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Rival do Amazon Kindle, Kobo Touch é boa opção para ler e-books brasileiros

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Emerson Kimura, na Folha de S.Paulo

O mercado brasileiro de e-readers, os leitores de livros eletrônicos, carece de boas opções. A Livraria Cultura, em parceria com a Kobo, tenta mudar esse cenário.

A Kobo, que pertence à empresa japonesa Rakuten, é uma das principais marcas de e-reader do mundo. Seus aparelhos concorrem de igual para igual com os da Amazon (Kindle), os da Barnes & Noble (Nook) e os da Sony.

Na semana passada, a Cultura lançou no Brasil o Kobo Touch, modelo com tela sensível ao toque que foi anunciado nos EUA em maio do ano passado.

O Kobo Touch, leitor de livros eletrônicos (e-books) lançado no Brasil em parceria da fabricante com a Livraria Cultura, tem tela sensível ao toque

Leve (185 gramas) e compacto (11,4 x 16,5 x 1 cm), ele tem construção sólida e resistente, com uma agradável textura nas costas. O acabamento emborrachado garante uma pegada firme –o aparelho escorrega menos nas mãos. É vendido em quatro cores: preto, prata, lilás e azul.

Um botão na frente do aparelho, abaixo da tela, leva o usuário à tela inicial. Outro, no topo, serve para ligar, desligar ou colocar para dormir. Na parte inferior, há uma porta micro-USB, para conexão ao computador e carregamento da bateria. Um buraco na lateral esquerda serve como leitor de cartão microSD –recurso ausente no Kindle, que não permite aumentar o espaço de armazenamento.

O Kobo não tem botões físicos para mudar a página, o que é uma pena, pois eles facilitam o manuseio do aparelho com apenas uma mão. Botões laterais, como o do Kindle Keyboard e o do Nook Touch, permitem folhear o livro com a mesma mão que segura o e-reader –basta pressioná-los com o polegar. Sem eles, é necessário deslocar o polegar até a tela para mudar a página, o que não é trabalhoso, mas exige maior cuidado e esforço ao segurar o aparelho.

A resposta ao toque na tela costuma ser rápida, mas as falhas são frequentes. Felizmente, elas raramente ocorrem ao folhear o livro –são mais comuns ao digitar, selecionar palavras no meio do texto ou tocar ícones nos cantos da tela. A borda do aparelho, alta em relação à tela (devido à tecnologia de infravermelho usada para detectar os toques), também atrapalha o acesso aos comandos nos cantos, além de causar uma pequena sombra sobre a margem da página, a depender da iluminação ambiente.

PAPEL ELETRÔNICO

A tela do Kobo usa tecnologia de papel eletrônico E Ink, presente nos principais modelos de e-reader do mercado. Ela consome pouca energia, permite a leitura mesmo sob a luz do Sol, oferece bom ângulo de visão e, teoricamente, cansa menos os olhos do que telas de LCD, por exemplo. Por outro lado, tem baixa taxa de atualização, o que deixa animações e transições lentas e travadas.

Nos próximos parágrafos, falo um pouco mais sobre o E Ink. Se o assunto não lhe interessa, pule para o infográfico, mais abaixo.

Grosso modo, a tinta eletrônica da E Ink é formada por uma camada de microcápsulas que fica entre dois elétrodos (nesse caso, placas condutoras de corrente elétrica). Cada microcápsula tem o diâmetro de um fio de cabelo e leva em seu interior um fluido claro com partículas brancas (com carga elétrica positiva) e pretas (carga negativa) que se movem conforme a carga elétrica aplicada no elétrodo inferior.

Uma carga positiva no elétrodo inferior empurra as partículas brancas para o topo da microcápsula, deixando-as visíveis através do elétrodo superior, que é transparente –assim, a tela fica branca. Do mesmo modo, a aplicação de uma carga negativa faz com que as partículas pretas subam e escureçam a superfície da tela. A combinação dessas partículas pretas e brancas forma a imagem exibida pelo papel eletrônico.

Seu consumo de energia é baixo basicamente por dois fatores: ele não tem iluminação própria, e a retenção da imagem estática na tela não gasta energia.

