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Autor de “O Segredo dos Seus Olhos” vai falar de futebol e cinema na Bienal do Rio

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Publicado no Boa Informação

Capa do livro “O Segredo dos Seus Olhos”, do argentino Eduardo Sacheri

Capa do livro “O Segredo dos Seus Olhos”, do argentino Eduardo Sacheri

Vencedor do Oscar 2010 de melhor filme estrangeiro, “O Segredo dos Seus Olhos” (2009), estrelado por Ricardo Darín e dirigido por Juan José Campanella, é uma adaptação do livro “La Pregunta de Sus Ojos” (2005), escrito por Eduardo Sacheri. E foi o longa também que passou a servir como uma locomotiva para puxar toda a obra do autor argentino. “Fez muito sucesso na Argentina e me deu grande visibilidade em todo o país. O cinema tem uma massividade enorme se comparado aos livros. Depois que ganhou o Oscar, veio outro grande impacto, e dessa vez fora da Argentina”, disse Sacheri ao UOL.

Se o escritor passou a ser conhecido sobretudo por conta dessa adaptação, a presença do futebol, por outro lado, é constante em sua produção. Tanto que no dia 11 de setembro ele estará na 17ª Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro como convidado da delegação argentina –país homenageado desta edição do evento– para conversar sobre o esporte com os escritores Claudia Piñeiro, Eduardo Moutinho e Flávio Izhaki na mesa “As Pátrias de Chuteiras: Literatura e Futebol”. Antes disso, Sacheri participa nesta quarta-feira (9) de outro papo, sobre cinema e literatura.

“O futebol é muito importante tanto na minha obra quanto na minha vida. É meu jogo favorito, como de quase todos argentinos, e que me permite estabelecer um vínculo com coisas mais importantes. Eu gosto de jogar, assistir, seguir o meu time. Fazia isso com meu pai, agora faço com meus filhos. O futebol em si é só um jogo, mas possibilita que eu ascenda a coisas muito mais profundas e definitivas”, afirma Sacheri.

Essas ascensões estão presentes em seus romances e livros de contos, como “Esperándolo a Tito”, “Te Conozco, Mendizábal”, “Lo Raro Empezó Después”, “Un Viejo que se Pone de Pie”, “Los Dueños del Mundo” e “Papeles em el Viento”. Outro, intitulado “La Vida que Pensamos”, é dedicado ao seu clube de coração, o Independiente, maior vencedor de Libertadores da América com sete títulos, mas que vive um momento de poucas glórias.

Sacheri afirma que gosta muito de ver a seleção brasileira jogar, mas que não assisti a muitos jogos de times brasileiros porque os campeonatos não são transmitidos na Argentina, mas revela seu carinho pelo Grêmio. “Ganhamos nossa última Libertadores em cima deles, que tinham uma grande equipe. Essa é uma boa lembrança”, justifica, evocando a final de 1984.

Cansado de fanatismo

O argentino recorda que, quando esteve no Brasil em outras ocasiões, muitos leitores pediam autógrafos em versões em espanhol de seus livros de contos sobre futebol. E diz que acha uma pena essas obras não estarem editadas em português –por aqui, há traduções apenas de “O Segredo dos Seus Olhos” e o infantil “Um Time Show de Bola”, que também virou filme nas mãos de Campanella. “Lamento porque parece que há um universo cultural compatível com o que o esporte significa para nós”, diz ele, que tem trabalhos vertidos para mais de 20 idiomas.

Por outro lado, admite que conhece pouco da literatura brasileira contemporânea. “O que falei dos times daí poderia também falar da literatura. Não sei se é por conta da barreira idiomática, mas é praticamente impossível encontrar livros de novos autores brasileiros traduzidos para o espanhol. E parece que as pessoas que têm o espanhol como idioma natal sentem muito mais dificuldade de compreender o português do que o contrário”.

Sacheri diz que, caso tivesse mais acesso a nossos autores, pudesse levá-los para o rádio. É que o escritor tem uma coluna no programa “Perro de la Calle”, bastante conhecido na Argentina, na qual compartilha suas impressões sobre o que anda lendo com os ouvintes. Formado em história, ele também leciona a matéria duas vezes por semana para alunos entre 15 e 17 anos, atividade que diz servir, sobretudo, para que se “enriqueça como pessoa”.

É esse enriquecimento, ao seu ver, que falta a muita gente. Em sua descrição no Twitter, Sacheri diz estar “cansado dos fanáticos”. Ao explicar a frase citando seus compatriotas, parece atingir o universal tão almejado por escritores. “Isso tem mais a ver com o mundo da política na Argentina, mas também poderia ser aplicado ao futebol. Nasce da falta de habilidade aqui para viver sem nos agredirmos. Os fanáticos me atormentam porque são pessoas muito agressivas, incapazes de ver a humanidade do outro”.

