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No que prestar atenção ao ler obras obrigatórias do vestibular?

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(kurmyshov/iStock)

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#ClubedoLivroGE: professores dão dicas para te ajudar com a leitura. Leia a primeira matéria da série

Odhara Caroline Rodrigues, no Guia do Estudante

A carga de leitura de quem está prestando o vestibular já é alta só por conta da quantidade de conteúdos disciplinares cobrados nas provas. Além disso, ainda há a lista de livros obrigatórios — só a Fuvest, maior vestibular do país, tem oito obras que são cobradas especificamente. É muita coisa, a gente sabe. E, por isso mesmo, fomos conversar com alguns professores em busca de dicas que possam te ajudar na hora de enfrentar os livros. Mãos à obra?

Nesta primeira matéria da série de obras obrigatórias, a gente vai falar a respeito do que você precisa prestar atenção quando estiver lendo os livros. O professor André Valente, do Cursinho da Poli, ressalta três aspectos: o estrutural o temático e o das relações que a obra estabelece com o contexto histórico, social e literário em que foi produzida. “A estrutura diz respeito à forma”, ele ensina. “É prosa ou verso? Romance, conto, crônica?”.

A temática é o assunto do qual a obra trata; e contexto pode nos explicar o porquês das escolhas feitas e posições assumidas pelo autor durante o livro. “Precisamos nos lembrar de observar a construção narrativa — o tipo do narrador e a intencionalidade que há na escolha do foco narrativo. E, fundamentalmente, o tipo de discussão que a obra sugere e propõe”, lista o professor João Jonas, do colégio Miguel de Cervantes.

Péricles Polegatto, editor de Linguagens e Códigos dos materiais didáticos da Pearson Brasil, faz um adendo: “A memorização não é tão importante nesses casos”, explica. “Nas provas, não serão cobrados detalhes, mas concepções, contextos e valores estéticos”.

Ele também destaca o estilo do autor. Diogo Mendes, professor do Descomplica, acrescenta: “Alguns autores alcançam uma visão mais atemporal em suas obras, como é o caso de Machado de Assis e seu irreverente Memórias Póstumas de Brás Cubas, ou mesmo Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago. Nesses casos, estudar marcas peculiares do estilo do autor é fundamental. Por exemplo: ler Machado sem se atentar a característica ironia machadiana é perder boa parte do que a obra tem para oferecer”.

Já sabe quais anotações fazer nas margens do livro e o que grifar, né? Na segunda matéria da série, nós vamos conversar sobre o que mais costuma cair nas provas. Até lá!

Dicas infalíveis para passar no Vestibular

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 É claro que a gente não aprende de um só jeito, mas conhecer as preferências do seu cérebro ajuda a escolher Foto: Mundo vestibular

É claro que a gente não aprende de um só jeito, mas conhecer as preferências do seu cérebro ajuda a escolher
Foto: Mundo vestibular

 

 

Publicado no Terra

1. Descubra o seu estilo de aprender

Se o autoconhecimento — saber quem você é, seus valores, suas aspirações e habilidades — foi fundamental para escolher o curso na hora de se inscrever no vestibular, saber um pouco mais sobre si mesmo também vai ajudar na hora de se preparar para o exame. Descobrir de que jeito você aprende melhor economiza tempo e energia!

Já percebeu como algumas pessoas fixam melhor a matéria desenhando esquemas? Que aqueles que precisam ler tudo em voz alta? E que outros vão direto resolver os exercícios, para só depois consultar a matéria?

É claro que a gente não aprende de um só jeito, mas conhecer as preferências do seu cérebro ajuda a escolher, por exemplo, entre começar a estudar literatura fazendo uma ficha de resumo ou atacando um simulado.

2. Faça um reconhecimento do terreno

Uma boa maneira de se preparar para o vestibular da faculdade dos seus sonhos é saber onde você está pisando. E a melhor maneira de fazer isso é analisar as questões dos anos anteriores de todas as matérias.

Procure os cadernos de prova e gabaritos dos três últimos anos — normalmente eles são publicados no site da própria universidade, na seção “vestibular”.

Com os cadernos de prova em mãos, reproduza a mesma situação de cada um dos dias da prova (não faça mais de uma prova por dia!!): reserve o tempo exigido para a resolução das questões, tranque-se no quarto com água e algum lanche, use apenas o material permitido na hora da prova e faça seu próprio simulado.

