Posts tagged leituras

De Star Wars a Leonardo da Vinci: confira 12 livros para ler em 2018!

0

suicidas-raphael-montes-760x428

Cesar Gaglioni, no Jovem Nerd

O ano novo enfim chegou trazendo consigo aquelas promessas que fazemos a cada Réveillon! Caso você tenha prometido a si mesmo que iria ler mais em 2018, separamos aqui 12 sugestões, uma para cada mês do ano!

O Nome do Vento, de Patrick Rothfuss

O primeiro livro da trilogia da Crônica do Matador do Rei foi lançado em 2007. Aqui acompanhamos o começo da saga de Kvothe, o humilde dono da hospedaria Marco do Percurso.

Quando um cronista decide ouvir e registrar a história do taberneiro, descobrimos que Kvothe tem muitos segredos: alguns deles muito surpreendentes.

O Nome do Vento é uma excelente pedida para quem gosta de histórias fantásticas cheias de magia e reviravoltas.

A continuação, O Temor do Sábio, foi lançada em 2011 e atualmente Rothfuss trabalha no terceiro e último livro da saga.

Suicidas, de Raphael Montes

Gosta de um bom mistério? Então Suicidas, do brasileiro Raphael Montes, é uma boa escolha.

Aqui acompanhamos a história de um grupo de jovens que decide tirar a própria vida. A trama se divide entre Alê, um dos adolescente que cometeu suicídio, e uma policial que está investigando o caso.

A narrativa alterna em passado, presente e futuro com muita fluidez, prendendo (e muito!) o leitor que quer entender a motivação dos protagonistas.

Confissões do Crematório, de Caitlin Doughty

Em Confissões do Crematório, a autora (e youtuber!) Caitlin Doughty relembra histórias da época em que trabalhou num crematório, durante sua juventude.

Num primeiro momento, pode parecer um livro maçante e mórbido, mas Doughty conta tudo com muito bom humor e sempre num tom cômico. Logo na introdução ela relembra seu primeiro dia no emprego, quando teve de barbear um cadáver mas não sabia como fazer isso.

A leitura é fluida e as risadas são garantidas!

O Exorcista, de William Peter Blatty

Uma obra-prima do terror. O romance de William Peter Blatty serviu como base para o clássico filme de 1973.

O livro traz a sombria história de Regan, uma menina de 12 anos que acaba sendo possuída por um demônio. Ao mesmo tempo, acompanhamos o drama de sua mãe, que se vê em uma situação de completo horror; de Damien Karras, um padre/psiquiatra no meio de uma crise de fé e de Merrin, um padre experiente que vai precisar enfrentar o Mal de uma maneira inimaginável.

O romance é mais assustador que o filme e tem cenas ainda mais perturbadoras. O calafrio é certo!

O Poderoso Chefão, de Mario Puzo

Outro livro que foi transformado em um filme clássico. A trama policial escrita pelo jornalista Mario Puzo gira em torno da organização mafiosa da família Corleone.

Após Don Vito, um dos chefões da máfia de Nova York, ser baleado de maneira trágica, Michael, o caçula da família, se vê obrigado a assumir os negócios do pai — mas ele não sabia que isso iria corromper sua alma de forma irrecuperável.

Os fãs do filme podem sentir um certo estranhamento ao ver o ritmo mais lento do livro, mas a profundidade da trama é a mesma. O romance conta a história do primeiro filme e ao mesmo tempo apresenta o passado de Don Vito, que foi visto no segundo longa da trilogia de Francis Ford Coppola.

É uma sugestão irrecusável!

Star Wars: Marcas da Guerra, de Chuck Wendig

Ainda está no hype de Os Últimos Jedi e quer consumir mais coisas de Star Wars até a chegada do Episódio IX? Seus problemas acabaram!

Marcas da Guerra traz uma trama militar que explica algumas coisas que aconteceram entre O Retorno de Jedi e O Despertar da Força., mostrando como a Galáxia reagiu ao fim do Império e como a Primeira Ordem surgiu.

