Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged Ku Klux Klan

PUC-Campinas apura racismo de alunos de direito nas redes sociais

0

Ofensas teriam ocorrido contra estudantes no grupo ‘Direito PUC-Campinas’
Centro Acadêmico do curso repudiou as mensagens: ‘machistas, racistas’.

Publicado no G1

Mensagens com teor racista foram apagadas de grupo de alunos da PUC-Campinas no Facebook (Foto: Reprodução/ Facebook)

Mensagens com teor racista foram apagadas de
grupo de alunos da PUC-Campinas no Facebook
(Foto: Reprodução/ Facebook)

A PUC-Campinas irá apurar uma denúncia de racismo feita contra alunos do curso de direito. De acordo com a denúncia, os estudantes usaram um grupo no Facebook, chamado Direito PUC-Campinas, para publicar comentários e fotos com alusão à Ku Klux Klan e insultos após uma aluna reclamar da divisão de gêneros nas aulas de futebol e ser defendida por um aluno negro. Com a polêmica, parte do conteúdo foi apagado.

A postagem que desencadeou os insultos foi feita em 27 de março e, até quinta-feira (2), recebeu mais de 560 comentários. A reclamação da divisão por gênero nas aulas de futebol se tornou tema secundário quando um aluno negro saiu em defesa da estudante. Só então, parte dos alunos responderam ao post com fotos e mensagens de teor racista.

Em resposta, outro grupo de alunos ameaçou registrar os comentários para fazer a denúncia, mas isso não impediu que os “memes” com negros fossem publicados. Apenas após seis dias de discussões na rede social, os administradores do grupo excluíram os tópicos.

Dentre os comentários, estão referências à organização racista Ku Klux Klan, com a mensagem “A tocha da Ku Klux Klan chega a tremer”. Em outra, há uma foto de um professor negro e a frase “Professor, poderia ser mais claro?” Outro negro, sem os braços, aparece junto à frase “Nego não se toca”. Uma imagem com o cantor Michael Jackson acompanha a mensagem “Nego é esclarecido”.

Alunos de direito da PUC-Campinas denunciam racismo no Facebook (Foto: Reprodução/ Facebook)

Alunos de direito da PUC-Campinas denunciam
racismo no Facebook (Foto: Reprodução/ Facebook)

Repúdio
Em nota, o Centro Acadêmico (CA) de Direito da PUC-Campinas repudiou os comentários do grupo de estudantes. “O discurso de ódio disfarçado de ‘piada’ e ‘brincadeira’ naturalizou, deu aval e legitimou muitas atrocidades na história da humanidade”, argumentou a entidade que representa os alunos.

O CA compartilhou a análise feita por um estudante negro do curso, que acompanhou as discussões na rede social. “Um show de horror, ignorância, desrespeito e intolerância. O post rendeu, foi longe, para a alegria e diversão deles e para a minha tristeza ou a de outros negros que viram aquilo ou até mesmo daquele ser humano que possui um misero resquício de humanidade e compaixão com o próximo”, escreveu.

A universidade
A PUC-Campinas informou por nota que recebeu a denúncia, formalizada por um aluno na ouvidoria da universidade, e “desencadeou processo para averiguação do ocorrido”. A assessoria de imprensa reiterou que a página não é administrada pela universidade, portanto não é oficial.

“A PUC é responsável pelo endereço www.facebook.com/puccampinas, este sim, de responsabilidade do Departamento de Comunicação Social da Universidade”, informou.

A universidade não revelou se já identificou algum estudante e qual pode ser a punição para os envolvidos “em respeito ao adequado andamento das apurações”.

Fachada do campus central da PUC-Campinas, sede do curso de direito (Foto: Fernando Pacífico/ G1)

Fachada do campus central da PUC-Campinas, sede do curso de direito (Foto: Fernando Pacífico/ G1)

Alunos de Medicina da Unesp fazem trote com roupas do Ku Klux Klan

1
(Foto de capa: Reprodução/Facebook)

(Foto de capa: Reprodução/Facebook)

Páginas no Facebook denunciaram o episódio: “O racismo não é brincadeira. Se você acha isso engraçado, se você não vê problema nisso, você precisa seriamente rever sua inteligência”, diz uma das postagens

Publicado na Revista Forum

Em festa realizada no último dia 5, calouros do curso de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu (SP), foram recebidos por veteranos fantasiados com trajes semelhantes aos do grupo norte-americano Ku Klux Klan (KKK), que defendia a supremacia da raça branca e perseguia negros.

O “Batizado de Medicina” – nome dado ao evento –, organizado por alunos do sexto ano, foi denunciado pelo grupo “Opressão da Medicina”, do Facebook. “Com a morte de centenas de milhares de pessoas não se brinca. O racismo não é brincadeira. Se você acha isso engraçado, se você não vê problema nisso, você precisa seriamente rever sua inteligência”, diz a postagem da página.

