Em plena era digital, jovens do mundo todo recorrem à Academia de Artes Visuais de Leipzig para estudar a produção artesanal de livros. O que no passado era um trabalho técnico, hoje é uma forma de arte.

Publicado no DW

O estudante Benjamin Buchegger gosta de comparar a relação entre livro e internet com aquela entre pintura e fotografia. “O livro morre como dispositivo de informação para se tornar, ele próprio, arte”, diz Buchegger. O jovem austríaco estuda há três anos e meio na Academia de Artes Visuais de Leipzig (HGB, na sigla em alemão) – um local onde o livro já se tornou há muito objeto de arte.

Buchegger: livro como arte

Em nenhum outro lugar da Europa os estudantes se debruçam tanto sobre a mídia livro como nesta instituição de ensino. Eles não aprendem apenas como os livros foram artesanalmente feitos através dos séculos, mas também como eles poderão continuar funcionando no futuro, ou seja, como objeto de arte e também como produto industrial. Em plena era digital, os estudantes fazem experimentos para ver como livros de pequenas tiragens têm, mesmo assim, seu público específico, ou seja, eles descobrem onde há nichos, nos quais o livro pode sobreviver.

Reinterpretação de ideias antigas

Artes editoriais é o nome da graduação oferecida pela HGB, onde se pode também estudar design gráfico. O curso tem duração de cinco anos. “Em função da nossa história, temos naturalmente um conhecimento especial sobre a maneira de produzir livros”, explica o professor Oliver Klimpel. Afinal, a HGB é uma das universidades mais antigas da Alemanha, fundada em 1764. Em Leipzig, cidade que abriga uma feira do livro famosa e várias editoras, questões relacionadas ao mercado editorial sempre desempenharam um papel importante.

Academia de Artes Visuais de Leipzig, uma das mais antigas universidades da Alemanha

Klimpel, ele próprio ex-aluno da HGB, é professor de design de sistemas na escola. Aos 39 anos, ele vive entre Leipzig e Londres, onde tem um escritório de design gráfico. O conceito de “arte editorial” é visto por ele como ambíguo, “pois ele força uma ideia tradicional de livro artesanal”. “Na HGB, por outro lado, procuramos encontrar novas formas e formatos, que preservem o livro como tal, mas contribuam para sua evolução”, ressalta Klimpel. Como, por exemplo, ao ver o livro como um acréscimo importante às fontes de informação digitais, como a internet ou as mídias visuais.

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