Fonte: Bol.com.br

7 Contos fundamentais para conhecer a obra de Borges

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Vilto Reis, no Homo Literatus

Obras de fácil acesso que levam você a entrar no universo do escritor argentino Jorge Luis Borges

borges

Um dos mais importantes escritores do século XX, Borges preferiu escrever ensaios, poesias e contos a dedicar-se a um romance. Como diz em O Aleph “Desvario laborioso e empobrecedor o de compor vastos livros; o de explanar em quinhentas páginas uma ideia cuja exposição oral cabe em poucos minutos.” Em outra oportunidade, sendo entrevistado por Osvaldo Ferrari, quando o jornalista elogiou o uso conciso das palavras nas narrativas do escritor, Borges respondeu que àquilo que alguns chamam de concisão também pode ser entendido como preguiça.

Antes de citar os contos da lista, gostaria ainda de esboçar uma classificação dos contos produzidos pelo argentino em três categorias: 1) Regionalista: obras que apontam para uma Buenos Aires dos fins do século XIX, tempo que precede o próprio Borges, de um tempo em que o tango ainda pertencia as classes baixas, e os cuchilleros trocavam facadas em Palermo; 2) Crítico-Literária: em que o autor cria uma história na qual um crítico, fictício, analisa outro escritor também inventado, ou de livros que falam sobre outros livros; 3) Universal: procura abarcar questões de interesse filosófico, sobre o tempo, deus e o universo.

Jorge Luis Borges

Mas vamos aos contos indicados:

O Imortal¹: relata a história de um general romano que sai a procura da imortalidade; fato que o autor aprofunda em suas reflexões filosóficas, como pode ser conferido neste trecho: “Ser imortal é insignificante; com exceção do homem, todas as criaturas o são, pois ignoram a morte; o divino, o terrível, o incompreensível é saber-se imortal”. No entanto, ao deparar-se com sua busca, toda a sua vida é alterada, não bem como ele imaginava.

O jardim dos caminhos que se bifurcam²: uma das mais importantes narrativas do autor no que se refere a falar de uma de suas metáforas preferidas: o labirinto. O protagonista do conto está sendo perseguido e foge para o lugar onde viveu seu descendente, um rei que disse que se ausentaria do mundo para construir um labirinto e escrever um livro. Contudo, o que o leitor não perde por esperar é a relação dessa história com a do próprio protagonista.

A biblioteca de Babel²: o autor fala do mundo como se este fosse uma biblioteca, tendo um dos mais impressionantes começos literários da história da literatura: “O universo (que outros chamam a Biblioteca) constitui-se de um número indefinido, e quiçá infinito, de galerias hexagonais, com vastos postos de ventilação no centro, cercados por varandas baixíssimas.”

O outro³: tema de muitas histórias literárias, a representação o duplo, do personagem que se repete, não poderia se ausentar da obra do escritor argentino. Mais do que isso, ele escolheu a si mesmo para representar nessa pequena peça narrativa que impressiona. Em um banco de uma praça, o ancião Borges encontra o jovem Borges e os dois têm um diálogo que abarca a criação literária e a vida, posto que ambas não se podem entender separadas.

À memória de Shakespeare: o protagonista desse conto encontra alguém que se diz ser portador da memória do bardo inglês. Fazem um trato, de forma que a memória possa ser passada. No entanto, as coisas não saem exatamente como o personagem narrador dessa história esperava, o que acaba sendo um exercício de reflexão sobre a memória e a criatividade.
O Aleph¹: neste conto, temos novamente Borges lidando com o tema da universalidade, pois um episódio nos leva a este ponto, lugar, ou seja lá como posso ser chamado, em que se pode enxergar todo o universo. Uma história bastante enigmática.

Os Teólogos¹: dois teólogos, Aureliano e João de Panonia, digladiam-se em suas discussões religiosas, o que Borges vai tratando com um humor que pouco aparece em outros contos; por exemplo, no trecho: “Discutiu com os homens de cuja sentença dependia a sua sorte e cometeu a grosseria máxima de fazê-lo com talento e com ironia” ( pg. 32). A discussão leva um deles à fogueira, mas eles ainda se encontrarão na eternidade, culminando em um final inesperado.
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Se quiser saber mais sobre Borges: Marcos Peres indica Jorge Luis Borges


1. Este conto encontra-se no livro O Aleph.
2. Este conto encontra-se no livro Ficções.
3. Este conto encontra-se em O livro da areia.
4. Este conto encontra-se no livro Nove ensaios dantescos & a memória de Shakespeare.

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