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Plataforma de ensino adaptativo Knewton prepara chegada ao Brasil

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 Knewton

Empresa americana usa recursos de big data para propiciar a alunos e professores ferramentas de ensino mais avançadas

Thiago Jansen, em O Globo

RIO — Em casa, em seu computador, o estudante faz o dever de casa referente ao conteúdo que lhe foi passado pelo professor mais cedo, na escola. A partir das respostas que registra, recebe digitalmente uma orientação para estudar melhor um determinado aspecto da disciplina. Essas informações são repassadas automaticamente ao seu professor, que, no dia seguinte, pode auxiliá-lo de forma mais atenta. Apesar de parecer parte da ficção, essa integração entre tecnologia e ensino já é realidade graças à empresas como a Knewton, representante do chamado ensino adaptativo, e que se prepara para chegar ao país esse ano.

Criada em 2008 pelo empreendedor americano Jose Ferreira, a Knewton trata-se de uma plataforma digital que faz uso das tecnologias de análise e processamento de dados em volume massivo, e velocidade exorbitante, — o celebrado big data — para oferecer a estudantes e professores a possibilidade de um ensino focado nas fragilidades individuais de cada aluno.

— Para os estudantes, isso significa ter acesso a ferramentas de aprendizado customizadas às suas necessidades, aos seus pontos fortes e fragilidades. Nossa plataforma consegue, em tempo real, perceber exatamente o que o estudante já sabe bem, e o que ele precisa aprender melhor, sugerindo conteúdos específicos para isso — afirmou Ferreira, em passagem pelo Brasil nesta semana. — Já para os professores, isso representa a possibilidade de preparar melhor as suas aulas, encontrando conteúdos mais adequados para as suas turmas, além de acompanhar mais atentamento o desempenho de cada aluno.

Em associação com tradicionais editoras de materiais didáticos no exterior, como MacMillan Education e a Pearson, tem expandido a sua presença para além dos EUA, com escritórios na Europa, e, até o final do ano, no Brasil:

— Temos conversado com algumas instituições de ensino e editoras por aqui. Até o final do ano estaremos com um escritório em São Paulo. Em alguns locais, o Brasil tem iniciativas educacionais bastante inovadoras, mais do que em diversos outros países. Achamos que é um mercado com potencial interessante.

Para ele, a Knewton faz parte de uma revolução muito mais ampla na educação, e que inclui também plataformas digitais como a Khan Academy, que focam seus recursos em ampliar o alcance de aulas e do acesso ao conhecimento.

— A educação nunca passou por uma grande revolução tecnológica como, por exemplo, a medicina. Agora, no entanto, o setor educacional está tendo a oportunidade disso, graças às possibilidades do big data. Toda essa tecnologia vai eventualmente ser integrada às estruturas tradicionais de ensino, o que fará com que elas se tornem mais modernas e poderosas. Desafios existem, mas é um caminho sem volta — acredita o executivo.

“O bom professor é o que faz o aluno aprender por si”, diz matemático Salman Khan

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salmakhan

Sabine Righetti, na Folha de S.Paulo

O matemático norte-americano Salman Khan não baseia suas aulas em nenhum teórico da educação como Jean Piaget. Mesmo assim, consegue uma proeza: prender a atenção dos alunos –e são milhões de alunos.

Criador do Khan Academy, plataforma de estudos na internet que direciona os estudos dos usuários a partir de exercícios básicos, ele defende que o conhecimento não deve estar em caixinhas.

Ou seja: quem gosta de matemática pode, sim, ter aptidão para letras ou história.

E pode aprender as áreas do conhecimento juntas.

“O processo de aprendizagem é um só”, diz o especialista que acaba de lançar no Brasil a tradução do livro “Um Mundo, uma Escola” (Editora Intrínseca, R$ 29,90).

Também acaba de chegar ao Brasil a própria Khan Academy. A Fundação Lemann lançou neste mês a versão em português do material (http://pt.khanacademy.org).

