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Posts tagged Jovem brasileiro

Jovem brasileiro vai fazer mestrado na China e quer ser líder político LGBT

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Thiago Varella, em UOL

A China não é o local mais acolhedor do mundo para quem é gay. Para se ter uma ideia, as relações homossexuais só foram descriminalizadas em 1997. Mesmo assim é lá que o brasileiro Ítalo Alves pretende se preparar para se tornar um líder político LGBT no Brasil.

O cearense de 23 anos foi o único brasileiro aprovado pela Schwarzman Scholars, um programa de mestrado na Universidade de Tsinghua, na China. O principal objetivo do programa de um ano é identificar e formar rede de líderes. A primeira turma é composta por 111 alunos de 32 países e 71 universidades.

Alves, que hoje vive em Nova York e tem um bom emprego em uma gigante contábil especializada em auditoria e consultoria, vai para a China com um objetivo claro: se preparar para, no mínimo, ser uma referência LGBT no Brasil. Ele sabe muito bem a importância de ser um exemplo para os gays e lésbicas mais jovens.

O brasileiro nasceu em uma família de classe média-baixa de Fortaleza, filho de uma professora e de um auxiliar de almoxarife. Cresceu estudando em escolas públicas cearenses e sofrendo bullying por ser o ‘nerdinho CDF’ da sala e, claro, por ser gay.

“Comecei sofrendo agressão verbal, que logo passou para física. Quando o caso ficou sério, mudei de escola. No ensino médio, a situação melhorou um pouco, mas eu ainda era isolado dos demais”, conta.

Anos depois, Alves reconhece que não ter tido um referencial, um homossexual em que pudesse se espelhar, acabou tornando sua experiência violenta ainda mais brutal. Por isso, ele está decidido a se engajar politicamente assim que regressar ao Brasil.

“Eu pretendo me engajar de duas formas. No empreendedorismo social, abrindo uma firma e, através dela, fazendo uma política de afirmação do público LGBT. E também na política tradicional, trazendo o foco para as minorias e a juventude”, explica.

“Fugi da carreira política minha vida inteira. Não queria me engajar. Depois que comecei a estudar sobre o movimento LGBT, percebi que não vamos avançar se não estivermos no Congresso. Hoje só há um deputado. E a bancada moralista é muito forte. Quero não apenas legislar, mas também virar referencial dessas pessoas, do menino que apanha na escola e das travestis que moram nas ruas, por exemplo”, completou.

Alves vive há alguns anos nos Estados Unidos. Após o fim do ensino médio, ele ingressou no Instituto Federal do Ceará, onde cursou um semestre de Engenharia Ambiental. No entanto, não era aquilo que ele queria. O brasileiro decidiu, então, prestar o SAT, o vestibular americano. Passou e, com o auxílio de uma ONG, conseguiu uma bolsa de estudos para cursar negócios internacionais e finanças na Universidade Quinnipiac, em Connecticut.

O desafio de enfrentar um batalhão de candidatos em busca de uma vaga em um programa de estudos não é, portanto, algo inédito na vida de Alves. O processo seletivo para o mestrado na China, no entanto, foi especial.

Na primeira etapa, os mais de 3.000 candidatos tiveram de escrever três redações sobre seus interesses intelectuais, liderança e um momento importante da vida. Alves redigiu mais de 30 textos para escolher seus três.

“Esse programa é diferente porque quer selecionar jovens pelo que eles são. Querem descobrir o passado dessa pessoa e como influenciou no caráter delas hoje. Nisso, pude me destacar por causa da minha história”, contou.

O brasileiro também gravou um vídeo se apresentando. Para a segunda fase, somente 300 candidatos foram selecionados. Em uma das atividades do processo seletivo, Alves participou de um almoço de networking, em Nova York. Por coincidência, o colocaram na mesa de um dos fundadores do programa Schwarzman Scholars, o magnata bilionário Stephen A. Schwarzman.

“Ele foi acessível e simpático. Falou sobre as motivações do programa e chegou a me contar que já havia ido uma vez a Fortaleza”, relembrou Alves.

Após algumas outras atividades, o brasileiro foi, enfim, escolhido. Ele embarca em agosto para a China, onde vai passar um ano. Alves sabe que, além do mestrado, terá de enfrentar outros tipos de desafio.

