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Um milhão de exemplares infantojuvenis deixaram de ser publicados em 2017

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Pétala Lopes/Folhapress

Bruno Molinero, no Era Outra Vez

Quando comparamos a publicação de literatura infantil e juvenil em 2016 e em 2017, mais de um milhão de exemplares deixaram de chegar às livrarias e a outros pontos de venda.

Os números vieram a público nesta quarta-feira (2), com a última edição da pesquisa “Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro”.

O levantamento, encomendado pela CBL (Câmara Brasileira do Livro) e pelo Snel (Sindicato Nacional dos Editores de Livros), mostra que em 2017 foram produzidos cerca de 16 milhões de exemplares de literatura infantil. Entre os juvenis, foram 9,7 milhões.

Já no ano passado os números foram 16,6 milhões (crianças) e 10,2 milhões (adolescentes). Uma redução de quase 1,2 milhão.

A queda está inserida em uma retração geral do mercado de livros no país. Em 2017, foram lançados por volta de 393 milhões exemplares no geral –contra 427 milhões em 2016. Ao todo, o setor sofreu uma retração de 1,9% no faturamento, em valores nominais. Descontada a inflação, a queda chega a 4,8%. É o quarto ano seguido de movimento negativo, com faturamento de R$ 5,1 bilhões.

Mesmo assim, como mostrou a reportagem de Mauricio Meireles na Ilustrada, o setor espera reverter o cenário neste ano. “O que temos visto agora em 2018 é que os dados vão melhorar. Tivemos um primeiro trimestre bastante favorável”, afirmou Marcos Pereira, presidente do Snel e diretor da Sextante.

Curiosamente, como o cenário geral é ruim, a participação da literatura infantojuvenil frente ao mercado obteve uma leve melhorada. Os livros para crianças representaram no ano 4,07% do total de publicações. Os juvenis chegaram a 2,46%. Em 2016, esses números eram de 3,89% e de 2,39%, respectivamente.

Toda essa numeralha pode ser resumida em uma frase: o mar não está para peixe para as editoras que se dedicam a publicar literatura infantojuvenil. Sobretudo porque esses títulos ainda têm vendas muito dependentes do governo –o que anda cada vez mais raro. Juntos, programas de compras governamentais apresentaram, em 2017, queda nominal de 13% em faturamento e de 15% em exemplares comprados.

 

Na Suécia, escritora brasileira cria biblioteca infantil no jardim de casa

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A escritora carioca Ilana Eleá criar uma biblioteca infantil no jardim de casa, em Estocolmo Claudia Wallin

A escritora carioca Ilana Eleá criar uma biblioteca infantil no jardim de casa, em Estocolmo Claudia Wallin

Publicado na RFI

A poeta e escritora carioca Ilana Eleá transformou a dor de uma depressão na Suécia em um sonho literário: criar uma biblioteca infantil no jardim de casa, em Estocolmo, e transformar o quintal em um espaço literário para promover a leitura de livros entre crianças suecas e brasileiras.

O cenário é quase uma poesia concreta. A biblioteca de Ilana funciona em uma pequena réplica em madeira de uma idílica casa sueca dos anos 20. À sua volta, crianças e pais folheiam livros e fazem performances e leituras em voz alta. No jardim de mil metros quadrados, Ilana espalha mesas cheias de livros e bolos, e uma fogueira espanta o frio nos dias gelados do inverno.

“A proposta da biblioteca é oferecer um espaço de convivência literária aqui no bairro. Temos atividades semanais, e nosso acervo é diversificado. Mas o enfoque é claro: livros de literatura infantil que tenham uma linguagem poética, que sejam ricos em metáforas, belamente ilustrados. E livros que abordem questões existencialistas, porque perguntas sobre a existência são fundamentais.

Quando a crise vira uma oportunidade

A ideia nasceu de uma crise pessoal. Com doutorado em Educação pela PUC do Rio de Janeiro, Ilana dava aulas na universidade quando conheceu o marido sueco, Johan Averstedt, em um site de relacionamentos. Em 2011, ela desembarcou na Suécia. Foram tempos difíceis: era difícil aprender a língua sueca, era difícil se adaptar à nova cultura e aos dias escuros do rigoroso inverno nórdico.

