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Posts tagged Língua Portuguesa

Mia Couto é um dos finalistas do prêmio Man Booker International Prize

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Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS

Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS

Autor moçambicano é o primeiro em língua portuguesa a figurar na lista

Publicado no Zero Hora

O escritor moçambicano Mia Couto é o primeiro autor em língua portuguesa a figurar em uma lista de finalistas para o Man Booker International Prize, prêmio concedido a cada dois anos a um autor de qualquer idioma.

Couto aparece ao lado de outros nove escritores: César Aira (Argentina), Hoda Barakat (Líbano), Maryse Condé (Guadalupe), Amitav Ghosh (Índia), Fanny Howe (EUA), Ibrahim al-Koni (Líbia), László Krasznahorkai (Hungria), Alain Mabanckou (República do Congo) e Marlene van Niekerk (àfrica do Sul).

O vencedor vai ser anunciado no dia 19 de maio, em Londres, e ganhará um prêmio de 60 mil libras, cerca de R$ 282 mil. Lydia Davis, Philip Roth e Alice Munro já receberam a honraria.

Um dos principais escritores em língua portuguesa, Mia Couto nasceu em 1955, na Beira, Moçambique. É biólogo, jornalista e autor de mais de trinta livros, entre prosa e poesia. Seu romance Terra Sonâmbula é considerado um dos dez melhores livros africanos do século 20. Recebeu uma série de prêmios literários, entre eles o Prêmio Camões de 2013, o mais prestigioso da língua portuguesa, e o Neustadt Prize de 2014. É membro correspondente da Academia Brasileira de Letras.

Pichação do bem: estudante corrige erro em letreiro de cidade no DF

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Edgard Matsuki, no UOL

Incomodada com o erro ortográfico do letreiro que fica na entrada da cidade-satélite do Guará (a 20km de Brasília), a estudante de gestão em Recursos Humanos Rayane Sousa, 25, resolveu fazer um protesto inusitado na noite de 4 de fevereiro. Enquanto a maioria dos moradores da cidade descansava, ela juntou um pedaço de meio-fio quebrado e colocou um acento na letra “A” do nome da cidade.

Guará é uma palavra oxítona, cuja sílaba tônica é a última e, por isso, precisa ser acentuada. Reveja as regras aqui.

Rayane, que também apagou um pedaço da letra “U” que estava “sobrando” no letreiro, diz que a ideia estava em mente desde quando ele foi inaugurado, no final de dezembro do ano passado: “Minha mãe é professora e a gente sempre falava que as crianças iam acabar aprendendo o nome da cidade de forma errada. Eu dei a ideia de corrigir e ela me apoiou”.

Com a benção da família, foi armada uma “operação de guerra” para fazer a correção. “Primeiro, pedi tinta para o meu pai, que é pintor. Aí saímos às ruas para achar um pedaço de pedra para fazer o acento. Achamos um meio-fio quebrado próximo a uma escola. Meu irmão fez a pintura no “U” que estava errado e pintou o acento na pedra. Aí só me restou assinar”. Ela deixou e a mensagem “Agora tem acento. By: Rayane”.

A parte final da operação era tirar uma foto e postar em redes sociais. A história, é claro, acabou viralizando. O jornalista Amarildo Castro, que tem um blog local, fez uma sessão de fotos com a estudante. “É uma moça bonita e fez uma ação legal. É claro que fez sucesso. No Facebook, tivemos um alcance de 200 mil pessoas com a postagem”, conta o jornalista.

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Correção definitiva?

Mesmo com toda a repercussão da história, Rayane não quer a sua obra fique para a posteridade. “O Guará é uma cidade bonita e que não merece improvisos. O que eu fiz foi só um protesto e acho que foi um bem para a sociedade. Mas o que eu quero é que a administração da cidade crie vergonha e corrija o erro”, diz.

Procurada pela reportagem do UOL, a administração do Guará apontou que o projeto do portal da cidade foi feito na administração anterior e será todo revisto. “Caso o projeto de instalação esteja em conformidade, os erros serão corrigidos”, diz o administrador Edberto Silva, que está há cinco dias no cargo.