“A China ainda é um país machista onde não há muito espaço para quem é homossexual. É óbvio que existe uma comunidade LGBT grande por lá, mas que enfrenta muita resistência. Quero estudar esse grupo. Já faço pesquisa sobre a participação do público LGBT nos negócio, mas nunca estudei esse assunto em um país menos avançado em termos sociais”, contou.

Alves espera que a experiência chinesa o ajude quando voltar para casa. “No Brasil, ainda temos índices altíssimos de violência contra os gays. No mundo dos negócios, as poucas pesquisas que existem mostram do potencial do público LGBT como consumidor. Por isso, as empresas fazem tantas ações de marketing, mas nenhuma em termos de integrar esse público como funcionários mesmo, pensando e liderando ações”, afirmou.

Jovem do sertão da PB realiza sonho de estudar em universidade nos EUA

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Publicado na Folha de S.Paulo

Escolher a universidade é tarefa difícil para os estudantes, mas não foi assim para o paraibano Matheus Augusto Silva, 22. Nascido no sertão, em uma família de pescadores numa cidade de 17 mil habitantes, ele tinha uma certeza: iria estudar nos Estados Unidos.

Hoje, faz economia e engenharia química simultaneamente na renomada WPI (Worcester Polytechnic Institute), perto de Boston, nos EUA.

 

Depoimento…

Tudo aqui nos Estados Unidos é muito diferente de onde eu vim. Na verdade, eu nem sabia que existia no mundo um lugar como o que vivo hoje. Mas eu sabia que eu queria estudar em um lugar assim.

Nasci em Boqueirão, no sertão da Paraíba, uma cidade bem pequena na região metropolitana de Campina Grande. Lá, estudei em uma escola pública da cidade. Hoje, faço economia e engenharia química no WPI (Worcester Polytechnic Institute), nos EUA, e já tenho uma espécie de diploma intermediário –o chamado “minor”– em bioquímica e em alemão.

Sempre gostei muito de química. Aos dez anos, tive de fazer um trabalho na minha escola e acabei estudando um açude da cidade. Vi que a matéria orgânica e inorgânica se acumulava no açude, ocupando um espaço que poderia ser da água. Sua remoção aumentaria consideravelmente o volume do reservatório. Acabou que fui apresentar o projeto que desenvolvi na escola para os vereadores e o manejo do açude foi modificado por causa do meu trabalho.

Depois, mais velho, no 1º ano do ensino médio, acabei desenvolvendo, também para um trabalho da escola, um sabão com base de tamarindo. É um fruto muito comum na Paraíba, tem em qualquer esquina. E ele tem propriedades detergentes. Desenvolvi o sabão e até hoje tem gente produzindo.

Eu gosto dessa coisa de ver uma oportunidade, uma solução e sair fazendo. Havia tamarindo, a gente precisava de sabão, por que não fazer o sabão com o tamarindo? Eu gosto de empreender e os Estados Unidos são um país perfeito para isso. Eu já tinha lido sobre como as gigantes de tecnologias tinham sido fundadas aqui. Só que eu nunca tinha conhecido ninguém que tivesse estudado fora; ninguém da minha família havia chegado à universidade.

Sou descendente de uma família de pescadores, meu pai tem um pequeno comércio onde vende materiais de pesca e de construção. Em Boqueirão, meu avô é conhecido como “João dos covos” (covos é um material de pesca). Meu pai, Carlos de João dos covos. Eu sou o Matheus de Carlos de João dos covos! A pesca ainda está bem presente na família. Mas eu resolvi seguir outro rumo.

Quando tinha 11 anos, comecei a pesquisar sobre ensino superior e achei, em uma revista, um ranking internacional de universidades. Vi que sete das dez melhores instituições de ensino do mundo estavam nos Estados Unidos.

Aí eu pensei: se naquele país estão as melhores do mundo, então é pra lá que eu vou!

O problema é que na época eu falava pouco inglês. Consegui me matricular em um curso gratuito, de extensão, na Universidade Federal de Campina Grande e viajava para fazer as aulas. Aprendi rápido o inglês, acho que tenho facilidade com línguas. Hoje também falo francês, espanhol, alemão e mandarim.

Com inglês ficou mais fácil fazer as provas e entrar em uma universidade dos EUA. O problema era como eu iria me manter. Aí, tive de me virar de novo. Consegui uma bolsa quase integral do WPI (Worcester Polytechnic Institute) e mais um recurso da Fundação Estudar, do Brasil. É o suficiente para me manter na graduação o curso todo.