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Dois anos mais tarde, Ilana chegou a conseguir trabalho como pesquisadora da Universidade de Gotemburgo. Mas a depressão se acentuou. E só foi superada, segundo ela, graças ao sistema sueco de apoio aos trabalhadores.

“A Suécia me salvou”, diz Ilana. “O sistema de previdência sueco me ofereceu um mês de licença para ficar em casa, com salário pago, e a prescrição médica foi muito simples: fazer longas caminhadas, e apenas coisas que eu gostasse de fazer. Fiz as longas caminhadas, li muito, fui a eventos literários. E meu coração indicou que era isso que eu tinha que fazer: mudar a direção, mudar de área e trabalhar com literatura. Começar do zero. Quando eu voltei um mês depois, muito constrangida por ter que dizer que eu pediria demissão, depois de todo o tempo que investiram no meu tratamento, a médica na verdade me parabenizou. E disse, ‘vai ser apenas uma questão de tempo para que você seja novamente produtiva para a Suécia, e como uma cidadã feliz, que é o que queremos’”, conta Ilana.

Café com bolo e livros

Mãe de Dante, de cinco anos, e Liv, de dois anos de idade, Ilana transformou a sua trajetória no livro “Ela foi para a Suécia”, com lançamento no Brasil previsto para fevereiro. E se dedicou a plantar no jardim de casa a biblioteca infantil, que acabou virando mais uma poesia de Ilana:

“Uma biblioteca para o bairro nasce em jardim de casa, pintada de amarelo, com telhado de tijolo, e livros e gentes e fogueiras e cantos e poesias e bolos de histórias, ilustrando as tardes das crianças e suas famílias. Páginas são sementes para um peito leitor. Esse que bate, esse que nasce em voz alta ou sussurada, quando a lâmpada deita com a noite. Livros semeiam quintais com literatura. Essas árvores, essas casas acesas, somos nós”, ela recita.

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Todas as quartas-feiras, Ilana abre as portas da biblioteca para pais e crianças a partir de dois anos de idade. Às quatro e meia da tarde, os bolos que Ilana faz começam a sair do forno. É a hora do que os suecos chamam de “fika” – a pausa para o café. Em seguida, começam as leituras de livros em voz alta, e as performances de música realizadas pelas crianças ou pelos pais.

Inaugurada em setembro, a biblioteca tem um acervo de cerca de 200 livros – que aumenta a cada dia, com as doações de livros que vão chegando. O plano de Ilana é expandir as atividades da biblioteca, que já começa a receber a visita de turmas de escolas locais, e criar um acervo de obras infantis brasileiras. A primeira doação já está a caminho: um lote de 50 livros doados a Ilana pela Biblioteca Pública do Paraná.

 

Biblioteca Nacional dá R$ 30 mil a vencedores de prêmio literário

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A presidente da Biblioteca Nacional, Helena Severo: poesia foi a categoria com mais inscrições - Fernando Lemos / Agência O Globo

A presidente da Biblioteca Nacional, Helena Severo: poesia foi a categoria com mais inscrições – Fernando Lemos / Agência O Globo

 

Ganhadores das nove categorias serão conhecidos nesta segunda-feira

Fabiano Ristow, em O Globo

RIO — O Prêmio Literário Biblioteca Nacional fecha hoje sua 24ª edição com a entrega de R$ 30 mil para cada vencedor de suas nove categorias. Foram 890 inscritos, entre poesia, contos, infantil, juvenil, ensaio social, romance, tradução, ensaio literário e projeto gráfico. Os romances concorrentes são “A hipótese humana” (Record), de Alberto Mussa; “Descobri que estava morto” (Tusquets), de J.P. Cuenca; e “A visita particular” (Alfaguara), de Ricardo Lísias. Os autores que disputam o prêmio de poesia são Ana Estaregui, com a obra “Coração de boi” (7 Letras); Fábio Weintraub, por “Falso trajeto” (Patuá); e Sérgio Medeiros, por “A idolatria poética ou a febre de imagens” (Iluminuras).

