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Infantis brasileiras desbravam Frankfurt

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Mulher organiza livros na Feira do Livro de Frankfurt (Alemanha), que vai até domingo

Raquel Cozer, na Folha de S. Paulo

Todo mundo quer passar pelo pavilhão 8 da Feira do Livro de Frankfurt, na Alemanha. Nele ficam as maiores editoras de língua inglesa do mundo, como a Random House, a Penguin e a Simon & Schuster. É tão concorrido que só lá os visitantes são revistados antes de entrar.

Pois foi nele que, no ano passado, a editora Callis, longe de figurar entre as maiores do Brasil, resolveu estrear um estande próprio. Não no pavilhão 5, onde ficam o estande brasileiro e os da Companhia das Letras e da Record. Nem no 3, reservado para editoras infantis, como a Callis.

“Há três anos, eu estava no estande do Brasil, mandando 300 e-mails para editores e agentes estrangeiros para conseguir só dez respostas, pensando em como ser notada, quando concluí: ‘Se todos só querem saber do pavilhão 8, é para lá que eu vou'”, conta a diretora Miriam Gabbai.

Foi preciso criar uma empresa americana, já que o pavilhão é restrito a editoras de países de língua inglesa (“Abrimos uma em Nova York”). Na última sexta, a reportagem da Folha precisou esperar duas horas até Gabbai arrumar uma janela entre reuniões com editores interessados em seus livros.

Enquanto a maior parte das casas brasileiras faz um trabalho ainda tímido de divulgação de seus catálogos em Frankfurt –o Brasil tenta passar de comprador a vendedor de títulos–, poucas editoras, como a Callis, têm como meta só vender.

No Pavilhão 8, são só três, todas de títulos infantis.

A primeira a chegar ao pavilhão 8 foi a mineira Cedic, em 2010. Naquele mesmo ano, a família Cavalheiro, dona da editora, resolveu parar de participar das grandes feiras no Brasil, onde já era representada por distribuidoras, e apostar nos maiores eventos internacionais.

Além de Frankfurt, a Cedic hoje tem estandes nas feiras de Bolonha, Londres, Nova York e Guadalajara. O metro quadrado em Frankfurt custa em torno de 360 euros (R$ 950), ante R$ 470 na última Bienal de São Paulo, mas o investimento, dizem os Cavalheiro, tem sido vantajoso.

Especializada em livros-brinquedo –como o “livro cubo”, quebra-cabeça de seis peças em que cada peça é um livrinho infantil–, a Cedic vende para mais de 40 países. Os compradores recebem os textos, enviam de volta as traduções, a Cedic produz o livro e o imprime na China.

Na Feira de Frankfurt, o estande simples, de 16 m², da editora ostentava títulos em espanhol, inglês e árabe.

Um outro produto, o “livro banco”, que agrega um banquinho para as crianças sentarem enquanto leem, estava exposto tanto no estande da Cedic quanto no da alemã Otto, no pavilhão 3 -os alemães encomendaram o título na Feira de Londres.

Entre os clientes, estão a Santilliana, no México, e a Sandwick, na Noruega. Editoras pequenas americanas ou europeias vez por outra aparecem, mas a Cedic enxerga clientes melhores em países como África do Sul, Irã e Rússia.

“E os Emirados Árabes! Ô gente para ter dinheiro! Apesar de a Europa toda estar em crise, a gente tem feito um trabalho legal”, diz a editora Gislene Cavalheiro.

O sucesso da casa estimulou a paulista Ciranda Cultural a estrear um estande neste ano –também no pavilhão 8, é claro.

A Ciranda Cultural tem o mesmo modus operandi da Cedic. Imprime livros na China, é forte no porta-a-porta brasileiro e onipresente em escolas –foi a primeira na lista de títulos vendidos para o programa de aquisição para bibliotecas da Fundação Biblioteca Nacional neste ano.

Em Frankfurt, ainda não conseguiu vender nada. Mas sabe que voltará a ter estande no ano que vem. “É uma questão de apresentação de produto. Com o tempo, vai acontecer”, diz Donaldo Buchweitz, dono da editora.

