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Posts tagged Lemann

Currículo nacional

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ca33Hélio Schwartsman, na Folha de S.Paulo

Concordo com o novo presidente do Inep, Chico Soares, quando afirma que o currículo do ensino básico no Brasil precisa ser mais bem definido. Vou um pouco mais longe e acho que deveríamos considerar seriamente a possibilidade de um currículo nacional daqueles bem detalhados e quem sabe até a adoção de alguns sistemas estruturados (apostilas).

A questão é controversa entre educadores. Para os que são contra, o material didático padronizado amarra o professor e inibe a criatividade. Eu mesmo já pensei assim (mas faz tempo). E continuaria pensando não fosse por uma reflexão matemática.

A autonomia é de fato ótima, desde que você tenha professores excepcionais. E o problema é que, por uma fatalidade estatística, contamos com poucos docentes muito bons, uma grande massa de mestres medianos e alguns bem ruinzinhos. Nessas condições, os sistemas estruturados, ao contribuir para puxar um pouquinho a média para cima, produzem mais ganhos do que prejuízos.

Essa intuição parece ser corroborada por dados empíricos. Num estudo de 2010, as pesquisadoras Ilona Becskeházy e Paula Lozano, da Fundação Lemann, compararam o desempenho na Prova Brasil de escolas municipais paulistas que usavam apostilas com o de instituições semelhantes que não usavam e concluíram que os sistemas tendem a ter efeitos positivos no aprendizado. Não se trata de nenhuma revolução, mas é algo que traz um ganho incremental que parece consistente.

Tal resultado não chega a ser uma surpresa, quando se constata que as apostilas ajudam o professor a organizar-se para a aula e que um dos grandes problemas identificados na escola pública brasileira é que o docente não sabe o que fazer com o tempo de que dispõe.

Acho que vale a pena tentar. Já passamos muito tempo apostando na autonomia aos professores e os resultados estão longe de brilhantes.

Google lança YouTube Edu, plataforma educativa com 8.000 videoaulas gratuitas

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Publicado na Folha de S.Paulo

O Google lançou nesta quinta-feira (21), em parceria com a Fundação Lemann, um canal no YouTube responsável por reunir conteúdos educacionais gratuitos e “de qualidade” em língua portuguesa.

Voltado para estudantes, educadores e colégios, o YouTube Edu conta com 8.000 vídeos produzidos por professores brasileiros de 26 canais. O Brasil foi o segundo país a receber a iniciativa, que já está presente nos Estados Unidos desde 2009.

Por enquanto, aqui no país, o foco são os alunos do ensino médio, que encontram a disposição aulas de biologia, física, língua portuguesa, matemática e química. Mas o Google diz que pretende incluir conteúdos dos ensinos fundamental e superior no futuro.

A fim de garantir a veracidade e a precisão das informações ensinadas, a Fundação Lemann convocou 16 professores para realizar um processo rigoroso de curadoria.

Menos da metade dos professores de escolas públicas leem no tempo livre

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Publicado Primeira Edição

Um cabo de vassoura que era capaz de falar e sentir era o protagonista do primeiro livro lido pela então adolescente Denise Pazito. Hoje, professora e pedagoga no Espírito Santo, ela fala da experiência em seu blog. ‘O livro foi indicado pela escola. Provavelmente, eu estava no 4° ou 5° ano. Ele se chamava Memórias de um Cabo de Vassoura e o seu autor era Orígenes Lessa. Professora inspirada a minha. Acertou na mosca. Uma história encantadora. Me encantou pelo mundo das letras.’

Mas assim como são capazes de encantar, os professores têm em suas mãos o poder de desencantar, não por intenção, às vezes por desconhecimento. Uma pesquisa feita pelo QEdu: Aprendizado em Foco, uma parceria entre a Meritt e a Fundação Lemann., organização sem fins lucrativos voltada para educação, mostra que menos da metade dos professores das escolas públicas brasileiras tem o hábito de ler no tempo livre.

Baseado nas respostas dadas aos questionários socioeconômicos da Prova Brasil 2011, aplicados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), e divulgados em agosto do ano passado, o levantamento do QEdu mostra que dos 225.348 professores que responderam à questão, 101.933 (45%) leem sempre ou quase sempre, 46.748 (21%) o fazem eventualmente e 76.667 (34%), nunca ou quase nunca.

No caso de Denise, a leitura levou essa prática para as salas de aula, no entanto, muitos brasileiros terminam o ensino básico sem ler um livro inteiro. Para além da falta do hábito de leitura, a questão pode estar ligada a infraestrutura.

‘O número de professores que não leem é chocante, mas isso pode estar ligado ao acesso. É preciso lembrar que faltam bibliotecas e que um livro é caro. Um professor de educação básica ganha em média 40% menos que um profissional de ensino superior. Acho que faltam políticas de incentivo. Não acredito que seja apenas desinteresse’, diz a diretora executiva do movimento Todos pela Educação, Priscila Cruz.

Um levantamento divulgado em janeiro pelo movimento mostra que o Brasil precisa construir 128 mil bibliotecas escolares em sete anos para cumprir uma lei federal que vigora desde 2010. Segundo a pesquisa, faltam 128 mil bibliotecas no país. Para sanar esse déficit até 2020, deveriam ser erguidos 39 espaços por dia, em unidades de ensino públicas e particulares. Atualmente, a deficiência é maior nas escolas públicas (113.269), o que obrigaria a construção de 34 unidades por dia até 2020.

(mais…)

O genial reinventor da educação

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Gilberto Dimenstein, na Folha de S.Paulo

Está chegando ao Brasil um jovem que está ajudando a reinventar a escola e, ainda por cima, ajudando a fazer com que as pessoas mais pobres, em qualquer lugar do planeta, tenham acesso à educação de mais qualidade: Salman Khan. Ele faz parte de um dos movimentos contemporâneos mais interessantes e generosos. É daquelas coisas que servem como marcos na humanidade (mais detalhes aqui).

Ele tem encontro marcado com a presidente Dilma Rousseff e com ministro Aloizio Mercadante (Educação), quando vai falar não apenas de seus vídeos sobre as mais diferentes matérias, cada vez mais populares na internet, mas sobre um sistema de ensino em que o professor assume uma posição diferente em sala de aula. Tudo de graça.

Boa parte da transmissão do conteúdo fica com o computador, capaz de analisar o ritmo do aprendizado de cada aluno e até propõe exercícios de reforço. A partir daí, o professor consegue ajudar melhor o aluno.

O professor vira então uma espécie de tutor.

Imagine quanto tempo e dinheiro poderíamos economizar com esses recursos usados corretamente dentro e fora da sala de aula.

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Muitas dessas aulas estão sendo traduzidas para o português pela Fundação Lemann

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Aproveito para colocar uma seleção das melhores universidades (Harvard, Stanford, USP, MIT) que disponibilizam gratuitamente seu conteúdo na internet (veja aqui).

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