Depois de resolver tudo, confira o gabarito, anote o que tem dificuldade, reforce essa matéria e não descanse enquanto não compreender aquilo que não acertou. Faça o mesmo com as demais provas dos anos anteriores.

Após conferir as questões e sua pontuação, com a cabeça fresca, analise o tipo de questão, se tem “pegadinha” e qual a proporção de questões fáceis, médias e difíceis, por exemplo. Isso não garante que você adivinhe como vai ser a próxima prova, mas deixa você mais tranquilo e preparado para o que está por vir.

3. Fique um pouco offline

Na hora da prova, você não vai poder usar o celular, o computador, a calculadora ou qualquer tipo de ajuda. Na sua rotina de estudos, inclua uns momentos completamente desligado de aparelhos eletrônicos, internet, redes sociais, música, celular, calculadora.

Além de ajudar na concentração e fazer com que os viciados não passem mal na hora da prova por não poderem usar celular, resolver as questões sozinho treina o raciocínio e a agilidade, qualidades importantes para quem quer passar no vestibular. Ou você quer perder minutos preciosos da prova de matemática porque não está acostumado a fazer contas de dividir e multiplicar sem a calculadora do lado?

4. Saco vazio não para em pé… nem estuda direito.

Cuide do corpo e da mente para aguentar a maratona de estudos. Não é o momento de encarar dietas malucas, virar noite na base do café + refrigerante + energético + guaraná em pó, ou se entupir de doces e chocolates “pra dar energia”. É uma época de privações, sim, mas não de se detonar. Dê ao corpo as três coisas que ele mais vai precisar: dormir, comer, mexer.

-Dormir: estabeleça uma rotina de quantidade de horas de sono, com hora para dormir e para acordar, respeitando os seus limites. Algumas pessoas precisam de 10 horas de sono para funcionar no dia seguinte, outras sentem-se bem com 5 horas. Descubra a quantidade ideal de sono para você e siga essa rotina.

-Procure manter essa rotina também nos fins de semana. É que uma noite maldormida, seja por motivo de estudo ou de festa, tem muito mais consequências do que dificuldades de raciocínio, concentração e memória no dia seguinte. Pesquisas indicam que o organismo pode levar até 10 dias de sono normal para se recuperar de uma noite em claro!

-Comer: assim como o sono, sua alimentação precisa ser regrada, sem excessos ou privações. Prefira os alimentos naturais aos industrializados e procure comer frutas, verduras e legumes. Eles fornecem as vitaminas que seu cérebro vai consumir para resolver aqueles exercícios todos!

-Evite o excesso de cafeína, principalmente à noite, e tome muito cuidado com os doces e chocolates em excesso. Eles dão a sensação de aumento de pique num primeiro momento, mas em seguida acontece o efeito rebote: a glicose cai a níveis mais baixos do que antes, fazendo com que você entre num ciclo de consumo de mais doces ou, dependendo do organismo, sinta-se fraco e até mesmo tenha desmaios. Vai ficar fora de casa muitas horas com aulas no cursinho? Carregue sempre um lanche leve e saudável na mochila.

-Mexer: pode ser que você não consiga encaixar a academia ou o futebol com os amigos por uns tempos enquanto estuda para o vestibular. Mas se puder, ótimo! Uma caminhada, natação ou passeio de bicicleta também ajudam a desestressar a mente e oxigenar o corpo.

-Faça também pequenos intervalos nas horas de estudo para se mexer. Levante da cadeira, alongue a coluna, os braços e pulsos, relaxe os ombros e respire! Faça isso a cada 45 minutos, aproximadamente. Se estiver no cursinho, aproveite os intervalos para caminhar pela sala, esticar as pernas, dar uma volta pelo corredor. A tensão nos ombros e pescoço pode prejudicar o fluxo de sangue e, consequentemente, a oxigenação do cérebro, tudo o que você não quer quando está estudando!

5. Troque a procrastinação pelo foco

Deixar para a última hora é um verdadeiro tiro no pé para o vestibulando. Se você tem a tendência de empurrar as tarefas chatas com a barriga e arrumar desculpas para não seguir seu plano de estudo, combata a procrastinação com técnicas que ajudam a manter o foco — e algumas fazem a gente produzir mais sem nem perceber o tempo passar.

