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Posts tagged letras

Restaurante comunitário de Palmas ganha biblioteca

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Para levar o livro para casa, não é necessário cadastro.
O projeto é da Associação Amigos do Bem.

Publicado por G1

Restaurante comunitário ganha biblioteca (Foto: Reprodução/TV Anhanguera TO)

Restaurante comunitário ganha biblioteca
(Foto: Reprodução/TV Anhanguera TO)

A biblioteca do restaurante comunitário da região norte de Palmas foi inaugurada nesta segunda-feira (29).

Membros da academia tocantinense de letras, representantes governamentais e membros da Associação Amigos do Bem se reuniram, na hora do almoço, para anunciar a presença da biblioteca no restaurante.

A estante no canto do estabelecimento guarda obras dos mais diversos gêneros, todas doadas pela comunidade. A ideia é promover inclusão social através da leitura e oferecer mais uma opção de cultura e lazer aos trabalhadores que passam todos os dias pelo local. Dá para ler depois do almoço ou levar o livro para casa. Não é necessário fazer cadastro.

A biblioteca dentro do restaurante é um projeto da Associação Amigos do Bem. Segundo o presidente da associação, Cícero Guimarães, o objetivo é “democratizar o conhecimento para que as pessoas tenham acesso gratuito a leitura”.

A leitura seria nociva à saúde?

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leitura, livros, criança

© RIA Novosti

Anna Fedorova no Voz da Rússia

Desde os tempos em que os seres humanos inventaram as letras, aprenderam a juntar elas em palavras e escrever livros, o debate sobre os benefícios ou prejuízos da leitura não perde a intensidade no mundo.

Em todas as épocas, nunca faltavam adeptos e defensores da leitura: todos os homens de ciência, monges e iluministas apoiavam unanimemente a leitura, insistindo na necessidade da última para a formação de cidadãos integralmente desenvolvidos, capacitados a dirigir o Estado e servir fielmente a Pátria. Os mais radicais deles afirmavam que aquele que não gosta ou não quer ler não pode crescer uma boa pessoa.

Seria assim? Seria verdade que o “homo legens” é o melhor componente da sociedade? Se a leitura traz benefícios ou apenas prejuízos?

Para a saúde do ser humano, uma leitura desmesurada é, incontestavelmente, nociva, afirmam os “inimigos de livros”. Em primeiro lugar, a maioria dos bibliófilos usam óculos, pois têm problemas de visão por lerem em condições de luz escassa, deitados na cama, durante viagens no metrô ou ônibus. Em segundo lugar, em muitos amantes de livros são observados a curvatura da coluna vertebral e, como consequência, dores nas costas, nevralgias do ciático, escoliose e outros males. Em terceiro lugar, os “devoradores de livros” levam a vida sedentária e, portanto, em muitos casos têm peso excessivo, engolindo com prazer não só livros mas também os conteúdos do frigorífico. Além disso, entre os amantes da leitura estão bastante difundidas as enfermidades como dores de cabeça de etiologia variada, distonia vegetativa vascular e distúrbios nervosos. E algo mais: a imunidade dos amigos da leitura costuma ser várias vezes mais débil do que a de seus antagonistas, porquanto as “brocas dos livros” ou “ratazanas livreiras”, como os chamam depreciativamente seus opositores, uma maior parte do tempo passam em ambientes fechados e pouco passeiam ao ar livre. Durante certas épocas, havia inclusive persecuções do público leitor. Esse hábito era considerado como nocivo, porque supostamente causava dano ao Estado, socavava a estrutura social e estragava o relacionamento com os poderes.

O que pensam os cientistas sobre o tema em questão? Especialistas franceses do Instituto Nacional da Saúde e das Pesquisas Médicas chegaram à conclusão de que a leitura, sendo um fenômeno relativamente recente na vida do gênero humano, obriga o cérebro a adaptar para seus objetivos as regiões responsáveis por controlar outros hábitos.

