Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged lição de casa

Escola acaba com a lição de casa e índice de leitura aumenta

0
 Lição de casa possibilita ao aluno desenvolver o hábito e a autonomia para o estudo. Foto: Bigstock

Lição de casa possibilita ao aluno desenvolver o hábito e a autonomia para o estudo. Foto: Bigstock

 

Com apoio de 80% dos pais, medida incentiva os estudantes a lerem, brincarem e “serem crianças” . Especialistas em Educação ponderam a obrigatoriedade das tarefas de casa

Publicado na Gazeta do Povo

É possível acabar com a lição de casa? Uma escola norte-americana está provando que sim – e mais: com apoio dos pais e bons efeitos colaterais. Passados cinco meses do início de uma política que aboliu as tarefas de casa na Orchard Elementary, escola primária localizada no distrito de South Burlington, nos Estados Unidos, os pais dos estudantes relatam que os índices de leitura de seus filhos têm melhorado.

A medida foi tomada antes do início do ano letivo, quando os professores da instituição decidiram, por unanimidade, extinguir o dever de casa dos alunos do jardim de infância até a quinta série. Ao invés disso, no entanto, os estudantes são incentivados a ler, brincar e “serem crianças”. A proposta recebeu o apoio de cerca de 80% dos pais que responderam à pesquisa realizada pela direção da escola.

“Nosso filho está no primeiro ano e, em sua idade, [a lição de casa] é tanto uma tarefa para os pais como para os pequenos. Em vez disso, passamos o tempo lendo, não precisamos nos apressar”, disse Rani Philip, mãe de um estudante, em entrevista ao Burlington Free Press. Outros pais também se mostraram surpresos com a medida de não haver tarefa de casa, mas também afirmaram que seus filhos estão lendo mais.

Especialistas em Educação, no entanto, defendem que a lição de casa é uma oportunidade para a criança complementar os estudos, mas que para isso ela precisa ter seus objetivos bem delimitados. Entre eles estão o de fixar ou dar significado ao conteúdo que foi visto em sala de aula ou desenvolver habilidades cognitivas, por exemplo.

O primeiro aspecto a ser destacado, como lembra Daniele Saheb, doutora em Educação e coordenadora do curso de Pedagogia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), são as diferenças culturais entre os países que têm reflexos diretos sobre seus sistemas de ensino. “Nos Estados Unidos, por exemplo, as crianças passam mais tempo na escola durante o ensino fundamental do que no Brasil, onde o período costuma ser de quatro horas diárias”, pontua.

Neste sentido, uma das principais funções da tarefa de casa é a de possibilitar ao aluno desenvolver o hábito e a autonomia para o estudo, como acrescenta Viviane Stacheski, coordenadora dos cursos de pós-graduação em Educação Infantil, Alfabetização e Letramento do Centro Universitário Internacional Uninter.

“Se a criança não desenvolve isso nas séries iniciais, ficará mais difícil para ela fazê-lo na adolescência, o que poderá acarretar prejuízos a partir do sexto ano, período no qual os alunos passam a ter as disciplinas separadas por aulas [e precisam aprender a organizar os estudos]”, explica.

Preocupação

Mesmo aprovando a medida, muitos pais da Orchard Elementary manifestaram a preocupação de que, sem a lição de casa, seus filhos não desenvolvam habilidades que os auxiliarão a serem bem-sucedidos nos demais anos escolares. Alguns deles, inclusive, esperam que um trabalho adicional seja desenvolvido na quinta série como forma de evitar possíveis prejuízos.

Nem todos os pais, no entanto, concordaram com a extinção da l ição de casa pela escola. A mãe de um estudante contou ao Burlington Free Press que optou por tirar a filha da instituição e a matricular em uma escola na qual a criança tem cerca de 30 minutos de tarefa por noite.
Complemento do estudo

As especialistas lembram que as discussões sobre a necessidade ou não de as crianças levarem tarefas para casa são amplas e envolvem diferentes vertentes, que vão de sua quantidade e objetivo ao papel que a família desempenha junto aos filhos nos momentos em que ele está fora da escola.

