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Dia do Bibliotecário: conheça espaços cariocas dedicados aos livros

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Real Gabinete Português de Leitura Foto: Agência O Globo

Confira uma lista com algumas das principais bibliotecas da cidade, como o Real Gabinete Português de Leitura

Sergio Luiz, em O Globo

No Brasil, desde 1980, o Dia do Bibliotecário é comemorado a cada 12 de março. Para celebrar a data e a profissão, que organiza ideias, pensamentos e informação para o acesso do público, protegendo e disseminando conhecimento, preparamos uma lista com algumas das principais bibliotecas do Rio. Bom passeio e boa leitura!

Biblioteca Parque

Apesar de a estrutura atual ter sido inaugurada em 2014, inspirada no modelo de gestão das bibliotecas públicas de Bogotá e Medelin, a Biblioteca Parque Estadual tem uma história que remonta a 1873, e já foi chamada de Biblioteca Municipal do Rio de Janeiro, Biblioteca Pública do Estado do Rio de Janeiro e Biblioteca Estadual Celso Kelly. A instituição chegou ao atual endereço em 1943, na então nova Av. Presidente Vargas.

Em 1987, após um incêndio três anos antes, um novo prédio foi inaugurado, seguindo as diretrizes de seu idealizador, o antropólogo e ex-vice-governador do Rio Darcy Ribeiro. O edifício de hoje mantém as características imaginadas por ele.

— A ideia era criar uma instituição que fosse ligada a outras iniciativas com o intuito de servir a população e combater a violência. É através da cultura que você cria um cidadão, muda uma cidade — diz Ana Ligia Medeiros, diretora do Centro de Memória e Informação da Fundação Casa de Rui Barbosa, que trabalhou com Darcy Ribeiro na montagem do projeto das bibliotecas estaduais.

Com 15 mil metros quadrados, teatro com 195 lugares, auditório com 75 assentos, salas multiuso, café, pátio e bicicletário, a BPE tem um acervo que conta com 250 mil livros, 20 mil filmes e 2,5 mil livros em braile, além de seu espaço infantil.

— Um equipamento desse equivale a um aparelho de resistência, a um quilombo. É um crime não educar seus cidadãos — afirma a poeta e atriz Elisa Lucinda.

Biblioteca Parque Estadual: Av. Presidente Vargas 1.261, Centro — 3171-7505. Seg a sex, das 10h às 18h. A partir do dia 28 de maio. Grátis. Livre.

Bibliomaison

Situada no 11º andar do Consulado Geral da França, no Centro, a BiblioMaison já vale a visita apenas pela vista deslumbrante que oferece da Baía de Guanabara.

Com seu acervo de 23 mil peças — entre livros (literatura, HQ, arte, ciências sociais, filosofia e infantis), jornais, DVDs e CDs —, a biblioteca, fundada em 1961 e totalmente reformada, apresenta um espaço arejado que traz sofás confortáveis, mesas de estudo, poltronas e salas para os amantes da cultura francesa.

Nos computadores ou tablets disponíveis, o visitante ainda pode acessar serviços como Europresse (revistas e jornais como “Le Monde”, “Libération”, “Lire” e “L’Express”) e Izneo (HQs). O acesso à rede de wi-fi também é gratuito. Quem não fala o idioma de Proust não precisa se preocupar, já que há títulos em português também.

Para completar o passeio, ainda há o CafeMaison, do chef francês David Jobert, além do Teatro Maison de France e o CineMaison, com programação gratuita.

BiblioMaison: Consulado Geral da França. Av. Antonio Carlos 58, 11º andar, Centro — 3974-6669. Seg, qui e sex, das 10h às 19h. Qua, das 10h às 19h. Sáb (1º e 3º de cada mês), das 9h às 13h. Grátis. Livre.

Biblioteca Nacional

Mais antiga instituição cultural brasileira, a Biblioteca Nacional foi fundada em 1810, com um acervo de cerca de 60 mil itens (entre manuscritos, livros, mapas e estampas), que desembarcaram no Brasil com a família real portuguesa dois anos antes.

