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A dama dos livros raros no centro de São Paulo

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A LIVREIRA MARISTELA CALIL E UMA DAS OBRAS RARAS DE SEU SEBO | FOTO: SU STATHOPOULOS

A LIVREIRA MARISTELA CALIL E UMA DAS OBRAS RARAS DE SEU SEBO | FOTO: SU STATHOPOULOS

Cristina Camargo, no Roteiros Literários

Centenas de livros ainda encaixotados nos corredores da Livraria Calil Antiquaria, no centro de São Paulo, são a prova da força de uma tradição familiar. Foram comprados pela livreira Maristela Calil, 53, herdeira do bibliófilo Líbano Calil, amigo de Monteiro Lobato, Tarsila do Amaral e José Mindlin, entre outros homens e mulheres das letras e das artes.

Maristela administra um acervo valioso. São mais de 300 mil livros raros, entre primeiras edições, exemplares autografados e antigos que estão entre os únicos no Brasil. Ela herdou a livraria do pai e ampliou o acervo ao longo dos anos ao adquirir bibliotecas particulares inteiras, entre elas os 15 mil volumes que recheavam as estantes da casa de Luís Arrobas Martins, secretário da Fazenda no governo Abreu Sodré e conhecido colecionador.

Não há mais espaço na livraria localizada no nono andar de um prédio antigo na Barão de Itapetininga (nº 88), rua conhecida no passado por ser ponto de encontro de intelectuais e artistas. Mesmo assim, Maristela não resiste ao ser procurada por famílias interessadas em comercializar bibliotecas inteiras que correm o risco de ser desfeitas sem um comprador especializado.

Não desmanchar essas bibliotecas é uma das missões da grande dama dos livros em São Paulo. Além disso, ela sabe que suas raridades têm grande valor comercial e os milhares de livros acumulados são encarados como um investimento com retorno garantido.

Maristela aprendeu com o pai, filho de libanês e colecionador de livros desde a infância. Líbano Calil guardava o dinheiro do sorvete e do cinema para abastecer sua biblioteca. Ao transformar o prazer em trabalho, era meticuloso ao separar o que ficaria em sua livraria e o que iria para a coleção particular.

“Muitas vezes ele comprava em várias prestações. Adquiriu o prazer pela leitura. E foi comprando, comprando…”, conta a filha.

O resultado são 13 mil volumes mantidos na casa da família, no Ipiranga, em São Paulo. Maristela é a administradora do acervo e, por ironia do destino, vive o mesmo dilema das famílias que a procuram para vender suas bibliotecas.

DETALHE DA LIVRARIA CALIL, NO CENTRO DE SÃO PAULO. É O MAIS ANTIGO SEBO E LIVRARIA ANTIQUÁRIA DA CIDADE| FOTO: SU STATHOPOULOS

DETALHE DA LIVRARIA CALIL, NO CENTRO DE SÃO PAULO. É O MAIS ANTIGO SEBO E LIVRARIA ANTIQUÁRIA DA CIDADE| FOTO: SU STATHOPOULOS

Ela não quer vender separadamente os livros raros adquiridos pelo pai ao longo da vida. Líbano morreu em 1993, aos 60 anos. Deixou a biblioteca para a viúva, hoje com 89 anos. É uma vasta coleção brasiliana e histórica. A filha precisa dividir o tempo entre a livraria e a biblioteca. Colocou o acervo à venda e se esforça para que ele seja repassado inteiro, sem que a valiosa coleção montada pelo pai seja desmanchada.

Entre as raridades estão livros como o que reúne cartas enviadas por Dom Pedro I a Portugal, um exemplar de 1925 de “Pau Brasil”, de Oswald de Andrade, a coleção machadiana com todas as primeiras edições e milhares de livros sobre a história brasileira, paulista e também o catolicismo.

Está lá também a obra “Brasilianas”, de 1863, assinada pelo pintor, caricaturista, arquiteto, crítico, historiador e escritor Manuel de Araújo Porto Alegre, tema de exposição no Instituto Moreira Salles.

São exemplares autografados, únicos, primeiras edições e documentos originais e manuscritos. Oitenta por cento dos exemplares estão encadernados, o que ajuda na conservação.

No final da vida, Líbano autorizava apenas dois amigos muito próximos a entrarem em sua biblioteca. Temia visitantes inconvenientes, que poderiam pedir um dos exemplares emprestado.

O acervo, autenticado pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), já despertou o interesse de órgãos públicos. As negociações, no entanto, não prosperaram.

Livraria – Maristela já perdeu as contas de quantas bibliotecas inteiras comprou para sua livraria. A especialidade são obras sobre o Brasil, principalmente na área de humanas. Diariamente, a livreira recebe pedidos por telefone, cartas, pessoalmente e, claro, pela internet.

Poderia manter tudo num depósito, mas prefere conservar o belo e agradável espaço na rua Barão de Itapetininga. É por causa dos clientes que fazem questão de realizar as compras pessoalmente. São aqueles que gostam de manusear e sentir o cheiro dos livros. Cheiro, aliás, perceptível nos primeiros passos dados na livraria.

A LIVREIRA MARISTELA CALIL | FOTO: SU STATHOPOULOS

A LIVREIRA MARISTELA CALIL | FOTO: SU STATHOPOULOS

Encontram, além dos livros raros, muitas gravuras sobre o Brasil e música clássica para deixar o clima ainda mais requintado. Também costumam ser apresentados a estantes que já pertenceram ao empresário Antônio Ermírio de Moraes, morto recentemente. Elas foram compradas por Maristela quando o ex-político começou a desmontar parte de seu acervo.

