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Qual a razão de ler por obrigação?

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“Livros comidos com prazer são livros a serem ruminados pelo resto da vida. Livros não ruminados são livros esquecidos. Mas essa virtude, a ruminação, os educadores não conseguiram incluir em suas pedagogias.” – Rubem Alves.

Gimara Giavarina, no Comércio do Jahu

Grandes verdades nas fortes palavras do polêmico e saudoso educador Rubem Alves. Concordo em “gênero, número e página” com ele. Tudo que fazemos por prazer são ruminados pelo resto da vida. De tempos em tempos, essas lembranças reaparecem. Reaparecem sempre acompanhadas de um sorriso tímido no canto dos lábios. Por outro lado, tudo que fazemos por obrigação são igualmente ruminados pela vida, porém, de forma negativa e traumática. De tempos em tempos, essas lembranças reaparecem acompanhadas de medo e insegurança.

Muitos professores de literatura são os responsáveis por incentivar a aversão à leitura entre nossas crianças e adolescentes. Com a ideia conservadora de fazê-los engolir os grandes clássicos literários que, diga-se de passagem, não têm atrativos nenhum para a idade recomendada, as crianças desde muito cedo começam a burlar o caminho chato e obrigatório da leitura.

Quando elas se veem desacorrentadas da obrigação de apresentar resenhas, fichamentos e resumos ao professor, nunca mais se interessam pela leitura, “cortando voltas das livrarias” e repassando com rapidez os presentes recebidos nessa categoria. Elas acreditam, pelo resultado de uma única experiência pessoal, que todos os livros são enfadonhos e que existem apenas com um propósito: o da avaliação escolar.

Os educadores se esquecem de introduzir o “encantamento” como um marcador de páginas. Esquecem de mostrar que a leitura informa, relaxa, diverte, amplia os horizontes. Esquecem de dizer que por meio da leitura a gente renova a esperança, repensa nas possibilidades, interage com a vida. Já pensou se tivéssemos que fazer uma avaliação obrigatória sobre todas as leituras que nos interessam? Com certeza deixaríamos de ler para poupar o trabalho. Mentalize as situações: “Leu um jornal de manhã? Produza um resumo. “Folheou uma revista depois do almoço? Vá já fazer um fichamento. Terminou de ler o romance? Corra fazer a resenha”.

Pelo amor de Deus, que martírio!

Agora, pense em ligar para uma amiga e contar sobre a notícia polêmica lida no jornal hoje pela manhã. Comente com a sua manicure sobre uma reportagem de beleza que leu na revista. Troque ideias com o seu marido sobre o final do romance que você acabou de ler. Atitudes prazerosas, concorda? Sabe por quê? Não houve a obrigatoriedade.

Você foi mobilizado com as reportagens lidas e sentiu prazer em comentá-las, discuti-las… ruminá-las. Não estou descartando as resenhas e atividades afins, já que elas são extremamente importantes. Apenas acredito que elas não devem estar relacionadas exclusivamente à literatura universal. Os professores se esquecem que todos os gêneros devem ser valorizados e não somente os clássicos que cairão no vestibular. É por essa falta de bom senso que as universidades estão repletas de alunos mestres em responder perguntas do tipo “o que é o que é”, mas que não conseguem compreender relações, fazer comparações e realizar inferências em leituras e interpretações de texto simples.

Alunos que sabem responder o que é um verbo transitivo direto, porém, se atrapalham todos quando pedimos que identifiquem o mesmo verbo em um trecho literário. Frutos da falta de ruminação da leitura, do pensar em cada situação, do se comparar com cada realidade, de buscar estratégias antecipadas para se resolver um problema.

Quando o professor se convencer que pouco importa o gênero literário: se é uma trilogia da moda ou do século passado, se o garoto está refletindo sobre os sermões da “Bíblia”, ou se divertindo com gibis de super-heróis, se a menina está anotando dicas de beleza, deliciando-se com as confissões de adolescentes ou se apaixonando pelos romances, que o importante é ler, a leitura deixará de ser acadêmica e passará a ser universal. O dia que os professores universitários deixarem de defender a ideia conservadora que somente a literatura científica é válida, teremos a universalização da ruminação literária.

Gilmara Giavarina é professora universitária, pedagoga, psicopedagoga, assessora pedagógica e escritora.

Dia do livro: dez deles para você “devorar”

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Publicado por Terra

Sabe aquela sensação gostosa que dá quando você fecha um livro pela última vez ao terminar a leitura e pensa: “e agora, qual o próximo?”. Às vezes são tantas opções que fica difícil de fazer uma escolha.

Neste Dia Nacional do Livro, celebrado neste 29 de outubro, o Terra e a Nuvem de Livros pensaram nisso e prepararam uma lista com dez obras que são leitura “obrigatória” para um bom devorador de livros.

Confira:

1. Romeu e Julieta, de William Shakespeare (Editora Nemo)
A história do amor imortal de Romeu e Julieta ganha nova vida nas páginas desta adaptação em estilo mangá. Uma HQ com todo romantismo e emoção da maior história de amor de todos os tempos!

2. Viagem ao centro da terra, de Julio Verne (Editora Melhoramentos)
Mesclando ficção, informação científica e humor, Julio Verne oferece ao leitor um romance empolgante, em que os personagens são lançados em situações extremas, necessitando dar o melhor de si para superá-las.