Prateleiras da Biblioteca Nacional: acervo tem mais de 10 milhões de itens Foto: Bárbara Lopes / Agência O Globo

Responsável pela execução da política governamental de captação, preservação, guarda e difusão da produção intelectual do Brasil, a BN possui um acervo de mais de dez milhões de objetos, sendo a maior biblioteca da América Latina e uma das maiores do mundo, segundo a Unesco.

Mas quem nunca visitou o local não se espante com a ausência de… livros. Apesar de todos os títulos estarem disponíveis para consulta, os muitos andares que guardam o acervo não são acessíveis ao público, que precisa pedir aos bibliotecários as obras desejadas para consultá-las nas salas de estudo e pesquisa, como a de Periódicos e Referência e de Iconografia.

Entre os milhões de itens da BN, destacam-se arquivos como a Bíblia de Mogúncia, de 1462, que pode ser vista em versão digital interativa no hall principal da biblioteca, e uma cópia da primeira edição de “Os Lusíadas”, de Luis de Camões, de 1572.

Além da sede, a Fundação Biblioteca Nacional ainda administra espaços como a Casa de Leitura, em Laranjeiras, o Auditório Machado de Assis, no Centro, a Biblioteca Euclides da Cunha e o Escritório de Direitos Autorais, ambos na Cidade Nova, e acervo de Música e Arquivo Sonoro, no Palácio Capanema.

Biblioteca Nacional. Av. Rio Branco 219, Centro — 2220-3040. Seg a sex, das 9h às 19h. Sáb, das 10h30m às 15h. Grátis. Livre.

Real Gabinete

Desconhecido de muitos cariocas, o Real Gabinete Português de Leitura, fundado em 1837, é uma das bibliotecas mais bonitas do mundo.

O edifício de estilo manuelino apresenta um salão de pesquisa com mesas de madeira bem no centro dos três andares repletos de estantes e prateleiras de livros dedicados à cultura lusófona. O ambiente é tão espetacular que muitos frequentadores costumam dividir suas atenções entre o livro e os detalhes do prédio.

Entre suas obras raras, o Real Gabinete guarda títulos dos primórdios da impressão de livros, como outra edição princeps de “Os Lusíadas”.

Real Gabinete Português de Leitura. Rua Luís de Camões 30, Centro — 2221-3138. Seg a sex, das 9h às 18h. Grátis. Livre.

Casa de Rui Barbosa

Situada num casarão do século XIX no coração de Botafogo, a Casa de Rui Barbosa é uma mescla de museu, arquivo e biblioteca que guarda a mobília e toda a coleção bibliográfica original do político, jurista e advogado brasileiro.

Na casa principal, o visitante pode ver exatamente como Rui Barbosa organizava seus 37 mil livros de diversas línguas — reza a lenda que ele falava 13 idiomas — que podem ser consultados mediante pedido aos bibliotecários.

A sede da fundação ainda oferece um jardim (todos os dias, das 8h às 18h), reformado há pouco para tentar reconfigurar sua estrutura original, a Biblioteca Infantojuvenil Maria Mazzetti (seg a sex, das 9h30m às 12h e das 14h às 17h) e o edifício de administração, pesquisa, armazenamento e restauração de seu amplo arquivo, como os 25 mil títulos do acervo do bibliófilo Plínio Doyle.

Casa de Rui Barbosa. Rua São Clemente 134, Botafogo — 3289-4600. Ter a sex, das 10h às 17h30m. Grátis. Livre.

Biblioteca do CCBB

Fundada em 1931, a Biblioteca do Banco do Brasil passou décadas com um acervo dedicado a obras técnicas. Com a abertura do Centro Cultural Banco do Brasil, em 1989, ela mudou sua linha de atuação e se tornou referência em áreas como artes, literatura e ciências sociais, com cerca de 150 mil exemplares em sua coleção.