“É mentira dizer que o Brasil é um país que não lê”, garante Maristela com a autoridade de quem vende livros diariamente, alguns a preços altos. Tem mais. Ela recebe leitores jovens, em busca de orientação.

A livreira investe na restauração de publicações que chegam às suas mãos em condições ruins. E, com sua bagagem, costuma orientar outros livreiros em dificuldades.

“Faço tudo para as livrarias não fecharem. Um país se faz com leitores”.

O centro de São Paulo mantém a beleza arquitetônica, mas não vive seus melhores dias. Tem muito lixo na rua, comércio ambulante desordenado e dezenas de sem-teto espalhados pelas calçadas. Mesmo assim, a dama dos livros raros resiste.

“O centro ainda é um grande ponto de encontro”, explica. Inclusive para quem não abandona a paixão pelas palavras.

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Os cem autores indicados por José Mindlin

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Lista de 1993 tem prosa, poesia, clássicos, contemporâneos, História e crítica

Foto: IstoÉ

Foto: IstoÉ

Publicado em O Globo

José Mindlin achava muito difícil escolher só cem livros prediletos. Nesta lista, incluída no livro “A loucura mansa de José Mindlin”, que a Editora USP lança em novembro, ele adotou uma solução intermediária: em vez de cem títulos, escolheu cem autores; e indicou um livro de cada, mas ressaltando que outros livros também podem ser de interesse para o leitor. Feita em julho de 1993, a ideia da lista era é abrangente, incluindo prosa e poesia, clássico e contemporâneos, além de indicações no campo da História e da crítica literária.

Confira:

As Mil e Uma Noites

Adélia Prado – Bagagem

Alain-Fournier – Grande Meaulnes

Alexandre Dumas – Os Três Mosqueteiros

Anatole France – A Ilha dos Pinguins

Antonio Candido – Formação da Literatura Brasileira

Antônio Vieira – Sermões

Balzac – A Comédia Humana

Barbara Tuchman – A Torre do Orgulho

Baudelaire – As Flores do Mal

Beaumarchais – Teatro

Benjamin Constant – Adolfo

Bernard Shaw – Teatro (com prefácios)

Boccaccio – Decameron

Camões – Lírica e Os Lusíadas

Camus – A Peste

Carlos Drummond de Andrade – Poesia Completa

Casanova – Memórias

Castro Alves – Poesia Completa

Cecília Meirelles – Poesia Completa

Cervantes – Dom Quixote

Cyro dos Anjos – O Amanuense Belmiro

Defoë – Robinson Crusoé

Dickens – Grandes Esperanças

Diderot – Jacques, o Fatalista

Dostoiévski – Crime e Castigo

Eça de Queirós – Os Maias

Elisabeth Barrett Browning – Poemas

Emily Brontë – O Morro dos Ventos Uivantes

Emily Dickinson – Poemas

Érico Veríssimo – O Tempo e o Vento

Ésquilo – Teatro

Eurípides – Teatro

Fernando Pessoa – Poesia Completa

Fielding – Tom Jones

Flaubert – Educação Sentimental

García Márquez – Cem Anos de Solidão

Gilberto Freyre – Casa-Grande e Senzala

Gógol – Romances

Gonçalves Dias – Poesia Completa

Graciliano Ramos – Vidas Secas

Gregório de Mattos – Obra Poética

Guimarães Rosa – Grande Sertão: Veredas

Guy de Maupassant – Contos

Helena Morley – Minha Vida de Menina

Herman Hesse – O Lobo da Estepe

Homero – Odisseia e Ilíada

Jane Austen – Orgulho e Preconceito

João Cabral de Melo Neto – Poesia Completa

Jorge Amado – A Morte e a Morte de Quincas Berro d’Água

Jorge Luis Borges – Biblioteca de Babel

José de Alencar – O Guarani

José Lins do Rego – Menino de Engenho

José Saramago – Memorial do Convento

Joseph Conrad – Lord Jim

Julio Cortázar – O Jogo da Amarelinha

Kafka – O Processo

La Fontaine – Contos e Novelas

Lima Barreto – Triste Fim de Policarpo Quaresma

Machado de Assis – Memórias Póstumas de Brás Cubas

Manoel de Barros – Gramática Expositiva do Chão

Manuel Antônio de Almeida – Memórias de um Sargento de Milícias

Manuel Bandeira – Poesia Completa

Mário de Andrade – Macunaíma

Marivaux – Teatro

Molière – Teatro

Montaigne – Ensaios

Montesquieu – Cartas Persas

Nathaniel Hawthorne – A Letra Escarlate

Olavo Bilac – Poesias

Oscar Wilde – O Retrato de Dorian Gray

Oswald de Andrade – Serafim Ponte Grande

Paul Éluard – Poemas

Paulo Prado – Retrato do Brasil

Pedro Nava – Memórias

Platão – Diálogos

Proust – Em Busca do Tempo Perdido

Rachel de Queiroz – O Quinze

Raul Pompeia – O Ateneu

Rimbaud – Poesias

Rousseau – Confissões

Sérgio Buarque de Holanda – Raízes do Brasil

Shakespeare – Teatro

Sófocles – Teatro

Stendhal – O Vermelho e o Negro

Sterne – A Sentimental Journey

Suetônio – Vida dos Doze Césares

Swift – As Viagens de Gulliver

Tchékhov – Romances e Contos

Thomas Mann – A Montanha Mágica

Tolstói – Guerra e Paz

Turguêniev – Romances

Vargas Llosa – Conversa na Catedral

Verlaine – Poesias

Vicente de Carvalho – Poemas e Canções

Victor Hugo – Os Miseráveis

Vinícius de Moraes – Poesia Completa

Virginia Woolf – Orlando

Voltaire – Romances

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