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Posts tagged literatura norte-americana

9 clássicos da literatura que foram rejeitados

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A saga Harry Potter, de J.K. Rowling, é uma das obras que foi rejeitada várias vezes antes de ser publicada e conquistar o público

Publicado no El País

Às vezes, o sucesso leva tempo. A história da literatura também traz uma série de obras essenciais que foram inicialmente rejeitadas, títulos que causaram muitos desgostos até que seus autores conseguissem vê-los publicados. Confira nossa lista com livros que foram recusados (em alguns casos, muitas vezes) para depois conseguirem conquistar os corações de milhões de leitores que os transformaram em best-sellers.

Quando Vladimir Nabokov escreveu Lolita, o livro foi rejeitado por várias editoras que consideravam seu argumento indecoroso. Alguns viram nas páginas da obra-prima de Nabokov uma ode à pedofilia, em vez de uma ode à literatura, e foi apenas em 1955 que a editora parisiense The Olympia Press ousou publicá-la. O que aconteceu posteriormente já faz parte da história da literatura.

Stephen King colecionava cartas de rejeição recebidas de várias editoras às quais havia enviado o manuscrito de seu primeiro romance, Carrie a Estranha. Agatha Christie também demorou muito para ver sua primeira obra publicada; muitas portas foram fechadas até a publicação de O Misterioso Caso de Styles. John Kennedy Toole cometeu suicídio sem ver publicada a obra Uma Confraria de Tolos, mas o empenho de sua mãe conseguiu que o romance póstumo ganhasse o Prêmio Pulitzer e se tornasse um dos pináculos da literatura norte-americana do século XX.

André Gide rejeitou o primeiro volume de Em Busca do Tempo Perdido, o clássico de Marcel Proust. James Joyce se tornou especialista em receber nãos. Foi rejeitado várias vezes antes de ver a publicação de Dublinenses, mas também não foi nada fácil com Ulisses. Foi Sylvia Beach, proprietária da lendária livraria Shakespeare & Co., que com bom faro apostou na obra que, ao longo dos anos, tornou-se um clássico da história da literatura.

A trajetória de William Golding foi de sangue, suor e lágrimas para ver publicado O Senhor das Moscas. Embora talvez a rejeição mais cara da história tenha sido a de Harry Potter e a Pedra Filosofal. Mais de uma dezena de editoras recusaram a obra de J.K. Rowling, sem intuir o sucesso que se escondia por trás da história do menino bruxo.

Contos inéditos de F. Scott Fitzgerald são publicados 80 anos após criação

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Retrato do escritor norte-americano F. Scott Fitzgerald

Retrato do escritor norte-americano F. Scott Fitzgerald

 

Publicado na Folha de S.Paulo

Os contos inéditos de F. Scott Fitzgerald, cujo livro “O Grande Gatsby” proporciona uma representação icônica dos excessos dos Estados Unidos na era do jazz, serão lançados em abril de 2017, 80 anos após terem sido escritos.

A Scribner, editora da Simon & Schuster, anunciou que publicará “I’d Die for You” –uma coleção de histórias consideradas muito controversas quando foram escritas na década de 1930.

Como um personagem de seus livros, Fitzgerald teve uma curta e trágica vida. Morreu em 1940, aos 44 anos, após lutar durante anos contra o alcoolismo e com o comprometimento neurológico de sua mulher, Zelda.

No fim da vida, escreveu e enviou às maiores editoras diversas histórias que eram repetidamente devolvidas. De acordo com os editores, seu trabalho era muito provocativo para aqueles tempos.

“Ao invés de permitir trocar, ou ser suavizado, pelos editores contemporâneos, Fitzgerald preferiu que seu trabalho não fosse publicado, inclusive em momentos em que realmente precisava de dinheiro”, assinalou a Scribner em sua página na Internet.

Publicado em 1925, “O Grand Gatsby” capturou as mudanças de costumes e os extremos econômicos de uma época que o autor apelidou como “a era do jazz”.

“Foi uma era de milagres”, escreveu. “Foi uma era de excessos”.