Isso inclui 100 mil exercícios de matemática e mil videoaulas de várias áreas do conhecimento –o que corresponde a 20% do total de vídeos em inglês.

Abaixo, a entrevista exclusiva para a Folha, concedida por meio do Skype.

*

Folha – Como surgiu a ideia de colocar aulas na internet?

Salman Khan – Uma sobrinha minha de 12 anos começou a ter problemas em matemática na escola e eu ofereci ajuda. Isso foi em 2004. Eu morava em Boston, e ela morava em Nova Orleans. Então, começamos a falar por telefone e pela internet. O processo ajudou, e o aprendizado dela em sala foi se acelerando. Depois eu comecei a trabalhar em ferramentas para ajudá-la. A Khan Academy surgiu de uma tentativa de simplesmente ajudar meus sobrinhos na escola. Comecei com ela, depois passei a ajudar os irmãos dela.

Em 2005 registrei o domínio do Khan Academy na internet, passei a postar os vídeos com as aulas, meus amigos começaram a assisti-los e divulgá-los. A coisa ganhou escala e o mundo inteiro começou a assistir os vídeos e fazer os exercícios [hoje a plataforma educativa traz 100 mil exercícios de matemática e quase cinco mil videoaulas sobre várias disciplinas].

E o que aconteceu com sua sobrinha que tinha problemas com matemática?

Ela se deu bem em matemática, melhorou muito e rapidamente. Ela acabou se dedicando à escrita.

Acho que ela é uma boa escritora porque ela é boa em matemática. Penso que as duas atividades estão relacionadas, ambas são similares e utilizam muito o cérebro. Hoje ela estuda escrita no Sarah Lawrence College (EUA).

Baseado nessa ideia de multidisciplinaridade que você, que é matemático, também dá aulas de disciplinas como história na Khan Academy?

[risos] Eu acho que sou uma pessoa multidisciplinar. E acho que a maioria das pessoas também pode ser. É como eu disse: eu não acredito que matemática ou escrita sejam diferentes. Ambos usam partes importantes do cérebro. É isso que quero passar aos meus filhos.

Eles não se veem como pessoas de humanas, de exatas ou de biológicas. Eles se veem como estudantes, como pessoas que podem aprender e se envolver com o que quiserem. Não acredito que o conhecimento seja segmentado em caixas.

Essa maneira conectada e multidisciplinar é uma nova forma de ver a educação?

Na verdade, não. Esse era o modelo da educação há cerca de 200 anos. Mas era um modelo muito caro porque as pessoas tinham mestres individuais, não daria para fazer uma educação de maneira massiva como é feita hoje.

Há, claro, ganhos no novo modelo educacional com professores por áreas do conhecimento ensinando um grupo de alunos. Mas estamos, sim, retomando ideias antigas de educação.

O que temos de novo agora são as tecnologias que nos permitem retomar esses padrões de educação que foram dispensados ao longo do tempo. E temos escala. No Khan Academy nós não estamos falando de um milhão de pessoas, mas sim de dez milhões de usuários que estão no sistema de ensino e que integram o Khan Academy na sua rotina de aprendizado. Isso é inovador.

Grandes universidades americanas como MIT e Harvard passaram a disponibilizar cursos na internet recentemente. Elas foram influenciadas pela proposta da Khan Academy?

A ideia de oferecer educação de graça e em qualquer em qualquer lugar está relacionada de alguma maneira. A diferença é a maneira como estamos fazendo. Os cursos on-line massivos de plataformas como o edX e Coursera [que trazem cursos abertos de universidades como MIT, Harvard e Caltech] são focados em digitalizar cursos que já existem presencialmente. Ou seja, de colocar on-line algo que já existia.

Além disso esses cursos têm data para começar e terminar. Nós somos mais focados em como prover às pessoas conhecimento. Vamos mostrar para você onde você precisa ir e você irá, no seu tempo e nas suas condições.

Mas assim como o edX, a Khan Academy está mostrando um caminho para o qual a educação está seguindo, sem fronteiras na internet.

