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4 motivos para ler (mais)

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Wanessa Magalhães, no Administradores

Há pouca novidade em afirmar que ler faz bem para o cérebro e para a vida, mas é interessante ressaltar como isso acontece, na prática, na vida de um leitor assíduo e, caso você seja daqueles que não curtem muito a leitura, convido a refletir com profundidade ainda maior.

Um primeiro grande motivo para ler (ou ler mais) é compreender que as leituras que um indivíduo realiza são uma das maiores fontes de informação, tornando o leitor mais atualizado e menos manipulável, uma vez que, quanto mais se lê, por fontes variadas e confiáveis, mais é possível desenvolver seu senso crítico e aumentar sua capacidade de análise, dando espaço a outros pontos de vista, contribuindo para formar sua própria noção da realidade. Quanto menos se lê, menos se compreende sobre o que acontece além da sua rotina, como acontece e o que se pode fazer a respeito.

Um segundo motivo para ler (mais) é saber que leitores possuem uma probabilidade maior de escreverem bem, pois a leitura melhora o vocabulário, já que quando lemos, rotineiramente encontramos novas palavras (e as aprendemos) e reforçamos no nosso cérebro a escrita correta dos vocábulos, evitando aqueles deslizes comuns que minam a credibilidade do nosso conteúdo, quando escrevemos errado.

Como se esses dois grandes motivos não bastassem para nos convencer de que a leitura precisa ser incorporada como um hábito, ainda há um terceiro, necessário aos profissionais das mais diversas áreas, inclusive conhecida como uma das características mais desejáveis pelas empresas e que os indivíduos se perdem sobre como desenvolvê-la: ler aguça a criatividade e desenvolve a capacidade de empatia.

Cada pessoa que lê o mesmo livro produz imagens mentais diferenciadas, de acordo com suas experiências e referências, o que significa que a leitura possibilita que você forme a sua própria imagem do que está sendo lido ou até crie uma própria imagem para os personagens de cada leitura, e tudo aquilo que estimula a criação de imagens mentais próprias está automaticamente desenvolvendo sua criatividade e seu modo de ver e modificar os cenários, em seu raciocínio, tornando-o mais empático e criativo para situações reais.

Além desses motivos, ainda há mais um potencialmente destacável, na prática da leitura: ler sobre a sua área de atuação é compatível com fazer cursos de aperfeiçoamento, com uma diferença: gastar bem menos ou quase nada. Penso até na possibilidade futura de que um currículo poderia abarcar os livros que o indivíduo já leu, se os selecionadores começassem a valorizar mais essa prática, e a entrevista de emprego poderia “investigar” os aprendizados proporcionados por eles (“que livro você leria novamente e por qual motivo?”, “qual a maior lição que um livro já te proporcionou?”).

Você já imaginou que a leitura de um livro, por exemplo, pode representar a mesma proporção de conhecimento aprendida num curso que você realize? Ainda mais numa realidade em que se espera cada vez mais do autodidatismo e se utilizam recursos de Ensino a Distância, com a presença reduzida ou inexistente de um tutor. É como se cada livro que você lê, da sua área de atuação, fosse mais um curso de aperfeiçoamento que você faz, embora não conte com a emissão de um certificado (e talvez por isso os livros lidos não sejam pauta nas entrevistas de emprego!). E é possível fazer isso a qualquer hora e em qualquer lugar, muitas vezes sem pagar um centavo (pegue livros emprestados ou adquira o hobby de passar uma tarde lendo, numa livraria, por exemplo!).

Imagine a quantidade de conhecimento contida num livro, cujo autor passou anos pesquisando e compilando ideias de outros especialistas, para passar para você, que lê, às vezes numa única semana, aquela obra. São conhecimentos de anos, absorvidos numa semana!

Definitivamente a leitura tem um potencial incrivelmente transformador e quem lê está à frente de quem não lê ou lê pouco. Quer uma dica? Leia mais!

