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Cabu, Charb, Tignous e Georges Wolinski são mortos em atentado a jornal na França

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Saiba quem eram os cartunistas; ataque deixou 12 mortos e 10 feridos

Bruno Silva, no Omelete

Os cartunistas franceses Charb, Cabu, Tignous e Georges Wolinski foram assassinados em um atentado terrorista à redação da revista satírica Charlie Hebdo, em Paris, nesta quarta-feira (7). Segundo a polícia francesa, o ataque com rifles automáticos deixou 12 mortos e 10 feridos (quatro em estado grave).

A revista já havia sido alvo de um ataque, após publicar uma charge do profeta Maomé. Segundo a polícia francesa, que já protegia a sede da Charlie Hebdo desde 2006, quando as primeiras caricaturas de Maomé foram publicadas, os autores do atentado desta quarta teriam gritado “Vingamos o Profeta!”, em referência à charge que irritou os extremistas.

Georges Wolinski

Georges Wolinski

Georges Wolinski tinha 80 anos e começou sua carreira nos anos 1960, na revista satírica Hara-Kiri. Em meio aos revolucionários protestos estudantis de 1968, Wolinski cofundou a revista satírica L’Enragé, com Siné. Na década de 1970, ele colaborou com Georges Pichard para criar a controversa personagem Paulette, na revista Charlie Mensuel. No Twitter, o cartunista André Dahmer (Malvados), lamentou sua morte. “Wolinski influenciou todo mundo que vocês conhecem: Ziraldo, Jaguar, Nani, Henfil, Fortuna… O cara era uma escola. Que dia tenebroso!”, escreveu.

Cabu

Cabu

Morto aos 76 anos, Cabu (nome artístico de Jean Cabut) também começou a carreira nos anos 1960 e foi um dos fundadores da Hara-Kiri. Nos anos 1970 e 1980, ficou famoso ao desenhar para o programa infantil Récré A2. Sua criação mais popular é Mon Beauf, uma sátira do esterótipo machista e racista do francês que, de tão popular, acabou virando um adjetivo para todos os homens com esse tipo de comportamento na França.

Charb

Charb

Charb (nome artístico de Stéphane Charbonnier) tinha 47 anos e era o diretor do Charlie Hebdo. Sua carreira foi marcada por tiras com críticas ao governo, como Maurice et Patapon, que tinha um cachorro e um gato anti-capitalistas. Charb também era ligado ao Partido Comunista Francês. Em 2013, após a publicação da charge de Maomé, ele foi colocado na lista de mais procurados da organização terrorista Al-Qaeda.

Tignous

Tignous

Morto aos 58 anos, Tignous (nome artístico de Bernard Velhac), começou a publicar em 1991 e, além da Charlie Hebdo, também desenhou para as revistas Marianne e Fluide glacial.

Livro de Cristóvão Tezza é indicado por jornal britânico entre os melhores do ano

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Wilame Prado no O Diario

O premiado romance “O Filho Eterno” (Editora Record), de Cristovão Tezza, está na lista dos melhores livros do ano do jornal britânico de negócios The Financial Times. A lista foi feita por redatores, jornalistas e pessoas convidadas.

Tezza, catarinense radicado em Curitiba, atua como cronista e escritor na capital e publicou o livro em 2007. O romance, listado entre as ficções traduzidas, foi selecionado pelo jornalista de literatura em Cambridge Ángel Gurría-Quintana.

O The Financial Times descreve o livro do autor catarinense radicado em Curitiba como “uma obra de inabalável honestidade e humanidade lancinante”.

“O Filho Eterno” venceu os principais prêmios literários do Brasil, incluindo o Jabuti de melhor romance e o Prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA) de melhor livro de ficção, ambos em 2008. A edição francesa do livro recebeu, em 2009, o Prêmio Charles Brisset, concedido pela Associação Francesa de Psiquiatria.

Ser escritor no Brasil é a mais patética das profissões, diz jornal americano

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The New York Times cita ainda dificuldades de professores, matemáticos e historiadores

Publicado no R7

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Paulo Coelho é considerado exceção por reportagem de diário americano / François Mori/24.04.2007/AP

O jornal norte-americano The New York Times afirmou, em reportagem publicada em seu site no último fim de semana, que ser escritor no Brasil é a “mais patética de todas as profissões”.

