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Bienal do Livro do Ceará começa nesta sexta; confira os destaques da programação

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Bienal do Livro terá um espaço dedicado ao cordel, apresentando a cultura do folheto em várias formas desde a música até as artes visuais — Foto: Divulgação

São mais de 300 convidados confirmados no evento, que se estende por dez dias no Centro de Eventos, entre 16 e 25 de agosto

Rômulo Costa, no G1

Com tema “As cidades e os livros”, a 13ª Bienal Internacional do Livro do Ceará começa na próxima sexta-feira (16), no Centro de Eventos, e segue até o dia 25 de agosto com uma extensa programação. O evento envolve ainda outros espaços de Fortaleza, como a Escola Porto Iracema das Artes, e até de outros municípios, como a Casa de Saberes Cego Aderaldo, em Quixadá.

Com dez dias de programação que envolve lançamentos de livros, mesas redondas, oficinas e shows, as atividades circulam em eixos temáticos como mulheres, ilustração e juventude. São mais de 60 autores brasileiros e estrangeiros confirmados entre os 300 convidados do evento literário.

A seleção foi da escritora cearense Ana Miranda, do escritor, produtor cultural e professor Carlos Vasconcelos e da professora Inês Cardoso, com a coordenação geral de Goreth Albuquerque. A expectativa é que a programação atraia 450 mil visitantes.

Veja os destaques

Autores nacionais

Conceição Evaristo, autora de “Olhos d’água”, um dos principais nomes da literatura contemporânea (Dia 24 de agosto, às 18h)

Ronaldo Correia de Brito, escritor e dramaturgo, autor de “Galileia” (Dia 21, às 16h)

Chico Alvim, poeta e diplomata, autor de “O metro nenhum” (Dia 19, às 18h)

Frei Betto, jornalista e escritor brasileiro, autor de “Batismo de Sangue” (Dia 19, às 20h)

Amara Moira, escritora, professora e ativista transexual (Dia 25, às 16h)

Ana Miranda, escritora cearense, autora de “Dias & Dias” e “Boca do Inferno” (Dia 18, às 16h)

Marco Luchesi, poeta e romancista, atual presidente da Academia Brasileira de Letras (Dia 17, às 20h)

Antônio Torres, autor de “Um cão uivando para a Lua” e membro da Academia Brasileira de Letras (Dia 20, às 16h)

Autores internacionais

Eduardo Agualusa (Angola), autor de “Nação crioula” (Dia 17, às 16h)

Abdellah Taïa (Marrocos), escritor e cineasta marroquino com oito romances publicados (Dia 18, às 20h)

Ivan Wolffers (Amsterdã), escritor, médico e professor (Dia 24, às 16h)

Vera Duarte Pina (Cabo Verde), autora de “A Candidata” (Dia 19, às 16h)

Além da literatura

Monja Coen (SP): a monja zen budista participa de evento na Praça Cordel, no dia 17 de agosto, às 13h, o bate-papo “Meditação e cantoria como prevenção do câncer”.

Debates e temas

As cidades e os livros: espaço principal do evento, recebe a maioria dos nomes destacados acima, além de Mariana Ianelli, Tércia Montenegro, Fausto Nilo, Gilmar de Carvalho e outros.

Letras de mulher: pretende divulgar autoras femininas, principalmente na literatura, com mesas formadas unicamente por mulheres, como Lola Aronovich, Maria da Penha, Mayara e As Severinas.

Oralidade e Ancestralidade: destaques para a tradição oral envolvendo múltiplas etnias, mestres da cultura popular e outras abordagens. Recebe convidados como Cláudia Quilombola, Daniel Munduruku, Vaqueira Aboiadora, Cacique Pequena, Jean dos Anjos e Gilberto Calungueiro.

Juventude e periferia: visibilidade e debates sobre o movimento de leitura e literatura promovido nas periferias de Fortaleza com foco nos jovens. Recebe representantes de iniciativas como Jangada Literária, Livro Livro Curió, Cia. Bate Palmas e Paideia.

Literatura de cordel: com espaço dedicado ao gênero, a Bienal do Livro reúne autores e apresenta a cultura do folheto em várias formas desde a música até as artes visuais

Espaço infantil: área voltada para crianças reúne livros e atividades como encontro com autores, oficinas e contação de histórias. Recebe nomes como Paula Yemanjá, Luci Sacoleira, Cris Alhadeff e Clarice Cardel.

