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Posts tagged livraria Leonardo da Vinci

Livraria carioca realiza ‘queima de livros’ em resposta ao cancelamento da mostra LGBT

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Publicado no Hypeness

Se as pressões de grupos conservadores foram capazes de acabar com a exposição QueerMuseu: Cartografias da diferença na arte brasileira, as reações a tal censura também vêm sendo volumosas e contundentes – e, em alguns casos, especialmente bem humoradas.

Enquanto algumas editoras desafiaram o clima de perseguição promovendo, em suas páginas no Facebook, a “semana da arte degenerada”, oferecendo em promoção obras de artistas de viés erótico (em alusão à Alemanha Nazista, que destruiu obras de arte consideradas “degeneradas”), uma tradicional livraria carioca se antecipou e resolveu promover ela mesma sua “queima de livros”.

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Segundo a divulgação, a livraria Leonardo Da Vinci irá promover “uma queima para intolerante e fascista nenhum botar defeito”. Claro que não se trata de uma fogueira literal – como tantas já ocorreram, ao longo da história, em nome da moral e dos bons costumes – mas sim de uma bem humorada promoção.

O poeta Carlos Drummond de Andrade na livraria

O poeta Carlos Drummond de Andrade na livraria

Qualquer livro de arte será vendido com 25% de desconto, mas não para por aí: se tiver a palavra “sexo” no título, o desconto sobe para 30%; se a capa do livro trouxer nudez (incluindo joelhos e tornozelos), mais 5%; e quem apresentar, no ato da compra, uma caixa de fósforos ou um isqueiro, ganha ainda mais 10% de desconto.

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A Leonardo da Vinci é uma das mais importantes livrarias do Rio de Janeiro. Fundada em 1952 e independente há 65 anos, a livraria possui uma longa história de resistência contra a ditadura militar e as repressões. Famosa por possuir um vasto acervo a Leonardo da Vinci já foi homenageada em poemas de grandes nomes como Antônio Cícero e Carlos Drummond de Andrade. A livraria fica localizada no centro da cidade.

Livro reúne ensaios brasileiros sobre Roberto Bolaño

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Roberto Bolaño, no Chile, no ano em que morreu. - El Mercurio/GDA (10/10/2003)

Roberto Bolaño, no Chile, no ano em que morreu. – El Mercurio/GDA (10/10/2003)

 

Obra será lançada no evento ‘Lendo Bolaño no Brasil’, na Livraria Da Vinci

Mariana Filgueiras, em O Globo

A“bolañomania” é irreparável: treze anos se passaram desde a morte de Roberto Bolaño, e sua obra segue viva como se o escritor ainda estivesse pitando seus cigarros pelas ruas de Santiago do Chile. Livros antigos são descobertos por novos leitores, rascunhos são remexidos por pesquisadores e grupos de leitura do romance “2666” ainda animam as noites pelo mundo.

Esta semana, uma boa notícia vai aplacar a saudade dos órfãos brasileiros: a editora mineira Relicário lança a primeira coletânea de ensaios nacionais sobre a obra do autor. Organizada por Antonio Marcos Pereira e Gustavo Silveira Ribeiro, “Toda a orfandade do mundo: escritos sobre Roberto Bolaño” será lançada em evento que faz parte do calendário de reabertura da Livraria Da Vinci, na quinta-feira, no Centro, intitulado “Lendo Bolaño no Brasil”.

— Nós quisemos convocar os autores dos ensaios a fazer investidas mais ousadas e originais no sentido formal, exatamente como era característica da obra de Bolaño — conta Antonio Marcos Pereira, doutor em Estudos Linguísticos pela UFMG e professor de Literatura Brasileira na UFBA. — São textos que não guardam a dureza do discurso acadêmico, sem deixar de trazer pontos de vista originais sobre a obra do autor. Há um texto, por exemplo, do Felipe Charbel, que faz um diário de releitura, e outro que inclui, em si mesmo, uma produção ficcional, este do Rafael Gutiérrez.

Os textos são divididos em três eixos temáticos, que são aspectos centrais da obra do autor: as relações entre literatura e violência, as experimentações formais de Bolaño e as provocativas relações entre escritura e vida. Os ensaios são de Marcos Natali, Gustavo Silveira Ribeiro, Graciela Ravetti, Maria Betânia Amoroso, Tiago Guilherme Pinheiro, Kelvin Falcão Klein, Clarisse Lyra, Mariana Di Salvio, Matt Bucher, Felipe Charbel e Rafael Gutiérrez. No prefácio, Ana Cecília Olmos cita o próprio Bolaño para explicar “o melhor que o livro oferece”: uma forma de celebrar que “no nos hemos vuelto ni cobardes ni caníbales”.

