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Isabela Freitas, do best-seller ‘Não se apega, não’, celebra autoajuda juvenil

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Autora de 23 anos explica ao G1 como foi vender 80 mil livros em 3 meses.
Obra junta ficção, realidade e tom motivacional ao abordar relacionamentos.

Cauê Muraro, no G1

A escritora Isabela Freitas, autora de 'Não se apega, não' (Foto: Divulgação/Intrínseca)

A escritora Isabela Freitas, autora de ‘Não se
apega, não’ (Foto: Divulgação/Intrínseca)

Isabela Freitas demorou para ter internet em casa: até 2010, não fazia noção do que eram redes sociais. Mas aí resolveu criar um perfil no Twitter e arrebanhou milhares de seguidores. Eles gostaram tanto que pediram mais, talvez um site. Ela jogou no Google “o que é blog e como criar”, deu certo de novo, e uma editora a convidou a escrever um livro. E Isabela escreveu.

“Não se apega, não” (Intrínseca) fala de relacionamentos, ou mais precisamente da vida após o término. Mas a abordagem é positiva e otimista. A obra saiu no final de junho e virou líder nas listas de best-sellers. Já vendeu mais de 80 mil exemplares. Isabela tem 23 anos e trancou a faculdade de Direito no oitavo período. Quer um dia retomar os estudos e pensa ainda em cursar publicidade ou jornalismo. Ou psicologia. Certeza ela só tem de que “mora em Juiz de Fora, mas vive mesmo no mundo da Lua”. O site de Isabela soma mais de 60 milhões de visualizações. E ela tem 163 mil seguidores no Twitter. Eles adoram saber detalhes da vida pessoal da autora. E também adoram o teor motivacional dos posts, atributo que a jovem sabidamente transporta para livro. “O ‘Não se apega, não” tem o lado ficção, e tem o lado autoajuda. Dei uma mesclada nos dois, e esperei para ver a reação do público. Eles gostaram! E pediram por mais!”, explicou ao G1 em entrevista por e-mail. Assim: com exclamações.

G1 – Você se diz: ‘escritora, blogueira e exagerada’. Exagerada em que sentido?
Isabela Freitas – Em todos. Eu sinto muito e a todo momento, quando gosto de alguém – gosto muito. Quando gosto de alguma coisa – gosto muito. Quando quero alguma coisa – quero muito. Sou aquele tipo de pessoa que vive aos extremos, se me matriculo em uma academia, eu me matriculo para ir todos os dias, ser a melhor. Quando entrei na faculdade, só aceitava notas altas. Quando amo, eu amo muito. Quando fico triste, você vê no meu semblante a tristeza. Aqui não tem muito meio termo, nem equilíbrio.

G1 – Também diz que você é ‘louca por histórias de amor, desenhos animados, e bichinhos de rua’. Qual a sua história de amor favorita? E o seu desenho?
Isabela Freitas – Minha história de amor favorita é Tristão e Isolda – amo histórias de amor trágicas e… exageradas. E meu desenho favorito é Mulan, porque foi o primeiro da Disney em que vi uma princesa que se salva sozinha, e é independente. Quando pequena assisti esse filme e fiquei pensando: “Quero ser igual a ela!”.

G1 – Esta perda recente, a morte do seu avô alguns dias antes da entrevista, mudou o jeito como você avalia as coisas das quais devemos ou não nos desapegar?
Isabela Freitas – Não mudou, não. Sempre disse que devemos desapegar das coisas ruins da nossa vida, no caso da morte do meu avô, estou tentando me desapegar da tristeza, da angústia, e desse sentimento sem nome que fica na minha cabeça martelando ‘’por quê? por quê?’’. Agora vou me apegar às lembranças boas que tive ao lado dele, das memórias gostosas, do sorriso, e da alegria de viver que ele tinha. Nunca vou desapegar do meu avô, mas vou aceitar a sua partida com o tempo. O amor fica, o sentimento ruim uma hora vai…

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G1 – ‘Não se apega, não’ é descrito como ‘não ficção’. Mas, numa entrevista antes de ele ser publicado, também no site, a editora informava que o livro seria ‘ficção young adults’. Afinal, o ‘Não se apega, não’ é o quê?
Isabela Freitas
– Uma mistura de tudo, pode? O “Não se apega, não” tem o lado ficção, e tem o lado autoajuda. Dei uma mesclada nos dois, e esperei para ver a reação do público. Eles gostaram! E pediram por mais! Então no próximo livro, continuação do primeiro, pretendo continuar com essa fórmula. Vou ver se foco mais na ficção, porque percebi que os leitores gostaram bastante dos personagens. Mas é claro, sem perder a essência da personagem que vem ajudando tantas pessoas por aí.