6. Leia mais para escrever melhor

Os livros obrigatórios, revistas semanais, artigos em jornais, algum livro mais leve sobre um assunto de que você gosta…
A leitura ajuda muito a organizar as ideias para fazer a redação do vestibular, dá repertório e cultura, elementos para argumentar bem, vocabulário mais rico e reforça a gramática e ortografia.

E além de melhorar a redação, ler bastante ainda tem dois ótimos efeitos colaterais: ajuda a se expressar melhor nas questões dissertativas e, no caso de jornais e revistas, garante que você não vai ficar boiando nas questões sobre atualidades.

7. Não faz mal pular os obstáculos de vez em quando

Sabe quando a gente empaca em uma questão difícil? Em vez de ficar remoendo e se desgastando para chegar à solução, às vezes o melhor mesmo é deixar o problema de lado, dar um tempo, fazer outras coisas ou estudar outras matérias e voltar um, dois dias depois, com a cabeça fresca. O mesmo vale para o dia da prova do vestibular. Encontrou uma questão muito difícil? Pule para a seguinte e volte depois para resolver.

8. Crie seu próprio código de estudo

Alguns usam canetas coloridas, outros preferem resumir tudo em fichas e há aqueles que criam ícones e símbolos para representar conceitos. Não existe uma fórmula única de sucesso para as anotações do vestibulando. O ideal mesmo é descobrir o que funciona para ajudar você a memorizar, compreender, analisar e absorver o conteúdo.

9. Pergunte… e responda!

Se estiver frequentando aulas, aproveite para perguntar, tirar todas as dúvidas. Não tenha vergonha, mesmo que a pergunta pareça boba para você. Leve para a sala de aula aqueles exercícios e questões de prova que você não conseguiu resolver.

Ensinar também ajuda a aprender, sabia? Encontre colegas com quem você tem afinidade e recorra a eles para trocar conhecimento. De repente ele precisa de ajuda em uma matéria que para você é tranquila e pode te ajudar naquelas que você tem mais dificuldade… algumas pessoas até estudam melhor em grupo.

10. Ligue os pontos

Procure enxergar a conexão entre temas, disciplinas e atualidades. Muitas universidades incluem questões multidisciplinares em suas provas do vestibular, seja no formato objetivo ou dissertativo.

Ter uma visão mais ampla e conectada das coisas também ajuda a fixar conceitos e a combater o “branco” na hora da prova. É só ir puxando o fio do raciocínio que você consegue lembrar do que precisa.

Livro com crônicas inéditas de Antonio Callado será lançado em março

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Callado no Parque do Xingu, em 1988, para as filmagens de "Kuarup" - Paulo Marcos Lima / Agência O GLOBO

Callado no Parque do Xingu, em 1988, para as filmagens de “Kuarup” – Paulo Marcos Lima / Agência O GLOBO

 

Obra celebra centenário do escritor e jornalista reunindo textos escritos entre 1978 e 1982

Publicado em O Globo

RIO — Antes de deixar o Grupo Record, no qual foi encarregada do acervo da editora José Olympio até dezembro de 2014, Maria Amélia Mello começou a reeditar a maior parte da obra de ficção de Antonio Callado. De mudança para a Autêntica, em 2015, sondou a viúva do escritor, Ana Arruda, para saber se conseguiria material para um livro inédito, visando o centenário de Callado. Foi então que Ana Arruda se lembrou da coluna “Sacadas”, que Callado manteve durante quatro anos para a revista “IstoÉ”.

Essas crônicas, que retratam in loco a fase final da ditadura militar no Brasil, estão agora reunidas, pela primeira vez, em livro, em “O país que não teve infância: Sacadas de Antonio Callado”, que deve sair em março.

— Os textos refletem um ser político, marcado pela ditadura — diz Maria Amélia. — Callado mostra com precisão e perspicácia aqueles últimos anos da ditadura, com todos os personagens daquele tempo. São crônicas curtas, sintéticas, focadas em um mesmo tema.

