneb. Sou muito procurado, os alunos fazem trabalho. A gente quer que os jovens leiam mais e, quando a gente nota que há uma busca pelos livros de literatura, de conteúdo, é muito bom”.

Confira a lista completa dos livros:

1º – Tenda dos Milagres, de Jorge Amado

2º – Essa Terra, de Antônio Torres

3º – Além de Estar: Antologia Poética, de Helena Parente Cunha

4º – O Largo da Palma, de Adonias Filho

5º -O Desterro dos Mortos, de Aleilton Fonseca

5º – A Vida e A Morte de Quincas Berro D’Água, de Jorge Amado

6º – A Cabana, de William P. Young

7º – Macunaíma, de Mário de Andrade

8º – Os 13 Porquês, de Jay Asher

9º – Um Mais Um, de Jojo Moyes

10º – Vidas Secas, de Graciliano Ramos

11º – Harry Potter e a Câmara Secreta, de J.K.Rowling

12º – A Última Tragédia, de Abdulai Sila

13º – A Gloriosa Família, de Pepetela

14º – Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago

15º -A Menina que roubava livros, de Markus Zusak

16º – Harry Potter e a Pedra Filosofal, de J.K. Rowling

17º – Nunca desista de seus sonhos, de Augusto Cury

18º – Crime e Castigo, de Fiodor Dostoiévski

19º – A última carta de amor, de Jojo Moyes

20º – Só o amor consegue, de Lucius (Espírito)

21º – Gabriela, Cravo e Canela, de Jorge Amado

22º – Desaparecidas, de Tess Gerritsen

23º – O Aliciador, de Donato Carrisi

24ª – Fortaleza Digital, de Dan Brown

25º – Em Chamas, de Suzanne Collins

26º – Depois de Você, de Jojo Moyes

27º – Quem é você, Alasca?, de John Green

28º – A Coisa, de Stephen King

29º – Lolita, de Vladimir Nabokov

30º – 1889, de Laurentino Gomes

31º – O caçador de pipas, de Khaled Hosseini

32º – A Culpa é das Estrelas, de John Green

33º – A Deusa Cega, de Anne Holt

34º – A Guerra dos Tronos – Vol. 1, de George R. R. Martin

35º – A Garota Italiana, de Lucinda Riley

36º – O Ladrão de Raios, de Rick Riordan

37º – A Casa de Hades, de Rick Riordan

38º – O príncipe maldito, de Mary Del Priore

39º – Harry Potter e o prisioneiro de Azkaban, de J. K. Rowling

40º – A Estrela que Nunca Vai se Apagar, de Esther Earl

Flipelô: Salvador terá evento internacional de literatura

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Roberto Aguiar, em A Tarde

Evento terá debates, lançamentos de livros, oficinas literárias, saraus

Evento terá debates, lançamentos de livros, oficinas literárias, saraus

Salvador entra no cenário dos grandes eventos de literatura do país com a primeira Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), que acontece de 9 a 13 de agosto, ocupando 11 espaços do bairro histórico da capital baiana. Serão mais de 50 atividades entre saraus, conferências, apresentações teatrais, contação de história e lançamento de livros. A abertura será às 20h na Igreja de São Francisco, com um Sarau de Maria Bethânia, em uma apresentação para convidados.

A Flipelô é parte da comemoração dos 30 anos da Fundação Casa de Jorge Amado e homenageará Jorge Amado, Zélia Gattai e Myriam Fraga.

O evento é uma realização da Fundação casa de Jorge Amado, em co-realização com o SESC. Tem o apoio do Ministério da Cultura, Instituto CCR e Governo do Estado da Bahia.

O Secretário Estadual de Cultura, Jorge Portugal, informou que lançará seu primeiro livro de ficção, ‘Porque o Suabé não molha o mapa’, na Flipelô.

A jornalista do A TARDE Kátia Borges, Moares Moreira, Jussara Silveira, Emicida, Jackson Costa e o Professor Pasquale são outros nomes de destaques da primera edição do Flipelô. Entre as participações Internacionais, destaque a para a jornalista portuguesa Alexandra Kucas Coelho e a romancista Leonora Milano, da França, com origem camaronesa, cuja obra reflete sobre a diáspora negra.

Os livros terão o Terreiro de Jesus como o ponto de encontro das bibliotecas itinerantes. As crianças terão a Festa dos Erês, na Areba Sesc.

A programação completa da Flipelô estará disponível, a partir das 15h, no site do evento. Toda a programação será gratuita.

*Sob supervisão do editor-coordenador Marcos Casé.

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