Contando e Cantando (Volume 2)

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Como Livraria Cultura e Saraiva mergulharam em uma crise profunda

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Seriamente endividadas, Cultura e Saraiva lutam para sobreviver. Mas livrarias menores mostram que nem tudo está perdido.

Emerson Alecrim, no Tecnoblog

Lojas da Livraria Cultura e Saraiva são presença certa em shoppings e regiões comerciais de grandes cidades brasileiras. Algumas delas, como a Livraria Cultura da Avenida Paulista, em São Paulo, são tão visitadas que parecem até pontos turísticos. Mas, por trás da aparente bonança, essas empresas enfrentam uma crise capaz de levá-las à falência.

A Livraria Cultura foi a primeira a tomar decisões drásticas. A companhia assumiu o controle da Fnac no Brasil em 2017, mas, neste ano, fechou todas as unidades da rede, incluindo a loja virtual. Dias depois, a companhia fez um pedido de recuperação judicial. As dívidas da Livraria Cultura são estimadas em pelo menos R$ 285 milhões.

Cerca de um mês depois, a principal concorrente seguiu pelo mesmo caminho: com dívidas na casa dos R$ 675 milhões, a livraria Saraiva pediu recuperação judicial em 23 de novembro, ironicamente, no dia da realização da Black Friday, uma das datas mais importantes para o comércio.

Ninguém esperava por isso. Resta, então, a pergunta: o que levou as duas maiores livrarias do Brasil a mergulhar em uma crise tão profunda?

O primeiro sinal de alerta: a estranha aquisição da Fnac

Por razões culturais e econômicas, vender livros no Brasil nunca foi uma atividade fácil. Apesar disso, livrarias e editoras não só sobreviveram como expandiram as suas operações ao longo das últimas décadas. Elas aparentavam conhecer tão bem as peculiaridades do mercado brasileiro que conseguiam se desvencilhar com maestria das dificuldades do setor.

Mas, em 2017, o tapete que encobria os estragos começou a ficar pequeno. As duas maiores livrarias brasileiras adotaram a estratégia de “continuar sorrindo e acenando”, mas as editoras, principalmente as pequenas, sentiram as consequências.

Reclamações sobre atrasos nos pagamentos às editoras começaram a ganhar força em 2016, mas tinham relação com livrarias de pequeno ou médio porte que, provavelmente, estavam sendo afetadas pela crise econômica do país.

Em 2017, ficou claro que as livrarias maiores também estavam enfrentando dificuldades. A Livraria Cultura, por exemplo, já estava há meses atrasando pagamentos aos fornecedores. No entanto, uma estranha manobra camuflou a situação: a Livraria Cultura adquiriu as 12 unidades brasileiras da Fnac, que meses antes já falava em sair do Brasil.

Na verdade, não foi bem uma aquisição. A família Hertz, dona da Livraria Cultura, topou assumir as operações da Fnac no Brasil em troca de € 36 milhões (na ocasião, algo em torno de R$ 130 milhões). Para a Fnac, repassar esse dinheiro pareceu ser um bom negócio, pois o simples encerramento de suas operações no país poderia custar muito mais.

Para a Livraria Cultura, o dinheiro poderia aliviar as contas. Só que uma mudança de mãos não faz os problemas sumirem magicamente. Além do caos dentro de casa, a Livraria Cultura agora tinha que desarmar a bomba deixada pelos franceses da Fnac.

Até hoje não está claro se a Livraria Cultura tinha mesmo intenção de reavivar as operações da Fnac ou se planejava fechar as lojas da rede gradativamente. O fato é que nenhuma das 12 unidades sobreviveu. A loja online também fechou. Olhando em retrocesso, a gente percebe que essa incomum negociação foi o preâmbulo de uma crise devastadora.