A publicação original na imprensa foi pesquisada no acervo da Biblioteca Nacional. As 86 crônicas foram fotografadas e depois transcritas para a publicação. Nelas, o escritor e jornalista revisita na mídia os seus temas mais caros, como a reforma agrária, a religião e as questões indígenas. Mas, embora o Callado político apareça em destaque, também há menções a assuntos como cultura, viagens e, claro, grandes figuras de seu tempo— Portinari, Alceu Amoroso Lima, Mario Pedrosa, Nise da Silveira, Oscar Niemeyer, entre outros.

— Você percebe que é um autor que tem compromisso com a realidade brasileira, lúcido, antenado e participativo — avalia Maria Amélia. — É um pensador, que traça um perfil da cultura brasileira e que discute o que estava em pauta na ditadura. Escritos no calor do momento, com os dedos no fogo, os textos formam um painel não só daquela época, mas também do próprio projeto intelectual de Callado.

Naqueles minutos finais da ditadura, que pareciam se prolongar sem nunca acabar, o escritor se encontrava bastante “desesperançado” do Brasil, conta Ana Arruda. Segundo a viúva, o sentimento só foi aumentando até a sua morte, em 1997.

— Ele achava que faltavam líderes, e não via nenhuma saída, nenhuma pessoa em quem confiar — lembra ela. — Em algum momento, chegou a visitar o Brizola depois que ele voltou (do exílio), em 1979, para escândalo de alguns amigos mais radicais. Por um momento, chegou a gostar de Lula, mas nunca teve muita segurança no PT. Nas crônicas ele fala do Brasil como um país preguiçoso, em que as coisas não andam.

A abertura “lenta, gradual e segura” também parecia não andar. A frustração com a indefinição do processo de redemocratização do país aparece na crônica “Abertura presa no gargalo”. O Brasil vivia tempos esquisitos, esperando por uma promessa que não se concretizava nunca:

— Era um período muito incerto — diz Ana Arruda. — O pessoal estava voltando naquela época, mas sem saber se podia voltar mesmo, se havia segurança. A anistia era esquisita: muita gente que voltou foi presa depois.

O título do livro foi pescado de uma crônica de mesmo nome, em que Callado lamenta que o Brasil nunca tenha feito uma reforma agrária. Mas outro assunto de destaque no livro são os povos indígenas, que Callado retratou no seu livro mais famoso, “Quarup”, e em outras obras, como “O esqueleto da Lagoa Verde” e “A expedição Montaigne”.

— Havia um desespero enorme, os índios estavam largados pelo governo. Ele lamentava que Darcy Ribeiro tinha partido para a “política-política” e já não conseguia cumprir o mesmo papel na defesa dos indígenas — observa Ana Arruda.

 

LEIA A CRÔNICA “UMA JURITI QUE NÃO CAIU DO GALHO”, DE 1979

Dia 17 de setembro de 1971, morreu no alto sertão sanfranciscano da Bahia o capitão Carlos Lamarca. Pode-se dizer que até chegar aos jornais a notícia do seu fuzilamento, num encontro com a tropa policial que, hoje sabemos, era dirigida pelo delegado Fleury, a figura de Lamarca só era vagamente conhecida dos brasileiros.

Capitão, instrutor de tiro, Lamarca, como outros oficiais do Exército em nossa história, fez-se de coração revolucionário de extrema esquerda. Foi grande figura do Movimento Revolucionário 8 de Outubro, que celebrava em sua data emblemática o dia da morte do Che Guevara. Sabia-se que era bravo, talvez até temerário. Correu certa vez a notícia de que Lamarca desafiara Fleury para um duelo a pistola. Como Lamarca era bom de tiro, Fleury só teria aceito o repto à sua moda. Em Grotas de Macaúbas, local onde morreu Lamarca, havia, de um lado, Lamarca e seu companheiro Zezinho, exaustos e famintos. Do outro lado, uma luzidia caravana de policiais e soldados armados até os dentes. Não houve, assim, o combate singular exatamente.

Carta do “Che” estabanado.

Seja como for, o importante a fixar é que a personalidade de Lamarca era essa: um cabeça quente, um mosqueteiro um tanto irresponsável, um “Che” estabanado. Pessoalmente, confesso que até hoje eu teria guardado essa impressão não fosse um documento, um papel, uma carta-diário que ele escreveu no sertão da Bahia, antes de morrer. Trata-se de uma carta íntima, dirigida à mulher que amava apaixonadamente, Iara Iavelberg. A carta foi escrita entre 29 de junho e 16 de agosto.