É um aprofundamento bacana para quem quer saber mais da galáxia muito, muito distante…

Harry Potter e a Pedra Filosofal, de J.K. Rowling

Nunca leu nenhum livro da saga do bruxinho? Tá aí uma ótima oportunidade para começar! Já leu todas as aventuras mais de uma vez? Talvez seja um bom momento para revisitar Hogwarts.

O primeiro livro da série é curtinho e tem um tom bem aventuresco, além de apresentar as principais mecânicas e personagens do mundo bruxo de J.K. Rowling.

Aqui, Harry precisa impedir que o terrível Lorde Voldemort se apodere da Pedra Filosofal e consiga voltar à vida, trazendo um novo reinado sombrio para os bruxos.

O Oceano no Fim do Caminho, de Neil Gaiman

Em O Oceano no Fim do Caminho, Gaiman nos apresenta uma fábula tocante que fala sobre o fim da infância e a chegada da maturidade. Tudo isso em uma trama que envolve bruxas, espíritos e outras criaturas fantásticas.

O romance conta a história de um homem (seu nome nunca é revelado) que volta ao seu bairro natal para um funeral. Lá ele se lembra de uma garota, Lettie Hempstock, e de todas as aventuras que viveram durante a infância.

É um livro fofo e rápido de ser ler, que traz muitos temas comuns a todos nós.

Cosmos, de Carl Sagan

Está procurando uma leitura diferente? Cosmos é uma ótima opção. O livro do astrofísico Carl Sagan explica alguns conceitos de astronomia e astrofísica de maneira simples e até mesmo poética.

Aqui os temas vão da formação das galáxias à Teoria da Relatividade de Albert Einstein. O texto é muito fluído e Sagan usa diversos exemplos simples do nosso dia a dia para explicar conceitos complexos.

Eleanor & Park, de Rainbow Rowell

Quer um romance água com açúcar embalado em um monte de referências e diálogos nerds? Eleanor & Park é uma boa!

Aqui acompanhamos o amor de dois adolescentes. Eleanor, uma garota tímida e que não tem muitos amigos na escola e Park, um descendente de coreanos que é apaixonado por música e quadrinhos.

A trama mostra a paixão dos dois florescer e amadurecer, mostrando os altos e baixos da adolescência de uma maneira muito sincera e sem muitos clichês vistos em outros livros do gênero.

Tudo isso com muitas discussões sobre X-Men, Watchmen, Batman e Star Wars, regadas com a trilha sonora de bandas como The Cure e o The Smiths.

O Estrangeiro, de Albert Camus

O romance escrito pelo filósofo francês acompanha a história de Mersault, um homem não muito simpático que detesta boa parte da humanidade e que acaba cometendo um assassinato.

Depois disso, vamos seguindo o protagonista em uma série de situações absurdas que vão escalando rapidamente no nível de loucura, chegando ao absurdo.

No meio de tudo isso, Camus apresenta as ideias existencialistas e absurdistas que formaram sua filosofia.

Leonardo Da Vinci, de Walter Isaacson

Biografia de um dos maiores gênios da humanidade. Aqui Isaacson traça o perfil do pintor/engenheiro/cientista/matemático/arquiteto do seu nascimento em 1452 até sua morte em 1519.

No decorrer do livro, somos apresentado aos métodos de Da Vinci e conhecemos mais de sua personalidade enquanto pessoa.

É uma leitura riquíssima para aqueles que se interessam por História no geral e pelo período do Renascimento Cultural.

Todos esses livros foram lançados no Brasil e maioria também conta com versões em ebook.

4 regras de leitura de Bill Gates

0

summer-books_2017_800px_v1

Ele explicou como consegue extrair o máximo de suas leituras.

Publicado no Infomoney

SÃO PAULO – Como copresidente da Fundação Bill & Melinda Gates, Bill Gates saiu do mundo da tecnologia e mergulhou nos assuntos relacionados a saúde pública, economia e desenvolvimento social.