Livraria Laselva: a primeira gigante a cair

Em um passado não muito distante, o meu ritual consistia em fazer check-in e, logo em seguida, comprar revistas na Laselva para ler durante o voo. Apesar de ter tido lojas em shoppings e rodoviárias, a rede ficou conhecida por instalar unidades nos principais aeroportos do Brasil.

A Laselva chegou a ter mais de 80 lojas espalhadas pelo país. Sabe quantas restaram? Isso mesmo, nenhuma. Atolada em dívidas que somavam mais de R$ 120 milhões, a empresa entrou em recuperação judicial em 2013. Em março de 2018, a 2ª Vara de Falências e Recuperação Judicial de São Paulo decretou a falência da rede.

Foi um susto para o mercado editorial, mas não a ponto de causar pânico generalizado. Enquanto a Laselva seguia o seu plano de recuperação — ou, pelo menos, deveria seguir —, Cultura e Saraiva expandiam as suas operações auxiliadas com empréstimos de bancos, incluindo o BNDES.

O problema é que essa expansão foi pautada principalmente pela expectativa de crescimento, não pelo aumento da demanda. Em outras palavras, as duas empresas montaram mais lojas esperando que elas iam naturalmente atrair mais clientes, e não necessariamente porque a procura por livros e outros produtos relacionados estava aumentando.

Como uma bola de neve, as dívidas começaram a se acumular. Mas não foram os bancos que sentiram o impacto. As editoras é que estavam na linha de frente. Como Saraiva e Cultura respondem por cerca de 35% das vendas do setor — esse número pode passar de 50% com relação às pequenas editoras —, muitas delas podem fechar as portas se uma solução não surgir em tempo hábil.

Isso porque o mercado editorial segue uma dinâmica própria. Em vez de comprar livros para revendê-los, geralmente, as livrarias recebem lotes das editoras para remunerá-las conforme as vendas vão sendo realizadas. Trata-se de um sistema conhecido como consignação.

Com a crise das livrarias, as editoras não têm recebido pelos livros que forneceram e que, em muitos casos, foram comercializados há tempos pelas livrarias. É um efeito dominó que atinge editoras de todos os portes.

Muitas diminuíram a produção ou o ritmo de lançamentos por falta de capital de giro ou por conta das incertezas que assombram o setor. Outras estão se negando a fornecer livros para Cultura e Saraiva ou apenas estão topando fechar negócio fora do sistema de consignação.

Por que livrarias grandes entraram em crise?

A decadência da Laselva aconteceu em um contexto diferente do atual. A companhia atribuiu o problema aos resquícios da crise internacional de 2008 e a mudanças no sistema de licitação da Infraero, por exemplo.

Já Livraria Cultura e Saraiva apontam para fatores como os preços praticados pela Amazon, a recente crise econômica do Brasil, a defasagem dos preços dos livros no país e a falta do hábito de leitura pelo brasileiro.

Esses argumentos podem fazer sentido, mas só até certo ponto. Nos três casos, a principal causa da crise parece ser uma só: falha de gestão. O caso da Livraria Cultura talvez seja o mais emblemático: se a Fnac estava pagando para que outra empresa assumisse as operações brasileiras, não estava visível que alguma coisa não ia bem ali?

Apontar o dedo para a Amazon é contraproducente. A gigante norte-americana tem crescido no Brasil por, entre outras estratégias, comprar lotes de livros em vez de consigná-los, o que eventualmente a permite negociar valores e, assim, baixar preços.

Mas, antes mesmo de a Amazon chegar ao Brasil, Saraiva e Cultura já praticavam descontos agressivos. Em muitos casos — muitos, mesmo —, os preços das lojas online eram mais convidativos do que os das lojas físicas. Certamente, esse é um dos fatores que afastaram os clientes das livrarias de tijolo e cimento.

Também não adianta colocar a culpa nos ebooks. A linha Kindle faz cada vez mais sucesso, mas os leitores brasileiros que estão preferindo livros digitais aos físicos representam uma minoria dos consumidores.