G1 – Tem diferença entre a Isabela que narra o livro e a Isabela com que está respondendo essas perguntas?
Isabela Freitas
– Ah, tem. A Isabela do livro é um “ideal”, tento colocá-la de forma bem madura (em alguns momentos, rs!). Coisa que muitas vezes na vida real, é difícil. Ela é mais o que eu queria ser. Nós somos duas pessoas diferentes, apesar de bem iguais. É o que sempre digo quando alguém me diz “você escreveu sobre minha vida!”, sim! Eu escrevi sobre a vida de uma garota comum. O nome é o que menos importa.

G1 – O material do livro é fruto de experiência pessoal ou mistura relatos?
Isabela Freitas
– Um pouco dos dois. Tem coisas que já vivi, e modifiquei para ficção, e tem relatos de amigos que tive vontade de incluir na ficção. Minha vida não é tão interessante, e tão intensa. Mas quis que a da Isabela fosse, afinal, existem muitas Isabelas por aí.

G1 – Acha que, se não fosse considerada bonita, o seu sucesso seria o mesmo?
Isabela Freitas
– Seria, sim. As pessoas não gostam do que escrevo, ou falo, pela minha aparência. Eu não vendo minha imagem, sabe? Isso é irrelevante. Até porque não me considero bonita! Minha mãe talvez me ache a mais linda do mundo (risos).

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G1 – Você começou no Twitter, em 2010, inspirada pela série ‘Gossip girl’?
Isabela Freitas
– Sim, foi isso mesmo. Gosto de ressaltar que meu pai demorou a colocar internet aqui em casa, então eu fui ter uma noção e prazer por redes sociais em 2010 só! Rs. Criei a personagem de “Gossip girl”, e postava frases ácidas, e sinceras. Os temas que rendiam eram sempre sobre relacionamentos no geral, a Blair falava o que todo mundo pensava, mas por algum receio, não falava.

G1 – Por que o seu Twitter fez tanto sucesso?
Isabela Freitas
– Olha, porque desde o início eu fugi do padrão “mais do mesmo”. Eu não pedia para me seguirem de volta, não pedia indicação, e não escrevia frases simplesmente para fazer sucesso e ganhar RTs. Eu postava porque gostava de escrever, e porque queria distrair minha mente com alguma coisa. Acho que para fazer sucesso você tem que fazer por paixão, e não por fama.

G1 – Como foi a criação para o blog? Foi ‘atendendo a pedidos’ ou era uma ideia que você já tinha?
Isabela Freitas
– Foi atendendo a pedidos mesmo. Eu não sabia o que era um blog, para você ter uma noção… Não visitava nenhum, não conhecia nenhum. Joguei no Google “o que é blog e como criar um”, e fiz. Desse jeito!

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G1 – Você se incomoda quando dizem que o livro é ‘autoajuda juvenil’?
Isabela Freitas
– Claro que não, fico muito honrada. “Seu livro mudou minha vida”, “depois do seu livro sou outra pessoa”, “você me ajuda demais”, “você se tornou minha melhor amiga” – são frases que escuto por aí. E se isso é uma autoajuda juvenil, olha que beleza? Um orgulho! Sempre quis que meu livro fosse além da ficção, porque meu blog tem esse cunho de ajudar quem o lê. O “Não se apega, não” veio para ser um refúgio para o leitor. No Twitter é fácil, são pensamentos rápidos. No blog já são textos maiores. Mas um livro, nossa! Como senti dificuldade no início. Uma história, mais de 200 páginas. Você pensa “nunca vou conseguir preenchê-las com um pensamento contínuo”, e quando vê, já se foram quatro capítulos… Cinco, o livro todo. Você precisa encontrar a voz do seu personagem.