Gratuita, assim como todas as exposições do museu, a biblioteca — que traz sala de multimídia, de leitura, três salas para obras gerais, sala de referências com enciclo- pédias e dicionários, sala de literatura infantojuvenil com mais de 4 mil títulos, além de salas com coleções especiais — é bastante concorrida durante a semana, tanto por quem pesquisa em seu arquivo quanto por estudantes que precisam de um lugar agradável, arejado e calmo para estudar.

Centro Cultural Banco do Brasil. Rua Primeiro de Março 66, Centro — 3808-2020. Qua a seg, das 9h às 21h. Grátis. Livre.

Biblioteca do MAR

Caçula do grupo, a Biblioteca do Museu de Arte do Rio foi inaugurada em 2014. Numa pequena porém agradável sala do quarto andar do museu da Praça Mauá, o espaço mostra um acervo focado em artes visuais, história do Rio e cultura afro-brasileira.

Museu de Arte do Rio. Praça Mauá 5, Centro — 3031-2741. Ter a sex, das 10h às 17h. Grátis. Livre.

Salão Carioca do Livro inspira roteiro por bibliotecas do Rio

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Criança pega um livro na Biblioteca Infantil Maria Mazzetti – Gustavo Miranda / Agência O Globo

Também conhecido como LER, evento marca reabertura da Biblioteca Parque Estadual

Sergio Luz, em O Globo

A segunda edição do LER — Salão Carioca do Livro, que começou ontem e vai até domingo, marca dois renascimentos: o do próprio evento, que não aconteceu no ano passado devido à falta de recursos e à realização da gigante Bienal do Livro; e o da sua sede neste ano, a Biblioteca Parque Estadual (BEP), no Centro, fechada desde o final de 2016, na esteira da crise financeira do Estado.

Após a reabertura das unidades da Rocinha, em fevereiro, e de Manguinhos, em março, é a vez de o espaço de 15 mil metros quadrados da Av. Presidente Vargas voltar à ativa, em iniciativa da Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro.

— Com a reabertura (programada para o dia 28 deste mês), serão retomadas aos poucos as atividades inicialmente idealizadas para cada um dos espaços, permitindo ao público o acesso ao acervo de 200 mil títulos, aos espaços multimídia e ao teatro — diz o Secretário de Cultura Leandro Sampaio Monteiro, por meio de um comunicado.

Além do mundo infinito de conhecimento dos livros e de toda a memória de arquivos e documentos, as prateleiras e estantes espalhadas pelo Rio também proporcionam um oásis de silêncio, introspecção, entretenimento e lazer. Fora os estudantes e pesquisadores, muitos dos espaços também servem para quem busca um abrigo temporário em horas vagas do dia, ar-condicionado, wi-fi grátis ou apenas um lugar silencioso.

Aproveitando o LER e essa nova etapa da BPE, o Rio Show preparou um roteiro por algumas das mais bacanas bibliotecas da cidade. Bom passeio e boa leitura.

Fachada da Biblioteca Parque Estadual – Custódio Coimbra / Agência O Globo

BIBLIOTECA PARQUE

Apesar de a estrutura atual ter sido inaugurada em 2014, inspirada no modelo de gestão das bibliotecas públicas de Bogotá e Medelin, a Biblioteca Parque Estadual tem uma história que remonta a 1873, e já foi chamada de Biblioteca Municipal do Rio de Janeiro, Biblioteca Pública do Estado do Rio de Janeiro e Biblioteca Estadual Celso Kelly. A instituição chegou ao atual endereço em 1943, na então nova Av. Presidente Vargas.

Em 1987, após um incêndio três anos antes, um novo prédio foi inaugurado, seguindo as diretrizes de seu idealizador, o antropólogo e ex-vice-governador do Rio Darcy Ribeiro. O edifício de hoje mantém as características imaginadas por ele.

— A ideia era criar uma instituição que fosse ligada a outras iniciativas com o intuito de servir a população e combater a violência. É através da cultura que você cria um cidadão, muda uma cidade — diz Ana Ligia Medeiros, diretora do Centro de Memória e Informação da Fundação Casa de Rui Barbosa, que trabalhou com Darcy Ribeiro na montagem do projeto das bibliotecas estaduais.