Outra fanpage que condenou o episódio foi a “Rede de proteção às vítimas de violência na universidade”. “Não é possível tolerar ‘brincadeiras’ como a de vestir-se à la Ku Klux Klan, acender tochas e colocar calouros ajoelhados para serem batizados, conforme está na foto anexa. A KKK é exemplo de ódio, de eugenia, intolerância e morte. O que pensar de médicos que se predispõem a emular coisas que existiram de pior na história da humanidade?”, contesta.

Em nota, a turma do sexto ano de Medicina da Unesp afirmou que as fantasias foram escolhidas no intuito de representar “carrascos”. “Em nenhum momento houve qualquer prática preconceituosa, que estimulasse o racismo, homofobia, preconceito religioso ou corroborasse ideias de qualquer seita de caráter opressor. A conclusão de que estávamos fantasiados de ‘Ku Klux Klan’ foi inferida pela forma como foram divulgada as imagens, descontextualizando totalmente a fantasia e inserindo imagens que fizessem com que os leitores chegassem a essa conclusão.”

Por meio do comunicado, os alunos ainda se desculparam pelo fato. “Abominamos qualquer prática de preconceito, seja ele devido a etnia, credo ou opção sexual e estamos dispostos a dar mais informações quando tivermos todas as condutas acertadas”, diz o informe.

Com a repercussão do caso, os estudantes prometeram se reunir com a diretoria da unidade nesta segunda-feira (30) para relatarem sua versão do episódio.

Crítica: Livro de historiador expõe contradições de Malcolm X

0

Eleonora de Lucena, na Folha de S.Paulo

Capitalismo e racismo andam juntos na história. Discriminações servem para dividir e oprimir grupos. Poucos personagens sorveram dessa realidade de forma tão radical quanto Malcolm X.

De pregador do ódio racial, ele se transformou em liderança pelos direitos humanos, afrontando o poder do governo norte-americano.

Era o período da Guerra Fria, e Malcolm passara a defender os países do Terceiro Mundo e a flertar com as ideias socialistas. Percorrera a África e o Oriente Médio, enterrando o sectarismo cego que o marcara até então. Já não satanizava os brancos nem advogava a criação de um Estado negro separado.

O ativista Malcolm X fala à imprensa em Washington, em 1963, dois anos antes de ser assassinado (Associated Press)

O ativista Malcolm X fala à imprensa em Washington, em 1963, dois anos antes de ser assassinado (Associated Press)

Os meandros dessa transformação são dissecados pelo historiador norte-americano Manning Marable em “Malcolm X, uma Vida de Reinvenções”, obra vencedora do prêmio Pulitzer de 2012.

Diferentemente de Martin Luther King, fruto da pequena burguesia instruída e endinheirada de Atlanta, Malcolm X veio do gueto urbano moderno: vivenciou a pobreza, a falta de emprego, a violência, a segregação.

Na juventude, meteu-se em arrombamentos, roubos, furtos, prostituição. Lavou pratos e vendeu maconha. Preso, virou muçulmano. “O crescimento econômico do pós-guerra tinha deixado muitos afrodescendentes para trás”, escreve Marable.

Malcolm incorporou a cadência do jazz ao seu estilo de oratória e levou multidões a aderir ao islã e a protestar contra a violência policial.

Leitor voraz a partir do tempo de cadeia, fazia discursos sobre o legado da escravidão, atacando o cristianismo e o governo dos EUA.

Seguindo a trajetória do líder, o historiador aponta também suas escorregadelas em entrevistas e seus erros estratégicos. Malcolm chegou a ter encontro com a Ku Klux Klan.

O autoritarismo do seu grupo islâmico e a seita de supremacia branca eram lados de uma mesma moeda: racismo e segregação. O pensamento de Malcolm deu um giro quando se aproximou dos embates de seus seguidores e conheceu outras experiências de luta pelo mundo.

Marable observa que o líder percebeu que só teria êxito “se se juntasse ao movimento de direitos civis e outros grupos religiosos para uma ação conjunta. Não se podia simplesmente deixar tudo por conta de Alá”.

MUDANÇA DE POSTURA

Arrependido de ter ridicularizado King em discursos no passado, Malcolm o cumprimentou. O aperto de mãos traduziu a mudança: o líder rebelde trocava a violência pela batalha do direito ao voto.

“União é a religião certa”, declarou. E se autodefiniu: “Não sou antibranco, sou antiexploração e antiopressão”. O historiador afirma que Malcolm tornou-se “uma ameaça ainda maior” para o governo dos EUA após o seu rompimento com a Nação –o grupo islâmico de características xiitas que abraçara na cadeia.

O historiado Manning Marable, autor de "Malcolm X" (Associated Press)

O historiado Manning Marable, autor de “Malcolm X” (Associated Press)

O livro, rico em análises, faz uma descrição minuciosa do até hoje não esclarecido assassinato de Malcolm, em 1965. Quatro horas após o crime, o palco onde ocorrera o delito estava lavado para um baile de aniversário.

Marable compara Malcolm a Che Guevara e cita as influências do líder no movimento Black Power e em músicos como John Coltrane. O autor conta que começou a trabalhar na biografia no final dos anos 1980. Desconstruindo a “Autobiografia” de Malcolm, percebeu exageros. Marable concluiu o livro pouco antes de morrer, em 2011.

Go to Top