As livrarias também reclamam dos preços dos livros que, nos últimos anos, não acompanharam a inflação. O contrassenso desse argumento é que, apesar disso, os livros continuam sendo caros para a maioria dos consumidores.

Há alguma movimentação no sentido de negociar com o governo a desoneração do setor ou promover uma política de controle de preços, mas esses não parecem ser os melhores caminhos, pelo menos não isoladamente.

Já o argumento da falta de hábito de leitura retrata um cenário real, mas que tem pouco impacto sobre a atual crise das grandes livrarias, pois o problema existe há tempos e aparece como consequência da falta de políticas públicas voltadas à educação e cultura. Esse, sim, é um problema que o governo deveria priorizar.

Certa vez, no metrô, uma senhora me elogiou por eu estar lendo a Bíblia. Na verdade, o que eu lia era uma versão pocket de um dos livros de As Crônicas de Gelo e Fogo. Não sou de responder com prepotência ou sarcasmo, então apenas agradeci. Mas essa situação me perturbou porque, naquele instante, eu me dei conta de que, provavelmente, a Bíblia é o único livro que um sem-número de brasileiros tem acesso.

Mudar essa realidade requer tempo e boa vontade política. Não dá para esperar que uma solução surja no curto prazo, muito menos que ela seja orientada pelos interesses das livrarias.

Há luz no fim do túnel para as livrarias?

Recuperação judicial é coisa séria. Quando uma empresa chega a esse ponto, não há solução óbvia ou fácil para o problema. Mas, definitivamente, demonizar novas tecnologias ou insistir em modelos de negócios que funcionavam anos atrás não resolve.

Exemplos de que uma gestão mais realista dá resultados estão bem abaixo dos nossos narizes. Enquanto Cultura e Saraiva agonizam, a livraria mineira Leitura cresce apostando em lojas mais enxutas e localizadas em regiões que não recebiam muita atenção das grandes redes, a exemplo das cidades de Mogi das Cruzes (SP) e Sete Lagoas (MG).

Hoje, a Leitura tem cerca de 70 lojas e poderá ter mais se a Saraiva aceitar a proposta de vender cinco de suas unidades fechadas a ela. Cortar o mal pela raiz também é uma estratégia mandatória ali: se uma loja da Leitura dá prejuízo por mais de dois anos, ela é fechada sem dó. Foi o que aconteceu com a unidade que a companhia mantinha em um ponto mainstream: a Avenida Paulista.

Outra rede que vem se sobressaindo é a Livrarias Curitiba, que completou 55 anos neste mês. A companhia também tem crescido seguindo a fórmula de olhar para locais que eram pouco visados pelas concorrentes maiores. Na capital paulista, por exemplo, a Curitiba tem lojas fora das áreas mais nobres: no Shopping Aricanduva (Zona Leste) e no Shopping Tucuruvi (Zona Norte).

É difícil saber se Livraria Cultura e Saraiva irão conseguir dissipar as nuvens carregadas que pairam sobre elas, mas os exemplos das livrarias menores mostram que, a despeito de todas as dificuldades, o mercado editorial brasileiro não está morto.

Reorganizar a casa, cortar excentricidades e negociar como as editoras com mais empatia — e não como se elas fossem um mal necessário, como tem acontecido — é um bom começo. Ou recomeço.

Penguin Random House assume controle majoritário da Companhia das Letras

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Luiz Schwarcz, fundador e dono da Companhia das Letras, uma das principais editoras brasileiras (Gabriel Rinaldi/Dedoc)

Em 2012, o grupo já havia comprado 45% das ações da casa editorial fundada por Luiz e Lilia Moritz Schwarcz

Publicado na Veja

A Companhia das Letras anunciou nesta terça-feira que a Penguin Random House assumirá a maior parte do controle acionário da editora brasileira. Em 2012, o grupo já havia comprado 45% das ações da casa editorial fundada por Luiz e Lilia Moritz Schwarcz – uma cláusula nesse contrato já previa que a empresa estrangeira assumisse o controle da editora.

