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Livro de filósofo francês ensina como enfrentar os “babacas”

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Maxime Rovere, professor da PUC-Rio Foto: QuisNilObstet/Wikimedia Commons

Com rigor filosófico e linguagem acessível, Maxime Rovere dá lições para resistir ao assédio de cretinos e megeras

Ruan de Sousa Gabriel, na Época

Por que um filósofo francês, leitor de Espinosa, abandonaria seus estudos sobre imanência, modos de percepção e a salvação dos ignorantes para escrever um livro sobre… a babaquice? Pois foi isso (ou quase isso) o que fez Maxime Rovere, professor na PUC-Rio. Em O que fazer com os babacas (Vestígio), Rovere junta um sólido repertório filosófico, linguagem acessível e bom humor para ajudar o leitor a resistir a cretinos, canalhas e megeras, àqueles que desrespeitam nosso silêncio, atacam nosso sossego com seus filhos e cãezinhos barulhentos e, às vezes, detém o poder político necessário para infernizar nossas vidas.

Conversei um pouquinho com Rovere para entender melhor como derrotar a babaquice e saber qual filósofo era o mais babaca de todos — porque já sabemos que Espinosa era o mais fofo.

Por que o senhor, um leitor de Espinosa, resolveu interromper suas pesquisas filosóficas para escrever um livro sobre a babaquice?

Meu último livro Le clan Spinoza ( O clã Espinosa , na tradução do francês), que será publicado no Brasil no ano que vem, é um estudo sobre a inteligência coletiva. Ou seja: não é tão estranho quanto parece que meus estudos se voltem para a babaquice como um fenômeno coletivo. A babaquice não é uma característica individual, mas de certas interações. Como todo mundo, eu também encontrei um babaca pessoal, alguém com quem eu tive de dividir uma casa e que não quis estabelecer regras de convivência. Esse é um dos princípios da babaquice: recusar as condições para a vida em comum. Ao perceber como é difícil se relacionar com esse tipo de gente, achei que seria interessante dedicar um estudo sério, mas acessível, à babaquice, esse fenômeno que nos afeta a todos.

No livro, o senhor menciona várias vezes seu “bacaba pessoal”. Como ele (ou ela) era?

Essa pessoa, como muitos outros babacas, pensava que todos tinham de viver como ela, que seu estilo de vida era o único possível para pessoas esclarecidas e cool. Quando o conflito começou, percebi que eu tinha convicções parecidas. Meu babaca era também meu espelho. Sempre somos o babaca de alguém. Não que meu babaca fosse um idiota, ele mas vivia de um jeito oposto ao meu e não queria negociar nada. Isso me matou: descobrir que existia gente que se recusa a negociar, que não aceita a possibilidade de estabelecer regras ainda que tenha concordado em dividir um casa com você. Isso nunca havia passado pela minha cabeça. Eu achava que todo mundo era e pensava como eu. Babacas como o meu se comportam como se os outros não existíssemos. É o que de mais violento alguém pode fazer: negar a relevância do desejo do outro.

O senhor afirma que dar lição de moral nos bacanas não é uma boa ideia. Por quê?

Diante de um babaca, tendemos a nos achar no direito de exigir, por exemplo, que ele limpe a cozinha depois de dar uma festa. Mas, como ele não tem respeito por nossas regras, tentar impô-las, uma vez que não somos o Estado e não podemos forçá-lo a nada, é inválido. Logicamente inválido. Não há como impor nossa moral sem força. Porque essa moral não se apoia na autoridade, mas em nossa insuficiência, nossa impotência de fazer com o que o babaca se comporte corretamente. Precisamos mudar de estratégia.

Como?

Em vez de desejar que os babacas desapareçam, devemos nos concentrar no que sentimos, nas emoções que eles fazem emergir em nós e em como superá-las. Precisamos expressá-las. Nossa primeira reação é xingar, mas precisamos encontrar meios de expressão mais úteis e eficazes para sair desse buraco relacional. Um insulto não ajuda em nada e pode piorar as coisas. Seguindo os filósofos estoicos, como Sêneca, acredito que é possível encontrar operações capazes reconfigurar as situações sem precisar tocar no babaca, sem tentar mudá-lo, mas tentando mudar a situação. Precisamos mobilizar nossas emoções mais fortes contra as situações, não contra as pessoas.

