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Clubes de leitura ampliam horizontes para além dos livros

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Crianças são contempladas pelo Leiturinha
Foto: Divulgação

Clubes de leitura valem pela experiência que proporcionam aos leitores, com opções pela internet que atendem a milhares de leitores, do público adulto ao infantil

Mariana Mesquita e Hugo Viana, na Folha de Pernambuco

Os clubes de leitura têm raízes que remontam aos salões onde os iluministas preparavam a Revolução Francesa e aos grupos em que os puritanos norte-americanos se reuniam para estudar a Bíblia, há quase 300 anos.

No século passado, surgiu o primeiro modelo à distância, nos Estados Unidos da década de 1920: o “The Book of the Month” passou a enviar pelos Correios os títulos que assinantes escolhiam a partir de uma lista. No Brasil, uma das iniciativas mais lembradas pelos consumidores é o Círculo do Livro, experiência da Editora Abril que funcionou de 1973 a 1993 e chegou a ter 500 mil filiados.

Mas nos dias atuais, mesmo tendo milhares de opções de compra por meio presencial ou pela internet, os leitores brasileiros vêm redescobrindo os serviços de assinatura mensal, que vêm ampliando sua área de atuação e se especializando para atender, de forma mais eficaz, às necessidades de seus públicos.

O foco na experiência é o elemento-chave por trás desse fenômeno editorial, já que a comodidade de receber o produto em casa não é o foco principal, e sim toda uma gama de vivências que um livro pode proporcionar: se aproximar dos filhos, conhecer um autor novo ou debater sobre escritores já conhecidos, além de expandir os próprios hábitos literários.

É o caso da empresa TAG, de Porto Alegre (RS), que se propõe a vender “experiências de leitura”. “O principal ingrediente, além da boa literatura, é o fator surpresa. O mistério acompanha toda a jornada do associado: a descoberta do título, a edição exclusiva que não pode ser encontrada em livrarias e não é revelada antes do envio, os materiais de apoio, os brindes, a apresentação que antecipa o próximo kit. Tudo é pensado para envolver e cativar o leitor. Após a descoberta, o associado pode acessar o aplicativo e participar dos encontros que possibilitam conversar sobre as obras, conhecer outras pessoas e gerar um senso de comunidade. Participar do clube significa retomar o hábito de leitura e descobrir novos títulos e autores que talvez não leria”, descreve a produtora de conteúdo Thaís Mahfuz.

Em julho passado, o clube completou 4 anos de existência, atendendo a mais de 36 mil associados (dos quais cerca de mil são pernambucanos). “Hoje, o Nordeste representa em torno de 15% da nossa base total de assinantes”, destaca. Para agradar a todos os perfis de leitor, eles acabam de lançar a TAG Inéditos, uma modalidade de assinatura voltada para os fãs de best-sellers, e elaboraram um kit mais simples (sem “mimos” e com capa em brochura), para diminuir o preço e possibilitar que pessoas com menor potencial aquisitivo possam ter acesso à proposta.

“Acreditamos muito no modelo por diversos motivos: praticidade, conforto, curadoria, retomada do hábito, senso de comunidade etc. Na prática, sentimos que a ideia e o produto são muito bem recebidos e alguns concorrentes começaram a aparecer, o que prova que o mercado está crescendo”, complementa Thais.

Outro clube que possui proposta parecida é o Leiturinha, criado em 2014 e com foco no público infantil. Segundo Rodolfo Reis, que fundou o clube junto com Luiz Castilho e Guilherme Martins, a ideia surgiu a partir de uma conversa sobre a importância de compartilhar o hábito da leitura com os filhos, para estabelecer um vínculo permanente de carinho e aprendizado, aliada à difícil tarefa de escolher livros adequados para as crianças.

Em 2016, o Leiturinha se uniu à empresa de brinquedos PlayKids, e hoje está presente em 5,1 mil cidades em todo o Brasil. “Promovemos o hábito da leitura compartilhada para 120 mil famílias, sendo Pernambuco uma das maiores praças do Nordeste”, destaca.

Ainda de acordo com Reis, “quando uma família assina o Leiturinha não está recebendo apenas livros, mas também uma experiência única para pais e filhos. Todos os produtos PlayKids têm o endosso de uma equipe de especialistas em desenvolvimento infantil e os kits passam por uma criteriosa seleção, trazendo os melhores títulos disponíveis no mercado editorial. Essa seleção baseia-se nos aspectos que devem ser estimulados em cada fase do desenvolvimento”. Ele garante: “entregamos muito mais do que livros”.