Diferente de telas que são iluminadas com luz traseira (backlight), como as de LCD, o papel eletrônico é reflexivo, ou seja, reflete a luz ambiente –artificial ou natural (solar). Por não emitir a própria luz, ele supostamente cansa menos os olhos do usuário e consome menos energia, mas normalmente não é legível no escuro sem o auxílio de iluminação auxiliar.

Outras características comuns do papel eletrônico são o bom ângulo de visão, que permite uma boa legibilidade mesmo a partir de uma posição não perpendicular dos olhos em relação à tela; a baixa taxa de atualização, o que torna animações e transições –como mudanças de página– um tanto lentas; e o “ghosting” –tendência a exibir “fantasmas” (resquícios de uma imagem anterior)– geralmente solucionado com uma atualização completa da tela antes de formar a nova imagem. (mais…)

Livraria Cultura lança leitor eletrônico Kobo Touch no Brasil por R$ 399

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Kobo Touch, fabricado pela canadense Kobo, é visto em evento em Tóquio; aparelho custará R$ 399 no Brasil
Kobo Touch, fabricado pela canadense Kobo, é visto em evento em Tóquio; aparelho custará R$ 399 no Brasil

Emerson Kimura, na Folha de S.Paulo

A Livraria Cultura anunciou nesta segunda (26) que venderá por R$ 399 o leitor de livros digitais Kobo Touch, trazido ao país em parceria com a fabricante do aparelho.

Consumidores que adquirirem o e-reader por meio da pré-venda, que começa nesta terça-feira (27), à 0h, por meio do site da livraria, receberão o aparelho no próximo dia 5 –quando o Kobo também chegará às lojas físicas da empresa.

Segundo a companhia, 12 mil títulos em português estarão disponíveis para aquisição e download para o dispositivo, entre os cerca de 1 milhão em outras línguas.

O aparelho tem memória interna de 2 Gbytes –expansíveis por meio de cartão SD– e suporta os formatos PDF, Mobi e ePub, além de imagens, textos em TXT, HTML e RTF e quadrinhos em CBZ ou CBR.

AMAZON

A Amazon, gigante norte-americana que fabrica os leitores Kindle, foi mencionada algumas vezes durante o evento de lançamento para a imprensa.

“Nós competimos com a Amazon globalmente, em vários países do mundo”, disse Todd Humphrey, vice-presidente executivo de desenvolvimento de negócios da Kobo.

A estratégia da Kobo é ter um parceiro forte em cada país, afirmou Humprhey. No Brasil, é a Livraria Cultura.

Sergio Herz, executivo-chefe da Livraria Cultura, reforçou o conceito de “read freely” (leia de maneira livre), que permite a leitura em aparelhos Kobo de livros comprados em outros dispositivos e plataformas. “E o livro é seu, você pode copiá-lo para outros aparelhos”, acrescentou, numa crítica implícita à Amazon, que tem uma política mais fechada –títulos comprados na loja virutal para o Kindle costumam ser compatíveis apenas com o próprio Kindle.

FUTUROS LANÇAMENTOS

Sobre a disponibilização de periódicos, Pedro Herz, presidente do conselho de administração da Livraria Cultura, disse: “Cabe aos jornais e revistas, não a nós, tomar a iniciativa de disponibilizar seus produtos em formatos eletrônicos”.

Sergo Herz revelou que a Cultura pretende lançar o tablet Kobo Arc, que diz ser mais adequado para a leitura de periódicos, no primeiro trimestre do ano que vem.

No mesmo período, devem ser lançados também o Kobo Mini, modelo de e-reader mais compacto, e o Kobo Glo, leitor com iluminação embutida.

Ainda não há previsão de data e preço para o Arc, o Mini ou o Glo.

foto: Yoshikazu Tsuno/France Presse

Você já pensou em se casar dentro de uma… livraria?

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No sábado 17, no Conjunto Nacional, na avenida Paulista, aconteceu uma festa de casamento dentro da Livraria Cultura. Os noivos, que sonhavam se casar em meio a livros, pediram autorização ao dono do local e conseguiram.

