Posts tagged Literatura Inglesa

Pesquisadores encontram indícios de que Shakespeare fumava maconha

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Único retrato de Shakespeare feito em vida, de 1600-1610. Reprodução

Único retrato de Shakespeare feito em vida, de 1600-1610. Reprodução

Publicado na Folha de S.Paulo

Cachimbos seculares encontrados no jardim da casa onde viveu William Shakespeare (1564-1616) apresentam vestígios de maconha, segundo um estudo da Universidade de Witwatersrand, de Johannesburgo.

O estudo, publicado no South African Journal of Science, analisou 24 fragmentos de cachimbos achados em escavações na cidade do escritor, Stratford-Upon-Avon, na Inglaterra, alguns deles em sua antiga residência.

Foram encontradas substâncias ligadas à maconha em oito deles, sendo quatro provenientes do jardim da casa de Shakespeare, segundo o jornal britânico “The Telegraph”.

Evidências de cocaína peruana também constavam em outros dois fragmentos, mas estes não foram achados na mesma propriedade.

Os pesquisadores ressaltam que, na época em que viveu o escritor, as folhas de maconha muitas vezes eram consumidas como se fossem tabaco, por engano. Por isso, o estudo sugere que Shakespeare pode ter escrito algumas de suas obras sob o efeito da erva.

dica do Rogério Moreira

A ressurreição do detetive Hercule Poirot, de Agatha Christie, por Sophie Hannah

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HERDEIRA Sophie Hannah em sua casa, em Cambridge, na Inglaterra. “Quanto mais incomum o crime, melhor” (Foto: David Sandison/Eyevine)

HERDEIRA
Sophie Hannah em sua casa, em Cambridge, na Inglaterra. “Quanto mais incomum o crime, melhor” (Foto: David Sandison/Eyevine)

A inglesa Sophie Hannah ressuscitou o detetive belga Hercule Poirot e concorre ao título de herdeira de Agatha Christie

Ruan de Sousa Gabriel, na Época

Quando Agatha Christie (1890-1976) publicou Cai o pano, em 1975, uma legião de fãs lamentou a morte do cerebral detetive belga Hercule Poirot. A Rainha do Crime morreu no ano seguinte. Em 2014, Poirot ressuscitou pela pena de outra escritora inglesa: Sophie Hannah. No romance Os crimes do monograma (Nova Fronteira, 288 páginas, R$ 29,90), o detetive usa o intelecto para desvendar um assassinato triplo em um hotel de luxo em Londres. Quando ergueu o pano que, há décadas, cobria o corpo de Poirot, Sophie Hannah já havia publicado poemas que arrancaram elogios da crítica. Seus romances policiais, protagonizados pelo casal de detetives Simon Waterhouse e Charlie Zailer (sim, Charlie é uma mulher), justificavam as comparações com Agatha. Os crimes do monograma veio à luz graças à ousadia de Peter Straus, o agente literário de Sophie Hannah. Num almoço com o editor dos livros de Agatha, Straus sugeriu que sua cliente seria a pessoa perfeita para trazer Poirot de volta à ativa. Os herdeiros aprovaram a ideia.

Tito Prates, coordenador do fã-clube brasileiro de Agatha e autor de Viagem à terra da Rainha do Crime, chama Os crimes do monograma de “o mais gótico dos casos do Poirot”. O livro é sombrio, conta crimes macabros e um cemitério serve de cenário para algumas cenas. Bem ao gosto de Sophie Hannah, cujos thrillers psicológicos sempre começam com personagens devastados por circunstâncias sinistras e inexplicáveis. A trama é narrada em primeira pessoa por Edward Catchpool, um jovem policial da Scotland Yard que recorre a Poirot. Catchpool substitui o Capitão Hastings, o fiel escudeiro do detetive belga, e, ao narrar a história, exime a escritora da árdua tarefa de imitar o estilo de Agatha (mas, oui, mon ami, imita o delicioso sotaque francês do detetive). Outra solução adotada para dar verossimilhança ao romance foi situá-lo em 1929 – Agatha não publicou nenhuma aventura de Poirot entre 1928 e 1932.

As comparações entre o Poirot de Agatha e o Poirot de Sophie Hannah são inevitáveis. Tito Prates diz que alguns fãs mais puristas consideraram Os crimes do monograma “um sacrilégio” e querem distância do livro. “Sophie Hannah quis ser tão fiel ao Poirot que, às vezes, exagerou”, afirma. Jean Pierre Chauvin, professor da Universidade de São Paulo (USP), diz que a ressurreição de Poirot é um milagre que beneficia ambas: “Agatha ganhou pelo resgate de sua obra e Sophie Hannah se firmou como uma nova voz que dialoga com o passado”.

