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Estudante de RO fica na 3ª colocação de concurso internacional de redação

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Mais de 1,5 milhão estudantes de mais de 200 países participaram.
Jovem de 16 anos mora e estuda em Presidente Médici.

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Publicado no G1

O estudante Leonardo de Brito, de 16 anos, conquistou o terceiro lugar no 44º Concurso Internacional de Redação de Cartas da União Postal Universal (UPU). O jovem que cursa o segundo ano do ensino médio na Escola Estadual Carlos Drummond de Andrade, em Presidente Médici (RO), cidade a cerca de 400 quilômetros de Porto Velho, competiu com aproximadamente 1,5 milhão de estudantes de mais de 200 países diferentes.

Os estudantes deveriam escrever uma redação tipo carta com o tema: “Escreva uma carta para descrever o mundo onde gostaria de crescer”. O adolescente ficou em primeiro lugar nas duas primeiras fases, estadual e nacional, e se classificou para a etapa internacional. A decisão da final aconteceu na Suíça. A primeira colocação do concurso ficou para uma adolescente do Líbano e a segunda com um da Espanha.

Leonardo conta que ainda não foi comunicado oficialmente da terceira colocação e ficou sabendo por acaso. “Eu estava na rua e um conhecido me parabenizou. Eu me assustei e busquei saber. Então encontrei no site que tinha ficado em terceiro lugar, fiquei muito feliz”, lembra o garoto. A comunicação oficial e medalha de bronze devem chegar pelo Correios nos próximos dias.

A conquista vem também pelo apoio dos pais, que sempre incentivam os filhos, Leonardo e Lucas na busca pelo conhecimento. “Muito feliz mesmo. Em ver que uma conquista internacional o Leonardo representou nosso país tão bem”, diz Andreia Silva Brito, a mãe do menino.

Para o pai, Luís da Rocha, o filho se tornou exemplo para outros alunos que também têm sonhos. “O desempenho dele mostra às pessoas, alunos, que podem alcançar que basta dedicar, correr atrás dos seus objetivos”, afirma.

Esta é a última edição do concurso que Leonardo pode participar, já que o limite de idade é de 15 anos. Mas o garoto, que carrega prêmios de outros concursos, dá dicas para quem quer realizar os sonhos e afirma que a grande conquista não são as medalhas.

“Nunca parar de ler e nunca parar de buscar seus sonhos. Sempre que você está lutando, buscando alcançar seu objetivo, alguma coisa você vai ganhar. Pode não ser uma medalha ou um troféu, mas vai ganhar o conhecimento, que ninguém pode tirar de você”, conta.

100 livros para inspirar o Jornalismo

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Publicado por Leonardo Sakamoto

Respondendo a uma leitora receosa em cursar jornalismo, escrevi que poderia recomendar uma lista de livros de reportagens, literatura e reflexões sobre o mundo e a profissão para acompanhá-la na caminhada – seja ela qual fosse. Na verdade, confesso, o comentário foi puramente retórico. E grande foi minha surpresa quando recebi mais de uma centena de mensagens (!) exigindo a tal lista.

Coloquei-me, então, a organizar os títulos. Como um bom livro puxa o outro, foi impossível me ater a apenas uma dúzia de sugestões. E considerando o quão somos incompletos e errado quando sozinhos, pedi ajuda a amigas e amigos jornalistas. Dessa reflexão coletiva, nasceu uma lista com 100 livros para inspirar o jornalismo e ao jornalismo. Pelo menos um para cada mensagem recebida. É claro que listas servem para cometer injustiças, então peço desculpas de antemão.

Agradeço a Antônio Biondi, Caio Cavechini, Carlos Juliano Barros, Claudia Carmello, Cristina Charão, Guilherme Zocchio, José Chrispiniano, Igor Ojeda, Ivan Paganotti, Lúcia Ramos Monteiro, Maurício Hashizume, Maurício Monteiro Filho, Pablo Uchôa, Renato Godinho, Ricardo Mendonça e Spensy Pimentel as contribuições enviadas.

Evitei manuais e afins mais técnicos nessa lista, mas nada impede que apareçam em uma segunda. Incluso estão livros de fotos e graphic novels – afinal, reduzir uma boa história a um texto é besteira.

Mas vale lembrar: isso é para ajudar a inspirar. Jornalismo não se aprende nos livros, o que passa necessariamente pela vivência diária, conhecendo o outro, o diferente. É legal ter bons livros na bagagem, mas eles não substituem bagagem de vida. Que, por mais crucial que seja para um bom jornalismo é o que mais falta na profissão. Seja por falta de oportunidade ou de vontade.