A incomum lista de casamento dos economistas Laura Karpuscas e Marcos Ross combinava com o cenário escolhido pelos dois: era composta só por livros que o casal desejava.

Laura Karpuska e Marcos Ross realizaram o sonho de se casar em meio a livros. Os dois economistas são apaixonados por literatura e a lista de presentes foi composta por títulos de livros, ao invés dos tradicionais pedidos de casamento. O casamento foi realizado após o fechamento da loja para não prejudicar os clientes.

Vi no Folha Fotografia

Foto: Avener Prado/Folhapress

Qual será o futuro dos sebos?

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Publicado originalmente no O Globo

Seu José Germano repete a mesma rotina há 60 anos. Chega às 6h30min em seu sebo e vai embora apenas às 19h. Depois de ter sido faxineiro, entregador e atendente, ele é o atual e único dono da tradicionalíssima Livraria São José, no Centro. Mas o alfarrábio não está mais na Rua São José, onde já teve até quatro pontos diferentes. O novo endereço, após passar pela Rua do Carmo e a Praça Tiradentes, é a Avenida Primeiro de Março 37. Teve que se mudar para sobreviver.

A livraria está acabando por conta do livro digital. Principalmente os sebos. Porque eu vendo livro velho e não existe livro digital velho, não é? — argumenta ele que, aos 74 anos, se rendeu, ao menos, à venda pela internet. — Não temos mais aquela clientela que tínhamos nas décadas de 1970, de 1980. Há 20 anos, se alguém me oferecesse uma biblioteca de 5 mil, eu não pensava duas vezes. Hoje, não sei.

Sob ameaça dos leitores digitais

O livreiro da São José é apenas uma das pontas desse intrincado negócio de compra e venda de livros usados. Ele representa o perfil mais tradicional, com a loja com corredores longos, clientes de longa data, iluminação menos potente, estantes empoeiradas e edições antigas. Mas Germano não é o único tipo de livreiro que está tendo que se adaptar a uma nova realidade em que o digital se torna cada vez mais comum, principalmente com a chegada iminente da gigante do comércio eletrônico Amazon ao Brasil. Essas lojas especializadas em obras de segunda mão vão sobreviver após a colisão desse asteroide?

— Sinceramente não sei como um sebo se reinventaria como loja física — diz Camila Cabete, gerente de Publisher Relations da Kobo, o leitor digital que lançará uma loja no Brasil até o fim do ano, em parceria com a Livraria Cultura. — Eu continuarei usando sebos. Porém, não sei como se comportarão os nativos digitais.

O caminho restrito ao comércio online é a opção de alguns livreiros de longa tradição física para tentar evitar a fossilização. É o “exército de um homem só”, argumenta Marcelo Latcher. Ele já participou direta e indiretamente da criação de dezenas de lojas. Hoje, mantém apenas a Gracilianos do Ramo, mas só virtualmente.

— Sebo tem os seus dias contados, mas ainda é possível ganhar muito dinheiro na decadência — disparou Latcher, que faz parte de uma geração de livreiros mais jovem que a de Germano. — No futuro, o livro será comprado em um antiquário. Vai ser algo chique. Mas isso não me incomoda em absoluto.

Uma vez que se optou pela internet, o principal caminho adotado no Brasil tem sido a Estante Virtual. Segundo o criador do site, André Garcia, 97% das transações de livros usados na internet brasileira acontece sob o domínio da sua empresa. Garcia, ainda mais jovem que Latcher, não tem qualquer receio das transformações, e diz não ter visto qualquer impacto do livro digital: “fez cócegas no mercado nacional”.

— O e-reader vai continuar seguindo como parcela minoritária do mercado aqui — aposta ele, que disse estar preparado para enfrentar a Amazon, caso ela também venda livros de segunda mão no mercado nacional, como faz nos Estados Unidos e em outros países como França e Reino Unido.

De toda forma, ele é outro que não quer ficar parado e já planeja explorar outras áreas, inclusive a obra eletrônica. — Mas em uma competição, o livro físico ganha dos e-books nesse nicho exatamente por sua materialidade.