Festival de Ilustração: palestras, mesas redondas e oficinas para refletir sobre a relação entre texto e imagem, com participações de Fernanda Meireles, Tino Freitas, Marilda Castanha e outros nomes.

Bienal fora da Bienal: atividades que integram a programação mas acontecem fora do Centro de Eventos, em espaços como Porto Iracema das Artes, Mercados dos Pinhões, Poço da Draga, além da Casa de Saberes Cego Aderaldo (Quixadá) e outros locais.

Café literário: discussões sobre cidade, que orientam a Bienal. O eixo principal da programação é o espaço “Diz-me o que comes e te direi de onde és”. Terá nomes como Sânzio Azevedo, Thiago Tizzot e Lina Luz.

Serviço:

13ª Bienal Internacional do Livro do Ceará
Quando: 16 a 25 de agosto, das 10h às 22h
Onde: Centro de Eventos do Ceará (Av. Washington Soares, 999 – Edson Queiroz)
Ingresso: Gratuito

A importância da leitura para as crianças e jovens

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Foto: Assessoria / DINO

 

Os livros de literatura fantástica nacional são ótimos atrativos para crianças e jovens que estão sendo introduzidos à vida de leitores

Publicado no Terra

Já foi comprovado por alguns estudos recentes que a leitura auxilia no desenvolvimento dos jovens leitores. Para as crianças que estão no início da sua aprendizagem linguística, sempre são indicadas leituras mais fáceis, como histórias em quadrinhos, por exemplo, Turma da Mônica, que em julho se transformará em filme pela primeira vez com a estreia de “Laços”.

Quantos dos adultos da atualidade que você conhece que afirmam ter aprendido a ler com Turma da Mônica? Aposto que muitos.

Grande parte dos professores de português começa a introduzir o interesse pela literatura em seus alunos o mais cedo possível. Na minha época, por exemplo, uma ótima literatura introdutória era a Coleção Vagalume.
A literatura, principalmente a nacional, é de extrema importância para as crianças e adolescentes que estão sendo introduzidos na sua vida de leitores. Livros de aventura e fantasia conquistam de cara os novos leitores, porque ler um bom livro é algo prazeroso.

Uma boa dica para você, professor, introduzir seus alunos à leitura, ou você, pai, ensinar seu filho a gostar de literatura, é a trilogia de livros “Johnny Bleas”. Por ser uma trilogia nacional, isso já facilita o acesso aos livros e até mesmo ao autor. Também facilita a leitura, pois são palavras do nosso uso cotidiano.

O autor J.G. Brene escreve cordialmente, e o primeiro livro da trilogia, “Um novo mundo”, é um livro curto, atrativo para quem está começando. Além disso, em sua capa e contracapa contém imagens do novo mundo que é apresentado no livro, Asterium, o que também pode ser atraente para jovens que ainda precisem do apoio de imagens.

Na história, Johnny Bleas é um adolescente normal de 17 anos, até que um assassinato de um ente querido revoluciona sua vida, um morador de Asterium o leva para essa nova dimensão, e Johnny descobre que o mundo é muito maior do que imaginou, já que ele é o príncipe herdeiro deste reino desconhecido. Ele terá que passar por provações para se mostrar digno, além de enfrentar seu antagonista, enquanto aprende sobre as novidades que esse mundo tem, como mágica, duendes, cavaleiros, castelos e criaturas mágicas.
Por ser uma literatura de fácil acesso, e também fácil de acompanhar, já que as palavras utilizadas são palavras utilizadas cotidianamente pelos leitores, é um ótimo meio para introduzir crianças à leitura. Incentive a literatura nacional!

Paula Fornaziero da Silva | AM3 Conteúdo

Os 20 livros censurados mais influentes da história

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‘1984’, de George Orwell’ é um dos livros mais influentes da história (Foto: Toby Melville/Reuters)

Uma pesquisa entre livreiros do Reino Unido identificou os 20 livros proibidos mais importantes da história; público vai votar no livro mais influente

Maria Fernandes Rodrigues, no Estadão

Como parte da programação da Academic Book Week, que está sendo realizada no Reino Unido esta semana, livreiros especializados em livros acadêmicos indicaram os 20 livros censurados mais influentes da história. Agora a votação foi aberta no site do evento e o público pode, até o dia 9, ajudar a escolher qual foi o livro proibido mais influente.