Por isso, é necessário que as tarefas sejam bem planejadas pelos professores, de forma que não se tornem muito longas e/ou que os estudantes tenham condições de resolvê-las sozinhos.

“A tarefa não pode ter uma conotação tecnicista, no sentido de simplesmente ocupar o tempo da criança”, orienta Daniele, da PUCPR. Ela acrescenta, ainda, que a aprendizagem não acontece só no período escolar, o que faz com que a participação e o comprometimento da família sejam fundamentais para se garantir a qualidade do tempo que a criança passa fora da escola.

Crianças deveriam receber lição de casa? Talvez não, dizem especialistas

0
Em casa, Caio tem sala com computador, tablet e uma mesa à disposição para os exercícios extraclasse, única responsabilidade dele, conta a mãe, Grace Foto: Anderson Fetter / Agencia RBS

Em casa, Caio tem sala com computador, tablet e uma mesa à disposição para os exercícios extraclasse, única responsabilidade dele, conta a mãe, Grace Foto: Anderson Fetter / Agencia RBS

 

Educadores divergem no Brasil, mas tendência em outros países é considerar a tarefa de casa desestimulante para o aprendizado

Paula Minozzo, no Zero Hora

As crianças deveriam ter mais lição de casa? Não é incomum pais responderem sim a essa pergunta, afinal, fazer o dever, pelo menos para o senso comum, seria um dos caminhos para um bom desempenho escolar. Mas um movimento que já assumiu relevância nos Estados Unidos e em países da Europa contraria a ideia do tema de casa e quer até mesmo a sua extinção.

Educadores, pedagogos e pais ouvidos por Zero Hora afirmam enxergar o dever como um estímulo para a autonomia dos estudantes. Especialistas de opinião contrária sustentam que a prática desestimula os alunos e causa conflito entre as famílias. Pais que se mostram exaustos após um dia de trabalho e crianças cansadas teriam mais uma tarefa a cumprir na lista de obrigações.

O Brasil está no final do ranking quando o assunto é tempo gasto em lição de casa por adolescentes de 15 anos. A média do país é de 3,3 horas por semana, pouco menos do que o Japão, com 3,8, e muito abaixo dos Estados Unidos, com 6,1. A Finlândia, cujo sistema educacional se sobressai em avaliações internacionais, é o último da lista, com 2,8 horas por semana. A China está em primeiro, com 13,8 horas semanais, segundo os indicadores de 2012 da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Recentemente, o bilhete de uma professora de 2º ano primário no Estado americano do Texas viralizou por comunicar aos pais que os alunos não teriam mais dever. “Pesquisas não comprovam que lição de casa melhora o desempenho de estudantes… Jantem em família, leiam juntos, brinquem lá fora e levem seu filho para cama mais cedo”, escreveu a docente.

— É difícil até mesmo questionar o tema de casa. Os professores teriam de revisar suas abordagens educativas se não dessem mais lição. E os pais teriam de aprender que não podem contar com o dever de casa como se fosse uma babá — comenta, por e-mail, a autora do livro The end of homework (O fim do tema de casa, em tradução para o português), Etta Kralovec, uma das defensoras mais árduas da extinção dessa tarefa extraclasse.

Em pesquisa feita pela Universidade de Stanford em 2014, apenas 1% dos alunos de Ensino Médio consultados disseram que o tema de casa não era um fator de estresse. Em comunidades em que o desempenho acadêmico é valorizado, os alunos, em média, recebiam mais de três horas de tarefa por dia. Segundo os pesquisadores que comandaram o estudo, mais de duas horas já causariam impactos negativos no comportamento e no bem-estar.

— Minha filha tem tarefa todos os dias e mais o reforço escolar. Tive de tirá-la da ginástica. Ela fica nervosa para completar tudo, eles precisam de tempo para serem crianças — desabafa a auxiliar de saúde bucal Leticia Hartmann, 32 anos, mãe de Giovanna, nove anos, aluna de uma tradicional escola de classe média-alta da Capital.

