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‘Ela é a minha inspiração para a vida’, conta mãe que escreveu livro sobre a filha com Síndrome de Down

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Cristiane Pinheiro escreveu livro sobra a filha Valentina (Foto: Tatane Borges)

Cristiane Pinheiro escreveu livro sobra a filha Valentina (Foto: Tatane Borges)

Ficção coloca pequena Valentina, de 9 anos, como personagem principal de uma aventura com fantasia e lições de vida.

Fernanda Rodrigues, no G1

Era uma vez uma Menina que entrou em um bosque secreto e mágico, onde árvores muito altas se fechavam em copa, o colorido das plantas dava conta que ali habitavam seres divinos e figuras místicas”. Logo nas primeiras linhas, o livro “A Bellinte” mostra um mundo diferente, habitado pela personagem principal da história. Valentina Pinheiro Rocha, de Passos (MG), tem só 9 anos, mas já virou estrela pelas mãos da mãe, Cristine Pinheiro, autora da obra.

A ideia de colocar a filha, portadora da Síndrome de Down, como personagem de uma história em um mundo fantástico veio após um ensaio fotográfico. Fã de fotos, a mãe encontrou em um dos ensaios a definição perfeita da filha. A menina foi vestida de roupas medievais, em um bosque, com cenário e poses que lembram o universo dos clássicos infantis.

Valentina, de 9 anos, é a personagem principal do livro escrito pela mãe em Passos (MG) (Foto: Tatane Borges)

Valentina, de 9 anos, é a personagem principal do livro escrito pela mãe em Passos (MG) (Foto: Tatane Borges)

Cada foto do ensaio ganhou uma pequena história, que foi postada nas redes sociais e atraiu muitos seguidores.

“As fotos da Valentina sempre me revelaram algo muito além da imagem captada. Uma fotógrafa conseguiu captar a essência dela. A ideia do livro surgiu após postagens dessas fotos do ensaio em redes sociais. Percebi que as pessoas começaram a seguir a história e esperavam pelas próximas. Com a sugestão de uma amiga, decidi começar o livro”.

Livro "A Bellinte" mostra a pequena Valentina, de 9 anos, em um mundo de fantasia (Foto: Tatane Borges)

Livro “A Bellinte” mostra a pequena Valentina, de 9 anos, em um mundo de fantasia (Foto: Tatane Borges)

No enredo, Valentina é uma menina escolhida para a missão de ajudar a salvar um lugar especial. Ao longo do caminho, a personagem passa por conflitos e encontra seres especiais, como uma coruja questionadora, um anão pessimista e um gigante bondoso.

“Valentina está na obra desde o início e passa por combates interiores, foi designada para uma missão. No decorrer da história ela passa por situações de dúvida, medo, reflexão, alívio, coragem, surpresa”, conta Cristiane.

Os desafios de criar Valetina vieram acompanhados de novas descobertas. Quando fala da filha, a mãe destaca tudo que a faz diferente e única.

Personagens como coruja, gigante e anão contam história ao lado de Valentina (Foto: Tatane Borges)

Personagens como coruja, gigante e anão contam história ao lado de Valentina (Foto: Tatane Borges)

“Ela é determinada e autêntica, sincera e decidida, sensível e atenta ao sofrimento alheio. Ela foi muito desejada, amada e abençoada. No momento em que a vi, minha conta com a vida zerou e renasci. Aliás, pra cada etapa cumprida, minha conta zerava novamente, renasci várias vezes. Hoje, vejo que ela me ensina a ensiná-la”.

Cristiane conta que escrever o livro ajudou a melhorar a percepção não só da filha, mas também de outras pessoas e da vida em sociedade.

Cristiane e a filha Valentina juntas em um ensaio fotográfico (Foto: Tatane Borges)

Cristiane e a filha Valentina juntas em um ensaio fotográfico (Foto: Tatane Borges)

Nas 77 páginas, a obra tem artes especiais, cores que lembram escritas antigas e os trechos acompanhados das fotos que mostram Valentina em cada uma das situações do mundo mágico. Nas redes sociais, mãe e filha colecionam elogios à obra, que é comparada a grandes histórias.