Os autores do experimento formaram um grupo composto por 63 portugueses e brasileiros, dos quais 11 eram analfabetos, 22 aprenderam a ler já na idade adulta e os restantes 30 frequentavam na infância a escola. Vale notar que os cientistas propositadamente não escolheram “estudantes universitários eruditos” que em pesquisas neurológicas comumente constituem o núcleo do voluntariado. O resultado obtido mostrou que os hábitos de leitura se desenvolvem a expensas da capacidade de identificar rostos humanos.

Uma outra equipe de estudiosos verificou que o intelecto, que dizer, a faculdade geral de adquirir conhecimentos e resolver problemas, a qual engloba em seres humanos todas as capacidades cognitivas – sensação, percepção, memória, representação, pensamento, imaginação – e a quantidade de livros lidos pelo indivíduo não estão relacionados de maneira alguma entre si. Com outras palavras, o indivíduo pode ler muito, porém os conhecimentos dele não se tornarão mais vastos com isso, especialmente se ele lê para se divertir ou passar o tempo.

No processo de leitura, o cérebro humano obtém informação. Todavia, esta última muito frequentemente não só é inútil para a vida e para o intelecto mas também carece de qualquer sistematização. Durante a leitura para entretenimento, a qual não pressupõe uma análise interpretativa do texto lido, o intelecto permanece inativo e, por conseguinte, não se desenvolve. A fim de manter a inteligência em estado ativo, é necessário, para além de ler, ainda resolver problemas analíticos de diversa índole, incluindo quebra-cabeças. Segue-se a seguinte conclusão: a despeito de ter lido muitos livros, o indivíduo pode ficar absolutamente inadequado para a vida real.

A excessividade, como se sabe, é nociva em qualquer assunto. Não devemos esquecer que a leitura é um dos melhores meios para obter a informação. Aliás, as formas e os objetivos para os quais utilizamos essa informação dependem plenamente de nós próprios. Como ler corretamente, com proveito para si mesmo e para a saúde? – este será o tema de nosso artigo a seguir.

Unesp lança e-book gratuito com análise da obra de Hilda Hilst

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Publicado na Tribuna do Norte

A editora Unesp (Universidade Estadual Paulista) está disponibilizando gratuitamente o e-book ‘Hilda Hilst e o seu pendulear’, onde a professora Nilze Maria de Azeredo Reguera  procura decifrar criticamente uma das obras mais densas e radicais da escritora paulista Hilda Hilst, os cinco textos em prosa reunidos no livro Fluxo-floema, publicado pela primeira vez em 1970.

A autora parte do princípio de que o livro delineia um movimento de oscilação da artista, que tanto colocaria em cena quanto a problematizaria a tradição modernista de que ela foi herdeira, por meio de um questionamento implacável das utopias e do lugar que supostamente caberia ao artista ocupar no final do século 20, em um contexto de opressão.

A leitura de cada um dos cinco textos de Fluxo-floema é feita a partir da observação atenta dos procedimentos técnicos empregados por Hilst, sobretudo o de alegorização, em uma abordagem que vai paulatinamente desmontando e reorganizando os textos, nos quais a linguagem é levada ao paroxismo da expressão inclusive a fim de celebrar ritualmente a multiplicidade espiritual e sensorial do ser humano.

A pesquisadora também procura situar os cinco textos dentro do conjunto da produção hilstiana, já que Fluxo-floema é um livro que dialogaria com várias outras obras da escritora. Dessa forma, Reguera obtém significados inusitados e atuais tanto do livro em questão quanto de outros trabalhos de Hilst.

Nilze Maria de Azeredo Reguera é doutora em Letras pela Unesp e pós-doutoranda pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, com especialização em Literatura.

Download gratuito
http://www.editora.unesp.br/

Construção e compreensão de identidades por meio da literatura

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Franco Caldas Fuchs no site Educacional

Como a leitura de obras literárias influencia na construção e na compreensão de identidades? Quem explica é a professora de Letras Janice Cristine Thiel, doutora em Estudos Literários pela Universidade Federal do Paraná. Para a especialista, a literatura aponta caminhos “para a percepção do outro” e “do próprio indivíduo”, assim como é capaz de promover aproximações culturais.