G1 – No livro, há ’20 regras do desapego’. A número 6 diz: ‘As pessoas são falsas, e sempre que tiverem uma oportunidade vão te apunhalar pelas costas’. Já a número 19 diz: ‘É preciso acreditar nas pessoas, mesmo quando nem elas mesmas acreditam’. Mas como ‘acreditar nas pessoas’ se elas são ‘falsas e sempre que puderem vão te apunhalar pelas costas’?
Isabela Freitas
– Então vamos lá. Na regra número 6, eu me refiro a algumas pessoas, que estão sempre ali, por perto, esperando por uma oportunidade para te apunhalar pelas costas. Na 19, o significado do acreditar é diferente. Eu digo para você acreditar que a pessoa é capaz de alguma coisa. Acreditar que seu amigo pode se tornar o médico que tanto sonha, acreditar que seu irmão vai sim, passar naquele concurso tão disputado, entende? É algo que parte de você, não das outras pessoas. Você precisa acreditar no outro, torcer por ele. Se ele te decepcionar, quem está perdendo? Ele. Mas você fez de tudo. Você foi verdadeiro. Mesmo que as outras pessoas não tenham sido. Certo?

G1 – O seu livro foi inicialmente pensado para mulheres?
Isabela Freitas
– Claro. Meu público é 90% composto por mulheres. Mas eu adoro ver que alguns homens se rendem a leitura, e vem me elogiar. Alguns gostam de entender a mente das mulheres, e nada melhor do que o meu livro, né? Nós somos complicadas. Homens podem aprender a entender as mulheres, e claro, desapegar. Porque quando falamos de amor… não existe gênero.

G1 – Você costuma se comunicar bastante com o público, falar do seu dia a dia. Compartilhar esses assuntos banais é essencial para o sucessos?
Isabela Freitas
– Essencial. Os leitores gostam de saber o que você fez, o que usou no dia, o que comeu, onde foi, com quem foi, o que fez. Isso nos torna (mais) próximos, somos quase como melhores amigos distantes. Gosto bastante disso, de compartilhar com eles meus sentimentos, o que estou pensando, sentindo, comentar sobre os assuntos que estão em pauta no momento. Acho muito importante.

A nova onda do chick lit juvenil brasileiro

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Incentivadas pelo crescimento expressivo das vendas de livros juvenis no Brasil, editoras fazem novas apostas para conquistar leitores – e principalmente leitoras. Lançadas recentemente, Carina Rissi, Bruna Vieira e Patricia Barboza, três autoras dessa nova seara, já acumulam juntas vendas de mais de 100 000 exemplares

Segmento de literatura juvenil brasileira cresceu 19,5% em 2013 (Getty Images)

Segmento de literatura juvenil brasileira cresceu 19,5% em 2013 (Getty Images)

Meire Kusumoto, na Veja

As veteranas e best-sellers juvenis Thalita Rebouças e Paula Pimenta, que tem um blog no site de VEJA, ainda arrastam multidões a feiras e sessões de autógrafos, mas já enfrentam concorrência no nicho brasileiro do chick lit – termo que surgiu em na década de 1980 como apelido para uma disciplina sobre literatura feminina da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos. As editoras, de olho no bom desempenho do mercado juvenil, que cresceu 19,5% em volume de vendas em 2013 segundo a empresa de pesquisa de mercado GfK, vêm reforçando suas apostas naquele que talvez seja o nicho com maior número de representantes nacionais, dentro do segmento jovem. E, dessa nova investida, já desponta uma nova onda de autoras, com nomes que prometem marcar o ano de 2014: Carina Rissi, Bruna Vieira e Patricia Barboza.

Em inglês, “chick” é uma gíria amena para designar mulheres, as jovens em especial. O termo chick lit se aplica a livros que abordam o universo “menininha”. Geralmente com mulheres como protagonistas, eles tratam de amor, família e relacionamentos. Para João Luís Ceccantini, professor especializado em literatura infantil e juvenil da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), a investida das editoras no gênero se deve ao sucesso de autoras como a própria Thalita. “Esse mercado é muito ágil. Quando um livro dá certo, outras editoras lançam obras parecidas”, diz.