O projeto repercute entre os leitores. “Fiz assinatura do Leiturinha. Tenho um filho de nove anos e outro de cinco. Fiz dois planos, um para cada um”, explica Luciana Xavier, 37 anos, engenheira elétrica. “Acho excelente. Eles gostam muito dos livros. A gente incentiva eles a ler, desde pequenos, os livros voltados para a faixa etária deles. Vejo muito cuidado e carinho na preparação dos kits. É um material muito bom”, opina.

Quando recebe o kit, a família se reúne em torno dos livros. “O de cinco anos precisa que a gente leia para ele, já que está na fase de alfabetização. Sempre que chega o material a gente senta com ele. O de nove lê sozinho, mas a gente pede feedback da história”, detalha Luciana, que descobriu o serviço através de propagandas na internet.

Fábio Paiva, da EduQuadrinhos, prepara lançamentos a cada mês – Crédito: Ed Machado / Folha de Pernambuco


EduQuadrinhos

Fábio da Silva Paiva, doutor em Educação, também está nesse mercado de leitura, mas sua participação está voltada a outro gênero literário: os quadrinhos. Pesquisador da presença dos quadrinhos na educação, Fábio percebeu, quando terminou o doutorado, que essa produção não costuma chegar aos leitores.

“Resolvi buscar formas de fazer com que esse material chegasse a mais gente. Então criei uma página no Facebook, um Canal de YouTube e publiquei minha dissertação de mestrado e tese de doutorado em livro, durante a Comic Con, no Recife”, explica Fábio.

O passo seguinte foi a criação do EduQuadrinhos: projeto que tem um mês, em que os assinantes recebem, todo mês, dois quadrinhos, um infantil e outro adulto, que vêm acompanhados de um texto do autor, explicando a seleção dessas HQs e sua relevância cultural. “No texto, falo sobre o que pode ser ensinado e aprendido a partir da leitura dos quadrinhos. As obras são selecionadas por mim. Esse projeto surgiu do desejo de dar continuidade e alcançar mais pessoas, através dessa ideia de que o quadrinho pode fazer parte da educação”, explica Fábio.

No primeiro volume, foram enviados “A noiva”, de Eron Villar, para os pais, e “O Rei e o Príncipe”, assinado pelo próprio Fábio e por Rhebeca Morais. “A ideia é essa: quadrinhos para diversão, entretenimento e também menção aos pontos de educação que estão nas obras”, detalha Fábio, que está em processo de concluir a caixa do segundo mês (a assinatura, disponível no site do projeto, custa R$ 42,50).

Ricardo Leitão, presidente da Cepe, quer facilitar e baratear o acesso aos livros e periódicos do catálogo da editora – Crédito: Brenda Alcântara / Folha de Pernambuco

Clube de descontos em Pernambuco

Embora não funcione com a mesma proposta de outros clubes de leitura, a Companhia Editora de Pernambuco criou uma maneira de facilitar e baratear o acesso às obras de seu catálogo. Após se inscrever no site da Cepe, o usuário passa a contar com descontos especiais tanto nos livros, como nas publicações mensais, além de ter acesso a promoções exclusivas.

Segundo o presidente da editora, Ricardo Leitão, “a iniciativa reflete uma política de valorização dos produtos editoriais da Cepe, que somente em 2018 está lançando 82 novos livros”. A ideia surgiu também como uma maneira de ampliar ainda mais o comércio virtual da Cepe, que já vem crescendo significativamente nos últimos anos (entre 2016 e 2017, houve um incremento de 137% nas vendas da plataforma digital).

A meta é duplicar as vendas através do site até agosto de 2019, ampliando as fronteiras do hábito de leitura entre os clientes da editora. Para atrair mais participantes para o clube, que já conta com 1,5 mil usuários, quem se inscrever no site da Cepe ganha três meses de assinatura da versão digital da Revista Continente. E o melhor: os serviços e vantagens do clube são gratuitos.