Sim, estamos definitivamente em um novo mundo. Nos últimos dez ou cinco anos qualquer pessoa pode aprender algo que decidiu estudar se tiver acesso à internet. O truque é: como relacionamos o aprendizado na internet e o que se aprende presencialmente com o contato com os professores?

Ainda não temos resposta.

O que é uma escola boa?

É uma escola que tem professores incríveis e que oferece a eles uma estrutura suficiente para que trabalhem com os alunos possibilidades de explorar o conhecimento.

É preciso dar a eles flexibilidade de tempo para que eles não sejam obrigados a ensinar determinado assunto em determinado tempo.

Os alunos precisam aprender com os professores como direcionar seu próprio estudo. E aí entra a tecnologia. O professor não deve usar tecnologia somente porque alguém mandou que o fizesse.

Os professores sabem usar tecnologia em sala de aula?

Todos temos de aprender. Primeiramente é preciso que a tecnologia esteja presente na sala de aula. É o primeiro passo. Isso deve começar a acontecer cada vez mais.

Você disse que boa escola é a que tem “professores incríveis”. O que é isso?

Muita gente associa um professor incrível com alguém que dá aulas sensacionais. Eu acho o contrário.

Um professor incrível é o que conhece profundamente o assunto que pretende passar, mas que entende que precisa passar ao estudante ferramentas para que ele descubra o conhecimento por si só. O bom professor na verdade é um ótimo guia.

Você dá aulas presenciais?

Não. Apenas para amigos e para a família [risos]. Eu já dei aulas no passado, muito antes da Khan Academy, mas nunca pensei em seguir minha carreira nesse sentido.

Então você nunca estudou para ser um professor?

Não.

Como surgiu a ideia de traduzir o material da Khan Academy para o português?

Nós fomos procurando pela Fundação Lemann há alguns anos e achamos a ideia ótima. Eu visitei o Brasil com a minha família, conheci um pouco do contexto local e falamos da tradução.

Somos um dos piores países do mundo em matemática, segundo o exame internacional Pisa. A Khan Academy pode ajudar os brasileiros?

Não posso fazer promessas, mas posso dizer que existe essa mesma expectativa aqui nos Estados Unidos.

Vocês sobrevivem apenas com doações?

Sim. Temos suporte da Fundação Bill & Melinda Gates, do Google e de grandes empresas e de pessoas físicas. Qualquer moeda ajuda.

Veja como estudar matemática pela Khan Academy em português

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Versão traduzida do site de Salman Khan foi lançada nesta semana.
Até o ano passado, ela era usada apenas por alunos de um projeto-piloto

Publicado no G1

A nova plataforma da Khan Academy ganhou nesta semana uma versão oficial em português. A partir de agora, usuários brasileiros e de outros países que falam português podem não só assistir à tradução das videoaulas elaboradoras pelo americano Salman Khan, como também realizar exercícios de acordo com seu nível de matemática no idioma nativo.

O site é estruturado tanto para usuários individuais –incluindo crianças com conhecimentos iniciantes de matemática, estudantes universitários e concurseiros– quanto para que professores possam usá-lo na sala de aula, acompanhando o progresso de cada aluno. Os conteúdos da disciplina foram divididos em 557 habilidades e abrangem desde operações simples de soma até exercícios de cálculo, álgebra e geometria. Todos são acompanhados de videoaulas que explicam o conteúdo da matéria.

A Fundação Lemann, que atua em projetos educacionais e é responsável pela versão em português da plataforma, afirma que mais de 100 mil exercícios já estão disponíveis aos usuários do Brasil. Até 2013, o site em português era usado em um ambiente fechado por 12 mil alunos de um projeto-piloto.

Veja a seguir como dar os primeiros passos na Khan Academy em português:

1-foto1_31) Cadastro
No site https://pt.khanacademy.org é possível escolher que tipo de cadastro fazer. Os usuários individuais podem usar seu login no Facebook para entrar na plataforma, seu perfil no Google ou outro e-mail. Professores e pais, que podem fazer um perfil de tutoria para acompanhar o aprendizado de outros usuários, têm campos específicos de cadastro na página inicial da plataforma.