— Os finalistas apresentam um panorama da produção literária feita hoje, e nós temos um corpo de jurados qualificados, com o trabalho de fazer uma seleção baseada em critérios muito rigorosos — diz Helena Severo, ex-secretária de Cultura do município e do estado, que assumiu a presidência da Fundação Biblioteca Nacional (FBN) no ano passado.

A cerimônia de hoje contará com a presença do ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão.

Poesia foi a categoria que recebeu mais inscrições: 194. Um sinal do ressurgimento do gênero, segundo Helena Severo.

— Somos uma sociedade de poetas. O que vejo é uma ascensão de jovens em direção à poesia, um gênero cuja importância está sendo retomada. É um tipo de literatura contemporânea, que trata de temas atuais, acompanhando a dinâmica da sociedade — analisa Helena.

De olho na tendência do mercado, a categoria literatura infantil e juvenil foi desdobrada em duas, desde 2013. O motivo é que livros voltados ao público infantil e adolescente abordam temas abrangentes.

— Houve um momento em que pensou-se em voltar a termos um único prêmio, mas, ouvindo o segmento de literatura juvenil e infantil, percebemos que teríamos que mantê-las. É um gênero diversificado demais — argumenta Helena.

As comissões julgadoras analisaram as obras de acordo com os seguintes critérios: qualidade literária, originalidade, contribuição à cultura nacional, criatividade no uso dos recursos gráficos e excelência da tradução.

 

Ana Maria Machado pede a volta de projetos para incentivar leitura no país

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livros

Publicado na IstoÉ

A escritora Ana Maria Machado, imortal da Academia Brasileira de Letras e ícone da literatura infantil no país, pediu hoje (1º) a retomada de políticas públicas que incentivem a leitura no país. Ela citou programas implementados e já extintos, como o Literatura em Minha Casa, do Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE), que em 2002, pela primeira vez levou livros para muitas famílias do interior. Outro programa, mencionado pela escritora, fomentava a formação do professor leitor no Rio de Janeiro.

“A literatura abre os horizontes, porque não está preocupada só em ensinar, em dar informação. Ela torna cidadãos mais conscientes, pessoas mais felizes, mais solidárias com os outros, entendendo a diversidade alheia, o que os outros sentem, sofrem, querem, temem. Porque a literatura permite a você entrar no papel de outro personagem. Isso enriquece muito a experiência da gente, muito mais do que apenas o livro didático.”

Ana Maria foi homenageada ontem (1º) na 18ª Bienal do Livro do Rio de Janeiro, em cerimônia de comemoração dos 80 anos da Política Pública do Livro. Outro homenageado foi o ex-ministro da Educação e Cultura e imortal Eduardo Portella, morto há quatro meses.

Participaram da cerimônia os ministros da Educação, Mendonça Filho, e da Cultura, Sérgio Sá Leitão, o presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL), Domício Proença Filho, além de Célia Portella, viúva do ex-ministro.

Plano de Leitura

Segundo Sá Leitão, o ministério tem articulado no Congresso Nacional a aprovação do Plano Nacional do Livro e da Leitura, uma das principais frentes da pasta para estímulo de leitura nas escolas.

“Estamos articulando com os deputados e senadores para que possamos aprovar o Plano Nacional do Livro e da Leitura, que traz uma série de diretrizes, metas e ações. Boa parte delas, a ser executada pelo Ministério da Cultura, mas isso vai nos dar uma base legal para que possamos realizar esse papel importante, que o ministério tem que ter numa política de incentivo ao livro e à leitura. Certamente vai ser um instrumento muito importante para incentivarmos o livro e a leitura no país”, disse Sá Leitão

O ministro Mendonça Filho disse que, além dos livros didáticos enviados às escolas de todo o país, o MEC também investe em livros literários.

“Temos um programa nacional de livros paradidáticos e literatura. No ano passado, investimos R$ 100 milhões em livros dedicados ao Programa Nacional na Idade Certa e queremos soltar brevemente novo edital de aquisição de livros de literatura, para estímulo da leitura nas escolas públicas de todo o país. Essa é a política principal.”

