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Livro sobre Stalin provoca revisão da figura histórica e de seu regime

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Joseph Stalin (Joseph Vissarionovich Djugashvili) 1879-1953 - Soviet politician - member of the October Revolution Committee 1917 - General Secretary Communist Party 1922 Russian Federation / Mono Print

Publicado originalmente no DW

Atualmente o autor Jörg Baberowski dá margem a muita discussão na Alemanha. Ele não faz concessões em sua análise: Josef Stalin era um agressor por paixão e um psicopata impiedoso, um déspota, que mandava matar por quotas e não poupava a ninguém. Ele semeava medo, pavor e desconfiança à sua volta, submetendo toda uma sociedade a uma cultura da destruição e do terror.

Evocando numerosas fontes, Baberowski expõe essa tese nas quase 600 páginas de seu perturbador Verbrannte Erde. Stalins Herrschaft der Gewalt (Terra queimada: O regime da violência de Stalin). “Não escrevi um livro sobre a União Soviética, ou sobre o stalinismo, mas sim sobre a violência extrema e o que ela faz com as pessoas”, disse, numa de suas disputadas leituras públicas.

Império da paranoia

Para o professor de História do Leste Europeu na Universidade Humboldt, em Berlim, o homem que de 1927 a 1953 transformou a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas em seu “Império da Paranoia” era um assassino que tinha prazer em destruiu e ferir. Um “agressor por paixão”, cujo regime foi marcado por terror sem limites e que não distinguia mais entre amigos e inimigos.

Autor Jörg Baberowski

Autor Jörg Baberowski

Em tal império, sob o signo do assassínio desbragado, em princípio não pode haver sucessos políticos ou econômicos, nem notícias positivas de qualquer tipo, mas somente pragas de fome em decorrência de uma política econômica totalmente equivocada, expulsões, desapropriações, desperdício de recursos, destruição da cultura camponesa, submissão total do partido e das instituições estatais à vontade do ditador, terror contra a população, denúncia, tortura, “confissões” extorquidas, processos de fachada – e também a lealdade incondicional dos funcionários.

“Ao fim, Stalin não precisa escrever nem decretar nada. Cada um sabia, de algum modo, o que devia fazer para manter o déspota satisfeito. E ninguém queria se tornar vítima”, explica Baberowski a seu público na cidade de Colônia.

Inferno de muitos, vantagem de poucos

Com um golpe de pena, Josef Stalin enviava inocentes para a morte, às vezes alguns milhares num único dia. Ao mesmo tempo, sinaliza a seu círculo mais imediato de colaboradores que isso podia acontecer com qualquer um.
“Ele simplesmente mandava matar alguém, assim mostrando aos outros o que acontecia a quem não se submetesse.” Portanto não havia segurança nem para quem estivesse próximo do núcleo do poder. “Hoje ministro, amanhã condenado à morte: esta era a macabra imprevisibilidade do sistema”, narra o historiador.

Não eram perseguidos apenas os supostos inimigos do Estado, mas também seus familiares. Eles eram tomados como reféns, para extorquir confissões dos detentos. “E nem mesmo depois da morte da vítima tinha fim o sofrimento das esposas, filhos e parentes”. Eles eram expulsos de suas casas, deportados para os campos de trabalho, internados em orfanatos estatais.

As vidas de muitos eram transformadas num inferno por alguns poucos. Baberowski também constatou em suas pesquisas que, sem dúvida, também havia beneficiados: a elite técnica, alguns artistas, gente que se dava bem como os novos tempos.

Culto ao ditador na Geórgia

Culto ao ditador na Geórgia

Culto contemporâneo na Rússia


Não houve um processamento reflexivo da época stalinista, nem na URSS, nem na Rússia contemporânea. No momento, o livro de Jörg Baberowski está sendo traduzido para o russo. O autor mostra-se cético: dificilmente terá muitos leitores na Rússia.

No país – assim como na Geórgia, onde o ditador nasceu em 1878 – há atualmente uma verdadeira euforia stalinista em alguns círculos. O autor consegue compreender o fenômeno, e prefere não julgá-lo.
“As pessoas que hoje aclamam Stalin, aclamam um império afundado e não se recordam da miséria da época”, opina. Os russos querem voltar a se orgulhar das guerras vencidas, por isso só se evoca o glorioso papel do grande marechal de guerra. A sociedade russa tira pouco proveito de reformas pacíficas; porém a mudança não pode vir de fora, afirma Baberowski.

O especialista em história do Leste Europeu tem recebido muitos elogios pela pesquisa meticulosa e pela apresentação cativante. Seu colega Gerhard Simon caracteriza a monografia como “arrebatadora, memorável e indispensável”. Ela oferece um contrapeso à memória histórica europeia, ainda fortemente concentrada no nacional-socialismo.

