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Americano encontra valiosa primeira edição de quadrinhos do Super-Homem dentro de parede

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Os lances já chegaram a 127.000 dólares (Foto: Divulgação / Comic Connect)

Os lances já chegaram a 127.000 dólares (Foto: Divulgação / Comic Connect)

Publicado no Extra

Durante os anos em que trabalhou com demolição e reforma de casa, nos Estados Unidos, David Gonzalez sempre sonhou em encontrar alguma coisa valiosa ou curiosa escondida nas paredes que derruba. Até que encontrou, em meio a jornais velhos que isolavam a parede de uma casa que comprou em Elbow Lake, em Minnesota, por cerca de R$ 20 mil, uma primeira edição da revista em quadrinhos da Action Comics. O super-herói lançado naquela edição de junho de 1938 se tornaria um dos mais populares do mudo: o Super-Homem.

Gonzalez publicou o achado em um site especializado, o Comic Connect, e está leiloando a revista. Até agora, foram 34 lances, que já atingiram incríveis 127.000 dólares (pouco mais de R$ 250.000). O leilão termina em 18 dias, o que significa que esse valor ainda deve subir bastante.

– Eu sabia que valia algum dinheiro. Mas não tinha ideia de que seria tanto – admitiu Gonzalez, de 34 anos.

Segundo o site local Star Tribune, a revista valeria ainda mais, se não fosse a empolgação da família de Gonzalez. Agitada pela descoberta, a tia da mulher do americano arrancou a revista das mãos dele, e acabou rasgando a contracapa.

O descuido derrubou a avaliação dos especialistas. Em uma escola de 10 pontos, a revista foi para 1,5 por causa do defeito. Para se ter uma ideia, recentemente uma edição avaliada em 9 pontos na escala foi vendida por mais de 2 milhões de dólares recentemente.

Em geral, a revista não está tão bem conservada, mas é original. Uma das coisas que mais empolgaram os colecionadores de quadrinhos é que a edição de Gonzalez nunca foi leiloada. Todas as primeiras edições da Action Comics encontradas até então estavam documentadas, e a revista de Gonzalez não estava na lista. Tudo indica que ela só teve um dono.

– É milagroso que tenha sobrevivido e que só teve um dono durante todo esse tempo – disse ele.

De qualquer maneira, o americano não culpa a tia da mulher pelo dinheiro que vai perder na venda da revista.

– Eu sou um cara humilde e trabalhador, então nem fiquei tão empolgado quando encontrei isso com os jornais velhos dentro das paredes – disse ele, que tem quatro filhos. – Dinheiro não compra sua felicidade.

Os parentes de Gonzalez não pensam da mesma maneira:

– Eles ficaram super empolgados e tentaram levar a revistinha – contou.

A revista que David Gonzalez encontrou em meio a jornais velhos vale mais do que a casa que ele comprou para reformar em Elbow Lake. Ainda de acordo com a publicação, ele pagou 10.100 dólares pela construção, e planejava demoli-la para construir um estacionamento.

Jovem campeã de xadrez vende livros no vão do Masp para completar renda

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A campeã de xadrez Thauane de Medeiros, em frente ao Masp, onde vende seus livros foto: Eduardo Knapp/Folhapress

A campeã de xadrez Thauane de Medeiros, em frente ao Masp, onde vende seus livros foto: Eduardo Knapp/Folhapress

Rodolfo Lucena, na Folha de S.Paulo

A gaúcha Thauane de Medeiros aprendeu a jogar xadrez com oito anos e aos dez foi vice-campeã brasileira de sua categoria.

Aos 16 anos, mudou-se para São Paulo e hoje vive do xadrez com o apoio de Mogi das Cruzes. Vende os livros que escreve sobre o jogo na Paulista para complementar sua renda e sonha em ter uma escola de xadrez para crianças. Em setembro de 2011, ela enfrentou o campeão mundial Garry Kasparov.

Jamais imaginei que um dia iria conhecer Kasparov. Ainda mais jogar contra ele, apertar a mão dele. É um dos melhores jogadores de todos os tempos, super frio, tático, estratégico. Ele tem um pouco de tudo. Foi super legal estar frente a frente com um ícone do xadrez.

Cheguei a pensar que poderia empatar com ele, porém cometi um erro, e ele conseguiu centralizar o rei e capturar meus peões. Foram 48 lances, 1 hora e 40 minutos.

Era uma simultânea contra 20 pessoas, eu fui a penúltima a sair. Poderia ter ficado muito mais, ter sido a última, mas, como eu era a única que jogava profissionalmente, eu não fui até o xeque-mate. O jogador profissional sabe quando está perdido e, por respeito ao adversário, abandona.

Vivo do xadrez desde os 16 anos, quando vim para São Paulo. Uns amigos me disseram que algumas cidades aqui pagavam para você representar a cidade em torneios. Antes eu já representava Florianópolis, onde morava com minha família, mas por amor, não ganhava nada.

Em São Paulo, consegui apoio de Mogi das Cruzes. É uma bolsa, não dá para tudo, então comecei a vender meus livros na avenida Paulista para conseguir dinheiro para participar de torneios.