O resultado é que, ano após ano, Gates divulga uma série de listas de livros, do mais inspirador (Os Anjos Bons da Nossa Natureza, de Steven Pinker) à melhor obra sobre negócios (Business Adventures, de John Brooks), relata o portal Na Prática.

“A leitura é meu jeito favorito de satisfazer minha curiosidade”, resumiu. “Ainda acho que livros são a melhor maneira de explorar novos tópicos em que você tem interesse.”

Em um vídeo recente para o portal de notícias Quartz, ele explicou como consegue extrair o máximo de suas leituras. Ou seja, como lê livros. Veja:

 1. Anote nas margens
“Você está se concentrando na leitura? Pegando as informações e anexando esse conhecimento?”, pergunta. “Anotar faz com que eu pense sobre o que estou lendo.”

2. Não comece o que você não vai terminar
Neste caso, Gates fala sobre Graça Infinita, um livro de David Foster Wallace famoso pela originalidade e pelo tamanho: são mais de mil páginas.

O americano está curioso, mas não tanto assim para se comprometer com tanta coisa. “Esta é minha regra para chegar ao final [dos livros]”, fala. “Não quero abrir uma exceção.”

3. Leia do jeito que for melhor para você
No caso de Gates, são livros, jornais e revistas de papel. Uma transição para o digital ainda não aconteceu, porque ele prefere assim. “É ridículo porque viajo com uma mala de livros”, admite. Ou seja, leia da maneira que for mais conveniente para você – mesmo que seja inconveniente num avião.

4. Reserve uma hora para ler
Cinco, 10 ou 20 minutos podem funcionar para um artigo, mas para que leituras mais densas realmente tenham impacto, Gates recomenda reservar uma hora na agenda. “Reserve tempo para realmente refletir e progredir”, aconselha.

Você conhece o papel da literatura no desenvolvimento infantil?

0

informe39foto01

Ler estimula até os sentidos. Veja de que forma isso acontece

Publicado no G1

A literatura infantil é um caminho que leva a criança a desenvolver a imaginação, ampliar o vocabulário, trabalhar sentimentos de forma prazerosa e significativa e alfabetizar-se, nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Mas o contato com a literatura na infância permite, ainda, que a criança se coloque em diferentes papéis e aprenda, desde cedo, a apreciar a arte.

Para Andrea Bade Fecher, gestora do Bom Jesus Menino Jesus, em Petrópolis (RJ), é difícil, ou melhor, impossível dizer o papel da literatura no desenvolvimento infantil. “Podemos destacar alguns, como a função social: ler para se informar, ampliar o repertório, socializar o conhecimento, agregar valores etc. Em relação ao desenvolvimento, durante a leitura, são ativadas diversas áreas cerebrais ao mesmo tempo. À medida que lemos, ativamos nossas memórias e os campos: visuais, auditivos, da criatividade e, por vezes, até olfativos. Sem contar que não aprendemos apenas com as nossas experiências; aprendemos na interação com seres e objetos, o que torna a literatura uma grande fonte de aprendizado”, afirma.

A criança que tem o contato com a literatura estimulado amplia consideravelmente seu repertório na língua materna (ou outras línguas, caso já tenha contato com elas), e é capaz de relacionar, interpretar e fazer inferências com maior facilidade, melhora sua ortografia e expande seu potencial criativo.

