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Livraria Leonardo Da Vinci reabre nesta quinta-feira totalmente reformada

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Daniel Louzada, à frente da livraria desde fevereiro, comandou a enorme reforma na tentativa de tornar o negócio sustentável e agora procura sócio para segunda loja - Fabio Rossi

Daniel Louzada, à frente da livraria desde fevereiro, comandou a enorme reforma na tentativa de tornar o negócio sustentável e agora procura sócio para segunda loja – Fabio Rossi

 

Livraria mantém aposta em acervo e recebe bate-papo com o poeta Antonio Cícero

Leonardo Cazes, em O Globo

RIO – Nos quatro meses de reforma da Livraria Leonardo Da Vinci, a pergunta que o novo dono, Daniel Louzada, mais ouviu foi: “mas a Da Vinci não acabou?”. Não, a livraria não só não acabou como reabre hoje totalmente remodelada e recebendo um bate-papo com o poeta Antonio Cicero. Os frequentadores mais saudosos da loja no subsolo do edifício Marquês do Herval, na Avenida Rio Branco, poderão até sentir falta do ambiente labiríntico de outrora. As paredes foram derrubadas para dar amplitude ao espaço, acomodar melhor os livros e o novo café. Contudo, o amplo acervo de obras de artes e ciências humanas continua lá, agora reforçado por uma seção de literatura. A icônica mesa de Dona Vanna Piraccini, a antiga dona, foi restaurada e coberta de livros.

Louzada conta que seu plano inicial era fazer uma intervenção mais modesta, mas, para o negócio ser sustentável, achou necessária uma grande transformação. O maior investimento foi feito no mobiliário. As mesas agora são móveis e podem ser rearrumadas a depender do evento.

— A Da Vinci era uma livraria que tinha torcida, mas não cliente comprando — diz o livreiro, que por 15 anos trabalhou na Saraiva. — A preocupação foi compreender o lugar da Da Vinci. E o nosso lugar é a alternativa. Não temos como competir com as grandes redes nos best-sellers, mas vamos ter a melhor seleção dentro da nossa proposta.

Apesar de não poder competir com as gigantes nos descontos, os best-sellers estarão à venda, explica Louzada. Só não estarão em destaque. Na estante de literatura estrangeira, por exemplo, é possível encontrar uma farta seleção de Bernard Cornwell e John Grisham e, na de religião, Padre Marcelo Rossi. Já na área de literatura brasileira, há todas as obras de Clarice Lispector.

Encontros e clube de leitura

Logo na entrada, ao lado de uma máquina de escrever, foi criado o espaço “O escritor indica”. Na estreia, o jornalista Mário Magalhães, autor de “Marighella”, escolheu algumas de suas biografias favoritas, como “Padre Cícero”, de Lira Neto. O acervo de ciências humanas, carro-chefe da casa, impressiona: são 1,2 mil títulos de ciências sociais e 700 de filosofia.

Nas paredes estão a inspiração do livreiro: Ênio Silveira, fundador da Civilização Brasileira, e a própria Vanna Piraccini. Uma das séries de encontros previstos, inclusive, será “Reencontros com a Civilização Brasileira”. O primeiro convidado será o historiador Jorge Ferreira. Já a série que marca a reinauguração é a “Papo de quinta”, quando escritores e críticos vão conversar com o jornalista Miguel Conde. A Da Vinci também vai ganhar um clube de leitura e atividades para crianças aos sábados.

Apesar das dificuldades, Louzada demonstra confiança na proposta e afirma que procura um sócio para abrir uma segunda loja:

— Eu acredito na missão civilizadora da livraria. Esse é o papel da Da Vinci. Por isso ela continua aberta, completando 64 anos neste mês.

“PAPO DE QUINTA COM ANTONIO CICERO”

Onde: Livraria Leonardo Da Vinci — Av. Rio Branco, 185, Centro, subsolo (2533-2237)

Quando: Nesta quinta-feira, às 18h.

Quanto: Grátis.

Um teatro do século XIX convertido numa espetacular livraria em Buenos Aires

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Publicado no Idealista

O Ateneu Gran Splendid em Buenos Aires abriu em 1919 como teatro, mas em 2010 converteu-se numa livraria e loja de música de 2.000 m2 de superfície. Conserva os frescos do teto pintados pelo artista italiano Nazareno Orlandi e as cariátides esculpidas por Troiani Troiano.