Ao interceptar a carta, a polícia mandou cópia da mesma aos jornais – e assim garantiu a sobrevivência, na memória dos brasileiros, de um outro Lamarca, um Lamarca em construção espiritual, tocante em sua busca de uma abrangente virtude que atendesse aos anseios da revolução e às penas do coração, amando com fervor o povo pobre, seu irmão (sapateiro do morro de São Carlos, o pai de Lamarca o educou com os maiores sacrifícios) e Iara, que estava esperando filho dele.

A carta-diário devia ser publicada agora, na íntegra, por si só ou dentro de algum estudo sobre Lamarca. Guardei a página de O Globo de 20 de setembro de 1971, pois toda ela é ocupada pela carta. Mesmo assim, cortes foram assinalados na composição do jornal.

Não vou sequer tentar resumir a carta-diário, com trechos já quase indecifráveis de política da época, embora tudo que está ali escrito reflita a bela preocupação central de Lamarca – que era a de se aperfeiçoar, como gente, para melhor poder servir aos outros. Fique aqui apenas uma amostra de como o rude capitão, à espera da morte na desolada caatinga, tratava Iara com infinita delicadeza. E como esse amor sacrificava, a despeito da negra fome, até seu apetite, como verão no episódio da juriti que escapou à pontaria do capitão de tiro.

A carta se dirige à “minha neguinha” e começa: “Não pretendo fazer um diário, mas sinto a necessidade diária de te falar (…) Resolvi escrever e eis-me: a mesa uma pedra, a cadeira o chão, a cuca aí contigo e aqui também (…) Sobre o esforço que fiz para chegar, foi realmente impregnado de amor. A força está nos músculos e tendões, porque eles doem muito depois, está na cabeça, que fica desanuviada e feliz. Um dia deixaremos de exaltar esses esforços, eles serão a compensação em si próprios (…) Estejamos onde estivermos, haverá uma realidade a transformar, agora e sempre. Criar as condições para isso é a nossa tarefa de revolucionários. O nosso amor também é uma realidade que veio transformada – hoje atinge um nível nunca por mim sonhado (…) A tua situação é terrível e a tua necessidade afetiva, muito grande, e, se não houver possibilidade de nos encontrarmos mais, tenho de abrir mão do nosso relacionamento, no que se refere a você – dar a você a liberdade de se relacionar com outro companheiro. No nível que atingiu meu amor por você, não posso admitir a possibilidade de me relacionar com outra pessoa, nunca mais (…) Hoje, 12 de agosto, aniversário de meu pai. Dia do julgamento do processo VAR em São Paulo. Estou chateado pelo que escrevi ontem e volto atrás: não abro mão do relacionamento ‘p. nenhuma’. Não quero isso, nem tenho direito – é um desrespeito a você. Fui egoísta pra burro e imaturo. Peço que me desculpe de verdade. Não altero a carta para não ser desonesto; acho justo você penetrar no meu pensamento, mesmo que ele seja temporário”.

A juriti que não caiu do galho.

Em regime de quase fome, Lamarca, na caatinga, procurava aceitar de bom grado a ascese da alimentação, como observa dia 4 de julho: “Domingo. Bom dia. O companheiro trouxe comida e café à noite e só volta às nove da noite. Mantenho o espírito crítico para não deixar que a comida seja o centro das preocupações”. Mas quem enxota a fome por pura disciplina? “Adaptando-me à comida. Não me deixam sem café, trazido numa garrafa que no lugar é conhecida como ‘quente-frio’ (ora veja), uma por dia é dose. Rapadura (nem sempre), arroz, banana verde bem picadinha passada na gordura, ovos às vezes, carne de porco ou de boi, salgada, às vezes também, bolacha com café e laranja (…) Parei para almoçar: macaxeira cozida, beiju, rapadura e laranja.”

E um dia: “Aqui muitos pássaros lindos de variegadas cores – perto está uma juriti pronta para tomar um tiro no peito, mas não darei o tiro e a vida dela continua em homenagem a ti. Ela voou”.

Quando escreveu a última palavra da sua carta-diário, Carlos Lamarca já teria sabido da morte da destinatária, Iara Iavelberg, dia 6 de agosto, quando foi suicidada em Salvador.

