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Posts tagged letras

Aos 95 anos, aluna da turma de 1938 ainda dá aulas na USP

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Professora Berta Lange de Morretes, 95, em sua sala no Instituto de Botânica da USP

Professora Berta Lange de Morretes, 95, em sua sala no Instituto de Botânica . da USP

Felipe Oda, na Folha de S.Paulo

Em 1938, quando entrou na USP, a curitibana Berta Lange, 95, não imaginava que “passaria a vida inteira” lá, como gosta de contar.

Professora mais antiga em atividade –ela leciona há 72 anos–, “Dona Berta”, como é conhecida no Instituto de Botânica, foi aluna da primeira turma de História Natural, hoje, Ciências Biológicas.

Berta lembra que foi convidada a participar do processo de admissão na USP, prática comum na época. “Fiz uma prova e uma entrevista rápida para ser aprovada como aluna”, conta.

Como caloura, ela cursou o ciclo básico, com aulas de filosofia, sociologia e letras. Depois, escolheu seguir para a área de biológicas. Para Berta, “difícil mesmo” eram as aulas com os professores estrangeiros. “Os italianos nos ofendiam por não entendermos a língua deles.”

Foto: Christian von Ameln/Folhapress

Professora Berta Lange de Morretes, 95, em sua sala no Instituto de Botânica da USP em 1947

Professora Berta Lange de Morretes, 95, em sua sala no Instituto de Botânica da USP em 1947

Progresso

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Imagem: Google

Imagem: Google

O menino moderno, familiarizado com o computador, ficou curioso sobre como eram as coisas no trabalho do seu pai no tempo em que não havia computadores.

O pai, entusiasmado com a súbita curiosidade do filho, pôs-se a campo para encontrar sua velha Olivetti portátil, amante esquecida, abandonada – e ele nem sabia ao certo onde ela estava. Depois de muito procurar, encontrou-a dentro de uma mala velha cheia de tranqueiras. Tirou-a da sepultura, limpou-a, conferiu as teclas e alavancas, e também as fitas metade preta e metade vermelha, colocando-a então de novo no mesmíssimo lugar sobre a mesa onde vezes, sem conta eles estiveram juntos.

“Como é que funciona, pai?”, o menino perguntou.

“É assim que funciona…”, respondeu o pai. A seguir, colocou uma folha de papel sulfite no rolo, ajustou as margens e começou a “daquitilografar” (era assim que o meu pai falava) umas frases soltas.

Ao ver a máquina em ação, o menino fez um “oh” de espanto.

“Que máquina mais adiantada, diferente dos computadores. É só digitar as letras que o texto sai impresso…” O que me fez lembrar um texto divertidíssimo de Cortázar que se chama, se não me engano, A história das invenções. Só que tudo acontece nçoa de trás para frente, mas da frente para trás.

A história começa num voo de supersônico de Nova York a Paris. Três horas. Aí os homens inteligentes, pensaram que o prazer da viagem poderia ser aumentado se os aviões, em vez de voarem a uma velocidade acima da velocidade do som e a uma altura de quinze quilômetros, passassem a voar a uma velocidade de 400 quilômetros por hora a uma altura de três quilômetros. Assim, poderiam ficar muito mais tempo longe do trabalho e ver os rios, bosques e vilas…

E assim vai acontecendo a história das invenções, sempre ao contrário e sempre melhor… Até que, depois de muito progresso, da invenção dos navios a vela não poluentes e das bicicletas que fazem bem ao coração, os humanos inventam a mais fantástica de todas as invenções: eles inventam o “andar a pé”…

Texto de Rubem Alves, no livro: “Pimentas – Para provocar um incêndio não é preciso fogo”, págs. 96/97

Publicação de livro incentiva ex-detento a mudar de vida e abandonar o crime

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Paulo Milhan lançou o livro da Bienal do Livro, em São Paulo e pode concorrer ao prêmio Biblioteca Nacional de Literatura

Maira Fernandes no Jornal O Cruzeiro

Seria clichê iniciar um texto dizendo que um ex-detento que escreveu um livro foi liberto pelas letras. E, nesse caso, também não seria de todo verdade. Paulo Henrique Milhan, que inúmeras vezes cumpriu pena em regime fechado – tráfico e formação de quadrilha – não começou a pensar em mudar de vida quando começou a escrever. O que ele queria quando concebeu o livro de mais de 400 páginas todo na cabeça antes de digitar, não tinha nada a ver com futuro, mas sim com reinventar o passado. A liberdade (e a libertação) foi consequência da maturidade, sustentada pelo amor de contar histórias.