O arquiteto argentino Francesco Manzone liderou a reconversão em 2012 deste espetacular edifício. Onde havia lugares de plateia colocou estantes cheias de livros e música. Muitos detalhes do antigo teatro foram conservados, tal e qual, como o auditório.

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Nesta livraria é proibido usar tablets e smartphones: somente livros podem ser abertos

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Daia Florios, no Green Me

Em um mundo dominado pelo e-book e pela internet, ainda existem pessoas que preferem o livro de papel. Em Londres, os arquitetos espanhóis José Selgas e Lucía Cano projetaram a New London, uma livraria que proíbe o uso de quaisquer dispositivos eletrônicos, principalmente os celulares.

O interior da biblioteca se assemelha a um labirinto em que os leitores podem entrar e se perder entre as centenas de volumes. Os arquitetos se inspiraram no conto A Biblioteca de Babel do escritor argentino Jorge Luis Borges, onde o mundo é constituído por uma biblioteca infindável.

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Na New London, as prateleiras são feitas de materiais reciclados, são irregulares e posicionadas ao lado de espelhos que criam um efeito óptico particular. A única tecnologia presente, um computador, é utilizada para o inventário de livros porque para todo o resto, a palavra de ordem é no-tech.

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“Acreditamos no valor dos livros e da literatura, mas hoje muitas coisas são mortas pelo digital. Mas uma das maiores alegrias é comprar um livro de papel e as bibliotecas são o melhor lugar para encontrar novas ideias”, explica o co-fundador da biblioteca Rohan Silva, para o site Dezeen.

“O projeto da livraria enfatiza seja o artesanato seja a alegria da descoberta. As linhas suaves das prateleiras parecem refletir-se umas sobre as outras, que por suas vezes se refletem nos espelhos interiores. Isso permite que se encontre facilmente um livro, passando rapidamente os olhos para cima e expandindo o seu horizonte”, diz o outro fundador, Sam Aldenlton.

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Se você por acaso estiver em Londres e quiser se desligar da rotina tecnológica, a New London está localizada no número 65 da Hanbury Street.

Sem funcionários e sem caixa: a livraria da honestidade existe

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Daia Florios, no Green Me

Imagine entrar em uma livraria, ver uma enorme quantidade de livros nas prateleiras para escolher a vontade, decidir comprar e quando você vê, não tem ninguém a quem se dirigir para efetuar a compra. Mas tem uma caixa onde você coloca o valor, ou a soma dos valores, escrito na capa do livro. Como você agiria?

Em Nanjing na China, esta livraria realmente existe, e não por acaso é chamada de Honesty Bookstore, a Livraria da Honestidade. Nenhum funcionário fiscaliza o movimento da loja, nem tampouco os pagamentos depositados na caixa. Os usuários podem ler livremente e em seguida, pagar pelos livros que eles escolherem, deixando o dinheiro em uma caixa selada de cor amarela.

Uma grande e incrível experiência social para sensibilizar a opinião pública sobre os atos de honestidade e a integridade moral das pessoas e, acredite ou não, até agora os chineses estão fazendo tudo certinho, ou seja, pagando pela quantidade correta, como se ali houvesse um caixa de verdade.

Sem qualquer tipo de controle – exceto aquele ligado à própria consciência – não há livros roubados. Um balanço extremamente positivo, de acordo com os organizadores da iniciativa, porque o dinheiro levantado dentro da caixa, é suficiente e, na verdade, corresponde aos livros ausentes das prateleiras.

A livraria da honestidade que está localizada na rua Xinjiekou tornou-se, em pouco tempo, um ponto de encontro dos fãs da leitura que podem escolher romances, livros infantis e best-sellers, dentro da oferta de uns 1.500 volumes disponíveis.

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Somente no primeiro dia de abertura, a livraria vendeu mais de 300 livros e um total de 800 durante o primeiro final de semana. Um resultado que deixa literalmente atordoado porque, experimentos semelhantes tinham sido feitos no passado, mas não tiveram o mesmo resultado positivo.

Lembrem-se, por exemplo, do restaurante chinês self-service em Fujian, onde os clientes eram convidados a pagar apenas o que eles achavam justo pela refeição. Na ocasião, 20% das pessoas tinham pagado zero e os proprietários foram obrigados a terminar o experimento muito rapidamente.