Confira os lançamentos de livros que complementam as aulas na faculdade

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Juliana Alcantara, no Extra

Ler, ler e ler. O começo da faculdade é, muitas vezes, de muita leitura antes de começar as disciplinas práticas. Para alguns cursos, o ato é constante. De qualquer forma, se manter atualizado e ‘correr por fora’ com atividades extracurriculares só aumentam a cultura e as boas chances no mercado de trabalho.

‘Estranhos à nossa porta’ é a última obra lançada de Zygmunt Bauman, que faleceu no dia 9 de janeiro. O sociólogo polonês dedicou sua escrita à modernidade e discutiu os pensamentos de amor, capitalismo e medo sob a ótica moderna. Juliana Freire, coordenadora editorial da Zahar, indica para os alunos e professores de ciências humanas:

-Zygmunt Bauman comenta fatos atualíssimos do atual estado de crise mundial e faz uma reflexão mais que necessária, diante do reacionarismo que a chegada dos estrangeiros provoca não só na Europa como no mundo todo. Para ele, precisamos construir pontes em vez de muros.

2mude

Especializado em Recursos Humanos, Lúcio Lampreia conta em ‘Mude’ sua própria experiência quando criou sua empresa com o objetivo de reformular a forma de se trabalhar. Paula Cajaty, editora da Jaguatirica, fala sobre o que o leitor pode esperar:

– O livro aborda técnicas, soluções e insights para mudar, impor sua presença online, pensar globalmente e apresentar formas de como se viver em rede, mostrando o que o leitor pode fazer com seus talentos.

3cinema

Para os amantes e estudantes da sétima arte, a Globo Livros lança no próximo dia 27 mais um título da Coleção Grandes Ideias: O Livro do Cinema. A obra revela detalhes dos principais filmes já produzidos desde o começo do século XX, como ‘Viagem à Lua’, do francês Méliès. Essa edição explora mais de 100 filmes, incluindo obras atuais, como ‘Gravidade’ e ‘Boyhood’, e nacionais, como ‘Deus e o Diabo na Terra do Sol’, ‘Central do Brasil’ e ‘Cidade de Deus’.

– Escrito por especialistas em cinema, o livro constrói uma narrativa histórica do cinema e conta com informações sobres personagens, diretores, roteiros, temas- chave e indicação de filmes relacionados. Cada capítulo mostra como um filme surgiu, quais foram suas inspirações e como foi realizado. Com linguagem simples e projeto gráfico sofisticado, a publicação é recheada de imagens icônicas, pôsteres e infográficos, conta Lucas de Sena Lima, editor assistente da Globo Livros.

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Não só os estudantes de humanas têm vez. Os alunos de física vão se beneficiar com ‘Buracos Negros”. A obra de Stephen Hawking encontra as livrarias brasileiras no fim do mês. O título reúne as transcrições de duas palestras do cientista para a rádio BBC4, de Londres, no início de 2016. A edição conta com notas de David Shukman, editor de ciências da BBC News. Mariana Rimoli, editora de livros estrangeiros na Intrínseca, incentiva a leitura:.

– O período de entrada na Universidade é um momento muito importante na formação do jovem, uma oportunidade de ampliar horizontes e perspectivas e desenvolver o pensamento crítico. A universidade também é o lugar da troca de ideias, do debate, do novo. Nesse sentido, a leitura dos mais variados gêneros e assuntos é essencial.

5 dicas para começar a ler mais

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Porque Ler Faz Bem, fique atento a estas cinco orientações para começar a ler cada vez mais

Publicado no Visão

Mesmo que haja muita vontade para começar a ler aqueles livros que já começam a formar pilha na mesinha de cabeceira, ou por falta de tempo, ou por cansaço, ou por uma série de outras razões, muita gente deixa a leitura para segundo plano.

Mas não tenha dúvidas: Ler Faz Bem, como faz questão de afirmar no projeto lançado, este mês pela VISÃO. Ler desperta a inteligência, combate o envelhecimento do cérebro, reduz o stresse e pode mesmo ser um grande aliado no combate a algumas doenças. Muitas personalidades de sucesso fazem da leitura um hábito diário. Bill Gates, fundador da Microsoft, reserva uma hora para ler, antes de dormir. O CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, tenta terminar um livro a cada duas semanas. A escritora Agatha Christie lia 200 livros num ano e o 26º Presidente dos EUA, Theodore Roosevelt, num dia e noite tranquilos, conseguia ler mais do que um livro.