Thalita Rebouças para baixinhas

Em sua primeira investida na literatura infantil, a veterana dos livros juvenis, Thalita Rebouças, vai direto a um dos assuntos preferidos das meninas, a vida de princesa. Em Por Que Só as Princesas se Dão Bem? (Rocco), lançado em novembro de 2013, no entanto, a escritora questiona se ser princesa é tão bom quanto as pequenas imaginam. Com obrigações e agendas cheias, as integrantes da realeza passam muito mais tempo lidando com assuntos “chatos” do que se divertindo, algo prezado por toda criança.

O livro foi criado para a afilhada de Thalita, Bia, que, deslumbrada após uma viagem a um parque da Disney, afirmou que queria ser princesa. A madrinha também aproveitou para se vingar de uma amiga de Bia, que duvidava que sua madrinha fosse realmente escritora, por nunca encontrar livros de Thalita na seção infantil das livrarias. A aceitação da história foi tão grande que a escritora afirma que já está preparando sua continuação, com lançamento previsto para acontecer durante a Bienal do Livro de São Paulo, em agosto.

Uma das precursoras do chick lit juvenil no Brasil, Thalita estreou concorrendo com autoras como a americana Meg Cabot (da série O Diário da Princesa) e a irlandesa Marian Keyes (de Melancia e Sushi), feras do gênero, em 2001. Agora, mais de uma década depois, ela embarca em um novo desafio: escrever para crianças (box). Enquanto Thalita avança para outros filões, Carina, Bruna e Patricia dão os primeiros passos na conquista do público juvenil.

Carina Rissi, da cidade de Ariranha, interior de São Paulo, deixou a vida de funcionária pública para se dedicar à criação de sua primeira filha. Ela só não esperava que logo fosse unir a vida de mãe à de escritora. Carina lançou seu primeiro livro, Perdida: Um Amor que Ultrapassa as Barreiras do Tempo, em 2011, pela editora Baraúna, mas foi com o segundo romance que ganhou mais visibilidade. Procura-se um Marido saiu no ano seguinte pelo selo Verus, que pertence ao Grupo Editorial Record, um dos maiores do país, por onde Perdida foi reeditado em 2013. Juntos, os dois livros já venderam mais de 26 000 exemplares, número farto para os padrões do mercado editorial brasileiro.

Bruna Vieira, jovem de Leopoldina, interior de Minas Gerais, também teve um começo inesperado no mundo das letras. Após passar por uma desilusão amorosa aos 15 anos, a garota decidiu criar um blog apenas para desabafar, como tantas adolescentes, mas viu sua audiência na rede e o interesse por suas crônicas e contos crescerem. Ela se mudou para São Paulo no final de 2011 para cursar o ensino superior, mas os planos foram atropelados pelo sucesso na internet. O blog se tornou parceiro da revista CAPRICHO (assim como VEJA, da editora Abril) e logo despertou o interesse da editora Gutenberg, que lançou um apanhado dos textos publicados no site no livro Depois dos Quinze, em 2012. Pela mesma editora, chegou às livrarias o primeiro romance de Bruna, De Volta aos Quinze, em 2013. Juntos, os livros venderam quase 60 000 exemplares.

Ao contrário de Bruna e de Carina, a carioca Patricia Barboza, embora seja uma aposta nova da Verus, já tem experiência nas letras e nas publicações. Seu primeiro livro, Os Quinze Anos de Carol (RGB), foi lançado em 2002. Mas é só hoje, depois de deixar de lado a vida de analista de sistemas e integrar um selo maior, que a escritora desfruta de um grande público e contabiliza vendas na casa dos 30 000 exemplares, desempenho conjunto dos três primeiros volumes da série As MAIS, sobre o cotidiano de quatro amigas adolescentes no Rio de Janeiro.

Nem Carina nem Bruna nem Patricia admitem escrever só para meninas, público a que se destina o chamado chick lit. Mas é inevitável associá-las ao nicho. Para Vera Teixeira de Aguiar, professora de literatura infantil e juvenil da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), os jovens buscam livros que tenham personagens com as quais possam se identificar. “Nesses livros para moças, elas encontram modelos de comportamento para situações amorosas, familiares, de amizade etc.”