Convidada pela Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), Sophie Hannah aproveitou a vinda ao Brasil para lançar A vítima perfeita (Rocco, 432 páginas, R$ 39,50), um livro que é só seu e conta a história de Naomi, uma mulher independente que constrói relógios de sol decorados com frases em latim. Quando seu amante Robert desaparece, ela convence os detetives Simon e Charlie a procurá-lo. Inventa que Robert a havia estuprado. Um estranho a violentara anos antes, mas ela manteve a história em segredo e só revelou os detalhes terríveis aos policiais quando percebeu que eles não levaram sua denúncia de desaparecimento a sério. Metade dos capítulos é narrada pela própria Naomi, em discursos dirigidos a seu amante sumido. Os outros capítulos acompanham a investigação do genial Simon e da problemática Charlie. “É importante para mim que o livro seja um desafio para o leitor, que ele não consiga adivinhar o que vai acontecer até o final. Quanto mais incomum é o crime, mais interessante”, disse Sophie Hannah a ÉPOCA.

Os crimes narrados pela nova dama do romance policial não são cometidos por vingança ou dinheiro, mas por motivos obscuros em circunstâncias muito específicas. Chauvin afirma que os thrillers psicológicos de Sophie Hannah resgatam a densidade de autores como Ruth Rendell (1930-2015), outra inglesa que já foi declarada herdeira de Agatha Christie. Sophie Hannah quer entreter seus leitores e também ensiná-los sobre a mente humana e seus transtornos. “Você nunca conhece alguém de verdade até conhecer seu lado sombrio. Eu escrevo histórias sobre esse lado sombrio, que é muito mais interessante”, afirma. Os velhos fãs de Poirot e os novos de Simon e Charlie concordam.

8 vezes em que Jane Austen influenciou a cultura pop

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Britânica não foi reconhecida em seu tempo, mas até hoje serve de inspiração para romances, filmes da “Sessão da Tarde” e musical da Broadway. Em 2015, se comemora os 240 anos de seu nascimento

Publicado no IG

Em 2015, se comemora os 240 anos do nascimento de Jane Austen, autora de “Orgulho e Preconceito” e tataravó da comédia romântica. Muito irônica e dona de senso de humor discreto, a autora nasceu em Steventon, no Reino Unido, em 1775. Seu primeiro livro, “Razão e Sensibilidade”, foi publicado em 1810 sob o pseudônimo “By a Lady”, já que a família de Jane preferia a discrição.

 Reprodução Neste ano, comemora-se os 240 anos de nascimento de Jane Austen


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Neste ano, comemora-se os 240 anos de nascimento de Jane Austen

Em 1813, saiu seu romance de maior sucesso, “Orgulho e Preconceito”, seguido por “Mansfield Park”, de 1814, cujos exemplares da primeira tiragem esgotaram em seis meses. “Emma” e “Persuasão”, suas duas últimas obras lançadas ainda em vida, foram lançadas com poucos meses de diferença.

A escritora morreu em julho de 1817, aos 41 anos, em pleno auge, por causas desconhecidas na época. Hoje em dia, após estudos minuciosos sobre os sintomas que Austen citava em suas cartas, acredita-se que ela foi vítima de Doença de Addison.

A sociedade e os costumes mudaram bastante, mas as histórias de Jane continuam fazendo sucesso e ganhando adaptações até hoje. Os textos da escritora influenciaram romance da literatura “chick-lit” (“leitura de meninas”), filme da Sessão da Tarde, musical da Broadway e até blockbusters indianos — sem falar que a autora tem o seu próprio fandom. Veja as evidências de que Jane Austen é ídolo da cultura pop até hoje:

1- “O Diário de Bridget Jones” (2001)
Aos trinta e poucos, cheia de problemas de auto-estima e atrapalhada, Bridget Jones, protagonista dos livros de Helen Fielding, é muito diferente das heroínas de Austen, mas a ansiedade para arranjar um casamento, a má impressão inicial e as voltas do amor de “Orgulho e Preconceito” estão lá. Além disso, o amado dela, Mark Darcy, é praticamente uma versão atual do Sr. Darcy. Bridget é, ainda, obcecada por Colin Firth, intérprete do personagem na célebre minissérie de TV da BBC de 1995. Adivinha quem interpretou Mark na adaptação de “O Diário de Bridget Jones” para o cinema?