Luiz continuará como o CEO da Companhia das Letras e Lilia, como diretora. Eles continuarão como sócios minoritários. A família Moreira Salles, que era sócia minoritária na editora desde sua fundação, vai se retirar da sociedade.

Em comunicado enviado à imprensa, Luiz Schwarcz disse que “a vida na Companhia das Letras não muda”. O editor afirmou que a casa editorial ganhará “mais apoio para iniciativas importantes, como o acompanhamento em novas formas de distribuição do conteúdo literário”.

Markus Dohle, CEO da Penguin Random House, disse acreditar que a situação econômica no Brasil vai melhorar. “Agora, juntos, continuaremos a expandir ainda mais a Companhia, celebrando a força de nossos times locais e certificando a conciliação das dinâmicas do mercado local com o objetivo compartilhado de conectar nossos autores com a mais rica rede de leitores brasileiros e além”, disse.

A estranha polêmica dos “leitores sensíveis”

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Foto: DAMIEN MEYER/AFP

Foto: DAMIEN MEYER/AFP

Danilo Venticinque, no Estadão

Causou polêmica recentemente a notícia de que editoras brasileiras estão contratando “leitores sensíveis”. São profissionais cujo trabalho é ler livros que abordam temas potencialmente delicados e avaliar, antes da publicação, se o conteúdo da obra pode ofender leitores que pertençam a alguma minoria.

Foi o suficiente para que inúmeros autores e profissionais do mercado editorial ficassem em polvorosa e manifestassem sua indignação em redes sociais. Houve quem falasse em censura, ditadura do politicamente correto, fim da literatura.

A reação me parece despropositada. Na Europa e nos Estados Unidos, a função de sensitivity reader existe há anos, e a literatura vai bem, obrigado. Não há razão nenhuma para acreditar que a adoção do serviço por editoras brasileiras terá o efeito catastrófico que tanta gente está prevendo.

Chamar de censura o trabalho dos leitores sensíveis é desconhecer a função e atribuir-lhes um poder que não tem. Em primeiro lugar, são pouquíssimos os livros que passam pelas mãos de leitores sensíveis—em geral, obras de autores que escreveram sobre uma minoria sem conhecê-la a fundo e que, portanto, podem se beneficiar com a opinião de alguém que entenda do assunto. Na reportagem que iniciou a polêmica, é citado o exemplo de uma leitora sensível que ajudou na elaboração de um glossário de termos do universo transgênero. Não entendo, sinceramente, como isso pode ser considerado negativo.

Para a maioria dos autores, não mudará nada. O serviço de leitor sensível é exercido por freelancers e as editoras não têm o menor interesse em desperdiçar dinheiro submetendo todos seu lançamentos ao crivo deles. A julgar pelo barulho nas redes sociais, muita gente está imaginando um exército de censores pronto para canetar obras de todo e qualquer escritor brasileiro. Na vida real, o que teremos são dois ou três freelancers se estapeando para disputar meia dúzia de projetos por ano. Soa muito pouco ameaçador.

Outro exagero é atribuir aos leitores sensíveis o poder de vetar uma obra literária. Na pior das hipóteses, o máximo que o leitor sensível pode fazer é emitir um parecer negativo. A decisão de publicar o livro ou não segue nas mãos do editor, como sempre. O mesmo vale no caso de um parecer sugerir alterações na maneira como um assunto é tratado numa obra literária: outra vez, o leitor sensível não tem o poder decidir se e como as mudanças serão feitas. A decisão, outra vez, é do editor—em conjunto com o autor.

Em resumo: as chances de um livro de brasileiro ser submetido a um leitor sensível é mínima— e a probabilidade de que um leitor sensível vete uma obra unilateralmente é zero. O que temos visto é um barulho enorme por uma questão que terá um impacto praticamente nulo na vida dos autores e leitores brasileiros.