— Acredito que o livro seja um nó, uma espécie de ponto focal para as produções acadêmicas posteriores acerca de Bolaño no país. É uma forma de começar a pavimentar o caminho para as muitas pesquisas que virão no futuro. A obra de Bolaño tem a característica de convocar esse desejo de escritura e de discurso crítico, ninguém lê Bolaño sem também querer escrever depois — atesta o organizador, antes de lembrar o que o autor argentino Alan Pauls dizia de Bolaño: “Quando li ‘Os detetives selvagens’, me senti colonizado por Bolaño”.

O evento “Lendo Bolaño no Brasil” acontece na quinta-feira, às 18h, com um debate que terá a participação dos organizadores do livro, Antonio Marcos Pereira e Gustavo Silveira Ribeiro, e também de Felipe Charbel, um dos autores da obra, com mediação do jornalista Miguel Conde.

Livraria Leonardo Da Vinci reabre nesta quinta-feira totalmente reformada

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Daniel Louzada, à frente da livraria desde fevereiro, comandou a enorme reforma na tentativa de tornar o negócio sustentável e agora procura sócio para segunda loja - Fabio Rossi

Daniel Louzada, à frente da livraria desde fevereiro, comandou a enorme reforma na tentativa de tornar o negócio sustentável e agora procura sócio para segunda loja – Fabio Rossi

 

Livraria mantém aposta em acervo e recebe bate-papo com o poeta Antonio Cícero

Leonardo Cazes, em O Globo

RIO – Nos quatro meses de reforma da Livraria Leonardo Da Vinci, a pergunta que o novo dono, Daniel Louzada, mais ouviu foi: “mas a Da Vinci não acabou?”. Não, a livraria não só não acabou como reabre hoje totalmente remodelada e recebendo um bate-papo com o poeta Antonio Cicero. Os frequentadores mais saudosos da loja no subsolo do edifício Marquês do Herval, na Avenida Rio Branco, poderão até sentir falta do ambiente labiríntico de outrora. As paredes foram derrubadas para dar amplitude ao espaço, acomodar melhor os livros e o novo café. Contudo, o amplo acervo de obras de artes e ciências humanas continua lá, agora reforçado por uma seção de literatura. A icônica mesa de Dona Vanna Piraccini, a antiga dona, foi restaurada e coberta de livros.

Louzada conta que seu plano inicial era fazer uma intervenção mais modesta, mas, para o negócio ser sustentável, achou necessária uma grande transformação. O maior investimento foi feito no mobiliário. As mesas agora são móveis e podem ser rearrumadas a depender do evento.

— A Da Vinci era uma livraria que tinha torcida, mas não cliente comprando — diz o livreiro, que por 15 anos trabalhou na Saraiva. — A preocupação foi compreender o lugar da Da Vinci. E o nosso lugar é a alternativa. Não temos como competir com as grandes redes nos best-sellers, mas vamos ter a melhor seleção dentro da nossa proposta.

Apesar de não poder competir com as gigantes nos descontos, os best-sellers estarão à venda, explica Louzada. Só não estarão em destaque. Na estante de literatura estrangeira, por exemplo, é possível encontrar uma farta seleção de Bernard Cornwell e John Grisham e, na de religião, Padre Marcelo Rossi. Já na área de literatura brasileira, há todas as obras de Clarice Lispector.

Encontros e clube de leitura

Logo na entrada, ao lado de uma máquina de escrever, foi criado o espaço “O escritor indica”. Na estreia, o jornalista Mário Magalhães, autor de “Marighella”, escolheu algumas de suas biografias favoritas, como “Padre Cícero”, de Lira Neto. O acervo de ciências humanas, carro-chefe da casa, impressiona: são 1,2 mil títulos de ciências sociais e 700 de filosofia.

Nas paredes estão a inspiração do livreiro: Ênio Silveira, fundador da Civilização Brasileira, e a própria Vanna Piraccini. Uma das séries de encontros previstos, inclusive, será “Reencontros com a Civilização Brasileira”. O primeiro convidado será o historiador Jorge Ferreira. Já a série que marca a reinauguração é a “Papo de quinta”, quando escritores e críticos vão conversar com o jornalista Miguel Conde. A Da Vinci também vai ganhar um clube de leitura e atividades para crianças aos sábados.

Apesar das dificuldades, Louzada demonstra confiança na proposta e afirma que procura um sócio para abrir uma segunda loja:

— Eu acredito na missão civilizadora da livraria. Esse é o papel da Da Vinci. Por isso ela continua aberta, completando 64 anos neste mês.

“PAPO DE QUINTA COM ANTONIO CICERO”

Onde: Livraria Leonardo Da Vinci — Av. Rio Branco, 185, Centro, subsolo (2533-2237)

Quando: Nesta quinta-feira, às 18h.

Quanto: Grátis.