 Divulgação “As Patricinhas de Beverly Hills” (1995) é inspirado no livro "Emma", terceiro livro de Jane Austen


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“As Patricinhas de Beverly Hills” (1995) é inspirado no livro “Emma”, terceiro livro de Jane Austen

2- “As Patricinhas de Beverly Hills” (1995)
Cher (Alicia Silverstone) é uma garota rica, mimada, popular e muito feliz. Seu passatempo favorito é fazer transformações de visuais e bancar a cupido. Ela conhece, então, a desajustada Tai (Brittany Murphy) e adota como missão torná-la também uma garota popular. O plot é parecido com o de muitos filmes da Sessão da Tarde, mas ele é originalmente de “Emma”, terceiro romance de Jane Austen.

 Divulgação “Orgulho e Preconceito e Zumbis”, de Seth Grahame-Smith, mistura o romance de Lizzie Bennet com... zumbis


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“Orgulho e Preconceito e Zumbis”, de Seth Grahame-Smith, mistura o romance de Lizzie Bennet com… zumbis

3- “Orgulho e Preconceito e Zumbis” (2012)
Como se não fosse o bastante mostrar as desventuras de um casal, por que não também mostrar a Inglaterra vitoriana assolada por zumbis? Esta foi a ideia de Seth Grahame-Smith na hora de criar o primeiro mash-up classic. Uma das únicas diferenças entre o original e a versão geek é que Elizabeth Bennet não é apenas uma dama à procura de um bom casamento, mas também uma mestre em artes marciais e especialista no uso de diversas armas. Em 2016, chegará aos cinemas com Lena Headey (“Game of Thrones”), Matt Smith (“Dr. Who”) e Lily James (“Cinderela”).

4- “Sem Prada Nem Nada” (2012)
Camilla Belle e Alexa Pena Vega estrelam uma versão da colônia mexicana dos EUA de “Razão e Sensibilidade”. Até então muito ricas, as irmãs Nora e Mary Dominguez descobrem que perderam tudo com a morte do pai e precisam morar com a tia. O embate entre o lado racional de uma com o mais impulsivo da outra estão presentes da adaptação, que ainda tem Wilmer Valderrama no elenco.

5- “I Love You Because” (2006)
O musical que ficou em cartaz em 2006 em Nova York retratam dois jovens se apaixonando na cidade dos dias atuais. Com letra de “Ryan Cunningham”, a produção também é uma versão de “Orgulho e Preconceito” e viajou pelo Canadá e Inglaterra.

6- “Metropolitan” (1990)
Dirigido por Whit Stillman e indicado ao Oscar de roteiro, a trajetória de um grupo de novaiorquinos da alta sociedade é inspirada em “Mansfield Park”. Na trama de Austen, Fanny mora com seus tios em Mansfield e é bastante crítica em relação ao estilo de vida de seus primos, mas vê sua rotina mudar completamente com a chegada de um casal de irmãos. No filme, Tom (Edward Clements) acaba se tornando amigo de um grupo de bem-nascidos, porém não resiste em achá-los frívolos até que começa a se interessar por Audrey (Carolyn Farina).

7- “Bride and Prejudice” (2004)
Esta versão de Bollywood de “Orgulho e Preconceito” é, como os filmes indianos mais populares, cheios de cenas de dança e momentos engraçadinhos. Martin Henderson interpreta o americano William Darcy, que viaja à Índia para conhecer a família de seu melhor amigo, Balraj, vivido por Naveen Andrews, o Sayid de “Lost”! A mega-estrela indiana Aishwarya Rai Bachchan interpreta a protagonista Lalita.

8- “I Have Found it” (2000)
“Razão e Sensibilidade” também ganhou uma versão indiana, mas de Kollywood, cujos filmes são falados em tâmil, língua nativa da Índia. Esta foi a primeira vez que Aishwarya Rai Bachchan trabalhou em uma versão atualizada de um livro de Jane Austen. Ela interpreta Meenu, jovem passional e entusiasta da poesia, enquanto Tabu é Sowmya, diretora de escola muito racional. As duas irmãs, então, passam por desventuras amorosas.

BÔNUS:
Janeites – Assim como o One Direction tem os directioners e Justin Bieber, os beliebers, Jane Austen tem seu próprio fandom, os janeites. Eles se reúnem para fazer cafés da manhã, bailes de dança e clubes do livro. Mas esta mania não é coisa recente: o ~janeitismo~ teria começado em 1870, quando foi lançado a biografia “Memoir of Jane Austen”. A partir daí, a personalidade da autora, assim como seus personagens e outros elementos de sua vida começaram a ser idolatrados. O termo janeite, no entanto, só surgiu em 1894, cunhado pelo especialista em literatura George Saintsbury, que escreveu o prefácio de uma nova edição de “Orgulho e Preconceito”.