Com 15 mil metros quadrados, teatro com 195 lugares, auditório com 75 assentos, salas multiuso, café, pátio e bicicletário, a BPE tem um acervo que conta com 250 mil livros, 20 mil filmes e 2,5 mil livros em braile, além de seu espaço infantil.

— Um equipamento desse equivale a um aparelho de resistência, a um quilombo. É um crime não educar seus cidadãos — afirma a poeta e atriz Elisa Lucinda, uma das convidadas do LER 2018.

Biblioteca Parque Estadual: Av. Presidente Vargas 1.261, Centro — 3171-7505. Seg a sex, das 10h às 18h. A partir do dia 28 de maio. Grátis. Livre.

LER — SALÃO CARIOCA DO LIVRO

Aberta ontem, a segunda edição do LER — Salão Carioca do Livro, totalmente gratuita, oferece saraus, oficinas, contação de histórias, exposições e bate-papos com autores e artistas como Conceição Evaristo, Márcia Tiburi, Lázaro Ramos, Maria Valéria Rezende, Miriam Leitão, Cristóvão Tezza, Luiz Antônio Simas, Martinho da Vila, Nei Lopes, Nelson Sargento, Geovani Martins e Arthur Dapieve, em espaços como Palco da Palavra, Jardim Literário para crianças, Café do Livro, Salão Digital e o Salão do Livro.

A festa também apresenta montagens teatrais de clássicos como “A megera domada” (hoje, às 11h), “Dom Casmurro” (amanhã, às 10h), “Tristão e Isolda”, “O homem que sabia javanês” (domingo, às 10h).

Alguns dos participantes do LER — Salão Carioca do Livro – Gustavo Miranda / Agência O Globo

— Nossa meta é ser o maior evento aberto do livro na cidade. É gratuito, acessível e inclusivo. Queremos ter todos os pontos de vista, trazer todo mundo para o diálogo. Buscamos a pluralidade — garante o curador Julio Silveira.

Seguindo esse pensamento, Silveira apostou numa programação de vozes múltiplas da literatura brasileira:

— O mundo está muito fechado, as pessoas querem apenas a narrativa que lhes é mais conveniente. Queremos mostrar que há diversos pontos de vista. Ao invés de agredir, devemos evoluir juntos. Esperamos que o público saia com a cabeça mais aberta — diz.

Essa intenção pode ser vista em mesas como “Não foi essa a história que nos contaram”, com Eliana Alves Cruz (romance histórico), Marcelo D’Salete (graphic novel) e Kiusam de Oliveira (literatura infantil), hoje, às16h30m, e “Texto em trânsito”, com Jessé Andarilho e Carlos Eduardo Pereira, também hoje, às 14h30m.

— Essa reabertura é primordial. Vinha muito para cá com minha filha. Tinha também gente que vinha só para matar o tempo, para tomar água, até dormir. É um refúgio intelectual, de lazer, de entretenimento, mas também da própria rua — comenta Pereira.

Andarilho concorda com o colega:

— Sou de Campo Grande. Como minha mulher trabalha no Centro, eu costumava vir pra ler, ver filme e descansar. Era muito ruim ver um espaço como esse fechado — diz.

Vista interna da Biblioteca Parque Estadual – Custódio Coimbra / Agência O Globo

Eliana Alves Cruz faz coro e ressalta a importância da ocasião:

— Minha filha Julia, de 11 anos, chorou quando a biblioteca foi fechada. O salão e a reabertura da biblioteca são incríveis. É um espaço de todos — afirma.

A atriz e apresentadora Cissa Guimarães, que também participa da festa, acredita que participar do LER e lutar pelo projeto das bibliotecas parque é obrigação:

— O que falta na formação desse país é educação. Eu me sinto numa obrigação cívica, como mãe, avó e cidadã — diz.

As inscrições prévias para as atividades do LER estão encerradas, mas há ingressos disponíveis para todas elas. Para garantir ingresso, é aconselhável chegar com antecedência. De hoje a domingo, o salão abre às 10h. A seguir, confira alguns dos destaques.