Com mala vermelha e livros, professora usa tempo para formar leitores em Campo Grande (MS)

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Tânia prepara o local embaixo de um enorme pé de figueira. (Foto: Marcelo Calazans)

Tânia prepara o local embaixo de um enorme pé de figueira. (Foto: Marcelo Calazans)

Publicado no Campo Grande News

Nas mãos, uma mala vermelha lotada de livros. No coração, uma vontade imensa de fazer o povo se interessar pela leitura. Com o material e a boa intenção, a professora de Língua Portuguesa Tânia Gauto, de 40 anos, sai de casa, todo domingo à tarde, para ler e fazer leitores em uma praça do bairro Panamá, que abrange o Santo Amaro, em Campo Grande.

Ela chega, vai para debaixo de uma figueira enorme, abre a mala, espalha tecidos pelo chão, organiza os livros, faz um varal com alguns deles e, tranquila, senta e começa a ler. A cena chama atenção.

Quem vê de longe geralmente se aproxima para saber do que se trata. Quem já conhece a proposta e gosta, se junta a ela e mergulha nas crônicas e contos. Mas isso acontece agora. O início, há três anos, foi bem difícil.

“Teve gente que só foi falar comigo depois de uns dois, três meses. Mas o trabalho é esse, o de construir um leitor, de envolver. É demorado. Não é de uma hora para outra”, explica.

Hoje, a professora tem um público cativo e de todas as idades. “Tem crianças que vão para lá e não querem mais ir embora. Já cheguei a sair às 20h da noite porque tinha uma menina que não queria ir de jeito nenhum. […], comenta.

Por um tempo ela teve, também, a presença garantida de “Saudade”. “É um rapaz que morava próximo. Todos os domingos estava comigo. Trocamos livros algumas vezes”, lembra. Saudade mudou de bairro, mas há outros garotos que, assim, como ele, aparecem na praça aos domingos.

Tânia diz que, desde que começou a frequentar o espaço, notou uma mudança de comportamento. “A praça era ocupada por pessoas que iam lá para fumar. Depois que comecei com o projeto, eles migraram para outros lugares”, afirma.

Professora e os leitores de domingo. (Foto: Marcelo Calazans)

Professora e os leitores de domingo. (Foto: Marcelo Calazans)

Inspiração – O projeto que tem promovido essa transformação social e trazido novos ares ao bairro e aos moradores chama-se “Leitores ao Vento”. A inspiração surgiu durante uma viagem para Maringá (PR).

“Foi em uma semana cultural no Sesc. Eu saí para dar uma volta e, em um gramado em frente, vi um varal de livros, com tecidos e pufs no chão. Fui perguntar o que eles faziam e disseram que era um projeto chamado Leitores ao Vento. Quando cheguei em casa, peguei a mala que tinha usado para viajar e comecei a separar os livros da minha biblioteca, que não é grande”, conta.

A ideia demorou para pegar por aqui, mas deu certo. A praça e os novos leitores tem sido uma surpresa para a professora, que já descreveu a experiência em uma crônica:

“Nas tardes que passo com os leitores ao vento, as vezes acabo pegando um pedaço de papel e rabisco algumas coisas que me instigam. Um sorriso que encontra um olhar do outro lado da praça.

A janela entreaberta na casa vizinha e que deixa escapar um Blues aconchegante para os ouvidos. Os galhos de uma árvore vistos de baixo como que mostrando os fundilhos para quem se refestela em sua sombra. O sorriso de um leitor, pequenos detalhes da tarde que me fazem feliz de repente”.

No texto (que pode ser lido aqui), ela também fala de uma pequena leitora de 6 anos. Curiosa, a menina se aproximou para perguntar como se fazia poesia.

Com o projeto, Tânia tem conquistado novos horizontes. Ela já conseguiu espaço em um sarau e, agora, está trabalhando para montar uma biblioteca dentro de uma escola de samba, a Catedráticos.

A pátria que deseduca

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A língua portuguesa é achincalhada por presidentes, governadores – e a população em geral

educa_o2Ruth de Aquino, na Época

A quem interessa um povo que não sabe raciocinar, não sabe ler, não sabe escrever, não sabe argumentar? A ninguém, apenas a ditadores. Por isso, até em benefício próprio, para marcar seu nome na História, a presidente Dilma Rousseff escolheu um slogan apropriado para seu segundo mandato: “Brasil, pátria educadora”. Ela ainda não sabia que o resultado do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) de 2014 mostraria o fracasso de seu primeiro mandato na Educação, quando teve três ministros na Pasta. Mais de meio milhão de jovens tirou nota zero na redação – cuja nota máxima era 1.000.