Inspiração, que é boa quando nos carrega para longe. E é excelente quando nos faz mergulhar lá dentro. No início de “O jornalista e o assassino”, Janet Malcolm, sintetiza:

“Qualquer jornalista que não seja demasiado obtuso ou cheio de si para perceber o que está acontecendo sabe que o que ele faz é moralmente indefensável. Ele é uma espécie de confidente, que se nutre da vaidade, da ignorância ou da solidão das pessoas. Tal como a viúva confiante, que acorda um belo dia e descobre que aquele rapaz encantador e todas as suas economias sumiram, o indivíduo que consente em ser tema de um escrito não ficcional aprende — quando o artigo ou livro aparece — a sua própria dura lição. Os jornalistas justificam a própria traição de várias maneiras, de acordo com o temperamento de cada um. Os mais pomposos falam de liberdade de expressão e do ‘direito do público a saber’; os menos talentosos falam sobre a Arte; os mais decentes murmuram algo sobre ganhar a vida.”

Boa leitura!

PS: Sei que deveria explicar cada um deles e ainda farei isso um dia. Procratinadores do mundo, uni-vos. Por ora, basta a lista.

1)  1984, de George Orwell

2)  A Alma Encantadora das Ruas, de João do Rio

3)  A Ascensão e Queda do Terceiro Reich, de William L. Shirer

4)  A Jangada de Pedra, de José Saramago

5)  A Luta, de Norman Mailer

6)  A Mulher do Próximo, de Gay Talese

7)  A Noite dos Proletários, de Jacques Rancière

8)  A Primeira Vítima, de Phillip Knightley

9)  A Rosa do Povo, de Carlos Drummond de Andrade

10)  A Sangue Frio, de Truman Capote

11)  Abusado: o Dono do Morro Santa Marta, de Caco Barcellos

12)  Abutre, de Gil Scott-Heron

13)  Aí pelas Três da Tarde, conto de Raduan Nassar no livro Menina a Caminho

14)  Ao Vivo do Corredor da Morte, de Mumia Abu-Jamal

15)  As Ilusões Perdidas, de Balzac

16)  As Origens do Totalitarismo, de Hannah Arendt

17)  Bombaim, Cidade Máxima, de Suketu Mehta

18)  Cabeça de Turco, de Günter Wallraff

19)  Caixa Preta, de Ivan Sant’anna

20)  Capão Pecado, de Ferréz

21)  Clarice na Cabeceira, de Clarice Lispector (org. Aparecida Maria Nunes)

22)  Coração das Trevas, Joseph Conrad

23)  Crime e Castigo, de Fiódor Dostoiévski

24)  De Pernas pro Ar, Eduardo Galeano

25)  Dedo-Duro, de João Antonio

26)  Devassos no Paraíso, de João Silvério Trevisan

27)  Dez dias que abalaram o mundo, de John Reed

28)  Dom Casmurro, de Machado de Assis

29)  Ébano: minha vida na África, de Ryszard Kapuscinski

30)  Elogiemos os homens ilustres, de James Agee e Walker Evans

31)  Entre os vândalos, de Bill Bufford

32)  Entrevista: o diálogo possível, de Cremilda Medina

33)  Fábrica de mentiras, de Günter Walraff

34)  Fama e Anonimato, de Gay Talese

35)  Gomorra, de Roberto Saviano

36)  Gostaríamos de informá-lo de que amanhã seremos mortos com nossas famílias: Histórias de Ruanda, de Philip Gourevitch

37)  Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa

38)  Hiroshima, de John Hersey

39)  Jornalistas e Revolucionários, de Bernardo Kucinski

40)  K., de Bernardo Kucinski

41)  Ligeiramente Fora de Foco, de Robert Capa

42)  Livro do Desassossego, de Fernando Pessoa

43)  Malagueta, Perus e Bacanaço & Malhação do Judas Carioca, de João Antônio

44)  Maus, de Art Spiegelman

45)  Medo e Delírio em Las Vegas, de Hunter S. Thompson

46)  Minha razão de viver, de Samuel Wainer

47)  Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto

48)  Muito longe de casa, de Ishmael Beah

49)  Na natureza selvagem, de Jon Krakauer

50)  Na Pior em Paris e Londres, George Orwell

51)  Nada de novo no front, de Erich Maria Remarque

52)  No Logo, de Naomi Klein

53)  Notícias de um Sequestro, de Gabriel García Marquez

54)  Notícias do Planalto, de Mário Sérgio Conti

55)  O Ano I da Revolução Russa, de Victor Serge

56)  O Brasil Privatizado, de Aloysio Biondi

57)  O Estado de Exceção, de Giorgio Agamben

58)  O Guia dos Curiosos, de Marcelo Duarte

59)  O Inverno da Guerra, de Joel Silveira

60)  O jornalista e o assassino, de Janet Malcolm

61)  O livro das vidas: obituários do New York Times, de Matinas Sukuzi Jr. (org.)