O livro foi elogiado por autores contemporâneos como T. S. Eliot e Willa Cather, mas as vendas foram baixas, assim como já havia acontecido com livros anteriores –”Este Lado do Paraíso” e “Os Belos e Malditos”– deixando Fitzgerald no que ele chamou de “a grande depressão”.

Agora, seus livros vendem em apenas um mês mais do que venderam durante toda sua vida, além de terem se tornado objeto de estudo nas aulas de literatura de escolas e universidades.

Como o próprio Fitzgerald disse: “um autor deve escrever para os jovens de sua geração, os críticos da seguinte e, depois, para os professores de sempre”.

Série de livros “A Torre Negra”, de Stephen King, vai finalmente ganhar as telas

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Publicado no CineSet

Após muitas incertezas, finalmente foi confirmado o destino do projeto “A Torre Negra”, a adaptação para o cinema da série literária do mestre do terror Stephen King. O estúdio Sony Pictures e a produtora MRC vão financiar a produzir o primeiro filme da saga, de acordo com reportagem da Variety.

O primeiro livro da série, “O Pistoleiro”, já foi adaptado para o cinema pelos roteiristas Akiva Goldsman, de “Uma Mente Brilhante” (2001), e Jeff Pinkner, de “Missão Impossível: Protocolo Fantasma” (2011). O veterano produtor Brian Grazer e o diretor Ron Howard irão produzir. Os planos da Sony são de transformar “O Pistoleiro” no primeiro de uma série de filmes e a MRC também vai produzir um seriado de TV para acompanhar as produções no cinema.

“Não há muitos projetos por aí que se comparem com o escopo e a visão de King para ‘A Torre Negra’”, disse Tom Rothman, presidente da Sony Pictures no anúncio oficial. “Sou um fã, e assim como Stephen, adoramos a direção que Akiva e Jeff seguiram com a história. É a oportunidade para um diretor colocar sua marca numa franquia de apelo global”, completou, confirmando que Ron Howard, por razões contratuais, não poderá dirigir e outro cineasta tera de ser escolhido para comandar o projeto.

A série “A Torre Negra” engloba oito livros e mostra a jornada do protagonista, Roland, O Pistoleiro, em busca da torre do título em meio a um mundo devastado. No passado, quando o projeto estava sendo elaborado no estúdio Universal, nomes como Javier Bardem e Russell Crowe eram apontados como candidatos ao papel de Roland.

Stoner, romance de John Williams redescoberto depois de 50 anos, ganha edição brasileira

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John Williams, autor de Stoner Foto: Special Collections / Biblioteca da Universidade de Arkansas

John Williams, autor de Stoner Foto: Special Collections / Biblioteca da Universidade de Arkansas

Livro do escritor americano foi só recentemente resgatado de um limbo de meio século de esquecimento e silêncio

Felipe Charbel*, no Zero Hora

Publicado em 1965, o romance Stoner teve uma trajetória bem comum nos seus primeiros anos. “Ele foi respeitavelmente resenhado; teve uma vendagem razoável; não se tornou um sucesso de vendas; saiu de catálogo”, resume Julian Barnes, um dos responsáveis pela ressurreição literária do americano John Williams, morto em 1994 e autor de outros romances pouco conhecidos. Isso não significa que Stoner tenha caído em ostracismo nos 50 anos que separam o lançamento do livro e sua inesperada aparição nas listas dos mais vendidos – um “best-seller do tipo mais puro”, diz Barnes, “motivado quase inteiramente pelo boca a boca entre os leitores”. Nesse período ele foi resenhado e discutido, cativando poucos mas fiéis leitores que o recomendavam entusiasticamente.

A sinuosidade da fortuna crítica diz muito sobre a descoberta recente de Stoner pelo grande público – de 2012 para cá foram vendidos aproximadamente um milhão de exemplares mundo afora. O curioso é que não se trata de uma obra “à frente da sua época”, um daqueles livros que só vão encontrar os seus leitores no futuro. Muito pelo contrário. Stoner já era anacrônico quando foi publicado. Mas a distância temporal permitiu ao livro escapar da pecha de antiquado, e alcançar o status de clássico, obra capaz de sobreviver ao teste do tempo. Tudo isso graças à obstinação dos seus leitores, que souberam se impor ao desinteresse do mercado (um livro que não se encontra é um livro que pouco se lê) e ao “espírito do tempo” (nada se percebe, no romance, da energia social dos anos sessenta. É como se ele se dirigisse a um público extinto).