A livraria parece ser uma boa iniciativa que não apenas mostra a integridade e a honestidade do seu público, como também um amor sem limites à leitura.

Os livros não têm pressa

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Leitor folheia livros numa livraria de Madri, nesta quarta-feira. LUIS SEVILLANO

Leitor folheia livros numa livraria de Madri, nesta quarta-feira. LUIS SEVILLANO

 

Plataforma Amazon entrega pedidos literários, entre outros produtos, em menos de duas horas

Juan Cruz, no El País

Juan Cueto levou da Itália para a Espanha o conceito da vida lenta. Era o começo dos anos noventa, quando o sociólogo Enrique Gil Calvo escreveu Prisa por Tardar (pressa de demorar) e o filósofo Emilio Lledó publicou El Silencio de la Escritura (o silêncio da escrita), e antes de saírem Los Libros y la Libertad (os livros e a liberdade), em defesa da leitura detida. Agora, a invasão da Internet associa tudo à pressa, e esse sentimento chegou de tal modo à leitura (e ao consumo literário) que a multinacional Amazon acaba de lançar em Madri um serviço (ainda não disponível no Brasil) que entrega os livros (mas também hortaliças, iogurte, manteiga…) em uma ou duas horas.

Ter um livro é tão urgente como ter óleo para fritar ovos ou iogurtes para uma bolacha? As pessoas com as quais conversamos relativizam o sufoco: a revolução da pressa não vai matar a estrela do livro, que é o silêncio, o sossego e, portanto, o tempo.

Para explicar isso, o espanhol Luis Landero, autor do livro Juegos de la Edad Tardía (Jogos da idade tardia), recorre a Ortega y Gasset, que dizia que um livro “aumenta o coração”. “A vida não tem argumento, e o livro lhe confere harmonia.” Os livros, além disso, não são procurados, são achados. “Assim fiz o meu cânone: Rubén me levou a Antonio Machado, Bécquer a Juan Ramón Jiménez, e este à Geração de 27. Para isso a pessoa vai a uma livraria: para bisbilhotar. E os livros aparecem na sua frente.”

Saber escolher

“A lentidão” nos educa, diz Landero. “A solidão, as paisagens. E uma livraria é essa paisagem também. Agora a rapidez é em si mesma um artigo de consumo. A lentidão é laboriosa; o imediatismo é o elogio do desmesurado. A rapidez deveria estar entre os pecados capitais!” Seu colega espanhol Lorenzo Silva acha o lugar menos importante. “Compro pela Internet, em livrarias, em lojas de departamentos, onde o livro me apanhar. Eu gosto de comprar livros, de lê-los… E isto da Amazon nem sequer é uma invenção: há anos se faz por aqui, mas é verdade que não com tanta rapidez.”

Na filosofia da lentidão se move Carlos García Gual, sábio do mundo clássico. “A questão é escolher. E para isso a pressa não ajuda. O imediatismo na aquisição – de livros, por exemplo – propõe algo que remete ao supermercado. Na livraria há o livreiro, e lá você dá uma olhada e uma folheada. Nos supermercados (de livros, por exemplo) ninguém o conhece. Aí escolhem por você. Vender-lhe um livro porque já é best seller não significa que estejam lhe vendendo o melhor.” E se este fosse um episódio da história da leitura, que tempo seria? “Um tempo bastante triste. A esperança é o leitor não poluído pela propaganda, o pequeno editor que se atreve com o que não tem grande difusão… E a livraria, claro.” Alguma vantagem em receber o livro já? “Quando você faz um trabalho urgente. Mas o prazer de ler se busca lentamente.”

Javier Celaya, que dedica sua vida a analisar a relação do mundo digital com o mundo editorial, foi recentemente à nova Foyles, a lendária livraria de Londres. “Wi-fi em todos os andares … Lá não é preciso se comunicar com ninguém: o celular leva você até a gôndola onde está o livro que você procura. A Amazon entendeu bem essa lógica do serviço. Mas a suposta necessidade de encontrar rapidamente um livro provoca mais necessidade de consumo. É o ‘quero e quero já’; você se sacia imediatamente, mas logo vai querer mais.”