O diário inicia a reportagem dizendo que os escritores brasileiros participaram de diversos encontros literários em países como Alemanha, Suécia e Itália, mas, mesmo assim, a carreira é desprezada no País.

O The New York Times adverte que, se você for ao Brasil, “não conte a ninguém sobre seu real ofício”. A publicação afirma que “não apenas vão negar seu cartão de crédito na mercearia, mas certamente eles irão rir de você e ainda vão questionar”.

— Não, sério, o que você faz para sobreviver?

A publicação, porém, lembra de Paulo Coelho, que é visto como dono de uma vasta, útil e lucrativa coleção de livros publicados.

O jornal destaca ainda que os escritores não estão sozinhos nessa jornada. Segundo a edição 2013 do ranking Global Teacher Status Index (Indicador Global de Professores, em tradução livre), referente à qualidade de vida dos educadores, o Brasil figura próximo da última posição na lista que reúne 21 países.

Em média, os professores recebem R$ 43 mil (US$ 18,5 mil) por ano, comparado com R$ 104 mil (US$ 44,9 mil) nos Estados Unidos. No entanto, quando são considerados professores de escolas públicas, o salário anual cai para R$ 18,6 mil (US$ 8.000). O jornal ainda revela que apenas 2% dos estudantes de segundo grau querem se tornar professores.

De acordo com o jornal, assim como nos Estados Unidos, artistas, atletas e executivos de negócios estão entre as carreiras mais bem pagas no Brasil. Ao contrário dos Estados Unidos, porém, a média salarial de um matemático, filósofo ou historiador é de menos de R$ 28 mil (US$ 12 mil) por ano.

A explicação da autora da reportagem, que também é escritora e é brasileira, para o descaso com tais profissões é que os brasileiros leem menos de quatro livros por ano, dois deles apenas de forma parcial. Entre as principais razões estão a falta de tempo (53%), a falta de interesse (30%) e a preferência por outras atividades (21%).

A escritora brasileira que assina o texto, Vanessa Bárbara, usa seus números para ilustrar o cenário precário da profissão no País.

— Eu escrevi um livro em 2008, que venceu um prêmio literário e recentemente vendeu a cópia de número 3.000. O livro custa, em média, US$ 15 (R$ 34,8), o valor repassado para o autor é de 5%, então, eu recebia US$ 0,75 (R$ 1,34) por cada cópia vendida. Pelo livro que eu levei um ano para escrever e mais quatro anos para vender, eu recebi em torno de US$ 2.250 (R$ 5.220). Deveria ter destinado meu corpo para a ciência.

*Colaborou Alexandre Garcia, estagiário do R7

Alunos de colégio de Joinville criam jornal para desenvolver escrita e leitura

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Atividade aproveitou gostos e capacidades dos estudantes do ensino médio na elaboração do material

Publicado no Jornal de Santa Catarina

Diorgenes Pandini / Agencia RBS

Diorgenes Pandini / Agencia RBS

Essa é para os jovens do ensino médio. Como treinar a língua portuguesa, trabalhar em grupo e incentivar a leitura de um jeito que não fique só nas rotina da sala de aula? Alunos do Colégio Conexão, no bairro Saguaçú, na região central de Joinville, encontraram uma maneira: produziram o primeiro jornal impresso da escola, apresentado nesta quinta aos alunos.

A ideia nasceu do professor de história Cristiano Abrantes lá por abril. A professora de redação e produção de texto, Jozi Elen Fleck, ajudou, então, a incrementá-la. Passou a ser tarefa de sala do primeiro e do segundo ano do ensino médio trabalhar textos opinativos, reportagens, crônicas e até charges (desenhos), como em um jornal de verdade.

As produções dos alunos passaram a compor o material para o jornal de 12 páginas. Cada estudante se envolveu com uma tarefa e a produção foi além do horário de aula. Mesmo sem valer nota, segundo os professores, a atividade deu mais certo do que outras tarefas comuns de sala de aula no envolvimento dos alunos e nos resultados.

Estudantes como Matheus Marinho, de 17 anos, do primeiro ano, aproveitaram a iniciativa para pôr em prática seu gosto por design gráfico. Ele diagramou o jornal, a parte que consiste em montar fotos, textos e ilustrações nas páginas.

— Aproveitei os conhecimentos em um curso de design que terminei e coloquei em prática no jornal — diz Matheus.