O próprio William Stoner é o anacronismo em pessoa. Nascido no final do século 19 no meio oeste americano, ele é um náufrago dos valores humanistas e do ideal universalista de cultura, decisivos em sua formação mas em declínio quando inicia a carreira de professor de literatura na Universidade do Missouri, durante a I Guerra. Talvez por uma questão de decoro narrativo – Stoner ensina retórica e literatura medieval –, sua vida é contada “ao modo quase clássico”. Não há pirotecnias formais, o estilo é sóbrio e elegante, e o relato se concentra nos momentos decisivos do biografado. Como em Plutarco. Por que um livro como esse interessaria – e, a julgar pelas vendas e pela recepção calorosa, vem interessando – aos leitores de hoje?

Henry James afirma em um ensaio que “a única obrigação que devemos imputar a um romance, sem cair na acusação de arbitrariedade, é a de que seja interessante”. A extraordinária habilidade de John Williams de cativar o nosso interesse para os dilemas existenciais das pessoas que inventa me parece um dos êxitos de Stoner. Mesmo os antagonistas – a esposa Edith e o chefe de departamento Lomax – são abordados pelo ângulo de suas misérias, favorecendo a compreensão do que se tornam com o passar do tempo. Esse primoroso trabalho com a perspectiva faz com que as tensões do enredo pareçam incontornáveis, e confere a Stoner a fisionomia de um romance jamesiano, um dos últimos da sua estirpe, com personagens de interioridade complexa e comportamento social labiríntico.

Na primeira página somos apresentados a William Stoner. O ponto de vista é o da posteridade, e esta não foi generosa com ele: só o que restou da sua memória foi o nome, gravado num manuscrito doado à biblioteca universitária por professores do seu departamento. “Os colegas de Stoner, que não o tinham em grande estima quando vivo, quase nunca falam dele agora; para os mais velhos, o seu nome é um lembrete do fim que os aguarda a todos, e para os mais jovens é só um som que não evoca nenhuma sensação do passado.” Fica a impressão de se tratar da biografia de um homem comum, mediano, impressão ao mesmo tempo confirmada e desmentida no decorrer do relato.

Na aparência, a vida de Stoner é realmente medíocre: ele foge da guerra, se prende a um casamento infeliz, é incapaz de cativar seus alunos, não escreve, não ascende na carreira. Sobretudo, sua vida é uma sequência de gestos de anulação e resignação às forças externas. Através da figura dos antagonistas, essas forças se impõem sem encontrar resistências e o espoliam do que lhe é mais precioso – o escritório, a companhia da filha, o relacionamento amoroso da maturidade. Mas nada disso faz de Stoner um personagem que suscita o nosso riso, ou mesmo a nossa pena. O narrador não ousa se dirigir a ele com escárnio, e tanto seus equívocos como suas pequenas vitórias se tornam compreensíveis à luz de uma escolha, à qual se agarra com teimosia: a de se manter fiel à própria vocação. Enquanto o deixarem estudar e ensinar, Stoner encontrará algum consolo para os seus fracassos. E isso lhe confere dignidade.

Pela compostura, Stoner se distingue de outros acadêmicos da história literária recente. Esse predicado o torna imune a uma abordagem irônica, como a de Nabokov em relação a Pnin, e o mantém a uma distância segura da tragédia, convocada como destino por David Lurie em Desonra (J. M. Coetzee) e por Coleman Silk em A Marca Humana (Philip Roth). O pêndulo de sua vida se movimenta entre o trágico e o cômico, mas nunca se fixa nesses extremos, pois William Stoner se recusa a enxergar a si mesmo pelas lentes da arte. Talvez por essa razão sua vida funcione como um espelho para os leitores: o que ela faz ver não é mais, nem menos, que o desamparo da existência.

