Contando e Cantando (Volume 2)

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Mudanças no Jabuti deixam autores e editores revoltados

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Para Roger Mello, colocar a ilustração infantil em categoria técnica é desconsiderar o potencial da linguagem
(foto: Arquivo Pessoal/Divulgação.)

Reações provocam a renúncia do curador

Nahima Maciel, no Correio Brasiliense

As mudanças anunciadas pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) para a 60ª edição do Prêmio Jabuti, em maio, ganharam repercussão que resultou na renúncia do curador, Luiz Armando Bagolin, e ameaça de boicote entre os autores e editores. Nas redes sociais, muitos revelaram que desistiram de inscrever seus livros este ano, em resposta à decisão da CBL de não voltar atrás no novo regulamento.

Entre as mudanças no prêmio, um dos mais tradicionais de literatura do Brasil, estão a fusão das categorias infantil e juvenil e a transferência de ilustração para Livro, categoria técnica que abrange ainda Projeto Gráfico, Impressão e Capa. A novidade desagradou a autores e artistas que trabalham com literatura infantojuvenil. Eles acusam a CBL de ignorar as especificidades da produção para jovens e crianças e a diferença entre a ilustração técnica e aquela carregada de simbologia e narrativa.

Autora de mais de 40 livros, boa parte deles infantojuvenis, Marina Colasanti diz que ficou muito surpresa com as novas regras do Jabuti. Ela recebeu um comunicado da editora Brinque-book, pela qual publica alguns livros, sobre a decisão de não participar do prêmio este ano. “Não há uma pessoa na área que não tenha se surpreendido, que não seja contra essas modificações”, garante Marina.

Segundo ela, a CBL cometeu um equívoco ao juntar as categorias infantil e juvenil. “É um desconhecimento do que seja a literatura infantil como suporte para a estruturação da leitura. Essa estruturação se dá por etapas com o livro infantil, o juvenil e o adulto. Juntar dois desses degraus é absurdo”, lamenta. “O raciocínio seguramente foi: ‘a área tem três prêmios, vamos tirar dois’. Mas a área não tinha três prêmios. A área é composta de três segmentos, e cada segmento tinha um prêmio. Não entender isso é desconhecer a área.”

Uma das justificativas da CBL para a redução das categorias é a extensão da cerimônia de premiação, muito longa e enfadonha. “Mas o meio que se encontra para fazê-lo testemunha um preconceito contra a literatura infantil e juvenil que perpassa toda a literatura. Esse preconceito existe, embora o mercado seja muito favorecido pelo segmento”, diz Marina. Para Paula Pimenta, autora que é febre entre jovens leitoras, a fusão não deveria ter ocorrido.

“São duas categorias diferentes e acho injusto que entrem em uma mesma avaliação. Não tem como equiparar um livro de 20 páginas, ilustrado, com um de 200 em texto corrido. Cada um tem suas qualidades, é como colocar dois produtos diferentes para concorrer em um mesmo segmento, gera uma comparação indevida”, diz Paula.

Na carta em que renuncia ao cargo, Bagolin acusa os autores e editores de defenderem interesses pessoais e mercadológicos: “Mas o que realmente importa em minha divergência é alertar para o fato de que há indivíduos que estão agindo contra o novo projeto apenas para defender interesses pessoais e comerciais e não pela possibilidade de prestar uma colaboração desinteressada ao Prêmio Jabuti”. Ele diz que a CBL tem perfeito conhecimento das diferenças entre a produção infantil e juvenil e cita o maior prêmio da área, o Hans Christian Andersen, que tem apenas a categoria infantojuvenil, como referência.

“Não há que eu saiba atualmente nenhum manifesto ou mobilização de nossos autores, ilustradores e editores para que haja uma mudança no Hans Christian Andersen. Ao contrário deste prêmio, contudo, o Jabuti não é voltado exclusivamente seja à literatura infantil, seja à juvenil, seja à ilustração infantil”, escreve. Este ano, Jabuti ficará sem curador.

Marina Colasanti: “Não há uma pessoa na área que não tenha se surpreendido, que não seja contra essas modificações”
(foto: Divulgação )

O escritor Alexandre Castro Gomes, autor de livros infantis, lembra que o gênero já ganhou três Hans Christian Anderesen, o Nobel da área, e é reconhecido no mundo inteiro, mas sofre no Brasil. “A gente não pode exigir nada do Jabuti, porque o prêmio não é nosso, mas a gente pode defender a literatura infantojuvenil. Como pode eles estarem defendendo a formação de leitor quando o jovem leitor está perdendo espaço? Acho que isso é um reflexo de querer didatizar a literatura e a arte, de querer colocar todo mundo na mesma caixa”, diz.

Preconceito

Para Tino Freitas, autor de Brasília, a junção das categorias representa ainda um preconceito em relação ao livro para crianças e jovens. “Por ser infantil, é colocado como pueril e fútil. Infantil e juvenil são dois estilos completamente distintos. É impossível pensar como se fosse uma categoria só. É como premiar romance com poesia”, sugere.

A polêmica começou há quase um mês, quando Volnei Canônica, especialista em infantojuvenil e autor de uma coluna sobre o tema no site Publishnews, criticou as mudanças no prêmio em dois textos nos quais argumenta, também, sobre os critérios de avaliação expressos no regulamento. Em uma reação publicada em post no Facebook, o curador do Jabuti, Luiz Armando Bagolin, ofendeu Canônica ao escrever que ele “se promove como especialista e surfa ao sabor das opiniões” e ao afirmar que o colunista faz a “defesa indefectível de seu amor, Roger Mello. Afinal, hoje é Dia dos Namorados. Beijos a vocês”.

