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Morre aos 94 anos a escritora de livros infantil-juvenis Tatiana Belinky

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Tatiana nasceu na Rússia e mudou-se para o Brasil aos 10 anos.
Ela é considerada uma das mais importantes autoras do segmento no país.

Tatiana Belinky em foto tirada em 1993 (Foto: Protásio Nene/Estadão Conteúdo/Agência Estado)

Tatiana Belinky em foto tirada em 1993 (Foto: Protásio Nene/Estadão Conteúdo/Agência Estado)

Publicado no G1

A escritora de livros infantil-juvenis Tatiana Belinky, de 94 anos, morreu na tarde deste sábado (15) no Hospital Alvorada, em São Paulo, após 11 dias internada, segundo a assessoria de imprensa do hospital, que não soube informar a causa da morte.

Tatiana Belinky é autora de mais de 250 livros, que lhe renderam diversos prêmios educacionais, e tradutora de muitas obras, entre elas contos do escritor russo Anton Tchekhov.

Ela nasceu em São Petersburgo, na Rússia, em 1919, e aos 10 anos mudou-se com a família para o Brasil, instalando-se em São Paulo. Na época, ela já falava três línguas: russo, alemão e letão.

A autora trabalhou como secretária bilíngue durante alguns anos, até se casar com Julio de Gouveia, com quem teve dois filhos, cinco netos e ao menos três bisnetos.

Em 1948, começou a fazer teatro para crianças, junto com o marido, para a Secretaria de Cultura da Prefeitura de São Paulo, adaptando e traduzindo textos teatrais que Julio produzia e encenava.

Com o advento da televisão, o grupo teatral de Tatiana foi convidado a apresentar suas peças na “TV Tupi”, onde realizou espetáculos de tele-teatro ao vivo, com textos sempre baseados em livros, entre 1951 a 1964. Os roteiros eram escritos pela autora, a maioria adaptados da literatura nacional e internacional.

Mais tarde, Tatiana e seu marido adaptaram para a televisão o Sítio do Pica-pau Amarelo, de Monteiro Lobato, com cerca de 350 capítulos, além de diversas minisséries criadas a paritr de romances famosos.

Belinky também escreveu críticas literárias para diversos jornais durante a vida, como “O Estado de S.Paulo”, “Folha de São Paulo” e “Jornal da Tarde”. Ela ainda colaborou com a “TV Cultura”.

De acordo com a família, o enterro será às duas horas da tarde deste domingo (16) no cemitério israelita da Vila Mariana, em São Paulo.

Para ler na escola

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Jairo Marques, na Folha de S.Paulo

Fico imaginando o quanto deve doer o “Coração de Estudante” do Milton Nascimento ao ser bombardeado com imagens de professores com suas caras arroxeadas que não param de aparecer na televisão, nos jornais, nas “internets” e nos hospitais.

Professor pega gripe de menino catarrento que dá bom-dia com beijo, faz curativo no atentado que se rasgou na hora do recreio, é o psicólogo preferido do adolescente meio “revolts” e o defensor-mor da igualdade no reino das diferenças que imperam em uma escola.

Agora, porém, o respeito, a consideração e a admiração ao mestre, valores intocáveis e inquestionáveis, parecem que estão sucumbindo a qualquer mimo, a qualquer charme, a quaisquer garotões ou garotonas bobos que se acham, mas que, no fundo, estão bem perdidos.

Professor é o cara que entrega para a gente, em alguns casos, quase de graça, uma chave universal que destranca portas ao longo de toda a trajetória de vida. Mesmo assim, a tranca da ignorância de quem acha que ensinar é algo ultrapassado parece estar ganhando adeptos com velocidade.

Quero ver o Google inspirar a pensar que, talvez, o segundo resultado de uma pesquisa seja mais íntegro e válido do que o primeiro link apresentado. Duvido que haja jogos on-line mais interessantes do que um bom debate sobre a danada da Capitu.

De nada valem aplicativos geniais e vídeos engraçados no YouTube se alguém não ensina o que é a ironia, o que são os efeitos da trigonometria, a importância do porto de Alexandria, a razão por que tantos buscam isonomia e os relevos da geografia.

Passou da hora de a galera do fundão reagir criando uma marchinha de agrado ao professor. E também é momento de os nerds fazerem uma campanha no ciberespaço de valorização do conhecimento.

As bonitas poderiam ajudar a dar um up no make caído que fazem para o “prô”. A galera da timidez poderia preparar um grito bem gritado de “cheeeega”, de cale-se e preste atenção, que é meu futuro o que está no gramado. Aos puxa-sacos caberia fazer redondilhas cheias de xodó.

Quando a violência não é mais um tema da rua e de ambientes hostis, em que a gente tem sempre um político safado a quem impor a responsabilidade, e começa a ser fotografada dentro do palco maior de aprendizado, a escola, parece que o futuro está avisando, com calafrios, que ficará doente.

Este texto não é para ser lido na escola porque vai cair na Fuvest nem trata de um tema modernoso, que não para de ser discutido nos mundos acadêmicos. Ele também não tem palavrão caprichado e escracho sujão para se morrer de achar bom, compartilhar com os amigos.

Ele só serve para lembrar e reafirmar que escola e professor são fundamentos que instigam acordar para fazer melhor, para ganhar mais uma dose de estímulo para ir além. Não é a história de um fulano em uma caverna distante que é afetada quando um mestre apanha de um aluno. É a história que você está construindo para seus filhos e para si mesmo.