Quem me deu a ideia foi um amigo, que vendia livros de poesia. Primeiro, fiz um CD sobre xadrez, contando a história do jogo, os movimentos das peças, algumas partidas importantes. E contava um pouco também sobre mim.

Aprendi a jogar aos oito anos. Meu cunhado me ensinou, mas em pouco tempo eu estava ganhando dele. Então fui para uma escola que tinha xadrez, para me desenvolver.

No primeiro campeonato, fiquei em quarto lugar; no segundo, fiquei em terceiro e, na terceira etapa, fui campeã.

Aos dez anos, fui vice-campeã brasileira e disputei pela primeira vez um torneio fora do país, o Pan-Americano, em Bogotá, na Colômbia.

Minha mãe me acompanhou, lembro a felicidade dela ao subir no avião. Ela jamais imaginava andar de avião e muito menos sair do país!

Hoje sou a campeã brasileira sub18 e sub20, no feminino. Representei o Brasil no Mundial sub20 na Grécia, em 2012, mas não me saí muito bem. Preciso estudar mais, mas ter um professor é muito caro.

Vendo os livros no vão do Masp (Museu de Arte de São Paulo), às quartas e de sexta a domingo, das 9h ao meio-dia. É um trabalho difícil, você ganha muitos “nãos”, às vezes, é perigoso. Tem bêbados, drogados, já roubaram meu celular, uma mochila com 40 livros…

Foi por causa do meu livro que enfrentei o Kasparov.

Estava vendendo na fila do museu e um senhor se interessou pela minha história, disse que tinha um projeto em que poderia me encaixar.

Era o Paulo Skaf, presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). Fui ajudar os alunos do Sesi com xadrez, fazendo simultâneas e dando palestras. Acabei jogando contra o Kasparov em setembro de 2011.

Microeditoras oxigenam mercado com livros de alta qualidade

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Livros de microeditoras variadas à venda na sede d'A Bolha, na antiga fábrica de chocolates da Bhering, no Rio

Livros de microeditoras variadas à venda na sede d’A Bolha, na antiga fábrica de chocolates da Bhering, no Rio

Cassiano Elek Machado, na Folha de S.Paulo

Houve um tempo em que aquela fábrica, na zona portuária do Rio, era célebre pelos chocolates que produzia e por doces como toffees de caramelo e as balas Boneco, guloseima sabor framboesa.

A fantástica fábrica de chocolates se foi. Mas quem sobe os cinco estreitos lances de escada que levam ao terraço da antiga Bhering, em Santo Cristo, encontra lá no topo um galpãozinho amarelo onde se produzem alguns dos melhores confeitos do mercado editorial brasileiro.

É ali que fica A Bolha, caprichosa editora de livros de arte, quadrinhos e ficção contemporânea que tem só duas funcionárias, suas sócias, a mineira Rachel Gontijo e a californiana Stephanie Sauer.

São elas que escolhem os títulos, negociam direitos, encomendam traduções, editam, cuidam da produção, impressão e, a partir de março, venderão os livros pedalando pela zona sul do Rio num triciclo batizado de A Bolha Móvel.

No bauzinho dessa minilivraria móvel viajarão obras de artistas e escritores de Finlândia, Reino Unido, França, Moçambique, Estados Unidos, Argentina e Canadá.

Criada há um ano e meio, a editora já publicou 15 títulos. Só dois são de brasileiros.

Um deles é o livro de arte “Talvez o Mundo Não Seja Pequeno”, com desenhos do brasiliense Virgílio Neto, 26. O outro é “The Obscene Madame D”, de Hilda Hilst.

Publicado em parceria com a editora nova-iorquina Nightboat Books, a versão para o inglês de “A Obscena Senhora D” é a primeira de uma série de obras de Hilst (1930-2004). Logo virão volumes gringos de “Cartas de um Sedutor” e “Fluxo-Floema”.

A ligação d’A Bolha com os EUA não é fortuita. Foi lá que as fundadoras se conheceram, em 2006, quando estudavam na escola do prestigiado Art Institute of Chicago.

O inglês também é a língua que a brasileira Rachel, 34, escolheu para se expressar como escritora. Sua ficção já apareceu em boas publicações alternativas de língua inglesa, como “Action Yes”, “Everyday Genius” e “Mandorla”, e será neste idioma seu primeiro “romance”.

As aspas ela mesma é quem sugere. “Primary Anatomy”, ficção relacionada com livros de anatomia, será um livro sem um gênero muito definido.

CATÁLOGO

São assim boa parte das obras da editora. O “best-seller” da casa, por exemplo, se chama “Vá para o Diabo”, do argentino Federico Lamas.

Do tamanho de uma caderneta de telefone, o livrinho tem apenas desenhos. Quando vistos através de um slide vermelho, mostram algo diferente (um simpático rapaz vira um lobisomem, Frida Kahlo vira Diego Rivera sentado sobre um crânio).

No catálogo d’ A Bolha, há espaço para um livro em capa dura sobre jazz (do americano Studs Terkel), um livreto brochura apenas com desenhos de um rapaz fazendo sexo com neve (“Ice Fuckers”, do francês Frédéric Fleury), para o quadrinho “udigrudi” de Gary Panter (“O Babaca”) e para um delicado romance sueco chamado “A Traidora Honrada”, de Tove Jansson.