Segundo Andrea, os pais podem estimular a leitura com o exemplo dentro de casa. “Crianças são atentas – não adianta os pais dizerem que a leitura é importante se o filho nunca os viu lendo. Há pesquisas em neurociência que mostram que todo novo hábito pode ser criado em 21 dias. Então vamos lá, faça o seu planejamento e mantenha com seu filho uma rotina de leitura”, incentiva a gestora, que entende que a escola tem papel fundamental nesse processo, pois é nela que o aluno terá contato com leitura de forma mais técnica. “No Bom Jesus, trabalhamos com títulos e autores diversificados, escolhidos com muito critério. Os alunos leem os livros do projeto de leitura, outros que têm relação com o tema do projeto desenvolvido pela turma, leem livros da ciranda de leitura feita em sala de aula e contam ainda com títulos, separados por faixa etária, nas bibliotecas das unidades de ensino. Já no 1º ano são estimulados a ler para a turma ou a dramatizar histórias lidas individualmente ou em grupo. Quando maiores, são estimulados a leituras mais densas, fazem trabalhos orais, expositivos e avaliações em que podem colocar suas descobertas acerca da leitura realizada”, explica.

Então, não se esqueça: na hora da leitura, nada de preconceito! Explore, com a criança, os diversos gêneros textuais, descubra seu campo de interesse, crie uma rotina agradável e divirta-se neste momento único entre pais e filhos!

5 formas de incentivar a leitura (e a gentileza) sem gastar dinheiro

0
 SolStock via Getty Images Você pode incentivar a leitura criando uma rotina diária com a criança

SolStock via Getty Images
Você pode incentivar a leitura criando uma rotina diária com a criança

 

Estratégias que favorecem a aproximação das crianças e dos livros

Heidi Moriyama, no HuffpostBrasil

A leitura é importantíssima para o desenvolvimento das crianças, mas com tantas ideias de brincadeiras, com tantos jogos online e com o apelo dos tablets, celulares e computadores, os livros podem ficar esquecidos em um canto escuro do quarto.

Ainda assim, há diversas estratégias para fazer com que a leitura seja vista como uma atividade tão atrativa quanto as outras opções a que as crianças têm tido cada vez mais acesso. A campanha Leia para uma criança, do programa Itaú Criança, já possibilitou a distribuição gratuita de mais de 45 milhões de livros por todo o Brasil desde 2010 e estendeu um convite a todos os pais para que sejam o elo entre as crianças e os livros.

O objetivo é criar situações favoráveis para que a criança veja a leitura como algo agradável, uma atividade que ela gosta de fazer, e associe esse hábito a situações gostosas e a momentos em que se sentiu feliz e bem acolhida. Apesar de parecer uma atividade 100% individual, durante a infância a leitura de adultos para crianças serve como um mecanismo para criação e fortalecimento de laços emocionais. Crianças que ouvem histórias desde cedo tendem a ser mais criativas, a ter melhor vocabulário e a desenvolver mais e melhor suas opiniões e ideias.

Por isso, tente colocar em prática na sua comunidade algumas dessas ideias para incentivar a leitura de uma forma que é acessível para todos:

1.Troca de livros

Uma das ideias mais simples é incentivar a troca de livros. Isso pode ser feito tanto com os amiguinhos da escola ou do bairro, com as famílias mais próximas ou aqueles coleguinhas que estão sempre passando uma tarde na sua casa. O ideal é que a própria criança aprenda a emprestar o seu livro e pegar o livro de alguém emprestado – essa dinâmica ensina sobre as relações interpessoais e o quanto é importante compartilhar informações e ideias que fazem bem aos outros. Ela pode demonstrar resistência em emprestar o seu livro preferido, mas quando entende que aquele livro também pode se tornar especial para outra pessoa, e fazê-la feliz, ela não sentirá um apego tão grande.

2.Biblioteca comunitária

Se você já tem muitos livros infantis em casa e conhece outras famílias que também têm obras paradas, pode incentivar a sua escola a criar uma pequena biblioteca comunitária, onde as crianças levam os seus livros, pegam os dos amigos emprestados e têm sempre disponíveis leituras novas para explorar. O ideal é que esse seja um ambiente livre para as crianças deixarem seus livros e levarem outros para casa, e tornarem esse um hábito comum: ler um livro da biblioteca, devolvê-lo, pegar outro e assim por diante. É uma maneira de ensinar também sobre a importância do compartilhar e de cuidar bem de algo que é bom para todos – por isso as crianças precisam também estarem envolvidas no cuidado e manutenção dessa biblioteca.

