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5 romances distópicos essenciais, segundo o autor de ‘Laranja Mecânica’

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(Foto: Reprodução)

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Nathan Fernandes, na Galileu

O futuro é sombrio. Pelo menos, é assim que os escritores de distopias enxergam o mundo: um lugar pós-apocalíptico no qual a pressão é a ordem — o contrário da utopia. O escritor britânico Anthony Burgess, autor do clássico Laranja Mecânica (adaptado para o cinema pelo não menos genial Stanley Kubrick) sabe bem disso.

No livro 99 Novels, Burgess fez uma seleção com as principais obras distópicas que o influenciaram e comentou cada uma delas. Leia um trecho dos comentários abaixo ou o original (em inglês) aqui:

Os Nus e os Mortos, Norman Mailer

“O espírito de revolta entre os homens é incitado por um acidente: os soldados tropeçam em um ninho de abelhas e fogem, deixando as armas e os equipamentos — os nus deixam os mortos para trás. Um impulso pode conter a semente da escolha humana: ainda não nos tornamos inteiramente máquinas.

O pessimismo de Mailer ainda viria mais tarde — em Parque dos Cervos, Barbary Shore e Um Sonho Americano — mas aqui, com os homens se permitindo a optar pelo suicídio coletivo da guerra, há uma visão animadora da esperança. É um livro surpreendentemente maduro para um autor de 25 anos [foi o primeiro romance do escritor]. Continua sendo o melhor de Norman Mailer, e, certamente, o melhor romance de guerra dos Estados Unidos.”

1984, George Orwell

“É uma das distopias (ou cacotopias) que mudaram nossa forma de pensar. É possível dizer que o futuro horripilante previsto por Orwell não surgiu apenas porque ele predisse: nós fomos avisados a tempo. Por outro lado, é possível pensar neste romance menos como uma profecia do que como uma obra cômica que junta duas coisas diferentes — uma imagem de como era a Inglaterra nos pós-guerra, uma terra de tristeza e escassez, e a bizarra e impossível noção de intelectuais britânicos tomando o governo do pais.”

Justiça Facial, L.P Hartley

“A Inglaterra acaba de emergir da 3º Guerra Mundial. Há ataques nucleares e a sociedade começa a ressurgir de esconderijos em cavernas. O novo estado está aflito com um senso profundo de culpa, e cada um de seus cidadãos recebem um nome em homenagem a um assassino. Por isso, a heroina da obra foi batizada como Jael 97. Uma tentativa de formular uma nova moralidade resulta na proibição da inveja e do impulso competitivo. Não devem existir pessoas excepcionalmente bonitas (…). Por carecer dos horrores esperadas da ficção cacotopiana, é menos apreciado do que 1984.”

A Ilha, Aldous Huxley

“Ninguém é condicionado cientificamente a ser feliz: este novo mundo é realmente admirável. O lugar aprendeu uma grande lição filosófica e das religiões orientais, mas está preparado para pegar o melhor da ciência, da tecnologia e da arte ocidental. As população é composta por um tipo de raça eurasiana ideal, equipada com corpos esbeltos e cérebros “huxelianos”, e eles leram todos os livros que Huxley leu.

Parece um jogo intelectual, um sonho sem esperança em um mundo em fuga, mas Huxley é realista o suficiente para saber que há lugar para o otimismo. Na verdade, nenhum professor pode ser pessimista, e Huxley é essencialmente um professor. Em A Ilha, a vida boa é eventualmente destruída por um brutal, estúpido e materialista rajá que quer explorar os rucursos minerais do ambiente.”

Riddley Walker, Russell Hoban

“Inglaterra… Depois da guerra nuclear, o país está tentando organizar uma cultura tribal após a destruição total da civilização industrial centralizada. O passado foi esquecido, e até o dom de fazer fogo precisa ser reaprendido. O romance é essencial não só por conta da sua linguagem, mas também pela presença de rituais, mitos e poemas inventados. Hoban construiui um mundo inteiro a partir do zero.”

Dia do livro: dez deles para você “devorar”

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Publicado por Terra

Sabe aquela sensação gostosa que dá quando você fecha um livro pela última vez ao terminar a leitura e pensa: “e agora, qual o próximo?”. Às vezes são tantas opções que fica difícil de fazer uma escolha.

Neste Dia Nacional do Livro, celebrado neste 29 de outubro, o Terra e a Nuvem de Livros pensaram nisso e prepararam uma lista com dez obras que são leitura “obrigatória” para um bom devorador de livros.

Confira:

1. Romeu e Julieta, de William Shakespeare (Editora Nemo)
A história do amor imortal de Romeu e Julieta ganha nova vida nas páginas desta adaptação em estilo mangá. Uma HQ com todo romantismo e emoção da maior história de amor de todos os tempos!

2. Viagem ao centro da terra, de Julio Verne (Editora Melhoramentos)
Mesclando ficção, informação científica e humor, Julio Verne oferece ao leitor um romance empolgante, em que os personagens são lançados em situações extremas, necessitando dar o melhor de si para superá-las.

