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Saiba porquê estas adolescentes são colecionadoras de livros

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A paixão pela leitura das colecionadoras de livros. | Foto: Hermann Traub/Pixabay

Tatiana Marin, no Midiamax

O insetinho que desperta o prazer pela leitura está picando os adolescentes desta geração. Mesmo com um leque de dispositivos eletrônicos a disposição, a paixão pelos livros acomete os jovens com esta “doença” saudável que é o vício pela leitura e as fazem ser colecionadoras de livros.

Em 2015 a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Ibope, por encomenda do Instituto Pró-Livros revelou um dado interessante. Entre os que afirmam que leem por gosto, a grande maioria compõe-se e adolescentes entre 11 e 13 anos (42%) e crianças de 5 a 10 anos (40%).

Outro indicativo é o perceptível aumento de esforços do mercado editorial direcionado aos jovens. Sagas e coleções infanto-juvenis vem ocupando cada vez mais espaço nas prateleiras das livrarias e, com isso, impulsionam os ávidos jovens leitores em busca dos novos lançamentos.

Em mais um capítulo do especial sobre bibliotecas e a Lei 12.224, contamos um pouco sobre adolescentes que amam ler e são colecionadoras de livros.

“Sair da realidade”

Com a meta de ler 50 livros em 2018, Fernanda Sanches Machado Rocha, de 13 anos tem no mínimo 40 livros em sua estante – entre eles, 5 em inglês -, mas este número não representa a quantidade de livros que já leu. “Eu só guardo os meus preferidos, os outros eu troco no sebo”, diz ela. Até o momento, Fernanda já leu 29 livros.

“Sempre gostei de ler e lia gibi, mas parei de ler por um tempo”, conta ela. Mas o livro de fantasia “Enraizados” recobrou a avidez pela leitura. “Depois que li este livro pensei ‘ler é tão legal, porque eu parei?’”, questionou-se. Ela também lê livros digitais, mas prefere os de papel.

“Livro para mim é um jeito de sair da realidade, a gente pode entrar em qualquer história e se perder totalmente. Leitura é uma coisa que muda a vida. Quanto mais a gente lê, mais forma seu caráter. É um jeito diferente de se divertir, se entreter e escapar do celular”, define

Alguns dos livros de Fernanda. | Foto: Arquivo Pessoal

A mãe de Fernanda, a médica Magali da Silva Sanches Machado, de 54 anos, acha muito interessante este gosto pela leitura. “Ainda mais nesses dias de hoje que a gente vê eles no celular. Acho muito interessante ela gostar de ler. Abre um outro mundo, aumenta o vocabulário”, avalia Magali e conta que Fernanda até influencia os amigos.

O gosto da filha é tamanho que às vezes é preciso refrear os impulsos. “Se ela vai na livraria, quer comprar uns 4 ou 5 livros, então às vezes dou uma segurada. Às vezes eu digo ‘não aguento mais comprar livro’, mas meu marido diz ‘não reclama’. A gente fala assim brincando, mas gosto muito desse hábito dela”, explica.

“Um trem invisível”

A vida de leitora de Giovanna Pereira, de 14 anos, é dividida entre a época em que apenas gostava de ler e agora, que é viciada em leitura. O responsável por isso foi um livro dado de aniversário pela avó. Nos nichos do seu quarto estão distribuídos cerca de 60 livros, entre os que leu a pedido da escola e os que comprou e ganhou. Ela não se desfaz de nenhum. “Eu tenho dó”, explica.

Neste ano ela já leu 11 livros e tem 17 publicações na sua lista de desejos. Mas seu sonho de consumo é a coleção “Instrumentos Mortais”. “Não é de terror”, adverte, “mas tem tema sobrenatural”, adiciona.

Vitória Gomes Rodrigues, de 14 anos, é outra das colecionadoras de livros e tem um acervo um pouco menor, com cerca de 30 livros. Ela conta que na 6ª série sua família mudou-se de cidade e na nova escola havia um projeto de leitura nas férias. “A escola de antes não incentivava a leitura”, conta.

Com a incumbência da escola para as férias, ela não só escolheu e leu o livro, como descobriu a paixão pelas histórias. “Eu achei um livro com histórias de garotas normais, baseadas em histórias das princesas, eu gostei muito”, relata ela.

400 livros

Júlia Mazzini ainda não é adolescente, tem 9 anos, mas quando chegar lá vai bater, não só os da sua idade, mas também adultos. Na verdade, já bate. Segundo seu pai, o jornalista André Mazzini, “ela já deve ter lido uns 400 livros. Ela tem muito mais livros do que eu e minha esposa já lemos na vida inteira”.