Etta, professora da Universidade do Arizona, argumenta que estudos mostram que a lição não melhora o desempenho escolar. Para crianças no Ensino Fundamental, o trabalho de aula, se bem aproveitado, seria o suficiente para uma boa aprendizagem. Em uma temporada de estudos no Zimbábue, ela viu que a situação não se limitava às crianças americanas, cujo dia escolar é mais longo.

— Crianças pobres não têm os recursos em casa para fazer a lição, e as ricas, outras atividades depois da escola que são também enriquecedoras e que disputam o tempo com os temas — ressalta Etta.

De acordo com a professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Tânia Ramos Fortuna, a questão da lição é ampla. O dever pode ser considerado benéfico quando os alunos encontram sentido em realizar determinada tarefa:

— O tema de casa traduz essa ideia de que há uma relação da escola com a vida fora dela. Esse é um lado positivo da lição.

Além disso, as tarefas seriam como uma extensão da vida escolar, opina Claudia Marzano, orientadora educacional da Escola Municipal de Ensino Fundamental Gabriel Obino, no bairro Glória, na Capital. Segundo a educadora, também seria na hora da tarefa de casa, sozinhos, que os alunos teriam mais clareza sobre os próprios obstáculos de aprendizagem:

— Não é largar a mochila em casa e pegar só no outro dia. Em sala de aula, os colegas ajudam uns aos outros. Mas é em casa que eles vão saber onde há dificuldades e trazer para o professor no outro dia.

Pais poderiam incentivar outras práticas fora da aula

Professora da Faculdade Educação da UFRGS, Natália Gil orientou uma pesquisa sobre lição de casa em 2015 e defende que o tema não deve ser usado para suprir uma carência escolar, já que as crianças têm rotinas familiares diferentes. Para Natália, alunos mais vulneráveis não teriam o apoio dos pais nem as condições de estudo necessárias. Já as crianças com famílias mais presentes poderiam utilizar o tempo para aprender de maneiras mais individualizadas, e não repetir o que já é feito na escola.

— Uma criança que não aprendeu a ler na escola raramente vai aprender com pais que tiveram pouca escolaridade. Há famílias que têm internet, outras que não têm nem ao menos livros. Não acho que é papel da escola dizer como as famílias devem se organizar — afirma Natália.

Claudia Kober de Araujo, 43 anos, acompanha de perto a rotina dos dois filhos, Henrique, 13 anos, e Erick, 11. Na casa do bairro Cascata, em Porto Alegre, a mesa da sala de jantar da professora de anos iniciais da Escola Municipal de Ensino Fundamental Gabriel Obino é o lugar dos estudos. O primogênito não traz mais lição de casa, mas é um dos alunos de maior dedicação da turma em que estuda do 8º ano: os professores o conhecem pelas boas notas. O mais novo ainda faz os temas com a ajuda da mãe.

— Acho até que a escola poderia puxar mais, com mais tema de casa — diz Claudia.

Natália e Etta não são contrárias ao estudo fora de sala de aula, mas defendem que a didática do ambiente escolar não invada o espaço das atividades propostas pelas famílias. O ideal seria que os pais incentivassem outras práticas. A leitura por meio de maneiras diferentes das trabalhadas em aulas seria benéfico, afirmam.

— A lição de casa é quase sempre a parte menos instigante, não é uma aprendizagem nova. Não é fora da escola, de modos desiguais, sem os espaços propícios, que o aprendizado vai acontecer. Se o gosto pelo estudo se constrói na escola, em casa, ela (a criança) vai desenvolvendo as próprias práticas — acredita Natália.

Para Etta, a compreensão dos professores que levam em consideração a vida dos alunos fora do ambiente escolar para atribuir tarefas também não é suficiente.

— Uma criança pode levar 15 minutos para fazer uma lição de casa, outra pode levar 30 minutos para a mesma lição. Não é a quantidade dada, mas a presença constante daquela obrigação.

É difícil se concentrar em qualquer outra coisa se há uma lição de casa de “20 minutos” esperando para ser feita — comenta Etta.