3.Clube do livro

Clubes do livro são uma forma muito tradicional de incentivar a leitura, até mesmo entre adultos! A ideia é unir um grupo de crianças e pais que vão ler um mesmo livro durante um período (um mês, por exemplo) e depois vão conversar a respeito. As crianças trocam experiências que tiveram com essa leitura, ficam em contato com os amigos e reforçam os laços com os pais, já que eles fazem parte desse momento de leitura e discussão em grupo.

4.Leituras em grupo

Existe uma diferença entre uma leitura em grupo e um clube do livro. A leitura em grupo é como um sarau: uma pessoa se propõe a ler uma história para as crianças de forma lúdica e descontraída e, assim, mostra como a leitura pode ser algo divertido e ensina uma maneira diferente de se relacionar com um livro. Crianças menores muitas vezes não ficam paradas, mas assim mesmo estão ouvindo e absorvendo as histórias, e aproveitando esse momento muito especial de aprendizado.

5.Crie uma rotina

Aqui, a ideia é mostrar como a leitura é um hábito que se cultiva todos os dias e não só esporadicamente. Ensinar para a criança que a leitura é importante significa que os livros fazem parte da sua vida diária, e por isso é preciso criar uma rotina de leitura com elas: algumas noites por semana ou alguns minutos por dia, separe horários específicos para vocês lerem juntos e aproveitarem tudo o que esse universo tem a oferecer.

Projetos literários promovem compartilhamento de livros

0
Prateleira de livros em biblioteca

Prateleira de livros em biblioteca

Bianca Reis e Cristiane Rogério, no UOL [ via Estado de São Paulo]

Pare por um instante e imagine alguém lendo um livro. Esta pessoa está sozinha, certo? Pelo menos na maioria das vezes é esta a imagem que temos do ato de leitura, digamos, ideal. Esquecemos que compartilhar leituras com o outro pode fazer parte da formação literária e ser um benefício fundamental para que se construa, de fato, um país de leitores. Isso porque o coletivo tem muita potência.

Na Escola Carandá Vivavida, na Vila Clementino, zona sul de São Paulo, o exercício começa cedo. As crianças com 3 anos são estimuladas a criar uma ciranda de livros. As famílias recebem a incumbência de ajudá-las a escolher um livro do acervo pessoal para compartilhar com o grupo. Elas, então, fazem carteirinha, identificam as obras e anotam as idas e vindas. Depois que um livro passa pelas mãos de todos, volta ao lar inicial.

“Queremos criar a possibilidade de as crianças trocarem o que leem entre elas, partilhar de algo que gostam. E exercitar o emprestar e tudo o que envolve a questão, como o cuidado com um objeto que não é da gente”, diz Márcia Hippolyto, coordenadora pedagógica do grupo de 3 anos da escola. “A gente levanta junto as regras para o manuseio: é preciso se lembrar de trazer (o livro) para o outro não ficar sem, etc”, afirma.

As regras, aliás, são estabelecidas nos primeiros combinados com as famílias. Não colocar na roda livros de pouca qualidade literária é uma delas. “Reforçamos que o interesse esteja no literário e não enviem só livros mais baratos ou de licenciamentos”, diz Márcia, que percebe a força da rede entre os pares: as famílias se influenciam pelas outras famílias por meio da ação dos filhos. “É tão bonito quando as crianças vão percebendo como há várias formas de interpretar uma história e isso acaba refletindo nos pais, que se surpreendem com os tipos de livros que chegam em casa, às vezes mais desafiantes do que a família possui.”

A preocupação com repertório também impulsiona o trabalho da professora Regiane Magalhães Boainain, para quem compartilhar títulos de qualidade é quase uma obsessão. Primeiro, ela criou um blog, o ‘Veredas do Texto’, para destacar livros que, segundo ela, outros educadores precisam conhecer. Depois, se empenhou para criar duas bibliotecas: na capital e na cidade onde nasceu, Piquete (SP).