Por dentro dos Clubes

TAG
Desde 2014
36 mil associados (quase mil deles de Pernambuco)
15% da base está no Nordeste

Leiturinha
Desde 2014
Foco no público infantil
120 mil famílias recebem os kits

Cepe
Criado em agosto deste ano
82 livros lançados em 2018
Entre 2016 e 2017, ampliou em 137% as vendas digitais
1,5 mil clientes

Autor de Caixa de Pássaros e Piano Vermelho lança mais um livro no Brasil

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Victor Tadeu, no Desencaixados

Josh Malerman, cantor, escritor e compositor teve o seu primeiro livro publicado no Brasil em 2015, pela Editora Intrínseca. Com o título Caixa de Pássaros o livro foi um dos mais lidos em seu ano de lançamento, porém dividiu opiniões por ser um thriller psicológico e muito conturbador, porém o mesmo ganhou uma adaptação cinematográfica, na qual, está em processo de desenvolvimento e em breve será distribuído pela Netflix. Porém em 2017 o mesmo lançou mais uma obra chama Piano Vermelho pela mesma editora, também bastante lida em seu ano de lançamento.

O autor é muito conhecido e remunerado dentro do gênero que produz histórias, ou seja, os thrillers. Porém foi divulgado recentemente pela Editora Intrínseca o seu próximo lançamento que carrega o título de Uma Casa no Fundo de um Lado, a história conta sobre Amelia e James, duas pessoas com sentimentos recíproco, e que marcam um encontro para conhecerem um ao outro. Porém, durante esse encontro, que foi decidido ser um passeio de canoa, eles encontram uma casa perigosamente misteriosa debaixo d’agua, mas, após aprofundarem nos mistérios daquela residência, as suas vidas acabam não sendo as mesmas.

Uma Casa no Fundo de um Lago, de Josh Malerman contém apenas 160 páginas e foi traduzido por Fabiana Colasanti, o seu lançamento foi ontem, dia 25 de julho de 2018, porém alguns críticos literários já fizeram a leitura e você pode as críticas pesquisando no Google. Esse promete ser mais um best-seller de Malerman, a Intrínseca liberou um trecho da obra e para fazer a leitura é só clicar aqui.

Como fazer as crianças gostarem de ler

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Cintia Ferreira, no Green Me

Que leitura faz bem, todo mundo concorda. É uma ótima forma de passar o tempo, melhora o vocabulário, a escrita, exercita a empatia – já que a ficção coloca as pessoas em pontos de vista muito alheios aos delas -, dá prazer, entre tantas outras coisas boas. Mas, mesmo que seja um hábito tão bem visto – são poucas as pessoas que se tornam leitoras, de fato.

Por que isso acontece? Em algum momento da jornada, muita gente perde o interesse, diz que é chato, que não consegue. Em certas situações, a falta de vontade de ler começa na infância. No entanto, essa é a melhor fase para inserir esse importante hábito na vida da criança.

Quer saber como fazer isso? Confira abaixo algumas dicas:

1. Dê livros de presente
Deixe que a criança tenha contato com livros desde bebê. Atente-se para a faixa etária e compre títulos lúdicos, que podem ainda ter a ver com a fase que o pequeno está passando. Por exemplo, chegou a hora do desfralde? Existem ótimos livros infantis abordando o tema. Por que não comprar um para ele? Faça a criança ter acesso ao universo literário desde cedo, as chances de que ela goste do hábito aumentam consideravelmente.

2. Espalhe livros pela casa
Crianças são curiosas e mexem em tudo, certo? Então por que não usar essa característica a favor da leitura? Espalhe livros pela casa, principalmente lugares onde ela costuma ficar mais. Existem livros de plástico para os bebês muito pequenos, interativos, de fábulas, as opções são muitas.

3. Leia com ela
Adquira o hábito de ler com a criança, pois além de estar incentivando a leitura, você estará fortalecendo ainda mais o vínculo entre vocês. Imite vozes, faça personagens, deixe o clima bem divertido.

Esse costume deve acontecer, inclusive, com recém-nascidos, pois os benefícios da leitura também são aproveitados por eles, tanto que a Academia Pediatra Americana recomenda que os pais leiam em voz alta para os filhos, desde o nascimento. Isso vai ajudando os pequenos a criarem vocabulário, além de ser um momento de interação importante na construção do relacionamento entre pais e filhos.

4. Crie um cantinho para leitura
Coloque alguns livrinhos em um espaço que a criança possa pegar, como uma cestinha, encha o canto de almofadas, pufes e tapetes, deixando-o bem confortável ou até mesmo faça uma bacana criativa. Ter um espaço de leitura mostra para a criança o quanto aquele hábito é importante e a estimula a querer ler sempre.

