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Mercado de livros fecha 1º semestre de 2017 melhor que no ano passado e vê ‘volta’ de autoajuda e biografias

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Faturamento cresceu 6,59% e volume de vendas 5,47%. Ao G1, presidente de sindicato do setor diz ver resultado com ‘cautela’: ‘Reverte parcialmente as perdas’.

Cauê Muraro, no G1

Após um 2016 que esteve mais para história de terror do que para contos de fada, o mercado de livros do Brasil começa a dar sinais de recuperação.

O setor fechou o primeiro semestre de 2017 com dados positivos tanto em faturamento (alta de 6,59% com relação ao ano anterior) quanto em volume de vendas (alta de 5,47%).

Nos primeiros seis meses de 2017, foram R$ 931,6 milhões – contra R$ 873,9 milhões no ano passado. Já o número de exemplares vendidos cresceu de 20,9 milhões para 22 milhões.

Os números estão na edição mais recente do Painel das Vendas de Livros no Brasil, divulgado nesta quinta-feira (3).

O livro 'Batalha espiritual', do padre Reginaldo Manzotti, o mais vendido no primeiro semestre no Brasil, segundo o site PublishNews (Foto: Divulgação)

O livro ‘Batalha espiritual’, do padre Reginaldo Manzotti, o mais vendido no primeiro semestre no Brasil, segundo o site PublishNews (Foto: Divulgação)

Divulgado mês a mês e agora com o balanço do semestre, o estudo é feito pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel) e pela Nielsen. A pesquisa baseia-se no resultado da Nielsen BookScan Brasil, que verifica as vendas em livrarias, supermercados e bancas.

Vale registrar que 2016 foi considerado um ano bastante difícil para o setor. Além da crise econômica, faltou um fenômeno editorial.

‘Reverte parcialmente as perdas’

Mas como o mercado de livros vê o balanço deste primeiro semestre de 2017? “Com bons olhos e com cautela”, responde o presidente do Snel, Marcos da Veiga Pereira, em entrevista ao G1.

A avaliação é que o resultado “reverte parcialmente as perdas” do ano passado. “Acredito que a estabilidade da economia, a interrupção do aumento do desemprego e a queda da inflação, impactaram positivamente as vendas em geral”.

Pereira cita ainda que os primeiros três meses registraram a maior parcela do crescimento, atribuindo o aumento aos “resultados positivos no volta às aulas e promoções no Dia da Mulher”.

“Os números de 2017 também são relevantes por não estarem vinculados à nenhum fenômeno específico”, afirma ele, citando que “algumas promoções das principais redes de livrarias ‘puxaram’ as vendas para cima”.

Sem fenômeno como livros de colorir

Em 2015, houve o fenômeno dos livros de colorir. Em 2016, não houve fenômeno nenhum – os YouTubers até ajudaram, mas não deu para chamar de febre.

E em 2017: alguma tendência, pelo menos, no horizonte? Não exatamente. Mas dá para notar que livros de não ficção estão em alta (ou seja, nada de romance, contos ou poesia, por exemplo).

“Há uma volta ao livro de autoajuda e espiritualidade, em que autores como Mario Sergio Cortella, Augusto Cury, Prem Baba e o padre Reginaldo Manzoti se destacaram”, lista o presidente do Snel.

“Vale mencionar o crescimento das biografias, que após a decisão do Supremo Tribunal Federal passar a ocupar consistentemente as listas de mais vendidos.”

Em junho de 2015, os ministros do STF decidiram, por unanimidade, derrubar a necessidade de haver autorização prévia de uma pessoa biografada para publicação de obras sobre sua vida. A decisão liberou biografias não autorizadas pela pessoa retratada (ou por seus familiares) publicadas em livros ou veiculadas em filmes, novelas e séries.

O Painel das Vendas de Livros no Brasil informa que, no primeiro semestre de 2016, os livros de não ficção haviam vendido R$ 196,8 milhões. No mesmo período de 2017, vendeu R$ 220,8 milhões.

Simbolicamente, dá para lembrar que o best-seller do Brasil no ano passado foi o doce e romântico “Como eu era antes de você” (Intríseca), de Jojo Moyes, segundo o site PublishNews. Já em 2017, o campeão até aqui é “Batalha espiritual” (Petra), do Padre Reginaldo Manzotti.