Benjamin Moser: O Rio não pode desistir da livraria Leonardo Da Vinci

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Milena Duchiade e sua mãe, Vanna Piraccini, na sede da livraria da Vinci, no Centro - Custódio Coimbra/28-5-2015

Milena Duchiade e sua mãe, Vanna Piraccini, na sede da livraria da Vinci, no Centro – Custódio Coimbra/28-5-2015

Frequentador da loja, escritor americano diz que cidade precisa preservar sua história para não se tornar uma província

Benjamin Moser, em O Globo

RIO – Há tempos que meus amigos querem me convencer de que o Brasil está pirando. Não acreditava muito, pois os problemas do país — políticos corruptos, populações raivosas — não me pareciam novidades, nem no Brasil nem no mundo. Mas quando li que a Livraria Leonardo da Vinci ia fechar, fiquei convencido. O Brasil está pirando.

Esse lugar havia sido um refúgio para mim. Vim ao Brasil aos 19 anos, quase por acaso, pois na faculdade era preciso estudar um idioma. Escolhi o chinês. Depois de duas semanas, desisti. Àquela altura do semestre não havia vagas em outros cursos e fui parar num curso de português, sem saber nada sobre o Brasil ou Portugal.

Ainda não sabia muito, além do idioma, quando tive a oportunidade de passar um tempo estudando em outro país. Pensei em ir ao Brasil, só por causa do idioma. Mas quando cheguei ao Rio e aluguei um apartamento térreo em Ipanema com uma discoteca barulhenta na frente, me dei conta de que não tinha nada para fazer.

Não conhecia nada, não conhecia ninguém. Assisti aos meus cursos sem entusiasmo, e vagueei pelo centro da cidade: isso também porque a Zona Sul dos anos 90 não tinha quase livrarias. Descobri os sebos da Praça Tiradentes e depois descobri a Leonardo da Vinci. Ainda lembro dessa felicidade, vinte anos depois.
Passei horas lá. Senti-me menos só naquela enorme cidade. Pelas recomendações, comecei, timidamente, a conhecer a literatura do Brasil: a literatura sempre foi, para mim, a melhor maneira de conhecer um país. E foi lá que eu comprei a obra quase completa de Clarice Lispector, que viraria um dos grandes eventos na minha vida.

E quando na minha cabeça não cabia mais português, ia lá comprar livros em inglês. A discoteca zunia perto de mim enquanto eu passava horas lendo as dezenas de clássicos que havia comprado em edições baratas. Boa parte de minha formação — no meu próprio idioma — devo a uma excelente livraria brasileira.

EM LIVRARIAS, RIO PERDE PARA SÃO PAULO E BUENOS AIRES

É por isso que fiquei tão triste ao saber que, após 63 anos, a Da Vinci fecharia. Não conheço os motivos precisos, além dos problemas habituais que uma empresa tradicional tem em se adaptar às mudanças que trazem novos tempos. Mas vejo que a livraria não está sendo vendida, o que lhe daria uma nova vida. Está sendo fechada.

Há tempos que o Rio enxerga um futuro cada vez menos de capital, cada vez mais de província. A combinação com o tradicional fatalismo do mercado de livros — que sempre vê mundo acabando — é quase mortal. Mas o Brasil melhorou bastante desde meus tempos de estudante. O mundo dos livros está irreconhecível.

Mesmo com a melhoria, uma cidade do tamanho do Rio tem uma enorme escassez de livrarias. Já está escandalosamente atrás de São Paulo — para não falar em Buenos Aires. Mas o que distingue uma cidade importante de uma cidade que simplesmente tem muitos habitantes é sua vida cultural. Praia existe em qualquer lugar.

É por isso que os cariocas não devem ficar apenas tristes com essa notícia. Há exemplos do que se pode fazer para preservar a instituição. Nos Estados Unidos, depois de anos de fatalismo — o e-book ia acabar com o livro, a pequena livraria ia ser devorada pela grande, a grande ia ser devorada pela Amazon — o mercado voltou a crescer.

Isso se deve em parte a iniciativas privadas importantes. Quando a livraria mais tradicional de Houston, minha cidade natal, estava ameaçada pela mesma situação que enfrenta a Leonardo da Vinci, minha mãe, junto com um grupo de investidores que contribuíram com relativamente pouco dinheiro, tomou conta.

Não era questão de construir um novo museu ou de fundar uma universidade. Bastava o trabalho e o compromisso de algumas pessoas. Ninguém ficou rico, mas também ninguém perdeu. E existe até hoje, guardado para a cidade e seus milhões de habitantes, um importante centro artístico e intelectual.

Não vejo por que alguns — três? quatro? — dos milhões de habitantes do Rio de Janeiro não poderiam intervir com um procedimento similar. Porque esses lugares não surgem à toa. Não devemos pensar que são facilmente substituíveis. É preciso gerações para construir uma história e um acervo como a da Leonardo da Vinci.