62)  O Mundo Assombrado pelos Demônios, de Carl Sagan

63)  O Processo, de Franz Kafka

64)   O Quinze, de Rachel de Queiroz

65)  O Reino e o Poder, de Gay Talese

66)  O Segredo de Joe Gould, de Joseph Mitchell

67)  O Tesouro de Sierra Madre, de B. Traven

68)  O teste do ácido do refresco elétrico, de Tom Wolfe

69)  Olga, de Fernando Morais

70)  On the Road, de Jack Kerouac

71)  Operação Massacre, de Rodolfo Walsh

72)  Os mandarins, de Simone de Beauvoir

73)  Os novos cães de guarda, de Serge Halimi

74)  Os Sertões, de Euclides da Cunha

75)  Os Testamentos Traídos, de Milan Kundera

76)  Os últimos soldados da guerra fria, de Fernando Morais

77)  Pela bandeira do paraíso, de Jon Krakauer

78)  Perdoa-me por me traíres, de Nelson Rodrigues

79)  Planeta Favela, de Mike Davis

80)  Por quem os sinos dobram, de Ernest Hemingway

81)  Procedimento Operacional Padrão, de Errol Morris e Philip Gurevitch

82)  Radical Chic e o novo jornalismo, de Tom Wolf

83)  Rota 66, de Caco Barcellos

84)  Sagarana, de Guimarães Rosa

85)  Sapato Florido, de Mario Quintana

86)  Shaking the Foundations: 200 Years of Investigative Journalism in America, de Bruce Shapiro

87)  Showrnalismo: a notícia como espetáculo, de José Arbex Jr.

88)  Sidarta, de Hermann Hesse

89)  Sobre a televisão, de Pierre Bourdieu

90)  Sobre Ética e Imprensa, de Eugênio Bucci

91)  Terra Sonâmbula, de Mia Couto

92)  The Black Hole of Empire, de Partha Chatterjee

93)  The Onion Field, de Joseph Wambaugh

94)  Toda Mafalda, de Quino

95)  Todos os Homens do Presidente, de Carl Bernstein e Bob Woodward

96)  Tudo o que é sólido desmancha no ar: a aventura da modernidade, de Marshall Berman

97)  Uma história de Sarajevo, de Joe Sacco

98)  Vidas Secas, de Graciliano Ramos

99)  Vigiar e Punir, de Michel Foucault

100) Viver para Contar, de Gabriel García Marquez

Guia ilustrado e bem-humorado da Bienal do Livro

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Quer ir à Bienal do Livro do Rio? Então veja algumas dicas do Guia ilustrado e bem-humorado da Bienal

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Publicado por UOL

Reprodução/Google

Reprodução/Google

CHEGANDO LÁ – Pra começar, a Bienal precisa decidir se é no Rio de Janeiro ou se é no Riocentro. O gigantesco centro de convenções famoso por causa da explosão daquele Puma é ótimo para abrigar o evento, mas há dúvidas se fica mesmo no Rio (veja o mapa). Oitenta e sete paus de táxi depois finalmente chegamos ao Riocentro, labiríntico como um romance pós-moderno. Quase quinhentos stands e 27 autores estrangeiros confirmados – embora essas confirmações careçam de confirmação, já que horas antes o guia com a programação da feira havia sido recolhido por conter muitos erros.

3“VOCÊ GOSTA DE POESIA?” – A Bienal costuma ser uma anti-Flip por seu aspecto abertamente comercial, o que espanta um pouco os tipos diletantes que acorrem a Paraty para posar de escritor. Mas logo no primeiro rolé pelo local surge um poeta desses que interrompem a nossa conversa em bares repetindo para os passantes a aterrorizante pergunta “você gosta de poesia?” – só que esse tinha um crachá que não consegui ler. Talvez fosse o único com permissão para portar material amador no evento.