 

 

1-foto1_52) Pré-teste
A primeira atividade da plataforma é fazer uma avaliação inicial do nível de cada usuário em matemática. Por isso, um pré-teste com algumas questões é feito com todos os novos estudantes cadastrados. Após o resultado, o sistema gera um boletim mostrando que habilidades de matemática o usuário já conhece, e em qual nível (conteúdo praticado, nível 1, nível 2 ou dominado).

 

 

1-foto1_63) Tarefas
A partir do resultado, a plataforma gera diversos conjuntos de tarefas para o usuário treinar as habilidades de acordo com sua necessidade individual. Cada conjunto tem uma série de exercícios. Caso o aluno não saiba a resposta, ele pode receber dicas e assistir a uma videoaula específica do assunto.

É preciso acertar cinco exercícios consecutivos para mostrar domínio daquele nível de habilidade e partir para o próximo. O diferencial da Khan Academy, segundo a Fundação Lemann, é que cada estudante pode avançar no seu próprio ritmo, sem esperar que a classe toda domine o conteúdo da matéria para partir para a próxima aula.

 

 

 

1-foto1_74) Acompanhamento
Todas as atividades do usuário são registradas no sistema, e podem ser acompanhadas por relatórios de estatísticas –incluindo a quantidade de tempo gasto em exercícios ou assistindo a vídeos– e pelo progresso específico de cada habilidade. É por meio desses relatórios que professores e pais podem seguir as atividades dos estudantes no site, e intervir quando for preciso.

 

 

Sobre a plataforma
A Khan Academy surgiu em 2008 após a popularidade que os vídeos de Salman Khan fizeram no YouTube. Há mais de oito anos, ele começou sem querer uma carreira como professor virtual, por meio de videoaulas produzidas como reforço escolar de matemática para uma sobrinha. Em 2011, lançou a plataforma que, além das aulas online, também trazia exercícios e maneiras de registrar a evolução do desempenho de cada estudante. A ideia, segundo ele, era que o sistema fosse usado em sala de aula para ajudar os professores a entenderem facilidades e dificuldades específicas de cada aluno em cada conteúdo ensinado.

Em agosto de 2013, Khan lançou uma versão atualizada da plataforma. Até esta semana, ela só estava disponível em inglês e espanhol. No mundo todo, 10 milhões de pessoas usam a plataforma por mês e mais de 1,6 bilhão de problemas de matemática já foram resolvidos nela. No Brasil, o projeto é feito pela Lemann em parceria com o Instituto Natura, o Instituto Península, o Ismart e a Fundação Telefônica.

Plataforma da Khan Academy será lançada em português em janeiro

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Versão brasileira estará disponível a qualquer pessoa, segundo fundação.
Site tem exercícios e aulas de matemática, com relatórios de desempenho.

A professora Leandra Oliveira com seus alunos do quinto ano Eric e Maria Eduarda, que começaram neste ano a ter aulas de matemática com vídeos e exercícios online (Foto: Ana Carolina Moreno/G1)

A professora Leandra Oliveira com seus alunos do quinto ano Eric e Maria Eduarda, que começaram neste ano a ter aulas de matemática com vídeos e exercícios online (Foto: Ana Carolina Moreno/G1)

Ana Carolina Moreno, no G1

Página inicial da plataforma da Khan Academy em português (Foto: Reprodução/Fundação Lemann)

Página inicial da plataforma da Khan Academy em
português (Foto: Reprodução/Fundação Lemann)

A nova plataforma da Khan Academy, lançada no início do segundo semestre, ganhará uma versão oficial em português a partir de janeiro de 2014. O anúncio foi feito na tarde de terça-feira (12), no lançamento de uma versão ainda em fase de testes. Além das videoaulas elaboradoras pelo cientista da computação e matemático americano Salman Khan, a plataforma tem exercícios e ferramentas para que os professores acompanhassem o progresso dos alunos em matemática.

