Contando e Cantando (Volume 2)

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Quem tem medo dos críticos?

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Daniel Prestes, no Vá ler um livro

Tenho percebido a algum tempo que blogs literários dificilmente tem muitos comentários, salvo algumas exceções e, é mais raro ainda que, quando há, o leitor fuja do já dito pelo autor ou, ainda, apresente argumentos para justificar a concordância. No geral, os comentários se resumem a um “concordo plenamente”, “assino embaixo” e suas variações.

E aí eu me pergunto: Que tipo de leitores estamos formando? Que tipo de leitor é esse que não consegue reestruturar o pensamento posto pelo texto? Que leitor é esse, que não consegue apontar elementos no que está escrito para a sua concordância? Que gosta de tudo, porque achasse contemplado ipsi literis, vírgula por vírgula, em cada ponto?

É ainda pior quando, conversando com algumas pessoas, ouço as seguintes justificativas: “tenho medo de parecer tolo”, “não sei o que comentar” e “e se eu estiver errado?”.

Ora, você leu o texto e tem sua experiência de vida, de leitura de outros textos, assim, não me parece possível que você não tenha nada a acrescentar ao que está posto. Posicionar-se nos comentários, ir além do gostei, é também parte do ato de ler, pois nele, você constrói um sentido, “re”-significa e entra em diálogo com o autor. É justamente por isso que temos o espaço para comentários, para que esse diálogo aconteça e, quando isso ocorre, é uma dádiva, porque você trabalha os sentidos postos no texto e faz com que o autor trabalhe ainda mais as suas próprias ideias.

O crítico, o cara que escreve o artigo de opinião não é detentor da verdade, ele é alguém que olha o mundo sob uma determinada perspectiva, essa a qual ele lhe convida a conhecer, e quando você entra em contato com ela, a sua própria noção de mundo se alarga e expande.

Porque não oferecer essa mesma oportunidade de alargamento ao autor do texto que você leu? Porque não sair dessa postura passiva de leitura, de recolha de ideias e entrar no jogo do diálogo e, assim, ser um participante na construção de conhecimento?

A crítica precisa de críticas. A crítica precisa do diálogo.

Jovem percorre o Brasil de ônibus à caça das melhores experiências educacionais

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Ana Krepp, na Folha de S.Paulo

Conversando com gente que encontra em rodoviárias, albergues, hotéis, restaurantes e pontos turísticos de cidades de diversas regiões do Brasil, Caio Dib, 22, tem descoberto escolas e projetos educacionais inovadores.

Formado desde o fim do ano passado em jornalismo, ele partiu de São Paulo a Belém, em março, para uma viagem de cinco meses pelo país, de ônibus.

Eram dois os objetivos na partida: conhecer, de fato, o Brasil e mapear boas práticas em educação.

“Eu não conhecia a realidade do meu país, vivia fechado em escritórios e precisava crescer como pessoa. Para isso, precisei conhecer mais da educação, que é intrínseca à realidade”, diz.

Aprendizado cooperativo nas aulas do professor Diego (Nonato Furtado)

Aprendizado cooperativo nas aulas do professor Diego (Nonato Furtado)

Há três meses na estrada, ele percorreu mais de 9.000 quilômetros e passou por 42 cidades do Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Nos próximos dois meses, ele pretende visitar pelo menos mais 21 cidades.

Caio ficou surpreso com a quantidade de iniciativas que encontrou no Nordeste. O Ceará, particularmente, lhe chamou a atenção.

“Eles tiram ótimas notas nas provas oficiais do governo. O Ideb [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica] tem uma meta para 2021 que várias escolas de lá já bateram”, diz.

Em Pentecoste, a 85 km de Fortaleza, ele visitou uma escola técnica estadual “com infraestrutura de colégio particular e método de aprendizagem cooperativa.”

Os alunos se reúnem em grupos de três a seis crianças, leem e debatem o tema de cada aula.”Aprendem a argumentar, ouvir opiniões e a trabalhar em grupo.”

No Rio Vermelho, bairro boêmio de Salvador, conheceu uma parceria entre sete escolas locais que preconiza que qualquer lugar pode ser uma sala de aula.

“Por que não aprender biologia no parque, em vez de aprender no laboratório da escola?”, questiona.

ROTEIRO

“Antes de sair fiz um planejamento do roteiro da viagem, mas muda tudo quando chego em um lugar e fico sabendo que na cidade vizinha tem algo interessante.”

No primeiro dia em uma cidade, Caio costuma ficar na recepção de um hotel para conversar com pessoas e pegar dicas de projetos interessantes. No dia seguinte, anda pelas ruas e visita museus.

“A maioria dos monitores de museus é estudante de licenciatura e está envolvido de alguma maneira com educação, então eles me dão dicas.”

O planejamento inicial, de ficar no máximo três dias em cada cidade, caiu por terra. Lugares como Salvador e Brasília ocuparam mais de uma semana do roteiro.

Imprevistos como esse fizeram Caio rever também seu planejamento financeiro. Os R$ 6.000 reservados para os gastos com hospedagem, deslocamento, alimentação e imprevistos foram revistos.