No livro, o senhor argumenta que a narrativa é uma maneira de expressar essas emoções: “Somente a narrativa permite apaziguar o conflito, porque ela permite à verdade emergir da intersecção dos pontos de vista sem ser necessário (…) se pôr totalmente de acordo, nem ser totalmente preciso, nem ter qualquer certeza”. A literatura pode nos ajudar a lidar com os babacas?

A narrativa é uma técnica a ser usada para se livrar de um conflito. Quando estiver diante de um babaca, peça para ele contar a versão dele dos fatos, ainda que você ache que ele está totalmente errado. Depois, talvez valha a pena você fazer um relato seu de como as coisas aconteceram. Narrar os eventos que criaram o conflito permite reconstruir o que se perdeu no meio do conflito, que é a nossa capacidade de entender e confiar no outro. Temos de reconstruir essa capacidade, que perdemos quase sem perceber. Se formos sinceros, pacientes e narradores habilidosos, podemos encontrar caminhos comuns. Aí a literatura pode ajudar, pois nos permite entrar em histórias além das nossas próprias. Se formos capazes de entender um babaca como o pai de Os irmãos Karamázov , de entrar na cabeça dele, nossa relação cotidiana com os babacas vai melhorar. Vamos saber lidar melhor com as narrativas deles e contar melhor as nossas.

E quando os babacas estão no poder?

É altamente provável que babacas estejam no poder, que ocupem posições de autoridade nos governos, nas empresas, nas famílias. Tendemos a pensar que babacas no poder são uma anomalia, uma injustiça cósmica. Mas não. Babacas no poder são quase a regra. Um tipo específico de babaca, os medíocres, tende a ascender ao poder, porque são hábeis em evitar os conflitos e discordar. Às vezes, a meritocracia só reconstrói novas formas de babaquice na elite. Não adianta isolar os melhores e lhes dar poder, porque eles vão reconstruir a babaquice entre eles. Dito isso, precisamos pensar em como se darão nossas lutas quando os babacas estão no poder. Temos de pensar em estratégias para orientar nossos governos, empresas e famílias para o que achamos melhor. A luta política é mais eficaz quando sabemos que ela é a promoção das preferencias e não a busca por justiça cósmica. Política é negociação com babacas, com adversários, com gente de quem não gostamos e que não gosta de nós.

Existe uma definição filosófica da babaquice?
É difícil, porque todo mundo define a babaquice baseado em seu babaca pessoal. Em vez de procurar uma definição universal da babaquice, devemos olhar os babacas como espelhos de nós mesmos, deixar que eles apontem nossas feridas. Filosoficamente falando, a babaquice nunca é uma característica que encontramos em pessoas. Ela aparece nas interações, nas trocas interpessoais. O meu babaca pessoal não era um babaca o tempo todo. A babaquice emergia no convívio e seus efeitos eram imprevisíveis. Ao entendermos que a babaquice está na interação, podemos pensar em intervenções salvadoras.

Qual filósofo foi o mais babaca?
(Risos.) Eu não esperava essa pergunta. Preciso pensar… (Silêncio) . Pensando bem, não considero babacas nem mesmo os meus adversários filosóficos, de quem eu discordo profundamente. Pela seguinte razão: um filósofo, por mais inaceitáveis que sejam suas posições, é alguém que tenta formular e explicitar suas razões para defender ou propor esta ou aquela posição. Ele permite que você entre no mundo dele e abre as portas para a negociação, para a argumentação, para o debate. Mesmo quem não é profissional da filosofia deve confiar na capacidade dos outros de entender nossos argumentos e de argumentar também. A grande dificuldade com os babacas é que eles não aguentam nenhuma forma de argumentação. Mas, quando um babaca se torna filósofo, ele deixa de ser totalmente babaca porque se abre à discussão.

E quem são os seus adversários filosóficos?
Quando eu escrevia minha tese de doutorado sobre Espinosa, (Immanuel) Kant (filósofo prussiano) sempre aprecia nas notas de rodapé. Tanto que meu orientador me disse que eu devia ter um problema com Kant. Ele diagnosticou uma rejeição afetiva, instintiva, minha a Kant. Eu odiava Kant sem saber.

Confira 10 ótimos hábitos de estudo que vão melhorar bastante as suas notas

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Publicado no Amo Direito

Nós sabemos. Metade do ano já passou voando! Mas… Não custa nada aproveitar, e aquelas famosas promessas, para melhorar as notas, certo?

E quer melhor maneira de fazer isso do que melhorando seus hábitos de estudo? Nunca é tarde para desenvolver bons hábitos.