Bem acabados, os livros são impressos em tiragens pequenas, em geral de mil exemplares. Não são comercializados em livrarias tradicionais, mas pelo site da editora e em lojas como a da estilista Isabela Capeto e a livraria Blooks (no Rio), além da paulistana Loja da Iara.

A Bolha também vende livros em sua sede, onde organiza animados microeventos culturais. Todo sábado, a editora realiza o happy hour “Hora Feliz”. No próximo dia 26 de março, no mesmo espaço, ela promoverá seu festival de cinema. É o “A Bolha Open Air – o menor festival de cinema ao ar livre do Rio”.

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ONDE COMPRAR

A Bolha
Pelo site abolhaeditora.com.br; na sede da editora, na r. Orestes, 28, no Rio; ou em lojas do Rio como Blooks e Isabela Capeto

Mínimas
Pelo editoraminimas.com ou em lojas selecionadas no Rio, em São Paulo e Belo Horizonte (inf.: [email protected])

Arte e Letra
Pelo arteeletra.com.br ou na al. Pres. Taunay, 130, Curitiba

Cultura e Barbárie
Pelo culturaebarbarie.org

Demônio Negro
Pelo demonionegro.com ou no espaço cultural Intermeios, na r. Luis Murat, 40, São Paulo

Foto: Leonardo Wen/Folhapress

Autor de “A cabana” lança novo livro e mira na espiritualidade do leitor brasileiro

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Filho de missionários, William Young foi criado em uma tribo indígena

Filho de missionários, William Young foi criado em uma tribo indígena

Mariana Peixoto, no Uai

Não é Paulo Coelho, tampouco J. K. Rowling. É sim William P. Young (“Quem?” é a pergunta que muitos podem se fazer) o autor do segundo livro mais vendido no país nos últimos 10 anos. Seu A cabana vendeu, desde 2008, 3,5 milhões de exemplares (são 18 milhões em todo o mundo). Young perde somente para Ágape, do Padre Marcelo Rossi (8 milhões). História de superação com lances surreais (depois de perder a filha caçula, brutalmente assassinada, homem se encontra com Deus, uma robusta mulher negra, exímia cozinheira), A cabana dá lugar para A travessia.

Com grandes pretensões comerciais (a tiragem inicial encomendada pela Editora Arqueiro foi de 300 mil exemplares), A travessia segue a trilha do livro anterior. Milionário egocêntrico entra em coma depois de sofrer derrame. Ao despertar, se vê ao lado de uma mulher idosa (chamada Vovó, ela é na verdade o Espírito Santo) e de um homem de vestimentas rústicas (Jesus). Os dois lhe dão uma segunda chance: ele poderá voltar à existência terrena para reexaminar a própria vida e tentar buscar a redenção.

Casado, pai de seis filhos, Young, filho de missionários criado em tribo indígena, admite similaridades entre os dois livros. “Quem tiver lido A cabana e for ler A travessia vai sorrir em algumas partes ao descobrir que brinco com coisas do livro anterior. Mas são histórias totalmente diferentes, do mesmo gênero, mesmo que ninguém saiba bem definir o que é”, afirma.

Três perguntas para…

William P. Young
escritor

Como encarou a missão de escrever um novo livro depois de 18 milhões de exemplares vendidos do primeiro?
Escrevi a minha vida inteira, só que achei que ninguém iria se importar. Escrever sempre foi um ato para minha família e amigos. Essa questão nunca mudou, a não ser que agora sou um autor publicado. Para mim, escrever está muito próximo de uma gravidez. Você planta uma semente que começa a crescer, passa a incomodá-lo… Você pode tentar ignorar, já que ela o faz sentir mal toda manhã. ComA travessia isso levou quatro meses. Entregar foi mais difícil, já que com esse tempo um bebê também não está pronto para vir ao mundo. O processo de entregar o livro, passar pelos editores, foi maior. Agora, depois dos números que A cabana fez, seria bobo criar expectativas para A travessia. Aprendi a viver sem expectativas. Tudo o que vier será um presente.

você não acha incrível que A cabana seja o segundo livro mais vendido no Brasil nos últimos 10 anos?

Claro. Acredito que os brasileiros sejam muito sensíveis às questões espirituais e que estejam abertos para as mudanças. Sabia que o livro iria bem no país, mas me surpreendeu o impacto que ele teve. Depois da edição em inglês, que é falado em muitos países, a edição mais vendida de A cabana é justamente em português, aquela que saiu no Brasil. E ser o número dois num país em que o número um é um livro sobre o amor de Deus é uma grande honra.

Você liga para as críticas negativas?
De maneira alguma, elas não me incomodam. Sei muito bem quem sou, e às vezes, outros, que não me conhecem, acabam inventando coisas. E a partir de opiniões negativas, essas pessoas acabam se revelando. Acho que A travessia é um livro mais bem escrito do que A cabana. Mas não há como comparar dois filhos, não é?

dica do Thiago Ferreira de Morais

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