Juliana Goulart, 17, do segundo ano, que gosta de desenhar, fez a charge. Lana Peters, 16, e Carolina Barosso, 16, do segundo ano, e Thays Machado, 16, e Heloise Patrício, 15, também colaboraram com crônicas, artigos, desenhos e outras produções.

— Aprendemos mais sobre a profissão do jornalista e o desafio que é fazer um jornal — comenta Carolina.

A professora Jozi explica que os alunos tiveram uma aula especial com uma jornalista convidada para ajudar na tarefa e receberam a visita de um escritor, que se tornou a matéria de capa do jornal. O material didático utilizado em aula, que incentiva a leitura e produção de textos jornalísticos, também foi um incentivo, segundo ela.

Os alunos já falam em fazer uma segunda edição do jornal. O contato com a reportagem de “A Notícia”, na quinta, não só ajudou a turma a tirar mais dúvidas sobre a profissão como a já pensar em novos desafios, como matérias que interessem cada vez mais ao universo dos estudantes e, quem sabe, experiências na internet para as próximas tarefas.

‘Venci’, diz ex-catadora de latinhas do DF que passou em concurso do TJ

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Marilene Lopes trocou renda mensal de R$ 50 por salário de R$ 7 mil.
‘Passei um ano com uma só calcinha’, lembra a hoje técnica judiciária.

Raquel Morais, no G1

Uma catadora de latinhas do Distrito Federal conseguiu passar em um concurso para o Tribunal de Justiça estudando apenas 25 dias durante período de repouso por causa de uma cirurgia. Ela trocou uma renda mensal de R$ 50 por um salário de R$ 7 mil. “Foi muito difícil. Hoje, contar parece que foi fácil, mas eu venci”, diz. Agora, ela diz que pensa em estudar direito.

Ex-catadora de latinhas Marilene Lopes e os filhos em frente ao barraco em que moravam em uma invasão em Brazlândia, no Distrito Federal (Foto: Marilene Lopes/Arquivo pessoal)

Ex-catadora de latinhas Marilene Lopes e os filhos em frente ao barraco em que moravam em uma invasão em Brazlândia, no Distrito Federal (Foto: Marilene Lopes/Arquivo pessoal)

Sem dinheiro nem para comprar gás e obrigada a cozinhar com gravetos, Marilene Lopes viu a vida dela e a da família mudar em 2001, depois de ler na capa de um jornal a abertura das inscrições para o concurso do Tribunal de Justiça do Distrito Federal.

Ela, que até então ganhava R$ 50 por mês catando latinhas em Brazlândia, a cerca de 30 quilômetros de Brasília, decidiu usar os 25 dias de repouso da cirurgia de correção do lábio leporino para estudar com as irmãs, que tinham a apostila da seleção. Apenas Marilene foi aprovada.

Nunca tinha nem fruta para comer. Eu me lembro que passei um ano com uma só calcinha. Tomava banho, lavava e dormia sem, até secar, para vestir no outro dia. Roupas, sapato, bicicleta [os filhos puderam ter depois da aprovação no concurso]. Nunca tive uma bicicleta”
Marilene Lopes, ex-catadora de latinhas que hoje trabalha no TJDF

“Minha mãe disse que, se eu fosse operar, ela cuidava dos meninos, então fui para a casa dela. Minha mãe comprou uma apostila para as minhas irmãs, aí dei a ideia de formarmos um grupo de estudo. Íamos de 8h às 12h, 14h às 18h e de 19h às 23h30. Depois eu seguia sozinha até as 2h”, explica.

O esforço de quase 12 anos atrás ainda tem lugar especial na memória da família. Na época, eles moravam em uma invasão em Brazlândia.

Marilene já havia sido agente de saúde e doméstica, mas perdeu o emprego por causa das vezes em que faltou para cuidar das crianças. Como os meninos eram impedidos de entrar na creche se estivessem com os pés sujos, ela comprou um carrinho de mão para levá-los e aproveitou para unir o útil ao agradável: na volta, catava as latinhas de alumínio.

Segundo ela, a situação durou um ano e meio, e na época a família passava muita fome. “Nunca tinha nem fruta para comer. Eu me lembro que passei um ano com uma só calcinha. Tomava banho, lavava e dormia sem, até secar, para vestir no outro dia. Roupas, sapato, bicicleta [os filhos puderam ter depois da aprovação no concurso]. Nunca tive uma bicicleta”, conta.