Conheça Carina Rissi, Bruna Vieira e Patricia Barboza

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Carina Rissi

O primeiro livro de Carina Rissi, Perdida: Um Amor que Atravessa as Barreiras do Tempo, chegou aos leitores primeiro pela editora Baraúna, em 2011, antes de ser reeditado pela Verus, do Grupo Editorial Record, em 2013. O romance conta a história de Sofia, uma moça que faz uma viagem acidental no tempo e vai parar na década de 1830. Confusa, ela conta com a ajuda do galante Ian para descobrir como voltar para casa. Carina trabalha na continuação de Perdida, ainda sem data de lançamento, e em sua adaptação para o cinema, parceria com o cineasta Luca Amberg (Meninos de Kichute) com estreia prevista para 2015.

Seu segundo romance, Procura-se um Marido, chegou às livrarias em 2012, também pela Verus. No livro, Alicia é uma jovem para quem o casamento nunca foi um sonho. Após a morte de seu avô, de quem era muito próxima, a moça é impedida por uma cláusula do testamento de reclamar sua parte da herança. No documento, seu avô afirma que só vai permitir o repasse dos bens quando Alicia se casar. Ela, então, coloca um anúncio no jornal para encontrar um marido de aluguel.

Carina afirma que, apesar de saber que seus livros atingem o público feminino jovem, não teve pretensões nesse sentido. “Eu adoro romance, pouco me importa se é fantástico ou chick lit. Não escrevo pensando nos gêneros, apesar de ver semelhanças entre o que faço e o que vejo em obras de chick lit”, diz.

Bruna Vieira

Bruna Vieira

Tudo começou quando Bruna Vieira, natural de Leopoldina, interior de Minas Gerais, sofreu uma desilusão amorosa, aos 15 anos. Para desabafar, a menina criou um blog, o Depois dos Quinze, que logo se tornou o cantinho em que Bruna escrevia sobre tudo de que gostava: maquiagem, moda, livros. Em apenas dois anos, uma reunião dos contos e crônicas que publicava no blog foi lançada pela editora Gutenberg, do Grupo Autêntica.

O segundo livro de Bruna, De Volta aos Quinze, chegou às livrarias também pela Gutenberg, em 2013. No romance, Anita, uma mulher de 30 anos infeliz com sua vida volta no tempo ao reler posts de um blog que criou aos 15 anos. Ela se vê de novo com metade da idade, no auge da adolescência, e revive os dramas típicos da idade.

Bruna enxerga a literatura juvenil como um refúgio para meninas que, como ela, sofreram algum baque durante a adolescência. “Acho que a literatura se transforma em ajuda, as meninas se identificam. Na adolescência, tudo é muito intenso e nem sempre as garotas têm com quem conversar. Com os livros, sinto que me torno amiga delas, me aproximo”, disse.

Patricia Barboza

Patricia Barboza

A carreira literária de Patricia Barboza começou em 2002, quando lançou seu primeiro livro, Os Quinze Anos de Carol, mas somente em 2008 a carioca decidiu deixar o emprego como analista de sistemas para investir na escrita. Ela fez cursos de literatura infantojuvenil e produção editorial e gastou tempo buscando editoras. O selo Verus, do Grupo Record, se interessou pelo trabalho de Patricia e lançou a série As MAIS.

O primeiro volume, que chegou às livrarias em março de 2012, conta a história de um grupo de amigas formado por Mari, Aninha, Ingrid e Susana, estudantes de um colégio particular no Rio de Janeiro. As adolescentes, cada uma com sua personalidade, vivem as dores e as aventuras típicas da idade. O segundo volume, lançado em setembro do mesmo ano, continuava a narrativa pelos olhos da atrapalhada Mari, e o terceiro, de maio de 2013, pelos olhos de Aninha. Os próximos livros, contados pelas perspectivas das outras personagens, serão lançados também pela Verus. O quarto volume tem previsão de chegar às livrarias em março de 2014.

Para Patricia, os autores nacionais estão ganhando espaço e não há concorrência entre os que ocupam as prateleiras das livrarias. “Tenho amizade com Paula Pimenta, Thalita Rebouças. Cada uma de nós tem uma proposta e, para o leitor, elas só vão se somar. O importante é fazer com que o adolescente brasileiro leia.”