Melhore seu desempenho em sala de aula, assim como suas notas.

Veja essa lista com os 10 hábitos que vão melhorar as suas notas:

1 – Anote qualquer coisa
Faça listas com as tarefas que você precisa realizar, anote o que os professores estão dizendo em aula, as datas das provas e trabalhos, tudo. Não importa em que lugar você vai fazer isso, no seu caderno, celular, agenda… O importante é não perder nenhum detalhe.

2 – Lembre-se da lição de casa
Você já está cansado de ouvir, mas muitas vezes esquece o trabalho em cima da cama. Ou usa essa desculpa simplesmente porque não terminou suas tarefas. Reserve um lugar especial na sua casa para fazer e guardar os trabalhos e crie o hábito de colocar sempre suas tarefas lá.

3 – Se comunique com os professores
Todo relacionamento de sucesso é construído com base em comunicação. Isso não seria diferente na relação professor-aluno. E a falta de comunicação é uma das maiores causas de notas ruins. Por isso é importante se certificar de que todas as suas dúvidas estão resolvidas. Lembre-se de que o professor vai responder quantas vezes você precisar.

4 – Se organize com cores
Seja uma pessoa organizada, e aproveite as cores para identificar suas tarefas. Azul para o que você já fez, verde para o que você faz bem, vermelho para o que precisa melhorar. Esse sistema serve para tarefas, pesquisas, aulas… E seus cadernos nunca mais terão orelhas, dobras, etc. Além de mais organizados, seus estudos serão mais limpos.

5 – Estabeleça uma zona de estudos em casa
Esqueça essa história de estudar na cama ou no chão do quarto. Isso não te ajuda em nada. Estabeleça um local de estudos na sua casa, onde você possa se sentar e estudar. Um local bem iluminado, confortável e calmo é o ideal.

6 – Se prepare para os testes
Você sabe que é importante estudar para os dias de testes, mas nunca faz isso, certo? Se acostume a separar algumas horas do seu dia para dedicar ao estudo e assim você não precisará entrar em pânico um dia antes da prova. Evite distrações e encontre o melhor estilo para você.

7 – Conheça seu estilo de estudo
Não fique dando murros em ponta de faca tentando se encaixar em um estilo que te enjoa, cansa e dá dores de cabeça. Encontre a melhor maneira para estudar e siga sempre esse cronograma. Não se julgue por não estudar no modo convencional, ele pode não funcionar para você. Procure recursos visuais, como vídeos ou desenhos.

8 – Pegue o que é mais importante
Destaque no seu caderno as anotações mais importantes, use marca textos, grifos, caixas coloridas. Isso ajuda muito na hora de estudar, especialmente se você é uma pessoa visual. Usando esses recursos, fica mais fácil identificar as informações principais na página.

9 – Não procrastine
Pare de enrolar. Não coloque dificuldades na hora de estudos. Dedique-se ao que você tem que fazer e mantenha em mente que quanto antes você começar a estudar, mais cedo vai terminar o que precisa fazer.

10 – Cuide-se
Para estudar, é preciso estar com a cabeça em ordem. Então não descuide da sua saúde, coma bem e mantenha a cabeça e os pensamentos limpos. Evite passar muito tempo nos video games, computadores e mensagens de texto.

Fonte: noticias universia

“A escola está ultrapassada”

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O jornalista americano Paul Tough é autor do best-seller 'Como as crianças aprendem' (Paul Terefenko/Divulgação)

O jornalista americano Paul Tough é autor do best-seller ‘Como as crianças aprendem’ (Paul Terefenko/Divulgação)

Autor de best-seller americano explica por que desenvolver habilidades emocionais desde cedo é tão essencial para o sucesso na vida adulta

Luisa Bustamante, na Veja

Nas rodas de educação, muito se fala sobre habilidades socioemocionais, que fogem da cartilha do conteúdo propriamente dito, como colaboração, curiosidade e capacidade de resistir às adversidades. Às vezes, o debate é ainda etéreo; noutras, começa a ter feições mais claras, indicando caminhos de como desenvolvê-las. Em sua extensa pesquisa, o jornalista americano Paul Tough, 50 anos, autor do livro Como as Crianças Aprendem (Ed. Intrínseca), vai por esta linha mais objetiva e sem academiquês. Ele foi a escolas e entrevistou economistas, psicólogos e neurocientistas para entender a relevância de tais habilidades no competitivo século XXI. Em visita ao Rio de Janeiro, Tough falará sobre o tema neste sábado (1) em um encontro organizado pelo grupo educacional Eleva. A seguir, os principais trechos da entrevista que concedeu ao site de VEJA.