Acusado de ser homofóbico, Bagolin acabou por pedir demissão e, em outro comentário nas redes, acusou os autores de serem cabotinos e de promoverem reserva de mercado ao criticar a redução de possibilidades de ganhar o prêmio. “Em nenhum momento o curador ou a CBL combateram meus argumentos com argumentos. Houve sim uma ofensa pessoal. Mas nunca houve uma argumentação”, lamenta Canônica.

Na semana retrasada, ele participou de uma reunião com o presidente da CBL, Luiz Antônio Torelli, e com o próprio Bagolin, então curador, para apresentar uma carta assinada por 360 autores e artistas — entre eles Ziraldo, Maria Valéria Rezende e o próprio Roger Mello. No documento, os autores apontam três aspectos do prêmio para os quais sugerem mudanças. A CBL alegou ser muito tarde para novas regras, mas aceitou falar dos critérios. “Muitos conceitos que estão nos critérios de avaliação são ultrapassados e retrógrados”, explica Canônica. “Eles colocam, por exemplo, a ilustração como prestadora de serviço para a palavra.”

Ilustração

Para os ilustradores, colocar a ilustração infantil em categoria técnica é desconsiderar o potencial da linguagem. “A ilustração tem um papel muito importante e existe uma responsabilidade de fazer um livro para um jovem. Claro que o jovem vai ler tudo, mas existe uma área de interesse que não é preparar para ler um livro adulto, é entender esse momento. E o Brasil está cheio de escritores excelentes desse segmento e ele está sendo ignorado”, aponta Roger Mello.

Ele lembra que o Jabuti é um prêmio do mercado e que os jovens lotam as feiras e bienais, o que torna ainda mais inexplicável a redução de categorias. “É como se os jovens não existissem”, lamenta.

Para Mariana Massarani, que já ilustrou mais de 150 livros infantis e também é autora, a ilustração não é apenas um detalhe técnico do livro. “Antes do texto, vem a ilustração. Às vezes, você pode ter um livro genial sem texto e outros em que a ilustração e o texto se completam”, explica. “O pessoal do Jabuti não entendeu o valor da ilustração. E é curioso, porque o prêmio sempre foi muito mais valorizado pelo pessoal do infantil do que do adulto.”

Livro de JK Rowling vai virar minissérie

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Britain J.K. Rowling

Adaptação da obra para adultos “A Morte Súbita” será produzida pelas redes HBO e BBC

Publicado no Último Segundo

O livro “A Morte Súbita” (2012), de JK Rowling (da saga “Harry Potter”) vai ganhar uma minissérie de 3 horas de duração.

A pequena cidade de Pagford, retratada no livro, será adaptada para a televisão pelas redes HBO e BBC (esta última havia anunciado que faria um programa baseado no livro em 2012). Rowling vai participar do processo como produtora executiva. As informações são do site “The Hollywood Reporter”.

O livro “A Morte Súbita” é o primeiro livro adulto da autora britânica. Apesar de ter recebido críticas variadas, vendeu mais de 6 milhões de cópias pelo mundo e tornou-se um best-seller.

“A Morte Súbita” se passa em uma pacata vila inglesa que, apesar de parecer perfeita, está cercada de conflitos. A série tem aspectos parecidos com outros seriados da HBO, como “True Blood”, “True Detective” e “Game Of Thrones”.

A HBO é parte da Time Warner Inc, companhia que também produziu os oito filmes da franquia “Harry Potter”, que arrecadaram mais de US$ 7,7 bilhões (R$ 17 bilhões) pelo mundo.

A série começará a ser rodada no segundo semestre deste ano na Inglaterra.

Vaticano: ‘decepcionado’ com livro adulto de J. K. Rowling

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Publicado originalmente na Veja.com

J. K. Rowling pode ser admirada pelo sucesso da série Harry Potter e por ter superado dificuldades como mãe solteira. Mas seu primeiro romance adulto, The Casual Vacancy, lançado no final de setembro nos países de língua inglesa, não merece muita atenção, de acordo com uma crítica do jornal L’Osservatore Romano, publicação da Santa Sé. Para o periódico, o livro “não convence” e a perspectiva de Rowling é “decepcionante”. A resenha apresenta uma breve sinopse do livro, sem dar destaque a assuntos que causariam desconforto a membros da Igreja Católica, como sexo casual, drogas e autoflagelação.

De acordo com o britânico The Telegraph, o jornal do Vaticano também elogia a criadora de Harry Potter por ter doado para a caridade parte do lucro da série do menino bruxo em 2011, mas nem isso o faz ver com olhos complacentes a estreia da escritora no universo adulto.

O jornal do Vaticano foi um verdadeiro entusiasta dos livros de Harry Potter. Em janeiro de 2008, dedicou uma página inteira a um debate filosófico sobre a pertinência de Potter como herói para as crianças. Nos anos seguintes, elogiou a moralidade e a defesa da amizade e do sacrifício contido nos filmes. Desde 2007, quando Bento XVI foi indicado papa, o periódico L’Osservatore Romano, fundado em 1861, tenta uma aproximação com a cultura popular.

O romance de JK, que chega às livrarias brasileiras em dezembro com o título de Uma Morte Súbita, já foi alvo de controvérsia na Índia, onde sofreu ameaças de banimento em outubro, pela descrição que faz de uma personagem da comunidade sikh. Por aqui, a obra será lançada pela editora Nova Fronteira.

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