O crescimento juvenil – O segmento de literatura juvenil foi o terceiro maior em crescimento no mercado editorial em 2013, na comparação com 2012. Segundo a GfK, a expansão de 19,5% na comercialização de livros juvenis só foi superada por um boom das biografias (no ano em que foram muito discutidas, elas cresceram 30,7%) e pelo bom desempenho do segmento que une histórias em quadrinhos e livros sobre jogos (20,6%). Como resultado, no ano passado a literatura juvenil abocanhou uma fatia de 8,3% do mercado total de livros, atrás apenas da literatura estrangeira (fatia de 21,3%) e dos livros infantis (10,3%).

Os títulos juvenis são hoje a razão de ser de editoras como a Gutenberg, que pertence ao Grupo Autêntica. Segundo Alessandra Ruiz, publisher da Gutenberg, o segmento representa 80% das vendas da casa, que se dedica a livros de ficção e não-ficção para todas as faixas etárias.

Esse poder comercial se traduz em portas mais abertas para novos autores. Para a veterana Thalita Rebouças, que no começo da carreira chegou a divulgar seus títulos por conta própria para fisgar leitores na Bienal do Livro do Rio, em 2001, escritores desse gênero atualmente têm mais facilidade para publicar. “As editoras buscam esses autores, e criam novos selos para jovens. É a prova de que não dá para dizer que adolescente não lê”, disse a escritora.

Para Ceccantini, da Unesp, a internet é peça-chave na difusão desse tipo de literatura. “A leitura tem uma dimensão solitária, mas o jovem é afeito às práticas sociais. Ele termina de ler um livro e comenta nas redes. Ali, também pode falar com o autor. Os amigos veem isso e sentem curiosidade de ler, também.”

Outro ponto que contribui para o crescimento do segmento é seu tempo de existência relativamente pequeno. Segundo Vera Teixeira de Aguiar, professora da PUC-RS, em cerca de quarenta anos – a literatura juvenil surgiu na década de 1970, com a consolidação do conceito de adolescência – o setor não atingiu seus limites.

A relação entre a literatura juvenil e outros produtos da cultura de massa é mais um fator a impulsionar o segmento. “Vejo muitas semelhanças entre os livros para jovens e os seriados americanos: o contorno dos personagens, a forma como as cenas são narradas, a linguagem mais coloquial.”

Novo livro juvenil mistura ‘Crepúsculo’ com paranoia pós-11 de Setembro

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Guilherme Genestreti, na Folha de S.Paulo

Claire é uma adolescente americana que se envolve com Patrick, outro jovem. Os dois se apaixonam intensamente, mas o fato de um deles poder se transformar em lobisomem –no caso, a garota– é um obstáculo ao relacionamento do casal.

Mas semelhanças com a saga “Crepúsculo”, de Stephanie Meyer, param por aí. O livro juvenil “Lua Vermelha”, do escritor Benjamin Percy, inclui na receita ingredientes de paranoia pós-11 de Setembro: uma nação estrangeira ocupada por tropas americanas, terroristas que sequestram aviões e uma lei que restringe os direitos civis dos cidadãos.

“Vivemos numa cultura do medo e eu queria replicar isso na obra”, afirma Percy, 34, à Folha. “Temos medo de germes. Há loções bactericidas em cada casa, em cada escritório. E o recente atentado em Boston está aí para nos lembrar que também tememos o terrorismo.”

O escritor americano Benjamin Percy, autor do novo romance juvenil "Lua Vermelha" / Jennifer May/Divulgação

O escritor americano Benjamin Percy, autor do novo romance juvenil “Lua Vermelha” / Jennifer May/Divulgação

Na obra, lançada em maio do ano passado nos EUA e em outubro no Brasil, Claire é uma licana: é portadora de um vírus que a transforma em lobisomem nos momentos de estresse.

Perseguidos durante séculos, muitos dos licanos moram em um país escandinavo que se encontra sob intervenção militar americana. Em represália, insurgentes daquele país sequestram três aviões em um atentado terrorista.

Patrick, filho de um soldado americano que desapareceu no país ocupado, é o único sobrevivente de um desses ataques às aeronaves, mas se apaixona justamente por Claire, licana que vive nos Estados Unidos.

Apesar das muitas semelhanças com o contexto da guerra contra o terror, Percy diz que não quer que os fatos descritos no livro sejam interpretados como alegoria de eventos específicos.

“É uma visão meio distorcida, borrada do nosso mundo. Estou interessado no clima de medo em que vivemos”, diz.