A vida de Valentina

Cristiane e o marido, Luiz Antonio Rocha, descobriram a Síndrome de Down no nascimento de Valentina. Com três meses, a família começou o trabalho de estimulação na Apae de Passos e, desde então, ela passa por fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia e equoterapia.

Com três anos, Valentina começou na escola regular e terapias particulares. Além da escola padrão, a menina tem aulas de reforço e faz atividades como natação, balé e música.

“Quanto à saúde, tem as mesmas preocupações de uma criança típica. Não apresentou nenhuma cardiopatia. Ama nadar, brincar com cavalos, jogos virtuais e bonecas”.

Mais do que apresentar um olhar diferente da vida de Valentina e das aventuras de uma criança com Síndrome de Down, Cristiane vê o livro escrito em homenagem à filha como uma forma de ensinar sobre a relação com os sentimentos bons e ruins.

A ideia é que a filha leia o livro no futuro. “Ela se dará conta de que não importa em que momento a historia se apresenta, as pessoas têm ideia errada de urgência. Penso que ela sempre encontrará o bem e o mal, mas terá discernimento para distinguir um do outro. São esses sentimentos que nos fortalecem”.

‘Harry Potter’: Como a saga criada por J.K. Rowling representa as dores do amadurecimento

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Gisele Hirata, no Brasil Post

Uma explicação nada mágica para o sucesso de Harry Potter: sua jornada em Hogwarts é uma representação das dores do amadurecimento.

Formação para a vida

Não por acaso, J.K. Rowling situou seu bestseller numa escola – a primeira e principal experiência social das crianças.

Hogwarts é um lugar de iniciação, pois oferece as ferramentas para que o jovem encare a crise adolescente: uma visão crítica dos adultos, uma relação ambígua com limites, a curiosidade de descobrir tudo que é segredo…

Uma família de mentira

A convocação para ir a Hogwarts explora uma fantasia comum da infância: o desejo de pertencer a outros pais ou a outra família.

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É a mesma razão pela qual meninas brincam de ser princesas, por exemplo. No caso de Harry, seus “pais adotivos”, os Dursley, são uma grande decepção. Já os pais legítimos, Tiago e Lilian, por terem morrido, são idealizados.

Você é o que quiser ser

A divisão das casas em Hogwarts simula o confronto entre vários modos de encarar a vida. Nos extremos, estão o “bem” (Grifinória) e o “mal” (Sonserina).

O Chapéu Seletor é carregado de significados: ele mostra que a escola ou a vida propõem as regras, mas, no final, tudo depende das escolhas de cada um (como fez Harry ao querer ir para Grifinória).

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O véu da morte

Testemunhar a morte de alguém próximo é considerada a experiência mais estressante e marcante na vida de uma pessoa. Quem sofre com o luto passa a enxergar o mundo com outros olhos – e essa dor pode até enlouquecer.

Nos livros, ela é representada pelos Testrálios, seres horríveis que Harry só passa a ver após a morte de Cedrico.

A herança do mal

Nas relações construídas por J.K. Rowling, Harry tem ainda outras figuras paternas. Uma delas é Voldemort. Parte dele está no bruxinho – representando a maldade que todos temos e precisamos combater.

Ele é um pai ditador, que impõe mais medo do que respeito em seus filhos, os Comensais da Morte. Já Minerva e Dumbledore criam Harry de maneira livre, permitindo que erre e aprenda.

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Luz e trevas

Os Dementadores personificam a depressão. Eles extraem de suas vítimas as lembranças felizes. Assim como a doença, eles não “causam” tristeza: apenas criam um clima ruim que nos reduz ao nosso pior estado.

Já o Patrono é a herança de carinho deixada pelos pais para que possamos cuidar de nós mesmos. É a memória de ser amado, que traz segurança

Heroísmo silencioso

O professor Snape, que começa como opositor de Harry mas (mais…)

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