Júlia lê desde os 3 anos. | Foto: Arquivo Pessoal

Também, pudera, Júlia aprendeu a ler e escrever aos 3 anos. “Começou o fascínio desde então. Minha esposa, que é pedagoga, e eu sempre lemos muito e temos muitos livros em casa”, afirma o jornalista. “Este gosto dela começou a se espalhar para outros mundos. Ela ganhou o concurso nacional de redação da Folha de São Paulo aos 6 anos”, conta o pai.

“Eu gosto da sensação de entrar no personagem, é uma viagem que se faz sem sair do lugar, a gente mergulha como se fosse uma lagoa e se esquece do mundo”, descreve Julia, que prefere os grandes livros, “com mais história”.

Ao ser perguntada sobre qual livro ela está lendo no momento ela responde: “vários”. Simples assim. Alguns deles são “Harry Potter e a Ordem da Fênix” que faz parte da coleção que ela está terminando. Ainda tem “Pax”, que está lendo com a mãe e, com o irmão mais novo, está relendo “Felizmente o Leite”.

O pai percebe o benefício que a leitura trouxe à filha. “Ela consegue desenvolver diálogos de reflexões muito interessantes com a gente por conta da leitura. Consegue lidar com os sentimentos, situações adversas, na escola ou em outro ambiente. Ela tem a capacidade de refletir sobre o que acontece, o que é um tanto incomum com a maioria das crianças, e acredito que isso seja devido à leitura”, pontua.

Editora fecha acordo para publicar livros do universo “Stranger Things”

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Livro vai contar a história da mãe de Eleven Imagem: Reprodução

Publicado no UOL

Você em breve poderá comprar livros baseados no universo de “Stranger Things”. A editora Penguin Random House fechou uma parceria com a Netflix para publicar livros relacionados à série, de acordo com o site Deadline.

Os primeiros dois títulos serão lançados nos Estados Unidos no segundo semestre. Um deles falará dos bastidores da produção, enquanto o outro trará “conselhos” do mundo de “Stranger Things” para jovens leitores.

Os lançamentos serão seguidos, no ano que vem, por um livro de ficção. Escrito pela autora Gwenda Bond, ele funcionário como um prequel, contando a história da mãe de Eleven e do programa MKUltra.

A Netflix está atualmente filmando a terceira temporada de “Stranger Things”, que poderá ser vista em 2019.

Professor desempregado leva literatura a crianças carentes de Aracaju

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A calçada da casa do professor é transformada em sala de aula (Foto: Mara Lúcia de Paula)

“O que eu faço é com amor e sou muito respeitado por elas, que serão os futuros homens e mulheres da nossa cidade”, diz Luiz Carlos Nascimento.

Anderson Barbosa, no G1

calçada de uma residência localizada em uma rua sem pavimentação, no Bairro 17 de Março em Aracaju, é o local escolhido por um professor desempregado para ensinar literatura às crianças de um dos bairros mais carente da capital de Sergipe, que neste sábado (17) comemora 163 anos de emancipação política.

A sala de aula improvisada funciona uma vez por semana. Na falta de cadeiras, as crianças acomodam-se no chão e vencem o que seria a primeira barreira para se aproximarem dos livros. Depois, desvendam o conteúdo literário trazidos em uma sacola pelo professor Luiz Carlos. Quando não está em uso, o material de apoio fica exposto em um varal à espera do próximo interessado.

A Literatura é a forma de despertar outros conhecimentos científicos, além de promover o prazer estético e dar asas a imaginação desses jovens leitores“, professor Luiz Carlos

O trabalho voluntário começou no mês de novembro de 2017, depois que Luiz Carlos participou de um workshop literário. Desde o início do projeto, 12 crianças participam das atividades e enquanto os pais estão trabalhando. “Educação é o meio de transformação sócio- cultural para a vida de cada uma dessas crianças levando respeito, dignidade, conhecimento e independência financeira”, diz com o sorriso no rosto.

A escritora e coordenadora do Projeto Lê Campo/SE, Jeane Caldas, conheceu o trabalho do professor, e se apaixonou pela causa. “Ele sempre fez este trabalho, mas agora as ações de leitura foram intensificadas, porque conseguimos que fizesse parte do projeto Rede Ler e Compartilhar e Eu Leio, que fazem parte do programa nacional de incentivo à leitura. O programa disponibiliza sacolas circulantes com 30 livros e oferece formação continuada para os professores e mediadores de leitura, mas não paga nada por esse trabalho. Entrei na parceria por meio da Secretaria de Estado de Educação”, conta.

Não é sempre, mas quando pode o professor retira dinheiro do próprio bolso e compra lanches para a criançada. Uma forma de incentivar a permanência dos alunos e atrair outros meninos e meninas.