Que as caras manchadas dos prófis sejam de tanto rir de conquistas daqueles a quem se doaram ou pela maquilagem escorrida de tanto chorar de orgulho por aqueles a quem se dedicaram. E desculpe-me do tom professoral.

Dicas para conservar os livros da sua estante

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Criar espaço entre livros e puxá-los da prateleira pelo meio da lombada estão entre as sugestões para manter o cantinho literário bem cuidado

Publicado em O Globo

Estante curva sob medida para um nicho na sala criada pela dupla Christiane Laclau e Rafael Borelli Terceiro / Divulgação

Estante curva sob medida para um nicho na sala criada pela dupla Christiane Laclau e Rafael Borelli Terceiro / Divulgação

Sua estante de livros anda bagunçada, com as páginas de algumas publicações amareladas e tão soltas que já mudaram o rumo de seus romances prediletos. Não bastasse isso, traças e fungos estão prejudicando a integridade dos livros. Mas calma, pois é possível criar um novo desfecho para essa história. A designer e restauradora de livros Christiana Lee, associada da ABER (Associação Brasileira de Encadernação e Restauro), dá algumas dicas de como dar vida nova para o seu cantinho literário.

Luz

Posicione a sua estante em locais protegidos do sol e da iluminação direta dos ambientes internos. Uma grande incidência de luz, seja ela natural ou artificial, faz com que os livros fiquem amarelados e desbotados, além de adiantar o processo de acidez natural em publicações em papel de madeira (modernos). Jornais têm uma maior tendência a amarelar, por isso, é bom guardá-los em caixas ou encaderná-los.

Espaço na estante

Quando o livros estiverem em pé, deixe um espaço entre eles e o fundo da estante (ou parede) para o ar circular

Poeira

A poeira que fica acumulada sobre o livro escurece o corte e pode se instalar no meio das folhas. Passe um espanador de plumas sobre os livros ao menos uma vez por semana. Um vez por ano, limpe os livros por dentro passando uma trincha de cerdas macias bem perto da costura, apenas nas 10 páginas iniciais e finais. Se o livro estiver muito sujo, faça isso em todas as páginas.

Cheiro ruim

Livros que ficam muito tempo sem serem abertos tendem a ficar com cheiro ruim. Livros são para serem lidos e não guardados. Para tirar o odor, deixe o livro aberto em local seco e ventilado (naturalmente) por algumas horas, sempre alternado as páginas que estão abertas.

Lembranças

Nunca guarde flores, plantas, papéis de bombom e similares dentro do livro, pois pode manchá-lo e facilitar o aparecimento de fungos e bichos.

Fita adesiva

Nunca utilize fitas adesivas, como crepe ou durex, para consertar um livro. Com o tempo, a cola solta da fita e fica permanentemente no livro, manchando-o e aumentando a acidez das páginas. Se um livro começar a “desmontar”, procure um profissional.

Cadernos soltos

Nunca segure um livro por uma só capa ou puxe-o da estante pela lombada. Com o tempo, a capa solta e estraga a encadernação.

Retirando livros da estante

Para tirar um livro da estante, empurre os dois livros ao lado para trás e puxe o livro pelo meio da lombada. Para colocar, puxe os dois livros para frente coloque o livro no meio e empurre os três juntos até a posição.

Pilha de livros:

Quando estiverem deitados, o ideal é que os livros tenham o mesmo tamanho. Se forem de tamanhos diferentes faça uma pirâmide, coloque o maior embaixo e o menor por cima. Mas não coloque muitos livros pois, com o tempo, o peso marca o livro que estiver embaixo.

Para mais informações, consulte também o site da Aber!

Agonias ilustradas

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Jeferson Bandeira, no Portal Cronópios

Cavalo de Troia

Da dor fez palavras. Congelada chaga em fingidas páginas. O infeliz, ao abrir o livro, sedento por antídoto, não mais escapa ao inexorável abismo.

Felicidade clandestina

Primeiro encontro, inesquecível. Opondo-se às amigas, passa escondida e afobada às estantes. Acuada, cola-o ao peito. De sôfrega a corada, exala o aroma da eterna descoberta.

Hipocondríaco

Só havia um remédio: suicidou-se.

Fé no amor

Num passe, baixou-lhe um espírito sinistro: o amante da mulher. Fez revelações assombrosas e únicas. Cético, largou a mediunidade.

Dia da caça

– Parado, ou eu atiro.
Pobre Cupido, não imaginava ser Hermes aquele homem transvestido.

Passagem

Dois olhos se apagam na terra. Brilha nova estrela no céu.

Grande cartada

Amapola descobriu os dentes de ouro da avó. Numa jogada de mestre, cobriu sua dívida de pó. Mês que vem estuda abrir o túmulo do avô.

ABC

Desejo de infância. No órfão vagar pelas agruras do destino, tropeça num surrado dicionário, obsoleto e desprovido do V. Atroz sina, nunca conceber o sentido da palavra vida.

Quase quixotesco

À noite, picava lençóis. Vencia, a bengaladas, o ventilador. Franzino, guardado pela sobrinha, Alonso amava novelas de cavalaria. Só não amaria uma Dulcineia. Odiava analogias.

Luar sem pouso

Nas temerosas noites de inverno, se envolvia em papelões e desprezados jornais. Tão branca, deitada naquela atmosfera negra e fria da calçada, fazia de ninho o colo do menino.

Multifuncional

Na identidade, masculino. No jeito de ser, feminino. No trabalho, o que o cliente pedisse.

*Micronarrativas do livro Agonias ilustradas

*Micronarrativas do livro Agonias ilustradas

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