Seus livros enfatizam a importância das chamadas habilidades socioemocionais no desenvolvimento infantil. Elas podem ser ensinadas?
Sim, em casa e na escola. Um ensino de qualidade, voltado para este século, não deve mais se restringir àquele conjunto limitado de capacidades medidas em testes padronizados. O conhecimento continua, claro, a ser fundamental, mas os especialistas já têm clareza de que há este outro lado do aprendizado que é também determinante para o sucesso na vida. São habilidades que podem soar abstratas: garra, otimismo, curiosidade, trabalho em equipe, resiliência – é possível lapidar todas elas.

O senhor afirma que o melhor momento para as crianças aprenderem tais habilidades é na primeira infância, antes mesmo do primeiro dia de aula. Como os pais podem ajudá-las?
Primeiro, não fazendo com que os filhos se sintam sob pressão. Estudos recentes na área da neurociência mostram que, quando as crianças estão num ambiente altamente estressante, elas têm mais dificuldade de desenvolver essas características que mencionei. A boa notícia é que a melhor defesa contra o estresse infantil está justamente nos pais. A explicação é fisiológica. Se mantêm relação forte e calorosa com os filhos, essas crianças registrarão menores níveis do hormônio do estresse no organismo e estarão em condições melhores para aprender.

O que o senhor observa em comum entre as crianças com mais dificuldade de desenvolver habilidades socioemocionais?
Muitas crescem em um ambiente de adversidades, na extrema pobreza ou submetidas a abuso e negligência. São justamente essas que precisam de mais ajuda. Infelizmente, são também as que costumam receber educação de mais baixa qualidade. Elas precisam ser mais desafiadas. Quando isso ocorre, respondem de forma tão positiva quanto aquelas que vivem em situação mais favorável.

Quais habilidades o senhor considera mais importantes nos dias de hoje?
Sem dúvida, coloco no topo da lista a perseverança e a capacidade de lidar com os obstáculos. Elas são essenciais para a resolução de problemas, para um bom trabalho em equipe e para administrar a frustração diante do fracasso. Cabe aos adultos dar as ferramentas que as crianças precisam para aprender com os erros e se superarem.

Como desenvolver essas habilidades?
Gosto de alguns métodos adotados atualmente. Um deles é trocar a lição tradicional por projetos mais extensos. Em vez de o aluno decorar fórmulas e preencher fichas, ele é forçado a trabalhar em grupo, debruçado sobre vários assuntos e no longo prazo. Esse tipo de tarefa não estimula apenas a perseverança: incentiva também o que a ciência chama de inteligência elástica, capacidade que o aluno tem de se tornar cada vez mais inteligente.

O que mais a escola pode fazer?
Há um senso comum de que devemos dar tarefas fáceis para crianças que enfrentam dificuldades porque assim elas terão uma sensação de realização. Mas isso, na realidade, provoca o efeito contrário. Quando não as instigamos a concluir tarefas complexas, a mensagem é de que o professor não acredita em sua capacidade. Por outro lado, com trabalhos desafiadores e apoio adequado, elas não só aprendem matemática ou ciências como consolidam a autoestima, porque entendem que podem ser bem-sucedidas, que podem se superar. Cito em um de meus livros o trabalho de uma professora de um colégio no Brooklyn, em Nova York, que fazia críticas minuciosas e muito duras a alunos que praticavam xadrez. Assim os ajudou a analisar e a entender seus erros sem que se sentissem derrotados e a desenvolver autocontrole e motivação.

Que países estão fazendo a lição certa?
Ainda não encontrei um país que tenha um bom sistema para ensinar essas habilidades tão requeridas no século XXI. Vejo em muitos deles grupos de educadores atentos a essa questão, em um esforço para encontrar uma maneira de reformar as velhas escolas. Todo mundo se queixa da dificuldade para mudar o ensino. Há barreiras institucionais que precisam ser rompidas para que essa ideia seja disseminada.

Como medir o desenvolvimento de algo tão abstrato como garra ou curiosidade?
Essa medição ainda é um desafio e muitos pesquisadores sérios estão concentrados nisso. Qualquer pai ou professor é capaz de perceber quando um aluno está determinado. Se ele se esforça, está motivado e se envolve nas atividades propostas, é sinal de que a escola está no caminho certo.