Como o tema se relaciona à construção da autonomia

Em um grupo de nove alunos do 3º ao 6º ano da escola Província de São Pedro, instituição privada no bairro Boa Vista, todos dizem que fazem as lições sozinhos. Na hora da lição de casa, perguntas para os pais são raras. A eles, fica a tarefa de supervisionar, já que os professores estão, por meio de um aplicativo, conectados aos alunos para responder dúvidas.

O aluno Caio, 11 anos, tem em casa uma sala com computador, tablet e mesa para a lição de casa.

— Essa é a única responsabilidade dele, e ele tem tempo livre depois para fazer o que gosta — conta a mãe, Grace Correa.

Para Luciane Freitas, professora de matemática na escola, o método da lição de casa é instigante e ajuda a desenvolver a autonomia:

— O tema precisa ser para complementar e ajudar a fixar o material. São pequenos exercícios, alguns até terminam a própria tarefa em sala de aula ou vão além.

O caminho para a construção da responsabilidade e da autonomia seria o contrário, diz Natália Gil:

— Nada obrigatório gera autonomia, que se desenvolve quando há sentido e vontade de estudar porque algo instigou isso. O problema não é o conteúdo escolar, mas dar a liberdade e a autonomia para o aluno escolher e investir em outros elementos.

Brasileiros gastam menos de 4h semanais com a lição de casa

0

tarefacasa

Publicado no UOL

Os estudantes brasileiros com 15 anos de idade investem uma média de 3,3 horas semanais para fazer a lição de casa ou um trabalho definido pelo professor. Os dados são de um relatório do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) divulgado no início desde mês, com dados avaliados em 2012.

Diante da baixa dedicação, o Brasil aparece em 27º lugar no ranking das economias avaliadas pela OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Na outra ponta, Rússia (1º), Itália (2º) e Irlanda (3º) são os países onde os estudantes mais investem tempo fazendo o dever de casa. São respectivamente 9h, 8h e 7h por semana para concluir as atividades.

A média geral de tempo gasto entre os países que compõem o ranking é de 4,9 horas de lição de casa por semana. O estudo analisou relatos de estudantes de 39 países e regiões do mundo. Alguns deles, ocupam a mesma posição no ranking.

Após analisar todo o levantamento, a OCDE confirmou que o status socioeconômico dos alunos e o tipo de escola que frequentam estão diretamente relacionados com a quantidade de tempo que eles passam fazendo a lição de casa.

Estudantes com maior vantagem socioeconômica conseguem investir 5,7 horas semanais. Já os menos favorecidos gastam 4,1 horas por semana, muitas vezes porque precisam trabalhar e têm mais obrigações dentro de suas famílias, de acordo com a organização. Essa diferença acaba reforçando as disparidades socioeconômicas no desempenho dos alunos.

O que é o Pisa

O Pisa busca medir o conhecimento e a habilidade em leitura, matemática e ciências de estudantes com 15 anos de idade tanto de países membro da OCDE como de países parceiros. O exame foi aplicado a 510 mil alunos.

Figuram entre os países membros da OCDE Alemanha, Grécia, Chile, Coreia do Sul, México, Holanda e Polônia. Países como Argentina, Brasil, China, Peru, Qatar e Sérvia aparecem como parceiros e também fazem parte da avaliação.

Confira o ranking do tempo gasto com a lição de casa
  • Rússia – 9,7 horas/semana
  • Itália – 8,7 horas/semana
  • Irlanda – 7,3 horas/semana
  • Polônia – 6,6 horas/semana
  • Espanha – 6,5 horas/semana
  • Hungria – 6,2 horas/semana
  • Letônia – 6,2 horas/semana
  • Estados Unidos – 6,1 horas/semana
  • Austrália – 6 horas/semana
  • Hong Kong/China – 6 horas/semana
  • Macau/China – 5,9 horas/semana
  • 10 Holanda – 5,8 horas/semana
  • 27 Brasil – 3,3 horas/semana
Fonte: OCDE
Go to Top