Na entrevista a seguir, Thiel dá orientações sobre como pais e educadores podem promover a leitura entre os jovens. Também, trata do papel dos clássicos literários na formação identitária e analisa como determinadas obras ajudam a construir uma identidade nacional.  Confira!

 

 

De que forma a construção da nossa identidade é influenciada pela literatura?

Quando falamos sobre a construção de identidade, tratamos, na verdade, de identidades – no plural –, pois construímos muitas identidades ao longo de nossas vidas. Elas são escritas e lidas no encontro com o outro, na passagem do tempo, em função de nossa localização e de nossos deslocamentos. Nossas identidades estão em processo. São construídas pelas nossas experiências de vida e pelas nossas leituras.
Nesse sentido, a literatura pode complementar a construção de identidades pela reflexão que promove. Quando temos acesso a textos literários provenientes das mais variadas culturas, percebemos o valor das palavras, o valor da expressão da individualidade e do pensamento pela palavra.
Os livros que compõem nosso repertório pessoal são fruto de escolhas que fazemos, e essas escolhas podem revelar preferências por certos temas, estilos, gêneros literários e autores. Contudo, é importante estarmos dispostos a agregar novas leituras, de forma a acrescentar ao nosso repertório textos que possam ser transformadores, questionadores e que nos façam repensar conceitos estabelecidos.

 

 

Por meio dos livros, é possível traçar uma espécie de “árvore genealógica intelectual” de cada leitor? É possível irmanar e até opor pessoas por suas afinidades de leitura?

Pelas escolhas de obras literárias, é possível traçar os interesses do leitor por certos temas ou autores. As bibliotecas pessoais revelam escolhas feitas por determinadas áreas de pesquisa ou de formação. Há livros que são lidos na infância e adolescência como forma de entretenimento e que permanecem compondo a biblioteca pessoal, pois são relidos na idade adulta por um novo olhar, mais crítico.
Há comunidades que encontram afinidades de leitura. Esses grupos de leitores elegem seus autores favoritos e dedicam tempo e estudo para a discussão de suas obras. Existem também grupos de estudo formados por apaixonados pela literatura, a fim de compartilhar leituras e discutir sentidos de um texto.
A literatura não separa nem opõe as pessoas, mas aponta caminhos para a percepção do outro, podendo promover inserções culturais e sociais.

 

 

O poder formador da literatura se dá por quais de suas características? Em relação a outros produtos culturais, de que forma ela se destaca e se diferencia?


Literatura é a arte da palavra, e a palavra diz o mundo. Ela diz os seres que nele habitam e diz sua história, suas relações, seus encontros, seus conflitos, suas buscas e seus questionamentos. Quando alguém lê uma narrativa, pode fazê-lo não só para acompanhar a história, mas também para perceber como a história é contada. A forma como uma história é contada é tão importante quanto o que é narrado.

Muitas conexões podem ser estabelecidas entre saberes por meio da literatura, envolvendo língua, história, sociologia, ética, filosofia, entre outros conhecimentos e expressões artísticas.
Nesse diálogo, a literatura se destaca pela ênfase na palavra e na forma como ela pode ser, por exemplo, deslocada de seu uso cotidiano para ser renovada e provocar novas construções de sentido. Ou, ainda, a literatura pode mostrar como as linguagens de diferentes grupos sociais podem compor um universo, retratar formas de ver, compreender e questionar o mundo.

 

O fato de que clássicos da literatura, muito antigos, continuam formando identidades até hoje prova que a essência do homem pouco muda?


Os clássicos da literatura não são os livros antigos, embora essa associação aconteça. Os clássicos são os livros cujas leituras não se esgotam, pois os leitores continuam construindo sentidos e relações desses textos com outros. Os clássicos são os livros que lemos e relemos, que provocam questionamentos e não fornecem simplesmente respostas.
Os conflitos, anseios e questionamentos humanos expressos pelos personagens de obras de Homero, Cervantes, Shakespeare, Goethe, Melville e Machado de Assis, entre tantos outros, permanecem.