A palavra para definir a nota zero da redação, nessa escala, é “catástrofe”. De 2013 para 2014, o número de zeros na dissertação do Enem quase quintuplicou. Não relativizem o resultado. Uns dizem que o tema “ética na publicidade infantil” era difícil. Outros, que os corretores foram rigorosos demais. Ainda há os que não acham importante uma dissertação no Enem. O ministro da Educação, Cid Gomes, minimiza a queda nas notas de português e matemática: “O que é importante é a média. Na média, menos 1% está na margem de erro”. A média é um recurso medíocre para justificar o injustificável. Quando viu o resultado pior dos alunos de escolas estaduais, Cid Gomes admitiu: “Não dá para fugir, camuflar ou tentar dizer que o ensino público é bom. O ensino público brasileiro está muito aquém do desejável”.

O vexame não surpreende a quem vive da palavra escrita e oral. A língua portuguesa é achincalhada por nossos presidentes, ministros, governadores, senadores, deputados, executivos, empresários e, claro, pela população em geral. Ortografia, concordância e regência verbal erradas, vocabulário pobre e ausência de um pensamento coerente. Não é preciso ir à Europa para encontrar povos que se expressam direito em sua língua materna. Basta ir à Argentina. Com toda a crise de nossos hermanos e a decadência de suas universidades, ali está um povo articulado, que sabe ler e escrever, e tem um raciocínio com começo, meio e fim. Não há analfabetos funcionais concluindo o ensino médio.

O que aconteceu no Enem de 2014? Ao todo, 8,7 milhões de alunos da última série do ensino médio inscreveram-se no concurso. Mas só 6,2 milhões apareceram no exame. A nota máxima de cada prova é 1.000. Só 250 tiraram a nota máxima na redação e 529.374 alunos tiraram zero. Desses, 280.903 entregaram a prova em branco porque não faziam a menor ideia de nada. Dos outros zeros, 217.300 fugiram do tema (talvez inspirados em nossos políticos, que fazem o mesmo nos debates), 13 mil copiaram o texto motivador, 7.800 escreveram menos de sete linhas, 3.300 incluíram textos desconectados, 955 ofenderam os direitos humanos. A média em matemática também ficou abaixo da metade, 476,6 pontos. No meu tempo, abaixo de 5 significava reprovação. Mas “reprovação” virou tabu na pátria do PT, desde Lula, que nunca achou grande coisa saber português ou gostar de ler.

Em artigo para o jornal O Globo, a filósofa Tânia Zagury diz: “Só de ouvir falar em reforma na educação, eu me arrepio”. Após mais de 40 anos de trabalho na área, ela afirma que cada programa reativa o que foi banido, joga no lixo as cartilhas, abandona boas ideias, mas mantém algo sempre: a queda da qualidade no ensino. A última “revolução” foi a “progressão continuada”, o que, traduzindo em bom português, significa aprovação automática. Para “camuflar” a repetência no 1o ano e evitar evasão escolar. A repetência aumentou no 6o ano, quando acabava a aprovação automática. O que foi feito para resolver “o probrema”? Os professores são pressionados a não reprovar. “Teria sido lindo aprovar todo mundo se não tivesse sido à custa do saber”, diz Tânia. Todos se formam, ficam felizes, o governo de Dilma ainda mais porque exibe estatísticas infladas. E não se aprofunda nenhum conhecimento.

Esse não é um destino inescapável. Slogans e discursos não bastam para educar crianças e jovens. Menos roubo e desvios na verba para escolas, uma gestão responsável e focada no ensino fundamental, base de tudo, a valorização do professor em salário e autoridade e maior participação da família. A receita é conhecida. O Brasil só não a adotará se houver a intenção oficial de tirar proveito de um povo sem instrução. Escolas não são fábricas. Dói imaginar que o objetivo seja formar cidadãos que não pensem, não leiam, não escrevam, não critiquem. Uma triste linha de montagem destinada a ser manipulada.

O resultado da falta de educação é, além do subemprego, essa multidão de menores carentes que depredam ônibus, assaltam e matam, rindo, sem dar valor ao patrimônio e à vida. Por enquanto, o Brasil é uma pátria que deseduca.

Cecília Meireles é homenageada em Doodle do Google

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Thiago Barros, no TechTudo

Cecília Meireles recebeu uma homenagem do Doodle nesta sexta-feira (7). A imagem comemora o 113º aniversário da escritora carioca. Cecília foi poetisa, pintora, professora e jornalista brasileira, além de ter sido considerada uma das vozes líricas mais importantes da língua portuguesa. A imagem do Doodle mostra Cecilia escrevendo sob a luz do luar.