O escritor também não vê semelhanças entre o amor impossível de Patrick e Claire e o dos personagens Edward e Bella, de “Crepúsculo”.

“Acho Bella um modelo perturbadoramente vitoriano de feminilidade: ela permite que um homem a comande e a molde, em uma condição de dependência física e emocional. As mulheres no meu livro são os personagens mais fortes, não querem ser vítimas, estão prontas a lutar por si mesmas”

Literatura juvenil ganha subdivisões e alimenta discussão sobre perfis dos leitores

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Raquel Cozer na Folha de S.Paulo

A ambicionada fórmula da juventude ainda é um mistério. Enquanto ninguém dá um jeito nisso, o público adulto vem se permitindo estender o período de leitura de romances voltados a jovens.

Exemplo disso está há meses nas listas de mais vendidos. Os romances do americano John Green, autor de “A Culpa É das Estrelas” (Intrínseca), que diz nunca ter pensado em escrever algo que não fosse para jovens, aparecem tanto nas listas juvenis quanto nas de ficção adulta.

A dupla aparição decorre do modo como as editoras nacionais publicam os livros de Green. A Intrínseca os considera próprios a todas as idades; já WMF Martins Fontes e Rocco catalogaram “Quem É Você, Alasca?” e “Deixe a Neve Cair”, respectivamente, como infantojuvenis.

Lydia Megumi/Editoria de Arte/Folhapress

Mas, mais que isso, o fenômeno é sintomático de um segmento, o juvenil, que cresceu tanto nos últimos anos que mal cabe nos rótulos que o mercado tenta lhe pregar, como “young adult” e “new adult” (veja quadro acima).

“As pessoas entram na adolescência mais cedo e demoram mais a sair. A área juvenil passou de grande a imensa”, diz Vivian Wyler, diretora editorial da Rocco, casa que tem desde 2000 o selo Jovens Leitores e prepara agora um selo de “new adult”.

FAIXAS ETÁRIAS

Para o mercado, o “infantojuvenil” engloba a faixa dos 8 aos 12 anos. Entra aí, por exemplo, “Diário de um Banana” (V&R), de Jeff Kinney.

Em seguida vem o “young adult” (jovem adulto), para leitores de 13 a 18 anos, com obras como “As Vantagens de Ser Invisível” (Rocco), de Stephen Chbosky, sobre um adolescente descobrindo a vida.

Essa faixa costuma atrair leitores já na faixa dos 40 anos –como mostra o sucesso do próprio “A Culpa É das Estrelas”, livro sobre adolescentes num grupo de apoio a vítimas de câncer que passou todo o ano de 2013 na lista dos mais vendidos no Brasil.

Em seguida vem o segmento mais controverso, o “new adult” (adulto novo), para leitores de 18 a 25 anos –muitos editores o veem como novo rótulo para velha fórmula.

O diferencial aqui seria trazer personagens que estão entrando na faculdade e lidam com sexo e violência. Um exemplo é “Belo Desastre” (Verus), de Jamie McGuire, um “50 Tons” recatado.

Jorge Oakim, editor da Intrínseca, prefere definir grande parte das obras para jovens e adultos como “crossover” (cruzamento). “Desde ‘A Menina que Roubava Livros’ [de Marcus Zusak, 2007] existe essa discussão. Ele saiu nos EUA como livro jovem, o que irritou o autor. É injusto classificá-lo assim, porque tem leitores de até 70 anos”, diz.

PRECURSOR

O professor da Unesp João Luís Ceccantini, especialista em literatura infantojuvenil, afirma que, apesar de um precursor no século 18, “Os Anos de Aprendizado de Wilhelm Meister”, de Goethe (1749-1832), o gênero juvenil ganhou força nos anos 1950.

Foi nessa época que saiu “O Apanhador no Campo de Centeio” (1951), de J.D. Salinger. O Brasil esperaria outros 20 anos por essa mudança -antes, passava-se dos infantis para os clássicos adultos.

A persistência do leitor adulto no que se define como literatura juvenil é pouco estudada no país. Editores creditam o novo público à ascensão da classe C, mas o fenômeno ocorre no mundo todo.

A referência incontornável é “Harry Potter”, lançado nos anos 1990. “Surgiu com ele um leitor que se formou na literatura transmidiática, que chega aos cinemas e aos games”, diz Ceccantini.

