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No Kuwait, ninguém pode ler ‘Cem anos de solidão’, de García Márquez

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Gabriel García Márquez, escritor colombiano: seu clássico “Cem anos de solidão” é proibido no país árabe – Claudia Rubio / El Tiempo

Governo do país já censurou 4 mil livros, entre eles obras clássicas como ‘Nossa Senhora de Paris’, de Victor Hugo, em que aparece o corcunda de Notre Dame

Publicado em O Globo

CIDADE DO KUWAIT – Dezenas de ativistas e escritores kuwaitianos vêm fazendo protestos desde o início do mês contra a censura estatal que priva os habitantes do emirato de ler milhares de obras literárias, entre elas o clássico “Cem anos de solidão”, do colombiano Gabriel García Márquez (1927-2014).

Tendo como mote a 43ª edição da Feira do Livro, que acontece em novembro, já foram feitas duas marchas de protesto no país, nos dias 1º e 15 de setembro; e nas redes sociais há uma intensa campanha contra a censura do governo.

Cedendo à pressão de círculos religiosos e conservadores, o Ministério da Informação do Kuwait proibiu pelo menos 4 mil livros nos últimos cinco anos — incluindo, além de “Cem anos de solidão”, “Nossa Senhora de Paris”, de Victor Hugo (onde um dos personagens é o corcunda de Notre Dame).

Todas as obras literárias a serem apresentadas na feira passarão antes pelo crivo de uma comissão de censura.

— Infelizmente, censurar um livro revela profunda ignorância — afirma a romancista kuwaitiana Mays al Othman. — A decisão de proibir uma obra se baseia apenas na busca de palavras-chave, inclusive quando se examinam livros religiosos.

A própria escritora foi alvo de censura. Seu romance “A verruga”, em que conta a história de uma mulher estuprada durante a ocupação do Kuwait pelo Iraque de Saddam Hussein (1990-1991), foi proibido.

MINISTRO DEFENDE CENSURA

Segundo ativistas políticos, um vazamento de documentos da Comissão de Censura do Ministério da Informação revelou o grande número de obras que foram vetadas.

Mas o ministro da Informação, Mohammed al-Awash, defende o trabalho da comissão.

— A proibição é a exceção, e a autorização, a regra — afirma. — A comissão apena se empenha em aplicar a lei sobre a imprensa e publicações [que foi aprovada pelo Parlamento em 2006].

O escritor francês Victor Hugo (1802-1885), outro autor proibido – Divulgação

A lei proíbe qualquer ofensa ao Islã ou à Justiça do Kuwait, assim como qualquer ameaça à segurança nacional e incitação à desordem ou a “atos imorais”.

O secretário-geral da União dos Escritores do Kuwait, Tala al-Ramidhi, conta que uma obra também pode ser censurada se seu conteúdo for “contrário à boa conduta”, um critério que considera extremamente vago.

Nos últimos anos, a Câmara de Deputados do Kuwait, eleita por sufrágio universal — rara exceção entre os países árabes do Golfo Pérsico — tem sido dominada por políticos conservadores ou sectários.

PRESSÕES POLÍTICAS

Nas redes sociais, os ativistas anticensura destacam o caráter “ridículo” das decisões da comissão.

“O único motivo [para a censura] é a ignorância”, disse no Twitter a escritora Bouthaïna al-Issa.

Nas décadas de 1970 e 1980, o Kuwait contava com várias publicações, e lá se editava a revista “Al-Arabi”, bastante difundida nos países da região, bem como diversas obras científicas e literárias.

Aguil Youssef Aidane, outro autor de livros proibidos, atribui a censura a “pressões políticas exercidas por certos círculos religiosos sobre as instituições culturais”.
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— A proibição de livros, às vezes só por conter uma palavra ou foto, prejudica a imagem do Kuwait — afirma.

Para Imane Jawhar Hayat, membro de um grupo político local, os motivos invocados para justificar a censura “são frequentemente ilógicos”.

Apesar da repressão aos livros, al-Ramidhi, da União dos Escritores do Kuwait, diz que ninguém foi perseguido no país por vender livros proibidos.

Autora acusa Disney de plagiar seu livro para criar o filme Frozen

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 Frozen foi um dos maiores sucessos da Disney de todos os tempos Divulgação

Frozen foi um dos maiores sucessos da Disney de todos os tempos Divulgação

Muneefa Abdullah, do Kuwait, alega em processo que sua obra foi roubada pela Disney

Publicado no R7

Uma autora do Kuwait, chamada Muneefa Abdullah, está acusando a Disney de plagiar um de seus livros no filme Frozen: Uma Aventura Congelante.

Muneefa escreveu em 2007 o livro New Fairy Tales, algo como Novos Contos de Fada, no qual há a história de uma Princesa da Neve. A autora explica no processo algumas das ideias que ela acredita que tenham sido roubadas pela Disney.

Além da protagonista ser uma princesa que manipula o gelo, há também um reino de gelo cercado por montanhas, uma irmã em busca de salvar a tal princesa de gelo, guardas feitos de gelo e a ideia de que o amor fraternal pode combater o mal.

A Disney promoveu Frozen como sendo baseado em A Rainha da Neve, do autor Hans Christian Andersen, história publicada em 1844. A empresa ainda não se pronunciou sobre a acusação.

Frozen: Uma Aventura Congelante rendeu mais de R$ 2 bilhões para a Disney, isso apenas em bilheteria, tirando os produtos licenciados, DVDs e Blu Rays.

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