Mesmo em um local improvisado, as crianças parecem encantadas com as histórias descobertas nos livros (Foto: Mara Lúcia de Paula)

Combate à deficiência na leitura

O trabalho do sergipano serve de combate à deficiência da leitura ainda no início da vida escolar, como aponta a Avaliação Nacional de Alfabetização, do Ministério da Educação e Cultura (MEC). O estudo revela que mais da metade dos alunos do terceito ano do ensino fundamental não consegue nota mínima em matérias básicas. No ano de 2014, a insuficiência em leitura era de 56,17% entre os alunos. Dois anos depois o número teve uma pequena queda, 54,73%.

“Quero ver a melhoria do bairro em que moro e dessas crianças, que muitas vezes vão à escola e não conseguem aprender o conteúdo. O que eu faço é com amor, com carinho e sou muito respeitado por elas, que serão os futuros homens e mulheres da nossa cidade. A maior recompensa é o prazer de contar histórias e contribuir no processo de alfabetização dessas crianças”, conta Luiz Carlos.

Brilho no olhar

Quando o professor inicia a história, os olhos da criançada parecem brilhar e ganham a companhia de sorrisos e gargalhadas. Nem mesmo o movimento das ruas tira a concentração dos pequenos leitores. Sinal de que estão envolvidos pelas histórias.

O que mais gosto é de ler e aprender com as histórias que ele nos conta. O professor é muito bom e trata a gente bem. Tio Luiz Carlos é muito legal comigo e com meus colegas do projeto”, afirma Jaycha Rively, de 9 anos.

A menina é filha da vendedora Mara Lúcia de Paula, que também se mostra feliz com o desprendimento do professor e vizinho de bairro. “O que ele faz é louvável e ajuda a construir o futuro dos nossos filhos, sem cobrar nada. É um grande exemplo pra nossa comunidade e para o Brasil”, diz agradecida.

A batalha do mestre

Luiz Carlos nasceu no município de Malhada dos Bois e foi criado em Cedro de São João, ambos na Região do Baixo São Francisco de Sergipe. Filho de pais separados, ele é o mais velho entre nove irmãos, o único com nível superior, conquistado no ano de 2012 após cursar Letras/Português em uma universidade particular na capital.

Concluí a graduação com muita dificuldade financeira, pois estava desempregado. Tive a ajuda de familiares e principalmente de uma ex-diretora da instituição, que me ajudou bastante nesta fase da minha vida”, relembra.

Luiz Carlos já trabalhou em escolas particulares, em programas do governo e atualmente sobrevive dando aulas de reforço em casa, além de fazer ‘bicos’ auxiliando outros professores em projetos educacionais. No mês passado, tudo isso rendeu a ele pouco mais de R$ 200. “É assim que consigo pagar as contas da casa, comprar roupas e alimentos. Deus é quem dá a força pra gente superar todas as dificuldades que a vida nos oferece”, afirma.

Sempre atento aos apelos da comunidade, ele tem como meta fazer um trabalho mais intenso com os jovens e adultos que passam o dia trabalhando e ainda não são alfabetizados.

Por que ler

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Lucila Cano, em UOL

Alguém já disse, e muitos repetem, que o melhor caminho para escrever bem é ler. Verdade absoluta, pois à medida que avançamos nas leituras, viajamos por um mundo de assuntos inesgotáveis, incorporamos vocabulário e estilos narrativos, descobrimos a gramática posta em prática. Todos, instrumentos perfeitos para que nos municiemos para a escrita.

Ler estimula o funcionamento do cérebro, como se fosse uma ginástica, um exercício. Assim, entendemos melhor o que está escrito e ficamos à vontade para questionar, concordar ou discordar do texto que acabamos de ler. Dessa maneira, pouco a pouco, do mesmo jeito que evoluímos no condicionamento físico, também nos sentimos aptos a formular nossas próprias ideias, falar bem e escrever.

E para que serve tanto exercício? Certamente não só para passar em concursos públicos ou fazer a redação do Enem. Isso é muito pouco para um ser humano que em todas as fases de sua vida será exigido a participar de maneira ativa do mundo em que vive e interage com outras pessoas.

E, mesmo que náufrago em uma ilha, como o Tom Hanks do filme em que contracena com uma bola (isso é que é merchandising), quem lê mais terá mais facilidade de acessar sua bagagem de conhecimentos em busca de soluções para circunstâncias críticas.

O medo de escrever

Nossa formação cultural endeusa certas profissões, ao mesmo tempo em que tolhe sonhos. Por motivos que não sei explicar, muitos de nós trazem consigo o medo de errar. Isso era mais fácil de se entender em outras épocas, quando o estudo era imposto e algumas profissões eram obrigatórias, embora a contragosto da maioria dos filhos de pais médicos, advogados e engenheiros.

Atualmente, temos acesso ilimitado a outras leituras, além dos livros. Gibis, jornais, revistas, sites, blogs e mensagens nas redes sociais não substituíram os livros, mas vieram somar informação em múltiplas formas de apresentação.