  (mais…)

Todo ano, melhores da Fuvest recebem convite para tentar curso “secreto” da USP

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Chico Felitti, na Folha de S.Paulo

Luan Granzotto, 24, pensou que o vestibular da USP já tivesse acabado. Enfrentou a via-crúcis de provas no fim de 2012 e passou em 12º lugar no curso de letras, com 849 vagas.

Mas em maio, enquanto estudava literatura clássica para uma prova, recebeu uma carta da faculdade. “Abri. Era um convite para conhecer o curso de ciências moleculares.”

Ele havia sido convocado a tentar entrar na “graduação secreta” da USP. Secreta porque, apesar de existir há 23 anos, a formação de ciências moleculares não aparece no manual de vestibulandos da Fuvest.

“Selecionamos quem já foi aprovado, e bem”, diz Antonio Martins Figueiredo, que coordena o curso –um misto de biologia, química, física e matemática.

O curso não é subordinado a nenhuma faculdade do campus. As aulas acontecem na “Colmeia”, apelido das salas vizinhos ao restaurante da USP.

Prédio de História e Geografia na USP

Prédio de História e Geografia na USP

A cada ano, cerca de cem pessoas se candidatam a entrar no que alunos chamam de “a elite da universidade”. Há 25 vagas abertas –nem sempre todas são preenchidas.

O segundo vestibular para quem já enfrentou o vestibular acabou de acontecer. A primeira fase, de perguntas discursivas, restringiu-se às quatro matérias que formam a grade, mais inglês. E é “impossível de difícil”, segundo André Humberto, 22, que passou em psicologia e fez a prova há quatro anos (não passou).

A segunda fase –uma mesa-redonda com os concorrentes– é na primeira semana de julho. Certa vez, um professor levou pepino, batata, clipe de metal, moeda de cobre e lâmpada. “Com isso, é possível fazer uma bateria e acender a luz.” Os alunos que se virassem com o experimento.

A deste ano foi na semana retrasada. O resultado é divulgado sem notas –o candidato apenas fica sabendo se entrou ou não. Os aprovados se autodenominam “os moleculentos”.

“São poucos alunos, convivendo o dia inteiro. Tirando que tem um mínimo divisor comum, são pessoas extraordinárias”, diz uma aluna do quarto ano (todos os atuais estudantes com os quais a sãopaulo conversou preferiram não se identificar).

PEDE PRA SAIR

Se poucos entram, menos ainda duram até o final do curso. O biólogo Fernando Rossine, 26, ingressou em 2005. Sua turma começou com 15 pessoas. Antes do segundo semestre, eram dez. No dia de formatura, sete.

A um semestre de pegar o diploma, o próprio Fernando decidiu retornar para a biologia, por “uma questão de insatisfação pessoal”.

Um dos imbróglios era a rigidez da grade curricular. Quando Fernando se recusou a fazer uma matéria, teve de se submeter a um “tribunal” de professores. Acabou absolvido –permitiram que ele terminasse o curso.

Em casos extremos, permite-se que o estudante tranque a matéria. “Mas são exceções”, diz o coordenador da carreira, Figueiredo. Um exemplo recorrente: depressão profunda.

As aulas são pesadas e muitas. Na sexta-feira, as classes têm o dia livre. “Para pode estudar”, diz Figueiredo.

Agregou-se à carga draconiana um desafio físico: a sala oficial está em reforma, então cada matéria é dada num prédio da USP. “Andamos uns 40 minutos entre uma aula de biologia e outra de matemática”, diz uma aluna. “Assim também vamos ficar os mais magros, além de os mais inteligentes.”

Luan, o aluno de letras convidado, não foi à prova deste ano. “Conversei com conhecidos que fizeram. Não é muito a minha. Mas que foi bacana ter sido convidado, ah, isso foi.”

Foto da lousa do curso de ciências moleculares, na USP, no final da aula de química do professor Roberto Torrezi (Petala Lopes/ Folhapress)

Foto da lousa do curso de ciências moleculares, na USP, no final da aula de química do professor Roberto Torrezi (Petala Lopes/ Folhapress)

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