5. Seja um exemplo
Se você não é uma leitora ou leitor voraz ainda, talvez seja uma boa oportunidade agora que tem filhos. Crianças se espelham nos adultos de referência de sua vida para reproduzir comportamentos. Se veem os pais lendo, há grandes chances de que queiram “imitar” aquele hábito, e daí para gostar de ler é um passo.

Nunca se escreveu tanto, tão errado e se interpretou tão mal

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Ana Moioli, 18, tirou nota máxima na redação do Enem em 2016
Marcus Leoni – 10.mar.16/Folhapress

Saber ler e interpretar é questão de sobrevivência e amplia nossos horizontes

Otávio Pinheiro, na Folha de S.Paulo

A pesquisa Indicador de Alfabetismo Funcional, conduzida pelo Instituto Paulo Montenegro em parceria com a ONG Ação Educativa, aponta que apenas 22% dos brasileiros que chegaram à universidade têm plena condição de compreender e se expressar.

Na prática, esses jovens adultos estão no chamado nível proficiente –o mais avançado estágio de alfabetismo. São leitores capazes de entender e se expressar por meio de letras e números. Mais ainda, compreendem e elaboraram textos de diferentes modalidades (email, descrição e argumentação) e estão aptos a opinar sobre um posicionamento ou estilo de autores de textos.

Em contrapartida, a pesquisa de 2016 aponta que 4% dos universitários estão no grupo de analfabetos funcionais.

Os dados de leitura, escrita e interpretação do Brasil ajudam a entender algumas das origens desse baixo índice de letramento como, por exemplo, os resultados de Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) de 2014, que mostra que 537 mil alunos zeraram a redação da prova –ou seja, quase 10% do total de 6 milhões de participantes que entregaram a prova. Em 2017, por sua vez, 309 mil alunos zeraram a redação, e apenas 53 tiraram a nota máxima.

Na análise do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), a distância do Brasil em relação a outros países é imensa. Os dados de 2016 colocam luz sobre um dos problemas cruciais da educação brasileira, visto que indicam que entre os 70 países avaliados, o Brasil fica na posição 59 em termos de leitura e interpretação.

Com todas as evidências e dados, é hora de colocar a escrita, a leitura e a interpretação como bandeira em todos os níveis da sociedade. A capacidade de comunicação e a linguística são habilidades complexas do ser humano e, para exercitar, precisamos de estímulos, referências e políticas de Estado que deem prioridade a estes aspectos educacionais.

A leitura nos leva a aprender, a sonhar e a ter experiências de lógica, além de vivências criativas que mudam vidas. A vida é construída com falas, recepção, risos, sarcasmos, fábulas. Também é construída a partir do entendimento daquilo que é diferente, entendimento do outro.

Quando converso com professores, empresários, pais e mães –ou seja, com várias matrizes da sociedade–, todos falam que um número expressivo de pessoas tem dificuldades de escrita, leitura e interpretação. Em muitos casos, o mundo fica difícil de ser interpretado.

Espinhoso e polêmico, o problema da educação no Brasil não será resolvido com uma bala de prata, uma única iniciativa. Deve-se pensar em soluções integradas como a Olimpíada Brasileira de Redação, que estimula a mobilização de todos os estudantes do país.

É preciso que os processos de recrutamento das empresas deem mais valor para atividades que incluam o texto como avaliação. E também contar com os negócios de impacto social focados em educação para endereçarem soluções viáveis.

Como educador, tenho acompanhado com perplexidade que nunca se escreveu tanto, tão errado e se interpretou tão mal na história da humanidade. Como empreendedor da Redação Online –primeira edutech acelerada na Estação Hack, iniciativa do Facebook em parceria com a Artemisia– defendo que o empreendedorismo de impacto social é uma importante ferramenta para vencer esse desafio de melhorar o letramento dos brasileiros.

A Redação Online é uma solução que viabiliza correções de redações preparatórias para Enem, vestibulares e concursos, com qualidade e em escala nacional. São 32 mil estudantes atendidos, sendo 35% oriundos de escolas públicas.

Em 2018, tivemos a alegria de ter, entre os alunos, 120 aprovados em medicina, a maioria deles vindos de escolas públicas. Em locais como Ilha de Marajó, com acesso de internet difícil, a solução comprova o impacto social. Com um upload rápido, o aluno pode baixar o conteúdo em uma área com wayfi, por exemplo. É diferente da aula online que requer um serviço de internet melhor.

A cada dez alunos do Redação Online, oito aumentaram as próprias notas em até 400 pontos. Hoje, temos uma rede de 600 revisores em todo o Brasil que, além da correção ortográfica, traçam comentários sobre como melhorar, dicas de livros e links de conteúdo.