Razões científicas para ler mais do que lemos

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Uma mulher apanha um livro de uma prateleira. PACO PUENTES EL PAIS)

Uma mulher apanha um livro de uma prateleira. PACO PUENTES EL PAIS)

 

A leitura, além de melhorar a empatia e o entendimento dos demais, é um dos melhores exercícios possíveis para manter em forma o cérebro e as capacidades mentais

Ignacio Morgado Bernal, no El País

O Brasil tem mais leitores a cada ano. Em 2011, eram 50% da população. Em 2015, eram 56%, segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil. Contudo, isso também significa que 44% da população não lê. Ainda pior: 30% nunca comprou um livro. Alguns argumentos científicos, em especial da neurociência, podem ajudar a melhorar esses índices.

A leitura é um dos melhores exercícios possíveis para manter o cérebro e as capacidades mentais em forma. Isso é verdade porque a atividade de leitura exige colocar em jogo um importante número de processos mentais, entre os quais se destacam a percepção, a memória e o raciocínio. Quando lemos, ativamos principalmente o hemisfério esquerdo do cérebro, que é o da linguagem e o mais dotado de capacidades analíticas na maioria das pessoas, mas são muitas outras áreas do cérebro de ambos os hemisférios que são ativadas e intervêm no processo.

Decodificar as letras, as palavras e as frases e transformá-las em sons mentais requer a ativação de grandes áreas do córtex cerebral. Os córtices occipital e temporal são ativados para ver e reconhecer o valor semântico das palavras, ou seja, o seu significado. O córtex frontal motor é ativado quando evocamos mentalmente os sons das palavras que lemos. As memórias evocadas pela interpretação do que foi lido ativam poderosamente o hipocampo e o lobo temporal medial. As narrativas e os conteúdos sentimentais do texto, seja ele ficcional ou não, ativam a amígdala e outras áreas emocionais do cérebro. O raciocínio sobre o conteúdo e a semântica do que foi lido ativa o córtex pré-frontal e a memória de trabalho, que é a que usamos para resolver problemas, planejar o futuro e tomar decisões. Está provado que a ativação regular dessa parte do cérebro desenvolve não apenas a capacidade de raciocinar, como também, em certa medida, a inteligência das pessoas.

A leitura, em última análise, inunda de atividade o conjunto do cérebro e também reforça as habilidades sociais e a empatia, além de reduzir o nível de estresse do leitor. A esse respeito, devemos destacar o excelente trabalho de revisão do romancista e psicólogo Keith Oatley, da Universidade de Toronto, no Canadá, recentemente publicado na revista científica CellPress, intitulado: Fiction: Simulation of Social Worlds (Ficção: Simulação de Mundos Sociais), que destaca que que a literatura de ficção é a simulação de nós mesmos em interação.

Depois de uma rigorosa e elaborada revisão de dados e considerações sobre psicologia cognitiva, Oatley conclui que esse tipo de literatura, sendo uma exploração das mentes alheias, faz com que aquele que lê melhore sua empatia e sua compreensão dos outros, algo de que estamos muito necessitados. Essa conclusão ainda é avalizada por neuroimagens, ou seja, por dados científicos que exploram a atividade cerebral relacionada com esse tipo de emoções. A ficção que inclui personagens e situações complexas pode ter efeitos particularmente benéficos. Assim, e como exemplo, um trabalho recém-publicado mostra que a leitura de Harry Potter pode diminuir os preconceitos dos leitores.

Tudo isso sem falar na satisfação e no bem-estar proporcionado pelo conhecimento adquirido e como esse conhecimento se transforma em memória cristalizada, que é a que temos como resultado da experiência. O livro e qualquer leitura comparável são, portanto, uma academia acessível e barata para a mente, a que proporciona o melhor custo/benefício em todas as fases da vida, razão pela qual deveriam ser incluídos na educação desde a primeira infância e mantidos durante toda a vida. Cada pessoa deve escolher o tipo de leitura que mais a motiva e convém.

As crianças devem ser estimuladas a ler com leituras adequadas às suas idades e os mais velhos devem providenciar toda a assistência que suas faculdades visuais necessitem para continuar lendo e mantendo seu cérebro em forma à medida que envelhecem. Uma razão a mais para que os idosos continuem a ler é a crença plausível de que não somos realmente velhos até que não comecemos a sentir que já não temos nada de novo para aprender.

Ignacio Morgado Bernal é diretor do Instituto de Neurociências da Universidade Autônoma de Barcelona, autor de Cómo Percibimos el Mundo: una Exploración de la Mente y los Sentidos (Como Percebemos o Mundo: uma Exploração da Mente e dos Sentidos).

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