Mistério da vida real de Agatha Christie vai virar filme

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Agatha Christie

Daniel Medeiros, na Pipoca Modernaarticle-0-13A6911A000005DC-593_640x827-400x517

A Paramount Pictures vai produzir o filme “Agatha”, que investigará um mistério real da vida da escritora Agatha Christie, autora de “Assassinato no Expresso Oriente”, “O Caso dos Onze Negrinhos”, “Morte no Nilo” e diversos outros livros do gênero. A informação é do site Deadline.

A trama do filme vai explorar o misterioso desaparecimento de Agatha Christie em dezembro de 1926, fato que causou grande comoção pública na época. Christie saiu de casa na noite de 3 de dezembro de 1926 depois de uma briga com o marido, o coronel Archibald Christie, após ele pedir o divórcio.

Nessa noite, ela deixou um bilhete com a sua secretária, explicando que estava indo para o norte da Inglaterra. No entanto, o seu carro foi encontrado mais tarde, não muito longe de sua casa, perto de um lago, com várias roupas suas. Isso levou a um enorme clamor do público em geral. seu desaparecimento foi noticiado na primeira página do The New York Times, e 15 mil voluntários e mil policiais vasculharam a área próxima procurando por ela. O escritor Sir Arthur Conan Doyle, criador do personagem Sherlock Holmes, chegou até a contratar um médium e deu-lhe uma das luvas de Christie para tentar ajudar a investigação.

 

Christie_at_Hydro-400x627Dez dias mais tarde, ela foi encontrada no Swan Hydropathic Hotel, em Harrogate, Yorkshire, onde tinha sido registrada como a senhora Teresa Neele, da Cidade do Cabo, África do Sul. Mas a intriga só aumentou após o seu regresso, quando dois médicos a diagnosticaram com amnésia, e ela insistiu que não tinha nenhuma lembrança dos acontecimentos dos últimos 11 dias. Christie nunca divulgou a razão pela qual esteve ausente por tanto tempo, mas supõe-se que a infidelidade do marido, a sua depressão por escrever constantemente e a morte da sua mãe no início daquele ano tenham lhe causado um colapso nervoso.

Algumas pessoas teorizam que tudo não passou de um golpe de publicidade ou até mesmo de uma tentativa de acusar o marido de homicídio, na linha da trama de “Garota Exemplar” (2014). Archie e Agatha se divorciaram em 1928.

A história tem tantos teorias que já foi explorada na série britânica “Doctor Who”, numa trama envolvendo alienígenas e abelhas gigantes.

O projeto do filme está sendo descrito como uma mistura de “Sherlock Holmes” (2009) com “Tudo por uma Esmeralda” (1984). A primeira versão do roteiro foi escrita por Allison Schroeder (“Meninas Malvadas 2″) e atualmente o texto está sendo reescrito por Annie Neal, cujo roteiro inédito de “Beauty Queen” figurou na Black List de 2013.

“Agatha” ainda não tem cronograma de filmagem e nem data de estreia definidos.

Homem encontra conto perdido de Sherlock Holmes no sótão de sua casa

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Ilustração de contos de Sherlock Holmes. - © Museum of London

Ilustração de contos de Sherlock Holmes. – © Museum of London

Arthur Conan Doyle doou texto em 1904 para um bazar em prol de cidade escocesa

Publicado em O Globo

RIO — Um novo conto de Arthur Conan Doyle veio à tona. Walter Elliot, de 80 anos, encontrou o texto estrelado pelo famoso Sherlock Holmes em seu sótão. O livro veio de um bazar para arrecandar fundos para a cidade de Selkirk, na Escócia, que teve sua ponte de madeira destruída durante uma enchente em 1902.

A história é mais complexa. Como a cidade não tinha dinheiro para reconstruir a ponte, os locais organizaram um evento de três dias, em 1904. O escritor britânico, que adorava visitar a região, deciciu contribuir com a arrecadação, doando um conto no último dia do evento.

Walter Elliot, no entanto, não se lembra de como o livro foi parar em seu sótão. “Eu tenho esse livro há 40 ou 50 anos. Devo ter ganhado de um amigo, porque eu não lembro de tê-lo comprado de ninguém”, sugere o senhor. “Ele deve ter pensado bastante na nossa cidade, para vir até aqui e contribuir com uma conto para o livro”.

Em suas 48 páginas, a compilação traz histórias da população local bem como a do famoso autor. A coleção, intitulada “The book o’ the brig” será exibida em um museu da comunidade de Selkirk, junto com uma pintura de Walter Elliot da ponte reconstruída.

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