Sexta (18/5): às 14h, “A importância social e a poética do samba”, com Martinho da Vila, Nelson Sargento e Luiz Antônio Simas; às 19h, “O texto ou a vida, com Cristóvão Tezza e Antonio Xerxenesky; às 19h45m, “Literatura e empoderamento feminino”, com Márcia Tiburi.

Sábado (19/5): às 14h30m, “Mormaço”, com Arthur Dapieve e Giovani Martins; às 17h30m, “Música e letra”, com Joyce Moreno e Ruy Castro; às 19h, “Escrevendo a própria história”, com Conceição Evaristo e Henrique Rodrigues.

Domingo (20/5): às 14h45m, “O protagonismo do negro nas artes”, com Regina Dalcastagnè, Conceição Evaristo, Ruth de Souza, Milton Gonçalves e outros.

Para conferir a programação completa, acesse o site do LER: www.lersalaocarioca.com.br

BIBLIOMAISON

Situada no 11º andar do Consulado Geral da França, no Centro, a BiblioMaison já vale a visita apenas pela vista deslumbrante que oferece da Baía de Guanabara.

Com seu acervo de 23 mil peças — entre livros (literatura, HQ, arte, ciências sociais, filosofia e infantis), jornais, DVDs e CDs —, a biblioteca, fundada em 1961 e totalmente reformada, apresenta um espaço arejado que traz sofás confortáveis, mesas de estudo, poltronas e salas para os amantes da cultura francesa.

Sala de leitura da BiblioMaison, no Centro – Divulgação

Nos computadores ou tablets disponíveis, o visitante ainda pode acessar serviços como Europresse (revistas e jornais como “Le Monde”, “Libération”, “Lire” e “L’Express”) e Izneo (HQs). O acesso à rede de wi-fi também é gratuito. Quem não fala o idioma de Proust não precisa se preocupar, já que há títulos em português também.

Para completar o passeio, ainda há o CafeMaison, do chef francês David Jobert, além do Teatro Maison de France e o CineMaison, com programação gratuita.

BiblioMaison: Consulado Geral da França. Av. Antonio Carlos 58, 11º andar, Centro — 3974-6669. Seg, qui e sex, das 10h às 19h. Qua, das 10h às 19h. Sáb (1º e 3º de cada mês), das 9h às 13h. Grátis. Livre.

BIBLIOTECA NACIONAL

Mais antiga instituição cultural brasileira, a Biblioteca Nacional foi fundada em 1810, com um acervo de cerca de 60 mil itens (entre manuscritos, livros, mapas e estampas), que desembarcaram no Brasil com a família real portuguesa dois anos antes.

Responsável pela execução da política governamental de captação, preservação, guarda e difusão da produção intelectual do Brasil, a BN possui um acervo de mais de dez milhões de objetos, sendo a maior biblioteca da América Latina e uma das maiores do mundo, segundo a Unesco.

Prateleiras da Biblioteca Nacional: acervo com 10 milhões de itens – Bárbara Lopes / Agência O Globo

Mas quem nunca visitou o local não se espante com a ausência de… livros. Apesar de todos os títulos estarem disponíveis para consulta, os muitos andares que guardam o acervo não são acessíveis ao público, que precisa pedir aos bibliotecários as obras desejadas para consultá-las nas salas de estudo e pesquisa, como a de Periódicos e Referência e de Iconografia.

Entre os milhões de itens da BN, destacam-se arquivos como a Bíblia de Mogúncia, de 1462, que pode ser vista em versão digital interativa no hall principal da biblioteca, e uma cópia da primeira edição de “Os Lusíadas”, de Luis de Camões, de 1572.

Além da sede, a Fundação Biblioteca Nacional ainda administra espaços como a Casa de Leitura, em Laranjeiras, o Auditório Machado de Assis, no Centro, a Biblioteca Euclides da Cunha e o Escritório de Direitos Autorais, ambos na Cidade Nova, e acervo de Música e Arquivo Sonoro, no Palácio Capanema.

