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Livrarias por aí: Shakespeare and Company, Paris

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Aline T.K.M., no Escrevendo Loucamente

UM POUQUINHO DA HISTÓRIA

A primeira Shakespeare and Company foi aberta em 1919 pela norte-americana Sylvia Beach e logo se tornou um ponto de encontro e agitação cultural parisiense. Especializada em literatura de língua inglesa, era frequentada por grandes nomes do século XX – Hemingway, Scott Fitzgerald e James Joyce, só para citar alguns. Inclusive, foi Sylvia Beach quem publicou a obra Ulisses, de James Joyce. A loja fechou suas portas em 1941.

Uma outra livraria foi aberta, em 1951, pelo também americano George Whitman. Esta, situada na rue de la Bûcherie (pertinho da Notre-Dame de Paris), foi nomeada Le Mistral, mas com prévia autorização e em homenagem a Sylvia Beach, f

A livraria continuou o legado da Shakespeare and Company de Sylvia Beach, encorajando novos escritores (que podem ficar hospedados no estabelecimento), mantendo o status de livraria independente e guardando a aura alternativa – e lendária – que sempre envolveu seu nome. Atualmente, quem dirige a loja é a filha de George, Sylvia Whitman, cujo nome lhe foi dado em homenagem a Sylvia Beach. George Whitman faleceu em dezembro de 2011, aos 98 anos.oi renomeada para Shakespeare and Company.

Sacola de lona à venda na loja:
mimo imperdível!

 

AOS MEUS OLHOS

Entrar na Shakespeare and Company é como adentrar outra dimensão, um lugarzinho singular que parece perdido no tempo. Pilhas de livros por todos os lados, passagens estreitas, uma máquina de escrever e uma espécie de mural abarrotado de recadinhos deixados por visitantes do mundo todo. Além, claro, da frase que estampa uma das paredes da loja: “Be not inhospitable to strangers lest they be angels in disguise” (algo como “Seja hospitaleiro com os estranhos, pois podem ser anjos disfarçados”). Ainda, a livraria conta com atividades regulares, como o chá aos domingos, sessões de leitura e encontros com escritores.

Vale a pena visitar o site da Shakespeare and Company para ler sua história de forma mais detalhada e ver fotos de lá. Infelizmente, não é permitido tirar fotos dentro da livraria e eu não quis arriscar; ainda assim, espero que curtam as fotos que fiz da fachada!

Na frente da loja, olhando para a Notre-Dame de Paris,
amo esta foto!

A Shakespeare and Company é considerada por muitos como a livraria mais charmosa do mundo. Olha, não sei se do mundo inteiro, mas sim, definitivamente, é a livraria mais charmosa em que já coloquei meus pés!

 

LITERATURA RELACIONADA

Shakespeare and Company – Uma livraria na Paris do entre-guerras
de Sylvia Beach, editora Casa da Palavra, 280 páginas
Divertida autobiografia de Sylvia Beach, livreira, editora e escritora que, em 1919, abriu a livraria Shakespeare and Company numa ruela da Rive Gauche, em Paris.

Um Livro Por Dia – Minha temporada parisiense na Shakespeare and Company
de Jeremy Mercer, editora Casa da Palavra, 320 páginas
As memórias de um jornalista mochileiro no melhor estilo bibliomania. Com pouco dinheiro no bolso, descobriu que poderia dormir e viver na Shakespeare and Company em troca de trabalho.

Livros ficam mais baratos no Brasil, mas cai o número de leitores

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Novos números mostram valores irrisórios do e-book e crescimento do segmento de livros técnicos

Novos números mostram valores irrisórios do e-book e crescimento do segmento de livros técnicos
Foto: Breno Airan/ Arquivo

Publicado originalmente no Tribuna Hoje

Estimado em R$ 4,8 bilhões, o mercado editorial brasileiro está produzindo mais e imprimindo mais. Em termos de faturamento, no entanto, o crescimento de 2011 comparado ao de 2010 foi mínimo, de apenas 0,81% – já descontada a inflação e somadas as vendas das editoras para livrarias e leitor final e também para o Governo. Se excluídas dessa conta as expressivas compras do Governo, sobretudo o Federal, que sustentam muitas editoras, o que se registrou, no último ano, foi queda real de 3,27%. As informações são da pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro 2011, revelada nesta quarta-feira, 11, em São Paulo.

Feita pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) por encomenda da Câmara Brasileira do Livro (CBL) e Sindicato Nacional de Editores (Snel), a pesquisa ouviu 178 editoras, uma amostra considerada por Leda Paulani, da Fipe, como suficiente estatisticamente. São cerca de 500 as editoras ativas no País.

Para Karine Pansa, presidente da CBL, 2011 foi um ano ruim para todos os setores da economia se comparado ao anterior. “Livro não é produto de primeira necessidade, como o arroz e o feijão, e vai ser o primeiro item a deixar de ser comprado.” Mas ela ressalta que o mercado está seguro. “Estamos vivendo um momento de estabilidade com tranquilidade por saber que o mercado está estruturado para se manter mesmo em momentos difíceis”, comenta Pansa.

E está sendo um momento difícil especialmente para o segmento de obras gerais, que registrou queda de 11,07% no faturamento – caindo de pouco mais de R$ 1 bilhão em 2010 para R$ 903 milhões em 2011. Essa queda tem sido contínua. Em 2010, o faturamento já tinha ficado 6,38% menor do que o do ano anterior.