3. O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry (Editora Agir)
“O Pequeno Príncipe” foi escrito e ilustrado por Antoine de Saint-Exupéry um ano antes de sua morte, em 1944. Piloto de avião durante a Segunda Grande Guerra, o autor se fez o narrador da história, que começa com uma aventura vivida no deserto depois de uma pane no meio do Saara. Certa manhã, é acordado pelo Pequeno Príncipe, que lhe pede: “desenha-me um carneiro”? É aí que começa o relato das fantasias de uma criança como as outras, que questiona as coisas mais simples da vida com pureza e ingenuidade.

A obra mostra como as “pessoas grandes” se preocupam com coisas inúteis e não dão valor ao que merece. É nesse livro em que surge a Raposa, terno personagem que ensina ao menino o segredo do amor. “Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos”.

4. Histórias extraordinárias, de Edgar Allan Poe (Editora Ediouro)
O homem sempre sentiu medo, sobretudo daquilo que não pode entender, do incerto e — por que não dizer? — do proibido. Talvez por isso o horror tenha algo que nos afaste, mas que também nos atraia e nos deixe fascinados. E foi desbravando essa estranha e ambígua sensação que o contista, crítico e poeta americano Edgar Allan Poe se consagrou como um dos mestres do gênero do terror e o pai da literatura policial.

5. Um rio chamado Atlântico, de Alberto da Costa e Silva (Editora Nova Fronteira)
A obra reúne 16 textos sobre as relações históricas entre o Brasil e a África, sobre a África que moldou o Brasil e o Brasil que ficou na África, publicados desde 1961 em jornais e revistas ou lidos em seminários sobre a história do continente africano. Os autores procuraram não se desatar do poeta Costa e Silva. Se é o poeta quem anda pelas ruas dos bairros brasileiros de Lagos e Ajuda, quem desenha as fachadas das casas térreas e dos sobrados neles construídos pelos ex-escravos retornados do Brasil e quem traz das páginas dos documentos e dos livros as personagens com que se povoam estes ensaios, é o historiador quem lhe guia cuidadosamente os passos.

6. O tigre em casa e a caça do tigre, de Eduardo Lizalde (Editora Alameda)
É impossível não sentir a grandeza da descrição do tigre, animal plástico que representa o ser humano em suas várias facetas e relações. É impossível não reconhecer o impacto de seus poemas sobre o ódio, ódio que constitui a única prova da existência de alguma coisa. É impossível permanecer impassível diante da mordacidade da série de poemas “Lamentação por uma cadela”. Eduardo Lizalde, nascido em 1929, é um dos grandes poetas mexicanos do século 20.

7. Há prendisajens com o xão, de Ondjaki (Editora Pallas)
Do chão promovido a almofada, do nosso limite a ele, do nosso encontro sob ele em algum tempo desconhecido, Ondjaki nos transporta para um diálogo com o tempo, com a palavra, com a liberdade da escrita, com a imaginação de seres misteriosos. Descrições de uma natureza em brisa de jangada e zunzum de abelha. E há também o encontro do sentimento com os seres que somos. Mais conhecido como prosador no Brasil, o autor nos oferece sua escrita em poesia construindo (ou desconstruindo) com muita intimidade cada palavra, cada verso, à sombra das árvores, pela alma das gaivotas, perto de um cardume de tardes. Ou do chão.

8. Relembramentos, de Vilma Guimarães Rosa (Editora Nova Fronteira)
Vilma Guimarães Rosa viaja por memórias para tecer um retrato comovente de seu pai, Guimarães Rosa, considerado por muitos o maior escritor da nossa literatura. Por meio de fotos, cartas, lembranças de um passado rico e cheio de histórias, o pai, sempre rememorado com carinho pela filha, é revelado como um homem singular, amoroso, profundamente religioso e com um senso de humor surpreendente. Relembramentos é uma ode a um gênio feita com a delicadeza de uma escritora inspirada e o amor de uma filha saudosa.

Bastante famosa pelo filme de Stanley Kubrick, a obra Laranja Mecânica é um clássico da literatura Foto: Nuvem de Livros / Reprodução

Bastante famosa pelo filme de Stanley Kubrick, a obra Laranja Mecânica é um clássico da literatura
Foto: Nuvem de Livros / Reprodução

9. Laranja Mecânica, de Anthony Burgerss (Editora Aleph)
Publicado pela primeira vez em 1962, e imortalizado nove anos depois pelo filme de Stanley Kubrick, “Laranja Mecânica” não só está entre os clássicos eternos da ficção como representa um marco na cultura pop do século 20. Meio século depois, a perturbadora história de Alex – membro de uma gangue de adolescentes que é capturado pelo Estado e submetido a uma terapia de condicionamento social – continua fascinando, e desconcertando, leitores mundo afora.

10. Angu de sangue, de Marcelino Freire (Livro Falante)
Neste audiolivro, Marcelino Freire lê os 17 contos que compõem a obra homônima impressa, incluindo Muribeca, Belinha, Moça de Família, Volte Outro Dia, Socorrinho, Filho do Puto, Troca de Alianças, Angu de Sangue, A Senhora que Era Nossa, Os casais, O Caso da Menina, Sentimentos, Faz de Conta que Não Foi. Nada, A Cidade Ácida, The End, J.C.J. e Mataram o Salva-vidas. Ninguém melhor do que o próprio autor, nesse caso, para reafirmar a vida das suas palavras, que cortam, rasgam, furam, rebolam, vão se embrenhando na gente.

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