Defendo que saber ler e interpretar é questão de sobrevivência. O prazer de ler, escrever e interpretar amplia nossos horizontes, amplifica a nossa imaginação e nos liberta de preconceitos, extremismos e opiniões fundamentalistas.

‘Os pais devem ler para as crianças desde a gestação’, diz psicóloga

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Publicado no Boa Informação

Ler histórias para crianças é uma prática consagrada. Mas, em geral, as pessoas não fazem isso com bebês. Especialista em primeira infância, psicóloga e consultora da Rede Primeiros Passos, Denise Mazzuchelli fala que os pais devem começar a ler para os filhos além disso enquanto eles estiverem no útero, se possível.

Desde quando além disso estão útero. É interessante estimular os pais a conversarem e lerem para crianças desde a gestação. Há estudos que relacionam o primeiro contato da criança com os fonemas além disso no útero materno.

Qual a importância dessa prática?

A leitura em voz alta para bebês amplia o vocabulário receptivo da criança, isto é, mesmo que ela além disso não fale, vai entender. Antes de falar “mamãe”, a criança sabe o que é “mamãe”. O vocabulário é a base do pensamento: quanto maior ele for, mais complexos serão os pensamentos que a criança será capaz de elaborar. Essa prática é um preditor de desenvolvimento em leitura aos 10 anos. O vocabulário da primeiríssima infância faz diferença para toda a vida. Além disso, a criança passa a associar a leitura com uma experiência prazerosa. A leitura em voz alta gera uma bagagem para a criança no sentido de vivenciar experiências que não estão em seu ambiente imediato.

A criança nunca vai ver um hipopótamo no Centro do Rio, mas, por meio do livro, provavelmente terá contato com esse animal. Assim como ela não vai ver neve no Brasil, mas pode ver em uma história e pensar sobre isso. A leitura para bebês igualmente semeia o desejo de aprender a ler. Uma criança que constrói momentos de prazer e conexão com os pais na primeira infância vai ficar sedenta para desvendar aqueles códigos por si mesma.

Há técnicas específicas para ler para bebês?

Uma criança até os 4 meses de idade tem uma mobilidade além disso limitada, mas já consegue ouvir e enxergar, além disso que não de forma tão apurada. É possível deixá-la deitada e ler uma história, há livros com apenas uma imagem em cada folha, em preto e branco para que ela comece a distinguir figuras. Aos 6 meses, é interessante que o cuidador dê a ela a oportunidade de virar a página, há livros com páginas grossas para crianças que além disso não conseguem fazer movimento de pinça. Um bebê de 8 ou 9 meses vai impor mais dificuldades na hora da leitura, vai querer pegar o livro, jogá-lo, então é difícil fazer uma leitura do início ao fim, mas a dica é persistir. A partir dos 12 meses, eles já interagem muito mais. Se for um livro que traz ruídos de animais, vão conseguir imitar. Nesse momento é possível fazer uma leitura dialógica, que vai ter um impacto relevante.

O que os pais não devem fazer?

É relevante que eles não queiram traduzir o livro para a criança. Ler o que está escrito faz muita diferença, porque os livros têm um vocabulário e uma construção diferente do que se ouve no dia a dia. É relevante igualmente ter um diálogo com a criança.

Qual a diferença entre bebês que foram estimulados com a leitura por seus pais e os que não foram?

Há diferenças no Q.I, na memória, na capacidade de atenção. Além disso, há grandes diferenças no padrão de comunicação daquela família. Aquelas que fazem leitura tendem a ter uma interação mais suave, fazer menos uso de punição física com os filhos.

No Brasil, existe essa prática de leitura para bebês?

Já avançamos, mas além disso estamos engatinhando. Os livros têm que entrar na pauta de prioridade da primeira infância. Na pré-escola já é muito tarde para fazer uma intervenção. O que acontece antes é determinante no desempenho da criança. É preciso haver excelentes bibliotecas públicas para que as famílias de baixa renda tenham acesso, além disso que muitos desses pais não saibam ler. O contato precoce com a leitura gera um sujeito de ação e não de reação. É alguém que tem iniciativa, que consegue pensar desde muito cedo, que sabe prever o que vai acontecer. Se a criança ler dois livros por semana durante os seis primeiros anos, antes de entrar na escola já vai ter tido contato com 600 livros, o que é muito mais que a maioria dos adultos lê a vida toda.

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