* Professor de Teoria da História na UFRJ

David Foster Wallace: o sentido do real

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O autor americano David Foster Wallace, cuja trajetória será abordada em filme. Marion Ettlinger

O autor americano David Foster Wallace, cuja trajetória será abordada em filme. Marion Ettlinger

Como em sua ficção, o escritor norte-americano lutou contra a frieza pós-moderna

Fernando Quinteiro Pires, na Carta Capital

Depois de ler as 5 mil páginas dos cinco volumes da biografia de Fiodor Dostoievski escrita por Joseph Frank, David Foster Wallace redigiu um ensaio para avisar seus colegas contemporâneos da urgência do romancista russo nascido no século XIX. Segundo Wallace, “a grande coisa que torna Dostoievski inestimável para os leitores e escritores norte-americanos é que ele parece possuir graus de paixão, convicção e engajamento com dilemas morais profundos que nós – aqui, hoje – não podemos ou não nos permitimos…”, ele escreveu. “A biografia de Frank nos força a perguntar a nós mesmos por que exigimos de nossa arte uma distância irônica das convicções arraigadas ou das questões aflitivas, de modo que os escritores atuais devem ou fazer piadas com elas ou tentar camuflá-las sob algum truque formal.”

Em Graça Infinita, traduzido por Caetano W. Galindo, Wallace insistiu na necessidade de os escritores estabelecerem laços entre a vida e a literatura. “A ideia de que a escrita representa uma maneira de superar a solidão e os efeitos de um individualismo radical é um dos temas mais importantes da ficção de Wallace”, diz Lee Konstantinou, professor de Literatura da University of Maryland e editor de The Legacy of David Foster Wallace (University of Iowa Press). “Ele usa a literatura para o que poderia ser um último e desesperado esforço para nos fazer sentir algo ou acreditar em alguma coisa. A julgar pela sua fama meteórica, dá para afirmar que muitos leitores compartilharam as aspirações dele.” Seu segundo romance, publicado em 1996, Graça Infinita, iniciou a mitificação de Wallace nos Estados Unidos, um fenômeno que se exacerbou após ele se enforcar em 2008, aos 46 anos.

O nome de Wallace continua a exercer apelo comercial. Um dos produtos culturais mais recentes ligados ao autor é a produção do filme The End of The Tour, com estreia prevista neste ano. O longa-metragem baseia-se em uma reportagem de David Lipsky, que no best seller Although of Course You End Up Becoming Yourself (Broadway Books, 2010) relatou a experiência de acompanhar Wallace por cinco dias, enquanto o escritor realizava uma viagem para promover as vendas de Graça Infinita.

Autor da biografia Every Love Story Is a Ghost Story: A Life of David Foster Wallace (Viking, 2012), o jornalista D. T. Max atribuiu o suicídio à decisão repentina do escritor de cessar o consumo de um antidepressivo. De acordo com Max, Wallace desconfiara de que o remédio embotava os seus pensamentos e emoções. Ele trabalhava havia quase dez anos em um novo romance, The Pale King (cuja tradução está a cargo de Galindo), e ficou cada vez mais ansioso com a incapacidade de finalizar a obra. A tendência de revisar seus manuscritos, presente em Graça Infinita, intensificou-se durante a redação do terceiro romance. “Wallace considerava a escrita uma luta complicada que levaria a dores e sofrimentos consideráveis”, diz Konstantinou.

Em The Pale King (Little, Brown & Co, 2011), uma obra inacabada que a Companhia das Letras deve editar no primeiro semestre de 2016, Wallace voltou a confrontar seu maior dilema. Ele queria apresentar ao público um livro que produzisse o que o ficcionista e amigo George Saunders declarou ser uma terceira via para a literatura norte-americana, dividida havia mais de quatro décadas entre os pós-modernos e os minimalistas. Para Saunders, autor do aclamado Dez de Dezembro (Companhia das Letras, 2013), os críticos trataram o pós-modernismo como uma desconstrução fria e intelectual dos artifícios da ficção e perceberam no minimalismo um retorno às raízes emocionais da literatura. Em conversas com Wallace, Saunders lembra-se de ambos mencionarem os problemas criados por essa dicotomia e de como ela tornou proibitivo o debate sobre “o sentido de uma ficção mais real”.