Biblioteca Nacional. Av. Rio Branco 219, Centro — 2220-3040. Seg a sex, das 9h às 19h. Sáb, das 10h30m às 15h. Grátis. Livre.

REAL GABINETE

Desconhecido de muitos cariocas, o Real Gabinete Português de Leitura, fundado em 1837, é uma das bibliotecas mais bonitas do mundo.

O edifício de estilo manuelino apresenta um salão de pesquisa com mesas de madeira bem no centro dos três andares repletos de estantes e prateleiras de livros dedicados à cultura lusófona. O ambiente é tão espetacular que muitos frequentadores costumam dividir suas atenções entre o livro e os detalhes do prédio.

Real Gabinete Português de Leitura – Agência O Globo

Entre suas obras raras, o Real Gabinete guarda títulos dos primórdios da impressão de livros, como outra edição princeps de “Os Lusíadas”.

Real Gabinete Português de Leitura. Rua Luís de Camões 30, Centro — 2221-3138. Seg a sex, das 9h às 18h. Grátis. Livre.

CASA DE RUI BARBOSA

Situada num casarão do século XIX no coração de Botafogo, a Casa de Rui Barbosa é uma mescla de museu, arquivo e biblioteca que guarda a mobília e toda a coleção bibliográfica original do político, jurista e advogado brasileiro.

Na casa principal, o visitante pode ver exatamente como Rui Barbosa organizava seus 37 mil livros de diversas línguas — reza a lenda que ele falava 13 idiomas — que podem ser consultados mediante pedido aos bibliotecários.

Casa de Rui Barbosa: biblioteca de 37 mil livros – Gustavo Miranda / Agência O Globo

A sede da fundação ainda oferece um jardim (todos os dias, das 8h às 18h), reformado há pouco para tentar reconfigurar sua estrutura original, a Biblioteca Infantojuvenil Maria Mazzetti (seg a sex, das 9h30m às 12h e das 14h às 17h) e o edifício de administração, pesquisa, armazenamento e restauração de seu amplo arquivo, como os 25 mil títulos do acervo do bibliófilo Plínio Doyle.

Casa de Rui Barbosa. Rua São Clemente 134, Botafogo — 3289-4600. Ter a sex, das 10h às 17h30m. Grátis. Livre.

Biblioteca do CCBB

Fundada em 1931, a Biblioteca do Banco do Brasil passou décadas com um acervo dedicado a obras técnicas. Com a abertura do Centro Cultural Banco do Brasil, em 1989, ela mudou sua linha de atuação e se tornou referência em áreas como artes, literatura e ciências sociais, com cerca de 150 mil exemplares em sua coleção.

Biblioteca do CCBB – Rafael Pereira / Divulgação

Gratuita, assim como todas as exposições do museu, a biblioteca — que traz sala de multimídia, de leitura, três salas para obras gerais, sala de referências com enciclo- pédias e dicionários, sala de literatura infantojuvenil com mais de 4 mil títulos, além de salas com coleções especiais — é bastante concorrida durante a semana, tanto por quem pesquisa em seu arquivo quanto por estudantes que precisam de um lugar agradável, arejado e calmo para estudar.

Centro Cultural Banco do Brasil. Rua Primeiro de Março 66, Centro — 3808-2020. Qua a seg, das 9h às 21h. Grátis. Livre.


BIBLIOTECA DO MAR

Caçula do grupo, a Biblioteca do Museu de Arte do Rio foi inaugurada em 2014. Numa pequena porém agradável sala do quarto andar do museu da Praça Mauá, o espaço mostra um acervo focado em artes visuais, história do Rio e cultura afro-brasileira.

Museu de Arte do Rio. Praça Mauá 5, Centro — 3031-2741. Ter a sex, das 10h às 17h. Grátis. Livre.