Mesmo para se inscrever na prova Marilene, que é técnica em enfermagem e em administração, encontrou dificuldades. Ela lembra ter pedido R$ 5 a cada amigo e ter chegado à agência bancária dez minutos antes do fechamento, no último dia do pagamento. E o resultado foi informado por uma das irmãs, que leu o nome dela no jornal.

“Tinha medo [de não passar] e ao mesmo tempo ficava confiante. Sabia que se me dedicasse bem eu passaria, só precisava de uma vaga”, diz. “Dei uma flutuada ao ver o resultado. Pedi até para minha irmã me beliscar.”

Ganhando atualmente R$ 7 mil, a técnica judiciária garante que não tem vergonha do passado e que depois de formar os cinco filhos pretende ingressar na faculdade de direito. “Mesmo quando minhas colegas passavam por mim com seus carros e riam ao me ver catando latinhas com o meu carrinho de mão eu não sentia vergonha. E meus filhos têm muito orgulho de mim, da nossa luta. Eles querem seguir meu exemplo.”

Marilene já passou pelo Juizado Especial de Competência Geral, 2ª Vara Cível, Órfãos e Sucessões de Sobradinho, 2ª Vara Criminal de Ceilândia, 12ª Vara Cível de Brasília e Contadoria. A trajetória dela inspira os colegas. Por e-mail, o primeiro chefe, o analista Josias D’Olival Junior, é só elogios. “A sua história de vida, a sua garra e o seu caráter nos tocavam e nos inspiravam profundamente.”

Servidora do Tribunal de Justiça do Distrito Federal Marilene Lopes, que foi catadora de latinhas (Foto: Marilene Lopes/Arquivo pessoal)

Servidora do Tribunal de Justiça do Distrito Federal
Marilene Lopes, que foi catadora de latinhas
(Foto: Marilene Lopes/Arquivo pessoal)

A técnica afirma ainda que não se arrepende de nada do que passou, nem mesmo de ter tido cinco filhos – como diz terem comentado amigos. “Ainda hoje choro quando me lembro de tudo. Eu não tinha gás e nem comida e não ia falar pra minha mãe. Se falasse, ela me ajudaria, mas achava um abuso. Além de ficar 25 dias na casa dela, comendo e bebendo sem ajudar nas despesas, ainda ia pedir compras ou o dinheiro para o gás? Ah, não. Então assim, quando passei, foi como se Deus me falasse ‘calma, o deserto acabou’.”

Da época de catar latinhas, Marilene diz que mantém ainda a qualidade de ser supereconômica. Ela afirma que não junta mais alumínio por não encontrá-los mais na rua. “As pessoas descobriram o valor, descobriram que dá para vender e juntar dinheiro”. Já as irmãs com quem estudou, uma se formou em jornalismo em 2011 e outra passou quatro anos depois no concurso do TJ de Minas Gerais, e foi lotada em Paracatu.

Dificuldades

O primeiro problema enfrentado por Marilene veio na posse do concurso. A cerimônia ocorreu três dias após o nascimento do quinto filho, em um parto complicado. A médica não queria liberá-la para a prova, mas só consentiu com a garantia de que ela voltaria até 18h30. Por causa do trânsito, a catadora se atrasou em uma hora.

“A médica chamou a polícia dizendo que eu tinha abandonado meu filho. É que eu estava de alta, mas o bebê não, e ele precisava tomar leite no berçário enquanto eu estivesse fora”, lembra. “A enfermeira ligou para a polícia do hospital e explicou a situação e aí pararam de me procurar. A médica me deixou com o problema e foi embora, no término do plantão dela.”

Resolvida a situação, Marilene e a família viveram bem até 2003, quando o marido resolveu sair de casa. O homem, que já havia sido preso por porte ilegal de arma, havia “se deslumbrado” com a situação econômica da mulher. A casa e o carro comprados a partir do salário do tribunal precisaram ser divididos.

Atualmente, ela mora com os filhos na casa de um amigo, na Estrutural, enquanto aguarda a entrega de um apartamento de três quartos em Águas Claras. Marilene tem uma moto e, junto com uma das irmãs, está pagando um consórcio para comprar um carro zero.

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