Nem toda livraria de usados aposta unicamente na venda on-line, entretanto. Maurício Gouveia, um dos donos da Baratos da Ribeiro, de Copacabana, cadastra apenas um percentual pequeno do acervo, por conta do alto custo de implementação e a baixa vendagem pelo meio.

— Nosso cliente não é o cara que procura o livro X ou Y. Nosso cliente é o cara o que aparece para saber se pintou algo de novo, que gosta de bater papo, dar uma passadinha — explica ele, que acredita que o aluguel no Rio de Janeiro é um problema muito maior que a Amazon.

Livreira aposta em convivência pacífica

Tendo experiência de quase 30 anos nas livrarias “tradicionais”, Graça Neiva, do Luzes da Cidade, em Botafogo, sugere que nos sebos sempre se pode encontrar surpresas. Já as que vendem obras novas estão homogeneizadas.

— Dizem os mais velhos que a TV era uma ameaça ao cinema. E, apesar de ter diminuído de tamanho, a indústria do cinema não vai tão mal assim. No livro, vai ter que ter acomodação — conta ela que, há anos, quando o assunto livro digital começou a aparecer no Brasil, colocou uma placa, em tom de brincadeira, anunciando que eles estavam comprando Kindles, o leitor digital da Amazon. — Já tinha gente querendo passar o Kindle antigo!

Entre livreiros à moda antiga e outros conectados, fica o mais interessado no assunto, o leitor. Bibliófilo, além de poeta, professor e acadêmico, Antonio Carlos Secchin é autor do “Guia de sebos” que, apesar de estar na quinta edição, ele acredita que já nasce obsoleto. A razão? O crescimento dos sebos virtuais.

— Mas como todo mundo pode se autodenominar livreiro, há uma série de informações erradas circulando pela internet, que eu nem acho que seja de má-fé. Como quando se anuncia um título e é outro. O colecionador que está em busca de uma edição específica, acaba tendo que tomar bastante cuidado.

Contudo, Secchin não acredita que o principal movimento dos sebos seja da busca de uma obra rara. Para ele, o que faz o caixa das livrarias de segunda mão é o best-seller. E aí, o livro digital poderia se tornar um problema.

— Enquanto o livro no sebo for mais barato, vai ter público. Agora é esperar para saber quando o livro digital vai ficar mais barato.

dica do João Marcos

Todos contra a Amazon

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Renata Agostini, na Revista Exame

Após três anos de tentativas, a Amazon, varejista online mais poderosa e temida do mundo, prepara sua entrada no país. Mas as editoras não estão ajudando

Jeff Bezos, da Amazon: plano de ter loja completa no Brasil até junho de 2013 (Robyn Twomey/Corbis Outline/Latinstock)

O americano Jeff Bezos, fundador e presidente da Amazon, comanda um império. A companhia, criada em 1994 na cidade de Seattle para vender livros pela internet, transformou-se na varejista online mais poderosa do mundo. Com mais de 56 000 funcionários e 170 milhões de clientes cadastrados, a empresa vende praticamente tudo — de computadores a lagostas vivas.

Em 2011, faturou 48 bilhões de dólares. Mas todo esse poder de fogo não vem ajudando a entrar em um mercado considerado chave: o Brasil. Pelo contrário, vem atrapalhando. Desde 2009, a Amazon negocia sua entrada em conversas com editoras e transportadoras. Em janeiro, contratou Mauro Widman, ex-executivo da Livraria Cultura, como seu primeiro funcionário de varejo online.

Foi no início de agosto que Bezos aumentou os esforços para lançar sua livraria digital no Brasil ainda neste ano. Ele despachou para o país uma comitiva de quatro executivos, entre eles um de seus vice-presidentes, Russ Grandinetti. Talvez nem eles tenham certeza da data de estreia da Amazon, mas seu interesse crescente faz com que varejistas e editoras se armem para enfrentar a avalanche.

O plano da Amazon é estrear com a livraria digital e, consequentemente, com o leitor Kindle. Por isso, os executivos começaram sua viagem por Brasília. Lá, visitaram os ministérios do Desenvolvimento, da Educação, da Fazenda e da Cultura, sob a orientação da consultoria BarralMJorge, que tem como sócio o ex-ministro Miguel Jorge. (mais…)

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