Essa percepção leva ao entendimento de que houve certa infantilização do público. “Com ‘Harry Potter’, percebeu-se esse público que tem uma leitura mais simples, algo que lá fora chamam de ‘leitor relutante'”, diz Wyler.

Ceccantini diz, no entanto, que “nunca se leu como hoje”. “Um grande grupo que não tinha acesso ao mundo letrado ingressou nele, enquanto o pequeno grupo que consumia a chamada ‘alta literatura’ ainda faz isso”, diz.

Dias atrás, o americano Chuck Wendig, autor de juvenis, resumiu assim a questão no Twitter: “Talvez adultos leiam ‘young adult’ porque bons livros são bons livros e eles podem ler coisas que não podiam na adolescência porque elas não existiam.”

Segmento juvenil lidera crescimento nas vendas de livros em 2013

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Publicado na Folha de S.Paulo

O segmento juvenil foi o que mais cresceu em vendas nas livrarias em 2013, segundo dados da empresa de pesquisa GfK. Em relação a 2012, passou de 7,4% para 8,4% do total de exemplares vendidos, um aumento de 24%.

O único segmento maior que o juvenil é o de literatura estrangeira, com 21% das vendas. Mas esse número é inflado pelos juvenis, já que livros lançados lá fora como “young adult” saem aqui como ficção estrangeira, caso de “A Culpa É das Estrelas” (Intrínseca), de John Green.

Embora as editoras invistam cada vez mais nesse mercado, não há uma fórmula de sucesso. Levantamento da empresa de pesquisa Nielsen mostra que 80% das vendas dos juvenis estão nas mãos de cinco das centenas de casas publicadoras do país.

Leonardo Soares/Folhapress
A americana Jamie McGuire, do 'new adult' 'Belo Desastre
A americana Jamie McGuire, do ‘new adult’ ‘Belo Desastre’

São elas Intrínseca (“Os Heróis do Olimpo”, de Rick Riordan), V&R (“Diário de um Banana”, de Jeff Kinney), Rocco (“Jogos Vorazes”, de Suzane Collins), Galera Record (“Cidade dos Ossos”, de Cassanda Clare) e Gutenberg (“Fazendo Meu Filme”, de Paula Pimenta, raro nacional num cenário de estrangeiros).

Se na década passada o mercado editorial viveu uma multiplicação dos selos infantis, esta é a dos selos juvenis. Ou, mais do que isso, a de uma reorganização no que se entende por selo juvenil.

Há um ano, a Companhia das Letras extinguiu seu selo infantojuvenil Cia das Letras e estreou o Seguinte, para público um pouco mais velho. “Concentramos no Seguinte livros com temas mais adultos. Outros, para leitores de 12, 13 anos, migramos para o Companhia das Letrinhas”, diz a editora Julia Schwarcz.

A criação do Seguinte marcou uma guinada comercial do segmento na editora, antes mais focado em livros para escolas. O maior sucesso é “Seleção”, de Kiera Cass.

Na Record, onde o juvenil garante 30% do faturamento total, o selo Galera acaba de passar por uma subdivisão.

Divulgação
John Green, autor do 'young adult' 'A Culpa é dos Estrelas
John Green, autor do ‘young adult’ ‘A Culpa é dos Estrelas’

Antes dividido em Galerinha (crianças) e Galera (adolescentes) agora tem o intermediário Galera Junior, para público de 10 a 14 anos, de séries como “Artemis Fowl”, de Eoin Colfer. Com isso, o Galera passa a visar jovens com 15 anos ou mais. “Não é tão rígido, mas ajuda a orientar os pais”, diz a editora Ana Lima.

Já a Rocco, que tem o selo Jovens Leitores desde 2000, prevê para 2014 seu selo de “new adult” (18 a 25 anos).

Curiosamente, embora sejam vendidos como juvenis, nem todos os autores de “new adult” gostam de se ver associados a esse público.

“Leitores jovens não são o alvo dos meus livros. Menos de 1% dos meus leitores têm de 13 a 15 anos. O resto tem 16 ou mais”, diz Jamie McGuire, autora da série “Belo Desastre”. (RAQUEL COZER)

Lydia Megumi/Editoria de Arte/Folhapress
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