Vozes críticas

Stalin: polêmico, mesmo seis décadas após a morte

Stalin: polêmico, mesmo seis décadas após a morte

Outros pesquisadores apontam no trabalho de Baberowski emocionalidade e falta de distanciamento em relação ao objeto de estudo. Eles questionam essa tese de um tirano absoluto, que move todos os fios da política.

Em um ensaio para a revista Osteuropa, o historiador Stefan Plaggenberg, de Bochum, afirma que Stalin não foi um “maníaco geneticamente defeituoso”, mas sim um produto das circunstâncias.

Benno Enker, especialista em história do Leste Europeu de Sankt Gallen, Suíça, se incomoda com uma “equiparação das ditaduras terroristas” do nazismo e no stalinismo, acusando um “obscurecimento terminológico”. Já Christoph Dieckmann, do Instituto Fritz Bauer, critica o estudo por dar a impressão de que as ondas de violência stalinista viessem “como fenômenos naturais”, explicadas exclusivamente pelos “humores de Stalin”.

Todas essas diferentes tentativas de explicação confirmam: mais quase seis décadas após sua morte, a figura histórica de Stalin não deixa ninguém indiferente: nem o autor do livro, nem seus críticos. E muito menos os leitores.

Autoria: Cornelia Rabitz (av)
Revisão: Mariana Santos

O caminho do sucesso dos novos escritores

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Publicado originalmente no No Mundo e Nos Livros

O escritor Paulo Coelho acaba de afirmar que a nova geração de escritores não está prestando atenção e aproveitando todas possibilidades que tem diante de si hoje em dia. Para isso citou o caso do livro “A batalha do Apocalipse” de Eduardo Sphor que entrou em todas as listas de mais vendidos com comentários simples na internet que se propagam mesmo não sendo da crítica especializada.

Hoje com o advento da internet, os escritores podem expressar o que pensam inclusive sobre qualquer obra literária. Paulo Coelho lembrou ainda que quando alguém vai comprar um livro, esse leitor “não vai procurar os comentários da crítica especializada, mas daqueles que já leram. Isso pode determinar o sucesso global ou a morte súbita de um texto.”

Paulo Coelho que sempre foi muito criticado pela mídia lembrou os leitores que nunca faltou espaço para ele na mídia. Lembrou ainda que as previsões sobre ele, era de que fosse apenas um fenômeno de moda, mas com o crescimento da internet, passou a escrever para blogs e redes sociais, ampliando o alcance daquilo que julgava interessante dizer.

Para Paulo Coelho os escritores sofrem da “síndrome de Van Gogh” (ser reconhecido apenas após a morte). O grande erro dos novos escritores é que tentam “agradar a um sistema falido da cultura construída com verbas de ministérios e cimentada com resenhas misteriosas e ilegíveis. Gastam uma imensa energia em busca de reconhecimento que já não está nas mãos daqueles que pensam detê-lo.”

Paulo Coelho diz ainda “A esses, eu digo: os meios de produção e divulgação estão a seu alcance – e isso nunca aconteceu antes. Se ninguém presta atenção ao que estão fazendo, não se preocupem. Continuem adiante, porque cedo ou tarde (mais cedo que tarde) alguém entenderá o que dizem. Os brasileiros não são lidos no exterior porque ninguém se interessa em traduzi-los.” Hoje os autores podem fazer todos esse trabalho sozinho e sem gastar muito. Podem traduzir seu livro e publica-lo tanto no Brasil como no Exterior de maneira totalmente gratuita.

Os autores britânicos, por exemplo, revelaram em um pesquisa já preferem eliminar seus editores e publicar seus livros por conta própria. Estas são talvez as duas revelações mais surpreendentes da pesquisa “Do you love your publisher?” (“Você ama sua editora?”), feita para identificar a atitude de escritores britânicos em relação a seus editores por encomenda do Writer’s Workshop. A auto publicação de e-books também é mais atrativa, pois o retorno financeiro também é maior. Quem sabe você autor muda de atitude agora?

Mulher lê mais que homem, aponta pesquisa nacional

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Imagem Google

Publicado originalmente na Folha de S.Paulo

As mulheres lêem mais que os homens, diz a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, que será divulgada hoje, em Brasília.

O estudo, elaborado pelo Instituto Pró-Livro, mostra que população está acostumada a dedicar muito pouco –ou quase nenhum– tempo aos livros. Do total dos leitores, 55% são do sexo feminino, público maior em quase todos os gêneros da literatura -os homens lêem mais apenas sobre história, política e ciências sociais.

Segundo a pesquisa, a Bíblia é o livro mais lido pela população brasileira –43 milhões de pessoas já a leram, dos quais 45% afirmaram fazê-lo com freqüência.

O segundo colocado é o livro “O Sítio do Picapau Amarelo”, de Monteiro Lobato, apontado como o escritor mais lido no Brasil. A lista dos escritores brasileiros mais lidos inclui ainda, pela ordem, além de Lobato, Paulo Coelho, Jorge Amado e Machado de Assis.

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