Agora, o paciente está às vésperas da extinção. Será preciso grande criatividade para reanimá-lo. Mas não está morto ainda. A dona, Milena Duchiade, tem dito nesse jornal que gostaria que a livraria continuasse e que está aberta a propostas. Que melhor desafio para quem quer contribuir para a vitalidade do Rio de Janeiro?

Quem tomaria conta disso teria já a maior parte do patrimônio. Teria a oportunidade de modernizar uma tradição carioca. E também teria uma resposta — concreta e pessoal — ao venenoso pessimismo que consiste em ficar reclamando de um Brasil cujos problemas são inevitavelmente a culpa de outra gente.

Porque desistir da Leonardo da Vinci é, de certa forma, desistir do Rio de Janeiro. É uma maneira de dizer adeus ao Rio de Drummond e de Clarice e aceitar que, daqui para a frente, a cultura é um negócio de São Paulo — e de aceitar que o Rio estará ficando cada vez menos cidade maravilhosa.

Benjamin Moser é autor de “Clarice, uma biografia” (Editora Cosac Naify), sobre Clarice Lispector. Atualmente prepara uma biografia da escritora e ensaísta americana Susan Sontag

dica do Marcos Florentino

‘Inviável’, Livraria Leonardo da Vinci anuncia fechamento

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Milena Duchiade, herdeira da livraria: “nosso modelo de negócio é inviável” - Ana Branco

Milena Duchiade, herdeira da livraria: “nosso modelo de negócio é inviável” – Ana Branco

Loja frequentada por intelectuais e artistas fez fama por vender obras importadas; liquidação começa em junho

Matheus Campos e Maurício Meireles, em O Globo

RIO – Depois de 63 anos de serviços literários prestados ao Rio de Janeiro, a Livraria Leonardo da Vinci perdeu a batalha para os novos tempos e vai fechar as portas ainda em 2015. A loja, fundada pelo romeno Andrei Duchiade, realizará uma queima de estoque a partir de 1º de junho. Milena Duchiade, herdeira do negócio, afirma que é impossível continuar operando com prejuízo. Numa tentativa de diminuir as perdas, a casa já começou a desocupar as quatro salas do histórico Edifício Marquês de Herval, na Avenida Rio Branco. Até o mês que vem, serão apenas duas, abertas até o fim da liquidação.

— Teimosia tem limite. Nosso modelo de negócio é inviável. Nós estamos sendo punidos por nossas qualidades. Nossas virtudes tornaram-se defeitos. Não temos um café, não vendemos papelaria, nem informática. Vendemos pouca autoajuda e poucos best-sellers. Temos um nicho, muito específico, que está sob pressão — admite.

Desde 1952, a livraria é reduto de intelectuais e universitários que buscam obras importadas. Em tempos anteriores à internet, era responsável por suprir os leitores com os últimos lançamentos editoriais da Europa e dos EUA. Aos poucos, foi adicionando títulos nacionais às prateleiras. Carlos Drummond de Andrade homenageou a loja, que fica no subsolo do prédio, com versos. Na época da morte de Andrei, em 1965, quem assumiu o comando foi sua mulher, Giovanna Piraccini. Em 1996, Milena se juntou à mãe na gerência dos negócios.

Nas estantes da Leonardo da Vinci ainda repousam livros cujo preço original era cotado em pesetas espanholas e francos, da França, por exemplo. As obras, que fazem parte de um estoque estimado em mais de cem mil exemplares, foram compradas antes do surgimento do euro, em 2002, e esperam até hoje para serem vendidas. O modelo de negócios, baseado em fidelização da clientela, títulos especializados e, por conta disso, em um ritmo lento de vendas, esgotou-se de vez com o protagonismo de lojas virtuais e megalivrarias, diz Milena. Nem a incursão na Estante Virtual, site que reúne sebos e livrarias, foi capaz de reduzir as perdas. Milena afirma que as obras no Centro da cidade, nos últimos anos, aceleraram o processo:

— Foi a pá de cal que faltava. Nos dias seguintes às manifestações de 2013, as calçadas ficavam cheias de cacos das vidraças dos bancos. Quem anda na rua assim? Com a Rio Branco cheia de estilhaços e tapumes? No fim de 2014, em novembro, começaram as obras que destruíram a avenida. As pessoas não conseguem circular mais por aqui.

Embora esteja decidida a fechar a Livraria Leonardo da Vinci, Milena admite que gostaria de ver o negócio perpetuado por outras mãos:

— Estou aberta a conversas e propostas. Meu sonho é que alguém continue a livraria. A Confeitaria Colombo, por exemplo, não pertence à mesma família, mas continua. No exterior, existe um movimento de jovens que retomam livrarias antigas e botam sangue novo, dinheiro novo, ideias novas.

 

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