O triunfo das narrativas femininas na literatura e no cinema

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Baseado no livro de memórias de Cheryl Strayed, o filme ‘Livre’ retoma o gênero das narrativas femininas. Elas misturam casamentos fracassados, aventura e autodescoberta

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Nina Finco, na Época

O desejo de viajar para mudar a vida parece ser parte da mais profunda natureza humana. Inúmeras histórias contaram, ao longo dos séculos, as jornadas de heróis e desbravadores que saíram em busca de aventura e reconhecimento. Modernamente, foi no final dos anos 1950, com o surgimento da cultura beatnik nos Estados Unidos, que a literatura viveu seu último grande boom de relatos “pé na estrada”. A cultura americana, que associa mobilidade e liberdade de forma quase direta, produziu autores nômades, como Jack Kerouac, William S. Burroughs e Allen Ginsberg. Uma característica comum a essas histórias é que seus protagonistas são sempre homens. As mulheres são citadas apenas na condição de acompanhantes das poéticas e atormentadas almas masculinas. Não que elas mesmas não estivessem por lá, vagando. Estavam, atravessando os Estados Unidos a pé ou de carro. Mas suas histórias não costumavam ser ouvidas. Até recentemente. Nos últimos anos, uma leva de escritoras de sucesso está mudando esse cenário.

É o caso de Cheryl Strayed. Seu livro Livre (Objetiva, 376 páginas, R$ 39,90) conta a caminhada solitária de 1.800 quilômetros pela Costa Oeste dos Estados Unidos que Cheryl iniciou em 1995, aos 26 anos. Durante três meses, ela atravessou desertos, montanhas e gelo enquanto tentava lidar com a morte prematura da mãe e as consequências dessa perda. Cheryl se viciou em heroína e traiu o marido seguidamente, até destruir seu casamento. O relato ferozmente sincero da autora comoveu os leitores. O livro ficou sete semanas consecutivas no primeiro lugar da lista dos mais vendidos do jornal The New York Times, em 2012, e foi traduzido para 30 idiomas. Acabou chamando a atenção da atriz Reese Witherspoon. Ela estrelou e produziu a adaptação para os cinemas que estreou no Brasil na quinta-
feira, 15 de janeiro. Na semana passada, foi indicada a concorrer ao Oscar de Melhor Atriz pelo papel. “As pessoas se identificam com minha história porque viajar faz parte de nossos instintos mais antigos”, disse Cheryl em entrevista por telefone a ÉPOCA. “Quando nos colocamos fora de nossa zona de conforto, aprendemos sobre quem somos. Entendemos mais sobre a condição humana.” Em cartaz desde dezembro nos Estados Unidos, o filme já conseguiu US$ 30 milhões, considerado um bom resultado. A crítica adorou o filme. A.O. Scott, do The New York Times, o chamou de “um clássico do feminismo moderno”.

heryl não é a única desbravadora no território das narrativas femininas sobre viagens e transformações existenciais. No ano passado, o filme Tracks (ainda sem tradução para o português) colocou nas telas do cinema a história da australiana Robyn Davidson (interpretada por Mia Wasikowska). Em 1977, ela cruzou 2.700 quilômetros no deserto australiano, a pé, acompanhada de quatro camelos e sua cachorra – depois de ter convivido com aborígenes e caipiras numa cidade do sertão poeirento do país. Depois da viagem – registrada pelo fotógrafo da revista National Geographic Rick Smolan –, Robyn tornou-se uma espécie de propagandista das culturas nômades. Escreveu diversos livros sobre o assunto. As memórias que deram origem ao filme só foram escritas em 1995. Durante a caminhada, Robyn teve de se haver com a morte da mãe, que se matou quando ela tinha 11 anos.

Não é apenas a morte que move as mulheres em direção ao mundo da aventura. Em dois grandes sucessos de venda e bilheteria, o ponto de partida das protagonistas foi a falta de perspectivas e o divórcio. Luto afetivo, portanto. Em 2006, Elizabeth Gilbert lançou suas memórias sobre uma viagem à Itália, à Índia e a Bali após dolorosa separação. Apesar de ter financiado a aventura mundial com US$ 200 mil de uma editora – o que produziu acusações posteriores de que sua “jornada interior” seria apenas uma tarefa bem paga –, as descobertas sobre o amor que Elizabeth relata conquistaram leitores mundo afora. Comer rezar amar vendeu 9 milhões de cópias e tornou-se queridinho da apresentadora Oprah Winfrey, talvez a maior formadora de gosto e opinião do planeta. O filme, lançado em 2010 com Julia Roberts no papel de Elizabeth, obteve mais de US$ 80 milhões em bilheteria.