A Callis, com livros já vendidos para países como Coreia, Japão e Canadá, acredita que há espaço para crescer. A dificuldade mesmo é vender para as editoras que a cercam no pavilhão –inglesas e americanas são sempre as menos interessadas em comprar títulos estrangeiros.

Menina de sete anos se inspira em leituras e lança livro no interior do PR

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Imagem Divulgação

Publicado originalmente no G1

A menina Maria Alice Tomazi, de sete anos, moradora de Maringá, no norte do Paraná, criou o seu primeiro livro – Dicas de Princesas. Ela conta que tomou a iniciativa de criar um livro após ler várias histórias da literatura infantil.

O livro escrito por Maria Alice fez sucesso e a família resolveu mandar imprimir mil exemplares. Todos foram vendidos pela própria autora, que doou todo o valor arrecadado para crianças carentes da região.

“Inicialmente eu comprei ovos de páscoa para doar, mas como vi que elas [as famílias] estavam precisando de dinheiro, acabei doando tudo. Uma princesa de verdade tem que ter coração bem grande”, lembra a pequena escritora.

 

Dica do Chicco Sal

Quino, o pai da Mafalda, completa 80 anos

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Mafalda

Mafalda: O argentino começou a publicar a tirinha ”Mafalda” em 1964 na revista ”Primeira Plana”

Publicado originalmente no Exame.com

Buenos Aires – Joaquín Salvador Lavado Tejón, conhecido no mundo todo como Quino, o ”pai” da Mafalda, completará nesta terça-feira 80 anos, vendo sua pequena heroína rebelde ter motivos de sobra para se preocupar com os rumos do planeta.

Rodeado de parentes e amigos, Quino irá comemorar em Mendoza, sua cidade natal, o aniversário especial, de uma idade que ”é uma temeridade”, disse, parafraseando Jorge Luis Borges, em recente entrevista ao jornal local ”Diario UNO”.

Nascido em uma família de emigrantes espanhóis em 17 de julho de 1932, Quino estudou Belas Artes mas logo se encantou pelo universo da história em quadrinhos (HQ).

O argentino começou a publicar a tirinha ”Mafalda” em 1964 na revista ”Primeira Plana”, sem imaginar que a menina irônica, questionadora e pacifista se transformaria em um ícone das histórias em quadrinhos (HQ), e que suas aventuras seriam traduzidas a 30 idiomas.

Cansado da pequena Mafalda, Quino deixou de publicar a tirinha em 1973, mas recuperou o personagem para ilustrar campanhas a favor dos direitos da infância, até que, em 2009, o artista anunciou que deixaria de desenhar por um tempo para evitar se repetir.

Durante sua longa trajetória, Quino publicou vários livros e recebeu inúmeros prêmios, como o ”Romics d”Oro”, premiação máxima do Festival de História em Quadrinhos e Animação de Roma, em 2011, e o II Prêmio Ibero-Americano de Humor Gráfico Quevedos.

O desenhista tem o título de ”Cidadão Ilustre de Buenos Aires” e concorreu ao Prêmio Príncipe de Astúrias da Comunicação e Humanidades.

Livro português explica crise para crianças de esquerda e de direita

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Divulgação/A Esfera dos Livros
A Crise Explicada Às Crianças, do português João Miguel Tavares, tem duas versões: uma de direita e outra de esquerda

Publicado originalmente no Opera Mundi

Apesar de uma criança precisar de pouco para ser feliz, muitas sofrem efetivamente com a crise e outras incorporam essa realidade nas suas preocupações. Obviamente, uma criança não entende o que é déficit, mas sabe perfeitamente que os pais andam com menos dinheiro na carteira, o que traz questionamentos e mudanças no dia a dia.

Se a curiosidade das crianças já é algo complicado de vencer – são tantos o que é e por quê? – como explicar a elas o que é a crise? Talvez cada família tenha uma receita, um pensamento, um jeito comum de contar que palavra é essa que não sai de cena, principalmente nos países da Europa. O jornalista e escritor português João Miguel Tavares arrumou uma forma simples e muito boa de dizer a verdade: com duas versões, a de esquerda e a de direita.