4ALEGRIA DOS NERDS – Nos dias de semana a Bienal pertence às crianças, a maior parte delas de uniforme escolar. Muitas encaram a coisa toda como um desses passeios didáticos por museus ou bibliotecas, ou seja: as mais nerds até gostam. As outras aproveitam os corredores para praticar a hiperatividade. Na tentativa de conter os ânimos dos Damiens em potencial, muito cosplay de personagens infantis, incluindo uma Galinha Pintadinha do tamanho de um peru que só podia estar vestindo um anão ou uma criança.

5CULTURA RENASCENTISTA – Rafael, Michelangelo, Leonardo e Donatello

6NEYMARZETES – Alguns stands apelaram para outras regiões do cérebro além do lobo temporal esquerdo, responsável pela leitura. Uma editora trouxe duas meninas vestidas como jogadores de futebol (se eles ainda usassem aqueles shorts minúsculos dos anos oitenta) para promover seus livros sobre o tema. Alguns menos tímidos pediam para posar junto, mas as garotas perdiam em assédio dos fotógrafos para um display do Neymar em um stand próximo.

7SR. IMPORTANTE – Uma figura comum das Bienais é o Sr. Importante, com camisa social para dentro da calça e sua comitiva. Não raro você reencontra o Sr. Importante na forma de um cartaz gigantesco – é um autor famoso que você não conhece – ou inspecionando um stand com ar de reprovação condescendente, provavelmente um dono de editora ou publisher com muitos best sellers no currículo.

8MARKETING FANTÁSTICO – Falando em famosos-desconhecidos, esse é um fenômeno relativamente recente. Você ouve falar pela primeira vez de um desses novos autores de livros de fantasia para adolescentes (alguns de idade avançada) no mesmo momento em que descobre que o sujeito tem uma obra de fazer inveja à de Balzac (em extensão, bem entendido).

9VAMPIRO BRASILEIRO – A literatura fantástica é uma das grandes forças do mercado no momento e é responsável pelas maiores filas da Bienal. Além de movimentar as vendas, o gênero atrai ao ambiente alguns consumidores típicos, como góticos de todas as idades.

10TABLET É PARA OS FRACOS – Apesar da indústria afirmar que as vendas de tablets estão batendo as seis milhões de unidades ao ano, o livro de papel ainda mora no coração do leitor brasileiro. Talvez porque sem a capa seja mais difícil de praticar a ostentação intelectual.

11ATÉ QUANDO? – Enfim, o livro continua sendo o formato obsoleto e não muito ecológico mais popular do mundo.

Ilustrações: Arnaldo Branco

Lista politicamente incorreta

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Lançamento da LeYa assume 1º lugar em não ficção

Cassia Carrenho, no PublishNews

Ficar em 1º lugar é sempre bom, mas alcançar esse lugar na semana de estreia é melhor ainda. Quase “politicamente incorreto” com os outros. O livro Guia politicamente incorreto da história do mundo (LeYa) alcançou o topo da lista de não ficção, com 2.019 exemplares vendidos, e entrou na lista geral, em 10º lugar. O livro é mais uma obra do autor Leonardo Narloch, que também tem outro livro na lista, Guia politicamente incorreto da história do Brasil.

A briga entre Inferno (Arqueiro) e o Kairós (Principium) continua apertada, mas Dan Brown continua levando vantagem, vendendo 9.366 exemplares na última semana.

Já no ranking das editoras, a Sextante voltou a assumir sua primeira posição de forma enfática, com 17 livros, 5 a mais que a 2ª colocada, Intrínseca, com 12. Record e Vergara&Riba dividiram o 3º lugar, cada uma com 8. Mas briga boa mesmo foi a pelo 6º lugar, com 6 editoras empatadas com 4 livros: Companhia das Letras, Ediouro, Globo, LeYa, Novo Conceito e Santillana.

Preço do Livro no Brasil sobe após 9 anos de queda e Mercado Editorial encolhe

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Gustavo Magnani, no Literatortura

O título pode gerar certa ambiguidade e dar a entender que o mercado editorial encolheu porque o preço do livro aumentou. A resposta direta para esse questionamento é não, não foi esse o motivo. A principal razão foi o fato do Governo ter comprado menos exemplares do que em 2011 – e isso mostra o quão dependente do Estado ainda são as editoras.

Mas, antes que alguém taque pedras no governo, é necessário explicar que em 2011 houve uma grande compra e 2012 foi o ano apenas de “‘preencher” lacunas e reabastecer livros.