3. O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry (Editora Agir)
“O Pequeno Príncipe” foi escrito e ilustrado por Antoine de Saint-Exupéry um ano antes de sua morte, em 1944. Piloto de avião durante a Segunda Grande Guerra, o autor se fez o narrador da história, que começa com uma aventura vivida no deserto depois de uma pane no meio do Saara. Certa manhã, é acordado pelo Pequeno Príncipe, que lhe pede: “desenha-me um carneiro”? É aí que começa o relato das fantasias de uma criança como as outras, que questiona as coisas mais simples da vida com pureza e ingenuidade.

A obra mostra como as “pessoas grandes” se preocupam com coisas inúteis e não dão valor ao que merece. É nesse livro em que surge a Raposa, terno personagem que ensina ao menino o segredo do amor. “Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos”.

4. Histórias extraordinárias, de Edgar Allan Poe (Editora Ediouro)
O homem sempre sentiu medo, sobretudo daquilo que não pode entender, do incerto e — por que não dizer? — do proibido. Talvez por isso o horror tenha algo que nos afaste, mas que também nos atraia e nos deixe fascinados. E foi desbravando essa estranha e ambígua sensação que o contista, crítico e poeta americano Edgar Allan Poe se consagrou como um dos mestres do gênero do terror e o pai da literatura policial.

5. Um rio chamado Atlântico, de Alberto da Costa e Silva (Editora Nova Fronteira)
A obra reúne 16 textos sobre as relações históricas entre o Brasil e a África, sobre a África que moldou o Brasil e o Brasil que ficou na África, publicados desde 1961 em jornais e revistas ou lidos em seminários sobre a história do continente africano. Os autores procuraram não se desatar do poeta Costa e Silva. Se é o poeta quem anda pelas ruas dos bairros brasileiros de Lagos e Ajuda, quem desenha as fachadas das casas térreas e dos sobrados neles construídos pelos ex-escravos retornados do Brasil e quem traz das páginas dos documentos e dos livros as personagens com que se povoam estes ensaios, é o historiador quem lhe guia cuidadosamente os passos.

6. O tigre em casa e a caça do tigre, de Eduardo Lizalde (Editora Alameda)
É impossível não sentir a grandeza da descrição do tigre, animal plástico que representa o ser humano em suas várias facetas e relações. É impossível não reconhecer o impacto de seus poemas sobre o ódio, ódio que constitui a única prova da existência de alguma coisa. É impossível permanecer impassível diante da mordacidade da série de poemas “Lamentação por uma cadela”. Eduardo Lizalde, nascido em 1929, é um dos grandes poetas mexicanos do século 20.

7. Há prendisajens com o xão, de Ondjaki (Editora Pallas)
Do chão promovido a almofada, do nosso limite a ele, do nosso encontro sob ele em algum tempo desconhecido, Ondjaki nos transporta para um diálogo com o tempo, com a palavra, com a liberdade da escrita, com a imaginação de seres misteriosos. Descrições de uma natureza em brisa de jangada e zunzum de abelha. E há também o encontro do sentimento com os seres que somos. Mais conhecido como prosador no Brasil, o autor nos oferece sua escrita em poesia construindo (ou desconstruindo) com muita intimidade cada palavra, cada verso, à sombra das árvores, pela alma das gaivotas, perto de um cardume de tardes. Ou do chão.

8. Relembramentos, de Vilma Guimarães Rosa (Editora Nova Fronteira)
Vilma Guimarães Rosa viaja por memórias para tecer um retrato comovente de seu pai, Guimarães Rosa, considerado por muitos o maior escritor da nossa literatura. Por meio de fotos, cartas, lembranças de um passado rico e cheio de histórias, o pai, sempre rememorado com carinho pela filha, é revelado como um homem singular, amoroso, profundamente religioso e com um senso de humor surpreendente. Relembramentos é uma ode a um gênio feita com a delicadeza de uma escritora inspirada e o amor de uma filha saudosa.

Bastante famosa pelo filme de Stanley Kubrick, a obra Laranja Mecânica é um clássico da literatura Foto: Nuvem de Livros / Reprodução

Bastante famosa pelo filme de Stanley Kubrick, a obra Laranja Mecânica é um clássico da literatura
Foto: Nuvem de Livros / Reprodução

9. Laranja Mecânica, de Anthony Burgerss (Editora Aleph)
Publicado pela primeira vez em 1962, e imortalizado nove anos depois pelo filme de Stanley Kubrick, “Laranja Mecânica” não só está entre os clássicos eternos da ficção como representa um marco na cultura pop do século 20. Meio século depois, a perturbadora história de Alex – membro de uma gangue de adolescentes que é capturado pelo Estado e submetido a uma terapia de condicionamento social – continua fascinando, e desconcertando, leitores mundo afora.

10. Angu de sangue, de Marcelino Freire (Livro Falante)
Neste audiolivro, Marcelino Freire lê os 17 contos que compõem a obra homônima impressa, incluindo Muribeca, Belinha, Moça de Família, Volte Outro Dia, Socorrinho, Filho do Puto, Troca de Alianças, Angu de Sangue, A Senhora que Era Nossa, Os casais, O Caso da Menina, Sentimentos, Faz de Conta que Não Foi. Nada, A Cidade Ácida, The End, J.C.J. e Mataram o Salva-vidas. Ninguém melhor do que o próprio autor, nesse caso, para reafirmar a vida das suas palavras, que cortam, rasgam, furam, rebolam, vão se embrenhando na gente.

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