Mendonça Filho informou que planeja ações conjuntas com a ABL para criar políticas públicas de estímulo à leitura nas escolas, “principalmente nas escolas públicas”.

Antes da cerimônia, os dois ministros fizeram uma visita à bienal, passando pelos estandes do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e da Secretaria de Cultura do Rio de Janeiro.

 

Ziraldo diz na Bienal que livros infantis ainda são vistos como ‘literatura menor’

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Ziraldo participou de encontro na Bienal do Livro no Rio (Foto: Carlos Brito/G1)

Ziraldo participou de encontro na Bienal do Livro no Rio (Foto: Carlos Brito/G1)

Escritor e desenhista falou também sobre os efeitos da passagem do tempo, resistência à tecnologia e método de trabalho.

Carlos Brito, no G1

Ziraldo sabe das perdas que chegam com o avançar da idade. Na palestra que deu sobre literatura infantil brasileira no segundo dia da Bienal do Livro do Rio, fez questão de falar sobre cada uma delas.

Mas a capacidade de guardar lembranças do escritor parecia bem presente na manhã desta sexta-feira (1) nublada e chuvosa na cidade. Tanto que, ao se deparar com o auditório lotado – mais de 200 lugares ocupados por crianças e professores ansiosos para vê-lo – um olhar para edições passadas da Bienal se impõe de forma inevitável.

Estive em todas as bienais, desde a primeira. E, por sorte, sempre fui recebido por um auditório lotado de crianças, como este aqui. É comum, em eventos como este, eu passar até seis horas dando autógrafos. Vou te falar uma coisa: só o público infantil é capaz desse tipo de entrega. Por isso escrevo para meninos e meninas. Uma vez, o Ignácio de Loyola Brandão me disse que iria passar a fazer livros para crianças, só para receber esse tipo de carinho“, confidenciou.

Sobre esse assunto, Ziraldo tem opinião formada: escritores de literatura não deveriam fazer livros infantis. Segundo ele, há um erro de concepção quando se trata de livros para feitos para crianças.

“Muito do que se convencionou chamar de ‘literatura infantil’ é superficial e raso. São autores adultos tentando escrever para menores sem compreendê-los de fato. Ou seja, escrevem para adultos em escala miniatura. Isso, é claro, não funciona. Acredite: escrever para crianças é bastante difícil. Leva-se muito tempo até encontrarmos a medida certa para elas. Por isso, acho absurdo quando ainda encontro pessoas que consideram a literatura infantil como uma literatura menor”, avaliou.

O pai do Menino Maluquinho – mais de três milhões de exemplares vendidos, em 116 edições desde 1980 – não se rendeu às vantagens da tecnologia: Ziraldo não utiliza computador. Ainda formata seus livros em máquina de escrever manual – “Nem a elétrica eu comprei” – e, nos últimos tempos, tem escrito à mão. Segundo ele, efeito da bursite que acomete ambos os ombros.

As palavras, aliás sempre precedem o desenho. Ele utiliza o primeiro versículo do Evangelho de João para justificar o método de trabalho.

“No princípio, era o verbo’. Não tem jeito: o texto vem antes de tudo. Os desenhos chegam depois. E a inspiração pode estar em qualquer lugar. Para uma pessoa comum, uma folha que cai da árvore é apenas isso: uma folha que cai da árvore, um acontecimento banal. Para um escritor, no entanto, pode ser o ponto de partida para um poema, conto ou romance. As inspirações estão em todos os lugares, basta estar atento”.

Os hábitos noturnos permanecem: só escreve à noite. Isso, ele garante, não mudou com a passagem do tempo.

“É melhor. À noite, as pessoas que me odeiam estão dormindo. Consigo trabalhar em paz. E acho que, a esta altura, paz é o que mais quero. Isso e também que as moças parem de se levantar para me ceder o lugar, o que tem acontecido com frequência. Agradeço, mas não é necessário, ainda sou bem jovem”.

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