“As mulheres não saem em jornadas mais frequentemente porque são vistas como agentes de preservação da ordem social, não como agentes de mudança”, afirma a escritora americana Vanessa Veselka, de 46 anos. Ela fez duas grandes viagens pelos Estados Unidos e pela Europa aos 15 e 19 anos. Vanessa, que é divorciada e tem uma filha, diz que, mesmo descontentes com suas vidas, as mulheres ficam presas ao cotidiano por obrigações impostas a elas tradicionalmente pela sociedade, como cuidar da casa e dos filhos. O medo dos perigos da estrada também é um enorme impedimento à exploração feminina. “A possibilidade de estupro e morte está em toda parte para as mulheres”, afirma. Isso acontece, segundo ela acredita, pela falta de divulgação de relatos de mulheres viajantes. “As narrativas nos tornam mais seguras porque permitem que sejamos vistas”, diz ela. “Pior que ter histórias bobas sobre mulheres na estrada é não ter nenhuma história.”

Sob o sol da Toscana conta uma aventura sem estrada. A escritora americana Frances Mayes acabara de passar por um divórcio envenenado por disputas financeiras quando decidiu tirar férias na Itália, no verão de 1990. Lá, faz uma escolha inesperada: usa todo o seu dinheiro para comprar uma casa abandonada de 200 anos e reformá-la. No processo, faz amigos, cura feridas e reencontra o amor. O livro ficou dois anos na lista dos mais vendidos e virou filme em 2003. A história com homens e mulheres felizes com mais de 40 anos virou a bíblia romântica dos maduros em busca de novos horizontes. “É um refresco glorioso passar algum tempo com personagens que não têm 20 anos, uma esposa chorosa e outros arquétipos redutores”, afirmou, na época, o crítico Desson Thomson, do Washington Post.

Um relato que também mistura ficção e realidade é Expresso Marrakesh. A história acompanha uma garotinha de 5 anos numa viagem ao Marrocos com a mãe e a irmã mais velha. A autora, Esther Freud, neta do psicanalista Sigmund Freud, escreveu o livro com base em sua infância incomum: em 1972, sua mãe deixou Londres e levou Esther e sua irmã a uma viagem de autodescobrimento inspirada pelo movimento hippie. A história virou filme em 1998, estrelado por Kate Winslet.

Existem outras narrativas mais antigas sobre mulheres que saem em jornadas de autodescobrimento. Mas são ficcionais. O caso mais conhecido é o filme Thelma & Louise, de 1991. O grande filme dirigido por Ridley Scott tem um componente de violência e fantasia que não se encontra nas histórias de mulheres reais. Márcio Markendorf, professor adjunto do curso de cinema da Universidade Federal de Santa Catarina, diz que as narrativas femininas modernas refletem o espírito do tempo, que se tornou muito mais favorável à liberdade e à autoexpressão das mulheres. Há mais histórias surgindo e elas se tornam mais visíveis. “Está ocorrendo uma passagem da personagem testemunha para a de heroína. Isso sublinha as conquistas éticas, estéticas e políticas das mulheres”, diz ele.

O momento não poderia ser mais oportuno. Elizabeth Cardoso, professora do programa de pós-graduação em literatura e crítica literária da PUC-SP, diz que existe uma demanda por histórias reais no cinema e na literatura. É parte da cultura de reality shows que se impôs nos últimos anos. “Todas as artes estão em diálogo com a realidade”, afirma. “Por esse caminho, a perspectiva feminina vem ganhando espaço.” O público, que vota com o bolso cada vez que entra no cinema ou compra um livro, aprova a tendência. O sucesso das narrativas femininas sugere que elas terão vida longa.

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