Quase todos os títulos foram traduzidos para o português.

Livros censurados

1984, de George Orwell

Um Panorama Visto da Ponte, de Arthur Miller

Amada, de Toni Morrison

Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley

Country Girls, de Edna O’Brien

His Dark Materials, série de Philip Pullman

Eu Sei Por Que o Pássaro Canta na Gaiola, de Maya Angelou

O Amante de Lady Chatterley, de D H Lawrence

Ratos e Homens, de John Steinbeck

A Origem das Espécies, de Charles Darwin

Os Direitos do Homem, de Thomas Paine

Versos Satânicos, de Salman Rushdie

O Apanhador no Campo de Centeio, de JD Salinger

A Cor Púrpura, de Alice Walker

As Vinhas da Ira, de John Steinbeck

A Metamorfose, de Franz Kafka

O Sol é Para Todos, de Harper Lee

Ulisses, de James Joyce

Esperando Godot, de Samuel Beckett

A Riqueza das Nações, de Adam Smith

Bienal Internacional do Livro de São Paulo começa hoje

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Best-sellers como Victoria Aveyard, Beth Reekles, David Levithan e Marissa Meyer vão participar do evento, que terá Mauricio de Sousa, Ziraldo, Fernanda Montenegro Lázaro Ramos.

Publicado no G1

A 25ª Bienal Internacioal do Livro de São Paulo começa nesta sexta-feira (3) e traz grandes best-sellers internacionais e também autores brasileiros que arrastam multidões.

Com o tema “Venha fazer esse download de conhecimento”, o evento, que acontece no Pavilhão Anhembi (veja o serviço abaixo), deve oferecer 1,5 mil horas de atividades ao longo de dez dias, até 12 de agosto.

Além das tradicionais sessões de autógrafos e estandes de editoras, a Bienal tem na programação palestras com escritores, debates sobre atualidades, local para saraus e shows, espaço infantil e área dedicada à gastronomia.

“Tivemos o cuidado de trazer uma programação capaz de atingir todos os públicos – das crianças aos adultos – buscando temas atuais”, afirmou, em nota, Luís Antonio Torelli, presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL), que promove a Bienal.

Veja, abaixo, 5 destaques da Bienal do Livro de SP 2018:

1. Best-sellers internacionais

A partir da esquerda: os escritores best-sellers David Levithan, Marissa Meyer e Tessa Dare, anunciados para a Bienal Internacional do Livro de São Paulo (Foto: Divulgação)

A principal atração da Bienal são os best-sellers estrangeiros que levam os fãs a formar aquelas filas gigantes para pegar um autógrafo. São com astros do rock – só que da literatura.

Dentre os principais, estão:

Victoria Aveyard, americana autora da saga “A rainha vermelha”;
David Levithan, americano que assina “Todo dia”, obra cuja adaptação para o cinema acaba de estrear no cinema, e autor de obras de temática LGBTQ;
Marissa Meyer, americana que escreveu a série “As crônicas lunares”, com versões futuristas de Cinderela, Chapeuzinho Vermelho, Rapunzel e Branca de Neve;
Beth Reekles, autora de “A barraca do beijo”, que inspirou o filme de mesmo nome e faz bastante sucesso entre os jovens;
Tessa Dare, escritora best-sellers conhecida por seus romances de época e eróticos;
A.J. Finn, autor de “A mulher na janela, que vai ser adaptado para o cinema com Amy Adams na pele da protagonista;
Lauren Blakely, ameriana que escreveu a série “Big Rock”;
Yoav Blum, israelense que assina o best-seller “Os criadores de coincidências”;
Charlie Donlea, escritor americano autor de “A garota do lago” e “Deixada para trás”;
Soman Chainani, americano conhecido pela série “A escola do bem e do mal”.

A partir da esquerda: Victoria Aveyard, Soman Chainani, Yoav Blum e Lauren Blakely, os primeiros autores internacionais anunciados na 25ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo (Foto: Divulgação)

2. Autores brasileiros

Ziraldo (Foto: Gustavo Garcia/G1)

O time de escritores brasileiros da Bienal também é forte. Vão estar presentes, por exemplo:

Mauricio de Sousa, criador da “Turma da Mônica”;
Ziraldo, “pai” do Menino Maluquinho e de muitos outros personagens;
O escritor e cronista Antonio Prata;
O best-seller de livros policiais Raphael Montes;
Julián Fuks, um dos mais premiados jovens escritores do país, autor de “A resistência”;
Luiz Ruffato.