 

“Tarde demais para acreditar no amor” é o nome do primeiro livro de Milhan, que foi lançado na Bienal do Livro esse ano, em São Paulo e também um dos livros habilitados para concorrer ao prêmio Biblioteca Nacional de Literatura. Nele, o ex-presidiário, natural de Andirá, no Paraná, e que há cerca de 10 anos mora em Sorocaba, não conta sobre sua vida de encarcerado, mas de um sentimento por Jaqueline, um amor que mantinha desde os tempos que morava no Paraná, mas que as idas e vindas de cidade e prisões, não permitiram acontecer. “Tinha em mente a história, queria escrever o livro sobre o sentimento por Jaqueline. O que não aconteceu, no livro ia acontecer”, explica. Na obra, Paulo é o narrador que observa a paixão de um rapaz, que está preso, por um moça. “No livro eu faço os dois se relacionarem, o que não aconteceu comigo, mas ele também está preso. Era o que eu queria, na verdade, que tivesse acontecido comigo”, conta ele, hoje com 39 anos e atuando na área de funileiro.

 

Hoje ele garante que a paixão não existe mais, só ficou uma amizade. Mas reconhece que foi por amor a ela que a escrita entrou definitivamente em sua vida. Foi em idos dos anos 2000, quando esteve preso em Andradina, que resolveu escrever uma poesia para participar de um concurso dentro do presídio. A musa, claro, era Jaqueline. “Eles (colegas de cela), leram minha poesia e gostaram muito, me pediam para eu emprestá-la para enviarem para suas mulheres, namoradas. Coisa de cadeia…”, recorda Milhan.

(mais…)

10 profissões para quem gosta de escrever

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Publicado por Guia do Estudante

Conheça as carreiras ideais para quem gosta de se expressar por meio de textos

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Você gosta de escrever? Conheça mais sobre as profissões a seguir e veja se alguma delas se encaixa no seu perfil.

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Foto: Wikimedia Commons
CIÊNCIAS SOCIAIS – É o estudo das origens, do desenvolvimento, da organização e do funcionamento das sociedades e culturas humanas. Com toda a bagagem teórica adquirida com o passar do tempo, é natural que esse profissional queira compartilhar seu conhecimento escrevendo textos.

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CINEMA E AUDIOVISUAL – É a elaboração e a produção de audiovisuais artísticos, documentais, publicitários, institucionais ou jornalísticos para veiculação em diversas mídias, como cinema, internet, tv aberta e a cabo e circuitos fechados de programação. Como toda produção tem um roteiro, esta profissão é ideal para quem gosta de escrevê-los.

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Foto: Getty Images
HISTÓRIA – É o campo do conhecimento que estuda o passado humano em seus vários aspectos: economia, sociedade, cultura, ideias e cotidiano. O profissional naturalmente, pode compartilhar o seu dia a dia e suas experiências em textos.

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Foto: Wikimedia Commons
JORNALISMO – O jornalista é o profissional da notícia. Ele investiga e divulga fatos e informações de interesse público, redige e edita reportagens, entrevistas artigos, adaptando o tamanho, a abordagem e a linguagem dos textos ao veículo e ao público a que se destinam.

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Foto: Getty Images
LETRAS – É o estudo da língua portuguesa e de idiomas estrangeiros e de suas respectivas literaturas. O profissional pode se dedicar à escrita profissional, trabalhando para editoras.

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Foto: Getty Images
PRODUÇÃO EDITORIAL – É o conjunto de atividades envolvidas na edição e na publicação de obras impressas ou eletrônicas. Por ser responsável pela produção de conteúdo, este profissional pode se dedicar à redação e edição de textos.

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Foto: Wikimedia Commons
PUBLICIDADE E PROPAGANDA – O publicitário cria, realiza e divulga campanhas e peças publicitárias, procurando a melhor forma de apresentar um produto ou serviço ao consumidor e promover sua venda. Como comunicador, este profissional tem autonomia para redigir peças publicitárias, como roteiros de comerciais de TV, por exemplo.

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Foto: Wikimedia Commons
RÁDIO E TV – São as atividades ligadas à criação, à produção, à edição e à direção de programas de rádio e TV. Esse profissional se envolve na elaboração e na veiculação de programas jornalísticos, esportivos ou de variedades, exceto nas atividades reservadas a jornalistas e atores, como reportagem e dublagem. Ele monta a programação da emissora, redige roteiros, produz e edita programas.

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Foto: Wikimedia Commons
TEATRO – É o conjunto de técnicas usadas na criação, direção, montagem e interpretação de espetáculos. O profissional usa os movimentos corporais e a voz para representar personagens e transmitir ao público histórias, ideias e sentimentos. Está habilitado ainda a dirigir e escrever peças teatrais, novelas e filmes, bem como fazer críticas em veículos de comunicação e elaborar obras didáticas.

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Foto: Wikimedia Commons
TRADUTOR E INTÉRPRETE – É a transposição do significado de textos e de falas de um idioma para outro. O tradutor faz a versão escrita de livros, documentos e textos em geral de uma língua para outra.