Existe um relação entre habilidades emocionais e cognitivas?
Existe. O aluno que vai bem no lado socioemocional tende a se sair melhor nas provas.

A escola é uma instituição ultrapassada?
De modo geral, sim. Deveríamos preparar nossos jovens para carreiras que exigem um nível muito maior de criatividade, colaboração e flexibilidade do que as de trinta anos atrás. No passado, havia muitas profissões em que bastava o funcionário bater ponto, obedecer ordens e executar tarefas repetitivas. Hoje não funciona mais assim, mas as escolas não acompanharam as mudanças do mercado de trabalho.

Que escolas vêm fazendo um bom trabalho?
Gosto do trabalho da Expeditionary Learning Schools, uma rede de 150 escolas nos Estados Unidos. Um dos métodos que aplicam é chamado crew: consiste em formar grupos de dez a vinte alunos que são reunidos no primeiro dia de aula e que fazem encontros todas as manhãs — isso até o fim da carreira escolar. Esses estudantes desenvolvem senso de pertencimento e capacidade impressionante de produzir em equipe. Acho que esse modelo poderia ser replicado.

Como reconhecer uma boa escola?
São aquelas que, por meio de diferentes métodos, não importa, conseguem estimular os alunos a deixar a superfície e a fazer perguntas mais densas. O ensino baseado em projetos e na investigação são mais eficientes do que aquele que incentiva a memorizar fórmulas, como ainda é tão comum. Por serem curiosas, crianças são genuínos cientistas, mas a escola tira isso delas.

Professora de filosofia se disfarça de faxineira para dar lição a alunos

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Thiago Varella, no UOL

Os alunos de agronomia teriam a primeira aula de filosofia no dia 6 de junho, começo do semestre. A professora parecia atrasada naquele dia. Já se passavam 20 minutos do horário da aula e nada de a docente aparecer.

Alguns alunos ficaram bravos com o atraso: “Que demora é essa? Que professora irresponsável que não chega… Ela atrasa, mas a gente não pode chegar mais tarde”, disseram os alunos, segundo Edenise Guedes, 43, a professora que fez essa provocação com os alunos do Instituto Federal Sertão Pernambucano, na zona rural de Petrolina (PE).

Guedes puxou papo com os alunos. “Primeiramente, perguntei qual aula era aquela. Me responderam que era filosofia. Foi então que perguntei: o que é filosofia?”, diz. “Um dos alunos, que estava irritado, chegou a dizer que era uma coisa que inventaram para reprovar estudantes.”

Edenise Guedes, 43, professora de filosofia

“Só fui desmascarada quando a assessora de imprensa do instituto entrou na sala para tirar fotos a pedido da coordenação 20 minutos depois do começo da aula”, conta Guedes.

A ideia de Edenise era provocar os estudantes: “Aqui na instituição, a equipe de limpeza é maravilhosa, mas os alunos passam, esbarram e nem veem. Chamei a atenção para isso”, conta.

Mesmo após revelar sua verdadeira profissão e de começar a falar sobre filosofia, alguns alunos ainda duvidaram. No fim da aula, uma das estudantes chegou perto da professora e disse que era “estranho vê-la vestida daquele jeito”.

Lição

“Naquela aula, expliquei a dificuldade que eles tiveram de me identificar dentro da sala. Na filosofia, o importante é ler o mundo em sua volta e perguntar como você quer ser percebido. Como docentes, a gente tem a necessidade de fazer o outro pensar. O desafio é esse. Aristóteles dizia que a verdade é o mundo que está a sua volta”, disse a professora que é formada em história e que dá aulas no ensino superior desde 2010.

Segundo Guedes, além da discussão, sua dinâmica teve o objetivo de fazer os alunos se interessarem mais pela filosofia.

“Nas aulas, a gente trabalha os temas de ética. Quando eu me proponho e, trazer um tema para os alunos, tenho a preocupação de que eles se apaixonem pela disciplina. Quando isso acontece, a aula fica mais leve. Também tenho o objetivo de fazer um uso prático da filosofia. Para mim, todo mundo nasce filósofo. O bebezinho começa colocando a boca em tudo e depois faz pergunta de tudo. E de repente, a gente para de agir assim. Em sala de aula quero rever isso e fazer com que os alunos voltem a questionar tudo”, explicou.

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