Estudo resgata os últimos 200 anos de edição de livros no País

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Setor avalia rumos do mercado e projeções para seu futuro

Imagem: Google

Imagem: Google

Maria Fernanda Rodrigues, no Estadão

Uma frase de Carlos Drummond de Andrade na sala de reuniões do Sindicato Nacional de Editores de Livros (Snel) resume bem o estudo que o Coppead, o instituto de pós-graduação em Administração da Universidade Federal do Rio, apresenta nesta terça, 20: “Autor, editor e livreiro formam uma trinca inseparável, pela identidade de interesses culturais e econômicos. Aquele que pense em se afastar dos outros vai se dar mal”.

É justamente a falta de comunicação entre os envolvidos na cadeia do livro um dos maiores desafios para que o mercado editorial continue crescendo. Não existe hoje no Brasil, por exemplo, um sistema único de informação para editores, distribuidores e livreiros, causando atrasos e falhas que podem se refletir na insatisfação dos leitores – para quem, afinal, todo o trabalho é feito.

A ideia do estudo surgiu há dois anos, quando Sônia Jardim, presidente do Snel, procurou o Coppead. Os editores queriam entender melhor o que estava acontecendo com o mercado e saber para onde estavam indo. Leonardo Bastos da Fonseca, aluno do mestrado da instituição, se interessou pelo assunto e tocou com Denise Fleck, sua orientadora, a pesquisa patrocinada com uma bolsa de estudos pelo sindicato.

O relatório abarca dois séculos de história – de 1808, ano da chegada da família real, a 2012. Foram ouvidos cerca de 40 editores, livreiros, autores, agentes literários, gráficos, etc. O Acervo Estado, com material publicado pelo jornal a partir de 1875, também foi fonte. O objetivo era fazer uma análise histórica do crescimento e identificar os desafios para que a evolução seja organizada e leve à longevidade do mercado, e não à sua autodestruição.

A ida a feiras internacionais, a realização de festivais literários no País, práticas como consignação para livrarias, marketing, treinamento de funcionários, criação de grupos editoriais e fragmentação dos catálogos em selos foram algumas das questões tratadas na pesquisa – ainda não se sabe se ela virará um livro, mas como são poucas as publicações sobre o mercado editorial brasileiro o lançamento seria bem-vindo.

Entraves já superados, como imposto sobre papel e impressão, falta de papel, censura, taxa de câmbio e inflação, entre outros, deram espaço a questões como desorganização, falta de comunicação, competição interna, funcionários de livrarias sem conhecimento do produto (porque mais livros são lançados hoje e porque a rotatividade na área é grande, já que salários são baixos) e falta de avaliação das iniciativas – especialmente as comerciais e de divulgação. O livro digital e as compras governamentais, duas grandes esperanças de crescimento, também podem ser vistos como obstáculos.

Para Denise Fleck, há duas estratégias com relação ao e-book: continuar agindo como se nada estivesse acontecendo e ver o que vai acontecer ou identificar o que pode ser melhorado hoje, enquanto o mercado se prepara para o digital. O primeiro grupo prevalece, diz a professora, embora ela ressalte que este foi um primeiro estudo que não se prestou a aprofundar esta questão.

Sobre os programas de venda para o governo, que têm movimentado cerca de R$ 1 bilhão ao ano, ela informa que as editoras não estão preparadas para perder a boquinha. “Hoje em dia essas compras estão fazendo uma boa diferença. Respondem, às vezes, por 30%, 40% do faturamento. Se o governo mudar sua estratégia ou suprir suas necessidades fazendo apenas compras esporádicas, vai afetar.”

Feiras ainda são boas vitrines
A proliferação de eventos literários nos anos 2000 ampliou os espaços de exposição do livro, aponta o relatório da Coppead. “As feiras são muito bem-vindas e uma das alavancas de divulgação”, diz Denise Flick. O estudo, no entanto, mostra queda nas vendas dentro de feiras na última década. Hoje, a Bienal Internacional do Livro de São Paulo anuncia sua programação. Entre os confirmados, o best-seller Ken Follett.

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