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dica da Luciana Leitão

Larissa Maranhão, a alagoana que quer construir um país de letrados

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Larissa Maranhão, 18 anos: “Sociedade que escreve bem, funciona bem. E o Brasil está longe de atingir esse ideal”Larissa Maranhão, 18 anos: “Sociedade que escreve bem, funciona bem. E o Brasil está longe de atingir esse ideal” (Reprodução)

Uma das vencedoras do Prêmio Jovens Inspiradores, ela usa a internet para corrigir redações de estudantes e, assim, ajudá-los a avançar nos estudos

Nathalia Goulart, na Veja on-line

O estado de Alagoas ostenta alguns dos piores índices do país quando o assunto é leitura. Segundo dados da Prova Brasil, avaliação que mede a qualidade da educação pública no ciclo básico, apenas 13% dos estudantes dominam os conhecimentos esperados de língua portuguesa ao final do 5º ano do ensino fundamental. No 9º ano, a situação é ainda mais dramática: só 8% aprendem o que deveriam. Isso significa que quase todos os alunos alagoanos completam nove anos de instrução acadêmica sem capacidade para compreender o conteúdo de um texto simples. É triste para cada um deles, e um desastre para o Brasil.

Larissa Maranhão (assista ao vídeo), de 18 anos, nasceu e cresceu em Alagoas. Ao contrário da esmagadora maioria dos jovens de seu estado, contudo, tem intimidade com as letras – e paixão por elas –, fruto da educação recebida em uma boa instituição de ensino privada e do apreço de sua família pelo conhecimento. Um exemplo: Larissa passou a infância em meio aos 10.000 livros acumulados pelo avô em uma biblioteca particular e, ainda pequena, recitava versos do poeta Gonçalves Dias. O apreço pelo conhecimento adquirido pela leitura trouxe consigo a preocupação com aqueles que não dominam as letras. “Sociedade que escreve bem, funciona bem. E o Brasil está longe de atingir esse ideal”, dizia Larissa no vídeo em que apresentou sua inscrição no Prêmio Jovens Inspiradores – primeira etapa da jornada que consagrou a alagoana uma das vencedoras do concurso.

O vídeo revelou uma combatente. E o inimigo que ela elegeu combater foi descoberto por acaso. Ao concluir o ensino médio, Larissa atingiu uma meta perseguida por milhões de jovens brasileiros: a nota 1.000, máxima pontuação possível, na temida prova de redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

A dissertação exemplar virou notícia e, além de congratulações, Larissa passou a receber pedidos de ajuda via internet e redes sociais. “Se esse feito foi visto com destaque em âmbito nacional, imagine em um estado pequeno com o mais alto índice de analfabetismo do Brasil”, diz Larissa. “Muita gente me adicionou no Facebook em pouco tempo.” Eram jovens como ela, ansiosos por aprovação no vestibular ou simplesmente por conhecimento. Larissa poderia ter se deitado sobre os louros. Preferiu sentar-se à escrivaninha e, computador em mãos, responder uma a uma as mensagens enviadas. Comentava as redações recebidas, oferecia análises personalizadas, apontava os pontos fracos, ressaltava as qualidades.

Os pedidos de ajuda ganharam tal volume que Larissa migrou para um blog, batizado Enem RED, onde compartilha informações com mais gente. O modelo segue ativo. A cada 15 dias, apresenta um tema para dissertação, além de textos de apoio, no formato dos grandes vestibulares. Todas as redações enviadas são corrigidas e ninguém fica sem resposta – garante Larissa. Adicionalmente, a cada quinze dias, um professor convidado dá orientações complementares.

Em breve, o Enem RED se converterá em um portal, oferecendo também subsídio àqueles que buscam ajuda em matemática. Larissa já firmou parcerias com escolas públicas de Alagoas para oferecer aulas de reforço e palestras de orientação profissional e empreendedorismo. Duas escolas já são atendidas e uma cartilha está sendo preparada para dar escala ao modelo de ensino. “O RED não tem data para acabar. Quero tocar esse projeto indefinidamente porque em educação não existe um ponto ótimo”, disse Larissa diante dos jurados do Prêmio Jovens Inspiradores na etapa final do desafio, quando os dez concorrentes apresentaram suas estratégias de ação para vencer desafios em áreas previamente definidas.

Com suas aulas de redação, Larissa quer alterar o cenário da educação de seu estado – quiçá, do país. “É graças à palavra escrita que podemos receber notícias dos jornais todas as manhãs, repassar de geração em geração teorias importantes desenvolvidas há centenas de anos ou até mesmo transmitir ideias com o potencial de mudar o mundo em que vivemos”, diz.

Estudante do primeiro ano do curso de ciências econômicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a alagoana se preparava, no início deste ano, para enfrentar os processos de admissão das universidades americanas. Sonhava alçar voos mais altos ao ser aceita por uma instituição renomada. Agora, como uma das vencedoras do Prêmio Jovens Inspiradores, tem garantida uma bolsa de estudos no exterior e um ano de orientação (mentoring) oferecida por profissionais de destaque do meio empresarial e político, além de um iPad.

A “aventura” tem tudo a ver com a menina que, aos 14 anos, buscando conhecimento, se enveredou pelo interior da Inglaterra e chegou a viver com uma família egípcia e que, neste ano, trabalhou como voluntária na Índia junto a crianças em idade de alfabetização. “As pessoas me dizem que sou nova demais. Mas cada pessoa se diverte de um jeito. O meu jeito foi buscando essas experiências diferentes em todas as partes”, diz.

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