Wallace era um grande admirador dos pós-modernos. Diferentes resenhistas trataram The Broom of the System (Penguin, 1987), o primeiro romance, sem previsão de tradução brasileira, como uma homenagem às obras de Donald Barthelme (1931-1989), William Gaddis (1922-1998), Thomas Pynchon e Don DeLillo. Wallace admitiu, entretanto, que o pós-modernismo havia se transformado em um estilo canônico, repleto de armadilhas, das quais ele tentou escapar. E muitas vezes sem sucesso. “Wallace não resolveu da maneira que lhe seria satisfatória o desafio de escrever depois de Gaddis, Pynchon e DeLillo, e esse fato foi uma fonte de grande dor”, escreveu Samuel Cohen, professor da University of Missouri e um dos ensaístas de The Legacy of David Foster Wallace. “O ataque, ou pelo menos a resistência à hegemonia simbólica da literatura dominante, era, na opinião de Wallace, um projeto necessário”, diz Konstantinou. “Ele endossou a perspectiva de que a transformação da sensibilidade de um indivíduo podia promover a mudança de uma supremacia cultural.”

Diz o tradutor Caetano W. Galindo que Graça Infinita é um romance inovador o suficiente para não ser enquadrado como metaficção. “Wallace reage aos pós-modernistas. Ele afirma em um texto que o pós-modernismo é a festa que rola quando nossos pais saem de casa, a gente chama os amigos e passa uma noite bem louca. A geração de Wallace estava na situação de acordar, ver a casa toda vomitada e zoneada, e saber que ninguém vem arrumar. O problema de colocar aquilo em ordem era nosso, não uma imposição dos outros.” No romance, definido por Galindo como “uma leitura muito aprofundada da vida da sociedade de consumo em fins do século XX”, Wallace usa frases longas, interrompe a narrativa com quase 400 notas de fim de texto e cria enredos múltiplos. As escolhas formais tornam desafiadora a definição do tema do romance que se passa no início do século XXI.

Grosso modo, o livro aborda as experiências de Hal Incandenza, um estudante prodigioso em termos intelectuais e esportivos, usuário contumaz de maconha e filho do suicida James Incandenza (físico e o diretor do filme experimental Graça Infinita, também conhecido como Entretenimento). Relata os problemas de Don Gately, um ladrão “viciado em narcóticos orais” e participante de encontros dos Alcoólicos Anônimos, e acompanha a luta entre os funcionários do governo e separatistas de Quebec pela posse de Graça Infinita, um filme tão sedutor que torna o espectador catatônico e, por isso, pode ser usado como arma terrorista. De acordo com Samuel Cohen, o segundo romance de Wallace trata implicitamente de três assuntos: o amadurecimento de um jovem artista, a história da ficção contemporânea e os rumos dos Estados Unidos.

Graça Infinita, de David Foster Wallace (Editora Companhia das Letras, 1.144 págs., R$ 111,90

Graça Infinita, de David Foster Wallace (Editora Companhia das Letras, 1.144 págs., R$ 111,90

Ao abordar os efeitos nocivos do entretenimento, como a distração e a alienação, Wallace “queria resgatar a possibilidade de exercer o poder de acreditar como uma capacidade mental que foi com o tempo negligenciada”, segundo Konstantinou. O escritor alertou para o fato de os indivíduos serem incapazes de se desembaraçar do relativismo intelectual e da ironia, um dos efeitos duradouros do pós-modernismo. “Ele desejava descobrir um ethos pós-irônico viável para a literatura norte-americana, uma refém da perspectiva cultural fomentada pelo anúncio do fim da História.” Wallace cultivou a convicção de que seria possível superar o cinismo, a tristeza e a solidão do mundo posterior à Guerra Fria apresentado por Francis Fukuyama no livro O Fim da História e o Último Homem (Rocco, 1992). O autor de Graça Infinita, diz Konstantinou, “não aceitava uma nova ordem mundial que escolheu o cálculo econômico e a hegemonia tecnológica no lugar da coragem, da imaginação e do idealismo”.

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