No íntimo, todos nós temos plenas condições de observar e relatar fatos, contar histórias, descrever uma situação. As amigas que comentam o capítulo da novela mal sabem que poderiam escrever o que falam e, assim, fazer uma crítica. O jovem que troca mensagens cifradas pelo celular exerce a síntese e até poderia se arriscar em um concurso de contos de poucas palavras.

É certo que antes dos recursos da tecnologia, todos nos apegávamos mais ao papel e caprichávamos no conteúdo e na caligrafia de cartas, postais, bilhetinhos. Agora, com tantas fontes de saber disponíveis, precisamos apenas perder o medo de escrever. Como? Lendo. E, depois, escrevendo, relendo o que escreveu, escrevendo de outro jeito e lendo novamente, até se dar por satisfeito. Ou seja, praticar, exercitar a escrita.

Parece difícil, mas não é, basta querer. Aprender a consultar um dicionário (pode ser o da internet, sem dúvida) também ajuda. Porque ler ou escrever um texto sem saber o que significa algum termo é andar para trás, é desaprender.

Poesia na Bienal

A mais recente Bienal do Livro do Rio de Janeiro voltou-se para o jovem, tratou da Educação, da criatividade e da formação de jovens leitores. Recebeu escritores jovens e abriu espaço para a poesia.

Lembro de um grupo de poetas, de atividades, profissões e idades diferentes que mostraram seus escritos na Bienal, com a alegria de poder expressar os seus sentimentos, suas visões da vida. Uma verdadeira celebração pelo prazer da leitura.

Como se não bastasse o prazer, sempre é bom lembrar que a leitura nos modifica. Ela não nos transforma em escritores, mas em seres humanos com maior capacidade para ouvir e entender. Ela nos permite distinguir e escolher nosso próprio caminho. Amplia horizontes e abre fronteiras por onde passamos a conduzir, em vez de sermos conduzidos. Assim, de posse de tantas propriedades, é a leitura que nos eleva para novos propósitos e nos dá uma grande certeza: para quem lê não existem retrocessos.

Dupla usa o Instagram para fazer resenha de livros

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Dupla usa o Instagram para fazer resenha de livros

‘Livrogram’, criado pelas amigas Denise Schnyder e Livia Piccolo, ganha cada vez mais fãs

Carol Luck, em O Globo

RIO — Foi-se o tempo em que falar de literatura para o grande público era tarefa restrita a intelectuais. A produção de conteúdo para a internet só cresce e, na mesma onda, novos projetos literários em plataformas e redes sociais ganham cada vez mais seguidores.

Criado pelas amigas Denise Schnyder, 25 anos, e Livia Piccolo, 29, o Livrogram é um desses canais que vêm ganhando fãs na rede. Formadas em Artes Cênicas, as duas se conheceram trabalhando em um projeto e hoje, além de participarem do mesmo coletivo de teatro, compartilham o amor pela literatura com mais de 6 mil seguidores.

Tudo começou no fim de 2013, quando Denise leu um livro que adorou e resolveu postar no Instagram uma foto da capa acompanhada de pequena resenha para os amigos. Todo mundo curtiu a ideia e ela resolveu que faria todas as resenhas de livros que mereciam ser lidos pelas pessoas próximas. O perfil foi crescendo e muita gente começou a curtir, comentar e indicar leituras.

— Uma dessas pessoas era a Livia. Ela fazia comentários excelentes que me deixavam pensando por dias e tinha um gosto muito parecido com o meu — conta Denise, que fez uma página também no Facebook.

A paixão pelos livros veio cedo para as duas. Denise era disputada pelos amigos da escola para ler livros pelo telefone (para a desgraça de seu pai, que nunca entendia o motivo de a conta vir sempre tão alta), já Livia caiu de amores pela literatura na adolescência.

— Comecei a enxergar os livros como interlocutores poderosos. Neles eu passei a encontrar ideias e situações que eu não encontrava na vida, e isso começou a me instigar imensamente — conta Livia.

Com textos curtos postados semanalmente, a dupla fala sobre livros de forma leve, passando pelos mais variados títulos sem distinção de gênero.

MANEIRAS DE VIVER OS LIVROS

O objetivo é indicar literatura com foco em editoras e selos pequenos, atraindo jovens leitores interessados em ampliar seus universos de leitura.

— A vida é corrida demais e ler é uma atividade que parece não se encaixar nos dias de hoje, mas existem milhares de maneiras de viver a literatura — explica Denise.

O passo seguinte foi se juntarem a Diogo de Nazaré, namorado da Livia, para produzir vídeos para o YouTube no canal Livrogram, com entrevistas, leituras e cobertura de eventos independentes de literatura.

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