3. Convidados de fora da literatura

Fernanda Montenegro (Foto: Divulgação/Walter Craveiro)

Como costuma acontecer em outras edições, a Bienal do Livro de 2018 também abre espaço a convidados de outras áreas que não a literatura.

Desta vez, vai haver por exemplo um show do Moraes Moreira. É nesta sexta-feira (3), em um espaço reservado a cordelistas e repentistas que vai receber músicos do Nordeste durante todos os dias do evento.

Outros artistas escalados para passar pelo Anhembi são Fernanda Montenegro e a turma do “Casseta & Planeta”.

4. Espaço Infantil

O ator e escritor Lázaro Ramos (Foto: Divulgação)

O quarto destaque é o espaço infantil da Bienal, que é inspirado no “Livro das mil e uma noites”. Por lá, vão passar nomes como Lázaro Ramos e Ana Maria Machado.

Contos, mitos e fábulas devem orientar as atividades do local, que certamente será uma das principais atrações de todo o evento, já que o público infantil é tradicionalmente um dos mais assíduos da Bienal.

5. Debates sobre temas atuais

Djamila Ribeiro (Foto: Walter Craveiro/Divulgação)

O quinto destaque da Bienal é o espaço chamado Salão de Ideias, dedicado a debates sobre temas da atualidade, como feminismo e racismo.

Por lá, vão passar nomes como a escritora e filósofa Djamila Ribeiro, a escritora Ana Maria Gonçalves, a escritora e jornalista Miriam Leitão, a atriz e escritora Maria Ribeiro e o poeta Fabrício Carpinejar.

Veja, abaixo, os principais espaços culturais da 25ª Bienal do Livro

Arena Cultural – receberá best-sellers nacionais e internacionais, como A. J. Finn, Victoria Aveyard, Soman Chainani, Yoav Blum, Tessa Dare, Lauren Blakely, Charlie Donlea, David Levithan, Marissa Meyer, Fernanda Montenegro, Mauricio de Sousa, Bela Gil, Marcos Piangers, Walcyr Carrasco, Adriana Falcão, Ziraldo, e turma do “Casseta & Planeta”

Arena de Autógrafos – receberá os autores que se apresentarão na Arena Cultural para sessões de autógrafos com fãs.
Salão de Ideias – discussões sobre temas atuais (como fakenews, lideranças negras, o protagonismo da mulher negra, abolição da escravatura e feminismo) e artes (literatura, música, cinema). Gêneros literários também vão ser discutidos, casos de crônicas (com Miriam Leitão e Antônio Prata), poesia (Ryane Leão e Alice Sant’ Anna) e romance policial (Raphael Montes e Vitor Bonini).

Espaço Infantil – chamado “Tenda das Mil Fábulas”, teve o nome escolhido em homenagem ao nosso convidado de honra da Bienal, Sharjah, nos Emirados Árabes. É uma referência a uma obra bastante representativa na cultura árabe: o “Livro das Mil Fábulas”, conhecido no ocidente como o “Livro das Mil e Uma Noites”. O espaço deve ter atividades em torno de fábulas, lendas, histórias, contos e mitos. Entre convidados, estão Ana Maria Machado, Lázaro Ramos, Ziraldo, Mauricio de Sousa, Daniel Munduruku, Cristino Wapixana e Yaguarê.

Auditório Edições Sesc São Paulo – espaço para encontros criados a partir dos livros das Edições Sesc e dos temas da programação. Estão previstos debates sobre cinema, música, filosofia, história, arquitetura, meio ambiente e antropologia, dentre outros assuntos.
Espaço Cordel e Repente – espaço com presença de cordelistas e repentistas de oito estados do Nordeste, além de poetas radicados em São Paulo, Rio e Brasília. Vai ter oficinas, debates e encontros com autores. Dentre os convidados, estão Moraes Moreira, Socorro Lira, Maciel Melo e Bráulio Tavares.