Trata-se de mais uma polêmica literária vazia cujo principal efeito é distrair-nos do verdadeiro problema: quase metade da metade da população brasileira não lê e 30% nunca comprou um livro na vida. Dentro da parcela que lê, a maioria lê pouco e mal. É essa a verdadeira tragédia para a literatura nacional, e a maior ameaça ao ganha-pão de escritores brasileiros.

Apesar disso, vejo inúmeros escritores e profissionais do mercado editorial discutindo apaixonadamente uma questão irrelevante como a dos leitores sensíveis e quase ninguém falando em educação e incentivo à leitura. Confesso que não entendo essas prioridades. Algo está errado.

‘Cidades de papel’: Para John Green e Nat Wolff, filme é tão bom quanto livro

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Autor e ator estiveram no Brasil para lançar filme que estreia na quinta (9).
‘Ela se revelou uma excelente atriz’, diz Nat sobre modelo Cara Delevingne.

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Publicado no G1

John Green está impressionado com a popularidade que possui no Brasil. Em entrevista ao G1, o escritor americano falou que considera os leitores brasileiros entre os mais apaixonados do mundo. Ele também diz que os fãs de seu trabalho se unem para fazer coisas “incríveis” em prol de outras pessoas.

Ele esteve no Brasil para lançar “Cidades de Papel”, que estreia nesta quinta-feira (9). O filme é baseado em seu livro de 2008. Nat Wolff, que interpreta o protagonista, também veio. O ator conta que os fãs daqui são os que mais interagem com ele via Twitter.

Filme é melhor do que o livro?

Green fez um alerta aos seus leitores. Eles podem se surpreender com as mudanças no enredo do filme, quando comparado ao livro. Mas ele destaca que o “espírito de amizade” entre o protagonista e seus amigos, o fio condutor da história, segue intacto. Para ele, certas alterações fizeram o filme ser até melhor do que o livro em alguns pontos.

“Há coisas no filme que eu gosto mais. Há algumas coisas que Nat e os outros atores trouxeram para o filme que eu nunca tinha pensado”, explica Green.

Cantoria e Ângela
“Como no momento em que eles cantam. É uma das cenas mais divertidas e isso não está no livro. E a Ângela, interpretada pela Jaz Sinclair, tem uma participação muito pequena no livro. E achei sua performance tão forte… Eu realmente gostei daquele romance. Essas são duas coisas que eu gostei mais no filme. Mas eu gosto dos dois”, complementa.

John Green afirma que não sabe apontar por que seus livros se tornaram best-sellers no Brasil. “Os leitores brasileiros são muito apaixonados. E quando eles gostam de alguma coisa, gostam de compartilhar. Eles leem o livro e compartilham e contam para os amigos e familiares.”

Nat Wolff compartilha da opinião de Green. O ator e músico toca com o irmão no duo Nat & Alex Wolff e já se acostumou com a insistência de seu fã-clube brasileiro. “Recebemos milhares de tuítes, ‘venha ao Brasil, venha tocar no Brasil’. Eu sinto que há uma conexão com os brasileiros e espero voltar para fazer uma turnê”, avisa.

Nat e Alex têm uma música na trilha sonora de “Cidades de Papel”, chamada “Look Outside”. “Eu tenho a sorte de fazer parte de dois mundos que se encontram. Eu acho que uma coisa ajuda a outra porque são bem similares. E eu odeio ficar entediado. São as duas coisas que mais gosto: fazer música com o meu irmão e atuar em bons projetos.”

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Em “Cidades de Papel”, Nat vive Quentin, um adolescente com uma paixão platônica pela vizinha, Margo Roth Spiegelman, interpretada pela top model inglesa Cara Delevingne. Certa noite, Margo pede ajuda para um plano de vingança. Após várias emoções, a jovem desaparece e Quentin e seus amigos tentam encontrá-la.