Eu gosto de mexer nas coisas, descobrir as coisas. Lembro que uma vez meu pai comprou uma secretária eletrônica para a loja dele e eu comecei a mexer para ver como funcionava. Acabou que o aparelho gravou, sem querer, meu pai dizendo “Para de mexer, Matheus!” E eu respondia “É mexendo nas coisas que se aprende como elas funcionam, pai.” Quem ligava na loja por muito tempo ouvia essa conversa (risos).

Eu mexo em tudo, fuço em tudo. Eu descobri sozinho como era o processo para ingressar em uma universidade norte-americana.

Também descobri que os EUA valorizam os estudantes que tiram um ano sabático entre o ensino médio e a universidade. Assim que fui aprovado, decidi fazer o mesmo. Pedi adiamento da matrícula e fui para a China para trabalhar e estudar mandarim.

Foi fantástico. Acabei virando representante comercial de uma empresa chinesa e viajava o mundo pela empresa. Eu tinha 19 anos. É uma cultura muito diferente. Sabia que na China você tem de pegar o cartão comercial das pessoas com as duas mãos? Se não fizer isso, é sinal de desrespeito.

Desde que me mudei para os EUA já fiz mais dois intercâmbios: no Canadá e na Alemanha. Aqui há muitas oportunidades internacionais.

Tem muito brasileiro aqui nos Estados Unidos na mesma situação que eu [em 2013, havia 10.868 brasileiros em universidades dos EUA, de acordo com governo daquele país]. Fiquei pensando que era preciso conectar essas pessoas para trocar informações e ideias para desenvolver o Brasil. Foi aí que criei a Brasa, sigla em inglês para “associação brasileira de estudantes [nos EUA]”.

A ideia é unir os estudantes brasileiros nos EUA criando plataformas de impacto direto no nosso país. Já estamos em mais de 30 universidade americanas, temos mais de 600 membros e parcerias com empresas como BTG Pactual, McKinsey, AmBev e Heinz. Quanto mais ideias para melhorar o Brasil, melhor.

Eu quero voltar assim que me formar. No longo prazo, quero empreender, quero melhorar o país. Às vezes penso também em política, mas acho que vou acabar sendo empreendedor mesmo. O que me importa é construir algo que promovesse o desenvolvimento sustentável do Brasil.

Jovem brasileiro com síndrome de Down sai da escola devido ao preconceito e descobre seu talento para a arte

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Publicado por Hypeness

Na cabeça de algumas pessoas, a síndrome de Down é uma condição que, inevitavelmente, está relacionada ao fracasso. Contudo, o brasiliense Lúcio Piantino, de 19 anos, é a prova viva de que isso está longe de ser verdade. Após sair da escola devido ao preconceito de colegas e professores, aos 13 anos, o garoto foi incentivado pela mãe, a escritora e artista plástica Lurdinha Danezy Piantino, a pintar. E foi na tinta e nas telas que descobriu seu verdadeiro talento e prazer.

O garoto já participou de mais de 10 exposições e tem chamado a atenção com sua encantadora arte. Com o auxílio de pinceladas certeiras ou do método dripping, no qual a tinta é aplicada em gotas na tela, Lúcio cria uma arte que lembra o concretismo, com geometria forte, noções de perspectiva e minimalismo, além das cores impactantes.

A genética artística de Lúcio é sólida: além da mãe, o pai e o avô são artistas plásticos. A atividade da pintura, que foi utilizada para preencher o tempo livre do garoto após a saída da escola, permitiu que ele explorasse traços e métodos, criando um estilo único. Nas exposições, as obras estão disponíveis para serem vistas e tocadas: a textura presente nas telas permite que deficientes visuais também apreciem a expressão de Lúcio.

O artista recentemente foi convidado para participar de uma exposição da Galleria Nazionale Dell’Umbria, na Itália e, em 2012, sua história foi contada no documentário “De arteiro a artista“, exibido no 5º Festival Internacional de Filmes sobre Deficiência. Assista ao vídeo:

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Todas as imagens: Reprodução YouTube

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Foto via

A rede Globo fez uma reportagem sobre uma das exposições do artista, que pode ser vista neste link.

Imagem de topo via

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