A nova previsão é que R$ 15 mil sejam suficientes para mantê-lo até agosto.

Quando voltar a São Paulo, a ideia é lançar dois livros. Um sobre as experiências que viveu e outro sobre os projetos educacionais mais interessantes que encontrou.

dica do Chicco Sal

Promoção: “Vamos fazer de conta que isso nunca aconteceu… Histórias (quase) reais de uma vida surreal”

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Ria das suas desgraças

Não existe vida perfeita e não há quem não passe por momentos difíceis. Mas existe uma boa maneira de enfrentar complicações: não se leve tão a sério. Essa, pelo menos, é a fórmula de Jenny Lawson.

Neste livro absolutamente engraçado e divertido, a autora – famosa blogueira norte-americana, com milhares de seguidores na internet – narra sua hilariante e pouco provável vida.

Com ela, vamos ao Texas, sua terra natal, para conhecer como cresceu a filha de um taxidermista obsessivo que a fez viver experiências bizarras, sua adolescência conturbada e o casamento tortuoso de 15 anos com Victor, que lhe deu uma linda filha, com a qual vários gatos disputam a atenção.

Tudo em seu cotidiano parece muito estranho e, como ela diz, “difícil de acreditar” (e por isso ela coloca fotos, para provar que é tudo, bem, verdade…), mas também superengraçado.

Sua escrita é ligeira, descontraída e “blogueira” (no bom sentido), com alto teor de sarcasmo e ironia, muito bem dosados ao longo da narrativa.

Diversão à parte, fica a ideia do título: os momentos mais vergonhosos de nossa vida, aqueles que a gente quer fazer de conta que nunca aconteceram, são os que nos definem de verdade. Tudo o que precisamos, portanto, é aprender a rir da desgraça.

Quer concorrer a 3 exemplares de “Vamos fazer de conta que isso nunca aconteceu…“?, superlançamento da Gutenberg?

É muito fácil:

* Faça o login
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O resultado será divulgado no dia 24/6 e os nomes dos ganhadores serão conhecidos aqui no post e no perfil @livrosepessoas.

Boa sorte! 🙂

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Um relato sobre o diário escrito quando eu tinha nove anos durante seis meses em 1992

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Emilio Fraia, no Blog da Companhia

Quando tinha nove anos, durante seis meses, mantive um diário. Escrevia todos os dias. É uma agendinha velha, preta e com adesivos de marcas de surfwear na capa (Hang Loose, Sea Club e Ocean Pacific). Cada entrada possuía doze linhas, que eu preenchia inteiramente, o que pensando agora devia fazer apenas para não deixar espaço vazio.

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O caderninho ficava na casa dos meus pais, num armário abarrotado de pastas. Nunca dei muita bola para ele, até ler aquele que se tornaria o meu conto favorito da Lydia Davis.

Em 2009, a Farrar, Straus & Giroux publicou uma edição com os contos reunidos da autora norte-americana, um volume de capa salmão, 733 páginas e 197 histórias. O conto chama-se “We Miss You: A Study of Get-Well Letters from a Class of Fourth-Graders” (“Saudades: um estudo de cartas escritas por alunos de uma classe do quarto ano primário desejando melhoras a um colega”, que integra Tipos de perturbação, primeiro livro da autora publicado no Brasil, com tradução da destemida Branca Vianna).

O relato é exatamente o que diz o título: uma dissecação linguística e sociológica de vinte e sete cartas que alunos de uma classe do quarto ano escreveram para um coleguinha, Stephen, enquanto este se recuperava no hospital. Em dezembro de 1950, Stephen teve uma grave osteomielite (espécie de inflamação óssea, causada por uma bactéria) e foi internado. Após as férias de fim de ano, as aulas recomeçaram e a professora pediu, como tarefa de classe, que cada um dos alunos lhe escrevesse uma carta.

Como em praticamente todos os contos de Tchekhov, a tensão aqui não está dirigida para o desfecho. Logo no início, o narrador de Lydia diz, sem alarde: “Após algumas semanas de muita preocupação por parte de médicos, família e amigos, Stephen se recuperou, graças em parte a […]”. Já sabemos, portanto, que nada de pior vai acontecer, que Stephen saiu dessa, que não precisamos passar a história tensos torcendo pela sua melhora.

A linguagem do conto é clara, direta, o que contribui para o efeito maravilhoso de relatório. No mais, nada acontece — ou pelo menos não aparentemente. O narrador descreve a escola (um edifício grande, de tijolinhos, com salas de aula bem iluminadas), fala sobre a aparência geral das cartas (a maioria das crianças usa papel tipo carta, apenas quatro optam pelo tamanho ofício), analisa a caligrafia dos alunos (a letra cursiva “é consistente, toca na linha inferior e tem espaçamento regular”) e a extensão dos textos (“variam de três a oito linhas e de duas a oito frases”).

Seus comentários abrangem estilo, coerência, uso de verbos, conjunções e metáforas, além de categorizar tipos de saudações e expressões de simpatia — “volte logo/ queria que você estivesse aqui” aparece dezessete vezes.