Nat, que trabalha como ator há dez anos, elogia a modelo que começa a enveredar pelo mundo da interpretação. “Ela se revelou uma excelente atriz e também é uma excelente pessoa. Eu e John somos muito sortudos em conhecê-la.” John completa e afirma que ela é uma pessoa “sensível”, o que contribui para o sucesso do trabalho.

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Fãs de longa data x fãs novos

Após o sucesso do primeiro longa baseado em um livro seu, “A Culpa é das Estrelas”, de 2014, John Green viu o número de fãs aumentar consideravelmente.

Mesmo com um enorme número de leitores, ele nega que existam grandes rivalidades entre os fãs antigos e os que conheceram seu trabalho recentemente. Para ele, o interesse em comum destas pessoas os ajuda a construir boas coisas para a sociedade.

“Mesmo com o crescimento, ainda lembra uma comunidade, uma comunidade que pode fazer coisas importantes juntas”, garante o autor.

“Eles encontram caminhos para fazer coisas juntos, para ter projetos, como serviços comunitários, construção de casas para sem teto, angariar fundos para projetos. O que eles fazem juntos é que os realmente torna uma comunidade forte e a faz crescer. Pode parecer estranho quando cresce ao ponto de se tornar um grande fenômeno, mas também é estranho para mim também”.

Livro vai se adaptar à revolução das plataformas digitais, diz especialista

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A pesquisa sobre o perfil dos leitores brasileiros, realizada entre junho e julho de 2011, foi apresentada neste ano na Bienal Internacional do Livro de São Paulo

Segundo o estudo, o brasileiro lê, em média, quatro livros por ano. Crédito: Lopes/Reprodução

Segundo o estudo, o brasileiro lê, em média, quatro livros por ano. Crédito: Lopes/Reprodução

Publicado por Diário de Pernambuco

O fim do livro impresso representa, para os apaixonados pelo cheiro e textura do papel, o apocalipse, sem exageros — mais aterrorizante que qualquer saga de zumbis ou vampiros. Mas os especialistas em mercado literário tranquilizam o público do livro impresso. De acordo com a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil — realizada pelo Ibope em parceria com o Instituto Pró-Livro — apesar da crescente ascensão dos tablets, os chamados e-books ainda não são muito populares entre os leitores brasileiros, uma vez que 82% afirmam nunca ter lido um.

O professor da Unesp, João Ceccantini, especializado em literatura e mercado, acredita se tratar de uma “falsa guerra”. Ceccantini admite ter lido estimativas bem apocalípticas que apontam para a extinção do livro impresso. Mas, para ele, a tendência é que cada tipo de leitura se adapte à plataforma mais adequada e que tanto o eletrônico quanto o papel terão espaço no mercado.

“O escritor está muito ligado às práticas contemporâneas e a trama conta muito na hora de escolher o tipo de suporte de leitura. Se o livro impresso vai acabar, o tempo vai dizer. Porém, o que eu vejo é uma falsa guerra, porque, se alguns gêneros precisam de recursos eletrônicos para que as pessoas tenham acesso, há os gêneros que se encaixam melhor no impresso. Por exemplo, muitas pessoas preferem ler poesia no papel.”

A pesquisa sobre o perfil dos leitores brasileiros — realizada entre junho e julho de 2011 — foi apresentada neste ano na Bienal Internacional do Livro de São Paulo. De acordo com o estudo, o brasileiro lê, em média, quatro livros por ano, entre literatura, contos, romances, livros religiosos e didáticos. A presidente da Câmara do Livro, Karine Pensa, avalia que os resultados podem ser considerados bons.

“Muitos fatores têm contribuído para conscientizar a população sobre a importância do hábito da leitura, como a queda constante nos preços, o aumento do poder aquisitivo, principalmente da chamada nova classe média — que reflete na melhora do percentual de aquisições de obras registrado pela pesquisa, de 45% em 2007 para 48% em 2011 —, e o crescimento das novas tecnologias, como os e-books, que apresentam mais familiaridade com os jovens”, afirma ela.

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