BiblioSesc (Praça da Palavra e Praça de Histórias) – duas praças, com caminhões biblioteca e atividades para o público, terão saraus, contação de histórias e slams, além de espetáculos de música e literatura. Elisa Lucinda, Eva Furnari, Xico Sá e Sergio Vaz estão entre os convidados.

Cozinhando com Palavras – espaço com debates, aula-show e bate-papos sobre a relação da gastronomia e cultura (incluindo literatura. Diversidade, questões sociais e patrimônio cultural devem estar na pauta. O chef colombiano Juan Manuel Barriento, do El Cielo, que trabalha com a capacitação de ex-guerrilheiros e refugiados, vai estar presente. Outros convidados são Morena Leite, Gabriela Kapim, Thiago Castanho, Tereza Paim, Ivan Achcar, Breno Lerner, Janaina Rueda, Olivier Anquier, Rodrigo Oliveira e o apresentador Zeca Carmago.

25ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo

Quando: de 3 a 12 de agosto
Onde: Pavilhão Anhembi (Pavilhão de Exposições do Anhembi, Av. Olavo Fontoura, 1.209, Santana)
Ingressos: R$ 20 (com meia-entrada) de segunda a quinta-feira; e R$ 25 (com meia-entrada) de sexta-feira a domingo.
Site oficial: www.bienaldolivrosp.com.br

Mais livros religiosos, menos didáticos: o caminho das trevas se solidifica

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“O Triunfo da Morte”, de Pieter Bruegel, O Velho.

Rodrigo Casarin, no Página Cinco

Em 2016 uma pesquisa mostrou que o Brasil é, basicamente, um país de leitores de “Bíblia”. No mesmo ano, logo na sequência, outra apuração apontou para a ascensão dos livros religiosos e a queda da literatura no país. Já no ano passado, mais um indício da supremacia dos livros sacros, cujas vendas novamente cresciam enquanto o comércio de livros científicos diminuía. Pois bem, segundo a pesquisa de Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro em 2017, realizada pela Fipe a pedido do Sindicado Nacional dos Editores de Livros e da Câmara Brasileira do Livro, a toada permanece a mesma.

No ano passado, editoras nacionais produziram cerca de 393 milhões de exemplares, venderam 355 milhões e faturaram R$ 5,17 bilhões, o que, comparando com o ano anterior e considerando a variação do IPCA (2,95%), significa uma queda real de 4,76% no faturamento. Se o encolhimento do mercado já preocupa, os números dos subsetores são ainda mais tenebrosos: enquanto houve novo recuo na produção e no faturamento de livros científicos, técnicos e profissionais e uma queda real de 10,43% entre os livros didáticos, as obras gerais tiveram um crescimento real de 3,77% e as religiosas, de 1,61%.

Como as obras gerais, tal qual o nome entrega, abarcam desde a mais refinada literatura até livros para colorir, foquemos nas outras três categorias, mais específicas: enquanto os números de livros voltados à formação científica, técnica, profissional e pedagógica (os didáticos) minguaram, aqueles destinados majoritariamente ao dogmatismo apresentam novo crescimento.

Já falei em outras oportunidades o quanto o aumento do comércio de títulos religiosos e o encolhimento das obras destinadas essencialmente ao aprimoramento do indivíduo me preocupam. Textos quase sempre destinados a leituras enviesadas me parecem exatamente o contrário do que pensamos quando nos deparamos com a palavra “livro” (e normalmente a confundimos com “literatura”): algo essencialmente aberto, que leva o leitor a diversas possibilidades de mundo, não um apanhado de supostas verdades absolutas.

A novidade é que, de um ano pra cá, o caminho das trevas que apontei em outros textos vem tomando um corpo maior. Mês a mês presenciamos episódios escabrosos relacionados às artes: exposição que se encerra por conta de protestos reacionários, peça que é retirada de cartaz porque uns e outros não suportam ver Jesus, um cara extremamente libertário e acolhedor, ser interpretado por uma atriz transexual, HQ que é tirada de mostra por melindrar policiais ou entusiastas dos homens de farda… Enfim, a onda conservadora, sem brechas ao diálogo e à pluralidade, está aí, definitivamente.

É o reflexo perfeito de uma população que se preocupa cada vez menos em ouvir vozes divergentes, que aos poucos vai trocando livros formadores por calhamaços religiosos normalmente interpretados de forma oportuna por algum “líder espiritual”.

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