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À medida que as cartas vão sendo esmiuçadas, detalhes do cotidiano das crianças, de sua personalidade, seu estado de espírito e a relação delas com Stephen são revelados.

Algumas crianças falam do clima e de seus animais de estimação, outras relatam brincadeiras na neve e o que ganharam de presente no Natal. Cynthia, por exemplo, escreve: “Fui brincar de trenó uma vez e foi divertido. Fiz bonecos de neve mas eles caíram todos”. Joseph abre seu texto com uma expressão de empatia generosa: “Sei como você se sente”. E completa, de maneira 100% coerente: “Vou ganhar um casaco novo com capuz”.

Através desses fragmentos (e suas elipses), Lydia Davis apresenta essa pequena comunidade de crianças de nove anos, confrontada com a morte, a possibilidade da perda e o tédio. Ao terminar a leitura, a pergunta parece ser: quem é o narrador do conto? Por que ele está analisando essas cartas? É alguém que em posse de cartas antigas tenta descobrir ou lembrar algo de sua infância ou de algum irmão ou amigo? Não há nenhuma evidência de que o narrador seja homem ou mulher, mas talvez pelo fato da autora ser mulher, leio sempre como se fosse uma narradora.

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Há uma frase de Tchekhov que poderia se passar por uma frase de Lydia: “mandem-me que escreva sobre esta garrafa, e sairá um conto intitulado ‘Uma garrafa’”.

É nas coisas e episódios pequenos, triviais e aparentemente sem importância que recai o interesse da autora, que na semana passada ganhou o prestigioso Man Booker Prize — o que podemos entender como a vitória cabal das garrafas, dos diários escritos aos nove anos, das cartas dos amigos de Stephen, das histórias sem desfecho nem fábula e, sobretudo, de uma outra frase de Tchekhov (que poderia se passar por uma frase de Lydia): “nada de pensamento: as imagens vivas e verdadeiras criam pensamentos, e um pensamento jamais criará uma imagem”.

Quando li “Saudades: um estudo de cartas escritas por alunos de uma classe do quarto ano primário desejando melhoras a um colega”, pensei que o conto talvez tivesse me ensinado a ler o meu diariozinho — prestando atenção nas lacunas, no que não está lá. Por que meu amigo voltou chorando da diretoria? Por que não gostei das pinturas? Que pinturas eram aquelas? Em que praia estávamos?

Num levantamento rápido, praticamente todas as entradas começam com “Hoje acordei/ Levantei/ Tomei café” e terminam com “vi televisão e fui dormir/ tomei banho, jantei e dormi”. As ações mais recorrentes são: jogar videogame, nadar, ver filmes, jogar bola e gravar programas de tevê. A conjunção mais comum é a inexpressiva aditiva “e”. Quase não há vírgulas nem pontos. Há, todavia, momentos de superação, como em 15 de janeiro: “hoje levantei notei que meu dente estava mole mas não liguei”.

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Mick Jagger não escreverá autobiografia por achar ‘chato’

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Em entrevista à ‘Q Magazine’, o líder dos Rolling Stones lembrou que já tentou escrever sobre a sua vida em 1983, mas desistiu

Publicado por Estadão

Mick Jagger, o líder dos Rolling Stones, declarou que não escreverá sua autobiografia porque considera que revirar seu passado é “chato” e “deprimente”.

Lucy Nicholson/Reuters O cantor Mick Jagger

Lucy Nicholson/Reuters
O cantor Mick Jagger

Foi o que disse o músico inglês em uma entrevista à Q Magazine em sua edição de julho, que foi repercutida nesta quarta-feira, 29, pelos veículos de imprensa britânicos, em que revela que não tem intenção de escrever o livro, apesar de “recentemente” terem voltado a lhe pedir isso.

Recentemente, Keith Richards lançou suas memórias com grande sucesso editorial no livro Life (Vida), em que dedica várias alfinetadas a Jagger, que conhece desde a infância.

Apesar de sua repetida recusa a seguir os passos do guitarrista do grupo, Jagger lembrou que anteriormente, em 1983, já tentou escrever uma autobiografia pela qual supostamente lhe deram um adiantamento de 1 milhão de libras.

“Fiz isso por dinheiro nos anos 1980 ou início dos 1990. Comecei a escrever, mas era deprimente e chato revirar o passado”, admitiu o músico, prestes a completar 70 anos.

Jagger explicou que também não gostou à época de ter que contar sobre a intimidade de pessoas próximas: “Queriam que falasse de todas essas pessoas próximas a mim e que divulgasse todos esses segredos. Me dei conta de que não queria fazer isso. Portanto desisti e devolvi o dinheiro”.

Sua ex-mulher, a modelo americana Jerry Hall, recebeu uma oferta parecida para escrever sua autobiografia e, assim como Mick Jagger, devolveu o pagamento antecipado após reconsiderar a proposta.

Os Rolling Stones são a atração principal do famoso festival de Glastonbury, que acontece em junho, e no mesmo mês farão dois shows em Hyde Park, em Londres.

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