Em março, quando começou a usar uma plataforma inspirada na de Khan, e elaborada pela Fundação Lemann, a professora Leandra Marques Rodrigues Oliveira estava “resistente” sobre o que poderia acontecer com os 32 alunos da sua turma de quinto ano do ensino fundamental. Mas, a um mês do fim do ano letivo, ela se diz satisfeita com o resultado do sistema. Leandra fez parte de um projeto-piloto implantado pela Lemann em seis cidades brasileiras. No ano que vem, o objetivo da entidade é expandir o projeto dos 12 mil alunos atendidos atualmente para 50 mil, além de abrir o acesso gratuito ao site para qualquer escola, professor e aluno do país, com conteúdos do ensino fundamental ao médio.

O site surgiu após a popularidade que os vídeos de Khan fizeram no YouTube. Há mais de oito anos, ele começou sem querer uma carreira como professor virtual, por meio de videoaulas produzidas como reforço escolar de matemática para uma sobrinha. Em 2011, lançou a plataforma que, além das aulas online, também trazia exercícios e maneiras de registrar a evolução do desempenho de cada estudante. A ideia, segundo ele, era que o sistema fosse usado em sala de aula para ajudar os professores a entenderem facilidades e dificuldades específicas de cada aluno em cada conteúdo ensinado.

De acordo com Denis Mizne, diretor executivo da Fundação Lemann, as escolas podem se candidatar a receber o projeto em suas salas de aula desde que ofereceram a internet de banda larga e os computadores. Além das 50 mil crianças que participarão da próxima fase do projeto Khan nas escolas, a expectativa é que pelo menos outros 50 mil acessem por conta própria a plataforma online, que será de uso gratuito. Ele afirma que o custo do projeto é de menos de R$ 3 por aluno por mês e estima que a Khan Academy é a “tecnologia que vai ser testada em maior escala no Brasil em sala de aula”.

Eu consigo saber se o aluno realmente fez a atividade, assistiu ao vídeo, se é capaz de ensinar o conteúdo para outro aluno”
Leandra Marques Rodrigues Oliveira,
professora

‘Diferenciação pedagógica’
Depois de dez meses usando regularmente a plataforma em suas aulas, combinada com outras abordagens para complementar o ensino, Leandra, que dá aulas na Escola Municipal de Educação Fundamental M’Boi Mirim 3, contou ao G1 que essa ferramenta de acompanhamento é o principal ponto alto da Khan Academy por possibilitar a “diferenciação pedagógica” entre os estudantes. “Eu consigo saber se o aluno realmente fez a atividade, assistiu ao vídeo, se é capaz de ensinar o conteúdo para outro aluno”, explicou ela.

Além de conseguir saber onde cada aluno precisa de ajuda, Leandra explica que é possível também permitir que os estudantes que conseguem terminar os exercícios com mais rapidez possam seguir avançando no seu próprio ritmo. “É diferente da lousa, que eu só posso apagar depois que o último aluno terminou de copiar. [A plataforma] possibilita que mais alunos alcancem o conteúdo esperado.”

Como resultado, segundo a professora, dos 32 alunos da sala, dois deles já terminaram todas as etapas da plataforma previstas para o quinto ano –como se tivessem “zerado” o jogo, já que cumprir as atividades rende aos alunos medalhas de esforço, velocidade e mérito. Outros oito, segundo ela, estão perto do final e podem acabar os conteúdos ainda nesta semana, a um mês do fim do ano. Ela acredita que os demais chegarão na mesma situação até meados de dezembro, com exceção de 10 alunos, que, de acordo com Leandra, chegaram ao quinto ano com defasagem em relação aos colegas, ou apresentam algum tipo de problema que afeta seu desempenho cognitivo.

Assistentes da professora
Eric Leandro Moreira da Silva e Maria Eduarda Souza Silva têm dez anos e estudam na classe da professora Leandra desde o início do ano. A quatro semanas das férias, os dois já terminaram todo o conteúdo previsto na plataforma e agora praticam de outra forma: são monitores dos colegas de classe. “A professora deixou, se a gente quisesse podia [fazer os exercícios por conta própria]”, explicou Eric, que passou a usar o tempo livre em casa para estudar matemática no computador e, segundo o pai, Luiz Antonio Silva, chega a passar horas seguidas na plataforma.