Se gostava muito de começar a ler mais, mesmo não tendo nenhuma destas ambições, tenha atenção a estas cinco dicas simples.

1 . Leia enquanto ouve ruído branco

Para quem tem problemas de concentração, até o mínimo barulho dos ponteiros do relógio pode ser um problema para a leitura. Uma boa maneira de – ou pelo menos tentar – ignorar estas pequenas distrações é ler enquanto ouve ruído branco com os seus headphones.

E o que é isto de ruído branco? Cientificamente falando, o ruído branco é produzido pela combinação simultânea de frequências eletromagnéticas e de sons. Este tipo de barulho, quando ouvido num volume baixo, tem o poder de acalmar e ajudar na concentração. No YouTube pode encontrar vídeos com horas e horas deste tipo de ruído, como este, ou este.

Curiosamente, este foi um dos grandes truques para que Emerson Spartz, CEO do Spartz Inc, em criança, conseguisse completar o objetivo imposto pelos seus pais de ler quatro pequenas biografias por dia. Emerson diz que este tipo de som o ajuda na concentração e que aumenta a sua velocidade de leitura em 30%.

2. Estabeleça um objetivo

Ao impor a si mesmo uma meta de leitura, esta pequena motivação ou competição consigo pode ser um bom truque para fazer com que leia mais. Experimente, por exemplo, começar a ler um capítulo por dia, antes de dormir. Quando já estiver mais ou menos habituado a esta rotina, aumente o número de páginas por dia.

Para o pressionar e relembrar deste desafio que estabeleceu, pode ajudar ter uma alguns livros em cima da sua secretária, da sua mesa de cabeceira, ou, enfim, espalhados pela casa. Além disso, não terá desculpa para não ler mais, caso acabe um livro.

3. Experimente ler livros em formato digital ou ouvi-los

A geração milennials, tão ligada aos aparelhos digitais, talvez fique interessada nestas duas formas de ler livros: ou através do computador, tablet ou smartphone, em formato digital, ou então ouvir a leitura do livro, por intermédio de um audiolivro.

Se optar pela primeira alternativa, tente que todos os seus aparelhos digitais estejam sincronizados através de uma aplicação. Assim, tanto pode ler o livro quando está no computador, como quando está numa fila de espera, através do smartphone. Desta forma, consegue aproveitar todos os momentos livres do dia para ler e, no final, vai ver que será mais fácil completar o seu objetivo.

O audiolivro pode ser uma excelente opção para quem viaja muito mas, por estar a conduzir ou por enjoar, não consegue ler, ou para quem, simplesmente, não tem tempo para parar e ler. É verdade que esta é uma forma mais demorada – segundo o site Quora, por minuto, uma pessoa consegue ler cerca de 373 palavras, enquanto um audiolivro apresenta apenas 150 –, no entanto, quem a utiliza beneficia pelo facto de conseguir fazer várias tarefas ao mesmo tempo.

4. Carregue o livro para todo o lado

Se, no entanto, é um acérrimo adepto do livro em papel, um truque para lhe lembrar que deve ler é andar com o seu livro para onde quer que vá. Quando está nos transportes públicos, por exemplo, e tem de se entreter durante algum tempo, possivelmente tende a recorrer muito ao telemóvel. Mas e se tivesse um livro consigo?

Esta é uma boa forma de tirar partido de uma viagem, em que estaria uns bons 10 ou 15 minutos a, simplesmente, procrastinar.

5. Alterne os gêneros

Em primeiro lugar, para se motivar a si mesmo deve ler aquilo que gosta, porque se o livro lhe interessar é mais provável que lhe dedique mais tempo. Por isso, pelo menos nos primeiros tempo, não se obrigue a ler determinado livro, se o assunto não lhe despertar curiosidade.

No entanto, talvez seja boa ideia ir alternando entre géneros, no sentido de evitar a monotonia e que fique desinteressado. Além disso, há quem defenda que devemos ler mais do que um livro ao mesmo tempo, podendo, neste caso, tomar ainda maior proveito dessa alternância entre géneros.

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