113º aniversário de Cecília Meireles é comemorado com Doodle (Foto: Reprodução/Google)

113º aniversário de Cecília Meireles é comemorado com Doodle (Foto: Reprodução/Google)

Autora de obras consagradas, como “Ou isto ou aquilo” e “Romanceiro da Inconfidência”, Cecília Benevides de Carvalho Meireles nasceu em 7 de novembro de 1901, no bairro da Tijuca. Filha dos portugueses Carlos Alberto de Carvalho Meireles, funcionário do Banco do Brasil, e Matilde Benevides Meireles, professora, a escritora carioca ficou órfã muito cedo. Seu pai faleceu três meses antes de seu nascimento, e sua mãe quando ela tinha só três anos de idade. Por isso, foi criada pela avó, Jacinta Garcia Benevides.

Casada duas vezes, em 1922 com o pintor português Fernando Correia Dias, que veio a se suicidar em 1935, e em 1940 com o professor e engenheiro agrônomo Heitor Vinicius da Silveira Grilo, Cecília teve três filhas: Maria Elvira, Maria Mathilde e Maria Fernanda, além de cinco netos. Faleceu aos 63 anos, de câncer, em 9 de novembro de 1964.

Talento de infância

Seu talento para a escrita vem da infância. Aos nove anos, começou a escrever poesia. Completou o curso primário em 1910 recebendo uma medalha de ouro por “distinção e louvor”. Em 1917, com apenas 16 anos, formou-se no Curso Normal do Instituto de Educação do Rio de Janeiro e passou a exercer o magistério no estado do Rio de Janeiro.

Cecília é uma das maiores poetisas da história do Brasil (Foto: Reprodução/Ibamendes)

Cecília é uma das maiores poetisas da história do Brasil (Foto: Reprodução/Ibamendes)

Aos 18, publicou o seu primeiro livro de sonetos, Espectros. E logo fez sucesso por ser uma escritora atemporal. Ou seja, tinha a influência do Modernismo da sua época, mas apresentava também técnicas do Simbolismo, Classicismo, Gongorismo, Romantismo, Panasianismo, Realismo e Surrealismo. Depois, vieram, em 1923, “Nunca mais… e Poema dos Poemas” e “Baladas para El-Rei”, em 1925.

Entre aulas e poemas, Cecília ainda arrumou tempo para trabalhar como jornalista, de 1930 a 1931, no Diário de Notícias, com uma página diária sobre educação. Em 1934, organizou a primeira biblioteca infantil do Rio de Janeiro, em Botafogo. De 1935 a 1938, virou professora universitária na antiga Universidade do Distrito Federal, hoje UFRJ. No mesmo período, colaborou ativamente no jornal A Manhã e na revista Observador Econômico.

Mas foi em 1939, quando lançou “Viagem”, que ganhou ainda mais reconhecimento. Recebeu o Prêmio de Poesia Olavo Bilac, pela Academia Brasileira de Letras. Nos anos seguintes, fez diversas viagens pelo mundo, fazendo conferências sobre Literatura, Educação e Folclore. Na década de 40, lançou seis publicações. Já nos anos 1950, foram 15, incluindo o clássico “Romanceiro da Inconfidência”.

No entanto, seu legado é eterno na literatura brasileira. Prova disso é que não faltaram homenagens a ela. Em 1964 mesmo, ganhou o Prêmio Jabuti, concedido pela Câmara Brasileira do Livro. No ano seguinte, recebeu o Prêmio Machado de Assis, concedido pela Academia Brasileira de Letras. Em 1989, uma cédula de cruzados novos com a sua efígie foi feita em sua homenagem.

Nota com homenagem à poetisa foi lançada em 1989 (Foto: Reprodução/Instituto Cecília Meireles)

Nota com homenagem à poetisa foi lançada em 1989 (Foto: Reprodução/Instituto Cecília Meireles)

Legado internacional

Seu reconhecimento é internacional. Cecília é Sócia honorária do Real Gabinete Português de Leitura, Sócia honorária do Instituto Vasco da Gama (Goa), Doutora “honoris causa” pela Universidade de Delhi (Índia) e Oficial da Ordem do Mérito (Chile). Na cidade chilena de Valparaíso, tem até uma biblioteca com seu nome. Em Portugal, nos Açores e em Lisboa, há ruas com seu nome.

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