Também ganhou-se menos dinheiro com os livros religiosos – R$ 464 milhões em 2011 contra R$ 494 milhões em 2010. Aqui, vale lembrar que a edição anterior da pesquisa mostrava que o setor era o que mais crescia. Se agora a queda é de 6%, em 2010 o crescimento foi de 24%.

Quem cresceu mesmo em 2011 foi o segmento de livros científicos, técnicos e profissionais (CTP). Ele faturou R$ 910 milhões contra os R$ 739 milhões de 2010. O aumento, de 23,10%, pode ser relacionado ao boom da educação superior, expresso no aumento de estudantes universitários e numa maior demanda por livros técnicos, apontou Leda.
Os didáticos ainda são responsáveis pela maior fatia deste mercado e o setor teve um crescimento de 7,87% em relação a 2010, quando o faturamento foi de R$ 1,1 bilhão. O setor fechou 2011 com R$ 1,18 bilhão.

Produção. Foram produzidos, no total, 58.192 títulos em 2011 – em 2010 o número era 54.754. Desse total, 20.405 foram feitos em primeira edição e 37.787 se referem a reimpressões; 4.686 são títulos traduzidos e 53.506 de autores brasileiros. Em exemplares produzidos, o número foi parecido: 492.579.094 (2010) e 499.796.286 (2011).

Outro dado que chama a atenção refere-se às tiragens das obras em primeira edição, que ficaram 33,39% menores em 2011, totalizando 90.112.709 exemplares impressos. A Fipe diz que uma mudança na nomenclatura da questão na pesquisa pode ter influenciado na conta, mas há outros fatores.

Para Karine Pansa, existe hoje a necessidade de ter mais e mais títulos em primeira edição para garantir maior espaço de exposição nas livrarias. Sonia Jardim, presidente do Snel, concorda: “Com a competição, a estratégia das editoras muda. Elas ampliam a oferta de lançamentos e diminuem a tiragem, e rezam para alguma coisa funcionar. Se funciona, você entra então na reimpressão.” Foram reimpressos 409.683.577 exemplares, 14,66% a mais do que no ano passado.

Venda. Dos R$ 4,8 bilhões que o mercado editorial fatura, R$ 3,4 bilhões são de venda para livrarias e outros canais de distribuição e R$ 1,3 bilhão para o Governo – e esse valor depende sempre dos programas de compra vigentes naquele ano.

As livrarias ainda são o lugar preferido dos brasileiros para comprar livros. Elas são responsáveis por 44% dos exemplares vendidos e por 60% do que se fatura com livro no País. Em termos de faturamento, aparecem na sequência distribuidores (20,5%), porta a porta (4,97%), escolas (2,8%), igrejas e templos (1,74%). Supermercado, banca de jornal e internet são alguns dos outros canais de venda.

O segmento de venda porta a porta, que tinha 16,6% do mercado em 2009 em número de exemplares comercializados, saltou para 21,6% em 2010 e fechou 2011 com 9,07%. A crise da Avon, responsável por boa parte dessas vendas, e o aumento da participação de igrejas e templos na venda de livros (4,03% em 2011 contra 1,47% em 2010) podem ter sido alguns dos fatores deste desempenho. O faturamento desse canal, apesar de menor que os outros, também teve um bom crescimento – de R$ 18 milhões em 2010 para R$ 60 milhões no ano passado.

Foram vendidos, em 2011, 469.468.841 exemplares – dos quais 283.984.382 para o mercado e 185.484.459 para o Governo.
Preço. O livro está ligeiramente mais barato e hoje custa, em média, R$ 12,15. Em 2010, o valor era R$ 12,94. O valor pago pelo governo, no entanto, ficou em R$ 7,48. Esses números não são comparáveis, já que por comprarem em quantidades altíssimas, os órgãos responsáveis por essas negociações fazem o preço. Por outro lado, esse valor mais baixo do livro para o consumidor final pode estar relacionado ao aumento da oferta de obras mais econômicas, como as em formato de bolso.

O preço do livro tem ficado mais barato a cada ano e o setor se preocupa. “A competição entre as editoras é alta e chega uma hora que isso tem que ter um limite. Olhamos com preocupação para o futuro. Quando vemos que o crescimento está abaixo da inflação e do PIB temos que estar atentos. Daqui a pouco vamos pagar para comprarem nossos livros e isso é impossível”, diz Sonia Jardim.

Digital. Pela primeira vez, a pesquisa da Fipe incluiu os e-books. “Estamos na fase de investimento. Como o número é pequeno, qualquer crescimento é geométrico, mas o número é inexpressivo”, comenta Sonia. Foram vendidos, no total, 5.235 itens digitais – de arquivos em PDF a aplicativos. O faturamento ficou em R$ 868 milhões.

A chegada da Amazon também esteve em pauta na apresentação da pesquisa. “Esperamos que a Amazon venha aumentar o mercado, não acabar com nenhum elo da cadeia e nem assombrar nenhum editor. Esperamos, então, que ela venha complementar a oferta de títulos e aumentar a possibilidade de distribuição de uma maneira mais igualitária dentro do nosso país, já que não temos livrarias em todos os municípios”, comenta Karine Pansa.

“Olhamos com algum temor para o que aconteceu no mercado americano. A segunda maior cadeia de livrarias ter quebrado lá é uma preocupação. Esperamos que a entrada de um player desses, com um poder de fogo enorme, não venha dar uma chacoalhada no nosso mercado e que todos consigam conviver em paz e harmonia. Que a Amazon venha para fazer crescer o mercado, e não para desestabilizá-lo”, avalia Sonia Jardim.

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