A mãe de Maria Eduarda, Cassandra Silva Souza, afirma que, no quarto ano, a garota reclamava da “chatice” na escola, já que ela terminava os exercícios com rapidez e depois precisava esperar os demais colegas para prosseguir. “Ela estava desmotivada, e eu vi que o projeto a estimulou mais”, diz Cassandra. Maria Eduarda decidiu juntar dinheiro durante cerca de três meses e comprou um tablet no qual estuda matemática.

Bárbara passou de aluna para monitora dos colegas de classe (Foto: Ana Carolina Moreno/G1)

Bárbara passou de aluna para monitora dos
colegas de classe (Foto: Ana Carolina Moreno/G1)

A aluna conta que não foi fácil realizar todas as atividades, mas que com muita dedicação e horas investidas no tempo livre, em casa e na própria escola. Como resultado, conseguiu terminar o conteúdo previsto para o ano todo ainda em outubro, pouco depois do Dia das Crianças.

Em sua classe do quinto ano na Emef Vinicius de Moraes, em Santo André, na Grande São Paulo, Bárbara Heloise Lopes também acabou virando assistente da professora quando o assunto são os exercícios de matemática da Khan. Segundo a garota, durante as aulas ela sempre é procurada pelos colegas para tirar dúvidas sobre algum tema.

Os vídeos da plataforma de Salman Khan não fizeram com que matemática ficasse mais fácil para ela, que diz sempre ter sido boa aluna na matéria. Porém, o site deixou o estudo do tema “mais legal”, diz Bárbara, que também ganhou permissão de sua professora para praticar em casa, onde ela usa o computador do avô emprestado para acessar a plataforma.

Não substitui a sala de aula física
Professores que já têm experiência com o uso da tecnologia desenvolvida por Salman Khan na sala de aula aprovam a plataforma, mas sugeriram melhorias ao próprio americano, que participou de uma conversa virtual com alunos e professores na terça-feira. Leandra, por exemplo, citou a acessibilidade como um dos desafios para a inclusão de alunos com necessidades especiais. Khan disse que para os alunos surdos há a opção de legenda nos vídeos, mas há casos em que ainda não existe uma solução inclusive, como o dos estudantes cegos.

Outras melhorias técnicas também foram sugeridas, como a criação de espaços de bate-papo virtual em tempo real para que professores troquem dicas e tirem dúvidas uns dos outros, a inclusão de conteúdo de matemática para o ensino superior e a possibilidade de controlar que conteúdos os alunos acessam no sistema.

Segundo Leandra, uma das dificuldades encontradas durante as aulas foi justamente a disciplina dos alunos para que realizassem os exercícios recomendados por ela. A professora explica que alguns alunos decidiam pular etapas por conta própria sem cumprir atividades anteriores que, apesar de mais fáceis, contêm conteúdos importantes e devem ser feitas antes de avançar.

Em conversa com os professores, Khan lembrou que a plataforma não tem como pretensão substituir a sala de aula física, já que há uma série de atividades presenciais enriquecedoras e essenciais ao aprendizado, como o diálogo entre professores e alunos e a interação entre um aluno e outro, por exemplo. “Não achamos que um dia poderemos fazer o que a sala de aula física faz, o que queremos é liberar o tempo da sala de aula física” para que as outras atividades e projetos possam ser feitos.

Aos professores que se preparam para introduzir os conteúdos da Khan Academy em suas aulas a partir de 2014, Leandra diz que a maior dica “é tentar conhecer o máximo a plataforma antes de começar a trabalhar com os alunos”. Ela não nega que os docentes possam sentir o mesmo medo que ela sentiu nos primeiros dias. “Tudo o que é novo causa medo, então não digo para não ter medo, mas para vencer o medo. Superar esse medo é o mais importante”, afirmou.

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