Com uma amiga, Regiane juntou seu acervo com os de outros colegas e organizou tudo no Centro Juvenil Dom Bosco, dentro de uma igreja, no Alto da Lapa. A biblioteca já está funcionando, mas será inaugurada oficialmente no mês que vem. Agora, se prepara para o projeto em Piquete. “Descobri que poderia colaborar com o Geladeiroteca”, diz, sobre o projeto que transforma geladeiras em prateleiras de livros, brincando com a ideia de “alimento para a alma”. “Já tenho a geladeira, estamos cuidando de estilizá-la para encher de livros bons.”

Dividindo

A jornalista Duda Porto também sonhava em compartilhar seu acervo. Devoradora de livros, ela formou uma verdadeira biblioteca, com uma particularidade: reuniu livros de diversos idiomas. “Queria manter os títulos em um lugar aberto, de forma gratuita.”

Da ideia à abertura da Biblioteca Infantil Multilíngue Belas Artes, que fica dentro do Centro Universitário Belas Artes, na Vila Mariana, zona sul, foram quatro anos. Além dos livros que integravam sua coleção particular, outros foram acrescentados ao acervo e hoje somam 22 mil títulos em 36 idiomas, como alemão, árabe, catalão, francês, holandês, polonês e russo, entre outros. Duda ainda abastece, com as doações que recebe, nove instituições associadas do projeto Biblioteca Circulante. “Foi um outro jeito que descobri de compartilhar.”

Escolas também podem promover trocas de livros mais abertas, como bancas em feiras literárias. A Escola Santi, no Paraíso, zona sul, além de estimular a troca de uniformes e livros didáticos entre os alunos, promove há quase dez anos um encontro por semestre para que as crianças e adolescentes compartilhem suas leituras literárias. “As famílias fazem seleção prévia em casa, há pontos de coleta pela escola e no dia do evento pais voluntários organizam os espaços, dividem os títulos por gênero”, explica Camila Albuquerque de Mauro, coordenadora de eventos e atividades extracurriculares do Santi. A qualidade do acervo está na mira do projeto, assim como provocar a reflexão sobre um consumo excessivo.

Espaços abertos

Em São Paulo, diversos espaços também promovem feiras de trocas de livros, como o Instituto Itaú Cultural. “Se eu tenho um livro, posso trocá-lo por outro para estar sempre com um diferente, e não necessariamente só comprando, mas exercitando o compartilhamento”, conta Eneida Labaki, coordenadora do Centro de Memória e da Biblioteca do Instituto Itaú Cultural, sobre a feirinha de trocas que a instituição promove desde 2014 aos fins de semana.

“É uma experiência interessante. O adulto tem, em geral, a premissa de que não pode perder na troca, ou seja, que os objetos trocados precisam ter mais ou menos o mesmo valor. Para a criança isso não importa, ela não olha o valor, o quanto custou”, afirma. A troca, ali, se torna uma espécie de clube do livro entre desconhecidos, com liberdade de escolha. “A criança troca porque gostou da capa, gostou de um desenho, porque algo chamou sua atenção. Muitas vezes elas levam um livro caro e trocam por outro barato.”

Já o Espaço de Leitura, lugar dedicado ao incentivo e a práticas de leitura no Parque da Água Branca, em São Paulo, faz a feira com base nas doações recebidas. “Selecionamos e separamos os livros em caixas, por gênero. E a troca é um livro por outro, do mesmo gênero. Assim, trocamos literatura adulta por literatura adulta, infantojuvenil por infantojuvenil e assim por diante”, explica Taís Mathias, uma das educadoras do Espaço. “A questão do consumo permeia nosso projeto. Temos como valor o acesso ao livro da forma mais desimpedida que puder. Não é preciso se cadastrar nem se identificar para fazer a troca.” As informações são do jornal “O Estado de S. Paulo”.

Go to Top