Então a pressa veio para ficar? “Em tudo. O EL PAÍS disse outro dia: olhamos o celular 200 vezes por dia para saber as novidades.” Restará algo de lento na vida? “Os momentos de desconexão total, que eu desfrutarei a partir de 8 de agosto”, diz Celaya. E tanta rapidez não é ruim para a saúde? “O cérebro se acomoda, como depois de qualquer revolução.” Iremos nos acariciar rápido também? “Hahaha, Vamos fazer tudo rápido… Mas, olha, os ingleses, como os espanhóis, criaram serviços de livraria de proximidade, não são tão rápidos como anuncia a Amazon, mas funcionam.” Aliás, você sentiu falta do livreiro na Foyles? “A verdade é que o livreiro fez seu trabalho antes: criou uma vitrine, colocou os livros de maneira que me atraíram… E isso transforma a necessidade de perguntar a um livreiro algo peculiar.”

Para Verónica García (distribuidora, à frente da Machado Libros) parece compreensível que os livreiros (e os distribuidores e editores) estejam “um pouco inquietos e vejam uma certa ameaça. Mas a Amazon não vai substituí-los. Para nós, por exemplo, importam os clientes naturais, os livreiros e os editores. Se os editores não publicam ou não reeditam, não podemos atender. E com a Amazon acontecerá o mesmo: se não tivermos livros, eles também não terão, por mais que lhes peçam rápido”.

E o esforço da rapidez se justificaria para o trabalho de livreiros e distribuidores? “O preço dos livros seria proibitivo para o cliente e para o usuário. Mas a Amazon é uma plataforma que concorre com os supermercados. Podem usar os livros como chamariz, mas não se dedicam de verdade ao mesmo que nós. Aconteceu com o livro escolares: as grandes magazines começaram a vendê-lo, com tudo o que significava a volta às aulas. Mas não, o livro não é um medicamento, não tem de ser comprado (nem vendido) da mesma forma que a manteiga e o iogurte”. Lembre-se de que o iogurte não sai de moda.
“Sim, sim, sim. Como os bons livros!”

Fernando Valverde, secretário do Grêmio de Livreiros da Espanha, e livreiro ele mesmo, situa o assunto: “Não estamos irritados agora com a Amazon…, estamos faz tempo, e estamos discutindo com essa multinacional; nos parece estranho, em todo caso, que as instituições que não se retratam conosco se retratem com eles. Nem o Ministério da Cultura nem as instituições locais nos dão muita atenção. Isso nos irrita”. E a rapidez não é concorrência? “É um slogan. A reivindicação da pressa não serve para os livros; o livro exige tempo lento, a volta ao prazer. Pressa e leitura não combinam.” Lola Larumbe, sua colega, enxerga a situação assim: “Uma livraria de bairro é uma sorte para os vizinhos, mas também para as instituições: desenvolve a cultura. Na França essa atividade livreira é reconhecida, é subvencionada, e assim ajudam a difundir a leitura, a manter o emprego e a fazer com que a vida do bairro sobreviva”.

A poesia vai devagar

Federico García Lorca escreveu a Miguel Hernández: “Os livros de poesia vão devagar, querido Miguel”. César Rendueles, sociólogo autor de El cambio político na era da utopia digital (a mudança política na era da utopia digital) destaca um fato: “A atividade editorial já estava acelerada na Espanha. Publica-se muitíssimo, os livros duram um mês no máximo nas livrarias, e isso afeta sobretudo o ensaio, a poesia e a história. Se um livro não vende em um mês, acabou… E para isso a Amazon faz melhor o trabalho: grande consumo, elimina intermediários”. E então? “Que mude a dinâmica editorial, que os selos não se concentrem nos livros de grande venda, porque assim cavam a própria sepultura, e com eles vão junto as livrarias… Não é a morte do livro, é a morte do leitor, porque neste país de tantos livros as pessoas leem cada vez menos”.

Os livros vão lentamente, e continuarão assim, diz Lola Ferreira, que é e foi tudo no setor na Espanha. “Rápido você quer um livro que se ajusta à moda do best-seller: quero este livro já. O comprador de livraria continuará querendo essa ajuda.” “Mas o comércio da livraria terá de se modernizar, como o da distribuição. E para isso é preciso que todos os setores entrem em um acordo”, adverte.

E esse acordo é tão difícil, talvez, quanto recuperar o esforço para voltar a ser lentos na sociedade que tem pressa para obter informação, iogurtes e livros como se fossem remédios para um ataque no meio da noite.

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