A pesquisa ao qual baseio-me é a última edição da “Produção e e vendas do setor editorial brasileiro”, encomendada pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) e pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), a qual tem periodicidade anual e serve como parâmetro para analisar o mercado editorial brasileiro, suas tendências e seu funcionamento. Possivelmente, devo fazer mais matérias em cima desses números. Hoje pretendo me focar na diminuição do mercado e no aumento do preço dos livros.

Para isso usarei como texto base a matéria publicada no Oglobo. Todas as falas de especialistas foram retiradas de lá.

Quanto ao que já citei do mercado:

— A queda faz parte do ciclo normal dos programas do governo. Um ano eles compram muito, no outro são só reposições — diz Leonardo Müller, coordenador da pesquisa.

Porém, é interessante notar que o faturamento aumentou. Todavia, o número de exemplares diminuiu. Como isso é possível? Precisamos de outro fator, portanto, para que o faturamento tenha crescido. E eis o lamento para nós, consumidores: o preço do livro aumentou.

Mas, continuemos no mercado. Em suma:

As vendas diminuíram 7,36%.

A produção de livros diminuiu em 2,91%

O faturamento aumentou em 3,04%.

Ou seja, mesmo com a queda de produção e de vendas, o faturamento aumentou.

Explicação: preço dos livros aumentou (a ser tratado abaixo)

Ora, como, portanto, é possível que o mercado tenha encolhido? E aí entra outro fator, geralmente deixado de lado em uma análise mais detalhada: inflação.

O mercado encolheu porque a inflação da área cresceu mais do que o faturamento. Ou seja, a porcentagem do aumento de faturamento foi interior ao crescimento da inflação. Assim, é verdade que o mercado “cresceu” (aparentemente), mas não o suficiente para acompanhar a inflação. Ou seja, no final, a inflação venceu o faturamento e o mercado encolheu 3,04%, para ser mais exato, como pode conferir no gráfico abaixo:

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PREÇO DOS LIVROS:

Como puderam ver, os livros tiveram um aumento razoável de 2011 para 2012, de aproximadamente 12,46% (um valor bastante razoável). É muito interessante a brusca queda de 41% em 9 anos, porém, o preço continua salgado para o brasileiro, principalmente quando se tratam se autores super valorizados, como Stephen King e até clássicos como Gabriel García Márquez (livros de 120 páginas custando 40 R$!).

Mas, em média, colocando tudo nos panos quentes, o valor do livro pulou de R$ 12,15 para R$ 13,66. Um aumento de R$ 1,51. É necessário, obviamente, lembrar que ele valor é antes dos exemplares chegarem às livrarias, o que costuma ser metade do preçofinal (nem sempre, como no caso de Gabo, King e tantos outros). Ou seja, se calcularmos baseado na exata metade, o livro teria um salto de R$ 24,30 para R$ 27,32!

Produto antes das livrarias: R$ 12,15 (2011) -> R$ 13,66 (2012)

Produto nas livrarias: R$ 24,30 (2011) -> R$ 27,32

Um salto bastante considerável.

— Tem um momento em que não dá para sustentar essa redução. Temos uma alta nos insumos do livro, como o papel. Os adiantamentos de direitos autorais também estão crescendo — diz Sônia (Sônia Jardim, presidente da SNEL).

— A queda é causada pela chegada das edições mais baratas, como os livros de bolso. Mas há outros atores na cadeia do livro. Embora os números indiquem que o preço caiu, esse não é um índice de inflação — diz Leonardo Müller.

Interessante notar, também, que os livros didáticos e religiosos tiveram o maior aumento entre os gêneros.

Respectivamente: R$ 19,62 para R$ 24,10; R$ 5,29 para R$ 6,26.

Valores acima da inflação, tendo sido os principais a alavancarem a subida de toda a pesquisa. O crescimento dos religiosos pode parecer insignificante (0,97 centavos), mas em porcentagem chega a quase 20%! Já os didáticos possuem um resultado direto bastante grande: mais de quatro reais e também mais de 20%!

Ou seja, o crescimento neste segmento não se fixou, de maneira alguma, apenas à inflação. Infelizmente, a tendência é de que os preços continuem subindo, ainda mais num ano bastante complicado como 2013 para a o controle inflacional. O panorama não é dos melhores para o Mercado editorial brasileiro, mas também não é dos mais obscuros.

Espero que tenham gostado e compreendido a análise que propus aqui. Como já disse, mais matérias sobre a pesquisa devem ser publicadas nesses dias. Deixe seus comentários e fique de olho no site.

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