No livro A Crise Explicada Às Crianças – Para miúdos de Esquerda e Para Miúdos de Direita, Tavares descomplica o assunto transformando os protagonistas da história em ursos e abelhas. “Primeiro veio o desdobramento esquerda/direita, e depois o trabalho em encontrar um ecossistema com animais que permitisse concretizar essa ideia”, conta o autor em entrevista ao Opera Mundi.

Os protagonistas são os mesmos nas duas versões, mas os papéis se invertem e a narrativa ganha um outro desfecho ou moral. Segundo ele, ursos e abelhas têm um histórico vasto nos contos infantis, vantagens anatômicas para essa narrativa e um precioso ponto em comum: o mel. “No livro, os ursos são gordos e grandes como o déficit português, as abelhas são pequeninas e furiosas como os mercados, e o mel é precioso para ambas as espécies e a razão de todas as gulas, como o dinheiro”, explica. Um tríptico perfeito.

A história segue, portanto, em duas pontas. De um lado, a visão esquerdista, uma capa vermelha em que as abelhas picam o urso apavorado. A leitura flui com ótimas ilustrações de Nuno Saraiva, um artista de esquerda que, inclusive, já fez cartazes para partidos portugueses. Ricas em cores, as imagens complementam o texto formando grandes cenas, que começam com um diálogo entre pai e filho.

– Papá, porque é que toda a gente diz que estamos em crise?
– Por causa de uma coisa a que as pessoas grandes chamam “mercado”, Tomé.
– E o que são os mercados, papá?
– Bom, diria que os mercados são como um enxame de abelhas furiosas.

Vá até o fim da história e vire o livro de ponta-cabeça. Começa então, após a capa na cor azul em que um urso se esbada com tanto mel, a versão de direita, essa retratada por Tomás e seu papá, sob outra ótica. Nela, o diálogo fica assim:

– Papá, porque é que toda a gente diz que estamos em crise?
– Por causa de uma coisa a que as pessoas grandes chamam “défice”, Tomás.
– E o que é o défice, papá?
– Bom, diria que o défice é como um urso gordo.

Como o escritor se assume como uma pessoa politicamente mais à direita, ele queria que o ilustrador fosse alguém politicamente ligado à esquerda, para que o jogo se estendesse aos próprios autores. “Foi uma escolha óbvia. Mas, claro, como direita e esquerda não se misturam, cada um trabalhou em suas casas. Ele ficou com o texto, fechou-se no seu estúdio, e saiu de lá com o resultado final (demasiados) meses depois”, conta Tavares.

A importância de explicar a crise às crianças

João Miguel Tavares tem três filhos, mais a Rita, que deve nascer no final de agosto. Tomás, a quem ele dedica a história, tem seis anos. A Crise Explicada às Crianças é seu primeiro livro infantil, mas já surge como uma obra divertida e esclarecedora para os “miúdos”, cuja expectativa do autor é uma só: “Digamos que se o livro ajudar as crianças a perceber que há mais do que um ponto de vista sobre o mesmo assunto, e que o mundo não é a preto e branco, já terá cumprido a sua modesta missão. E então se ajudar os pais das crianças a terem uma atitude mais adulta perante a crise que nos rodeia, poderei morrer feliz.”

Divulgação/A Esfera dos Livros

Segundo o autor, o livro é meio para crianças, meio para adultos. E está longe de ser uma simples obra passiva em que os pais leem uma história auto-explicativa. Como se trata de dois pontos de vista, a criança busca um enquadramento dentro de uma das versões e espera que o adulto explique sua escolha – principalmente porque nenhum dos finais é de conto de fadas.

Há ainda em Crise Explicada às Crianças uma dimensão de sátira. “Eu quis mostrar como todos nós andamos a infantilizar a política, cavando trincheiras de esquerda e de direita e simplificando questões altamente complexas a um nível tal que dá para transformar isso numa história de crianças”, diz Tavares.

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